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16.fevereiro.2011 16:09:06

O desafio do preço dos alimentos

Num encontro com intelectuais em Havana, Fidel Castro pediu que salvem o mundo. Novidade, porque no passado a salvadora do mundo era a classe operária. Fidel mencionou os temas de sempre, mas tem um mérito de tocar num ponto que a própria Dilma deveria levar em conta: a alta  do preço dos alimentos.

É um fenômeno global e teve grande repercussão nas revoltas. Aliás, a confiança do mundo globalizado de comprar o que falta em outros lugares, enfraqueceu a velha política de plantar e armazenar para tempos de crise.

Feira no Haiti, antes do terremoto(foto FG)

Dilma deveria se interessar pelo assunto porque tem como estratégia a redução da pobreza. A FAO, por seu turno, afirma que o aumento do preço dos alimentos pode arrastar milhões de pessoas para a pobreza. Em outras palavras, a sorte da redução da pobreza não depende apenas de políticas assistenciais mas do aumento da produtividade na agricultura.

O que está acontecendo? Vivemos sobre o impacto de La Niña e isso tem um grande peso. China e Rússia viveram grandes secas, a Austrália grandes inundações. O Brasil sofreu menos, embora a agricultura de regiões como a serrana do Rio tenha sido atingida. O pais produz  e exporta alimentos e, certamente, vai se beneficiar do aumento de preços. Mas vento que venta lá, venta cá. O aumento acaba repercutindo internamente.

Visão de um armazém em Teresópolis.(foto FG)

Além dos problemas climáticos, alguns produtos como o milho sofrem com a reorientação de seu uso, na produção do etanol. Diante dos grandes termas internacionais, políticos podem achar prosaico um debate sobre aumento de preços de alimentos. Mas ele toca diretamente na qualidade de vida das pessoas mais pobres.

Como o Brasil produz e existe no ar essa dúvida sobre as conseqüências do aumento de preço dos alimentos, seria interessante promover um debate com pessoas que entendem. Quando se lê um artigo sob a ótica de quem produz grãos e carne, o enriquecimento da China e o aumento do consumo por lá é visto como fator favorável. E de fato é. Mas a sorte não é a mesma para quem apenas compra alimentos.

Bananas na serra Rio-Petrópolis(foto FG)

No caso do Egito, o governo tinha uma grande dificuldade em manter os subsídios que garantiam o arroz pela metade do preço. Na Venezuela, Chávez terá de desembolsar US$40 bilhões para importar tudo o que precisa. Se deixar de subsidiar a alimentação, um dos pilares de seu regime cai por terra.

E como estamos num mundo interligado, a alta dos alimentos é uma grande questão política que pode significar não apenas o desconforto e miséria dos mais pobres mas a ruína de muitos governos.

Vendedores ambulantes em Porto Príncipe(foto FG)

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Comentários (4) | comente

4 Comentários Comente também
  • 16/02/2011 - 16:55
    Enviado por: Tweets that mention O desafio do preço dos alimentos. Fernando Gabeira via -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Renato de Brito, Nova Cabo Frio, Gilda Aché Taveira, Zaga Silos, Fernando Gabeira and others. Fernando Gabeira said: O desafio do preço dos alimentos. Fernando Gabeira http://t.co/qpZ6aVI via @estadao [...]

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  • 16/02/2011 - 19:43
    Enviado por: Luis Felipe Cesar

    Muito bem lembrado! Um prosaico saco de milho (25kg) subiu de 18 para 22 reais em Resende. Fundamental termos política de segurança alimentar.

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  • 16/02/2011 - 20:23
    Enviado por: Alexandre

    O tomate hoje aqui na Tijuca estava custando a bagatela de 4,99!

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  • 17/02/2011 - 07:41
    Enviado por: Cristina Barboza

    Na Ilhabela o tomate rasteiro custa R$2,99/kg. Há vários tipos de tomates, tem o salada, o Débora, o rasteiro, cada um com seu preço. Nós temos que encontrar uma solução para os políticos e não para a alta do preço dos alimentos. O governo só faz aumentar impostos e contribuir para a alta de preços.
    Eu poderia viver de subsistência no local onde moro, neste ponto sou auto-sustentável, tenho água potável, um mar na frente com muitos peixes, diversas árvores frutíferas, ervas medicinais à minha disposição, posso plantar verduras e legumes. Que mais que eu preciso? Como sou civilizada tenho mais necessidades que as básicas, e sou parte de uma economia que divide recursos escassos, para uma população carente e crescente. No lugar onde moro não há carência de alimentos, o único problema que vejo é uma possível escassez de peixes, que ainda não acontece. Houve aumento no preço do peixe. Eu acho que em Cuba há um gravíssimo problema político. Que Deus salve Cuba de Fidel Castro! A pesca é uma atividade artesanal e também industrial, o Estado não pode se apropriar dos recursos do pescador!

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