O Brasil tomou posições corretas e precisas sobre a crise no Egito. Não se deve comparar a perfomance norte-americana à brasileira porque os EUA tinham um envolvimento com o governo Mubarak, destinando bilhões de dólares de ajuda ao pais. Obama podia intervir nos detalhes, pedindo, por exemplo, que a internet fosse liberada.
No entanto, acho que a presidente Dilma deveria ter feito um curto pronunciamento sobre o tema. Li, em alguma parte, que ela decidiu marcar sua diferença em relação ao governo anterior, reservando ao Itamaraty o papel de comentar o histórico desdobramento da situação egípcia.
É verdade que Lula falou muito. É verdade que o Itamaraty se meteu em inúmeras disputas, quase todas perdidas. Lembro-me por exemplo do apoio brasileiro ao egípcio Farouk Hosni à UNESCO. Perdemos com ele e deixamos de ganhar com um brasileiro que era forte candidato.
Foram equivocadas as falas sobre a oposição no Irã. Foi extremamente infeliz comparar presos políticos cubanos a delinquentes comuns no Brasil.
O fato de tudo isto ter acontecido, não significa que os presidentes devam silenciar, de agora por diante,deixando que falem apenas os diplomatas. Uma opção desse tipo seria simplesmente jogar fora o bebê junto a a água de banho.
Existe um espaço para a diplomacia presidencial. E este espaço não foi ocupado no caso egípcio. Nada de grave, nada de condenável. Apenas uma sugestão para que a gente encontre o caminho do meio.
2011
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