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27.janeiro.2011 23:50:34

Wikileaks, a história por dentro

Imperdível para quem estuda o jornalismo no século XXI o longo texto do New York Times contando os bastidores das negociações do jornal no episódio do Wikileaks. O texto é assinado pelo editor executivo Bill Keller e surge num momento em que os vazamentos prejudicam o próprio processo de paz no Oriente Médio. Refiro-me as notîcias sobre possíveis concessões dos líderes palestinos. A matéria é uma longa defesa da participação do New York Times na história dos vazamentos e uma clara preocupação em manter distância da fonte, Julian Assange.

A história contada pelo New York Times começa com uma chamada telefônica do editor do Guardian. O Times teria uma forma segura de comunicação -  pergunta o jornalista ingês. Resposta negativa. Não havia nada além das ligações ordinárias. Mesmo assim a conversa foi feita: havia uma grande quantidade de material que o Wilileaks queria divulgar e o Guardian estava procurando parceiros.

O New York Times enviou a Londres um homem de seu escritório de Washington que conhecia documentos militares e ele examinou durante dias o material. Eram verdadeiros. Começou aí a preparação dos artigos sobre a guerra, principalmente  Afeganistão.

Tanto no material da guerra como nos telegramas dipomáticos, o jornal procura se distanciar do Weakleaks, afirmando que editou tudo com muito cuidado para não expor operações de inteligência, para oferecer alvos aos terroristas e, no caso de diálogo com diplomatas, não expor a vida de oposicionistas em países ditatoriais.

A história conta todos os choques entre o jornal e Julian Assange, inclusive como ele reagiu furioso à publicação de seu perfil. Assenge, afirma Keller, nem é um associado nem um colaborador: apenas uma fonte  com suas impurezas. Adiante, Assange é descrito como um personagem de Stieg Larsson, o escritor best-seller sueco que mistura contracultura, hackers, conspirações de alto nível e sexo.

O primeiro contato com Assange, feito em Londres por Eric Schmitts, que foi estudar o material, descreve Assange como um homem com cheiro de quem não toma banho há dias. O Wikileaks exigiu dos jornais um embargo, algo bastante comum na distribuição de documentos. Embargo, nesses casos, marca uma data em que a publicação pode ser feita. O que dá mais tempo para estudos e apurações.

Toda a descrição do New York Times está voltada para sua própria defesa. Os cuidados em cada material, a lembrança dos repórteres do jornal assassinados em missão, o curso da narrativa indicam que receberam muitas e pesadas críticas. O jornal procura se distanciar um pouco até dos próprios associados na empreitada, como o Guardian, que tem uma posição mais à esquerda.

O relato, apesar de seu tamanho, deve estar circulando em português nos jornais do fim de semana. Vale a pena conferir ou então esperar a publicação de  Segredos Abertos: Wikileaks, Guerra e Diplomacia Americanas . É a cobertura completa e atualizada do New York Times que será oferecida em forma de e-book.

Não creio que, apesar das minúcias, o relato do New York Times vai convencer de que fizeram a coisa certa porque o tema dividiu muito. Na verdade são poucos os jornalistas no mundo que diante de uma oferta como a do Guardian- 500 mil documentos secretos – diriam não, obrigado.

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Comentários (14) | comente

14 Comentários Comente também
  • 28/01/2011 - 10:50
    Enviado por: Jose

    Antes de ler o que o NYT publicou. O que da o entender é que eles estão simplesmente “tirando da reta”, o que demonstra que está havendo uma enorme pressão encima deles e de todos os demais envolvidos. No caso do NYT fica claro que, “sendo da casa”, vão terminar deixando todos os demais sozinhos neste assunto. E não seria de estranhar que Julian Assange terminasse sendo o maior “malvado surgido em toda a historia deste planeta”, afinal, todas as tretas feitas pela “diplomacia” dos brothers do norte foram e são para o “bem estar da humanidade”. Agora resta esperar para ver que atitudes tomarão os outros meios que estão envolvidos nas publicações. Não sei, mas me da à impressão de que vão acabar “olhando pro céu e saindo de mansinho”, enquanto assobiam a “bandeira estrelada”.

    E Assange?

    “¿Señor, nos hemos visto alguna vez? Si es así perdóname, pero no me acuerdo de usted”

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  • 28/01/2011 - 11:38
    Enviado por: François

    Gabeira meu brother, você percebe…não os documentos propriamente ditos, mas como estes caras tentam com sutilezas e minúcias desqualificar o Sr. Assange???

    Lembro-me uma vez, quando você tinha um material em vídeo e queria editar, mas como ainda estávamos no governo militar, e o material se não me engano falava sobre a população pobre do interior nordestino que comia calango para sobreviver.
    Neste momento, com a recusa de algumas produtoras (foi o que circulou na época) para te receber, você foi dirigido para uma produtora em Santa Tereza de nome Multivídeo, no qual os donos eram dois Almirantes. Lembrando agora do que ouvi das conversas dos milicos sobre o teu vídeo e sua presença ali, vejo a semelhança do que o establishment tenta neste momento fazer com as ações do Sr. Assange.

    Em tempo: Tinha uma menina que trabalhava conosco nesta época de nome Olga (na época me fez até ler o seu livro) que, dizia com toda a propriedade do mundo, que você era a voz suprimida da multidão. Imagino agora, neste estante, a mesma dizendo que você fora o wikileaks do passado. E agora José????

    Parceirinho, naquele momento tive uma enorme satisfação em tê-lo servido, mesmo por um tempo muito breve. Continue fazendo por merecer, pois somos nós sua base de sustentação. Quando há holofotes de mais, até as mariposas mais experientes procuram o caminho inverso!!!! Forte abraço e segura a marimba mermão!!!!!

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  • 28/01/2011 - 12:06
    Enviado por: luiz

    O “não obrigado” foi apenas um ato de covardia dos editores do NYT. É obrigação da imprensa divulgar os desmandos dos funcionários de governo e é um direito do cidadão conhecê-los.

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  • 28/01/2011 - 12:44
    Enviado por: Tweets that mention Wikileaks, a história por dentro « Fernando Gabeira -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Paulo Siqueira, SL da Silva, Evandro Ladislau, Maria Celina McCall, Fernando Gabeira and others. Fernando Gabeira said: RT @estadao Wikileaks, a história por dentro « Fernando Gabeira http://bit.ly/gTFZxI [...]

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  • 28/01/2011 - 16:36
    Enviado por: angelo perez

    Acredito que os únicos que não sabiam dessas questões somos nós, o povo, de resto é tudo carta marcada. Reparem que em praticamente todas as guerras não são atacados os governantes, de ambos os lados, a massa é o alvo.

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  • 28/01/2011 - 19:55
    Enviado por: Fernando Gabeira: Wikileaks, a história por dentro « blog do Zé

    [...] Leia mais… Written on janeiro 28th, 2011 , Noticias de Tecnologia [...]

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  • 28/01/2011 - 22:21
    Enviado por: Paulo Andrade

    Quase tudo o que o WikiLeaks divulgou já era conhecido, ou, ao menos muita gente desconfiava.

    A diferença é que a fonte era o próprio governo americano (Os iraquianos dizendo a mesma coisa não tinham crédito).

    Outro dia assisti a um programa chamado “a caça a Bin Laden”, se não me engano.

    Numa das cenas, um avião não pilotado (um “drone”) pulveriza um cara alto e barbudo que era seguido por dois outros.

    Uma equipe de solo recolheu fragmentos dias depois e descobriu que o morto não era quem eles pensavam.

    O Narrador fala quase sorrindo que, infelizmente, a vítima era só um cara errado que estava no lugar errado.

    Há vários programas desse tipo, que mostram as operações militares americana – Else se sentem no direito de matar qualquer um e não têm o menor pudor em fazê-lo.

    Homens bombas palestinos são radicais e desumanos.

    Bacana mesmo é explodir pessoas com aviões pilotados por controle remoto.

    “Minha tecnologia pode tudo, eu quero e o que eu devo não é relevante .” – Esta geralmente é a postura (ética??) americana

    Parece uma visão radical de Martin Heidegger, quando ele fla sobre a “coisificação”

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  • 29/01/2011 - 01:50
    Enviado por: luiz

    Ô Gabeira, você também? Ou será que você quer o visto americano que lhe nagaram? Li o artigo no NYT. Aposto que você não leu ou, se o fez, ganha o troféu cara de pau 2011 junto a eles.

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  • 29/01/2011 - 01:54
    Enviado por: luiz

    Apesar do Lassnge tomar poucos banhos como todo europeu (e com você quando ficou trancado em casa na Suécia com uma imensa pedra de haxixe, lembra?), ele merece o prêmio Nobel da Paz por sua contribuição à democracia e à transparência. Você virou um velho preconceituoso, como era de esperar.

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  • 29/01/2011 - 03:37
    Enviado por: luiz

    Gabeira virou um velho reaça igualzinho o Xico Buarque.

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  • 29/01/2011 - 03:40
    Enviado por: José Bispo dos Santos

    Gabeira uma dica, Monte uma Escola de Amadurecimento do Pensar ou de como Sair da Síndrome de Peter Pan, se quizer posso ser seu sócio, ficaremos milionários rápidamente. Não conheço o seu profundo pensar mas, não ousaría dizer que deixou de ser “socialista” porem com a cabeça madura de quem já é maduro. Acompanho a seus blogs e o que vejo com certa constância são pessoas que dizem que te conhece profundamente falando como se fosse 50 anos atrás. Pararam no tempo. Talvez ainda fujam dos “bedeus” e idolatram professores que não existem mais mas, a imaginação destes teimam em fazer parecer que aconteceu semana passada. O Brasil caminhou, os que comeram calangos já o faziam ha 2 séculos e algumas industrias químicas construídas nas decadas de 60/70 naquelas regiões trouxeram algum progresso como progresso trouxe a zona franca e alguns portos. Voces são tão infantís que dizem que o FHC, que FUGIU do Brasil por ser comunista, é de extrema direita e o Lula que era sindicalista ficou no Brasil é comunista. Gabeira, “Madureza” neles.

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  • 29/01/2011 - 14:03
    Enviado por: François

    José.

    Você está coberto de razão no sentido do amadurecimento, tanto do eleitor, como de nossos políticos. Acredito também, que os eleitores evoluíram mais que os políticos, pois os políticos deslumbrados pelas luzes do poder, se afastam de suas propostas iniciais, muitas das mesmas que nos fizeram lutar pelos mesmos ideais no passado. Quanto as minhas lembranças do início dos anos 80, é pura provocação. Se tiver atenção no que escrevi, constatará!!!!!!!!!!

    Em tempo: Não estamos aqui para fazer ofensas ao Gabeira, né mesmo?? Mas podemos lembrá-lo do caminho que começamos juntos por “idealismo” e o mesmo está no momento quebrando a corrente!!!!!!!!!

    Saudações da praia de Ramos!!!!!!

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  • 30/01/2011 - 04:52
    Enviado por: nadia nagm

    Boa noite Gabeira!
    O que aconteceu com Julian Assenge é algo que acontece com a todo jornalista, em toda a parte do mundo. A imprensa mundial não é imparcial, porque dependem de seus anunciantes… que por sua vez tem outros membros que mantem esses anunciantes. Como chegar até o topo desta hirarquia?
    Mas é fato que quando a verdade chega ao público, a reação é imediata e incalculável, acontecimentos recentes comprovão esta afirmação. O ser humano aceita a mentira desde que ela seja colocada como verdadeira, mas a partir do momento em que ela passa a se mostrar na sua verdadeira fase fica impossível aceitar. Graças a um jovem jornalista, verdadeiros déspotas se vêm no fio navalha.
    Pessoa de bem continuam a colaborar com este jovem, impedido no momento de desmascarar desgovernos financiados para resguardar interesse de terceiro.
    Graças a Deus! Mesmo que você não acredite nele, tudo tem um fim.

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