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Fernando Dantas
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Incerteza persiste com vitória de Obama

9 de novembro de 2012 | 16h27

Fernando Dantas

A reeleição de Barack Obama foi discretamente comemorada pelo governo brasileiro, e também foi saudada pela maioria dos cidadãos do País que acompanham e se interessam pela política americana. Com o radicalismo cultivado pelo Partido Republicano desde o governo de George W. Bush, e que eclodiu de forma ainda mais forte com o surgimento do movimento popular Tea Party, o que restava de simpatia pela direita americana no Brasil e na maior parte do mundo evaporou.

No entanto, em termos concretos, a eleição de Obama não trará necessariamente benefícios para o Brasil. Como aponta o economista e consultor Alexandre Schwartsman, a vitória de Obama representa um alívio “muito mais pelo que ele não vai fazer do que pelo que vai fazer”.

Schwartsman refere-se a elementos da plataforma eleitoral do candidato republicano Mitt Romney que davam calafrios em muitos economistas. “O Obama vai tocar a vida como vem tocando, não vai fazer a barbaridade de cortar impostos e aumentar gastos militares, não vai, no primeiro dia, colocar a China como manipuladora de câmbio”, ele diz. Essas medidas, defendidas por Romney, poderiam provocar abalos na economia americana, que certamente teriam impacto no mundo todo, inclusive no Brasil.

Na verdade, a questão crucial à frente, que hoje mobiliza as atenções do mercado financeiro e dos economistas, é o chamado abismo fiscal – uma série de aumentos de impostos e cortes de gastos públicos que entrará em vigor automaticamente antes do fim do ano. Com a economia americana ainda bastante combalida, e uma recuperação cheia de altos e baixos, a súbita contração fiscal poderia jogar o país de novo em recessão, ou no mínimo tornar a retomada ainda mais débil.

Diante da complexidade política e econômica do xadrez do abismo fiscal, os analistas se dividem sobre o significado da vitória da Barack Obama. Schwartsman, por exemplo, acha que, em relação a este problema, a eleição do democrata pode até ser um pouco pior.

“É que eu tendo a achar que os democratas não fariam com o Romney o que os republicanos estão fazendo com o Obama”, diz.

Ele se refere à intransigência na hora de negociar, que é exatamente o que pode fazer com que o abismo fiscal se materialize, já que, se o governo conseguisse um consenso que garantisse a maioria nas duas casas do Congresso, seria possível conduzir o ajuste fiscal de forma mais suave. Com o resultado das eleições, a Câmara permanece com maioria
republicana, e o Senado com maioria democrata.

Para a economista e consultora Monica Baumgarten de Bolle, o abismo fiscal simplesmente não deve acontecer no final das contas (Schwartsman também acredita que ele será evitado no último momento).

Ainda assim, ela acha que o resultado da eleição, que manteve o Congresso dividido, pode ser negativo para o Brasil. Para ela, se os Republicanos dominassem as duas casas, seria ruim para o governo de Obama, mas pelo menos a política econômica tomaria um rumo, o do corte de gastos. Do jeito que está, ela continua, permanecerá uma grande ambiguidade e falta de rumo na política econômica americana, que terá impactos negativos numa economia ainda enfraquecida, mesmo depois de superado o abismo fiscal.

Essa indefinição, por sua vez, faz parte do quadro internacional ruim que vem prejudicando a retomada da economia no Brasil, especialmente dos investimentos, na visão da economista.

O brasileiro Tony Volpon, da Nomura, concorda, e considera que a grande surpresa negativa da economia brasileira é justamente o mau desempenho dos investimentos.

“Temos as menores taxas de juros da história, amplo crédito do setor público, uma taxa de câmbio que melhorou, boa renda do trabalhador e desemprego baixo – isso mostra que essa decepção dos investimentos não é um problema de demanda, mas de oferta”, diz Volpon.

O economista é mais pessimista do que Schwartsman e Monica quanto ao abismo fiscal nos Estados Unidos. Ele nota que já há um tom agressivo de parlamentares republicanos no Congresso, depois de confirmada a eleição de Obama, sobre a possibilidade de negociar.

“É uma situação superperigosa, cheia de risco, em que vai haver muito blefe, muita retórica violenta; talvez haja acordo de último minuto, mas não dá para bancar isso”, ele analisa.

Em relação ao Brasil, Volpon também acha que as incertezas internacionais estão prejudicando a retomada dos investimentos. Mas ele nota que há um componente doméstico na incerteza, como o hiperativismo econômico do governo, que está confundindo os investidores e, em alguns casos, provocando prejuízos diretos – como a perda de valor das empresas de eletricidade depois de lançado o pacote de redução do custo de energia.

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