Próximo teste de Dilma será CPMF?
17 de fevereiro de 2011 | 20h02
Fernando Dantas
Há pouco tempo, numa conversa com economistas, um deles comentou o que considerava como os riscos para o País do avassalador sucesso de Lula e do PT, e do estado cada vez mais lastimável da oposição. Ele se referia ao perigo de uma hegemonia muito forte de um partido, e o consequente enfraquecimento da vigilância exercida pelas forças opositoras – o que vê como fundamental para evitar abusos de poder numa democracia.
Outro economista retrucou que, se existe risco na área política, a gestão econômica poderia se beneficiar da hegemonia de um partido. A lógica é que a oposição no Brasil, independente de qual for, sempre defende bandeiras populistas e busca constranger o governo quando este opta pela responsabilidade fiscal e monetária. Assim, a oposição é sempre a favor de mais gastos públicos, menos juros e menos impostos. Mesmo que haja um discurso a favor da austeridade, na prática a oposição tentar faturar, por exemplo, aumentos do salário mínimo e reajustes dos aposentados maiores do que os propostos pelo governo. Quando o governo tem uma posição política muito forte e muito confortável, pode se dar ao luxo de ignorar a oposição e “fazer a coisa certa” em termos de política econômica – e é claro que estou tentando chegar na vitória retumbante de Dilma Rousseff em impor à Câmara um aumento do salário mínimo para apenas R$ 545, mesmo tendo a oposição e centrais sindicais na posição contrária. Os aumentos reais do mínimo, como é bem sabido, são a principal causa da alta dos gastos públicos brasileiros na última década. Há uma montanha de aposentadorias e benefícios concedidos pelo governo federal atrelados ao salário mínimo.
Porém, mesmo que aquele raciocínio esteja correto, o fato é que agora há uma regra – ainda não legal, mas já politicamente consagrada – de que o aumento do mínimo dar-se-á pelo conjunção do crescimento do PIB de dois anos antes e da inflação do ano anterior. E isso indica um aumento de até 14,5% em 2012, e em torno de 10%, ou até mais, em 2013. Em 2014, seja qual for o aumento apontado pela regra, é provável que o governo queira fazer uma alta substancial do mínimo, já que se trata de ano eleitoral.
Mesmo todo o poderio político de Dilma e do PT não será suficiente para que esse roteiro de aumentos do mínimo seja alterado. O que sugere que a presidente pode usar o seu cacife para resolver o problema por outro caminho, o do aumento da carga tributária. Um competente economista com quem conversei recentemente, e que tem uma visão relativamente otimista das perspectivas de Dilma, acha que sem aumento de tributos a conta fiscal de 2012 não vai fechar (especialmente diante da postura do governo de querer ampliar o investimento público sem cortar programas sociais). Ele aposta que a presidente vai desenterrar o projeto de recriar a CPMF. Em recente reportagem de Raquel Landim no Estado, o economista Samuel Pessôa, da Tendências e do Ibre/FGV, prevê o mesmo. Felipe Salto, seu colega na Tendências, acha que uma opção politicamente mais palatável seria elevar os royalties da extração de minério (será que é mesmo?)
De qualquer forma, se o governo tentar ressuscitar a CPMF, a resistência da oposição provavelmente será mais acirrada, e pode até encontrar mais eco na sua base política, do que na recente batalha de Itararé do mínimo. A recriação da CPMF seria o verdadeiro teste da força política de Dilma e do PT. Uma elevação dos royalties dos minérios também seria um desafio, já que colocaria o governo contra as mineradoras, entre as quais a poderosa Vale.
E que fique claro: não estou defendendo nem uma ideia nem outra. Para mim, a opção correta seria desvincular o mínimo do setor privado dos reajustes da Previdência e de outros programas de transferência do governo. Mas é uma solução com viabilidade política zero.
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Se o PSDB nao fizer oposicao ao governo , ele será substituído por um outro partido que falará pelos descontentes. A democracia nao admite vácuos . Democracia sem oposicao nao existe !!!
Se a Dilma inventar a CPMF , e mesmo que consiga implementar , vai ser o canto do cisne do grupo que agora está no poder. A CPMF está muito estigmatizada.
Quanto a outro tipo de impostos , nos vemos os chineses levando todo o minério embora através da Vale , mas nao existe um colateral para o Social.
Quando foi descoberto petróleo no pré-sal , todos ficaram preocupados que os impostos arrecadados, a partir deste bem, fosse financiar um sem numero de fontes luminosas pelo interior do nosso país, e nada de proveitoso ficaria para o povo, quando este bem se extingüisse, a exemplo dos países do Oriente Medio.
Peco que o Estadao publique um comparativo de quando arrecada e quanto paga de impostos a Vale , quando comparada a Petrobras. Minha impressao é que estamos entregando um bem do sub-solo sem uma compensacao justa para o povo.
Eu não entendo como pessoas esclarecidas como esses economistas, que sabem das dificuldades que o Brasil enfrenta com a carga tributária alta, reclamam disso, ainda desenterram defuntos que deveriam estar sepultados em caixa-forte dentro de uma pirâmide no meio da selva amazônica com a combinação criptografada para ninguém conseguir ressuscitá-lo. Sabem disso e se põem a dar idéias de jerico. CPMF?! Um contra-senso total, gerice!!
Sejam mais criativos em vez de apelar pela fórmula mais prática de inventar mais impostos!
Mexer nessa política monetária/cambial que arrasa com as contas públicas, esses economistas não querem.
Serjão, só para constar. A Vale, assim como qualquer outra empresa de mineração, paga royalties. Acontece que uma reserva de petróleo se extingue bem antes que uma reserva de minério de ferro, portanto a Petrobrás paga mais por um tempo mais curto e a mineradora paga menos por um tempo mais longo. No final, ambas acabam pagando a mesma coisa. A diferença é que nas mineradoras – todas privadas – não há tanta festa para tão pouco resultado.
Adriano, concordo e parece lógico o que você disse, desde que seja isso mesmo, uma reserva (?) se extingue antes de outra (?).
Fernando Dantas,
Outro problema com o SM turbinado, mais serio que o do equilibrio fiscal, é que tira a competitividade de cada vez mais industrias, não somente na frente externa, mas pior ainda na frente do mercado interno. E isso é letal para o equilibrio das contas externas. Lembre o que o Simonsen falou a respeito. Elevar a carga tributaria para resolver o lado fiscal, não resolve o lado das contas externas.
Acredito que com R$ 545,00 o SM já tenha ´saturado´ o potencial de sua recuperação, uma vez que estará perto de 40% do PIB per capita para 2011, bem acima desta mesma relação para países desenvolvidos
claro: Fernando Dantas
cpmf vai aumentar a carga das indústria e empresas que vão
repassar para o povo gerando inflação forçando o governo subir a taxa Selic e o compulsório dos bancos fazendo o dólar cai mais ainda portanto e pouco provável que a cpmf volte.
Fernando,
Hoje o gov federal no Brasil ja cobra de impostos 55% do valor do PIB,nos EUA a mordida e de 25% e aqui nos ja estamos se esperneando.
Como voce diz o gov aumenta os impostos para balancear as contas,porem este previlegio nao existe para o setor privado em muitos casos e muitos irao a falencia,o custo Brasil sobe e finalmente quem paga as contas finais serao o consumidor.
abs
Caro, a carga tributária total no Brasil está em torno de 34% do PIB, e inclui tributos do governo Federal (o grosso, é claro), mas também de Estados e municípios. Não sei de onde saiu esse seu número de 55%.
De qualquer forma, é muito para um país emergente como o Brasil. Acho ruim que a carga tributária continue crescendo.
Não dá idéia não, ô cara pálida!
Fala em teste de gravidez, de macheza, qualquer coisa pra ela, menos isso!!!
Tenho certeza de que já pensaram nisso
A sociedade não aceita mais aumento da carga tributária, principalmente porque não tem retorno pelos tributos que paga.
O governo tem que cortar gastos,priorizando investimentos principalmente em infraestrutura, saúde e educação.
Congelar o aumento dos funcionários publicos e militares.
Isto seria um verdadeiro teste para o novo governo.
Prezado Fernando, não é só a oposição que tem que gritar. Os meios de comunicação também, afinal vocês não se consideram o quarto poder da democracia ? Aumentar tributos soa como uma brincadeira de mal gosto. Um estudo do IBPT constatou um absurdo, de 2001 a 2010, a arrecadaçao de impostos teve um aumento real (acima da inflação) de 92%. Claro, a carga tributária não cresceu tanto assim, mas a fiscalização e automatização das operações pegaram os sonegadores – devo lembrar que neste período o país perdeu os R$ 40 bi da CPMF . Além disso, se bem me lembro, quando caiu a CPMF o governo aumentou o IOF, ninguém fala disso ? Recentemente o IOF também subiu barbaramente para conter a entrada de capital especulativo no país . Aliás, por que vocês não perguntam para o Sr. Mantega e para a Sra. Dilma, por que as contas do país estavam indo bem em 2010 – antes das eleições é claro – e deterioraram tanto nestes últimos meses ? Adoraria ver a resposta.
É fácil olhar para a oposição e se queixar que eles não fazem nada – e não estão fazendo mesmo, na verdade estão brigando entre eles – mas vocês também estão bem pelegos, enquanto isso, dá-lhe imposto nos brasileiros idiotas sem memória.
Olha que estou dizendo isso do Estadão, que se encontra sob censura há mais de um ano e é um dos que mais luta contra os péssimos políticos, imagina os outros meios de comunicação. Assim, baubau democracia. Vou vazar deste país.
……mai um incentivo…pra “fuga” dos empresarios pra Argentina…!!!
Ruy…
Uma excelente ideia… Muito boa!!!
Infelizmente nossos empresário teriam que ir para outros paises na américa latina…
Eu como empresário estarei pensando mais sobre o assunto de tranportar todas as instalações e operações para o países visinhos
Abraço
…O que o Temer determinar…acontecerah…!!!
Fernando ,voce me corrigiu acima mas o meu calculo foi feito assim,
Orcamento da Dilma 1,94trilhoes de um PIB de 3,87trilhoes isso dah 55% talvez exista alguns dados embutidos no orcamento que nao deveriam contar se sim por favor me indicar.(talvez a rolacao da divida que esta incuido abaixe um pouco?)
Nos EUA nos 25% estao incluidos a aposentadoria a defesa (que aqui e bem alta) e o custo da divida.
Por favor me explique melhor que gostaria de aprender.
Estes custos nao incluem Estados e Municipios.
abs
Vou tentar checar, abs.
Riccardo, você reclamou que no Brasil aceitaram o orçamento sem discussão e que nos EUA está virando uma briga de foice!
Eu reclamei no blog do Ming, quando ainda não era censurado, dessa cobertura, análise e discussão sobre o orçamento brasileiro pela imprensa e engrosso o comentário do Adriano acima que cobra da imprensa essa divulgação e reclamação.
Veja, mesmo que quando o assunto foi discutido aqui no Estadão nos bate-papos de quinta, tocaram no assunto por alto sem entrar em detalhes
Parabéns pela sua sacada. Brilhante!!!!
Isso se o PIB em 2011 for R$ 3,87 trilhões!
Pillon,
Exatamente (seh) o PIB crescer 5.5% dai o PIB serah de 3,87 tri porem no orcamento inicial quando o Mantega disse que o crescimento do PIB seria de 5% as contas nao fecharam,o que fazer? Elementar ele mudou a taxa da crescimento para 5.5% ou inventou 193 bis de crescimento.
Ninguem duvida ou reclama!!!…
O carnaval esta chegando.
abs
Bem lembrado, Riccardo, ainda tem mais essa “acoxambrada” no crescimento do PIB.
Na ressaca do Carnaval, já “tará” tudo ajeitado, azeitado, sacramentado.
Esquindô!
Pillon,
É isso aí. Por que todo mundo fala em corte de gastos, fala que o governo tá gastando muito, mas ninguém tem interesse em “abrir a caixa preta” do orçamento, detalhando cada um dos itens, a fim de que a opinião pública fique mais informada sobre para onde o dinheiro dos nossos tributos está indo ?
E o que seria melhor, ficar do lado da Vale, ou do povo? Eu ficaria do lado do povo!
Se o governo brasileiro recriar esse nojento imposto, sou favoravel a uma revolta da populacao nas ruas de todas as cidades.
Caro, o povo só se revolta quando o time de futebol perde, isso é fato aqui no brasil.
Boa idéia Louis, que tal estampar na camiseta do Corinthians e na do Flamengo “CPMF” e fazer um “arranjo” mesmo, como o gol do Leivinha (que o Armando Marques apitou “mão”) contra o São Paulo, em mil novecentos e bolinha, para esses times perderem o campeonato? Se quiser uma comoção nacional, na do Bahia, Internacional, etc.
Nao dá para entender a política fiscal do Brasil.
O consumo é taxado. Muito bem . Se eu pago R$150,00 por um uísque de 20 anos e R$120,00 sao só de impostos , dá para entender.
Mas carne , arroz e feijao pagar imposto ? Sendo que sao ítens básicos da alimentacao do povao ?
Se vc poe uma carga de 20 ton de bananas no caminhao em Sao Paulo para levar para Minas Gerais , vc paga o ICMS , por que vai usar estradas , etc , etc, mas cobrar ICMS de energia elétrica que anda nos fios ?
Está tudo errado nas leis de tributacao brasileira . O povao , deveria ir para as pracas e dizer :” Nao pago mais um centavo de imposto enquanto nao se reformar esta porcaria que aí está “.
O Itaú que ganhou 13 bilhoes , pode pagar 4,25 bi de impostos , mas o povao que ganha r$400,00 , se sobrar 10% , ou seja R$ 40,00 , dá para comer 5 kilos de carne em um mes, livrando o sistema de saúde. É assim que a coisa funciona , gente.
Riccardo,
Referente seu post de 21/02/2011 – 15:53 sobre participação dos impostos sobre PIB.
O total dos impostos federais arrecadados é R$ 967,6 bilhões, não R$ 1.940,6 bilhões, correspondente a 24,86% do PIB.
A diferença com os 34% do Fernando deve ser os impostos estaduais e municipais.
https://www.portalsof.planejamento.gov.br/sof/orc_2011/Revista_SOF_WEB.pdf
Abs
Bom dia Ferruccio,
Esclareça-me uma coisa: qual é o valor do orçamento federal que foi aprovado no congresso?
Se bate com os R$ 1,94 do Riccardo seu post joga mais lenha na fogueira!
Pillon,
Procurei o orçamento aprovado, mas ainda não achei num formato fácil de entender.
Os meus números se referem ao orçamento apresentado para aprovação no fim do ano passado (Projeto de Lei Orçamentária 2011 – LOA 2011). Embora não seja o orçamento finalmente aprovado, sua análise serve para ter uma idéia de como o orçamento é elaborado e dos principais itens de receitas e despesas.
É preciso entender que esse orçamento se refere somente às receitas e despesas do governo federal, excluindo, portanto, estados e municípios.
Para entender o que se segue, é necessário ter as demonstrações do PLOA 2011 em mãos, vide link mencionado.
O assunto é complicado; não há forma fácil de simplificar.
Numa primeira análise, o que interessa são as receitas e despesas primárias, isto é, excluindo receitas e despesas financeiras. Quando se fala na “gastança” do governo, estamos nos referindo principalmente às despesas primárias.
As receitas primarias totalizam R$ 967,6 bilhões para 2011. As despesas primárias totalizam R$ 917,9, deixando um superávit primário de R$ 49,8 bilhões. As despesas primárias representam R$ 24,86% do PIB estimado para 2011 de R$ 3.890 bilhões.
A análise das receitas e despesas financeiras é um pouco mais difícil, porque a demonstração do PLOA inclui o refinanciamento da dívida (R$ 678,5 bilhões) e a amortização da dívida (R$ 783,9 bilhões) pelos valores totais, quando na verdade o dispêndio líquido é R$ 105,4 bilhões. Isso é explicado no link mencionado.
O valor de R$ 1.940,6 bilhões mencionado pelo Riccardo inclui R$ 783,9 bilhões de amortização da dívida, como se esse valor fosse realmente pago, quando, na realidade, o dispêndio é de somente R$ 105,40 bilhões, como demonstrado no parágrafo acima.
O número apresentado pelo Riccardo de 55% como sendo o gasto do governo em relação ao PIB está totalmente fora da realidade.
Confuso? Concordo. Quem tiver uma análise mais simples, que se apresente.
Abs
Caro Ferruccio, obrigado. Acho que isso esclarece a dúvida do Riccardo. O refinanciamento significa a dívida que é rolada, isto é, toma-se mais dívida para quitar dívida que vence. Evidentemente, isso não é gasto no sentido fiscal do termo – a sociedade não é mais taxada para que essa despesa possa acontecer, nem o governo aumenta sua dívida. Os R$ 105,4 bi são exatamente a diferença entre o que é amortizado (783,9 bilhões) é o que é refinanciado (R$ 678,5 bi). Em outras palavras, R$ 105,4 são amortizados sem rolagem, isto é, sem tomada de novos empréstimos. Como esse dinheiro tem de sair de algum lugar, trata-se de despesa fiscal normal, que, em última análise, vem do bolso do contribuinte. O governo usa esse dinheiro, que é exatamente o superávit primário, e que sobrou depois das despesas primárias, para quitar dívida pública.
Bem, estou escrevendo rapidamente antes de um compromisso. Acho que é isso. Se houver algum erro, me avise quem detectar.
Abraços
Alô Fernando Dantas, boa tarde (boa noite daqui)!
Você teria alguma explicação para a pergunta do Riccardo sobre o orçamento?
Se possível, poderia nos informar como podemos ver esses números antes que sejam enviados ao Congresso para aprovação em 2011, para 2012?
Grato!
Acho que a explicação já foi dada pelo Ferrucio, não? Quanto ao orçamento de 2012, tem de acompanhar o processo de legislação orçamentária. Assim de cabeça eu não sei o cronograma. Teria de dar uma pesquisada.
FerrucCio
Bem, aqui no meu computador não está aparecendo o comentário abaixo, que fiz já há algum tempo, relativo ao comentário do Ferruccio (com dois ‘c’):
Caro Ferruccio, obrigado. Acho que isso esclarece a dúvida do Riccardo. O refinanciamento significa a dívida que é rolada, isto é, toma-se mais dívida para quitar dívida que vence. Evidentemente, isso não é gasto no sentido fiscal do termo – a sociedade não é mais taxada para que essa despesa possa acontecer, nem o governo aumenta sua dívida. Os R$ 105,4 bi são exatamente a diferença entre o que é amortizado (783,9 bilhões) é o que é refinanciado (R$ 678,5 bi). Em outras palavras, R$ 105,4 são amortizados sem rolagem, isto é, sem tomada de novos empréstimos. Como esse dinheiro tem de sair de algum lugar, trata-se de despesa fiscal normal, que, em última análise, vem do bolso do contribuinte. O governo usa esse dinheiro, que é exatamente o superávit primário, e que sobrou depois das despesas primárias, para quitar dívida pública.
Bem, estou escrevendo rapidamente antes de um compromisso. Acho que é isso. Se houver algum erro, me avise quem detectar.
Fernando, Ferruccio (com dois cês) e Pillon (com dois eles):
Acho que alguns pontos precisam ser esclarecidos:
1) Amortização de dívida implica amortização do principal e, teoricamente, não é paga com superávit primário.
2) Outro item separado, que é pago parcialmente com o superávit primário, são as despesas com juros.
A peça do orçamento para 2011 está muito confusa. A descrição de todos os itens está na página a seguir:
http://www.planejamento.gov.br/secretaria.asp?cat=50&sub=507&sec=8
Prestem atenção nos anexos que detalham as receitas e despesas (Anexo 1 e Anexo 2, principalmente). Acho que vale a pena analisar com mais detalhes.
Ferruccio, a sua análise sobre a separação da amortização da dívida em relação à dívida total está correta. Assim, a percentagem que o Riccardo apresenta (55 % do PIB) deve excluir a amortização da dívida, cujos valores tem apenas função contábil.
Abs.
É, acho que talvez tenha errado ao dizer que os R$ 105,4 bilhões correspondem a superávit primário. Precisaria consultar um especialista para dirimir as dúvidas, mas, infelizmente, não tenho tempo agora.
Sem crise!
Talvez dê para destrinchar essa caixa-preta no fim de semana.
Valeu!
Da minha parte só tenho a agradecer.
Um forte abraço.
test