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Felipe Machado

07.dezembro.2007 15:15:54

Yngwie Malmsteen, o deus da guitarra

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A primeira vez que eu ouvi Yngwie Malmsteen foi no meu aniversário de 15 anos, quando meus amigos Pit e Yves me deram o LP de presente (o disco estava aberto porque eles não aguentaram esperar e abriram uns dias antes). Outro amigo, Victor Birner, disse que se eu conseguisse tocar qualquer música do disco ‘Rising Force’ a minha banda poderia abrir um show do Made in Brazil, o que na época (1985) era considerado algo importante. Bons tempos.

É claro que eu não consegui tocar nenhuma música. Se nem hoje eu consigo…

Para quem não conhece, Yngwie Malmsteen foi o primeiro guitarrista a tocar música clássica de verdade na guitarra elétrica. Antes vieram Ritchie Blackmore, do Deep Purple, e Steve Howe, do Yes, mas Yngwie é o maior virtuoso de todos e revolucionou ao tocar escalas menores, melodias diminutas e arpegios eruditos numa velocidade inacreditável. Nunca ninguém tinha tocado naquela velocidade na história do rock. Antes dele, talvez apenas o violinista Niccolò Paganini, no século 19. É por isso que Yngwie ganhou o apelido de ‘Paganini da guitarra’. Da Fender Stratocaster, para ser mais exato.

Em 1987, quando morava nos Estados Unidos, tive a chance de ver o Yngwie ao vivo pela primeira vez. Era um show em Dallas, Texas, com a Lita Ford (uma loiraça de calça de couro justa por quem eu era apaixonado na época) e o Black ‘n Blue na abertura. Daí entrou o Yngwie e eu continuei sem acreditar que alguém podia tocar guitarra daquele jeito. Parecia fácil, mas era muito rápido e preciso. Desde que ele apareceu, o mundo dos guitarristas nunca mais foi o mesmo.

Ontem fui ao show do Yngwie Malmsteen no Citibank Hall. A abertura ficou a cargo dos meus amigos do Dr. Sin, músicos (quase) tão bons quanto Yngwie. O guitarrista Edu Ardanuy também é um mestre, qualquer dia aprendo a tocar como ele… :-)

O Yngwie envelheceu um pouco e o som ficou meio exagerado e datado. Claro que ainda fiquei feliz de pegar a palheta (ele joga dezenas de palhetas durante o show) e de vê-lo tocando. É um gênio. E, como alguns gênios, totalmente excêntrico: ele é obcecado por guitarra (Yngwie passou o som durante horas antes do show e sem falar com ninguém); ele é obcecado por suas Ferraris (Yngwie é sueco, mora em Miami e tem duas Ferraris), a ponto de ter no pescoço um colar com o cavalinho; Yngwie já teve problemas de bebida no passado, então, para não cair em tentação, proibiu todos da banda e equipe de beber qualquer coisa; ele tem um cabelo estranhíssimo; meio peruca, meio aplique; ele parece um bicheiro europeu, cheio de correntes, pulseiras e colares; entre outras esquisitices.

As melhores músicas do show (foto de Daniel Motta) foram: ‘Black Star’, ‘Far Beyond the Sun’, ‘You Don’t Remember (I’ll Never Forget)’ e ‘I’ll See The Light Tonight’. Se bem que não faz diferença: as músicas são apenas desculpas para Yngwie solar durante duas horas ininterruptas. Além de detonar, Yngwie sabe todos os truques da guitarra: joga o instrumento por cima do ombro, toca com os dentes e atrás das costas, joga a guitarra para cima, chuta os amplificadores, e por aí vai. É uma mistura pós-moderna de Hendrix e Mozart.

Yngwie está mais velho e cansado, mas seus solos continuam tão impressionantes quanto aqueles que eu ouvi num disco no longínquo ano de 1985. Obrigado, Yngwie, pela aula de guitarra que já dura 22 anos.

comentários (13) | comente

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13 Comentários Comente também
  • 07/12/2007 - 15:25
    Enviado por: Márcio Aurélio La Scala

    O cara é muito fera, mas se viessem o G3 completo seria bem melhor… aí teríamos um Trielo (sim, eu faço neologismos) duca…

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  • 07/12/2007 - 15:39
    Enviado por: MAJOR

    Boa man!

    O show comecou meio confuso, pois minutos antes a energia da casa acabou de tal forma. E acho que como consequencia deve ter desregulado alguma coisa na mesa de som. Pena, porque a musica de abertura foi Rising Force (uma das melhores musicas de Heavy Metal), mas no decorrer do periodo as coisas foram melhorando.
    A Parede de Marshalls usada por YNGWIE MALMSTEEN estava ignorante e desproporcional para o Citibank Hall e como consequencia um som muito alto, muito alto mesmo. So que pra tocar nessas condicoes o sujeito tem que ser muito fera, pois qualquer nota na trave pode comprometer a sequencia, e ele nao erra nenhuma. Os solos no violao foram mortais tambem.
    Grande show com enorme companhia.

    Muitos abras,

    MAJOR.

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  • 07/12/2007 - 16:01
    Enviado por: Ricardo Batalha

    “as músicas são apenas desculpas para Yngwie solar durante duas horas ininterruptas”… Infelizmente, pois o mestre sueco poderia ter preparado um set list com mais músicas conhecidas (antigas). De todos que vi (5 no total) este foi o show mais enfadonho. O som, aliás, estava melhor no Dr. Sin. Mas, como bem disse Felipe, os solos do velho Yngwie ainda impressionam.

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  • 07/12/2007 - 21:03
    Enviado por: Daniel Bernardo

    CARA, EU SEI QUE O MALMSTEEN É UM GÊNIO, QUE É TÉCNICO, VIRTUOSO, QUE ISSO E QUE AQUILO. MAS, PARA MIM, ELE É SOBRETUDO CHATO! EU CURTO YES E ELP PRA CACETE, MAS MALMSTEEN E DREAM THEATER NÃO DÃO! OS CARAS SÃO MUITO MASCARADOS. PÔ, O JIMMY PAGE ERA VIRTUOSO, ASSIM COMO HENDRIX E BLACKMORE. PORÉM NÃO ERAM MALAS. GOSTO É GOSTO, E O MEU PASSA LONGE DESSAS “FRANGAS VIRTUOSAS”.

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  • 10/12/2007 - 09:33
    Enviado por: Rudney

    Tb fui assistir ao show do Malmsteen (acho que tb é meu 5 – inclusive vi um no Sweden Rock que ele só tocou clássicos) e achei o som muito alto. Em termos de técnica – sem discussões – para mim é o melhor, fora que quando toca Rising Force, Far Beyond the Sun é uma lição de guitarra.
    Poderia ter escolhido um repertório melhor para o show, mas sem dúvida foi um bom show.

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  • 11/12/2007 - 16:06
    Enviado por: Juliana

    Infelizmente só tem shows aí no Brasil. Aqui em Brasília…. enfim!
    Será uma grandessíssima função comparecer ao Maiden mas não dá pra deixar de ir.

    E o Led de ontem?
    Vc não vai falar nada?!?!

    fã aguardando ansiosa

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  • 14/12/2007 - 14:14
    Enviado por: Daniel

    “PÔ, O JIMMY PAGE ERA VIRTUOSO, ASSIM COMO HENDRIX E BLACKMORE.” HEHEHEHHEEH Essa foi a coisa mais engraçada que ouvi hoje. O Jimmy Page e´ um bom guitarrista e limitado. Mas sabe compor bem. Só isso. Não confunda virtuosismo com criatividade. o Hendrix inovou em muitos sentidos, postura, usar a guitarra para gerar distorções, trouxe inovações harmônicas por causa da inversão das cordas e do modo que tocava os acordes, mas virtuoso ele não era não. O Blackmoore queria ser virtuoso, mas não é. É um baita guitarrista de metal/hard rock. O Rainbow foi um dos grandes criadores do metal em grande parte pelos acordes do BlackMoore, mas virtuoso, ele não é. Felipe, cara quais os discos do Fates Warning vc gostava? Chegou a ouvir Watchtower?

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  • 17/12/2007 - 16:37
    Enviado por: Lucky Luciano

    Conheci o som do Yngwie no Rising Force em 1985, nos bons tempos do Jeff Scott Sotto grande vocal. Yngwie Malmsteen é bom de escutar em casa daí é só tirar o Cd quando os ouvidos saturarem de tantos solos.Troco pelos solos do Zakk Wylde.

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  • 20/12/2007 - 09:40
    Enviado por: Heavy

    Creio que neste blog faltem noções de ” virtuosismo”, pra falar que Jimmy Page, não era virtuoso é meio absurdo…
    Eles foram virtuosos por que foram precusrores de estilos de guitarra, os caras que vieram depois aprenderam com eles e melhoraram seu estilo, o Malmsteen, tb foi precursor de um estilo, pois ninguém tocava da forma que ele e com as técnicas que ele introduziu na música…
    Antes de falar o que não se sabe, primeiro pense ( pra quem toca guitarra ) que influências vc teve na sua formação….
    Abraços.

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  • 20/12/2007 - 12:45
    Enviado por: paulo ss

    Meu esse tipo de som não tá com nada, pra mim isso nem pode ser chamado de rock, muita nota, muita agilidade, o rock não tem nada á ver com isso, Rock’n'Roll é simplicidade, se perde essa caracteristica deixa de ser original!
    Malabaristas são bons para o circo.

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  • 20/12/2007 - 16:30
    Enviado por: Daniel

    O Michaelis dá 3 interpretações para “virtuose”:
    virtuose
    vir.tu.o.se
    (ô) s m+f (fr virtuose) 1 Pessoa dotada de excepcional habilidade técnica ou invulgar talento artístico. 2 Músico de notável habilidade interpretativa pessoal. 3 por ext Pessoa que soube elevar à arte uma disciplina corriqueira.

    Com um pouco de boa vontade você encaixa o Jimmy Page em 2, mas o que é complicado de fazer entrar na cabeça das pessoas é a distinção entre “capacidade técnica” e “habilidade como compositor”. Assim, desafiem o Jimmy Page a tocar um arpeggio ou um sweep como faz o Malmsteen, e tenho certeza que o sujeito não vai nem tentar. Não é porque você gosta mais de “A” que ele é o melhor de todos, que afinal é uma definição bem subjetiva. Em tempo, o Malmsteen é harmonicamente limitado ‘as mesmas escalas diminutas e menores melódica, e você pode ver que ele usa sempre o mesmo padrão. O Page ao contrário consegue uma variação incrível mudando a afinação e tocando uns climas exóticos. Mas se bem que eu acho que quem costurava tudo era o John Paul Jones, virtuoso, excelente músico e tudo mais. Se você coloca rédeas no músico ai ele se repete. Só consigo ouvir um grupo que fica se repetindo e é genial AC/DC. A simplicidade é uma questão de escolha, ficar limitado aos power chords e escalas pentatônicas e tempos 4/4 e 3/4 é legal, mas também uma limitação. Eu ouço desde Sex Pistols a R.I.O.

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  • 03/02/2008 - 13:02
    Enviado por: Mauricio Ribeiro

    Olá Felipe:
    Também tenho minhas recordações quanto a Yngwie em minha vida. Lembro-me do exato dia em que o escutei pela primeira vez, na verdade eu assisti. Em meados de 1988 fui a casa de um amigo que curtia Iron Maiden e tocava guitarra como ninguém, e ao entrar em seu apartamento ouvi uma canção poderosa chamada I’m a Viking. Perguntei o que era e ele disse que era um tal de Malmsteen. Sentei no sofá e fiquei assistindo o Live 85 do Yngwie, em uma fita Betamax alugada.
    Esse foi o dia.
    Depois disso comecei a comprar seus LP’s. O primeiro foi o Trilogy, depois uma fita do Rising Force… por ai vai.
    Meu sonho sempre foi ter o Marching Out. O LP era gringo e muito difícil de achar (na época disco importado era artigo de luxo). Juntei grana e nunca mais parei de correr atrás destes títulos.
    Hoje, passados 20 anos, sou um mero admirador, tenho 68 CD´s, 34 LP’s, 20 DVD’s, todos os singles e capas diferentes, artigos autografados e até o reconhecimento do Jeff Scott Soto, quanto a minha dedicação ao Yngwie. Para selar esse pacto de dedicação, tenho o Lars tatuado em meu braço, perpetuando essa admiração.

    Em tempo, não toco guitarra, toco bateria :)

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  • 03/04/2008 - 20:27
    Enviado por: Maykon

    Realmente… nunca ouvi uma música sequer desse cara que seja ruim(tenho todas)realmente algo incomum…

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