ir para o conteúdo
 • 

Felipe Machado

Manicure também é artista

Uma manhã dessas eu estava passeando calmamente com meu Pitbull (é mentira, eu tenho um Yorkshire) quando vi minha vizinha andando com os braços meio para cima e as mãos bem abertas. Parecia uma maluca. Quando nos aproximamos, ela deu um pulo para o canto da calçada como se eu tivesse uma doença contagiosa. Foi aí que percebi: ela tinha acabado de fazer as unhas.

Nunca reparei tanto em unhas femininas quanto agora, e isso só pode ser um mau sinal. Já viu a variedade de cores disponíveis no mercado atualmente? Não entendo muito de tendências femininas, mas uma coisa posso garantir: nós, homens, não estamos nem um pouco interessados em unhas de cores exóticas.

Tudo bem, eu sei que mulheres não pintam as unhas para os homens, mas para elas mesmas – para as amigas e, ainda mais, para as inimigas. Mas, de uns tempos para cá, a obsessão por essas cores bizarras passou do limite. É isso aí, minha paciência já acabou: parem de pintar as unhas com cores ridículas ou estejam preparadas para o pior.

“Ah, Felipe, mas azul-limão-rosa-choque-fúcsia é uma cor tão charmosa…” Não, não é. É horrível. Outro dia vi uma garota com as unhas tão amarelas que achei que ela estava com alguma doença africana. Com minha amiga italiana que fala com as mãos, então, não consigo nem mais conversar: fico tão hipnotizado pelas unhas amarelo-canário-pigmeu-de-saturno que não consigo prestar atenção no que ela está falando. Quando reclamo, ela diz que a cor “é o máximo”. Para mim, ela é o “mínimo”.

Em nome dos homens, vou tomar a liberdade de esclarecer as coisas. Nós não queremos unhas pintadas com cores malucas. Vermelho, branco, ‘francesinha’, preto… estava bom assim. Para que mexer em time que está ganhando? Desde o início dos tempos, vocês nunca precisaram usar cores exageradas nas pontas dos dedos para chamar a nossa atenção.

E os nomes das cores, então? São piores ainda. “Vermelho-me-beija”, “rosa-quinta-avenida”, “verde-marciano-pelado” e por aí vai. Já vi até uma mulher com uma unha de cada cor – e juro que não foi no circo!

Então o negócio é o seguinte: vocês vão parar de usar essas cores ridículas ou terão que aguentar as consequências: sim, se isso continuar, vou usar esses esmaltes para colorir… meu bigode. É isso aí. Vocês vão ver. Vou pintar meu bigodinho de ator pornô dos anos 70 de verde-marciano-pelado. Será a minha vingança, ha ha ha! (risada macabra)

Mal espero para ver a cara da minha vizinha.

comentários (35) | comente

  • A + A -


Fiz a foto na inauguração da Ponte Estaiada, o novo cartão-postal de São Paulo. Lembro que, no dia, tive o prazer de assistir a um discurso inesquecível do Padre Marcelo

Hoje é aniversário de São Paulo, etc.

No dia 25 de janeiro de 2007, fiz uma lista com as 10 coisas que eu mais gostava de fazer em São Paulo. Hoje, quatro anos depois, vejo como minha vida mudou – mas meus programas, nem tanto. É bom saber que há tanta coisa para fazer em São Paulo… só para fazer sempre as mesmas coisas.

1. Sair para jantar
2. Tomar chopp com os amigos na Vila Madalena
3. Comprar umas revistas gringas e devorá-las tomando milk shake na Vila Boim
4. Pegar uma piscina no clube naqueles dias abafados (antes de chover) e depois almoçar com a minha filha
5. Assistir a um bom show de rock ou a um concerto na Sala São Paulo ou Auditório Ibirapuera
6. Almoçar sushi com saquê no sábado à tarde na Liberdade
7. Tomar café da manhã em uma das ótimas padarias de Higienópolis
8. Levar meu cão, minhas havaianas e meu iPod para passear
9. Ir a pé a um jogo do Corinthians no Pacaembu
10. Ficar em casa lendo e ouvindo música sem me preocupar com as milhões de coisas que estão acontecendo lá fora

Pois é. Nada de mais, não? Não tenho ido ao Parque do Ibirapuera, ao Mercado Municipal, à Galeria do Rock… Enfim, nada de muito interessante, algum turista vai dizer. Mas é essa São Paulo que eu gosto.

Provavelmente sua lista seria bem diferente… ou não?

Feliz 457, São Paulo.

comentários (10) | comente

  • A + A -

Antigamente, o amor era para sempre. Ou, pelo menos, era o que parecia. Os jovens casaizinhos mal se conheciam e já iam para o altar, oficializando uma relação que sobreviveria à saúde e à doença, à riqueza e à pobreza, aos sorrisos e problemas.

Os relacionamentos eram mais sólidos naquela época? O casamento se tornou uma instituição falida, como dizem os críticos?

É claro que não. É bom lembrar que alguns casamentos duravam apenas por conveniência, necessidade, interesse. Mas não é disso que trata este texto.

No passado o casamento também durava ‘até que a morte os separe’ porque a sociedade não aceitava um casal separado. As leis eram diferentes, a mentalidade era diferente. E não podemos nos esquecer os milhões de casais hoje em dia que estão casados e permanecerão assim, felizes para sempre. Também não é sobre isso que trata este texto.

Um amigo que pensava em se separar desabafou comigo: ‘afinal, eu tenho o direito de ser feliz’. Fiquei com isso na cabeça e não consegui entender por quê. Afinal, ele tinha razão, as pessoas têm o direito de serem felizes. Mas algo ali me incomodou.

Daí eu entendi: hoje em dia, a busca pela felicidade é usada como desculpa para satisfazer o egoísmo.

‘Querer ser feliz’ parece justificar qualquer atitude unilateral, como se a felicidade fosse um lugar para onde a gente vai quando tudo dá errado. Todo mundo tem o direito de ser feliz, não é essa a questão. Mas parece que a busca pela felicidade é usada como máscara para quem não quer encarar os verdadeiros problemas e prefere fugir. Em vez de conversar e chegar a um acordo, é mais fácil fugir para ‘ser feliz’ em outro lugar.

Abandonamos tudo para curar a insatisfação. Será que a busca desesperada por essa nova vida, ‘feliz’, não significa que o problema está, no fundo, dentro de você? Por que a infelicidade é sempre culpa do outro?

Ninguém gosta de admitir que é egoísta. É mais fácil dizer que ‘tem o direito de ser feliz’, porque daí ninguém pode falar nada contra isso. Não esqueça de completar a frase com “a vida é minha, faço o que quiser’, se alguém se arriscar a vir com palpites.

Ser feliz é um direito. Se a sua vida está ruim, você não tem apenas o direito, mas o dever de mudá-la. Mas a felicidade não está em nenhum lugar específico: ela é apenas uma palavra, uma ideia. A verdadeira felicidade não estará no destino final da sua busca – ela estará espalhada pelo caminho. Isso vale para tudo, não só para casamentos infelizes. E é disso que trata esse texto.

comentários (30) | comente

  • A + A -

Amy Winehouse até chegou a abrir os braços… mas o show não decolou. A foto é de Daniel Teixeira/AE

Pensei em começar esse texto com a frase “Amy Winehouse é uma farsa”, mas achei um pouco agressivo e fiquei com medo que os fãs me jogassem perucas ou copos de caipirinha quando me encontrassem na rua. Depois pensei em escrever que “o show tinha sido uma decepção”, mas aí eu também estaria sendo conceitualmente errado, já que isso implicaria que eu tinha ido ao show com uma expectativa alta. A verdade é que o show não foi bom, nem ruim. Foi, simplesmente… um show meio ‘nada’.

Confesso que nunca fui muito fã da Amy Winehouse. Sempre achei que era uma cantora superestimada, e quando não consigo enxergar valor em artistas que ganham muito destaque na mídia, automaticamente crio uma birra quase impossível de ser desfeita, a não ser quando uma performance arrebatadora me obriga a admitir que estava errado. Não foi o caso, como vimos no Anhembi. O evento, no entanto, foi interessante para entender por que Amy é um fenômeno tão popular. Quando vi o público aplaudir enfaticamente toda vez que ela dava um gole em sua caneca misteriosa, entendi.

“Ela é bem louca, mas canta muito, né?”, comentavam os fãs. Fiquei com vontade de chacoalhar suas cabeças e dizer: “sim, ela é bem louca, mas não canta muito, não”.

Vamos começar do começo.

Perdi o show de Mayer Hawthorne, mas ouvi falar que foi muito legal. Só de saber que ele é influenciado por Marvin Gaye, já é um bom sinal. Cheguei, sim, a tempo de ver o show da Janelle Monáe, que foi muito bom. Essa, sim, é uma bela cantora. Boa voz, boa presença de palco. Ainda não consegui entender por que as cantoras de soul têm que ter penteados tão ridículos, mas tudo bem. Será que está no contrato? “Nós vamos lançar seu disco, mas você terá que usar um penteado de um metro e meio de altura, ok?”, deve perguntar o presidente da gravadora.

Tecnicamente, a voz da Janelle é poderosa, enorme, daquelas que preenchem com facilidade o céu de um festival ao ar livre. Havia algumas coisas meio esquisitas no show, mas talvez eu que é esteja fora de moda. No meu tempo, a soul music era uma coisa charmosa, envolvente, sexual. Janelle deve ser uma cantora de soul music pós-moderna: os ritmos são rápidos, uptempo, soam como se fossem tocados por uma banda de ska. Soul-ska ou Ska-soul… será que existe isso?

Quanto à banda, os músicos ficam pulando de um lado para o outro (todos excelentes, diga-se de passagem, principalmente o guitarrista-que-estava-de-chapinha). É uma soul music mais visceral, mais porrada. Janelle não é só ‘soul’, mas também ‘body’: dança loucamente, se joga no chão, pula pra lá e pra cá. Ela é tão energética que pensei em apelidá-la de ‘Janelle Indiscreta’, mas um amigo meu disse que a piada era tão ruim que prejudicaria o resto do texto.

Havia, além da correria de Janelle & Cia., alguns elementos teatrais durante o show, como gente vestida ‘De Olhos Bem Fechados’ e máscaras Jungianas. Nunca entendi por que dizem que ‘elementos teatrais valorizam um show’. Nunca concordei com isso. Acho, inclusive, que ‘elementos teatrais’ são bem chatos. Vamos nos concentrar na música? Obrigado.

Em outro momento ‘artístico’, a Janelle pegou uma tela e pintou um quadro enquanto cantava. Fiquei pensando: ‘que legal, quem sabe ela vai leiloá-lo para as vítimas das enchentes no Rio’. Ninguém explicou o que aconteceu com o quadro. Fica aqui a sugestão, se ninguém souber o que fazer com ele.

Janelle saiu aplaudida, e aí todo mundo ficou na expectativa da entrada da estrela da noite, Amy Winehouse. Ou Amy Caipirinhahouse, apelido que ela ganhou durante sua temporada no Rio de Janeiro. Uns quarenta minutos depois, a banda de Amy surge no palco. Só faltava ela.

Tchan-tchan-tchan-tchan…Amy aparece caminhando lentamente, parece uma velhinha de 27 anos. O vestidinho preto e branco caiu bem: tomei como uma homenagem ao Corinthians. Mesmo com o decotão e os seios turbinados de silicone, Amy não é nem um pouco sexy. É uma figura assexuada, apática, baixinha e magrela. As pernas são finas como canetas. Com o penteado, deve ter cerca de 1m30 de altura. Se a Amy fosse careca (que cena linda de se imaginar), eu chutaria que ela não passa de 80 cm.

Agora tenho que dar o braço a torcer: o repertório dela tem canções muito boas: Me and Mr. Jones, Back to Black, You know I’m No Good, Rehab. O problema é que Amy não tem gás para cantar essas músicas com emoção, o que resulta em um show morno, sem graça. Além disso, o som estava meio baixo para um público de trinta mil pessoas. Ou então a banda é que teve que tocar mais baixo para não encobrir a vozinha da vovozinha Amy.

Não sei se o gênero ‘doidona’ é totalmente verdadeiro, mas acho que deve ser. O que me incomoda não é ela abusar das drogas – muitos artistas usam/usaram drogas e produziram grandes trabalhos. O problema de Amy é que as drogas – e tudo o que vem com os excessos, os escândalos, fotos ridículas, etc – não são o pano de fundo para um grande trabalho, mas são justamente a essência do seu trabalho. Não gosto de artistas que aparecem mais nas páginas policiais do que nas críticas de música.

E descobri que, para o grande público, a ‘doideira’ dela é o grande atrativo do show: as pessoas esperam que ela faça alguma coisa louca, tropece, sei lá, morra de overdose no meio do palco. É um sentimento meio de ‘pão e circo’, como se algo perigoso fosse acontecer e fazer o público se sentir importante por ter participado daquele momento. No entanto, ela não caiu; não tropeçou, não morreu. Seria cruel dizer que a falta de escândalos gerou uma decepção, mas é a pura verdade. O público é a multidão gritando ‘pula’ quando vê alguém no topo do prédio.

Algumas pessoas defendem: ‘mas ela é uma grande cantora’. Também discordo. Amy tem, sim, um belo timbre de voz. Parecido até com as grandes cantoras do passado, como Nina Simone e Billie Holiday: uma voz rasgada, incisiva, irônica até. Mas o que é bom nela é o seu timbre, não a totalidade da voz em si, nem sua potência, alcance, afinação. É por isso que ao vivo ela não entrega o que ouvimos no estúdio.

Outra coisa: se for para ouvir uma grande cantora de soul, por que não ouvir as originais? O estilo retrô de Amy pode ser legal para quem não conhece as grandes cantoras do jazz/soul/blues americano, mas para quem conhece… soa como um pastiche, uma imitação bem feita. Melhor ouvir a Joss Stone ou a Alicia Keys, que também imitam as grandes cantoras, mas pelo menos têm vozes de qualidade para fazer homenagens à altura. Só o hype de Amy nunca me convenceu. Além disso, Joss e Alicia têm aquela qualidade de diva que falta a Amy: a sensualidade, o charme, a beleza. Chamar a entorpecida Amy de diva é um desrespeito com as divas.

Como o próprio nome já diz, o Summer Soul Festival foi um festival de… soul music (dã). Posso até estar sendo meio careta, mas não acho que soul music combina com grandes festivais; peraí, deixa eu explicar melhor. Soul music produz um sentimento mais introspectivo, mesmo quando as batidas grooveadas da cozinha musical ( bateria/baixo) fazem a gente dançar de um jeito meio sexy, com as mãozinhas pra cima (mulheres) e arrastando os pés timidamente (homens). Não há grandes refrões para cantar junto, o que é divertido nos grandes festivais de pop e rock. Um festival de soul ao ar livre é mais ou menos como fazer amor na praia: é maravilhoso na teoria, mas seria bem mais divertido se rolasse entre quatro paredes, com a luz certinha, um belo vinho.

Aproveitando que toquei no assunto etílico, como é possível um festival patrocinado por uma cerveja… ficar sem cerveja? Pois foi o que aconteceu. A cerveja acabou no show da Janelle e nem sei se voltou mais tarde.

Como eu estava com muita sede, fui até o bar ao lado do palco. Chegando lá, um bar enorme, fiquei surpreso ao saber que a cerveja também tinha acabado. Foi aí que pensei: ‘onde deve ser o único lugar do festival onde posso encontrar cerveja com certeza?’ E respondi pra mim mesmo: ‘No camarim da Amy, claro.”

Pois foi aí que tive a ideia genial de ir pegar uma cerveja no camarim da Amy. Não vou entrar em detalhes sobre o que fiz para entrar lá, mas a verdade é que cinco minutos depois eu estava tomando Stella Artois na porta do camarim. Foi aí que veio a grande surpresa: a Amy desceu do palco e passou na minha frente, em direção ao banheiro do camarim. Ela nem me viu, claro, até porque estava rodeada por seguranças. Mas achei muito engraçado vê-la descer do palco e ir até o banheiro do camarim, ainda mais quando a produção tinha construído um banheiro para ela embaixo do palco. Talvez o banheiro do camarim tivesse mais privacidade, se é que você me entende.

Pouco depois, durante minha segunda ‘backstage beer’, a Amy passou de novo na minha frente para voltar ao palco. “Por que você não tirou uma foto?”, me perguntaram. “Porque eu estava segurando a cerveja”, respondi. Lembrei na hora de ter lido na imprensa que a Amy estava ‘bem saudável’, com ‘ótima aparência’. Se aquela mulher que passou na minha frente estava com uma ‘ótima aparência’, então talvez as crianças na Somália não estejam numa situação tão ruim assim.

Voltei para a plateia para acompanhar as últimas músicas. Fiquei feliz quando vi que ela voltou para um bis, o que não tinha feito nos shows de Floripa e Rio de Janeiro. Ao final, sussurrou um ‘thank you’ baixinho e desceu as escadas do palco, entrando na van que a levou embora para o hotel e, depois, para uma baladinha no Itaim. Foi isso que ela tinha a dizer para o público brasileiro: ‘thank you’. Se eu ganhasse R$ 13 milhões para fazer uma turnê de cinco shows com uma hora de duração, eu diria ‘thank you’ muito mais empolgado.

Mas, afinal, o show de Amy foi bom? Não, não dá para dizer que foi. Foi ruim? Também não dá para reclamar disso. Foi um show meio ‘nada’, para falar a verdade. Para quem não esperava muito, foi uma bela noite de sábado: uma lua brilhante iluminando o céu, uma noite quente, gostosa, sem chuva. Uma plateia bonita, muitos famosos, um soul music legal rolando nas caixas de som. Foi show de quem mesmo?

comentários (42) | comente

  • A + A -

Homens são egoístas? Conheço mulheres que garantem que sim. Já fui acusado disso,mas a acusação entrou por um ouvido e saiu pelo outro – talvez porque eu estivesse preocupado com assuntos muito mais importantes: os meus próprios problemas.

Qualquer tipo de generalização peca justamente porque ninguém é igual. Mas algumas características podem, sim, ser comuns à maioria dos homens ou à maioria das mulheres. O difícil é avaliar quando a generalização é uma análise inteligente da situação ou quando é simplesmente isso: uma generalização simples e, pior ainda, simplista.

Quando eu era mais novo, ouvi de um amigo mais velho uma frase bastante significativa em relação às diferenças entre homens e mulheres. Ele dizia que as mulheres se casavam porque acreditavam que os homens mudariam com o casamento; os homens se casavam exatamente porque acreditavam que as mulheres continuariam as mesmas depois de se casarem.

Minha pergunta é: se você gosta de alguém, por que tentar mudá-lo?

Tenho outro exemplo, talvez você conheça alguém que viveu essa situação. Vamos imaginar um casal de namorados, felizes, tudo indo muito bem. Para o cara, se o namoro está indo bem, não há nenhuma razão para mudar essa situação. Não se mexe em time que está ganhando, diz o ditado.

Mas mulheres não pensam assim. Acham que, se o namoro está indo bem, então o próximo passo é o casamento. O problema é que o homem está feliz do jeito que está; a mulher também está feliz, mas ela quer mudar a situação, justamente para ‘melhorá-la’. O problema é que qualquer mudança na dinâmica de um casal pode trazer consequências muito boas, mas também há o risco de provocar algum ruído.

Um casal de amigos namorou sete anos antes de se casar, mas ficou apenas seis meses juntos. Como explicar? Mudar nem sempre é para melhor.

Esse assunto é uma generalização simplista do comportamento masculino e feminino, exatamente como critiquei no início do texto. Há exemplos que comprovem essa teoria? Sim. Ela se aplica a todos os casais do mundo? Óbvio que não.

É a mesma coisa quando mulheres acusam homens de egoístas. Não, nós realmente não pensamos tanto ‘no casal’ quanto vocês. Mas, sinceramente, isso não quer dizer que sejamos egoístas. Pensamos diferente, só isso. Temos outras coisas na cabeça, nossa mente funciona em outra frequência. Isso só se torna um problema quando alguém mede o outro pela própria maneira de pensar – não importa se é homem ou mulher.

comentários (44) | comente

  • A + A -
10.janeiro.2011 13:22:55

O poder das mulheres

Querida Dilma,

em primeiro lugar, parabéns por ser a primeira mulher a vestir a faixa presidencial. No futuro, teremos a real dimensão do que isso significa. ‘Retrospectiva 2111: Há cem anos, uma mulher assumia pela primeira vez o governo do Brasil…’ Uau, minhas bisnetas vão achar emocionante.

Antes de começar esse papo, queria te perguntar uma coisa… posso te chamar de você? ‘Senhora’ é muito formal, mesmo para uma presidente da República. Afinal, me dirijo a você de brasileiro para brasileira, em situação de (quase)igualdade. Eu sei, eu sei, a distância entre nossos poderes é abissal: sou o responsável por um blog, você é responsável por um… país. Mas, no fundo, somos somente dois seres humanos tentando fazer o melhor possível, não é?

Acho que vai ser muito positivo para o nosso País ser governado por uma mulher como você. Sou fã das mulheres. Não apenas daquelas que brilham ao sol de Ipanema, se é que você me entende. Gosto da maneira como as mulheres pensam, embora nem sempre concorde com elas. Vocês têm algo de superior em relação a nós, homens. Se Darwin estivesse aqui, diria que a mulher é o próximo passo na evolução da espécie. Aliás, o Darwin daria um ótimo ministro de Ciência e Tecnologia, hein? Desculpe a piada. Quem não tem cão, caça com… o Mercadante.

Tenho certeza de que o mundo vai melhorar quando mais mulheres chegarem ao poder. Acredito na capacidade de liderança e na sensibilidade feminina, mesmo sabendo que a Margaret Thatcher era um monstro e a Imelda Marcos, uma figura patética. Ainda bem que há mulheres como você, Angela Merkel, Hillary Clinton, Michelle Bachelet. Mulheres fortes, dedicadas, que transpiram competência. Gente séria. O mundo será de vocês antes do que a gente imagina. Feminismo e machismo são palavras tão ‘século 20′…

Já que você é presidente, vou começar os pedidos: queria ver menos corrupção do que no governo do seu padrinho. Nunca antes na história deste País houve tantos picaretas com anel de doutor. Só um toque: pegou mal convidar a sua comadre Erenice Guerra para a posse. Sabe o que significa a expressão ‘queimar o filme’? Pois é: eu sei que ela é sua amiga, mas a verdade é que a Erenice queima o seu filme. Ela podia dar uma sumida: não acho que o nosso País vai sentir falta.

No mais, boa sorte, do fundo do coração. Para governar um País como este, só sendo muito, muito mulher. E você é. Você não é a última, mas será, para sempre, a primeira.

comentários (16) | comente

  • A + A -


Mick Jagger e a namorada, a estilista L’Wren Scott. A foto é de Vincent Kessler, da Reuters

Há um velho ditado não escrito que diz que todo homem casado quer voltar a ser solteiro – e todo homem solteiro quer encontrar alguém e se casar.

Não acredito que isso seja verdadeiro para todo mundo, claro. Há casais que são muito felizes juntos e, apesar dos problemas que todo casal tem, nem devem imaginar a vida sem o outro ao lado. Do mesmo jeito, tenho amigos que sofrem radicalmente de ‘casamentofobia’ e tremem só de ouvir a palavra compromisso.

Não saberia dizer qual é a porcentagem de gente que concorda com o ditado do início do texto, mas diria que é bem alta. Somos naturalmente insatisfeitos, como já cantava Mick Jagger em Satisfaction. É normal sonhar com o que não está ao seu alcance. Deve ser por isso que a grama do vizinho é sempre mais verde.

Em uma entrevista recente de Mick Jagger no The New York Times, o rockstar diz que não acredita no casamento. O vocalista dos Rolling Stones defende ‘uma relação equilibrada entre homem e mulher, uma ligação sólida mas independente’. O que significa isso? Algo que a namorada dele (há sete anos) não deve gostar muito de ouvir.

Cada um, cada um, como dizia o filósofo chinês. Durante anos, havia uma pressão muito grande para que homens e mulheres encontrassem alguém e formassem uma família. Solteirões eram considerados ‘estranhos’; solteironas eram chamadas de fracassadas. Ainda bem que não existe mais nada disso: as pessoas são livres para seguirem o tipo de vida que quiserem, para casarem ou não, separarem ou não, se internarem em um templo budista tibetano ou não. Isso é uma conquista da sociedade e nunca mais abriremos mão dela.

Tudo isso diz respeito a relacionamentos a dois, mas é importante saber que tudo isso começa com uma única pessoa: você. Ou eu, ou seu irmão, ou seu vizinho. Para facilitar, vamos usar você como exemplo. Você é do tipo que sonha com uma vida a dois? Ou prefere a liberdade para fazer o que quiser?

A chave está no autoconhecimento. Se você se conhece, sabe o que pode esperar de você mesmo. E não vai ficar se cobrando para se tornar o que você não é. Nem se decepcionar com suas próprias atitudes. Pessoas que se conhecem bem são mais felizes por uma boa razão: elas se aceitam. Elas gostam de quem são e não querem reproduzir modelos de felicidades que os outros acham ‘perfeitos’.

É bom confiar em quem você é e aceitar que essa pessoa – como todas as outras, aliás – tem defeitos e qualidades. Ninguém é perfeito, mas cada um é perfeito… em sua individualidade.

comentários (24) | comente

  • A + A -

Arquivos

Blogs do Estadão