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Felipe Machado

Richard Price/Ralph Gibson
Richard Price: O colega Dennis Lehane acha que ele é o melhor escritor de diálogos dos EUA. Quem sou eu para discutir?

Ao contrário da matemática, a literatura está longe de ser uma ciência exata. É por isso que, para gostar de um livro, pouco nos importa se o autor ganhou o Prêmio Nobel ou se ele foi considerado o melhor escritor do mundo pelo melhor crítico do mundo. O que nos toca, no sentido emocional – e até na influência sobre nossa capacidade de abstração do texto em si – é a linguagem. Gostamos de livros onde há uma identificação entre a narrativa do autor e a nossa forma de pensamento. É uma ligação muito próxima entre os olhos que correm as letras e o cérebro que as escreveu.

Escrever é ritmo, já disse alguém. E ler também, por consequência. Por isso acho tão importante encontrar autores com os quais me identifico, não apenas em termos de temática, mas principalmente em relação ao ritmo da narrativa.

Após esse início de texto chamado no jornalismo de ‘nariz de cera’ (‘enrolação de linguiça’ em português mais claro), pretendo falar sobre um dos livros que acabo de ler no feriado de início de ano: ‘Vida Vadia’, de Richard Price.

O tamanho assustou um pouco, já que é um tijolo de 500 páginas. Mas fiquei empolgado e o encarei porque li que a trama se passava em Manhattan, mais especificamente no Lower East Side, região onde fiquei hospedado recentemente durante minhas férias. O livro se passa numa época um pouco distante, levemente indefinida, provavelmente nos anos 80, quando a região ainda era um pouco detonada e o crime corria solto. Hoje Nova York é tão segura que mesmo nos locais citados no livro é difícil imaginar que havia uma degradação espalhada como uma metástase em um paciente terminal. ‘Vida Vadia’ é uma coleção de personagens ferrados, todos meio sem saída, presos a um dia a dia sem futuro e a um passado que seria melhor esquecer.

Voltando ao início do texto e à importância do ritmo no literatura, confesso que logo de cara achei a narrativa de Richard Price um pouco caricata e sem fluidez para um romance policial. Depois fui perceber que a culpa não era dele, mas minha, por ter lido a edição em português. Nada contra o excelente trabalho feito por Paulo Henriques Britto ou pela edição caprichada da editora Cia. Das Letras. O problema é da língua mesmo. Como traduzir what’s up, brother? sem cair no ridículo ou no, como se diz em português… fake? A expressão em português se tornaria algo como ‘e aí, brother?’ ou ‘como estão as coisas, irmãozinho?’, ou ‘fala, mano?’… Ou seja, tão difícil traduzir ‘Vida Vadia’ para o português como seria traduzir, sei lá, ‘O Invasor’ ou ‘Cidade de Deus’ para o inglês. É possível, mas não é crível, com o perdão da rima.

Apesar desse problema inicial, depois de assimilado o ritmo, o livro engata uma segunda e fica bastante interessante. Violento, sujo, intenso, cortante são alguns dos adjetivos que eu poderia aplicar a ele. Os diálogos são sensacionais, como aponta o também famoso escritor Dennis Lehane na orelha: ‘Richard Price é o maior escritor de diálogos, vivo ou morto, que este país jamais produziu. Maluco, profano, hilário e trágico, às vezes tudo isso numa única frase’.

Meio exagero, mas tudo bem… afinal, quem sou eu para discutir com o autor de ‘Sobre Meninos e Lobos’? O livro de Price, inclusive, também deve ir parar rapidinho nas telas: esse professor de Yale que cresceu no Bronx já escreveu ‘Irmãos de Sangue’, dirigido por Spike Lee em 1995, e séries como ‘The Wire’ (HBO). Antes, em 1986, havia escrito o roteiro de ‘A Cor do Dinheiro’, indicado ao Oscar pelo filme com Paul Newman e Tom Cruise, dirigido por Martin Scorsese.

É bem provável, portanto, que ‘Vida Vadia’ esteja em breve nas telas. A trama é simples, poderia ocupar bem menos papel. Mas Price gosta de passear por Nova York, ir e voltar aos lugares, como fazem os policiais de seus romances (e alguns criminosos também, já que ‘todo criminoso volta ao local do crime’). O livro é baseado na descrição de algumas histórias simultâneas (eu poderia usar a palavra ‘cenas’ com a mesma propriedade), todas decorrentes do assassinato de Ike Marcus. O jovem barman saía de um bar acompanhado por outros dois amigos quando foi morto após reagir a um assalto. Entram em cena a complicada família da vítima, os dois amigos que sobrevivem, dezenas de imigrantes ilegais, donos de bares ‘risca-faca’, bandidos de várias etnias (os adolescentes negros com medalhões no peito são tão reais que você acredita que eles vão brotar das páginas como hologramas para cantar um rap na sua cara), e, claro, os policiais (honestos e desonestos). ‘Vida Vadia’ é um livro sobre uma investigação policial; detalhado, vivo, elétrico, perigoso.

Apesar do livro ser longo, quando as letras The End surgiram ao final confesso que fiquei com aquele gostinho de ‘quero mais’. Se não for transformado logo em filme, vou ter que esperar ansioso pelo próximo livro de Richard Price. Será que vem aí ‘Vida Vadia 2′?

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Marjorie Estiano
Marjorie Estiano: Ela ganha um apelido novo todo réveillon

Mesmo que você não seja o maior fanático por tecnologia do mundo, tenho certeza de que passou 2009 ouvindo falar sobre Twitter, Facebook e outras novidades tecnológicas que adoramos odiar e, para falar a verdade, odiamos adorar.

Acabei me rendendo a praticamente todos eles, pelo menos para testá-los e descobrir quais são legais e quais vão desaparecer antes que você possa dizer algum velho ditado. Tudo depende, afinal, ‘quem iPod, iPod’.

O meu favorito é o Twitter porque permite divulgar mensagens rápidas para um grande número de pessoas. Costumo usar o site para informar fatos jornalísticos com agilidade, mas confesso que, na maioria das vezes, uso mesmo para publicar frases divertidas. Como estamos na primeira coluna de 2010 e bom humor nunca é demais, separei algumas delas para dividir com você nesse início de ano. Vamos lá:

1.O cara é tão moderninho que o mapa astral dele foi feito com um aparelho de GPS.

2. Sabe como chamam o melhor amigo do cara que só bebe Campari? Campadri.

3. Não sei se ela pôs silicone, mas a Via Láctea da Miss Universo é sensacional.

4. Ricos não enchem a cara: fazem degustação.

5. O jogador de basquete chinês Sun Ming, de 2,36 metros, anunciou que vai lançar um livro de alto-ajuda.

6. O cara roncava tanto que os personagens do sonho não conseguiam conversar por causa do barulho.

7. Fernanda Young é do contra. Ela posou para a Playboy porque não quer ser apenas mais um rostinho feio na TV.

8. É correto dizer que todo personal trainer é uma pessoa física? E todo advogado, seria uma pessoa jurídica?

9. O mundo masculino se divide assim: Os homens nascem bebês, tornam-se garotos e, depois, crescem e viram adúlteros.

11. Desde hoje, o novo apelido da cantora Marjorie Estiano é Marjorie 2010.

12. O elevador deu um tranco meio forte e a mulher falou: “se o elevador cair, pelo menos não terei que trabalhar no fim de semana”. Adoro gente positiva.

13. Os generais da ilha do Chipre são patriotas autoritários que passam o dia repetindo: ‘Chipre é uma coisa que põem na sua cabeça’.

14. Meu gorro do Timão traz bordada na parte interna a inscrição ‘Essa é uma touca por ti, Corinthians’.

15. Em Brasília, o último apaga a luz no fim do túnel.

16. A empresa que será criada para explorar o pré-sal vai se chamar Pré-Trobrás.

16. Tenho um amigo que não faz nada, bebe o dia inteiro. Mas ele só toma pinga, vive em lugares péssimos. Ou seja, é um mau-vivant.

17. Conheço um ator que é tão quebrado que o sonho dele em 2010 é interpretar papel-dinheiro.

Feliz 2010!

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