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Felipe Machado


Give Peace a Chance: Lennon morreu há 30 anos, mas sua música e sua mensagem de paz vão durar eternamente. A vida e a obra de John vai tornar você uma pessoa melhor em 2011

É difícil escrever um texto sobre réveillon sem falar sobre as promessas de ano novo que a gente sempre faz (e nunca cumpre). Descobri que mentir para mim mesmo é a primeira coisa que acontece quando acordo (de ressaca) no dia 1º de janeiro. ‘Eu sei que prometi nunca mais beber refrigerante, mas me dá uma Coca-Cola gelada antes que eu morra’, costumo sussurrar.

Hoje vou falar sobre outro assunto. Lentilhas? Nah. Cueca branca? Na-na-ni-na-não. Vamos refletir sobre a origem do termo réveillon, palavra francesa que a gente usa todo ano e que a maioria de nós não sabe exatamente o que significa.

Quer dizer, todo mundo sabe que réveillon é a noite em que deixamos o ano velho para trás e entramos pulando sete ondinhas no ano que começa. Semanticamente, no entanto, a palavra tem um significado bastante interessante.

Ela vem do verbo réveiller, que, em português, quer dizer ‘despertar’. Pois é exatamente isso que eu desejo para você nesse ano que vai começar daqui a pouco: que você desperte.

‘Peraí, Felipe, se eu estou lendo esse texto é porque já estou acordado’, alguém vai reclamar. E eu vou responder: . Não é disso que estou falando.

Queria abordar esse despertar sob uma ótica mais metafórica, como uma pessoa que vive nas trevas e acorda para uma nova realidade. É a mesma sensação de ver alguém abrir os olhos pela manhã, guardar o universo dos sonhos debaixo do travesseiro e voltar ao mundo real. Pois é isso aí. Em 2011 eu quero ver você despertar.

Não estou dizendo que você está dormindo, nem que está apático em relação à vida. Mas aposto que existem alguns assuntos que você prefere não mexer e deixar como estão, mesmo que estejam te incomodando. Pois eu peço que você desperte para isso. Encare tudo de outra maneira. Deixe de ser acomodado. Se for mesmo para continuar como está, tudo bem. Mas se for para mudar, tenha consciência de que está mudando porque chegou a hora de… despertar.

Tem gente que passa pela vida e nem sabe por que passou. Não seja assim. Faça com que sua trajetória seja uma experiência mágica para todos ao seu redor. Isso não tem nada a ver com sucesso, fama ou dinheiro. Tem a ver com quem você é. Lembre-se: você sempre pode ser uma pessoa melhor. Em 2011, você será.

No dia 31, coloque todos os seus despertadores para tocar à meia-noite.

E feliz despertar.

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20.dezembro.2010 12:34:57

Ninguém é invisível

‘Papai, você é muito brilhoso.’
‘Brilhoso? Mas o que é brilhoso, minha filha?’
‘Ah, papai… brilhoso é quando é muito lindo.’

Toda vez que minha filha diz alguma coisa assim meus olhos se enchem d’água e eu agradeço aos céus por ter a criança mais linda do mundo como filha. Não sei se é só comigo, mas a intensidade desse amor por ela – e pelo resto da minha família – fica muito mais forte no fim de ano. Ainda mais nessa semana de Natal.

É claro que tudo conspira para isso: as árvores cheias de luzinhas brancas, as campanhas publicitárias emocionantes, a perspectiva metafórica de recomeço que o ano novo traz.

É uma época que traz muita alegria, mas também um quê de melancolia. Começamos a lembrar de quem não está mais com a gente; imaginamos como seria bom se toda a família estivesse reunida – todos mesmo – para celebrar o fim de ano.

Não se preocupe, é assim com todo mundo. As famílias nunca estão completas, até porque estar completa não é uma característica possível a uma família.

Famílias são incompletas por natureza. Há sempre alguém partindo e alguém chegando; essa é a própria definição de uma família. Não somos estáticos, mas dinâmicos – ou melhor, dinamicamente familiares. Famílias são obrigadas a andar para frente, como entidades ambíguas que mantêm o cérebro no futuro e o coração no passado.

Se você é daqueles que amam o Natal, aproveite. Se você não gosta muito dessa época… relaxe, ela passa rápido. Não pense em nada negativo, nada que possa derrubar sua emoção. Pense naqueles que se foram com carinho, porque é isso que eles gostariam que você pensasse se ainda estivessem entre nós. É o que eu faço. Acredite, funciona.

Costumo pensar também nas amizades ao meu redor, nos colegas de trabalho, nas pessoas com quem convivemos o ano inteiro e que só lembramos que existem quando alguém os menciona. A mocinha que serve café no escritório, o simpático faxineiro do prédio, o cara que cuida do estacionamento. Essas pessoas, de certa forma invisíveis em meio ao caos da cidade, estão mais presentes em sua vida do que você jamais imaginou. São personagens fixos no enredo do seu dia a dia. Lembre-se que não há ontem ou amanhã: vivemos sempre no hoje. E, portanto, no dia a dia.

Um beijo para os seus filhos, se você tiver algum. Um beijo para seus pais, se eles estiverem por aqui. Um beijo para você, que se considera uma pessoa sozinha. Você não é. Estamos todos aqui, juntos, convivendo nesse infinito dia a dia.

Feliz Natal.

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Is it a dream?

O que vou dizer é um clichê dos diabos, mas não consigo me segurar: o fascinante da vida é que ela muda de uma hora para outra. Quando menos se espera. Sem roteiro. Estale os dedos: sua vida acaba de mudar.

Algumas dessas transformações acontecem sem querer, é verdade. Estamos andando pela rua, assobiando, com as mãos nos bolsos, e simplesmente damos de cara com alguma novidade cruzando o nosso caminho. Não precisamos fazer nenhum esforço. Outras mudanças, no entanto, requerem mínimas condições básicas de temperatura e pressão: uma dose de bom humor aqui, um olhar mais sensível ali. Um coração aberto, enfim.

Você acredita em coincidências? Uma parte do meu cérebro diz que sim, a outra diz que não. Acho que no fundo elas são como as bruxas: a gente nunca acredita, mas que elas existem, existem. Ou será que esses estranhos acontecimentos só surgem quando abrimos a porta e as deixamos entrar? Não faz diferença. O que importa é que elas aparecem e nos forçam a tomar uma decisão. E tomar decisões é sempre uma coisa positiva, não?

Transformar-se é uma característica inerente a todo ser humano. Somos acostumados a transformações desde o dia em que nascemos. Estamos em constante evolução para sobreviver, e isso não é apenas uma observação darwinista tirada de algum livro de biologia. As espécies que se adaptam melhor ao seu habitat têm mais chances de sobreviver, aprendemos na escola.

Aplicando o conceito a nós, primatas inteligentes, podemos acrescentar também o aspecto psicológico dessa afirmação. Quem resiste melhor a pressões psicológicas têm mais chance de ser feliz. Ou achar que é feliz – o que é a mesma coisa.

Hoje sou isso, amanhã sou aquilo. Metamorfose ambulante. Não me peça para ser coerente: a coerência só é considerada uma qualidade pelos sem-imaginação. Revoluções por minuto, tudo ao mesmo tempo agora, o tempo não para.

Grandes histórias sempre te ensinam alguma coisa. É por isso que nunca devemos desistir: dá sempre para aprender algo novo. Tudo ensina. Somos esponjas emocionais absorvendo sentimentos e sensações através de cada poro.

De repente você abre os olhos e vê o futuro. Ele é divertido, lindo, brilhante. E daí você descobre que esse futuro sensacional sempre esteve lá, seus olhos é que estavam fechados. Por que você não abriu os olhos antes? Bem, porque quando a gente está dormindo… a gente não sabe que está dormindo.

Mas, afinal: foi ou não foi um sonho?

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Nada me deixa tão chateado quanto tomar uma decisão pessoal, irreversível, planejada – e descobrir que ela foi completamente equivocada.

Infelizmente, há erros enormes que só são percebidos como erros depois que acontecem. E como corrigir erros irreversíveis? Sei lá. Se você descobrir a resposta, fique à vontade: meu e-mail é  felipe.machado at grupoestado.com.br .

De qualquer jeito, será que existe alguém no mundo que realmente aprende com os próprios erros? Uau, eu adoraria ser uma dessas pessoas. Pena que minha disciplina mental ainda esteja engatinhando – pelo jeito, vou ter que comer muito arroz com feijão para atingir esse estado tão superior.

Sinceramente, tenho minhas dúvidas a respeito do efeito que os erros provocam no aprendizado. Até porque alguns dos maiores erros são cometidos conscientemente, não?

Talvez seja um defeito só meu, mas há erros que cometo toda vez que sou exposto a determinadas situações. Seria justo, então, chamar essas atitudes de erros? Ou seria mais honesto considerá-los características da minha personalidade? Ou o mais correto, mesmo, seria defini-los como traços da minha personalidade que são normais e aceitáveis para mim, mas que são vistos como erros por outras pessoas?

Relacionamentos são árvores. Altas, baixas, jovens, velhas. Temos que preservá-las não apenas porque são belas e imponentes, mas também porque dão solidez à vida. Nada mais triste do que uma enorme árvore deitada, sem vida, abatida pela falta de razão.

Desculpe se o tom deste texto está soando como autocrítica. Ele é, sim, uma forma de tentar entender porque erramos tanto. E é verdade que tenho, sim, tentado transformar a autocrítica em algum tipo de ação mais prática. O ruim é que nem sempre consigo. Será que sou só eu? É meio frustrante, tenho que admitir.

É preciso ser muito forte para transformar a frustração em volta por cima. O velho enredo do herói que sobe, cai, levanta e sobe de novo é lindo. Ascensão e queda, redenção e triunfo: tem que ser muito forte para realizar todo esse caminho. Quem consegue tem minha admiração.

Uma árvore pode ser transplantada de um lugar para o outro sem que isso provoque sua morte. Mas nem sempre ela se adapta. O que parece inicialmente uma operação bem-sucedida pode criar uma série de problemas mais tarde.

Relacionamentos são árvores, mas pessoas, não. Pessoas são humanas, portanto, passíveis de erros. Tomara que você consiga aprender com os seus.

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