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Felipe Machado

29.novembro.2010 09:00:45

Começos e recomeços

Começo, meio e fim. Todo relacionamento tem começo ( isso é meio óbvio, não?). Alguns deles têm meio, o que acontece após um começo bem sucedido. Quanto ao fim, depende de muita coisa para se tornar um happy end: há amores que se eternizam, há amores que são infinitos apenas enquanto duram.

Começo e recomeço são etapas da vida interligadas não apenas pela quantidade de letras semelhantes, mas pela profunda necessidade que uma delas provoca na outra. Não, isso não é só jogo de palavras. É que, embora nem todo começo seja um recomeço, todo recomeço… é um começo.

Recomeçar implica em ‘não começar do zero’, pelo menos é o que significa semanticamente o prefixo ‘re’. Recomeçar é dar uma nova chance ao que, de certa forma, falhou; é insistir que ali há algo inevitavelmente belo e necessário para se chegar à felicidade. Estou basicamente falando de relacionamentos, se ainda não deu para perceber.

Nem todo recomeço, no entanto, nasce de um fim. Eu sei, soa paradoxal, mas acredito que não é apenas possível, mas essencial promover recomeços constantes em qualquer relação. Melhorar alguma característica pessoal é um recomeço; apostar na sua intuição é outro. Há muitos recomeços possíveis, todos eles baseados numa única palavra mágica: vontade.

Vontade de recomeçar é o que motiva o recomeço, e não uma pressão abstrata qualquer que vem sei lá de onde. Querer nem sempre é poder, mas querer pelo menos indica que você deseja ir atrás dessa coisa que está faltando. E aí cada um empenha o que acha necessário para atingir o seu objetivo e vencer a batalha.

Desculpe se esse papo está ‘cabeça’ demais. É que nem sempre as coisas são tão claras, tão preto no branco. Quando se está em dúvida em relação a alguém, dizem que o ideal é colocar na balança os defeitos e qualidades dessa pessoa e ver se vale a pena seguir em frente. O problema é que esses dados nem sempre são tão claros quanto a gente precisa. E aí nos vemos obrigados a apelar para outras formas de solução.

Começar um relacionamento é a coisa mais fácil do mundo. Especialmente quando há atração física e intelectual, vontade de ficar juntos. Com o tempo, surgem situações boas (e ruins) que modificam a relação. E aí vemos se o que uniu o casal é forte o suficiente para resistir às novas situações. Se não for, há duas opções: o relacionamento segue o enredo ‘começo, meio e fim’ ou o casal investe num ‘começo, meio e… recomeço’. Depende da vontade de cada um.

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Foto: Ernesto Rodrigues/AE

Amigas e amigos,

ainda não estou completamente ‘curado’ em relação a ter perdido os shows do Paul em São Paulo. E também não acho que o meu texto sobre o tema (um anti-texto, na verdade) é suficiente para abastecer esse blog e informar seus leitores . Por isso, pedi ao meu irmão, um extremista Beatlemaníaco, que fizesse um relato sobre sua experiência. Aqui vai. Valeu, Nando! Bjs, F.

Paul in SP
Nando Machado

Caros,

Como meu irmão não pode ir ao show do Paul (sinto muitíssimo por ele), fiquei com a difícil tarefa de descrever duas noites muito especiais e emocionantes. Fui aos dois shows do Paul McCartney em SP e foram duas noites inesquecíveis. Impressionante como o mesmo show pode ter histórias tão diferentes umas das outras.

No domingo, fui sozinho na numerada coberta, lá atrás, bem longe. Bem cedinho, fui de carona com uns mineiros que haviam alugado um microônibus, amigos do Luiz ‘Téti’ Pimentel. Entre eles, Terence Machado, diretor do excelente programa ‘Alto Falante’, exibido pela TV Brasil. Gostei do papo imediatamente, todos eram profundos conhecedores dos Beatles e de Paul. Sentei na numerada, encontrei uns amigos, bati papo com desconhecidos (afinal, somos todos Beatlemaníacos, certo?). Assisti ao show com uma visão total do palco, da pista e do estádio. Busquei essa perspectiva pois já tinha visto Paul ao vivo duas vezes. Em 1990, fui um dos 184 mil fãs que foram ao Maracanã e que permaneceram durante muito tempo no Guiness book como parte do maior público em um show pago em todos os tempos (alguém sabe se ainda estamos no Guiness?). Em 93, vi Paul no Pacaembu, pertinho de casa, e me lembrava que o público do show é um espetáculo à parte.

O que mais me impressionou no show – além da banda, som, cenário e luzes perfeitos – é a emoção que essas músicas provocam nas pessoas. Você olha pra trás e vê pessoas felizes, de todas as idades, chorando, abraçadas, como se estivessem realizando um sonho – e estavam: o sonho de ver um Beatle cantando os maiores sucessos dos Beatles num show ao vivo. Isso durante muito tempo foi realmente um sonho, já que os Beatles pararam de se apresentar ao vivo em 66 e durante muito tempo Paul tocava apenas umas 3 ou 4 músicas dos Beatles por show. Paul só voltou a incluir Beatles para valer no repertório a partir da tour que o trouxe ao Brasil pela primeira vez, em 90 (não sei por que, sempre achei que os shows tinham sido em 89…). Na ocasião, fui de ônibus para o Rio com meu amigo Duda Soutello e ficamos na casa da avó dele em Copacabana, foi a primeira vez que tinha ido à Cidade Maravilhosa (deve ser por isso que eu adoro o Rio). Lembro de ter chorado ao ouvir o Maracanã inteiro cantando ‘Hey Jude’ e ‘Let it Be’.

Essas músicas nos fazem lembrar de tantos momentos e fazem parte das nossas vidas de tantas maneiras diferentes. A genialidade de um artista realmente pode nos transportar no tempo e nos elevar realmente a outra dimensão. Para quem gosta de Beatles como eu, essas músicas são como familiares que a gente ama, cada um do seu jeito. Interessante como a história dos Beatles pode servir de metáfora para a nossa vida real: o início inocente, puro; o amadurecimento com o passar dos tempos; e, no fim, o triste definhamento e a morte. É como uma história de amor que todos nós vivemos, até que o sonho realmente acabou com a morte de John Lennon em 80.

Voltando ao show: No primeiro dia, os primeiros acordes de ‘All My Loving’ me lembraram da inocência da minha própria infância; impossível não chorar com a homenagem a George Harrison e ver como ele também era cool, outro gênio. ‘The Long and Winding Road’ foi outro momento muito especial e emocionante, me lembro que tantas vezes andei por uma long and winding road até chegar a casa da minha amada – ‘the road’ pode simbolizar tantas coisas…

No segundo dia fui de Pista Premium. Quase não cheguei a tempo, entrei no Morumbi às 21:15 desesperado por causa da chuva e do trânsito.

O show do Paul é uma ocasião em que nem chego perto de uma cerveja para não ter que ir ao banheiro. Aliás, é difícil escolher um momento para ir ao banheiro. Nesse segundo dia o repertório já começou diferente: um show que começa com ‘Magical Mistery Tour’ não precisa de mais nada. Mas ele ainda tocou ‘Got to Get You Into My Life’, ‘Two Of Us’, ‘Bluebird’ (Wings). Paul tenta fazer um set list que agrade aos fãs de Beatles, aos fãs de Wings e aos fãs de sua carreira solo. Ele tocou até duas músicas do seu excelente projeto Fireman, além de algumas que divulgavam o relançamento de ‘Band on The Run’. Tocou ainda ‘Dance Tonight’, do ‘Memory Almost Full’. Difícil não se emocionar com a melodia de ‘My Love’, realmente é uma das melhores músicas de amor já escritas. A cada tour, Paul muda as músicas dos Beatles no setlist, inclui algumas inéditas (‘O Bla Di O Bla Da’), e renova as homenagens a John, com ‘A Day in The Life/Give Peace a Chance’ e ‘Here Today’, do álbum ‘Tug of War’.

O show teve outros momentos especiais: ‘Let it Be’ e ‘Hey Jude’, com 64 mil pessoas cantando, é muito emocionante. ‘Helter Skelter’, ‘Day Tripper’, ‘I’ve Got A Feeling’, ‘Back in The USSR’ e ‘Paperback Writer’ mostram o lado mais roqueiro de Paul e nos dão vontade de sair pulando (bom para mostrar para quem costuma dizer que Paul só fazia músicas melosas). Por outro lado, ‘Blackbird’ e ‘Yesterday’ mostram o lado de compositor simples e de melodias sensíveis. No primeiro dia, teve ‘Drive My Car’, as excelentes ‘Venus and Mars / Rockshow’ (que abriu o primeiro show), ‘Let Em In’, ‘Jet’, ‘Let Me Roll It’, ‘Band on The Ru’n e ‘Mrs Vanderbilt’ mostraram o melhor do Wings. No primeiro dia teve ainda ‘I’ve Just Seen a Face’, do ‘Help’; no segundo, ‘I’m Looking Through You’. ‘And I Love Her’ (só no domingo), ‘Eleanor Rigby’, ‘Lady Madonna’, ‘Get Back’, ‘Sgt Peppers’ (reprise).

O show termina com ‘The End’: ‘E, no final, o amor que você faz é igual ao amor que você leva’. É a melhor frase para encerrar um show, um álbum como Abbey Road, ou até uma banda como os Beatles. Por outro lado, senti falta do medley do ‘Abbey Road,’ uma sequência maravilhosa de canções. ‘We Can Work It Out’, ‘Penny Lane’, ‘Hello Goodbye’, tantas ficaram de fora… ‘Maybe I´m Amazed’ é uma das minhas preferidas, mas faltaram, ‘Pipes of Peace’,’ Calisco Skies’, ‘My Brave Face’, ‘Coming Up’, ‘Junk’, ‘Oh Darling’, ‘Gettin Better’, ‘Michelle’, ‘The Fool On The Hill’, ‘I Saw Her Standing There’, ‘Figure Of Eight’… Impossível tocar todas.

O único consolo em não termos mais John e George é saber que Paul está melhor do que nunca. Aos 68 anos, me deu a impressão de que só vai se aposentar quando completar 100. Como é legal ver alguém fazer uma coisa que sabe fazer tão bem… O cara é um entertainer nato e sabe o efeito que causa nas pessoas, ele vê essas mesmas cenas em todo lugar que vai há quase 50 anos. Mesmo assim, parece um cara normal que sai para andar de bicicleta em São Paulo (isso é ser um cara normal?) ou curte pegar o metrô lotado em Paris.

Vamos esperar pelo próximo show, com certeza ele acontecerá, se Deus quiser, antes de Paul fazer 100…

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No momento em que você estiver lendo esse texto, não estou mais por aqui. Calma, não pretendo passar desta para melhor: é que aproveitei uns dias de férias e viajei para o exterior. Bom? Mais ou menos.

Marquei a viagem há muito tempo e só descobri há algumas semanas que a data coincidiria com os shows de Paul McCartney no Brasil. Tentei, insisti, lutei, mas não consegui mudar a maldita passagem. Ou seja, não vi nenhum show de Paul McCartney no Brasil.

Para algumas pessoas, isso pode ter sido apenas uma pequena fatalidade. Para mim, não. Foi uma tragédia que vai me acompanhar por toda a minha vida. Amo Paul com todas as minhas forças. Para mim, Paul não é um ídolo. Ele é um deus.

Sim, é claro que sou Beatlemaníaco, com muito orgulho. Meu irmão Nando é até mais que eu, o que prova que bom gosto é uma coisa comum em nossa família.

Acho que as pessoas se acostumaram tanto com a imagem do Paul andando por aí, conversando com as pessoas, comendo nos restaurantes, que acreditam que ele é um homem normal. Mas nós, Beatlemaníacos, sabemos que isso não é verdade. Paul não é normal. Paul é uma entidade sagrada, um ícone popular. Poucos personagens tiveram a influência cultural global que ele teve. Paul é tão importante quanto Beethoven, Picasso, Einstein.

John foi o líder no início da carreira dos Beatles. Isso durou até 1966, mais ou menos, quando Paul começou a dividir o comando. Ele tinha um bom argumento para discutir com John: suas belas canções. John e Paul deixaram então de compor em dupla (apesar de manter a famosa assinatura ‘Lennon-McCartney’), e isso gerou uma dinâmica diferente na banda. Os Beatles ampliaram seus conceitos e revolucionaram ainda mais a cultura dos anos 60.

Se John era o cérebro, Paul sempre foi o coração. Sei que não podemos simplificar o estilo de dois gênios, mas eu diria que John sempre compôs para dentro, enquanto Paul escreve para fora. O equilíbrio perfeito dos dois acabou com o fim dos Beatles, e cada um teve que aprender a viver sem o outro. Conseguiram, e bem. Suas carreiras solos são quase tão sensacionais quanto o material imortal que criaram juntos.

Paul tocou domingo e segunda no Morumbi. Não estive lá fisicamente, mas em espírito, sim. No horário do show, imaginei meu ídolo entrando no estádio, as luzes, a gritaria. Milhares de brasileiros estavam felizes, e eu estava feliz por eles. Mas tenho certeza de que morri um pouco por dentro.

Foto: Ernesto Rodrigues/AE

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O figurino transformou Fergie em uma mulher muito especial, quer dizer, espacial

O Black Eyed Peas ama o Brasil, e o Brasil ama o Black Eyed Peas. Foi até constrangedor o número de vezes que o vocalista will.i.am falou sobre seu amor pelo nosso país, nossa música, nosso povo. E ele não disse da boca pra fora, como seria de se imaginar: o BEP foi uma das poucas bandas no topo do mundo que aceitou realizar uma verdadeira turnê pelo Brasil: passaram por Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo, ontem à noite, num show apoteótico no Estádio do Morumbi. A maioria das bandas vem para cá para tocar em Rio e São Paulo e olhe lá.

Além de dizer que o show de ontem foi o melhor da turnê, will.i.am prometeu que voltará no ano que vem porque quer comprar uma casa no Rio e um apartamento em São Paulo. Sabia que não pareceu puxação de saco? O discurso foi tão sincero que não acharei nem um pouco estranho ver o líder do Black Eyed Peas tomando um choppinho no Leblon ou passeando pela feirinha Benedito Calixto, na Vila Madalena. Ele já havia dito que torceria para o Brasil na Copa da África do Sul, até entrou com nossa bandeira no palco do show de abertura… Também gostei porque will.i.am subverteu a ideia de que todo gringo tem que gostar de encher a cara com caipirinha sempre que está no Brasil. ‘Não tomo caipirinha, prefiro guaraná com vodka’, brincou will.i.am. ‘Eu também’, gritei, mas não tenho certeza se ele me ouviu.

Perdoe o clichê, mas o Black Eyed Peas no palco não faz um show: faz uma festa, uma balada. A noite começou com o David Guetta, uma mistura de DJ com rockstar. O cara vai lá, aperta o botão de play no toca-discos… e todo mundo acha o máximo! Deve ser bom, né? Não precisa perder tempo aprendendo a tocar guitarra, cantar, tocar teclado, baixo, bateria… Mas tudo bem: David é meio pop demais para o meu gosto, mas sua apresentação teve pelo menos um momento genial: ‘Sexy Bitch’, com a participação do rapper-mela-cueca Akon.

Lights out. E o Black Eyed Peas surge das profundezas do palco-nave espacial, subindo por quatro elevadores (como o Michael Jackson fazia, diga-se de passagem) localizados sob a mega-estrutura. A primeira música do show é provavelmente uma das mais perfeitas introduções de todos os tempos: ‘Let’s Get it Started’ levanta até defunto. Há muito tempo eu não pulava tanto em um show (não que eu seja um defunto, claro). Infelizmente, não posso contar nada disso para meus amigos/fãs de heavy metal. Só garanto uma coisa: eu não dancei com os bracinhos pra cima. Juro.

Há uma história curiosa sobre a canção ‘Let’s Get it Started’; não tem nada a ver com o show, mas se eu não contar agora eu vou esquecer: na primeira versão que saiu do disco ‘Elephunk’, essa música se chamava ‘Let’s Get Retarded’ (Vamos ficar retardados). Era uma figura de linguagem, com o sentido ‘vamos ficar loucos’, etc. Mas pegou mal entre os politicamente corretos e o refrão teve que ser regravado com outra letra. Ficou então, bem mais light: ‘Let’s Get Started’ (Vamos começar).

Na sequência do show vieram ‘Rock That Body’, outra favorita da casa. Nesse caso, literalmente: minha filha adora essa canção, porque a Fergie canta com voz de robô. E aí a Bebel fica dizendo que a cantora é a ‘garota-robô’). Depois dela, veio a linda ‘Meet me Halfway’, que já foi até tema nesse blog

(Veja o repertório completo abaixo)

O visual do show – palco, figurino, cenário – é incrível e super futurista. O telão é enorme e a qualidade do som foi a melhor que já ouvi em um estádio (até porque o BEP deve ter muito material pré-gravado, o que facilita as coisas para os técnicos, mas tudo bem). Só não gostei muito das bailarinas que entravam no palco, ora vestidas de robôs, ora vestidas como mulatas de escolas de samba. Quer dizer, eu gostei delas, se é que você me entende. Mas que balé no palco é algo muito brega, ah, foi.

A quantidade de hits do BEP impressiona, mas, além do setlist-parada-de-sucesso, cada ‘ervilha’ (Peas, em inglês, é ervilha) ainda faz um showzinho ‘solo’ (o que deve ser ótimo para as outras ervilhas descansarem). Antes de falar sobre isso, porém, gostaria de comentar os nomes/pseudônimos/apelidos dos integrantes da banda. São super estranhos; só para começar, o DJ se chama ‘PoetNameLife’, ou seja, PoetaNomeVida. Não é exatamente o nome mais comum do mundo. (Imagina os amigos dele: “E aí, PoetaNomeVida, beleza?”)

E os integrantes do BEP, então? will.i.am se chama William, mas é tão cheio de graça que inventou essa sigla esquisita aí para complicar a vida de jornalistas brasileiros. O resultado é um apelido confuso que significa ‘Vou Eu Sou’ ou algo do gênero. Pronuncia-se ‘Uíu Ai Ém’, OK? É bom saber em caso de você encontrar com ele dia desses andando pela rua.

Daí veio o showzinho solo de apl.de ap. Eu não sei direito o que quer dizer. ‘apl’, mas acho que vem de ‘maçã’ (apple). O resto do nome eu não tenho a menor ideia, só sei que o tal do apl.de.ap é das Filipinas e seu nome verdadeiro é ‘Allan Pineda Lindo’ (não concordo com o último sobrenome, mas beleza). Na sequência veio o momento de glória-solo do cantor-rapper Taboo, um mexicano altão, branquelo e esquisitíssimo. E o gran finale não podia ficar com ninguém mais que não fosse ela: Fergie, a deusa.

Fergie merece um parágrafo especial. Não apenas porque ela é linda, carismática e canta bem, mas também porque… bem, isso tudo já é suficiente. Se você não acredita que no poder sexual que sua figura emana no palco, é só ver sua performance cantando ‘My Humps’. No vídeo já é bom, mas ao vivo é melhor. A Gretchen seria considerada uma freira perto dela.

O momento-solo mais divertido dos integrantes do BEP (fora o da Fergie, claro) foi o de will.i.am. O cara se transformar em DJ e toca várias introduções de canções conhecidas, como ‘Thriller’ (Michael Jackson), ‘Sweet Child O’Mine’ (Guns ‘N’ Roses) e até a inesperada ‘Time of my Life’, do filme clássico-cult-brega ‘Dirty Dancing’. As 60 mil pessoas que lotaram o Morumbi piravam a cada sucesso. E will.i.am dava risada, ê vida boa.

A última música do show também é a típica canção perfeita para encerrar um espetáculo desse tamanho. Além de achar que ela foi a música do ano (em 2009 e 2010, para falar a verdade), gosto porque acho que é uma espécie de hino da balada. Não foi à toa que ‘I’ve Gotta Feeling’ foi a primeira música a atingir a marca de seis milhões de downloads digitais. Seis milhões de pessoas compraram essa música pela internet, dá para acreditar? Dá. ‘I’ve gotta feeling that tonight is gonna be a good night…’ (Tenho a sensação de que hoje à noite vai ser uma boa noite… simples e perfeito).

No final do show, aquela chuva de papel picado nos lembrou com certa melancolina que a festa chegou ao fim. Dá vontade de apertar o botão do controle remoto e voltar aos primeiros acordes de ‘Let’s Get it Started’. Mas será que eu agüentaria mais uma festa dessas, assim, logo na sequência? Claro que sim. Afinal, se eu morresse de cansaço, o som ‘levanta-defunto’ do Black Eyed Peas garantiria minha ressurreição.

Setlist

Let’s Get it Started
Rock That Body
Meet Me Halfway
Alive / Don’t Phunk With My Heart
Solo de will.i.am
Imma Be
My Humps
Hey Mama / Mas Que Nada
Missing You
Solo de apl.de.ap
Solo de Taboo
Rockin To The Beat / La Paga
Solo de Fergie (Fergalicious / Glamorous)
Big Girls Don’t Cry
I.Am.Robot (DJ Set)
Pump It
Don’t Lie
Shut Up
Where is the Love?
Boom Boom Pow
I Gotta Feeling

Foto: Leonardo Soares/AE

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