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Felipe Machado

André Mattos é Fortunato, apresentador de TV que vira deputado. O personagem é muito engraçado; a realidade é que é triste

Hoje é dia de eleição.

Nunca antes na história deste País houve um filme como ‘Tropa de Elite 2. Se você é um dos sete milhões de brasileiros que viu o filme – nosso maior público em todos os tempos –, sabe do que estou falando. Se não viu, corra para o cinema e entenda melhor o País em que você vive.

Se Mazzaropi e Glauber Rocha imortalizaram em película o País de suas épocas, José Padilha faz uma radiografia perfeita do momento em que vivemos. Infelizmente, o resultado é podre.

Hoje é dia de eleição.

‘Tropa 2′ mostra como o Estado brasileiro é corrompido, como espalha seus tentáculos malignos sobre a sociedade e como, em contrapartida, a sociedade responde com o que há de pior no submundo de suas fileiras.

Na tela, o já lendário personagem Coronel Nascimento, do Bope carioca, torna-se Secretário de Segurança. O alvo são as milícias cariocas, formadas por policiais mais criminosos que os próprios criminosos. Traficantes e favelados pagam para não ser assaltados por policiais. Sim, é inacreditável.

Hoje é dia de eleição.

Não vou contar o final do filme; só que as pessoas aplaudem de pé. Há catarse, revolta, indignação, mas não sei por quê: a culpa por tudo isso é nossa, só nossa. Somos nós que elegemos os políticos que nos saqueiam.

Hoje é dia de eleição.

Acaba de sair uma lista da Transparência Internacional sobre a percepção da corrupção no mundo. Estamos muito mal, o que não é nenhuma novidade, somos corruptos mesmo. De 0 a 10 em honestidade, tiramos 3,7. Se a corrupção fosse uma matéria escolar pela qual os países seriam julgados, levaríamos bomba. Ué, um país que não passa de ano pode ser considerado… um país?

Hoje é dia de eleição.

Dos 178 países pesquisados , ficamos em 69º lugar. Ao lado de Cuba, veja só que coincidência. Em 2009, ficamos em 75º. Melhoramos? Não, os outros é que pioraram. ‘Não há algo de podre no reino da Dinamarca’, como diria o Hamlet de Shakespeare: a Dinamarca tirou zero em corrupção. Há algo de podre no nosso País. Se a corrupção é um crime (e é), somos um país criminoso.

Hoje é dia de eleição.

A canção ‘Sob o Mesmo Céu’ diz: Com quantos Brasis se faz um Brasil? Com quantos Brasis se faz um país, canta Lenine. Com quantos Brasis se faz um país? Com o Brasil que tira carteira de estudante falsa para pagar meia-entrada? Com o Brasil que compra DVD pirata? Com o Brasil que molha a mão do guarda para não pagar multa? Com o Brasil que paga impostos para ser assaltado pelos políticos? Com quantos Brasis se faz um país, mesmo?

Hoje é dia de eleição.

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Alinne Moraes, em cena da minissérie ‘As Cariocas’, baseada em textos de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). Foto de Ique Esteves

Estive no Rio de Janeiro semana passada para o lançamento do meu livro ‘Bacana Bacana’ na belíssima livraria da Travessa, no Leblon. Não ia ao Rio há alguns anos, tempo demais até para mim, o mais urbanoide dos paulistanos.

Conheci bem o Rio nos anos 90, época em que cheguei a morar no mais carioca dos bairros cariocas: Copacabana. Desta vez nem fui à Copa; fiquei mesmo no Leblon, o bairro mais legal da cidade. E tive a sorte de contar com bons anfitriões.

Neo e Jill, Bia e Guto, todos carioquíssimos – apesar de nenhum deles ter nascido no Rio. Neo e Guto são mineiros, Jill é americana, Bia é curitibana. Mas todos amam a cidade como se tivessem respirado ali suas primeiras moléculas de oxigênio. Estar carioca se torna ser carioca com bastante rapidez. Carioca é um estado de espírito, não um endereço de maternidade.

O Rio está longe de ser perfeito, vamos deixar claro. Vamos por hora esquecer os problemas da cidade, que serão abordados no futuro próximo por este blog. O Rio é a mais cosmopolita das cidades brasileiras. Das diferenças entre cariocas e paulistas, uma é gritante: em São Paulo, o mineiro tem orgulho de ser mineiro. No Rio, ele se considera carioca. O Rio também é cosmopolita porque os estrangeiros estão lá porque desejam, e não porque são obrigados por seus negócios – o que é o caso dos estrangeiros que vem a São Paulo.

Quando eu era mais novo, adorava criticar o Rio e estimulava a rixa cariocas X paulistas. Hoje dou risada: cidades não são entidades comparáveis. Mesmo assim, é impossível para um paulista não tentar generalizar o Rio de alguma forma. ‘Lá no Rio é assim, lá no Rio é assado’, dizemos, como se as diferenças fossem tão óbvias que transformassem qualquer turista de fim de semana em antropólogo. O Rio não é assim, o Rio não é assado. O Rio é o Rio.

Sou viajado, consigo compreender uma cidade com certa rapidez. Mas confesso que as qualidades (e defeitos) do Rio e de seus moradores ainda me surpreendem. A única característica previsível nos cariocas é a sua informalidade.

Em São Paulo, o importante é ter dinheiro. Dinheiro para esbanjar em carros importados, baladas e luxos que compensem, psicologicamente, o excesso de trabalho e a vida estressante. No Rio, o bem mais valioso é o tempo. Tempo para dar um mergulho no final da tarde, tempo para correr na praia pela manhã, tempo para passear com os cães pelo calçadão. E não há dúvida de que o tempo é mais democrático que o dinheiro – e menos repressor. O tempo não tem idade, não tem sexo, não é do rico nem do pobre. O tempo é de quem sabe usá-lo. E ninguém sabe usá-lo melhor do que os cariocas – não importa onde eles tenham nascido.

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Billie Joe Armstrong faz piruetas no palco do Anhembi, em São Paulo. Foto de Leonardo Soares/AE

O que um show de punk e um musical da Broadway têm em comum? O palco, diria alguém. As luzes, diria outro. Em termos conceituais, no entanto, acredito que há apenas um ponto de intersecção entre estilos tão antagônicos: o trio norte-americano Green Day.

O Green Day tocou ontem no Anhembi, em São Paulo. Foi um dos últimos shows da megaturnê mundial que começou em maio, e a última apresentação no Brasil (antes eles tocaram em Porto Alegre, Rio e Brasília). Foi uma verdadeira celebração de rock & roll e teve direito a tudo: covers inusitados, piadinhas (inside jokes, principalmente), canções de todas as fases da carreira da banda, explosões, papel picado. O grande destaque, no entanto, foi mesmo o repertório do disco ‘American Idiot’, o maior sucesso do Green Day.

E, por mais que seja irônico, é justamente esse disco que nos remete à Broadway: a ópera-rock baseada em ‘American Idiot’ virou um musical em Nova York. Dirigido por Michael Mayer, conta a história de um anti-herói que troca uma cidadezinha pequena pela megalópole, e acaba entrando de cabeça na tríade sexo, drogas e rock & roll. Ou punk & roll, se você preferir.

O que chama a atenção é que o Green Day é considerada por muitos uma banda punk. Ou seja, nada mais diferente de um musical da Broadway, certo? Mais ou menos. Bem, se a gente lembrar que o punk nasceu de uma jogada de marketing do empresário Malcolm McLaren, até que faz sentido.

No final dos anos 70, McLaren queria chamar atenção para sua loja de roupas em Londres, e acabou criando o grupo que se tornaria o pioneiro do punk britânico. Ele pegou uns caras esquisitos na rua, batizou de Sex Pistols e entrou para a história da cultura mundial. Eles não sabiam tocar direito, mas o lema do it yourself, ‘faça você mesmo’, justificava a completa falta de qualidade musical.

Criado em 1987 na Califórnia, o Green Day é uma banda essencialmente punk. Billie Joe Armstrong (guitarra e vocal), Mike Dirnt (baixo) e Tré Cool (bateria) tocam canções simples, feitas de três acordes, sem solos de guitarra, exatamente como manda o manual do punk. A canção ‘American Idiot’, por exemplo, é uma bela crítica ao american way of life, mais especificamente ao estilo de vida americano sob o governo Bush. Em um momento do show, Billie chegou a gritar no palco: ‘Eu odeio os Estados Unidos! Eu quero me mudar para o Brasil!’

Piadas à parte, vamos ser justos: não deixa de ser uma bênção da democracia viver em um país onde você pode lançar um disco chamado ‘Idiota Americano’ e ainda lucrar (pra burro) com isso. Os Estados Unidos só são os Estados Unidos porque permitem que alguém lance um disco falando mal do país e, em seguida, saia em uma turnê enorme lá mesmo, culminando com a adaptação dessa ‘crítica’ num supermusical da Broadway. Desconfio que a versão chinesa de Billie Joe Armstrong não teria permissão para lançar o ‘Idiota Chinês’ e continuar livre, leve e solto.

Como se vê, o Green Day abusa das letras subversivas, dos cortes de cabelo de cores e formatos radicais, etc. Ou seja, eles têm tudo para ser punks. Mas, como disse Karl Marx, a história se repete como farsa.

O show de ontem do Green Day em São Paulo foi um típico espetáculo Punk-Broadwayiano, se é que existe tal adjetivo. Havia uma certa rebeldia, mas ela é muito bem comportada; em vez de punks, a plateia estava cheia de adolescentes, muitos deles acompanhados por seus pais.

Isso quer dizer que o show foi ruim? De maneira alguma. Foi excelente. Porque o Green Day pegou a estética do punk e o transformou em pop, no sentido positivo da palavra. As canções são todas parecidas? São. Mas são excelentes, pegajosas, melodicamente perfeitas. E em alguns momentos, o som do Green Day se aproxima mais de um animado rock & roll básico dos anos 50 do que do punk tradicional, apostando em sequências harmônicas simples e quadradinhas. É bom notar que há também algumas baladas, o que faria o baixista do Sex Pistols, Sid Vicious, se virar no túmulo.

Mais do que um show, o Green Day ontem foi uma festa. O que mais chamou a atenção foram os vários convites para os fãs subirem ao palco e cantarem as músicas com a banda, uma espécie de ‘karaokê-punk’, ou ‘punkokê’. Um dos fãs, por sinal, se deu muito bem: Billie Joe disse que ele havia sido ‘o melhor vocalista de toda a turnê’ e o garoto saiu do palco com uma guitarra de presente. Imagina o que deve ser para um fã do Green Day subir no palco em um show para 30 mil pessoas, cantar uma música com a banda e ainda sair de lá com uma guitarra? Como se vê, punks também realizam sonhos.

O que incomodou um pouco foi o excesso de ‘populismo punk’ do show. Acho que nunca antes na história deste país um artista falou tantas vezes ‘São Paulo’ em um palco: 427 (é brincadeira, eu não contei. Mas foi por aí). E a cada 30 segundos, Billie Joe gritava ‘ê ô’ para o público, que respondia obedientemente como todo bom adolescente bem comportado.

A plateia, inclusive, rende comentários à parte. Na minha frente, na pista Premium, estava um homem e um adolescente. Aparentemente, o pai estava curtindo mais o show que o filho. De repente, passou um vendedor de cerveja. O pai comprou uma e a ofereceu ao filho. O garoto fez uma cara de espanto, mas o pai insistiu e ele aceitou. Deve ter sido a primeira cerveja que pai e filho tomavam juntos. Foi uma cena bonitinha. O que há de punk nisso? Nada. Ué, punks não podem ser bons pais?

Assim como também não havia nada de punk em meia-dúzia de praticantes de jiu-jítsu fazendo o ‘mosh’, aquela dança em que todo mundo se esbarra e empurra o outro. Esse jeito de pular, meio dança, meio luta, era uma coisa típica do punk no início do movimento. Mas o que dizer de alguns garotos bagunceiros vestindo calça Diesel e fazendo isso na pista Premium do Anhembi, que custava ‘apenas’ R$ 250? Eu diria que é apenas mais uma razão para Sid Vicious se virar no túmulo.

O que não dá para criticar, no entanto, é o vocalista Billie Joe Armstrong. O cara é um verdadeiro showman, único no mundo do rock. Fiquei imaginando ele ainda garoto, crescendo na Califórnia, baixinho, invocado, talentoso. Sabe criança hiperativa? Pois essa seria a descrição exata do cara no palco, apesar de ele ter 38 anos.

E o repertório? Tocaram todas as famosas, e muito mais, é só conferir no setlist abaixo. Tocaram trechos de ‘Sweet Child O’Mine’, do Guns ‘N’ Roses (com Billie tirando sarro de Axl Rose), ‘Rock and Roll’, do Led Zeppelin, ‘Satisfaction’, dos Stones, ‘Hey Jude’, dos Beatles… fora os números meio ‘Vaudeville’, com fantasias típicas de um musical da Broadway. Ao final do show, enquanto Billie Joe Armstrong comemorava o sucesso de sua turnê mundial, Sid Vicious se virou mais uma vez no túmulo.

Green Day Setlist

Song of the Century
21st Century Breakdown
Know Your Enemy
East Jesus Nowhere
Holiday
Nice Guys Finish Last
Give Me Novacaine
Letterbomb
Are We the Waiting
St. Jimmy
Boulevard of Broken Dreams
Burnout Play Video
F.O.D.
Geek Stink Breath
J.A.R.
Stuck With Me
Dominated Love Slave
Paper Lanterns
2000 Light Years Away
Hitchin’ a Ride
When I Come Around
Iron Man / Rock ‘n’ Roll / Sweet Child O’ Mine / Master Of Puppets / Highway To Hell / Baba O’ Riley / Eruption
Brain Stew
Jaded
Longview
Basket Case
She
King for a Day
Shout / Break On Through / (I Can’t Get No) Satisfaction / Hey Jude
21 Guns
Minority

Bis:
American Idiot
Jesus of Suburbia

Bis 2:
Whatsername
Wake Me Up When September Ends
Good Riddance (Time Of Your Life)

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Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart: Devoção dos fãs e respeito dos músicos

Inevitável comparar dois shows de rock que aconteceram no mesmo estádio e na mesma semana. Mas é estranho compará-los e constatar como dois eventos tão parecidos podem ter sido tão diferentes, mesmo dando desconto aos críticos que dirão que, no fundo, rock é tudo igual.

Pois foi assim com os shows do Bon Jovi, na quarta-feira, e do Rush, na sexta. A começar pela plateia: enquanto a banda americana liderada por Jon Bon Jovi arrastou milhares de mulheres ávidas por devorar, quer dizer, assistir ao show do galã e sua turma, os canadenses do Rush contaram com um público praticamente inteiro masculino.

Não é apenas porque os caras do Rush são feios, embora isso também deva ter contribuído. Tudo bem, eles podem não ser lindos. Mas o som que sai de seus instrumentos é simplesmente maravilhoso.

O show começou ‘apenas’ com ‘Spirit of the Radio’, o que não deixa de ser uma ironia, uma vez que as rádios nunca tocaram Rush. Depois veio a excelente ‘Time Stand Still’, que mostra todo o suíngue do trio canadense. Se você não sabe o que vem a ser isso, dificilmente vai concordar comigo ou se empolgar com esse relato. Apenas acredite: muito bom.

Não, não é um som para todos (as), como o Bon Jovi. É música complexa, como, aliás, é toda a discografia do Rush. Dizem que é música para músicos, e isso deve explicar a quantidade de colegas roqueiros que encontrei por lá: de Silvio Golfetti, guitarrista da banda de thrash metal Korzus, aos irmãos Busic, do ícone do hard rock brasileiro Dr. Sin. Todo mundo com mãozinhas para o alto – inclusive eu.

Sim, Rush é uma banda para músicos, mesmo quando esses músicos não sabem tocar nenhum instrumento. Estranho? Se você é um músico que não sabe tocar nenhum instrumento, sabe do que estou falando. Músicos podem ser músicos apenas na cabeça, respeito que nasce da admiração por outros músicos. Pois o fã do Rush é assim. Até porque, se for falar de músicos de verdade, nem os melhores do mundo têm muita facilidade para tocar uma música do Rush, seja na guitarra, no baixo ou, muito menos, na bateria.

O show teve vários hits, como Closer to the Heart e Limelight, mas o grande sucesso mesmo veio com a sequência de canções do disco Moving Pictures, de longe o melhor da banda. Tom Sawyer mostrou que, por trás daqueles músicos impressionantes, há um trio de amigos curtindo a vida de uma banda de rock com um senso de humor bastante peculiar. O vídeo com macacos dublando a música, exibido no telão, foi divertidíssimo, apesar de soar como ‘inside joke’ O próprio palco é uma ‘inside joke’, já que não consegui entender até agora o que máquinas de lavar tem a ver com rock and roll. Mas ouvir um estádio inteiro cantando o riff de música instrumental de quase sete minutos (YYZ) é uma experiência, no mínimo… interessante.

Mas chega de puxar o saco, vamos ser críticos: o show teve várias partes chatas. Passagens instrumentais longas demais ou ‘Lado B’ demais só funcionam para quem é fã-hardcore. Esse tipo de repertório pode até funcionar quando você faz uma longa temporada em uma única cidade, com shows diferentes toda noite, etc. Mas para bandas que tocam em estádios… o ideal seria escolher apenas as músicas mais conhecidas, mesmo.

Quem é o Rush? O baixista e vocalista Geddy Lee tem uma voz esquisita, um timbre que só agrada a… fãs do Rush. É uma voz do tipo ‘ame ou odeie’. Tudo bem, eu a amo, mas tem horas que me incomoda bastante. Geddy Lee canta em um registro muito, muito alto. O Ministério da Saúde adverte que horas seguidas desse timbre podem provocar danos aos ouvidos. Ainda mais porque os timbres são tão altos, que sua voz falhou algumas vezes. Mas Geddy, enfim, é um dos maiores baixistas da história do rock. E não é só isso, já que ele canta, toca teclado e baixo… com os pés, por meio de pedais. Tudo ao mesmo tempo. Assoviar e chupar bala simultaneamente é coisa para principantes.

O guitarrista Alex Lifeson é um dos músicos mais subestimados (para dizer pouco) da história do rock. Ele é muito, muito bom, mas como está na banda de dois monstros, acaba parecendo que é apenas um instrumentista razoável. Mas não é: basta imaginar que o cara influenciou o The Edge, para dizer o mínimo.

Neil Peart é, provavelmente, o maior baterista da história do rock. Não, não esqueci de John Bonham, do Led Zeppelin, ou de Ian Paice, do Deep Purple. Mas Peart é melhor, indiscutivelmente. Talvez não em ‘feeling’ ou em ‘pegada’, mas no resto ele leva de longe. Neil Peart é o baterista mais preciso, mais criativo e mais especial que já pisou em um palco de rock desde Bill Halley e seus Cometas. Dificilmente eu agüentaria cinco minutos de solo de bateria a essa altura da minha vida: Neil Peart solou durante dez minutos e eu achei muito pouco. Ele é simplesmente hipnotizante. Suas baquetas cortam o ar como bisturis de alta precisão numa mesa de cirurgia; o som que sai das peles de suas peças produz notas musicais que não existem no mundo real. Sua bateria não é apenas um instrumento de percussão, como as baterias dos outros bateristas. O instrumento de Neil Peart respira, é uma entidade orgânica. Não é à toa que Neil Peart, no excelente documentário ‘Beyond the Lighted Stage’, é apelidado de ‘Drum Guru’. Bateria, para ele, não é música: é religião.

No documentário citado acima há outras informações bem interessantes, vale a pena ver. Passou nos cinemas e fez bastante sucesso, chegando a ganhar em maio deste ano o prêmio do público no Tribeca Film Festival, em Nova York. Os produtores canadenses Scot McFadyen e Sam Dunn também dirigiram ‘Flight 666′, do Iron Maiden, e ‘Metal: A Headbanger’s Journey’. Ou seja, os caras são documentaristas da pesada.

O filme conta, por exemplo, que Geddy e Alex são amigos de infância e decidiram seguir o caminho do rock desde a adolescência. Há cenas hilárias da época, com os dois discutindo com os pais sobre suas posições. Os moleques já tinham personalidade desde os velhos tempos. Também fiquei sabendo que é Neil Peart quem escreve todas as letras, textos complexos que misturam ficção científica e mitos gregos. É por isso – e por outras muitas coisas – que o show do Rush é um mundo à parte. Um mundo frequentado por muitos nerds, diga-se de passagem (inclusive eu).

Quer a prova? Então só imaginar a seguinte cena: no ápice do show do Morumbi, 35 mil pessoas cantaram o seguinte refrão:

“Nós somos os sacerdotes do Templo de Syrinx
Nossos grandes computadores ocupam as paredes sagradas”

Sério, dá para imaginar? Sacerdotes? Templo? Syrinx? Sim, isso faz parte do mundo do Rush. Tolkien, de ‘Senhor dos Aneis’, perde de lavada. É ou não é meio nerd? Totalmente. É ou não é música para músicos? 100%. Mas o Rush não quer ser unanimidade, não está em seu DNA. A banda se contenta em dialogar com o seu público. Levando em conta que o Rush está na estrada há 42 anos, eles devem saber o que estão fazendo.

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Como é que se diz ‘lançamento carioca’ em Zulu?

Não tenho a menor ideia, mas gostaria de convidar todos os leitores cariocas deste blog (e os turistas que estiverem no Rio também) para o lançamento de ‘Bacana Bacana – As Aventuras de um Jornalista na África do Sul’ na Cidade Maravilhosa.

O evento é amanhã, quinta-feira (14/10), a partir das 19h30, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205 A – tel.: (21) 3138-9600).

Para quem não se lembra, o livro saiu pela Editora Seoman e é baseado na cobertura que fiz da África do Sul durante a Copa do Mundo, em junho/julho. Mas não se preocupe: eu não falo muito sobre a Seleção do Dunga… Se não puder ir ao evento, pode comprar o livro clicando aqui.

Depois da noite de autógrafos, teremos uma festinha. Infelizmente, não posso divulgar mais detalhes por aqui pois será proibida para menores. Mas posso garantir que quem comparecer à Livraria da Travessa vai ganhar uma senha que dará direito a um abraço (homens) e beijo (mulheres) do autor. Além, claro, de drinques psicodélicos e petiscos exóticos.

Se você tiver algum amigo (a) carioca, ele também está automaticamente convidado. Basta chegar na livraria e dizer ‘Bacana Carioca Carioca Bacana’.

Beijos e até lá!

Felipe

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12.outubro.2010 21:38:59

Feliz Dia da Criança


Bebel e Laurinha sempre disputam para ver quem é a Minnie. Para evitar briga, digo: ‘meninas, a Minnie… sou eu!’ Elas morrem de rir

Acordo minha filha para levá-la à escola. Bebel esfrega os olhinhos com as duas mãos, tira o cabelo do rosto e sorri: ‘bom dia, papai lindo!’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Ela vai até o banheiro, onde a Néia já a espera. Enquanto isso, me visto e fico na sala lendo o jornal. Bebel volta pouco depois, de vestidinho azul, tiara branca e tênis rosa. ‘Papai, estou bonita?’ Respondo que sim, não apenas porque sou pai, mas porque ela é, mesmo, a criança mais linda do mundo.

Bebel vem, então, como quem não quer nada, e diz com toda a seriedade: ‘papai, tenho uma ótima ideia… vamos tomar café da manhã?’

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Sentamos na mesa da cozinha e Bebel escolhe, como todos os dias, o mesmo menu: suco de laranja, Danoninho de morango e uma torrada com manteiga – que ela dá duas mordidinhas e diz que não quer mais.
Nick, o nosso Yorkshire que ela chama de ‘Nickinho’, nos espera na porta abanando o rabinho. Papai pega a mochila dela (da Pucca) e filosófa: ‘papai, você vai no trabalho, eu vou na escola’.

No elevador, ela faz questão de apertar o botão da garagem. No carro, exige a música do robô (Rock That Body, do Black Eyed Peãs, onde a Fergie canta com voz metálica). Quando passamos pela enorme girafa na entrada do buffet infantil, Bebel diz que ela é sua amiga e que vai convidá-la a entrar no carro. Brinco que girafa não cabe em carro, o pescoço é muito comprido. “Cabe, sim, ela vai no meu colo!”, ela responde, dando risada.

Na escola, deixo a Bebel com a professora Vivi. Ela me dá um beijo (um, não, vários) e desaparece correndo dentro da classe. Quando saio do trabalho, pego a Bebel e a Néia na casa da prima Laurinha, minha afilhada. Ela me abraça, me dá vários beijos e se despede da Kátia, colega da Néia, e da Natália, a mamãe da Laura.

Mal entramos em casa, Nickinho já pula em cima dela e exige um passeio. Descemos com ele e, na rua, Bebel pede: ‘papai, posso ir no seu copotó?’ Ela quer dizer ‘pocotó’, mas não corrijo. Acho lindo, coloco ela nos ombros e viro um ‘copotó’.

Voltamos para casa. ‘Papai, tenho uma ótima ideia… vamos ver um desenho da Minnie?’ Vemos um pouco de DVD até a hora de ir para a cama. Leio ‘A Rata da Cidade e a Rata do Campo, a historinha campeã de audiência nos últimos tempos. ‘Boa noite, papai.’

Quando minha filha fecha os olhos, sinto uma felicidade incontrolável. Ela está segura, tranquila, alimentada, quentinha, saudável.

(Só de lembrar da cena, já choro de novo)

Comemoro o Dia da Criança sempre que minha filha está comigo, porque eu é que me sinto presenteado.

Feliz Dia da Criança para todos os pais que se esforçam, cuidam, sofrem, se preocupam com suas crianças. E, por meio desse amor, voltam a ser as crianças que um dia foram igualmente amadas por seus pais.

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Bon Jovi by JF Diorio: Ele é um bom vocalista, bom compositor… e bom garoto

Antes de ser um rockstar, Jon Bon Jovi é um all american boy. A expressão em inglês descreve o típico garoto criado nos Estados Unidos nos anos 70, o arquétipo do menino perfeito, bonito, sadio, bom aluno, bom filho. A expressão cai como uma luva de couro a Jon Bon Jovi: ele é um all american rockstar.

Difícil encontrar tempo e disposição para acompanhar a maratona roqueira na cidade, local que já apelidei de ‘São Paulo Rock City’. Ontem o Bon Jovi lotou o Morumbi; amanhã é a vez do Rush. Sábado, domingo e segunda temos o megafestival SWU, também conhecido como ‘Itústock’, com Rage Against the Machine, Dave Matthews Band, Linkin Park e outros. Na quinta-feira o Cranberries toca no Credicard Hall; no outro sábado tem o festival Natura, com Snowpatrol e Jamiroquai. Ufa.

Vamos voltar ao Bon Jovi, ontem à noite, uma linda noite, por sinal. No final da tarde, pouco antes do show, estive na coletiva da banda. Em termos de conteúdo, essas coletivas têm a profundidade de um pires. As bandas gringas adotam sempre uma postura defensiva, com respostas vagas e sem o menor interesse em mostrar algum sinal de simpatia. Acho que a culpa é nossa mesmo: da imprensa, que mistura deslumbramento de fã com jornalismo; da organização, que impõe regras rígidas e profissionais para preservar o artista, mas que, com isso, cria um fosso enorme entre o entrevistador e o entrevistado; e até da propria banda, que está acostumada a tudo isso e insiste em manter o ar blasé como se fossem a turma (mimada) do Peter Pan.

Jon Bon Jovi é realmente bonitão, o cara está ótimo para 48 anos. Meio esticado, com um cabelo que não se move um milímetro na cabeça, mas tudo bem. Parecia uma espécie tímida de Clark Kent que está esperando a hora H para se transformar no Super-Homem. Richie Sambora é mais ‘poser’, jaquetinha militar e óculos escuros (depois, no show, percebi que ele deve ter dormido no sol de óculos escuros, porque ao redor dos olhos havia duas manchas brancas). Sambora está inchadão, deve ser fruto do botox e/ou do álcool, problema que chegou a afastá-lo da banda durante um tempo na turnê passada. E pensar que esse cara era casado com a atriz Heather Locklear e se separou para ficar com a igualmente gata Denise Richards; milionário, famoso. Ficar deprimido por quê, mesmo?

David Ryan, o tecladista, parece que ainda está nos anos 80: tem o mesmo cabelo estilo ‘Ovelha’ daquela época (Uou-uou Yeah-Yeah). Dá vontade de puxar os cachinhos e passar a tesoura, mas não faço isso por razões óbvias. O baterista Tico Torres parece ser a reserva moral da banda. Por quê? Bem, porque ele não fala uma palavra e ainda mantém uma cara de mau. Depois, porque ele também costuma ter relacionamento com modelos internacionais, nada mau para um cara que tem cara, sei lá, de mafioso de New Jersey.

Após a coletiva, conversei com o tecladista David Bryan e, entre outras, perguntei três coisas interessantes:

“Quem representa melhor New Jersey, Bon Jovi ou The Sopranos?”
“Bon Jovi. The Sopranos já acabou, nós continuamos no palco.”
“Enchia o saco ter um cara como o Jon Bon Jovi na banda, todo mundo dizendo que ele era lindo, etc?”
“Nossa, eu nem dormia à noite (risos). Na verdade, foi ótimo porque ajudou a divulgar nosso trabalho e nos tornou mais famosos. Mas sempre nos concentramos na música.”
“Você conhece música brasileira?”
“Conheço muito, estudei os ritmos. Mas não sei o nome de nenhum artista.”

Então tá.

Quem abriu o show do Bon Jovi foi o Fresno, e acho que os caras merecem ao menos um parágrafo. Havia um boato na internet, gente dizendo que eles seriam recebidos com vaias e xingamentos. Em primeiro lugar, vamos deixar claro que o público do Bon Jovi não teria por que ser radical, considerando que a banda tem várias baladinhas radiofônicas (não estou dizendo que isso é ruim, note-se) e é nitidamente uma banda de rock comercial. Desse ponto de vista, por que vaiar o Fresno se eles são até mais pesados que o Bon Jovi? Porque o público brasileiro é preconceituoso e ignorante. Qual o problema de uma banda brasileira abrir o show do Bon Jovi? Quem seria o nome mais adequado, o Sepultura? Por que tudo tem que ser 8 ou 80 por aqui? Por que ter raiva de uma banda nova? Brasileiro não gosta de quem faz sucesso, já dizia o ditado. Que tal esperar apenas meia hora, ouvir os gaúchos, conferir se o som é bom ou não? Se gostar, parabéns. Se não gostar, não precisa vaiar: o Bon Jovi já estava pronto para entrar em cena.

As luzes se apagam, o telão anuncia a chegada dos quatro músicos, bla bla bla. Jon Bon Jovi está realmente muito bem, o cara tem uma boa voz e uma ótima presença no palco. É simpático, bonitão, abre a toda hora o sorriso branquíssimo, afinal ele é um all american rockstar.

O repertório do show do Bon Jovi é de responsa mesmo quando comparado a quase qualquer banda no planeta (veja abaixo o set list completo). O show começa com ‘Blood on Blood’ e o telão de alta definição (sensacional, aliás) vira um gigantesco quadro vermelho. Daí vem ‘You Give Love a Bad Name’ e ‘Born to be my Baby’, e me sinto imediatamente transportado para o final dos anos 80/início dos 90. Foi uma época boa na minha vida, solteiro, morando sozinho. A música tem o poder de nos levar para outra época, outro lugar.

O show do Bon Jovi, mesmo que eu não tenha sido um grande fã na época, me leva para lá. É gostoso.
Bon Jovi e Richie Sambora tem uma excelente química no palco, como as grandes bandas da história do rock. A comparação é estrutural, não qualitativa: eles seguem a mesma fórmula de bandas como Rolling Stones (Mick Jagger / Keith Richards), Led Zeppelin (Robert Plant / Jimmy Page), Aerosmith (Steven Tyler / Joe Perry), U2 (Bono / The Edge), etc. As grandes bandas têm sempre um herói e um vilão no palco, além de um bufão e um ser mais espiritual (criei essa teoria a partir dos Beatles, claro, é incrível constatar que ela se aplica às grandes bandas de rock). Jon é o herói; Richie é o vilão. Quanto ao espiritual e ao bufão… não conheço os outros caras do Bon Jovi tão bem assim, talvez você saiba dizer melhor que eu.

Bon Jovi foi um só, e vários ao mesmo tempo. Encarnou momentos de Mick Jagger, rebolando e seduzindo a plateia; em outros, tentou (sem muito sucesso, aliás) simular a postura messiânica do Bono, atitude que lhe rendeu o apelido de ‘Bono Jovi’ durante o show, criado pelo meu amigo Miguel Icassatti (não prometi que ia dar o crédito?).

Uma análise mais profunda da personalidade pode revelar um artista que, apesar do sucesso, parece manter os dois pés (e o corpo inteiro) na realidade. Não duvidaria se ele dissesse que viaja o mundo com sua banda de rock, mas que liga para a mãe de todos os hotéis onde se hospeda depois dos shows. Como todo all american rockstar, não duvidaria se ele dissesse que vive numa casa de subúrbio com a mulher, a namoradinha que conheceu ainda na High School quando era capitão do time de futebol americano e ela era a líder das cheerleaders. Bon Jovi lota estádios mundiais, mas o que ele gosta mesmo de fazer é passar as tardes jogando baseball com seus filhos e brincando com seu cão Labrador ‘Boss’, em homenagem ao ídolo Bruce Springsteen, também de New Jersey.

(As informações no parágrafo anterior foram inventadas. Mas podem ser verdadeiras, vai saber.)

Bon Jovi tem tantos hits que é até covardia. A banda faz o típico show em estádio, onde o público passa metade do tempo com as mãos para cima e a outra metade com as mãos ao redor de alguma cintura do sexo oposto. ‘I’ll be there for you’ tem grandes chances de ser uma das baladas mais bonitas do rock americano; ‘Bad Medicine’ é um rockão rasgado e eletrizante. O destaque instrumental do show é obviamente o guitarrista Richie Sambora: o cara manda muito, muito bem. Nada daqueles arpejos a 1.000 km/h, estilo que a garotada anda gostando ultimamente: Sambora é blueseiro, abusa dos licks meio sujos, esbanja categoria e melodia nos solos. Fora as guitarras: ele entrou com uma série de instrumentos (Les Paul Gold Top, Fender Stratocaster Sunburst 57, algumas ‘Franksteins’ maravilhosas’) que me deixaram babando. Sambora também canta muito bem, como provou na versão Gospel-hard-rock de ‘Lay Your Hands on Me’. Mas quem resiste a Jon Bon Jovi cantando ‘Always’?

Engraçado pensar que a melodia de uma canção como essa poderia estar na voz de Zezé di Camargo ou Fábio Jr., dependendo do arranjo e, claro, da letra em português. É dramática, exagerada, quase sertaneja. Mas a voz de Bon Jovi imprime um certo clima à música que faz com que perdoemos qualquer efeito ‘rockocó’ que apareça. Bon Jovi é o Elvis pós-moderno: rebola, mas na hora exata e após exaustivos ensaios. No final, só resta suspirar e dizer que é uma linda balada. Mas ainda viriam ‘Blaze of Glory’, do filme ‘Young Guns II’ (o solo no disco é do grande Jeff Beck, mas Sambora fez à altura), ‘Keep the Faith’, ‘These Days’, ‘Wanted Dead or Alive’, ‘Livin on a Prayer’…

Há 15 anos o Bon Jovi não tocava no Brasil. Foi interessante ver que o público era composto por pessoas que ainda não são velhas, mas que já sabem o que é sentir nostalgia em relação a um artista. Quem tinha 15 anos na época hoje tem 30; mal ou bem, já é um adulto e deve se lembrar do show anterior do Bon Jovi como se aqueles fossem ‘os velhos tempos’. Pensando bem, eram mesmo: não havia Twitter, não havia Facebook, não havia iPhone. Coisas do século passado.

O show chega ao fim quase três horas depois; maravilha, os caras fizeram valer o preço do ingresso. Bon Jovi é uma banda de rock perfeita: vocalista carismático e bonitão, bons músicos, repertório quase infinito de sucessos. Se o Bon Jovi é o ‘all american rockstar’, nada mais justo que chamar sua banda de… ‘all american band’. O show foi previsível? Sim. Mas existe algo errado em se tornar parte na catarse de uma multidão de fãs? Qual o problema em ouvir a sua, entre 60 mil vozes, gritando ‘I Love You Baby Forever’?

Nenhum.

Bon Jovi vai voltar com os bolsos cheios de grana para sua casa no subúrbio, onde encontrará sua mulher e voltará a jogar baseball com seus filhos e a brincar com o Labrador ‘Boss’. Então, como se fosse o Super-Homem que traz tatuado no braço, vai entrar na cabine telefônica e sair de lá vestindo casaco de couro, óculos escuros e tudo que um rockstar deve usar. Mas, no fundo, a gente sabe que ele é apenas um bom garoto.

SET LIST

Blood On Blood
We Weren’t Born To Follow
You Give Love a Bad Name
Born To Be My Baby
Lost Highway
Superman Tonight
In These Arms
Captain Crash
When We Were Beautiful
Runaway
We Got It Going On
It’s My Life
Bad Medicine / Pretty Woman / Shout
Lay Your Hands On Me
Always
Blaze Of Glory
I’ll Be There For You
Have a Nice Day
I’ll Sleep When I’m Dead
Working For The Working Man
Who Says You Can’t Go Home?
Keep The Faith
These Days
Wanted Dead Or Alive
Someday I’ll Be Saturday Night
Livin’ On a Prayer
Bed Of Roses

‘I’ll Be There For Your’ (videoclipe)

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Weslian Roriz dá risada do Brasil: Joaquim Roriz é tão ficha suja que sua mulher teve que ser candidata por ele no Distrito Federal. Já que usaram o slogan ‘Mulher-Pêra’, a patética Weslian poderia usar ‘Mulher-Laranja’

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante. E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pátria nesse instante.

A primeira estrofe do Hino Nacional é um relato da cena em que Dom Pedro declara a nossa independência. Sem desvirtuar os versos decassílabos de Osório Duque-Estrada, é possível dizer que o texto é tão fiel à cena, que poderia ser considerado uma descrição jornalística do histórico momento.

O jornalismo, portanto, faz parte do DNA do nosso país. E isso nos lembra que não há jornalismo sem liberdade, assim como não há liberdade sem jornalismo.

Temos visto recentemente a disseminação de uma perigosa tendência de críticas à imprensa, a velha mania de culpar o mensageiro pela mensagem. Teve gente dizendo até que o problema atual é o ‘excesso de liberdade’, como se fosse possível imaginar as palavras ‘liberdade’ e ‘excesso’ na mesma frase.

Essa onda neo-autoritária tem renascido em sentenças judiciais suspeitíssimas, interpretações criminosas da Constituição e até em arroubos desequilibrados de políticos bastante populares.

Desculpe, leitor, mas nunca imaginei que escreveria sobre censura em pleno século 21. Essa palavra suja me remete a um tempo que gostaríamos de esquecer – ou melhor, de apagar. Uma época em que notícias importantes tinham que ser tiradas à força das páginas e substituídas por trechos de outro texto simbólico, ‘Os Lusíadas’, ou por irônicas receitas de bolo.

Talvez se eu escrever a palavra à exaustão (censura, censura) alguém acredite que é fundamental eliminá-la de uma vez por todas do vocabulário da nossa jovem democracia.

Hoje é dia de eleição. Se você já votou, espero que tenha escolhido bem seus candidatos. Se ainda não votou, por favor escolha com seriedade. Eleição não é piada.

Sei que é difícil acreditar nisso depois de passar tantos dias assistindo ao horário político gratuito, o brado retumbante mais ridículo do nosso povo heroico.

Vi bandidos defendendo a segurança e analfabetos enaltecendo a educação. O horário político não democratiza a informação, ele desmoraliza a democracia. Principalmente pela presença de ‘sub-celebridades-laranjas’, usadas por partidos desonestos para atrair debochados e ignorantes. E isso me faz voltar ao nosso Hino: já imaginou como ele seria se passasse pelas mãos de um censor?

“De um povo heroico o brado retumbante?’ Nada de valorizar esse pessoal que exige independência. ‘De poucos insurgentes a voz isolada’ fica melhor. ‘Sol da liberdade em raios fúlgidos’? Muito elogioso. Que tal ‘raios da lua minguante em noite nublada…’

Foto: Clayton de Souza/AE

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