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Felipe Machado


Foto: Eliseo Fernandez / Reuters

Na semana passada, o guitarrista Peter Frampton se apresentou no Via Funchal, em São Paulo. Eu estava lá, na primeira fila, ansioso para ver de perto seus solos de guitarra e conferir se ele ainda toca tão bem quanto no disco Frampton Comes Alive, seu maior sucesso.

Frampton entrou no palco com sua guitarra Gibson Les Paul preta. Careca e de cavanhaque ralo, vestia botas de motoqueiro, calça jeans, camiseta e camisa básica.

Corta.

1980. Tenho dez anos e nunca fui a um show de rock. Um colega da minha classe, mais velho, tem duas entradas para o show de Peter Frampton. O garoto que iria com ele ficou doente e não poderá acompanhá-lo.

“Felipe, você quer ir ao show do Peter Frampton?”

A mãe dele nos leva até o Ginásio do Corinthians. Não conheço nenhuma música de Peter Frampton, mas não importa. O local está lotado de roqueiros mal-encarados e hippies com roupas floridas. As luzes se apagam e Peter Frampton entra no palco.

Ele é loiro, bonitão, cabelos compridos e cacheados tipo surfista. Tem nas mãos uma guitarra Fender Stratocaster vermelha e branca, linda. O roqueiro usa um camisão sem botões, como um quimono, não lembro a cor.

Estou em êxtase, é o primeiro show de rock da minha vida. Frampton toca superbem, como ele pode fazer um som tão legal? Na última música, ele toca um aparelho que soa como se estivesse falando com a guitarra. Ao ver aquele cara loiro, cabeludo, ‘falando’ com a guitarra, decido que quero ser ele quando crescer.

Corta.

Estamos de volta a setembro de 2010, no show do Peter Frampton no Via Funchal. Hoje eu conheço as músicas (nem todas), sei como ele faz aqueles sons tão legais com a guitarra. Apesar do show ser muito bom, não é nenhuma novidade para mim. Já fui a milhares de shows de rock. Mesmo assim, é incrível olhar para aquele cara ali e saber que é a exatamente a mesma pessoa que vi há 30 anos no Ginásio do Corinthians. Quer dizer, não sei se dá para dizer que é a mesma pessoa. Nem ele nem eu somos as mesmas pessoas, apesar de termos os mesmos nomes, Peter Frampton e Felipe Machado.

Eu queria ser ele quando crescesse, mas acabei crescendo e virando outra pessoa. Acabei virando eu, por mais óbvio que isso possa soar. Como ser humano, não sou melhor nem pior que Peter Frampton. Sou apenas outra pessoa. Por mais que tenhamos ídolos e modelos de vida, nunca seremos iguais a eles. Somos únicos. Mas como é bom rever os ídolos de infância… é incrível como isso nos ajuda a descobrir quem somos.

Thanks, Peter.

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Capa Bacana Bacana

Na próxima quarta-feira, dia 22 de setembro, é o lançamento do meu novo livro: ‘Bacana Bacana – As Aventuras de um Jornalista pela África do Sul’.

Quem acompanhou o blog que mantive durante a Copa do Mundo já deve saber do que estou falando. Realmente, o livro traz os textos que publiquei durante o período. Mas tentei ir um pouco além, já que blog é blog e livro é livro. Tirei trechos que traziam fatos muito específicos da Copa do Mundo, para não ficar muito datado (e também porque o Brasil não ganhou a Copa, claro). E acrescentei uma série de informações, como um dicionário (divertido) de provérbios africanos; uma coleção (séria) de frases de Nelson Mandela; fotos coloridas; um guia com todos os serviços e endereços sobre os locais que visitei.

Acho que ficou bem legal. O projeto gráfico é do designer Daniel Kondo, e pela capa acima você pode imaginar como ficou legal o projeto todo. A editora é a Seoman, um selo dentro da centenária editora Pensamento-Cultrix. Para quem quiser comprar o livro pela internet, é só clicar aqui. Para quem quiser receber um autógrafo super especial e conversar com o autor (eu, no caso) está convidadíssimo a comparecer à Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073, 3170-4033) entre 19h e 22h.

Depois do lançamento haverá um evento surpresa. Quem comparecer à Cultura receberá uma senha e informações sobre a festa. A senha é… infelizmente, só tenho permissão para contar na livraria, pessoalmente, falando baixinho no ouvido do convidado.

Como é que se diz ‘espero você lá’ em Zulu?

Mais informações: Carolina Riedel |  imprensa at pensamento-cultrix.com.br | (011) 2066-9000. Assessoria de Imprensa | www.pensamento-cultrix.com.br | Twitter: @ed_pensamento

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capa Esquire

capa Esquire

A modelo israelense Bar Refaeli é namorada de Leonardo DiCaprio, portanto não é responsabilidade minha. Infelizmente

Você é responsável por seus atos.

Eu sei, eu sei. Você já ouviu essa frase milhões de vezes. E não, não estou te tratando como criança. Desculpe se deu essa impressão.

Não adianta ficar bravo e dizer que você não tem mais idade para ouvir esse tipo de coisa. Isso não é bronca e nem tem nada a ver com a sua idade. Isso é apenas um toque da sua consciência falando com você por meio de uma coluna de jornal.

Como sua consciência, tenho observado você há muitos anos. Fazia tempo que eu queria falar com você, mas a oportunidade não aparecia. Estou feliz porque chegou a hora de pensar nas coisas que você já fez, para o bem e para o mal. E lembrar que você é responsável por elas.

As religiões adoram fazer o papel que estou fazendo, mas infelizmente elas atribuem ao comportamento humano um tipo de culpa totalmente desnecessário e polêmico demais para ser discutido aqui. Não quero que você se sinta culpado, não é essa a ideia. Quero que você se sinta responsável.

Quando a gente ouve a palavra ‘responsabilidade’, pensa logo que fez alguma coisa errada. Ou lembra de alguma coisa que não fez, mas que deveria ter feito. Isso tem a ver com responsabilidade, mas vamos com calma. As coisas boas que você faz também são responsabilidade sua. O jeito com que você trata sua família, a maneira como você se comporta no trabalho. Responsabilidades totalmente suas. O amor que você compartilha… só depende de você.

A sua personalidade existe e é exatamente desse jeito graças à atitude que você toma diante das situações.

Quando você era criança, sua família tomava as decisões por você. Era fácil, não? Você não precisava decidir se queria tomar banho antes do jantar. Você podia até odiar, mas não tinha nenhum poder de decisão sobre aquilo. No máximo, seu poder de decisão estava restrito às brincadeiras: quero brincar de esconde-esconde, quero andar de bicicleta.

Com o tempo, as decisões passaram a ser um pouco mais complexas. Lembra quando você não estudava, tirava zero na prova e levava bronca? Pois é. E lembra quando você colava na prova? Quando a professora não via, ótimo. Mas, quando via, você também tirava zero. E levava mais bronca ainda.

Ou seja, dependia de você. E olha que legal: você aprendeu a ser responsável por seus atos. Pois aqui vai um aviso: nada disso mudou.

No fundo, todo mundo sabe o que é certo e errado. Você pode até fazer algo errado, mas saiba que terá consequências. Mesmo as coisas certas têm consequências. O importante é saber que, para o bem ou para o mal, você é o responsável por seus atos.

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corinthians
Foto: Sérgio Neves/AE

A semana que terminou ontem foi marcada por vários fatos: quebra do sigilo da filha do Serra, explosão de outra plataforma de petróleo, nova rodada de negociações de paz entre israelenses e palestinos. Mas nada ganhou tanta atenção da mídia quanto um certo aniversário.

O Corinthians comemorou seu centenário no dia 1º de setembro. Cem anos? É pouco para quem é eterno.

Por favor, continue a ler este texto mesmo se você torce para o Palmeiras, São Paulo, Santos ou Portuguesa. Ele é sobre o Corinthians (time que você odeia), mas também é sobre coisas bem mais profundas do que futebol. É sobre paixão. É sobre seres humanos. É sobre escolhas.

Escolher um time para torcer é provavelmente a primeira decisão realmente importante que alguém toma na vida. É geralmente influenciada pelo pai, mas nem sempre. Como explicar um garoto santista filho de pai palmeirense? Resposta: Não se explica.

Não se explica porque o futebol envolve um sentimento que não tem a menor lógica: é um amor puro, incondicional, arrebatador.

Não sou o torcedor mais roxo do mundo, mas não consigo ficar indiferente diante daquela âncora com a bandeira de São Paulo tremulando, o símbolo do Corinthians. Ou quando vejo torcedores declarando seu amor pelo time, depoimentos emocionantes que inundaram a TV nos últimos dias. Nem quando vejo um jogador batendo no peito após mais um gol corintiano, indicando que ali bate um coração alvinegro.
Me fascina essa identificação com uma entidade à parte, uma organização que não é nação, não tem ideologia nem é política. É o amor por um time de futebol – e só. Mas como pode esse ‘só’ ser algo tão gigantesco?

Os outros torcedores vão me criticar, mas o Corinthians tem algo que os outros times não têm. Se você é corintiano, sabe do que estou falando. Se não é, não adianta tentar explicar porque você nunca vai entender.

O Corinthians produz uma energia única, que mistura sofrimento e redenção, fracasso e sucesso, derrota e superação. É o Brasil. E é por isso que Ronaldo se sente em casa: sua vida é a clássica história do herói, ascensão, queda, retorno, triunfo.

Gosto de saber que o Corinthians não é um time que tem uma torcida, mas uma torcida que tem um time. Portanto, não são os jogadores que merecem parabéns pelo centenário. Eles estão no time hoje, mas não estarão para sempre. Nem o presidente, nem o técnico. Quem merece parabéns é a multidão que eterniza seu amor no dia a dia, vestindo orgulhosamente o uniforme alvinegro, cantando ‘Timão ê ô’ nas arquibancadas.

Parabéns, corintianos.

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