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Felipe Machado


Shakira canta ‘Waka Waka’ na abertura da Copa da África do Sul: Seria melhor devolver a Copa do Brasil para a Fifa e dizer que não somos capazes

Confesso que não gostaria de estar escrevendo este texto, mas as circunstâncias (e uma certa revolta pessoal) me obrigam.

Acabo de voltar da África do Sul, onde participei da cobertura da Copa do Mundo. Fui a vários jogos, viajei pelo país, conheci boa parte da infraestrutura criada para o megaevento esportivo. Se o país precisava sediar uma Copa já é uma outra discussão, mas posso dizer que a África do Sul executou seu projeto de maneira extremamente profissional, com tudo muito bem feito. E é por isso que me revolta ver como o Brasil está tratando a Copa.

A Copa no Brasil foi anunciada em outubro de 2007. O que foi feito nesses três anos? Nada. Absolutamente nada. Não é tipo ‘tal obra começou, tal obra está encaminhada’. Não. Nada. Não começou sequer o planejamento do que precisa ser feito para começar o planejamento do evento.

A verdade é que não temos a menor noção do que precisa ser feito. Tenho vergonha da incompetência dos nossos governos, que não sabem o que significa a expressão ‘longo prazo’. Sabe por quê? Porque ninguém quer investir em obra que será inaugurada por outro. Bem feito para nós, que os elegemos.

No lançamento do edital para construção do trem-bala (realizado com apenas dois anos de atraso), o presidente Lula disse: “Terminou a Copa do Mundo na África do Sul e já começam a dizer: “Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?”. Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e nem definir as nossas prioridades”.

Talvez eu seja um idiota. Mas eu gostaria realmente de saber: Onde estão os aeroportos? Cumbica não tem estrutura para atender sequer um campeonato mundial de botão, quanto mais uma Copa do Mundo. E tenho pena do turista que chegar aqui e quiser alugar um carro. Se estiver com GPS, talvez ele consiga chegar ao hotel – isso se o carro não cair numa das crateras das excelentes ruas brasileiras. Não sabemos sequer asfaltar as ruas, como construiremos estádios?

Aliás, cadê os estádios? Não existe sequer um estádio decente em nenhuma das 12 cidades-sede. Em São Paulo, não se sabe nem se haverá estádio. Será que acham que são obras ‘rapidinhas’? Só se chamarem a empresa do Sérgio Naya, do Palace 2.

Países sérios usam eventos desse porte para investir em infraestrutura. Se o Brasil fosse inteligente e honesto, investiríamos com competência em infraestrutura, melhoraríamos a vida dos brasileiros e faríamos uma Copa do Mundo perfeita. Pena que, com o nosso jeitinho, isso só seria possível em 2034.

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Luciana Vendramini: Dias frios e chuvosos são bons para resgatar memórias

Luciana Vendramini: Dias frios e chuvosos são bons para resgatar memórias

Todo mundo sabe que dias frios e chuvosos são perfeitos para ficar em casa. O que você sabe, mas talvez não se lembre (quem tem tempo para essas coisas?), é que dias frios e chuvosos também são muito bons para arrumar a vida.

Não estou falando no sentido poético, mas de arrumação mesmo: lembra daquele armário que você não abria há anos? Pois é.

Descobri há alguns dias por acaso que arrumar a vida é uma tarefa interessante; se você achar, claro, que foi o acaso quem derrubou uma caixa com fotos e papéis antigos na minha cabeça.

Antes que você pergunte, não havia nada que quebrasse lá dentro (obrigado pela preocupação). E a caixa nem era tão pesada assim a ponto de me machucar. O que machucou – mas também alegrou, surpreendeu e chocou – é o que havia dentro dela.

“Nossa, isso aqui sou eu?” é a primeira pergunta que faço ao ver uma foto tirada anos atrás. É engraçado ver fotos antigas. Sabemos que estamos olhando para nós mesmos, mas algo nos leva tão longe que torna a relação tempo-espaço algo mais do que uma equação matemática. O passado está a milhares e milhares de quilômetros de distância, e quem eu era virou uma imagem estática ou, no máximo, um filminho com alguns segundos de duração. E daí surge outra foto para sobrepor as memórias, chamando outra lembrança e mandando a anterior de volta para o disco virtual que nos acostumamos a chamar de cérebro.

“Nem me lembrava de ter namorado essa garota…” As arrumações em dias frios e chuvosos também têm o estranho poder de ressuscitar velhos espíritos. Amigos que desapareceram, ex-namoradas, colegas de trabalho que você nunca mais viu. Estão todos lá, vivos, a maioria sorrindo. E para lá voltarão ao final da arrumação. Ou não: arrumações também têm o estranho poder de provocar ligações telefônicas inusitadas e transformar fotos antigas em reencontros.

Há também papéis carimbados, escritos à mão, provas oficiais de coisas que fiz na vida. Ingressos de shows (minha coleção favorita), carteiras escolares, agendas velhas. Para que guardar tudo isso? Para que saber quanto você tirou em biologia em 1985? Para que saber que você foi ao dentista em 3 de outubro de 2003?
Digo isso, mas arrumo direitinho e guardo tudo no mesmo lugar. A caixa está mais magra, um pouco de sua gordura sentimental foi jogada no lixo.

Mas algumas coisas ficam e ficarão justamente para que no futuro eu possa arrumar tudo de novo, olhar as fotos, (re)descobrir quem eu sou a partir de quem eu fui. Não há pressa: ano que vem tem outro inverno.

Foto: Monalisa Lins/AE

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Charlize Theron: A sul-africana não jogou a Copa do Mundo, mas merece uma taça

Charlize Theron: A sul-africana não jogou a Copa do Mundo, mas merece uma taça

A Copa do Mundo foi uma festa: homens e mulheres se reuniram em volta da TV para torcer pela Seleção Brasileira. Quando o Brasil foi eliminado pela Holanda, porém, tivemos de arranjar outras razões para continuar curtindo a Copa.

Para os homens foi simples: discutimos esquemas táticos e destaques em campo. Algumas mulheres também mostraram que entendem do assunto, mas outras preferiram ver 22 caras correndo atrás da bola por outras razões: as pernas do Cristiano Ronaldo, os bíceps do Júlio César, e por aí foi.

É por causa delas que eu decidi lançar um contra-ataque no dia seguinte ao último jogo, já mostrando que em 2014 não aceitaremos esse tipo de coisa. Já que a Copa do Mundo feminina ainda não é muito popular, no entanto, escolhi três sul-africanas para a Copa do Mundo dos sonhos de qualquer marmanjo.

No gol, eu escalaria a atriz Charlize Theron. Quer dizer, eu escalaria a Charlizinha (olha a intimidade) em qualquer posição que ela quisesse jogar, inclusive algumas daquele livro tradicional proibido para menores cujas iniciais são K.S.

Charlize não é apenas uma das mulheres mais bonitas da África do Sul, mas do mundo. A atriz nasceu em 7 de agosto de 1975, portanto temos o mesmo signo – o que já é um bom começo. Charlize começou a trabalhar como modelo aos 16 anos, aos 20 fez sua estreia no cinema. Era um filme-B em que ela ficou três segundos em cena e não falou nenhuma palavra (claro, o que ela poderia ter falado em três segundos?). Em 2004, ela ganhou o Oscar pelo filme ‘Monster – Desejo Assassino’. Para mim, ela deveria ter recebido um prêmio por ter conseguido realizar o impossível: ficar feia.

No meio-campo, entraria em campo Nicole Flint, a Miss África do Sul 2009. Ela tem feito sucesso e ganhou até elogios do presidente Jacob Zuma (se bem que isso não é um grande mérito, já que ele é um mulherengo assumido e casado com três mulheres). Nicole também trabalhou como relações públicas e, quando comentei isso com um amigo, ele disse que não veria nenhum problema em manter relações públicas (ou privadas) com ela.

No ataque, a modelo Victoria de Lima. Ela tem 18 anos e está na capa de várias revistas masculinas da África do Sul. Tudo porque ela tem ascendência portuguesa e, daí, a comparam com o Cristiano Ronaldo (comparação ridícula, já que ela é muito melhor). Victoria faz pole dance, aquela dança típica de strip-tease, e confessa que tem uma barra para treinar em casa. Perguntada sobre o que um homem deve fazer para conhecê-la melhor, respondeu: ‘esperar, porque quem espera sempre alcança’. Ou seja, além de stripper, ela é filósofa.

Voltando ao futebol… quem ganhou a Copa mesmo? Ah, é. Parabéns, Espanha!

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