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Felipe Machado

Franz Ferdinand: Isso é que é estilo no palco (foto: José Patrício/AE)

Franz Ferdinand: Isso é que é estilo no palco

Ir a um show do Franz Ferdinand é bem diferente de ir a um show do Metallica, do Coldplay ou de qualquer outra banda de rock. Não apenas porque o som dos escoceses é original e diferente de tudo, mas porque shows de rock são geralmente freqüentados por pessoas vestidas com roupas confortáveis e desencanadas. Já um show do Franz Ferdinand é quase como um desfile da São Paulo Fashion Week: muita gente bem vestida, muitos descolados, muita gente do ‘mundinho’ da moda.

Começando pelo palco. O baixista Bob Hardy, o guitarrista Nick McCarthy, o baterista Paul Thomsom e o guitarrista e vocal Alex Kapranos entraram no show vestidos como se fossem a uma festa. Camisas justinhas, gravatas, sapatinhos de bico fino combinando com os cintos. Se abaixassem o som do show, eu nunca imaginaria que os escoceses estavam tocando tão pesado. Ao vivo eles não abusam dos teclados nem dos beats eletrônicos. As guitarras são distorcidas, com aquele som de amplificador valvulado que se tornou tão marcante na história do rock britânico. Há bons riffs de guitarra, alguns chegam a soar até meio heavy metal. E quando os quatro músicos tocaram bateria ao mesmo tempo foi o momento ‘catarse’ (adoro essa palavra) do show.

Na plateia havia também os nerds-independentes, que adoram fingir uma despretensão. Sabe como reconhecê-los? Eles estão sempre usando All-Star, calças desbotadas e camisetas com mensagens simples como Pornstar ou um pouco mais complexas, como a que trazia a imagem de uma Kryptonita com o sinal de ‘proibido’ sobre ela. Sacou, Superman?

(Enquanto eu via o show, uma garotinha adolescente no camarote ao lado me perguntou: ‘quem é o Franz, é o cara que canta?’ Eu: ‘Não, imagina, o Franz é o baterista’)

O show de ontem no Via Funchal começou quente: e não foi apenas por causa da banda de abertura (Anacrônica, de Curitiba) nem do ótimo repertório do Franz Ferdinand. A noite estava tão abafada que o ar condicionado não foi suficiente para as seis mil pessoas que lotaram o local. Nem eu imaginava que o Franz Ferdinand tinha tantos fãs.

Se em estúdio o Franz Ferdinand tem alguns elementos eletrônicos, ao vivo a banda apresenta um som cru e muito legal. Kapranos é carismático e parece realmente gostar do Brasil: para uma banda formada há menos de dez anos, estar no país pela quarta vez deve significar alguma coisa.

Lembro quando vi o Franz Ferdinand pela primeira vez, abrindo o show do U2 em 2006. Eles não eram conhecidos e não tinham vocação (na época, pelo menos) para shows em estádios. Na verdade, pareciam um pouco como salmões (qual será o peixe típico da Escócia?) fora d’água. Ontem eles estavam totalmente ambientados: em meio a fãs que conheciam todas as músicas e cantavam junto com a banda praticamente o show inteiro. Muito bom.

O estilo do Franz Ferdinand é bastante original, embora algumas canções soassem muito com New Order, Joy Division e outros sons ingleses do início dos anos 80. Dá para dizer que eles fazem ‘Dancing Rock’, rock para dançar. O repertório do show foi baseado em canções de seus três discos, com ênfase no mais recente, ‘Tonight’. Hits como ‘Do you want to’, ‘Take me out’ e ‘walk away’ detonaram a plateia e mostraram que, como diz o Faustão, ‘quem é bom faz ao vivo’ (acho que foi a única coisa interessante que ele disse em toda a sua vida).

Achei o Kapranos um cara bem simpático, e depois essa impressão melhorou ainda mais quando fiquei sabendo que ele fez o show meio doente. Resumindo, foi uma ótima apresentação de uma banda que vai chegar ao megaestrelato daqui a uns dois ou três anos. O Franz Ferdinand tocou com tanta garra que nem parecia que estavam tão bem vestidos. Na próxima vez eu prometo ir de blazer. Eles merecem.

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Gladiador, filme de Ridley Scott

Gladiador, filme de Ridley Scott

Na época dos gladiadores, a expressão ‘olha o que eu sei fazer’ tinha uma versão um pouco mais, digamos, sangrenta. ‘Olha o que eu sei fazer com a cabeça do meu inimigo’ era o grande hit do Coliseu

Minha filha tem apenas 3 anos, mas sabe exatamente o que fazer para chamar minha atenção. É só ela dizer: ‘olha o que eu sei fazer’, e rodopiar no ar com os bracinhos para cima, como uma pequena bailarina.

‘Olha o que eu sei fazer’ deve ser uma das frases mais ditas da história da humanidade – nem sempre com palavras, claro. Todas as pessoas do mundo dizem isso todo o tempo: num encontro com uma garota, numa entrevista de trabalho, numa conversa no bar. Eu mesmo estou fazendo isso agora, escrevendo este texto. ‘Olha o que eu sei fazer’ é o que diferencia humanos dos outros animais – pensando bem, os animais também agem da mesma forma. É só ver como os pavões atraem suas fêmeas.

‘Olha o que eu sei fazer’ é a razão pela qual pagamos milhões de dólares a um jogador de futebol ou a uma estrela do rock. Eles ‘sabem fazer’ coisas que as outras pessoas não sabem, por isso admiram quem sabe. E, talvez ainda mais importante, é parte intrínseca deles gostar de mostrar que sabem fazer coisas que as outras pessoas gostariam de saber fazer.

(Olha o que eu sei fazer: escrever frases que parecem mais complexas do que são.)

Assim caminha a humanidade: as mulheres de Neanderthal gostavam dos homens que caçavam melhor, e aposto que os caras chegavam com o bicho morto nos ombros e diriam algo como ‘Badbsdfdsafhdubd’ – o equivalente a ‘olha o que eu sei fazer’ em neanderthalês. As mulheres também tentavam inventar as melhores receitas de Pterodáctilo ao Molho de Pedra, talento que seria a versão feminina e pré-histórica de ‘olha o que eu sei fazer’.

Na Grécia, filósofos de Atenas e soldados de Esparta brigavam para ver quem tinha o ‘olha o que eu sei fazer’ mais digno do poder. Em Roma, os gladiadores ganhavam o público com versões sangrentas da expressão, como ‘olha o que sei fazer com a cabeça do meu inimigo’, por exemplo. E por aí vai.

Ter um carro deve ser o maior símbolo de ‘olha o que eu sei fazer’ do nosso tempo. O ator Jerry Seinfeld defende essa teoria: ele diz que não bastava o homem ir à Lua; tivemos que levar um carro para dar uma voltinha por lá. Carros dizem muito sobre o que sabemos fazer: ganhar dinheiro, principalmente. E ganhar dinheiro deve ser o ‘olha o que sei fazer’ mais atrativo de todos os tempos.

Há, porém, formas menos mercantilistas de se valorizar alguém. Todo mundo sabe fazer algo interessante, todos têm seu valor. Minha filha rodopiando com os bracinhos para cima, por exemplo, é a coisa mais valiosa do mundo. E eu, coruja, nunca resisto: olho em volta e chamo a atenção dos seus amiguinhos: ‘Gente, olha o que ela sabe fazer!’

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Banda de thrash metal Overkill toca no Clash Club no fim de semana

A banda de thrash metal Overkill toca no Clash Club no fim de semana

Amigas e amigos,

vocês sabem que não é raro eu apelar para outras pessoas em determinadas ocasiões. Na próxima sexta-feira, dia 19 de março, teremos dois bons shows de heavy metal em São Paulo. O primeiro é o Dream Theater no Credicard Hall, banda americana de metal melódico-progressivo que está lançando o disco ‘Black Cloud & Silver Linings’ com abertura do Bigelf. O Dream Theater, aliás, acaba de anunciar que vai abrir a próxima turnê do Iron Maiden, que lança o disco novo ‘The Final Frontier’ até o fim do ano.

Na mesma sexta-feira, 19, toca no Clash Club a banda Overkill, que fez bastante sucesso entre o público thrash metal nos anos 80/90. Como tenho um amigo que é muito fã da banda, pedi a ele para escrever alguma coisa sobre o show. O texto do headbanger Roger ’666′ Souza você confere abaixo. Up the Irons!

Overkill em São Paulo
Roger ‘Metal’ Souza

Era 16 de junho de 2001 quando o OVERKILL pousou em asfalto brasileiro pela primeira vez para tocar no Olympia (que saudades!). Mas para alegria de uns e decepção de outros, produtores marcaram o show do Helloween no mesmo dia, no Via Funchal. Conclusão: público Overkill = 1000 headbangers; público Helloween = 7000 pessoas.

Eu sou fã incondicional da banda e do Heavy Metal anos 80 e apesar de gostar do Helloween que estava lançando o ótimo ‘The Dark Ride’, não tive dúvidas sobre qual show conferir. Overkill na cabeça, pois já tinha assistido ao Helloween outras vezes e, mesmo se não o tivesse feito, iria ao Olympia sem pestanejar (o Helloween até faria um show extra no dia seguinte, mas depois da sonzeira que foi o Overkill não teria mais para ninguém, então abortei de primeira).

Estava na Woodstock Discos, no centro de São Paulo, quando observei na prateleira de lançamentos o ‘Taking Over’ e pedi ao Walcyr (dono da loja) para me deixar vê-lo de perto. Quando virei a contracapa, fiquei fascinado pela imagem de um crânio com asas, muito bem ilustrado. Bom, comprei o disco imediatamente só pelo desenho sem nem saber o que escutaria. Para quem conhece, não preciso nem dizer o quanto ele é mortal.

‘Deny the Cross’, ‘Powersurge’, ‘Wrecking Crew’, ‘Fatal is Swallowed’ são petardos inesquecíveis, o play inteiro é excelente. E o show no Olympia foi incrível, um dos mais thrash metal que já fui. Foi enérgico e muito visceral. Agora o Overkill retorna para dois shows no Brasil:

São Paulo
Dia 19 de março no Clash Club – Rua Barra Funda, 969. Classificação etária: 16 anos
Horário: 19h30 (abertura Machinage) e 21h (início do Overkill pontualmente)
Ingressos: R$ 90 (meia-entrada / promocional) e R$ 150 (camarote)
Postos de venda: Galeria do Rock – Die Hard (11 3331-3978) / Mutilation (11 3222-8253) / Paranoid (11 3221-5297) / Metal CDs (Santo André/SP – 11 4994-7565) / Metal Mania (Campinas/SP – 19 3236-1715)
Venda pela internet: www.ticketbrasil.com.br. Informações: 11 3661-1500 / www.clashclub.com.br / www.radiocorsario.com

Recife/PE
Dia 20 de março no Sport Club do Recife
Horário: 22h; Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 60,00 (social com doação de 1 kg de alimento ou 1 livro)
Postos de venda: lojas Blackout Discos, Gramophone, Disco de Ouro e Abbey Road
Venda pela internet: www.incartaz.com; Informações: 81 3221-2091

A atual formação do OVERKILL conta com Bobby ‘Blitz’ Ellsworth (voz), Dave Linsk (guitarra), Derek Tailer (guitarra), D.D. Verni (baixo) e Ron Lipnicki (bateria) e o novo álbum da banda se chama ‘Ironbound’.

Infelizmente, haverá também o show do Dream Theater no mesmo dia. Quem gosta de heavy metal sabe que isso é um sofrimento para todos nós, headbangers.

A banda americana de power-metal-melódico-progressivo Dream Theater toca no Credicard Hall

A banda americana de power-metal-melódico-progressivo Dream Theater toca no Credicard Hall

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Axl Rose: O líder do Guns N' Roses engordou e não tem mais os cabelos do garoto que conquistou o mundo em 1988. Mas a atitude... Foto de J.F. Diório/AE

Axl Rose: O líder do Guns N’ Roses engordou e não tem mais os cabelos do garoto que conquistou o mundo em 1988. Mas a atitude…

Difícil fazer uma crítica ao show do Guns N’ Roses no Parque Antártica, no último sábado, 13 de março. Se eu fosse um jornalista recém-chegado de Marte, sem nenhum envolvimento emocional com o assunto retratado, provavelmente seria muito fácil: eu comentaria apenas o lado técnico e esqueceria o resto. O problema é que não sou de Marte, sou fã e acompanhei toda a carreira do Guns N’ Roses, do início da fama à loucura de Axl Rose. E aí é mais complicado classificar o show apenas como ‘bom’ ou ‘ruim’.

Pensei nisso já na saída do estádio, quando encontrei amigos que me perguntaram ‘e aí, o que você achou?’. Há aqueles chatos que, quando alguém pergunta, ‘como vai?’, o cara realmente responde. Então eu acabei dizendo que ‘gostei’, mas há muito mais que isso, não? O show nunca é só bom ou ruim, ainda mais sendo um show do Guns N’ Roses.

A noite começou com o show de Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, já que perdi as duas bandas brasileiras que abriram a noite, o Rock Rocket (veja entrevista que fiz com o trio na TV Limão) e o Forgotten Boys. Sebastian Bach (‘Tião’, como ele se auto-apelidou, vestindo uma camisa do Brasil com o carinhoso apelido brasileiro) já foi um dos maiores rockstars do planeta, no final dos anos 80, início dos 90. O Skid Row, assim como o Motley Crüe, Ratt, Bon Jovi, Guns ‘N’ Roses e mais meia dúzia de bandas americanas de hard rock, se revezavam no topo das paradas com canções melódicas, riffs de guitarra e vocalistas amados pelas garotas. Além da fama e das turnês mundiais, essa cena praticamente dominada pela cena de Los Angeles, mais especificamente a região de Sunset Boulevard, em Hollywood, tinha em comum um visual andrógino e exagerado, cheio de maquiagem e hairspray. Em São Paulo, isso era chamado de ‘poser’. No Rio, era ‘rock farofa’.

Sebastian Bach canta ‘Big Guns’ e ‘Here I Am’ (imagens da TV Estadão):

Em 1993, veio o Nirvana e detonou tudo isso. A maioria das bandas acabou ou foi condenada ao ostracismo. Alguns personagens sobreviveram, mas se tornaram caricaturas de um tempo que, apesar de relativamente recente, já era história na memória dos fãs ávidos por novidades e novos ídolos.

Peraí, estou dizendo tudo isso para quê?

Para dizer que Sebastian Bach se encaixa nesse perfil. O repertório do Skid Row era muito bom, principalmente dos dois primeiros discos, ‘Skid Row’ e ‘Slave to the Grind’. Mas ouvir esse som hoje (anteontem) soa datado como se ele fosse século passado (e é mesmo, claro). Algumas canções ainda sobrevivem, como ’18 and Life’, ‘Monkey Business’, ‘Youth Gone Wild’, e ‘I Remember You’, mas ‘Tião’ não está mais em sua melhor forma. É engraçado porque, como ele já foi um grande ídolo, parecia totalmente à vontade cantando em um estádio. Mas sua voz não é mais a mesma, e os arranjos vocais do Skid Row eram de um exagero cruel para sua garganta.

Sebastian Bach (a propósito, que nome maravilhoso para um rockstar, não?) foi simpático, se esforçou, correu para lá e para cá. Muitas meninas na plateia ainda tentaram se empolgar, garantindo que ele ainda estava lindo, sexy, etc. Mas ‘Tião’ parece preso (com braceletes de oncinha) aos anos 90, não apenas pelo visual anacrônico de cabelão e calça justíssima, mas porque ele não conseguiu transformar excelentes canções em clássicos do rock, talvez pela fragilidade delas mesmas quando expostas à passagem do tempo, talvez pela insistência dele em se apresentar como o adolescente-galã-ingênuo do início de carreira. Confesso que torci pelo ‘Tião’, queria que o show fosse bom e que sua voz desse conta do recado. Também não sou daqueles chatos que ficam prestando atenção em cada agudo que o cara dá para dizer ‘esse ele acertou, esse ele errou’. O problema não foi não alcançar as notas, mas tentar alcançá-las e não conseguir. Talvez por arrogância ou orgulho, ‘Tião’ não quis mudar o tom e adaptar os arranjos das músicas para torná-las mais fáceis. Ele quis ir atrás da época perdida, resgatar a fama à fórceps.

O tempo, no entanto, só anda para frente e não espera por ninguém, não importa se você era o rockstar mais famoso de Hollywood. Como em ‘Crepúsculo dos Deuses’, ‘Tião’ estava pronto para seu close-up… mas o fotógrafo não apareceu.

Falando do Guns, em primeiro lugar queria dizer que Axl Rose tem, sim, o direito de usar o nome ‘Guns ‘N’ Roses’, ao contrário de gente que falou que a banda era um cover de luxo. Se uma banda cover leva 38 mil pessoas a um estádio, eu queria tocar em uma banda cover. Gostaria de ver Axl tocando ao lado de Slash, mas o resto do Guns eu dispensaria facilmente (apesar de importante musicalmente, convenhamos que o resto da banda era irrelevante, pelo menos para o grande público). Axl-Slash era uma dupla, guardadas as devidas proporções, que nos remetia aos grandes duos do rock, como Mick Jagger-Keith Richards e Robert Plant-Jimmy Page. Mas Slash e Axl brigaram, e Slash não fez a menor questão de ficar com a herança do Guns N’ Roses: montou outras bandas (nos anos 90, conheci o mestre da Les Paul quando o Viper abriu para o Slash’s Snakepit no saudoso Olímpia, em São Paulo), gravou com vários artistas, seguiu seu próprio caminho. Axl Rose ficou com o peso (literalmente, como veríamos alguns anos mais tarde) de levar o legado artístico da banda para as gerações futuras. Por isso, acho que ele tem, sim, o direito de usar o nome ‘Guns N’ Roses’. Algúem tem dúvida de que Axl é o Guns N Roses? No, way.

Luzes apagadas, introdução nos alto-falantes e tudo pronto para Axl entrar em cena. Mas logo no início da apresentação já tivemos uma amostra do que é um show quando Axl Rose está no palco: tenso, nervoso. Logo na primeira música, ‘Chinese Democracy’ Axl foi atingido por um copo d’água e interrompeu.

Veja o vídeo abaixo, publicado no YouTube:

Entre as frases publicáveis, Axl disse: ‘Seu covarde, você quer ferrar todo mundo que está no show? Porque para mim não tem problema, eu vou embora.” Quem conhece Axl sabe que isso é verdade: ele pode deixar o palco a qualquer momento. Se as pessoas sabem que isso pode acontecer, por que atacam coisas nele? Por que há imbecis na plateia que querem aparecer mais que o artista? Se Axl fosse embora, aposto que começaria um quebra-pau perigosíssimo e com prováveis vítimas entre as 38 mil pessoas que lotavam o estádio. Por que, então, um idiota joga um copo d’água no vocalista na primeira música do show? Porque sabe que não vai acontecer nada com ele. Se houvesse uma tragédia causada por essa idiotice, será que o idiota seria responsabilizado? Como aqui é o Brasil, provavelmente… não. É como a violência entre torcidas: o anonimato em meio à multidão libera o animal que existe dentro de cada imbecil.

Axl aproveitou também para falar sobre o incidente da noite de quinta-feira, quando ele não compareceu a um show acústico que faria na boate Disco, em São Paulo. A banda chegou a passar o som e Axl decidiu não comparecer ao local apenas lá pelas 2 da manhã, porque estava com a voz ruim e não queria comprometer o show de sábado. As 200 pessoas que estavam na boate, ao saber que não haveria o acústico, partiram para o quebra-quebra, brigas, baixarias. Lembrando apenas que a Disco é uma das boates mais chiques e caras de São Paulo, ou seja, cheia de gente, aparentemente, alfabetizada. Ledo engano, Brasil-sil-sil!

Live and let die.

Depois do início tenso, Axl emendou um repertório que alternava sucessos antigos do Guns, como ‘Welcome to the Jungle’, ‘Mr. Brownstone’, ‘Nightrain’, ‘Sweet Child O’Mine’ (um dos melhores riffs da história do rock), ‘November Rain’ e músicas do ‘Chinese Democracy’ (leia aqui uma crítica sobre o disco mais falado e menos ouvido de todos os tempos). Só para constar, acho o ‘Chinese Democracy’ um disco excelente, do nível de qualquer outro disco do Guns (e até melhor que alguns). O problema é que todo mundo começou a falar sobre as maluquices do Axl e esqueceu de falar sobre as músicas, e daí fica difícil.

Disseram também que o disco demorou muito para ser gravado/lançado e, por isso, seria decepcionante. Alguém que entende um mínimo de música sabe que não há a menor relação entre o tempo em que um disco é gravado e sua qualidade. Os Beatles gravavam discos em um dia (sim, era outra época), o Brian Wilson, do Beach Boys, demorou décadas para gravar ‘Smile’. Michael Jackson demorou muito tempo para fazer ‘Invencible’. Passar mais horas no estúdio não significa que o disco sairá bom. O que diz se um disco é bom são suas canções, seus arranjos, suas performances, suas vendas. Por isso o ‘Chinese Democracy’ é bom, e não por qualquer outra razão. E só para lembrar, já vendeu cinco milhões de cópias em todo o mundo… numa época em que ninguém mais compra discos.

Vamos voltar a Axl, essa figura tão esquisita do rock and roll. Talvez ele seja o último dos rockstars excêntricos, essa figura tão comum nos anos 70 e que virou peça de museu após a explosão dos cachês milionários e do profissionalismo (no mau sentido). Axl pode ser uma versão pós-pós-moderna de Elvis Presley (adaptado à nossa época, claro), o típico garoto americano que fica famoso, inventa uma dança toda própria e com os anos vai virando outra pessoa, muito mais estranha, inchada, desequilibrada e afetada por Deus sabe lá quais substâncias. Vieram me perguntar se eu achava que o Axl usava drogas e eu respondi que não tinha a menor ideia. Está na cara que usa alguma coisa, ou talvez sua loucura e egocentrismo sejam suficientes para embriagá-lo. Talvez tome um coquetel de drogas no café da manhã, sei lá. Nunca saberemos. Ou descobriremos apenas se algo de muito ruim acontecer (bate na madeira três vezes, toc, toc, toc).

Axl tem uma fúria que o transforma em um personagem magnético: se ele está no palco, é impossível olhar para outro músico. O olhar pode começar a se perder e chegar até um dos guitarristas, mas volta rapidamente para Axl assim que ele volta a cantar com sua voz esganiçada e única. Ele grita mesmo, mas são gritos familiares, quase carinhosos. Axl sorri, mas nem assim ele passa uma imagem de tranqüilidade. É um rocsktar-bomba, prestes a explodir a qualquer momento. Nem quando senta ao piano a gente fica sossegado e assiste ao show numa boa. Se Elton John tivesse fumado crack quando era adolescente, teria virado Axl Rose. Axl é o Michael Jackson do hard rock.

Quanto à banda, só posso dizer que os músicos são excepcionais mais ou menos na proporção inversa de seus carismas. Ou seja: tocam muito, perfeitamente, mas parecem ter saído de uma fábrica de ‘descolados’. São todos tatuados, fazem caras e bocas, detonam suas guitarras, têm cabelos e roupas malucas, colares e pulseiras, brincos em vários lugares do corpo. E ninguém está nem aí para eles. Queria que tivesse vindo o Robin Finck, um dos guitarristas mais incríveis da atualidade e que gravou ‘Chinese Democracy’.

O show teve quase três horas, mas vamos deixar claro que boa parte é ocupada por solos individuais. Como é que se dizer ‘encheção de lingüiça’ em inglês? Sei lá. Alguns solos foram legais, quando o músico quis fazer alguma homenagem divertida em vez de ficar dizendo ‘olha o que eu sei fazer’. O pianista Dizzy Reed tocou uma versão instrumental de ‘Ziggy Stardust’, do David Bowie. Comecei a cantar a letra em voz alta, mas parei logo em seguida porque começaram a me olhar com uma expressão do tipo: ‘o que esse tiozinho está cantando? Essa música nem está no disco do Guns’, ou algo do tipo. O guitarrista Ron ‘Bumblefoot’ Thal (que devia estar gripado, porque usava casaco de couro no calor de 35 graus) tocou o tema da Pantera Cor-de-Rosa em versão metal; o guitarrista Richard Fortus tocou a musquinha do James Bond; já o guitarrista DJ Ashba ficou apenas fazendo umas escalas pentatônicas e arrumando o cabelo. Totalmente desnecessário. Completavam a banda o baixista Tommy Stinson (bom) e o baterista Frank Ferrer (muito bom).

O show terminou com ‘Patience’ e ‘Paradise City’, dois clássicos do Guns cantados por todo o estádio. Voltando ao início do texto, eu diria que tecnicamente o show foi apenas ‘bom’, principalmente porque a voz de Axl falhou bastante em algumas músicas. Mas olhando para a trajetória de Axl Rose, sua importância no processo que recolocou o rock no topo do mundo e, principalmente, sua atitude de não se importar com ninguém a não ser seus fãs, posso garantir: foi um show de rock inesquecível.

Thanx, Axl. Good luck, man.

A belíssima balada ‘This I Love’ em show de Osaka, Japão, 2009.
(Atenção ao solo criado por Robin Finck e executado aqui pelo guitarrista DJ Ashba aos 2:29 da música. É um dos meus solos favoritos)

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12.março.2010 18:53:40

O poder da aura

Audrey Hepburn: Ela tinha alguma coisa... além da beleza, claro

Audrey Hepburn: Ela tinha alguma coisa… além da beleza, claro

Nas primeiras cenas de ‘Quando Paris Alucina’ (Paris When it Sizzles, filme dirigido por Richard Quine), acompanhamos a jovem secretária Gabrielle Simpson chegando ao apartamento de Rick Benson, escritor boêmio e mulherengo interpretado por William Holden.

O clima é leve e o filme parece apenas mais uma inofensiva comédia romântica do longínquo ano de 1964. Isso até que a câmera dá um close-up em Gaby e a tela se enche com o brilhante e mágico sorriso de Audrey Hepburn. E daí não dá mais para mudar de canal.

O que será que essa atriz tinha de diferente? Por que nossos olhos ficam magneticamente presos à tela quando ela aparece, mesmo em um filme feito há mais de 40 anos? Por que a câmera parece estar tão apaixonada por ela quanto nós?

Segundo a Wikipedia, ‘carisma’ pode significar tanto ‘graça divina’ (latim) como ‘favor, benefício’ (grego). Segundo a Igreja Católica, é o ‘dom especial do Espírito, concedido a alguém para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edificação da Igreja’. Uau.

Há ainda a interpretação psicanalítica de Carl Jung, segundo a qual o carisma é uma das qualidades da personalidade de estilo Maná, que ‘marca o nascimento da personalidade, um profundo passo individual à frente’. Não sei quem está certo, só sei de uma coisa: Audrey Hepburn era uma mulher de carisma. Muito carisma.

Audrey (olha a intimidade) não foi a mulher mais bonita do mundo. Mesmo entre as estrelas da época, aposto que muitos homens preferiam as curvas de Brigitte Bardot ou os olhos verdes de Elizabeth Taylor.
Mas Audrey tinha aquele algo a mais – sua aura. Havia um círculo de luz em volta de seu rosto, que
nos fazia querer estar perto dela, nem que fosse virtualmente. Sua personalidade provocava um desejo terno, uma vontade de vê-la feliz. É isso: acho que eu (e milhões de homens) queríamos ter feito Audrey feliz.

Aura é uma coisa muito subjetiva, e talvez nem seja possível traduzir isso em palavras. Mas qualquer pessoa
sensível sabe quando um artista tem ou não tem aura, se ele é real ou artificialmente inventado. Nem precisa ser tão sensível: nessa época pós-pós-pós-modernista, há celebridades que duram, mesmo,
só 15 minutos, como previu Andy Warhol. E há pessoas que fazem esses 15 minutos durarem muito mais tempo.

Não sei como isso afeta a vida sentimental dessas pessoas e desses artistas. Tenho certeza de que a aura não aparece no espelho, assim como tenho certeza de que elas sabem o poder que têm. Se você sabe do que eu estou falando, espero que você use esse poder para o bem.

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Kathryn Bigelow, diretora de \'Guerra ao Terror\', comemora os Oscars em meio aos apresentadores Steve Martin e Alec Baldwin

Kathryn Bigelow, diretora de ‘Guerra ao Terror’, comemora os Oscars em meio aos apresentadores Steve Martin e Alec Baldwin

Mais uma noite de Oscar, mais uma noite que entra para a história do cinema e da cultura mundial. O grande destaque, na minha opinião, foi o prêmio de Melhor Diretora para Kathryn Bigelow, realmente merecido por ‘Guerra ao Terror’, ainda mais na véspera do Dia da Mulher. Mas confesso que fiquei frustrado pelo pouco caso da Academia com ‘Avatar’, simplesmente por uma única razão: se um filme pudesse ser um personagem, ‘Avatar’ seria o herói que salva a indústria do cinema e fica com a mocinha no final.

Mas vamos ao começo, já que Oscar é sempre uma noite longa e muito especial (o que eu, particularmente, adoro). Tem gente que reclama, ‘ah, mas é uma cerimônia muito chata, muito longa’. Tudo bem, ninguém é obrigado a ver. Se não gosta do Oscar, vai ver o Big Brother. A Globo, aliás, fez uma coisa ridícula ontem: meia-noite, duas horas depois do início da transmissão do Oscar, e a emissora mostrando Big Brother. “Ah, mas dá mais ibope.” Então é melhor vender os direitos de transmissão do Oscar na TV aberta para outra emissora… Impedir quem gosta de ver o Oscar e não tem TV a cabo é sacanagem. Ainda mais para ver Big Brother, um programa que já deu o que tinha que dar. (E não estou falando da apelação sexual desta edição, embora tenha soado assim… bom, deixa pra lá.)

Eu vi na TNT, porque confesso que gosto da transmissão deles. A Chris Nicklas foi excelente e divertida comentando a chegada das estrelas no tapete vermelho, a tradutora é ótima (embora eu ache absurdo não ter a opção de tecla SAP) e os comentários do Rubens Ewald Filho são muito bons por uma simples razão: o cara é uma verdadeira enciclopédia.

Vamos começar a comentar os prêmios: Ator Coadjuvante, para Christoph Waltz, de ‘Bastardos Inglórios’, era uma barbada tão grande que quem fez bolão deve ter ficado empolgado. A atuação desse cara no filme do Tarantino (o melhor dele, aliás, desde Pulp Fiction, já que acho os dois ‘Kill Bill’ meio chatos) é de tirar o chapéu (ou o capacete nazista, no caso). Como é bom ver uma performance desse nível, não? O ator austríaco foi sensacional. Stanley Tucci corria por fora em ‘Um Olhar do Paraíso’, e deve receber um Oscar em breve porque também é um excelente ator.

Uma das melhores piadas da cerimônia foi feita por Steve Martin, que dividiu o palco com Alec Baldwin. Depois de entregar o prêmio a Waltz, que faz o papel de um dos nazistas mais cruéis da história do cinema, Martin virou para ele e disse assim: “Você não queria acabar com os judeus? Então faça a festa”, apontando para a plateia do Oscar, insinuando que a comunidade judaica manda em Hollywood. Eu adorei o formato de dois apresentadores, primeiro porque gosto de Martin e Baldwin e acho que eles funcionaram juntos. E também porque duas pessoas permitem aqueles sketches de três tempos que a TV americana sabe fazer tão bem: um fala uma coisa, o outro levanta a bola, o primeiro finaliza. É simples, mas quando é bem feito (e no Oscar é lógico que seria bem feito, já que há alguns dos melhores roteiristas do mundo) funciona muito bem.

A melhor Atriz Coajuvante foi Mo’Nique, de ‘Preciosa’. Não posso comentar a atuação especificamente, porque infelizmente não consegui ver o filme a tempo. Mas a maneira com que ela foi aplaudida de pé pelos colegas no Kodak Theatre mostra que ela realmente mereceu. Só pelo clipe que o Oscar mostrou do filme já deu para ver que a performance dela era, para dizer o mínimo, explosiva. Penélope Cruz merecia um Oscar pela beleza (não sei o que ela viu no Javier Bardem, embora 11 em cada 10 mulheres digam que ele é lindo, maravilhoso, ‘homem de verdade’, etc. Elas reclamam dos homens metidos a machão… mas o Javier Bardem pode. Vai entender).

Animação: estava na cara que Up ia ganhar, até porque ele concorria até na categoria de Melhor Filme (isso não acontecia desde ‘A Bela e a Fera’ em 1991). E foi merecido mesmo: ‘Up – Altas Aventuras’ é delicado, inteligente, tem uma história linda e divertida. Se alguém ainda tinha dúvida de que animação pode ser tão criativa e importante para o cinema quanto um filme normal, tem que ver ‘Up’. Ou ‘Toy Story’ 3D, que vi há alguns dias com minha filha, e que é tão bom quanto qualquer clássico do cinema. Confesso que não gostei muito de ‘A Princesa e o Sapo’, produção da Disney que também concorria na categoria. Não, não foi pelo fato de ela ser 2D em um mundo cada vez mais 3D. Achei que algumas cenas eram muito escuras (a do pântano, por exemplo) e o filme cansa um pouco (informações baseadas na opinião da minha crítica infantil favorita, Bebel Machado).

Filme estrangeiro foi a categoria que mais me revoltou. Não vi o filme vencedor, o argentino ‘O Segredo dos Seus Olhos’ (é a segunda vez que os argentinos ganham; eles venceram com ‘A História Oficial’, em 1985; o Brasil fica inscrevendo filmes com ideologias/apologias ultrapassadas e nefastas, é isso o que acontece. Pelo menos temos mais Copas do Mundo que os hermanos).

A verdade é que o vencedor deveria ter sido ‘A Fita Branca’, de Michael Haneke. Como eu posso dizer isso sem ter visto o vencedor? Simples: Michael Haneke é o melhor diretor da atualidade, seu filme venceu a Palma de Ouro (que entende bem mais de filmes estrangeiros que a Academia) e… sou fã dele, pronto. Veja minha crítica sobre o filme aqui, se quiser saber outras razões.)

Não vou comentar os prêmios puramente técnicos por uma simples razão: ninguém se importa. Quer dizer, eles são muito importantes para os profissionais da indústria, mas para o grande público não interessa se ‘Guerra ao Terror’ ganhou Melhor Edição de Som ou se ‘Star Trek’ ganhou melhor Maquiagem (os dois ganharam). Torci para ‘Star Trek’ perder só para nunca mais eu ter que ver aquelas orelhas do Spok. Nerds e trekkers devem estar felizes.

Efeitos Visuais e Direção de Arte foram para ‘Avatar’, lógico. Roteiro adaptado foi para ‘Preciosa’, baseado no livro ‘Push’ (ô historinha desgraçada, aliás). Roteiro original foi para ‘Guerra ao Terror’, o que achei injusto. Em primeiro lugar porque o roteirista Mark Boal está sendo acusado de basear a história do filme em um personagem real do exército americano que ele conheceu no Iraque, já Boal é um jornalista que cobria a guerra no país. Em segundo porque para um filme de guerra ter o melhor roteiro tem que ser muito diferente, não? E Guerra ao Terror tem um pouco de ‘Falcão Negro em Perigo’, misturado com ‘Platoon’, ‘Full Metal Jacket’ (Nascido para Matar, do Kubrick) e mais meia dúzia de filmes onde o que muda é apenas o cenário/campo da batalha. Melhor seria ter vencido ‘Bastardos Inglórios’, a trama mais criativa do ano. Tarantino reescreveu a história e deu um final mais ‘justo’ (no meu ponto de vista, claro) para Hitler. Vi o filme em Nova York e a plateia levantava no final para bater palmas como se fosse a final de um campeonato. Grande Tarantino.

The Weary Kind, do filme ‘Coração Louco’, ganhou como Melhor Canção. Para mim, é apenas mais uma música country. Não podemos esquecer que essa é uma premiação americana, talvez o único lugar do mundo (fora o interior de São Paulo) onde tem gente que ainda ouve country. Eu estava torcendo para uma das duas canções da animação ‘A Princesa e o Sapo’, Almost There e Down in New Orleans, dois sons bem jazzy, à la big bands, até para marcar um renascimento de New Orleans pós-Katrina. A Melhor Trilha Sonora foi para Up, realmente muito bonita. Ainda bem que ‘Sherlock Holmes’ não ganhou nada, um filme chatíssimo que algumas pessoas gostaram – não sei por quê.

Sandra Bullock: Ela ganhou o Framboesa de Ouro como Pior Atriz do ano, e o Oscar, como a Melhor Atriz. Quem está certo?

Sandra Bullock: Ela ganhou o Framboesa de Ouro como Pior Atriz do ano, e o Oscar, como a Melhor Atriz. Quem está certo?

Vamos agora às duas categorias mais importantes da noite (não para mim, mas para o público): Melhor Atriz e Melhor Ator. Gostei das duas escolhas. A Melhor Atriz foi Sandra Bullock, por seu papel em ‘Um Sonho Possível’. É claro que ela não é melhor que Meryl Streep, que concorria por ‘Julie & Julia’, nem que minha adorada Helen Mirren, de ‘The Last Station’. Mas a Academia adora premiar ‘All-American Girls’ como Sandrinha (olha a intimidade). Eles fizeram isso com Reese Whiterspoon em ‘Johnny & June’, em 2006: é um prêmio para uma estrela corajosa que se aventura em um papel, digamos, mais ‘artístico’. Além disso, Sandrinha estava linda ontem. Ela tem um quê de girl next door que me atrai bastante. Não, eu não sou apaixonado por nenhuma vizinha. Mas é que é um tipo de garota que poderia, realmente, ser sua vizinha, uma pessoa normal e, ao mesmo tempo, muito bonita. Quer dizer, se Sandra Bullock fosse minha vizinha, aí a gente poderia ver se… deixa pra lá.

O Melhor Ator foi Jeff Bridges, que eu acho que deveria ter recebido o Oscar por um papel que fez em 1998: ‘O Grande Lebowski’, até hoje um dos meus filmes favoritos dos irmãos Joel & Ethan Coen. Me falaram que Colin Firth está muito bem em ‘O Direito de Amar’, dirigido pelo estilista Tom Ford, e George Clooney… bem, ele é sempre George Clooney, que concorria por ‘Amor sem Escalas’. Mas Jeff Bridges no papel de um cantor de country decadente ganhou o prêmio que não deram a Mickey Rourke no ano passado, por ‘O Lutador’. Acho que Bridges tem mais amigos que Rourke – é só olhar para os dois que é fácil descobrir por quê.

Jeff Bridges, o Melhor Ator: Hollywood adora decadence avec elegance

Jeff Bridges, o Melhor Ator: Hollywood adora decadence avec elegance

Quanto aos prêmios mais importantes, Melhor Filme e Melhor Diretor, fiquei frustrado. Os favoritos eram James Cameron, por ‘Avatar’, e sua ex-mulher, Kathryn Bigelow, por ‘Guerra ao Terror’. Kathryn ganhou os dois. Não gostei: acho que ela deveria ter vencido como direção, até porque uma mulher nunca havia vencido nessa categoria (e nem há tantas mulheres diretoras assim) e porque era um filme difícil, produzido na Jordânia, violento, extremamente masculino. E ela fez um filmão.

Mas o Melhor Filme do ano deveria ter sido ‘Avatar’, simplesmente porque ele está salvando a indústria do cinema. O filme já bateu todos os recordes de bilheteria da história, o que deveria ser importante para Hollywood, já que é uma premiação da própria indústria. Acho que foi inveja de James Cameron, que já tinha ganhado 11 estatuetas por Titanic e quebrado todos os recordes de bilheteria na época. Eu não acho Avatar o melhor filme do ano, na minha opinião teria vencido ‘A Fita Branca’, de Michael Haneke. Mas acho que é o filme mais importante do ano: se você viu Avatar em um cinema iMax 3D (infelizmente só existe uma sala em São Paulo), você sabe do que eu estou falando. Tudo bem, a história é maniqueísta e a mensagem eco-bom-selvagem já é velha desde a época do Rousseau. Mas é que a experiência ‘Avatar’ representa uma volta ao cinema e à tela grande, ao convívio social e às sensações que não podem ser reproduzidas em casa, nem no melhor dos home theatres. E outra coisa muito importante: a tecnologia é tão avançada que não pode ser copiada facilmente, portanto ninguém quer ver o DVD pirata de ‘Avatar’. E isso força as pessoas a irem ao cinema, como nos velhos tempos. E isso, na minha opinião, pode salvar a indústria do ponto de vista comercial e institucional. ‘Guerra ao Terror’ é um excelente filme, mas apenas isso: um excelente filme. ‘Avatar’ olha para frente, olha para o que pode ser feito e abre milhões de possibilidades. A Academia foi muito convencional e pode ter dado um tiro no pé.

(Se esse tiro no pé fosse em 3D, teria atraído muito mais gente ao cinema.)

Ben Stiller maquiado como personagem de 'Avatar': O filme ganhou apenas três das nove categorias a que foi indicado

Ben Stiller maquiado como personagem de ‘Avatar’: O filme ganhou apenas três das nove categorias a que foi indicado

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Hoje é o Dia da Mulher e daqui a alguns dias estarei prestando minha homenagem a uma representante do sexo feminino que admiro muito.

Não, ela não é uma feminista radical discípula de Simone de Beauvoir, nem uma ativista da (justa) causa dos Direitos Humanos da Mulher. Ela é simplesmente a minha sobrinha e afilhada Laura, que faz no dia 21 sua festinha de 3 anos.

Independente da citação da data aqui, quero deixar claro que sempre fui contra o Dia da Mulher. Não a ponto de fazer uma campanha, mas sou contra. Acho que essa história de criar datas especiais só serve para donos de lojas nos shoppings ou para vereadores que não têm o que fazer (desculpe pelo pleonasmo). E essa situação me incomoda: se dia 8 de março é das mulheres, os outros 364 são nossos? Absurdo, para dizer o mínimo. E injusto com as próprias mulheres.

Mas por que eu comecei o texto falando da minha afilhada? Esqueci. Não, brincadeira. Primeiro, porque vem aí a festinha dela (parabéns, Laurinha). Em segundo, porque eu poderia falar dela, da minha filha ou até da minha vizinha do andar de cima, uma simpática garotinha de 8 anos. Estou aqui para homenagear o sexo feminino e o que ele tem de universal, não importa se a mulher em questão é uma recém-nascida ou uma velhinha de 100 anos.

Essa coisa da idade, inclusive, é muito relativa. Entendo muito melhor as mulheres vendo minha afilhada e minha filha brincando juntas do que prestando atenção ao comportamento isolado de uma mulher adulta. Digo isso porque é possível ver a essência da alma feminina em sua forma pura e constatar que ela já nasce com as mulheres.

O sentimento maternal, por exemplo. Acho quase impossível ver os filhos homens de meus amigos brincando de casinha ou de algo como ‘pai e filhinho’ com o colega. Já Laura e Isabel fazem isso o tempo inteiro, brincam de mamãe e filhinha como se a tarefa de cuidar de uma família fosse intrínseca ao comportamento feminino. Pelamordedeus, não vá pensar que estou sendo machista: trata-se aqui de biologia, no melhor sentido Darwiniano da palavra. Há homens que cuidam da casa e da família e mulheres que trabalham fora; não é disso que estou falando, muito menos de sexualidade, como me alertaram quando expliquei minha teoria. Estou falando do padrão, não das exceções que, aliás, confirmam a regra.

Da mesma maneira que meninos brincam de carrinhos e super-heróis, meninas brincam de princesas e castelos. Algo no DNA delas acha mais graça em algumas coisas do que em outras, e ainda bem que é assim. Mais que diferentes, somos complementares. Sábia natureza.

Deixo um beijo para as mulheres de todas as idades, até porque seria impensável imaginar o universo sem elas. E aproveito para pedir um carinho especial para as crianças e garotas, para que virem mulheres maravilhosas quando crescerem. O futuro agradece.

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Chris Martin veste visual à la Sgt. Pepper's

Chris Martin troca o piano pelo violão: Qualquer semelhança com o uniforme dos Beatles em ‘Sgt. Pepper’s’ não é mera coincidência

Não é de hoje que jornalistas e críticos musicais brasileiros têm o mau hábito de falar mal de artistas que fazem sucesso. Desde que estourou no mundo inteiro, o Coldplay tem sido vítima desse tipo de cacoete. Pois eu tenho um recado para todo mundo que fala mal do Coldplay: vocês estão errados. Não dá para negar que o Coldplay é uma excelente banda, independente do gosto musical de cada um. Gostar de um determinado estilo é uma coisa; constatar um fato que está na sua frente é outra completamente diferente. Goste ou não, o Coldplay é bom.

Essa perdoável hipocrisia não é privilégio dos brasileiros. Com exceção da mídia americana, que costuma exaltar o sucesso dos bem-sucedidos (não seria uma coisa meio óbvia fazer isso?), a maioria dos ditos ‘formadores de opinião’ parecem sofrer de uma certa invejinha ‘já-que-todo-mundo-gosta-eu-não-posso-gostar’ que soa meio infantil, na minha opinião. Os ingleses são os que levam o negócio mais a sério: a melhor banda do mundo da semana passada torna-se um fracasso total na semana seguinte. O próprio Coldplay, que ganhou vários Grammys pelo disco ‘Viva la Vida’, o mais vendido do mundo em 2008, não ganhou nenhum Brit Awards. “Fomos humilhados em casa”, teria dito Chris Martin.

Colocando de lado essa introdução chata (e presunçosa), vamos ao show do Coldplay no Morumbi.

A noite começou com o Vanguart, que eu perdi graças ao trânsito de São Paulo. Engraçado foi encontrar o vocalista da banda, Hélio Flanders, na plateia do Coldplay. Disse a ele que infelizmente tinha perdido o show por causa do trânsito. ‘Eu também’, ele respondeu, enigmaticamente.

Na sequência, veio o Bat for Lashes, que está bastante ‘hypada’, como se diz em português. A banda britânica formada por quatro mulheres e um cara tem à frente a talentosa (leia-se ‘gata’) vocalista Natasha Khan, uma paquistanesa de voz firme e psicodélica, como uma versão mais normalzinha da Björk. Ela só não deu sorte no modelito: o friozinho que fazia no Morumbi ontem à noite não combinou nem um pouco com seu shortinho branco modelo ‘Pampers’.

Enfim, uma bandinha legal, mas que não tem nada a ver com o clima de show em estádio. Adoraria vê-las de novo no Via Funchal ou no Credicard Hall, lugares fechados onde as texturas de suas músicas pudessem ser melhor apreciadas, ao sabor de um Pinot Noir e uns queijinhos franceses (u-lá-lá).

Às 21h45, com vinte minutos de atraso (o que não chega a se caracterizar como atraso, a não ser que você seja britânico), entrou no palco o Coldplay.

Os caras entraram girando uns foguinhos de artifício, distribuindo sorrisos e aparentemente de ótimo humor. Isso me lembrou um episódio curioso que aconteceu quando a banda veio ao Brasil para três shows, em 2006, quando tocaram no Via Funchal.

Eu era editor do caderno Variedades, do Jornal da Tarde, e o repórter Marco Bezzi foi designado para cobrir a coletiva do Coldplay. A assessoria da banda pediu que não fossem feitas perguntas sobre a vida pessoal do vocalista Chris Martin, que é casado com a atriz Gwyneth Paltrow. Sem nenhuma maldade, Bezzi perguntou a Martin apenas quais eram os três filmes favoritos estrelados pela mulher. O líder do Coldplay foi na jugular do repórter:

“Isso não interessa. Eu não vim aqui para te perguntar qual é a posição sexual favorita dos seus pais, vim?”

Uau. Não era para tanto, né? O repórter Marco Bezzi ainda tentou retrucar dizendo que os pais dele não eram pessoas públicas, blá blá blá, mas o mal-estar já estava criado. Quando o repórter voltou para a redação, contou o episódio para mim meio cabisbaixo, chateado pelo episódio. E eu pensei: besteira. “Bezzi, escreve aí a matéria ‘O dia em que briguei com o Chris Martin’, sugeri. Lembro que foi a matéria mais interessante sobre a monótona coletiva, como todas as coletivas costumam ser.

(Desculpe pelo longo parênteses, de volta ao show de ontem.)

Lembrando do episódio mal-humorado de Chris Martin, tenho que admitir que os caras não tem nada a ver com essa imagem no palco e são muito simpáticos ao vivo. Eles ainda tinham um motivo a mais para estarem felizes: ontem foi o aniversário de 33 anos de Chris Martin (após o show, a banda havia marcado uma festinha para ele no bar Baretto, no Hotel Fasano, onde estavam hospedados). Deve ser muito legal você comemorar o aniversário em um estádio lotado no Brasil, ainda mais com um plateia de 50 mil pessoas cantando ‘Parabéns a você’. Chris Martin deitou no chão e ficou ouvindo. Imagino que ele deve ter pensado: “nossa, como eu sou bom”.

O palco do Coldplay estava simples e bonito. Acima dos músicos pairavam algumas esferas gigantes que mudavam de cor, criando texturas e um efeito bem legal. Quem olhava para cima, via uma outra esfera tão brilhante quanto as do palco: uma lua cheia e perfeita surgia em meio às nuvens que lentamente desapareciam, para a felicidade do público que torcia para não chover.

Para recepcionar a banda, a plateia agitava bexigas brancas, vermelhas e pretas distribuídas pelos fãs (não, nada a ver com o time do São Paulo, até porque os caras do Coldplay são corintianos e foram até visitar o treino do Timão para tirar fotos com o ídolo deles, Ronaldo); os telões nas laterais do palco eram de alta definição mesmo, não aquela ‘alta definição’ a que estamos acostumados a ver por aqui. Atrás do palco, uma outra tela exibia animações e cenas do show incrivelmente bem editadas. O som, no entanto, estava baixo, sem aquele volume de apresentações recentes como Metallica e AC/DC. Tudo bem, o estilo da banda é outro, mas o volume poderia estar bem mais alto. Fiquei com pena de quem estava longe do palco e pagou tão caro (o preço dos ingressos, aliás, foi absurdo como têm sido nos últimos tempos: R$ 500 por uma pista VIP??? Quer dizer que o casal têm que pagar R$ 1.000, mais o táxi e uma eventual cervejinha? Tem que ser milionário para gostar de rock no Brasil.

Do ponto de vista musical, pode parecer estranho, mas é difícil analisar um show do Coldplay. Sim, eles são uma das maiores bandas do mundo e é totalmente natural que façam shows em estádios. Mas suas canções têm algo de intimista, uma relação pessoal-musical que aproxima banda e público de uma maneira rara que não existe muito por aí. Não, não é o piano de Chris Martin nem as baladas apoteóticas. O Coldplay não tem nada do ‘arena-rock’ de nomes como Queen ou Elton John, que também tinham/têm baladas e arranjos com piano. Enquanto a voz de Freddie Mercury vinha de seus pulmões, de maneira vigorosa e visceral, a voz de Chris Martin é fraquinha, cheia de falsetes. Se fôssemos olhar apenas a curva da equalização no computador, sua voz seria um fiozinho fininho, sem muito volume e consistência.

Antes que você, fã, reclame… claro que não estou dizendo que ele canta mal. Ele canta muito bem. Mas é justamente essa fragilidade na voz, aliada a seu corpinho magro-branquelo-loiro e sua aparente timidez que fazem dele um ídolo pós-moderno tão atraente para adolescentes e fãs femininas. Ele não é o machão, o cantor de rock que traça as groupies no camarim tomando Jack Daniels. Ele é o cara sensível que colabora com ONGs, provavelmente vegetariano, bom pai, bom marido, que toma energético com suco de maçã. Eu arriscaria a dizer até que ele aceita ‘discutir a relação’ com a mulher, de tempos em tempos. E nem se incomoda.

Chris Martin é o Coldplay, e quanto a isso não há a menor dúvida. Jon Buckland (guitarra), Will Champion (bateria) e Guy Berryman (baixo) são meros coadjuvantes, e digo isso sem nenhum julgamento de valor. Eles provavelmente nem querem ser famosos ou glamourosos. Parecem satisfeitos em estar ali, ao lado da ‘estrela Martin’, ganhando seus milhões de dólares e correndo o mundo fazendo o que gostam. Quem pode culpá-los por serem felizes? Quem disse que ser mundialmente megafamoso é bom?

Outra coisa que chama a atenção musicalmente é que as canções do Coldplay seguem uma espécie de fórmula. Começam lentamente, como baladinhas. Aí entra a bateria e o refrão épico e melodramático, terminando com Chris Martin sussurrando alguma letra cabeça acompanhado por um riffzinho no piano. Ao vivo, porém, esse formato ganha uma outra dinâmica, já que muitas canções foram apresentadas em pequenos palcos-passarelas montados nas laterais do estádio (locais, inclusive onde o volume do som era ainda mais baixo. Eu estava na pista VIP, bem pertinho, e tive dificuldades para ouvir. Imagine quem estava na arquibancada).

Nesses palquinhos apertados, os quatro do Coldplay soavam como uma bandinha de adolescentes tocando no quarto de casa, com violões e pouquíssima percussão. Fica então ainda mais evidente que trata-se ali de uma grande banda, e quando digo isso não estou falando apenas sobre os músicos, que são apenas medianos. Estou falando das composições, que são incríveis. As melodias são belas, melancólicas, perfeitas.

Uma amiga disse que eles são a mistura do Radiohead com o U2; eu nunca havia pensado nisso. Não sei se concordo, mas achei a comparação interessante. Eles não são tão radicais artisticamente quanto o Radiohead (certamente é por isso que os críticos brasileiros torcem tanto o nariz), nem tão radiofônicos e megalomaníacos quanto o U2. Eles são uma banda intimista que se viu surpreendentemente tocando em estádios, quatro caras de Londres com um repertório muito bom e um vocalista que chama a atenção sem que a gente saiba muito bem por quê.

Ouvi Coldplay a primeira vez graças a meu irmão, que me apresentou ‘Parachutes’ logo que o disco saiu, em 2000. Gostei de cara de canções como ‘Yellow’ e ‘Shiver’, mas nunca imaginei que eles se tornariam uma das maiores bandas do mundo. Lembro que passei a ouvir o álbum compulsivamente durante algum tempo, até gastar o CD. Verdade seja dita: todos os discos dos caras são bons. Também gosto muito de ‘A Rush of Blood to the Head’, de 2002, que tinha ‘In My Place’ e ‘Scientist’; meu favorito, ao contrário de muita gente, é o ‘X&Y’, de 2005. Muita gente diz que é um ‘disco de transição’ rumo ao ‘Viva la Vida’, de 2008, mas acho que não devemos renegar os discos de transição. ‘Revolver’ e ‘Rubber Soul’’ dos Beatles, foram discos de transição entre a primeira fase e ‘Sgt. Pepper’s’. ‘Master of Puppets’, do Metallica, foi um disco de transição entre as porradas do início da carreira e o famoso ‘Álbum Preto’, que lançou a banda ao estrelato. Por isso eu gosto do ‘X&Y’, particularmente de músicas como ‘Square One’, ‘Fix You’, ‘What If’, ‘The Hardest Part’…

Adoro ‘Viva la Vida’, mas acho que a sonoridade criada pelo produtor Brian Eno deixou a banda muito progressiva, com timbres de teclado muito estéreis e com timbre déjà-vu. Não dá para negar que canções como ‘Violet Hill’ (que abriu o show de ontem, após a introdução de ‘Life in Technicolor’), ‘Viva la Vida’ e ‘Death and all His Friends’ são sensacionais, mas acho que o Coldplay ainda vai lançar o grande álbum de sua carreira. Eles são jovens, Chris Martin acabou de fazer 33 anos…

Não foi a primeira vez do Coldplay no Brasil, mas é a primeira vez que eles tocam em um estádio. Chris Martin, que arriscou várias frases em português (‘Fantástico’, ‘valeu, galera’, etc), terminou o show com uma frase antológica em inglês mesmo: “Sempre me diziam que tocar no Brasil era inacreditável. Agora eu sei por quê.”

Volte sempre, Coldplay. E viva la banda!

Setlist do Coldplay no Morumbi (2/3/2010)

‘Life In Technicolor”
‘Violet Hill’
‘Clocks’
‘In My Place’
‘Yellow’
‘Glass of Water’
’42′
‘Fix You’
‘Strawberry Swing’
‘God Put A Smile Upon Your Face/Talk’
‘The Hardest Part’
‘Postcards From Far Away’
‘Viva La Vida’
‘Lost!’
‘Shiver’
‘Death Will Never Conquer’
‘Don Quixote’
‘Viva La Vida (Remix)’
‘Politik’
‘Lovers in Japan’
‘Death and All His Friends’

Bis

‘The Scientist”
‘Life In Technicolor II’

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Casa das Caldeiras/Divulgação

Casa das Caldeiras/Divulgação

Casa das Caldeiras: Festa ‘A Rede’ é uma das melhores baladas de São Paulo

É como eu sempre digo: para cada hora que a gente passa no trânsito, São Paulo nos oferece uma contrapartida cultural sensacional. O difícil é escolher: há, todos os dias, mais opções entre o pôr-do-sol e o amanhecer do que imagina a sua vã filosofia.

Amanhã à noite é um exemplo clássico: há um megashow (Coldplay, no Morumbi) e uma megafesta (A Rede, na Casa das Caldeiras).

O Coldplay dispensa apresentações, claro. Uma das maiores bandas da atualidade, cenário monstruosamente lindo, músicos talentosos, um frontman carismático (Chris Martin) e que tem geralmente a multidão nas mãos. Já ‘A Rede’ é um evento que sempre me atrai, não apenas por causa dos amigos envolvidos mas porque é diversão garantida.

É uma festa que começa a ser legal desde o conceito: uma ‘rede’ de amigos se forma e cada um colabora como pode. É uma ideia simples, mas que funciona perfeitamente bem há alguns anos. Quem tem importadora entra com as bebidas; bandas e artistas entram com o som no palco; fornecedores de catering entram com a comida, e por aí vai. As empresas envolvidas acabam divulgando seu trabalho para um público muito legal; o público muito legal se diverte e ainda entra em contato com o trabalho de diversas empresas. Fora o visual da Casa das Caldeiras…

Espero que o show do Coldplay termine cedo.

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