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Felipe Machado

Ellen Roche foi a Rainha da Bateria da Rosas de Ouro, que ganhou o título em São Paulo. Foto de José Patrício/AE

Ellen Roche foi a Rainha da Bateria da Rosas de Ouro, que ganhou o título em São Paulo. Foto de José Patrício/AE

Sei que você não aguenta mais ouvir falar de Carnaval. Eu também não. A diferença é que, provavelmente, você está cansado após uma semana de folia, enquanto eu não aguento ouvir falar de Carnaval há 39 anos, 6 meses e 17 dias.

Nunca contei de onde vem meu trauma para ninguém, mas acho que agora é um bom momento. Tudo começou na minha infância, quando passei o Carnaval em Olinda, perto de Recife. Tenho certeza de que há alguma lei proibindo a presença de crianças em eventos como esse. Se não há, deveria haver. Passei o dia inteiro subindo e descendo ladeiras, em meio a uma multidão de bêbados e odores que não vou lembrar para não estragar seu almoço de domingo. À noite, ainda tive que ver um show do Alceu Valença. Como sempre, há uma boa razão por trás de todo trauma.

Apesar disso, tive uma ideia muito legal para incrementar o Carnaval.

Carnaval e futebol estão cada vez mais próximos, o que pude constatar pessoalmente durante o emocionante desfile da Gaviões da Fiel (sim, eu estava ali a trabalho; há provas na TV Estadão, abaixo). O Brasil é o país do futebol, o Brasil é o país do Carnaval. Por que, então, não criar a Copa do Mundo… de Carnaval?

A primeira edição poderia ser no Rio de Janeiro, já que não sou bairrista. Porém, sem querer criar polêmica, descobri por que o Carnaval do Rio parece sempre mais bonito que o de São Paulo. OK, o Rio tem a tradição, o samba, etc. Mas a questão é puramente arquitetônica: a pista do Sambódromo de São Paulo tem 530 metros de comprimento por 14 de largura. A do Sambódromo do Rio tem 600 por 12. Ou seja: o de SP é mais curto e mais largo; é por isso que você aqueles vazios deprimentes durante o desfile pela TV.

Voltando à Copa do Mundo de Carnaval, seria legal tirar a limpo e ver quem tem o melhor carnaval do mundo. Participariam mascarados de Veneza; fortões da parada gay de São Francisco; dragões e tigres das festas chinesas. E escolas de SP e RJ, blocos de rua de Pernambuco, trios elétricos de Salvador. Tudo isso durante quatro dias, ininterruptos, de loucura e folia. Na quarta-feira de cinzas, os sobreviventes levantariam a taça de Campeão do Mundo e dariam a volta olímpica pela cidade.

Acho que seria bem interessante. Aí, sim, veríamos um desfile de várias culturas dialogando entre si, um aprendizado em que até as crianças sairiam ganhando.

(“Peraí, o cara diz que não gosta de Carnaval e agora sugere a criação de uma Copa do Mundo de Carnaval?”)

Como sempre, há uma razão por trás de toda boa ideia: como a Copa do Mundo, o Carnaval só aconteceria de quatro em quatro anos.

Trechos do desfile da Gaviões da Fiel

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Quem não se lembra do vídeo de ‘We Are the World’? Quem não se lembra da Cindy Lauper dando chilique ou do Bruce Springsteen fazendo cara de dor de barriga? Pois a canção composta por Michael Jackson e Lionel Ritchie ganhou nova versão, 25 anos depois.

Michael não está mais entre nós e a maioria dos cantores da nova versão nem é tão conhecida do público brasileiro. Mas a canção continua maravilhosa, claro. É difícil comparar artistas, mas é possível ver que os atuais cantam muito bem, etc., mas é uma geração infinitamente menos talentosa que a anterior. De qualquer maneira, a causa do Haiti é tão dramática quanto a da África. Na primeira versão, os 45 artistas do USA for Africa arrecadaram 55 milhões de dólares. Vamos ver o que a nova versão arrecada.

Como curiosidade, aqui vai a lista dos artistas que participaram da sessão de gravação das duas versões.

1985
Vocalistas principais

Kim Carnes
Ray Charles
Bob Dylan
Daryl Hall
James Ingram
Michael Jackson
Al Jarreau
Billy Joel
Cyndi Lauper
Huey Lewis
Kenny Loggins
Willie Nelson
Steve Perry
Lionel Richie
Kenny Rogers
Diana Ross
Paul Simon
Bruce Springsteen
Tina Turner
Dionne Warwick
Stevie Wonder

Vocalistas (refrão)

Dan Aykroyd
Harry Belafonte
Lindsey Buckingham
Kim Carnes
Ray Charles
Bob Dylan
Sheila E.
Bob Geldof
Daryl Hall
James Ingram
Jackie Jackson
LaToya Jackson
Marlon Jackson
Michael Jackson
Randy Jackson
Tito Jackson
Al Jarreau
Waylon Jennings
Billy Joel
Cyndi Lauper
Huey Lewis and the News
Kenny Loggins
Bette Midler
Willie Nelson
John Oates
Jeffrey Osborne
Steve Perry
The Pointer Sisters
Lionel Richie
Smokey Robinson
Kenny Rogers
Diana Ross
Paul Simon
Bruce Springsteen
Tina Turner
Dionne Warwick
Stevie Wonder

2010

Vocalistas principais

Justin Bieber
Nicole Scherzinger
Jennifer Hudson
Jennifer Nettles
Josh Groban
Tony Bennett
Mary J. Blige
Michael Jackson
Janet Jackson
Barbra Streisand
Miley Cyrus
Enrique Iglesias
Jamie Foxx
Wyclef Jean
Adam Levine
Pink
BeBe Winans
Usher
Celine Dion
Fergie
Nick Jonas
Toni Braxton
Mary Mary
Isaac Slade
Lil Wayne
Carlos Santana
Akon
T-Pain
LL Cool J
Will.i.am
Snoop Dogg
Busta Rhymes
Swizz Beatz
Iyaz
Kanye West


Vocalistas (refrão)

Patti Austin
Bizzy Bone
Ethan Bortnick
Jeff Bridges
Zac Brown
Brandy
Kristian Bush
Natalie Cole
Harry Connick Jr.
Kid Cudi
Faith Evans
Melanie Fiona
Sean Garrett
Tyrese Gibson
Anthony Hamilton
Keri Hilson
Julianne Hough
India.Arie
Randy Jackson
Taj Jackson
Taryll Jackson
TJ Jackson
Jordin Sparks
Al Jardine
Jimmy Jean-Louis
Joe Jonas
Kevin Jonas
Gladys Knight
Benji Madden
Joel Madden
Katharine McPhee
Jason Mraz
Hayden Panettiere
Alex Williams
Mýa
Orianthi
A. R. Rahman
Raphael Saadiq
Trey Songz
Musiq Soulchild
Robin Thicke
Rob Thomas
Vince Vaughn
Ann Wilson
Brian Wilson
Nancy Wilson

2010


1985

Fonte: wikipedia

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12.fevereiro.2010 19:51:11

Samba, suor e carnaval

Camila Silva Vai Vai
Camila Silva, rainha da bateria da Vai Vai. No caso dela, seria mais aproriado dizer ‘Vem Vem’

Foto de Felipe Rau/AE

Todo ano, quando chega perto do carnaval, me preparo para escrever uma coluna sobre o assunto. Acho carnaval uma das coisas mais chatas do mundo, mas, após tantos anos falando mal, aprendi que essa é uma guerra mais ou menos como as guerras americanas no Oriente Médio: não importa o que se faça, será impossível vencê-la.

Há outra razão que me faz abandonar as críticas: já usei todos os argumentos possíveis e imagináveis contra o carnaval e não tenho mais nada a acrescentar. Já falei mal das letras dos sambas-enredo (até hoje não entendo por que todas têm que falar sobre orixás e forças da natureza); já enchi o saco dos carnavalescos que insistem em dar nomes sérios para os quesitos de julgamento das escolas (‘nota 10 em Evolução’, ah, tenha dó); já critiquei até os velhinhos de terno no final do desfile, que eu acho deprimente (sei que a velha guarda representa a tradição da escola, blá, blá, blá, mas após tantos anos de dedicação, os coitados ganham como prêmio… desfilar de terno e gravata com uma temperatura de 40 graus).

Para que ninguém diga que Felipe Machado ‘bom sujeito não é’, confesso que ouvi um samba outro dia e não achei tão mal. Era do Paulinho da Viola. Engraçado, não tinha nada a ver com carnaval ou com o som que rola nessas rodinhas formadas por caras cheios de dentes vestindo ternos caramelo.

A letra era meio ingênua, mas com uma certa malícia poética, bonita (por favor não confunda com letras de duplo sentido de grupos como, sei lá, É o Tchan). O instrumental, ao contrário daquele paticumbum acelerado das escolas de samba, era sofisticado e cheio de harmonias complexas e interessantes. A voz do Paulinho da Viola também tem uma tranquilidade de porto seguro, um tom que foge do desespero dos puxadores de carnaval, que parece que têm que correr na avenida para tirar o pai da forca. Enfim, achei legal.

Um amigo carioca diz que não gosto de carnaval porque nunca saí num bloco como o Suvaco do Cristo (o nome não podia ser mais nojento), que reúne uma galera ‘irada’, como dizem por lá. Verdade, nunca saí. Mas já sei que não vou gostar porque não me agrada a ideia de andar pelo Rio de Janeiro em meio a um monte de gente suada, com os dedinhos para cima e cantando marchinhas que já eram bobas na época da minha bisavó.

Mas, como já disse, não vou mais criticar o carnaval. Se você gosta, vá em frente. Cante. Dance. Deixe vir à tona o espírito do grande primata que existe dentro de você. O Brasil ama o carnaval, não importa o que eu diga. E como estou de boa vontade, prometo pelo menos ouvir um disco do Paulinho da Viola nos próximos dias. Já é uma evolução nota 10, não?

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A Fita Branca

A primeira vez que vi um filme de Michael Haneke foi em 1999, dois anos depois do lançamento de ‘Violência Gratuita’. Li uma boa crítica a respeito do filme que me deixou bastante curioso, e em uma visita à locadora vi o DVD do filme à venda em uma promoção. Como o preço era quase o mesmo da locação, comprei o DVD e cheguei em casa ansioso para ver se o filme era mesmo tudo aquilo.

Não é um filme fácil, muito pelo contrário. É um filme violento, agressivo, que choca quem não está preparado. Pelo jeito, eu não estava: quando o filme acabou, fiquei tão revoltado que voltei à locadora e exigi que o atendente o trocasse por outro. Ele concordou. Ainda tive que desembolsar um dinheiro extra para voltar para casa com a edição especial de ‘Scarface’. Eu nunca mais queria ver Michael Haneke de novo.

No dia seguinte, comecei a pensar no filme. Até que era interessante, uma abordagem bastante inovadora e complexa da violência. Os personagens não tinham muita emoção, eram muito cerebrais. Era um filme muito inteligente, não sei como não vi isso assim que o filme acabou. Passei o dia pensando no filme, nos diálogos perturbadores e verdadeiros, no pequeno detalhe de uma situação em que os protagonistas ‘voltam’ a cena apertando uma tecla do controle remoto… Quando saí do trabalho, voltei à locadora e comprei o filme de novo. Agora eu estava preparado para Michael Haneke.

Tudo isso para dizer que ‘A Fita Branca’ (Das Weisse Band), o novo filme dele, estreia amanhã e é um dos filmes mais sensacionais que vi nos últimos anos. É estranho dizer isso numa época em que Avatar-Imax-3D bate todos os recordes de bilheteria, já que o filme de Haneke é uma jóia em preto e branco sobre uma pequena aldeia na Alemanha pré-nazismo.

Mas é exatamente isso que faz do filme essa preciosidade. Ele é filmado com uma perfeição digna do grande mestre que Haneke é. Seu preto e branco tem nuances de azul e sépia que transformam o filme em algo único, extremamente belo. O que é um contraste em relação à história, bastante cruel.

O filme traz uma série de situações de crueldade que podem ou não terem sido cometidas por um grupo de crianças. Como todos os filmes de Haneke, os personagens são contidos, sofrem em silêncio ou são vítimas de atrocidades sobre as quais não querem (nem conseguem) reagir. É um reflexo da geração que levaria ao mundo o projeto de poder de um monstro como Hitler, mas nem por isso o filme é antinazista. Ele é mais como um documento de que a violência pode nascer em qualquer lugar, dentro de qualquer ser humano, não importa se a felicidade está presa ao presente apenas por um fio de vento gelado.

Digo que o filme não é antinazista, mas reforço a tese de que ele é totalmente anti-autoritário, o que obviamente não é a mesma coisa. Ele poderia ter sido feito em outro país e outra época, mas não teria a mesma força. Sabemos que Haneke é austríaco, sabemos que o nazismo nasceu na época do filme. E isso é um cenário subentendido extremamente poderoso, porque provoca uma tensão ainda maior que aquela a que estamos acostumados quando vemos um filme de Haneke. E esse é seu melhor filme: não foi à toa que venceu a Palma de Ouro em Cannes e caminha para levar fácil, fácil, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Assisti ‘A Fita Branca’ no festival de cinema de Nova York, quando tive a oportunidade de conhecer Michael Haneke. Ele respondeu a algumas perguntas no evento, com uma serenidade tão tranqüila que é difícil imaginar que aquele homem alto, magro, de aparência tão comum seria capaz de criar análises tão profundas do comportamento do ser humano. Stanley Kubrick, meu maior ídolo, já dizia que o ser humano é mau e que sua essência é destrutiva. Haneke parece confirmar a tese, independente de ideologias e dogmas patrióticos. Como tenho feito com todos os filmes de Haneke, também pretendo comprar o DVD assim que chegar às lojas. E não tenho a menor intenção de trocá-lo, nunca, por nenhum outro. Eu nunca estive tão preparado para guardar mais um Haneke na minha prateleira.

Filmografia de Michael Haneke

A Fita Branca (2009)
Violência Gratuita (versão americana, 2007)
Cachê (2005)
Tempos de Lobo (2003)
A Professora de Piano (2001)
Código Desconhecido (2000)
Violência Gratuita (1997)

FM - Michael Haneke

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Peter Gabriel
Peter Gabriel: Artista de vanguarda desde os tempos do Genesis

Sei que ‘lindo’ é um adjetivo meio, digamos, sensível demais para descrever um disco, mas vamos lá: ‘Scratch my Back’, de Peter Gabriel é um disco… lindo.

O projeto é interessante, e o próprio cantor detalha no encarte: “Escrever canções foi o que me atraiu para o mundo da música. O processo de criar uma boa canção me parecia excitante e mágico. Há muito tempo que eu quero gravar algumas das minhas canções favoritas de outros compositores, focando mais no meu lado intérprete do que no lado compositor”, diz Peter.

“No entanto, ao contrário de gravar um disco de covers, achei que seria mais interessante criar um novo tipo de projeto em que os artistas comunicassem entre si, trocando canções. Eu gravaria a canção de um artista, ela gravaria uma minha. Foi aí que nasceu o nome do projeto.”

(‘Scratch my Back’, nome do disco, é uma expressão popular em inglês que significa ‘você coça minhas costas, eu coço as suas.’)

Como Peter mesmo explicou, é um disco com canções de outros artistas. Mas seria injusto com ele e com o produtor, Bob Ezrin, chamar o projeto de um disco de covers. Em primeiro lugar, é bem difícil reconhecer as canções porque elas estão totalmente diferentes do original – e isso é o grande trunfo do disco.

O repertório é o seguinte:

‘Heroes’ (David Bowie)
‘The Boy in the Bubble’ (Paul Simon)
‘Mirrorball’ (Elbow)
‘Flume’ (Bon Iver)
‘Listening Wind’ (Talking Heads)
‘The Power of the Heart’ (Lou Reed)
‘My Body is a Cage’ (Arcade Fire)
‘The Book of Love’ (The Magnetic Fields)
‘I Think it’s Going to Rain Today’ (Randy Newman)
‘Après Moi’ (Regina Spektor)
‘Philadelphia’ (Neil Young)
‘Street Spirit – Fade Out’ (Radiohead)

Não pense também que Peter cria versões baseadas em seu estilo de pop-adulto, como na maioria de seus discos pós-Genesis. As versões foram orquestradas com arranjos excelentes (Bob Ezrin é um conceituado produtor de música clássica, além de ter trabalhado com roqueiros como Gene Simmons, do Kiss, e David Gilmour, do Pink Floyd) e de muito bom gosto, o que deu origem a um disco original e cheio de climas.

Enfim, um disco… lindo.

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Steve Harris
Na última vez que esteve em São Paulo, Steve Harris, baixista do Iron Maiden, montou um time para jogar bola. Joguei contra ele, e posso dizer que o cara é o mestre do Rock & Roll F.C. Steve está agachado, com faixa na cabeça; eu sou o segundo, em pé, da dir. para a esq.

Passei o último fim de semana enfurnado em estádios de futebol. No sábado, vi o show do Metallica no Morumbi; no domingo, vi o show do Corinthians contra o Palmeiras no Pacaembu. Foi cansativo? Foi. Mas me diverti muito. E foi bastante interessante descobrir que há mais semelhanças entre roqueiros e torcedores do que imagina a nossa vã filosofia.

Para começar, são todos fanáticos, apaixonados. E levam suas paixões a sério, como religiões em que o palco e o campo são os altares.

Fazia um bom tempo que eu não ia a jogos no estádio, e confesso que tinha até esquecido alguns rituais. Na hora do gol que deu a vitória ao Corinthians, um cara ao meu lado, um desconhecido suado e sem camisa… me abraçou. Em circunstâncias normais de temperatura e pressão, eu teria empurrado o mano arquibancada abaixo dizendo que aquilo era coisa de boiola. Mas o mais inacreditável é que eu correspondi ao abraço, o que significa que eu devia estar tomado, sei lá, por algum espírito alvinegro. O cara me abraçou como irmão, e acho que naquele momento éramos mesmo irmãos, unidos por um laço familiar artificial e sensacional chamado Corinthians.

Não vi nenhum roqueiro se abraçando no show do Metallica, mas a catarse (adoro essa palavra) provocada pelo som foi semelhante à da vitória: mãos para o alto e gritos de guerra disfarçados de letras de músicas. Corintianos e ‘metálicos’ idolatram seus deuses, não importa se estão tocando guitarra ou correndo atrás de uma bola.

As músicas da torcida não têm a força das canções do Metallica, mas são bem mais divertidas. Minha favorita é: Aqui tem um bando de louco /Louco por ti Corinthians /Aqueles que acham que é pouco /Eu vivo por ti Corinthians /Eu canto até ficar rouco /Eu canto para te empurrar / Vamo, vamo, meu Timão /Não para de lutar.

Na minha opinião, a letra é um primor digno do Nobel de Literatura (preste atenção à ‘liberdade criativa’ na utilização da palavra vamo). Agora sério: há uma submissão ao amor linda, pura. Talvez eu estivesse meio sentimentalóide no dia do jogo, mas fiquei com vontade de chorar ao ver aquele povo todo cantando ‘Eu vivo por ti, Corinthians’. Como explicar essa paixão? Como explicar a obsessão por algo tão abstrato, o distintivo de um time?

A paixão, aliás, é outro ponto de união entre torcidas e roqueiros. São impressionantes as tatuagens que alguns torcedores/fãs radicais têm de seus símbolos adorados, muitos deles cobrindo boa parte dos seus corpos. Dizem que futebol e rock & roll são só formas que inventamos para sublimar os problemas do dia a dia. Pode ser. Mas que são experiências maravilhosas, ah, isso são.

FM Arquibancada
Aqui tem um louco por ti, Corinthians

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James Hetfield

James Hetfield 2

James Hetfield 3

Fotos: Fernando Favoretto

Metallica, último capítulo:

No último domingo, antes do show, James Hetfield pilotou um Porsche 911 GT 3 Cup no autódromo de Interlagos. Como ‘professor’, ele teve Max Wilson, piloto consultor do Porsche GT3 Cup Challenge Brasil.

Também me pediram para publicar foto de algum pôster que decorava o camarim do Metallica em 1993; segue o cartaz que ficava na frente da sala onde funcionava o bar. Abs, F.

Segundo a assessoria, Hetfield definiu o Porsche como ‘great!’. Mas pelo jeito, Hetfield é meio braço: enquanto pilotava, ele chegou a rodar na Curva do Lago. No box, Max ensinou o cantor a fazer a manobra do ‘punta-tacco’ (acelerar com o calcanhar e ao mesmo tempo frear com a ponta do pé), bastante usada pelos pilotos de competição. ‘Muito bom! Agora eu sei o segredo!’, disse Hetfield.

Foi a segunda vez que uma banda de rock dirigiu nesse esquema. Em 2009, foi a vez do Iron Maiden pilotar Porsches em Interlagos – incluindo o vocalista-piloto-de-avião Bruce Dickinson.

OBS. Um amigo me pediu para publicar um dos pôsteres que peguei do camarim do Metallica em 1993. Aqui vai: era a sala onde funcionava o bar. Whiplash!

Metallica Booze

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02.fevereiro.2010 14:58:10

A loucura nossa de cada dia

Aqueronte - capa

Se há uma máquina que me impressiona pela complexidade, é o cérebro. Sou fascinado pelo seu funcionamento, pelas ligações nervosas de sua massa cinzenta (como diria Hercule Poirot), pelas incríveis cenas que a memória nos permite reviver quantas vezes desejamos.

Para interessados no assunto, no entanto, tão fascinantes quanto as maravilhas do cérebro são suas deficiências. Por que temos manias? Por que desenvolvemos síndromes de nomes esquisitos? Por que somos obcecados por determinados assuntos? Não estou falando apenas de problemas psiquiátricos, mas de coisas do dia-a-dia… por que não aceitamos a rejeição amorosa? Por que cada um de nós reage de maneira tão única diante de episódios semelhantes, que afetam todos os seres humanos? Por que sofremos por amor?

(Aliás, a forma como o amor atua sobre o cérebro deve ser uma das questões mais interessantes e inexplicáveis da história)

Não sei nenhuma dessas respostas, mas tenho uma amiga que pode apontar caminhos muito interessantes. Cláudia Belfort, editora-chefe do Jornal da Tarde, lança hoje, na Livraria Cultura do shopping Bourbon Pompéia, a partir das 19h30, ‘Aqueronte, O Rio dos Infortúnios’.

‘Aqueronte’ é o rio dos infortúnios na mitologia grega. Era por ele que o barqueiro Caronte levava as almas até a margem onde estava o porto de Hades, o submundo dos mortos, o inferno guardado por Cérbero, o cão de três cabeças. Na ‘Divina Comédia’ de Dante Alighieri, Aqueronte, é o anteinferno, que faz fronteira com o inferno.

O livro de Cláudia reúne treze contos sobre pessoas loucas, excêntricas ou geniais, dependendo de quem as observa e as classifica. As histórias são fictícias, mas obtidas da experiência da autora com fatos reais. Clique aqui para conhecer o blog de Cláudia, ‘Sinapses – A Mente Também Adoece’.

Mais informações sobre o livro, consulte o site da Editora Letras do Brasil.

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James Hetfield
James Hetfield é um dos grandes ‘riff makers’ da história do rock. Por essas e outras, eu queria ser esse cara

Foto: Leonardo Soares/AE

(A primeira parte do texto é sobre curiosidades e casos sobre o Metallica. Se quiser ler a crítica do show, desça até a segunda parte. Valeu, F.)

Primeira parte

A primeira vez que vi o Metallica ao vivo foi em 1989, quando a banda veio ao Brasil para divulgar o álbum ‘… And Justice for All’ com um show no Ginásio do Ibirapuera. Na época, o Metallica ainda não era conhecido do grande público, mas já era motivo de fanatismo entre os headbangers.

É por isso que uma das lembranças que mais me remetem a essa época é a do meu amigo Edgard Prado levando o guitarrista James Hetfield em seu Uno para visitar a Woodstock Discos num sábado à tarde. O local, o maior reduto dos fãs de heavy metal em São Paulo, ficava lotado de gente trocando discos, vendendo revistas importadas, ‘fazendo rolo’ com broches e pins das suas bandas favoritas. Ao saber que James estava no carro, a multidão ficou alucinada e a solução foi voltar para o hotel. Sem conhecer a Woodstock, claro.

Em 1993, a situação era bem diferente. O VIPER era uma banda de sucesso, tínhamos acabado de lançar o disco ‘Evolution’ e nossas músicas tocavam nas rádios de rock e na MTV. Daí veio o convite para abrir os dois shows do Metallica no Parque Antártica. Foram os dois melhores dias da minha vida até então: o público não vaiou (até gostou, incrível!), gravamos um clipe e até conhecemos os caras.

‘Evolution’, gravado na abertura do show do Metallica (1993)

Os caras do Metallica foram muito simpáticos: nos convidaram para ir até o camarim e nos deram camisetas da turnê, bonés, ofereceram até umas cervejas (na época eles ainda bebiam, e muito). Fiquei impressionado com a estrutura do backstage, na época eu achava que camarim com espelho no banheiro era a coisa mais luxuosa do mundo. O camarim deles tinha sofás e aparelhos de TV dentro de cases, e aí entendi que eles viajavam com os móveis e toda a estrutura, justamente para montar exatamente o mesmo camarim não importava se eles estavam em São Paulo ou Timbuktu. Também me chamou a atenção o serviço de catering (alimentação) da banda: tudo do McDonald’s. Eles alegaram que era a única maneira de saber exatamente o que se estava comendo, não importava se eles estavam em São Paulo ou… sei lá, Timbuktu.

Aconteceu um episódio tão inusitado que sou obrigado que contar aqui, perdoe minha indiscrição. Quando nos encontramos com o Metallica, dei de presente ao Jason Newsted, então baixista da banda, uma camisa do VIPER pintada à mão, toda bonitona e exclusiva. Tinha esperança de que ele a usasse no show, já que Jason tinha fama de ajudar bandas novas. Ele não usou, enfim. E eu esqueci o assunto.

Uma semana depois, o VIPER foi fazer um show em Buenos Aires, na Argentina. O Metallica tinha tocado lá depois do show de São Paulo, então durante a tarde de autógrafos que fizemos muitos argentinos vieram nos falar sobre o show deles, etc. Na fila para os autógrafos, estava uma garota. Muito bonita, por sinal. E ela vestia exatamente a mesma camiseta que eu havia dado para o Jason Newsted.

Olhei para ela e achei muito esquisito, afinal, não era uma camiseta normal, que ela poderia ter comprado em qualquer loja de rock. Era exclusiva, pintada a mão, etc. Perguntei onde ela tinha comprado a camiseta; ela deu uma risadinha e mudou de assunto. Mas a garota era muito bonita, papo vai, papo vem, acabamos trocando telefones e saímos depois do show do VIPER. Resumindo a história, ela me contou que um roadie do Metallica havia dado de presente. Ou seja, olha só o caminho que a camiseta fez: Do artista que a pintou a mão para mim; de mim para o baixista do Metallica; do baixista do Metallica para um roadie qualquer; do roadie para a garota de Buenos Aires. Fiquei tentado a roubar de volta a camiseta, mas desisti. A argentina com certeza mereceu ficar com ela.

Segunda parte

Onze anos depois de tocar em São Paulo, o Metallica estava de volta. Não me lembro bem do show de 1999, acho que nem fui – embora tenha um amigo que garanta que fui com ele (tem certeza, Rodrigão?). De qualquer maneira, era a fase dos discos ‘Load’/ ‘Reload’, os piores da carreira da banda. Havia uma certa ‘bad vibe’ ao redor do Metallica, algo que depois ficaria mais claro quando saiu o documentário ‘Some Kind of Monster’. No filme, a banda contrata um psicólogo para lavar a roupa suja de drogas, álcool e a saída do Jason Newsted (olha ele aí de novo) da banda. A parte legal do documentário é a escolha do novo baixista, Robert Trujillo. Em um dos melhores momentos, eles chegam para o cara e dizem. “Olha só, a gente gostou do seu teste e quer que você entre na banda. E para mostrar que confiamos em você, aqui está um cheque de 1 milhão de dólares.” Uau.

A expectativa para os shows da nova turnê, no entanto, não tinha nada a ver com esta fase. A banda voltou a lançar um disco muito bom, ‘Death Magnetic’, e parou com as drogas e a bebedeira. O vocalista/guitarrista James Hetfield, o guitarrista Kirk Hammett e o baterista Lars Ulrich (além do baixista Robert Trujillo) estão numa boa, mais amigos, mais focados no som do Metallica. E aí o show sempre rola melhor.

No sábado, às 18h, entrei no Salão Nobre do São Paulo (argh!) para a coletiva da banda. Chegam os quatro seríssimos, todos de óculos escuros, caras de mau e atitude de rockstar profissional. James é um troglodita, alto, fortão, inteiro tatuado. Kirk é um cara, digamos, ‘mais sensível’: faz ioga, estava de chinelo… deve ser vegetariano. Trujillo deve estar realizando o sonho da vida dele, então pra ele deve estar tudo ótimo. E Lars é o chatinho da banda, arrogante, irônico, mas bastante inteligente. Ele fundou o Metallica ao lado de James, então ‘se acha’ compulsivamente.

Veja matéria sobre a coletiva do Metallica na TV Estadão:

As perguntas dos jornalistas brasileiros não ajudaram muito, ficaram mais na ‘expectativa para o show’, etc. Tentei uma pergunta diferente: como eles conseguem mudar tanto de repertório de um show para o outro? Quantas músicas eles têm na manga? E como escolhem se uma vai entrar e a outra vai sair, baseado em quê?

Lars respondeu, com aquele jeitinho de quem se acha: “Temos de 60 a 70 músicas ensaiadas e as escolhemos baseadas na quantidade de shows na mesma cidade, no repertório que estamos a fim de tocar, até na direção do vento.” Peraí. Na direção do vento, Lars? Então tá então.

Fim da coletiva, eles ganham discos de ouro (por ‘Death Magnetic’) e dupla-platina (pelo DVD ‘Orgulho, Paixão e Glória’, ao vivo no México, sensacional). E ganham camisas do São Paulo com os nomes bordados nas costas. Ainda bem que não usaram no show. Se pelo menos fosse do Corinthians…

O Sepultura entra para a abertura do show e toca um repertório até longo, cerca de uma hora. As músicas mais antigas são legais, como ‘Dead Embrionic Cells’ e ‘Refuse/Resist’, mas confesso que o novo repertório não me agrada muito, acho as músicas muito parecidas. Falta um pouco de comunicação entre o vocalista Derrick Green e o público, não sei se o fato de ele ser americano e ainda não dominar o português ainda pesa. Falar ‘Sepultura do Brasil’ com sotaque gringo não convence.

Hora do Metallica: as luzes se apagam e ‘Heavy Metal Thunder’, do Saxon, explode nos alto-falantes. O Saxon era uma bandinha meia boca dos anos 80, mas eles fizeram parte da New Wave of British Heavy Metal, escola de bandas inglesas (Iron Maiden, Samsom, Def Leppard, etc) onde o Metallica bebeu grande parte da sua influência.

No telão, cena de ‘Três Homens em Conflito’ (The Good, The Bad and The Ugly, com Clint Eastwood) ao som do maravilhoso épico ‘Ecstasy of Gold’, de Enio Morriccone. É agora.

Metallica! Metallica! Metallica!

A primeira é ‘Creeping Death’, do disco ‘Ride the Lightning’. Sensacional. O poder que o heavy metal tem de transformar em uníssono 68 mil vozes é impressionante. Se não estivesse em um show, daria medo ouvir tanta gente gritando ‘Die! Die! Die!’ (Morra!). Tem um componente do metal que é muito libertador, catártico, alucinante. Tem outro que é meio assustador, meio fascista até. As mãos para o alto obedecendo cegamente a quem está no palco, as palavras de ordem, o delírio. Ainda bem que as bandas de heavy metal geralmente têm boas intenções, ao contrário do que as pessoas ‘de fora’ pensam. É muito mais fácil você encontrar confusão em uma festa de rodeio do que em um show de heavy metal, apesar do arquétipo roqueiro ser muito mais, digamos, assustador.

(Para ler o relato de um fanático pelo Metallica, clique aqui e leia o blog do Anderson Bellini.)

James Hetfield cumpre bem esse papel de ‘roqueiro do mal’, já que tem os braços inteiros tatuados e passa o show inteiro fazendo caretas e cuspindo. Mas isso não é o mais importante nele. Além de ser fundador e compositor principal da banda, é incrível vê-lo tocando e cantando, porque os riffs de guitarra não tem nada a ver com a melodia da voz. Deixa ver se expliquei bem: é bem provável que James seja o cara mais coordenado do mundo. Se você não acredita em mim, tente aprender um riff do Metallica na guitarra (já é bastante complicado). E aí, cante em cima uma melodia totalmente diferente do riff. Se você considera assobiar e chupar cana ao mesmo tempo difícil, tente isso.

Outra coisa impressionante no Metallica é que o show deles é extremamente simples e focado na música. Há um telão gigante, sim, e uma plataforma para James Hetfield passear, bem em cima da bateria. Mas fora isso e os fogos de artifício, não há nada especial. É tudo muito básico, a banda inteira de preto, sem muitas luzes coloridas. A música é 100% do show.

Talvez seja por isso que o repertório é tão inacreditável. Para facilitar, vou fazer como os comentaristas esportivos (afinal o show foi no Morumbi, :-)

‘Creeping Death’
Abertura delirante. Impossível ficar parado. 9

‘For Whom the Bell Tolls’
Sombria e perfeita: 8

‘The Four Horsemen’
Um dos melhores riffs de guitarra da história do rock: 9

‘Harvester of Sorrow’
Meio arrastada, a única que poderia ficar de fora: 6

‘Fade to Black’
Linda, maravilhosa. Quando quase 70 mil pessoas cantam a melodia de um solo de guitarra, pode ter certeza de que esse solo é incrível. 10

‘This was Just your Life’
É a minha favorita do disco ‘Death Magnetic’. Pesada, épica, vocal meio punk. 8

‘The End of the Line’
Boa música do disco novo, mas nada de tão sensacional. Preferia que eles tivessem tocado ‘Cyanide’. 7

‘The Day That Never Comes’
Outra boa do disco novo. Boa música, suingada e pesada. 8

‘Sad but True’
Uma das minhas favoritas do disco preto. James dedicou essa música ao Sepultura, dizendo que o Brasil ‘gosta de heavy’. Essa deve ser uma das músicas mais pesadas do mundo: pesada e com uma letra muito boa. 10

‘Broken Beat Scarred’
A última do disco novo, já está bom. Legalzinha. Se fosse de qualquer outra banda de metal, ganharia nota 10. Como é do Metallica, ganha só 7

‘One’
Sem palavras. Em vez de ser no final, os fogos de artifício foram no meio do show (como é que ninguém pensou nisso antes?). Linda, outro solo maravilhoso. A parte do meio é de arrepiar. Uma das melhores do show. 10

‘Master of Puppets’
Quem acha que é fácil tocar heavy metal deve tentar tirar as guitarras dessa música. Não é a mais complicada do Metallica (há algumas realmente complexas), mas tem várias partes, mudanças de ritmo. Fora isso, é a música que batiza o melhor disco do Metallica. Pena que não tocaram ‘Battery’. 10

‘Blackened’
Adoro essa música. É a música perfeita para abrir um show, um disco… na verdade, para abrir qualquer coisa: é só pôr essa música no volume 10 que até as portas do inferno se abrem. 9

‘Nothing Else Matters’
A balada mais importante do Metallica. Não apenas porque ela é do disco preto e fez muito sucesso, mas porque ela explica didaticamente para os fãs que o Metallica faz o que quer, quando quer e a hora que quer. Eles são verdadeiros, honestos. E nada mais importa. Meu amigo Marco Bezzi vai ficar bravo (ele odeia a música), mas aqui vai a nota: 10

‘Enter Sandman’
Até quem não gosta de heavy metal conhece essa música, ela tocou muito no início dos anos 90. Não tem o que dizer, é uma das melhores músicas da história do rock e a última do show (antes do bis). Estou ouvindo o refrão até agora, cantado pelo estádio inteiro “Exit, Light…”. 10

(Bis)

‘Stone Cold Crazy’
O Metallica sempre volta para o bis com um cover. Dessa vez foi a música do Queen, outra banda que eu amo. A versão original já é super pesada, mas com o Metallica ficou um negócio de outro mundo. No domingo, eles tocaram ‘Helpless’, do Diamond Head. Em Porto Alegre, tinham tocado ‘Die, My Darling’, do Misfits. As três são legais, mas acho que dei sorte. A do Queen é a melhor delas. 9

‘Motorbreath’
Em 1985, quando o VIPER começou, Motorbreath fazia parte do nosso repertório. É uma música tão rápida que tínhamos dificuldade em tocá-la na mesma velocidade do Metallica. Me levou de volta à adolescência, como grande parte do show, aliás. Ver um show do Metallica custou R$ 500 (pista VIP), R$ 250 (pista) e R$ 150 (arquibancada). Voltar à adolescência e gritar como um desesperado: não tem preço. 10

‘Seek & Destroy’
Não tinha como acabar com outra, essa é a música mais clássica do Metallica. E é do primeiro disco, o fenomenal ‘Kill’em All’, de 1983. Já faz quase trinta anos, e a música é incrivelmente atual. Antes de começar, James até tirou um barato dos fãs:

“Vocês gostam dessa música?”
“Sim!!!”
“E por quê?”
(Público confuso)
“Eu sei porquê. Porque a letra é fácil!”

(Pô, James, não precisa humilhar, né?)

Bom, não sei se é só por isso, mas eu gosto, sim, dessa música. Muito: 10

O show acabou e muitos amigos meus decidiram voltar no dia seguinte. Eu acabei optando por outro show, Corinthians 1 X 0 Palmeiras, no Pacaembu. Mas passei o domingo lembrando do show do Metallica, de cada solo de guitarra, de cada virada de bateria do Lars. E não apenas porque meu ouvido continuava zumbindo: acho que é possível dividir a vida de todo mundo em fases musicais. Desde a minha adolesência, o Metallica está sempre presente. Cada fase é de um jeito, claro, mas acho legal constatar que mesmo megabandas de rock como o Metallica também têm suas fases. Suas vitórias, suas derrotas; suas ‘bad vibes’, suas ‘good vibes’. No fundo, apesar da fama e do dinheiro, as pessoas são muito parecidas. E o Metallica é uma banda que dá orgulho de ser fã, porque eles são sempre verdadeiros, sempre honestos. E nada mais importa.

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