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Felipe Machado

Céu

Com seu jeitinho criativo e contemporâneo, a cantora Céu é a cara de São Paulo. Com uma diferença: Céu é muito mais bonita

Hoje é aniversário de São Paulo, mas muita gente acha que a cidade não merece festa. Motivos para os críticos não faltam: enchentes, trânsito e violência são as primeiras das várias razões que me vêm à cabeça. Mas permita-me discordar um pouco desse pessimismo e dizer com todas as letras: apesar dos problemas, eu amo São Paulo.

Claro que tudo isso me incomoda. Mas é justo criticar a cidade? Não seria mais honesto admitir que ela é o reflexo do que fazemos dela? Por mais que São Paulo esteja linda como ‘personagem’ da novela das sete, é bom lembrar que suas ruas são apenas o palco onde nós, cidadãos, encenamos nossos próprios dramas, alegrias, fracassos, sucessos.

Não, não esqueci dos nossos políticos ridículos e incompetentes, responsáveis por muitos desses problemas. Mas até nesse caso a culpa também é nossa: eles não chegaram lá por acaso; foram eleitos. Se as eleições fossem em janeiro em vez de outubro, os candidatos pensariam duas vezes antes de dizer tanta besteira.

Dito isso, peço que você guarde a raiva na gaveta por um momento e reflita. Você não acha que a culpa pelas enchentes também é do cara que joga lixo no bueiro ou das empresas que poluem o Tietê? E o trânsito, não fica pior graças ao preguiçoso que tira o carro da garagem até para ir à esquina ou dos ricos que compram outro carro para fugir do rodízio? E o que você acha da garotada (de todas as classes sociais) que usa drogas na balada e daí é assaltada e reclama da violência do tráfico?

São Paulo não tem culpa. Voltando à metáfora do início do texto: a culpa nunca é do palco, mas dos atores. E os atores somos nós.

Vi uma pesquisa que diz que 57% dos entrevistados deixariam São Paulo se pudessem. Não entendi a expressão ‘se pudessem’. Quer dizer que são todos prisioneiros acorrentados aos pés de suas camas?

Quem quer ir embora de São Paulo, deve ir. Se eu quisesse uma vida mais fácil, com certeza me mudaria para o interior ou para a praia, sem problema nenhum. A verdade é que São Paulo não precisa de gente que odeia a cidade. São Paulo precisa de gente que quer fazer daqui o melhor lugar do mundo. Não só para nós, mas para nossos filhos. E se esses 57% de entrevistados deixassem mesmo a cidade, São Paulo ficaria como nas férias: mais vazia. E muito mais gostosa.

A minha São Paulo é maior do que os problemas que a afligem: é a cidade onde nasci, onde cresci, onde estão meus amigos e minha família. É por isso que eu te amo, São Paulo. Parabéns para nós, por termos você como palco das nossas vidas.

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AFP Photo/Mauricio Lima

Alessandra Ambrósio, Alessandra Ambrósio, Alesssandra Ambrósio: Escrevi o nome dela várias vezes porque assim meu texto aparece quando ela digitar o próprio nome no Google. Costumo publicar pelo menos uma foto da Alessandra Ambrósio toda vez que ela vem ao Brasil. E não só porque ela é linda: tenho a esperança de que a Alessandra leia meus textos e me mande um e-mail dizendo o quanto este blog é bom. Não sei por que, mas isso ainda não aconteceu

Todo ano, entre o réveillon e o carnaval, acontece o segundo evento que eu mais gosto do ano: a São Paulo Fashion Week / Inverno (o primeiro é a São Paulo Fashion Week / Verão, por razões óbvias – é a temporada em que ocorrem os desfiles de biquíni).

Sabe por que eu gosto tanto da Fashion Week, mesmo sem entender nada de moda? Porque a Bienal atinge altos índices de MBDM², o tradicional indicador que mede a quantidade de Mulheres-Bonitas-e-Descoladas-por-metro-quadrado.

A Fashion Week número 28, que começou ontem, tem como tema ‘Linguagens’. Adoro quando escolhem palavras aleatórias e totalmente subjetivas que podem significar basicamente qualquer coisa. Moda pode ser considerada uma forma de linguagem? Tenho certeza de que pode, sim. Pena que, para mim, é como se fosse russo. E com sotaque em aramaico.

Se eu pudesse escolher uma linguagem para a moda, eu escolheria o braile, aquela leitura feita com as pontas dos dedos. Será que com o tato eu descobriria o que as modelos estão querendo dizer? Tentarei descobrir, mas não sei se os seguranças vão me deixar chegar tão perto. Eu não deixaria.

O primeiro desfile da temporada foi o da Cavalera. E o local foi perfeito para o estilo rock and roll que sempre esteve presente na marca: Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Para completar o clima roqueiro, a trilha sonora foi feita pelo baterista Iggor Cavalera, ex-Sepultura, que tocou ao vivo versões percussivas-eletrônicas de clássicos como ‘For Whom The Bells Tolls’, do Metallica, e ‘Sweet Child of Mine’, do Guns ‘N’ Roses. Foi divertido ver modelos e gente fashion andando pelos corredores da Galeria, um lugar predominantemente masculino. Nunca vi tanta mulher na Galeria do Rock. Fica aqui a sugestão: as próprias marcas que já têm lojas poderiam fazer desfiles aos sábados para agitar o local. Pena que não chamaram a Raquel Zimmemann. A top brasileira é a mulher perfeita: linda, toca guitarra e gosta de rock and roll.

O ator Cauã Reymond já desfilou para a Colcci, mas acho que o público feminino está mesmo esperando o desfile do Jesus Luz. Posso ser ingênuo, mas não entendo por que tratam o Jesus Luz como se ele fosse, sei lá, Deus. Eu sei, em terra de apagão, quem tem Jesus Luz é rei. Mas aposto que se ele se chamasse Zé do Breu nem a Madonna ia querer papo.

Gisele Bündchen, infelizmente, não vem porque acaba de ter um filho. Mas acho que isso foi uma desculpa: mesmo grávida de nove meses a Gisele tinha menos barriga que eu – não que isso seja um elogio. Aliás, não é.

No lugar de Gisele, vem a ‘anja’ Alessandra Ambrósio. Além de ser ainda mais bonita, eu e a Alê (olha a intimidade) temos algo em comum: já jantamos juntos. Quer dizer, ela mordeu um pedaço de pizza e o deixou na mesa – eu comi o resto. Tecnicamente, isso é ‘jantar juntos’, não? Eu considero que sim. Pelo menos é o que vou contar para os meus netos.

Se em 2009 tivemos a top britânica Agyness Deyn, agora é a vez da holandesa Lara Stone. Não, ela não é parente da Sharon Stone. Mas eu não reclamaria se ela desse uma cruzada de pernas ao estilo ‘Instinto Selvagem’ no meio do desfile. Sonhar pode, né?

E moda é isso mesmo, sonho. Sei que está meio longe, mas sugiro que esse seja o tema da próxima edição da SPFW Verão: ‘sonho’. Se alguém aceitar minha sugestão, exijo direitos autorais. E já tenho até pronto o título da matéria: ‘Sonhos de uma Noite de Verão’. Mas não se preocupe: mesmo que essa noite esteja muito escura, eu prometo não chamar o Jesus Luz.

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Tony Soprano

Tony Soprano (James Gandolfini): A série ‘Família Soprano’ é a mistura perfeita entre ‘Os Simpsons’ e ‘O Poderoso Chefão’

Tenho uma personalidade bastante compulsiva em relação a determinados assuntos. Quando me interesso por algo específico, me dedico ao tema de corpo e alma. Coitados dos amigos, que são obrigados a aguentar meus papos monotemáticos durante um bom tempo.

Não vou listar aqui os assuntos sobre os quais me debrucei nos últimos anos. Só digo que vão do estudo sociobiológico dos grandes primatas à vida do diretor Stanely Kubrick. Ou seja, qualquer coisa.

Minha mais nova obsessão é uma série de TV americana que terminou em 2007: Os Sopranos. Tenho ficado horas em frente à TV e estou até reduzindo o ritmo para não acabar rápido demais: são só seis temporadas, cerca de 80 horas de conteúdo. Muito pouco, infelizmente.

Embora oposta do ponto de vista estilístico, a série é, ao lado de Seinfeld, a melhor coisa que já se fez para a TV. Não é só o texto maravilhoso; o elenco é incrível, a direção é sensacional. Os personagens são inteligentes, os roteiros são bem amarrados. É uma ‘dramédia’, mistura perfeita de drama e comédia. E existe algo mais difícil do que equilibrar esses dois mundos? Eu achava que isso só era possível na vida real.

O criador da série se chama David Chase, e ele garante que se baseou em membros da própria família para criar a série. Chase, no entanto, diz que seus parentes não têm nenhuma ligação com a Máfia. Então tá. Na minha opinião, ele chegou para o presidente da HBO e fez uma proposta que ele não poderia recusar’.

Eu sei, o tema ‘Máfia’ agrada mais aos homens. Mas a série não é sobre violência. É sobre as contradições da vida, as motivações que nos movem e os valores que nos moldam, a complexidade da mente humana e suas consequências no cotidiano.

Os Sopranos são uma família de classe média alta de mafiosos que vive em Nova Jersey. O legal é que os personagens não são apenas os criminosos, mas também suas mulheres, filhos, mães… e eles têm que conviver com os problemas do dia a dia, como funcionários de baixo escalão que têm que ser ‘demitidos’ e coisas assim. Não há o glamour de O Poderoso Chefão (a não ser quando os hilários personagens fazem imitações dos colegas da família Corleone). Os Sopranos estão mais para os confusos criminosos de Os Bons Companheiros do que para os milionários de Coppola.

(Como diria Michael Corleone em ‘O Poderoso Chefão 3′: “Nunca odeie seus inimigos. Isso afeta o seu julgamento”.)

Tony, o líder da família, é um personagem tão rico, tão multifacetado, que fico imaginando realmente se ele não existe. Ele não tem nada de maniqueísta: é violento com os inimigos e carinhoso com a família, como qualquer um de nós poderia ser (se fosse da Máfia). Faz análise para curar suas noites maldormidas – e acaba tendo pesadelos com a analista. É surpreendente constatar que, se estivéssemos em sua situação, provavelmente agiríamos da mesma maneira.

O instinto de sobrevivência a qualquer custo, a felicidade que vem com o sucesso, o amor incondicional pela família… No fundo, somos todos iguais. Alguns mais obcecados do que outros, mas isso já é uma outra história.

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Richard Price/Ralph Gibson
Richard Price: O colega Dennis Lehane acha que ele é o melhor escritor de diálogos dos EUA. Quem sou eu para discutir?

Ao contrário da matemática, a literatura está longe de ser uma ciência exata. É por isso que, para gostar de um livro, pouco nos importa se o autor ganhou o Prêmio Nobel ou se ele foi considerado o melhor escritor do mundo pelo melhor crítico do mundo. O que nos toca, no sentido emocional – e até na influência sobre nossa capacidade de abstração do texto em si – é a linguagem. Gostamos de livros onde há uma identificação entre a narrativa do autor e a nossa forma de pensamento. É uma ligação muito próxima entre os olhos que correm as letras e o cérebro que as escreveu.

Escrever é ritmo, já disse alguém. E ler também, por consequência. Por isso acho tão importante encontrar autores com os quais me identifico, não apenas em termos de temática, mas principalmente em relação ao ritmo da narrativa.

Após esse início de texto chamado no jornalismo de ‘nariz de cera’ (‘enrolação de linguiça’ em português mais claro), pretendo falar sobre um dos livros que acabo de ler no feriado de início de ano: ‘Vida Vadia’, de Richard Price.

O tamanho assustou um pouco, já que é um tijolo de 500 páginas. Mas fiquei empolgado e o encarei porque li que a trama se passava em Manhattan, mais especificamente no Lower East Side, região onde fiquei hospedado recentemente durante minhas férias. O livro se passa numa época um pouco distante, levemente indefinida, provavelmente nos anos 80, quando a região ainda era um pouco detonada e o crime corria solto. Hoje Nova York é tão segura que mesmo nos locais citados no livro é difícil imaginar que havia uma degradação espalhada como uma metástase em um paciente terminal. ‘Vida Vadia’ é uma coleção de personagens ferrados, todos meio sem saída, presos a um dia a dia sem futuro e a um passado que seria melhor esquecer.

Voltando ao início do texto e à importância do ritmo no literatura, confesso que logo de cara achei a narrativa de Richard Price um pouco caricata e sem fluidez para um romance policial. Depois fui perceber que a culpa não era dele, mas minha, por ter lido a edição em português. Nada contra o excelente trabalho feito por Paulo Henriques Britto ou pela edição caprichada da editora Cia. Das Letras. O problema é da língua mesmo. Como traduzir what’s up, brother? sem cair no ridículo ou no, como se diz em português… fake? A expressão em português se tornaria algo como ‘e aí, brother?’ ou ‘como estão as coisas, irmãozinho?’, ou ‘fala, mano?’… Ou seja, tão difícil traduzir ‘Vida Vadia’ para o português como seria traduzir, sei lá, ‘O Invasor’ ou ‘Cidade de Deus’ para o inglês. É possível, mas não é crível, com o perdão da rima.

Apesar desse problema inicial, depois de assimilado o ritmo, o livro engata uma segunda e fica bastante interessante. Violento, sujo, intenso, cortante são alguns dos adjetivos que eu poderia aplicar a ele. Os diálogos são sensacionais, como aponta o também famoso escritor Dennis Lehane na orelha: ‘Richard Price é o maior escritor de diálogos, vivo ou morto, que este país jamais produziu. Maluco, profano, hilário e trágico, às vezes tudo isso numa única frase’.

Meio exagero, mas tudo bem… afinal, quem sou eu para discutir com o autor de ‘Sobre Meninos e Lobos’? O livro de Price, inclusive, também deve ir parar rapidinho nas telas: esse professor de Yale que cresceu no Bronx já escreveu ‘Irmãos de Sangue’, dirigido por Spike Lee em 1995, e séries como ‘The Wire’ (HBO). Antes, em 1986, havia escrito o roteiro de ‘A Cor do Dinheiro’, indicado ao Oscar pelo filme com Paul Newman e Tom Cruise, dirigido por Martin Scorsese.

É bem provável, portanto, que ‘Vida Vadia’ esteja em breve nas telas. A trama é simples, poderia ocupar bem menos papel. Mas Price gosta de passear por Nova York, ir e voltar aos lugares, como fazem os policiais de seus romances (e alguns criminosos também, já que ‘todo criminoso volta ao local do crime’). O livro é baseado na descrição de algumas histórias simultâneas (eu poderia usar a palavra ‘cenas’ com a mesma propriedade), todas decorrentes do assassinato de Ike Marcus. O jovem barman saía de um bar acompanhado por outros dois amigos quando foi morto após reagir a um assalto. Entram em cena a complicada família da vítima, os dois amigos que sobrevivem, dezenas de imigrantes ilegais, donos de bares ‘risca-faca’, bandidos de várias etnias (os adolescentes negros com medalhões no peito são tão reais que você acredita que eles vão brotar das páginas como hologramas para cantar um rap na sua cara), e, claro, os policiais (honestos e desonestos). ‘Vida Vadia’ é um livro sobre uma investigação policial; detalhado, vivo, elétrico, perigoso.

Apesar do livro ser longo, quando as letras The End surgiram ao final confesso que fiquei com aquele gostinho de ‘quero mais’. Se não for transformado logo em filme, vou ter que esperar ansioso pelo próximo livro de Richard Price. Será que vem aí ‘Vida Vadia 2′?

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Marjorie Estiano
Marjorie Estiano: Ela ganha um apelido novo todo réveillon

Mesmo que você não seja o maior fanático por tecnologia do mundo, tenho certeza de que passou 2009 ouvindo falar sobre Twitter, Facebook e outras novidades tecnológicas que adoramos odiar e, para falar a verdade, odiamos adorar.

Acabei me rendendo a praticamente todos eles, pelo menos para testá-los e descobrir quais são legais e quais vão desaparecer antes que você possa dizer algum velho ditado. Tudo depende, afinal, ‘quem iPod, iPod’.

O meu favorito é o Twitter porque permite divulgar mensagens rápidas para um grande número de pessoas. Costumo usar o site para informar fatos jornalísticos com agilidade, mas confesso que, na maioria das vezes, uso mesmo para publicar frases divertidas. Como estamos na primeira coluna de 2010 e bom humor nunca é demais, separei algumas delas para dividir com você nesse início de ano. Vamos lá:

1.O cara é tão moderninho que o mapa astral dele foi feito com um aparelho de GPS.

2. Sabe como chamam o melhor amigo do cara que só bebe Campari? Campadri.

3. Não sei se ela pôs silicone, mas a Via Láctea da Miss Universo é sensacional.

4. Ricos não enchem a cara: fazem degustação.

5. O jogador de basquete chinês Sun Ming, de 2,36 metros, anunciou que vai lançar um livro de alto-ajuda.

6. O cara roncava tanto que os personagens do sonho não conseguiam conversar por causa do barulho.

7. Fernanda Young é do contra. Ela posou para a Playboy porque não quer ser apenas mais um rostinho feio na TV.

8. É correto dizer que todo personal trainer é uma pessoa física? E todo advogado, seria uma pessoa jurídica?

9. O mundo masculino se divide assim: Os homens nascem bebês, tornam-se garotos e, depois, crescem e viram adúlteros.

11. Desde hoje, o novo apelido da cantora Marjorie Estiano é Marjorie 2010.

12. O elevador deu um tranco meio forte e a mulher falou: “se o elevador cair, pelo menos não terei que trabalhar no fim de semana”. Adoro gente positiva.

13. Os generais da ilha do Chipre são patriotas autoritários que passam o dia repetindo: ‘Chipre é uma coisa que põem na sua cabeça’.

14. Meu gorro do Timão traz bordada na parte interna a inscrição ‘Essa é uma touca por ti, Corinthians’.

15. Em Brasília, o último apaga a luz no fim do túnel.

16. A empresa que será criada para explorar o pré-sal vai se chamar Pré-Trobrás.

16. Tenho um amigo que não faz nada, bebe o dia inteiro. Mas ele só toma pinga, vive em lugares péssimos. Ou seja, é um mau-vivant.

17. Conheço um ator que é tão quebrado que o sonho dele em 2010 é interpretar papel-dinheiro.

Feliz 2010!

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