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Felipe Machado

Antes que você me ache maluco, eu digo que sim, eu sei que o Natal foi sexta-feira passada. Mas o que estou pedindo aqui não cabe no saco de nenhum velhinho barbudo. Para falar a verdade, não sou Papai Noel, mas eu é que estou de saco cheio das coisas que acontecem no Brasil.

Não, eu também não tenho a intenção de estragar seu réveillon. Nessa época costumo escrever sobre aquelas resoluções de fim de ano que a gente quase nunca consegue cumprir, como dedicar mais tempo à família ou ter uma vida mais saudável. Hoje, não. Se pudesse pedir um presente de fim de ano, eu queria o Brasil de volta.

Como assim? Alguém roubou o Brasil e ninguém ficou sabendo? Exatamente. 2010 é importante para todos nós, e não estou falando da torcida pela Seleção Brasileira na África. Copa do Mundo é a época em que os brasileiros adoram mostrar seu patriotismo. Estamos errados, veja só. A gente deveria mostrar que ama e se preocupa com o País no dia 3 de outubro.

O ano que começa daqui a alguns dias será marcado pela eleição para vários cargos, de presidente a deputados, em todo o País. Quero que os corruptos que tomaram os governos de todo o Brasil devolvam o País para as pessoas que trabalham, que pagam os impostos em dia, que lutam para ganhar um dinheiro honesto para sustentar suas famílias. Não dá para a gente continuar assistindo a essa gente debochada rindo da nossa cara, como se no Ordem e Progresso da bandeira estivesse escondido o complemento Ordem e Progresso – desde que esse progresso seja superfaturado e minha empresa toque a obra.

Esta é a última coluna do ano. Lutei para manter o bom humor mesmo vendo alguns escondendo dinheiro sujo na cueca e outros dizendo que fortunas não declaradas eram, na verdade, para comprar panetones para os pobres. Que caras legais, não? Dá orgulho de ser brasileiro e ver essa gente no poder, escolhidos … por nós mesmos. Tivemos de aguentar até gente agradecendo a Deus na belíssima Oração da Corrupção. É demais.

Esse desabafo serve para a gente entrar em 2010 com o coração limpo, pensar bem em quem vai votar e tirar do poder quem está levando o Brasil para casa. O Brasil não é deles, por mais que pareça.

Um amigo brincou que em vez de Feliz Dois Mil e Dez a gente deveria dizer Feliz Dois Mil e Dez Por Cento. Eu não concordo. Eu não aceito. Esse papo de ‘sou brasileiro, não desisto nunca’ é uma besteira fatalista. Sou brasileiro, ponto final. Não preciso desistir de nada, não preciso nem pensar em desistência. Eu tenho um País maravilhoso. Só quero que ele seja um lugar melhor para mim e para a minha família. Espero que isso seja possível em 2010. Só depende da gente.

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‘I Gotta Feeling’: A música do Black Eyed Peas é a síntese do pop perfeito

Para aproveitar que o ano acabou, que tal mais uma daquelas listinhas que todo mundo vai criticar? Tudo bem, acho que a função de fazer listas é exatamente essa: um olha e diz que não concorda com isso e aquilo; o outro tem certeza de que eu fiquei maluco; um terceiro reconhece que tem algumas coisas certas, mas a maioria é totalmente absurda.

Este não foi um ano muito bom para o rock. Não vi nada que me chamasse realmente a atenção no estilo. O disco do Arctic Monkeys foi legalzinho, o do U2 também. O Them Crooked Vultures veio como uma promessa, mas sabemos que é apenas um projeto sem muito futuro. Essa geração ‘long tail’ não tem produzido nada muito interessante, pelo menos em termos de artistas que ‘vão ficar’. Há muitas bandas em termos genéricos, mas quase nenhuma que você olha e fica com vontade de saber como eles vão estar soando no próximo disco.

Sem ficar enchendo lingüiça, aqui vai minha lista das melhores músicas de 2009. Não inclui nenhuma música brasileira porque acho que não dá para misturar maçãs com laranjas e porque reconheço que não ouvi o suficiente para emitir uma opinião justa. Portanto, estão aqui apenas artistas internacionais. Espero que você discorde. Numa boa, claro. E que 2010 seja melhor.

1. ‘I Gotta Feeling’ (Black Eyed Peas)
2. ‘New Fang’ (Them Crooked Vultures)
3. ‘Empire State of Mind’ (Jay-Z e Alicia Keys)
4. ‘Moment of Surrender’ (U2)
5. ‘Crying Lightning’ (Arctic Monkeys)
6. ‘Just Dance’ (Lady Gaga)
7. ‘Wrong’ (Depeche Mode)
8. ‘We Are Golden’ (Mika)
9. ‘All is Love’ (Karen O & The Kids)
10.’Your Decision’ (Alice in Chains)

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Carla Bruni

Carla Bruni: O melhor amigo da primeira-dama francesa é um morador de rua. Estou pensando em me mudar para a Champs-Elysées

Na próxima quinta-feira é véspera de Natal, e mais uma vez me vejo obrigado a escrever sobre o tema. Já abordei nessa coluna vários assuntos ligados à data, desde os tios que ficam bêbados em reuniões familiares até a overdose de luzinhas espalhadas pela cidade, passando, claro, pelo sempre ‘inédito’ especial de fim de ano do Roberto Carlos.

Hoje resolvi falar de um tema que não é diretamente ligado ao Natal, mas que tem a ver com os sentimentos que tomam nossos corações durante essa semana especialmente repleta de emoções.

Acaba de sair pela Editora do Autor o livro ‘Sempre às Terças’, coletânea de crônicas bem-humoradas escritas por um grupo de amigos que se reúne no mesmo bar há mais de trinta anos. Entre eles está meu querido tio Reolando Silveira, que me presenteou com o livro. E daí veio a ideia: por que não tratar de amizade no tradicional texto sobre o Natal? Afinal, o Natal é um evento familiar… e os amigos são a família que a gente escolhe.

Nada mais valioso do que um amigo de verdade, alguém que você sabe que vai atender o telefone mesmo quando você ligar de porre às quatro da manhã para reclamar de tudo que te incomoda na vida (e coitada da mulher dele, aquela santa que é obrigada a aguentar os amigos do marido).

‘A amizade é um comércio desinteressado entre semelhantes’, disse o irlandês Oliver Goldsmith em mil setecentos e alguma coisa. Definição interessante. ‘Comércio’ pressupõe uma relação de compra e venda, de troca. E talvez seja isso mesmo que me atraiu nessa frase: nossos amigos têm algo que queremos, assim como temos algo que eles querem. Relações humanas são, sim, baseadas em interesses mútuos. Claro que estou falando de desejos subjetivos e interpessoais, não de algo vantajoso do ponto de vista material (a não ser numa amizade entre políticos, se é que você me entende).

Meus amigos, imagino, querem o que tenho de único, minha personalidade, minha experiência, minhas histórias. Pelo menos é isso o que busco neles: quero que sejam exatamente como são, essas pessoas maravilhosas e divertidas que eles são quando estão comigo.

Essa relação de ‘parentesco-opcional’ cai como uma luva (de Papai Noel) nessa época, porque o Natal é um bom momento para homenagear quem conviveu conosco o ano inteiro. É a hora em que aceitamos as pessoas queridas como elas são, com todas as suas qualidades, mas também com suas eventuais imperfeições e defeitos.

Feliz Natal para sua família de verdade e para essa outra da qual você também faz parte – por escolha. Aproveite que é Natal e lembre-se: não há presente melhor do que um amigo de verdade.

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Como a maioria dos homens, só me lembro que existe algo chamado ‘par ou ímpar’ quando estou disputando uma partida de futebol e alguém precisa decidir quem vai dar o pontapé inicial. Confesso que não tenho jogado muita bola (infelizmente), por isso, de uns tempos para cá, descobri que esse tradicional joguinho tem outra aplicação, bem mais abstrata: ele pode ser usado como metáfora do comportamento humano.

Sim, é isso mesmo que você leu. Não estou viajando, mas antes que você me acuse de ser o cara mais ‘cabeça’ do mundo, vou tentar explicar o que isso quer dizer.

Outro dia, só para variar, eu estava com dois amigos tomando uma cerveja na Vila Madalena. Um deles é um solteiro convicto; o outro é recém-separado. É claro que rolou a tradicional discussão sobre casamento, namoradas, etc. E aí o solteiro perguntou ao separado se ele já estava namorando alguém. Meu amigo respondeu que sim. E o solteiro retrucou, com sarcasmo: “Eu sabia, você tem isso no sangue”. Antes de perguntar o que ‘isso’ queria dizer, me veio à cabeça a ideia de que algumas pessoas têm, sim, ‘isso’ no sangue. E outras, não.

Acho que meu amigo solteiro quis dizer que algumas pessoas foram feitas para viver acompanhadas, enquanto outras se dão melhor em um estado de solidão consciente. A partir disso, imaginei que o mundo poderia ser dividido em pessoas ‘par’ e pessoas ‘ímpar’.

Pessoas ‘par’ não conseguem viver sozinhas. Precisam de alguém para se sentirem completas. Mal saem de um relacionamento, engatam outro, automaticamente. Dormir sozinho? Pesadelo na certa. Elas têm ‘isso’ no sangue, uma necessidade incontrolável de viver a dois.

Já as pessoas ‘ímpar’ não precisam de ninguém: elas se bastam. Algumas tentam viver acompanhados, mas desistem. Talvez seja falta de paciência, talvez seja apenas incapacidade de compartilhar a vida. A longo prazo, só aguentam a si mesmas.

Para o bem da humanidade, é bom que exista um número maior de ‘pares’ do que de ‘ímpares’, até porque isso garante a nossa preservação como espécie. Mas na prática temos que respeitar as decisões das pessoas. E eu arriscaria dizer que há uma outra metáfora aí: no par ou ímpar, assim como nos relacionamentos, nunca sabemos como o outro vai jogar.

Ganhar ou perder não depende só de você ou do outro ‘jogador’. E é aí que a metáfora sobre o comportamento humano faz mais sentido: o resultado (no jogo, no relacionamento) depende da soma dos números que os jogadores colocam, certo? Ou seja, não importa se você é par ou ímpar… o jogo só existe quando há dois jogadores.

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Todo ano é a mesma coisa: filas nos shoppings, luzinhas nos prédios e especial de Natal do Roberto Carlos. De alguns anos para cá, uma outra coisa tem se repetido: a jornalista Helô Machado (o sobrenome igual não é mera coincidência, ela é minha mãe) vai ao show do Rei e escreve um texto para este blog.

Como sou muito apegado às tradições de Natal, em 2009 não poderia ser diferente.

Obrigado, Helô.

Bjs, F.

O presente de Natal é o mesmo. E a gente adora

Helô Machado

Quantas vezes você já viu o seu filme predileto? O preferido entre todos, aquele que só de lembrar você se emociona, chora, ri, quer ver de novo, a qualquer hora? E de preferência sozinho, para ninguém pôr defeito ou fazer um comentário ridículo bem naquela hora máxima, em que você está morrendo de emoção. Aquele filme que, para você, apenas para você, é uma verdadeira obra-prima? Aquela película – como estou antiga hoje! – que nenhum Oscar de ouro maciço cravejado de diamantes seria suficiente para premiá-lo em todas as categorias?

Você sabe bem do que eu estou falando. Quantas vezes você já viu ‘o seu’ filme? Aquela fita – nossa, estou antiga mesmo! – que parece ter sido feita somente para você? Várias vezes, claro.

Eu tinha uns 13 anos quando vi ‘Melodia Imortal’ pela primeira vez. E posso garantir que até hoje ele é ‘o meu filme’, o melhor da minha vida. Trata-se da história do brilhante pianista americano Eddie Duchin – na pele do belo ator (lindo mesmo) Tyrone Power – e da sua amada Marjorie, vivida pela igualmente linda Kim Novak.

Assisti a este filme nada mais nada menos do que quinze vezes. No cinema. Fora as vezes que vi o vídeo em casa, sem legendas, presente do meu filho Felipe, comprado no lugar onde ele nasceu: Hollywood. (O filme, não o Felipe.)

Em um só dia no cinema, assisti ‘Melodia Imortal’ nas sessões das duas, das quatro e das seis! E me lembro que cheguei em casa com um gostinho de ‘quero mais’.

Mas confesso que já fazia um bom tempo que não me lembrava de ‘Melodia Imortal’. A não ser quando alguém falava de filmes antigos, românticos ou comentava sobre a beleza dos artistas de cinema, de qualquer época… Ou ainda quando eu ouvia alguma música do filme: ‘Noturno’, de Chopin, ou ‘Manhattan’, por exemplo. Se fosse ao piano, então, a imortalidade do ‘Melodia’ revivia…

Nesta terça-feira, sem Tyrone, Novak, sem Nova York ou o cassino do Central Park do meu festejado filme, sem a menor nostalgia, em pleno Ginásio do Ibirapuera lotado na São Paulo de trânsito engarrafado, eu me lembrei de ‘Melodia Imortal’. Ou do que ele representou e representa na minha vida, apesar do tempo.

Diante de uma platéia absolutamente lotada e ansiosa, me dei conta de que todas aquelas pessoas estavam ali para ver e rever e ver novamente, mais uma vez, o que já viram dezenas de vezes, como se assistissem felizes ao mesmo filme, com pouca variação de figurinos e do avanço da tecnologia: o show de fim de ano de Roberto Carlos.

As mesmas músicas, as mesmíssimas frases, o mesmo sorriso tímido, as mesmas rosas brancas e vermelhas, entregues para o público no final do espetáculo, a mesma orquestra afiada com os mesmos músicos, o mesmo maestro e uma orquestra de cordas, que também já é a mesma – uma vez que já foi incluída em diversas apresentações do Rei. De novidade, apenas as presenças de Ana Carolina, do cantor Daniel, do grupo Calcinha Preta – que Roberto chamaria de Calcinha Azul – com o seu sucesso em ‘Caminho das Índias’ e da própria protagonista ou musa deste sucesso: a atriz Dira Paes, a Norminha da novela, que, linda num vestido azul (para agradar o Rei), deu um show cantando com Roberto.

Mesmo assim, os convidados artistas, todos súditos-fãs de Sua Majestade Roberto Carlos, são apenas detalhes deste e de todos os especiais, que encerram o ano com o cantor. A gravação do show desta terça, presente de Natal que a Globo oferecerá aos seus telespectadores na noite de 25 de dezembro, não foi diferente… mas foi especialíssima.

A gente já sabe de cor o que vai ver, mas parece sempre que é a primeira vez. A orquestra toca uma seleção de seus sucessos, as luzes vermelhas e brancas que piscam sem parar mudam de cor: azul, claro! Luz, mais luz! Seguem-se os primeiros acordes de ‘Emoções’. A mesma voz masculina de todos os shows do cantor anuncia pausadamente: “Senhoras e senhores, com vocês, Roberto Carlos!

Aplausos, gritos, sussurros. Ele surge de mansinho do fundo do palco do mesmo jeito. Terno azul claro sem gola, ombreiras grandes, camisa estampada de azul clarinho, tênis branco de solado alto. A gente aplaude, se emociona por vê-lo ali. Já sabe o que ele vai dizer, mas ri e aplaude como se ele fizesse uma surpresa. Como se ele fosse uma surpresa.

Há 50 anos é assim. Desse mesmo jeito. Muitas emoções, apesar do cabelo um pouco mais curto, das risadinhas mais contidas e do rosto um pouco abatido. Talvez a coluna ainda incomode um pouco o Rei. Ele teve de adiar o show de quinta=feira para ontem… Mas ele é um artista. ‘O’ artista. E o show tem que continuar. “Olha aqui, presta atenção: nas curvas da estrada de Santos, além do horizonte, é proibido fumar. Como vai você? No fundo do meu coração, eu te amo, te amo, te amo. Olha: as jovens tardes de domingo. Outra vez, cama e mesa, eu amo demais a mulher que eu amo… Como é grande o meu amor por você… A namoradinha de um amigo meu, eu te proponho: se o bem ou o mal existem, é preciso saber viver.”

“Ainda somos os mesmos. E vivemos como nossos pais… Os mais velhos poderão filosofar sobre os versos de Belchior… Mas depois de duas horas, ‘Jesus Cristo’ avisa que o show já está no fim. E, como num ritual religioso, as rosas são beijadas por Sua Majestade, uma a uma, e entregues com carinho (e muita calma nesta hora) às mãos mais fervorosas. Um monte de flores. Mas poucas, muito poucas para tantas mãos agitadas.

Roberto caminha para o fundo do palco e desaparece. A multidão sorridente vai deixando vagarosamente o ginásio. Sem pressa de ir embora. A ansiedade da entrada se transforma em estado Zen na saída. Todos parecem ter entrado em alfa: aparentam calma, serenidade. Muitos até se despedem dos seguranças, como se fossem amigos de fé, irmãos camaradas… Polícia? Para quê, se o clima é só de amor e cumplicidade?

Já vi este filme. E adorei! Que bom se a vida fosse sempre assim… Na rua, alguns ainda cantam baixinho o refrão da última música do show: ‘Jesus Cristo, eu estou aqui’. De novo e mais uma vez, estivemos aqui. E, com certeza, voltaremos. Se Deus quiser.

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14.dezembro.2009 11:45:18

Crescendo e aprendendo

Moranguinho
Eu queria fazer uma festinha com o tema ‘Heavy Metal Kids’ para minha filha, mas ela exigiu a Moranguinho

No dia 7 de novembro, os roqueiros de São Paulo puderam optar entre dois festivais: Iggy Pop e Sonic Youth em um palco, Faith No More e Deftones em outro. Nesse mesmo sábado, também assisti a dois shows, embora um pouquinho diferentes: a peça Charlie & Lola de manhã, o musical da Pucca à tarde. E com direito a batatas fritas com milk-shake de morango entre um e outro.

Se você acha que fiquei chateado por ter trocado dois megashows de rock por dois espetáculos infantis, você não me conhece. (Prazer, Felipe Machado). Na verdade, há poucos programas no mundo melhores do que passar o dia com minha filha.

Hoje ela faz três anos. E não passa um dia sem que eu acorde cada vez mais apaixonado. É um sentimento diferente daquele que tomava meu coração na época do seu nascimento. Acho que o amor de um pai se transforma e evolui organicamente, da mesma maneira que o pequeno corpo dela cresce e seu pequeno cérebro se torna mais complexo.

Todo dia aprendo alguma coisa nova sobre minha filha – e tenho a impressão de que ela também. Adoro quando ela vem me mostrar suas recém-adquiridas habilidades (‘papai, olha o que eu sei fazer’); chego a chorar de emoção quando a vejo pronunciar com certa insegurança uma palavrinha nova. Ela já tem uma voz, a voz dela. E é o máximo quando essa voz começa a me contar uma história, baseada nas ilustrações de algum livro. Nem sempre a trama entre os personagens tem muita lógica, mas, para mim, é melhor que qualquer texto de Shakespeare.

Dizem que eu a ‘mimo’ muito. E eu lá tenho alternativa diante de tanta fofura? O corpinho dela vai parar de crescer em algum momento de sua ainda distante adolescência, mas meu amor não vai parar de crescer nunca.

Três anos. Uau. Se você me permite um clichê (‘mais um, Felipe?’), o tempo passa muito rápido. Mas os clichês são clichês exatamente porque são verdadeiros, não? Ontem ela estava na maternidade; hoje já exige festa da Moranguinho e pizza com azeitonas nas noites de domingo. O que será no ano que vem? Não, não quero saber, deixa eu aproveitar minha bebê mais um pouco. Se existe concurso de ‘pai mais coruja do mundo’, considere este texto a minha inscrição.

Minha filha está se tornando uma pessoa, e assistir a isso é mágico. Quem ela será quando crescer e se tornar uma garota, uma mulher? Não sei. Esse é o mistério da vida. Mas há um elemento da sua personalidade que começa a aparecer agora e que será uma característica só dela, incrivelmente única. A vida é assim. Mais do que minha filha, ela será… ela.

Parabéns, Bebel. Papai ama você mais do que tudo.

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08.dezembro.2009 19:43:23

Os Top 10 Rockstars de 2009

L.C.LEITE /AE
Dave Grohl: O cara foi baterista do Nirvana, canta e toca guitarra no Foo Fighters e ainda encontra tempo para fazer shows com um projeto com o ex-baixista do Led Zeppelin. Dave Grohl é demais

Eleger os ‘melhores do ano’ antes do ano acabar é arriscado. Mas quem disse que não devemos arriscar na vida? A revista Rolling Stone escolheu o premiê italiano Silvio Berlusconi como ‘Rockstar do Ano’. Acho meio forçado escolher um cara fora do meio musical, por isso aqui vai uma lista dos Top 10 Rockstars de 2009:

1. Michael Jackson. Atolado em dívidas e decadente, ele anunciou a volta por cima em uma turnê monstruosa, morreu de overdose antes do primeiro show, voltou a vender milhões de discos, lançou um filme sobre seus últimos dias… se isso não é o roteiro perfeito para a vida de um rockstar, então eu não sei o que um rockstar é.

2. Lady Gaga. Fazia tempo que não aparecia uma cantora tão talentosa, barulhenta e divertida. Ela compõe, toca piano superbem e canta melhor que Amy Winehouse – e nem precisa ser pega com drogas para aparecer na mídia. A sucessora de Madonna vai a festas vestindo maiô e salto plataforma e inventou que era hermafrodita só para ser deixada em paz. Teve gente que acreditou, uau. Se quiser votar na cantora ou cantor da década, clique aqui.

3. Angus Young. Se você foi ao show do AC/DC, nem preciso explicar porque ele está aqui. O cara detona nos palcos há 36 anos. Imagina quando tirar a roupa da escola.

4. Dave Grohl. O cara foi batera do Nirvana, é vocal e guitarrista do Foo Fighters… e agora voltou a detonar a bateria no Them Crooked Vultures, dividindo o palco ‘apenas’ com John Paul Jones, ex-baixista do Led Zeppelin. Se você quiser votar na melhor banda da década, clique aqui.

5. Bono. Qualquer lista de rockstars desde 1980 tem de incluir o Bono. Tudo bem, sou suspeito porque sou fã do cara. Mas a nova turnê do U2 é a maior da história e, mesmo assim, ele ainda encontra tempo para salvar o Planeta. É o Super-Bono.

6. Paul McCartney. Paul fez turnê nos EUA, lançou disco ao vivo, ajudou a elaborar o videogame Rock Band e relançou a coleção completa dos Beatles. Paul é Paul, o resto é Rolling Stones.

7. Mika. Se tem alguém que merece pegar o cetro de Freddie Mercury (sem malícia, por favor), é ele. Mika é um dos artistas mais talentosos dos últimos tempos.

8. Scarlett Johansson. A gata de 25 aninhos é uma atriz maravilhosa (em todos os sentidos, inclusive nesses que você está pensando). Como cantora, já lançou dois disquinhos bem legais.

9. Billy Corgan. O líder do Smashing Pumpkins é o autor da frase do ano. Perguntado sobre o que ele achava do videogame Guitar Hero, respondeu: “Você não joga Guitar Hero quando você É um Guitar Hero”. É isso aí, Billy.

10. Ronaldo. Ele está mais para samba do que para rock. Mas se a Rolling Stone pode escolher o idiota do Berlusconi como Rockstar, eu posso escolher o Fenômeno, certo? Timão, ê ô!

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REUTERS/Alessandro Garofalo
Silvio Berlusconi: O premiê italiano também está atolado em escândalos até o pescoço, mas tem algo melhor do que os políticos brasileiros: está bem longe daqui

Cena 1. Brasília, apartamento funcional. O político chega em casa de madrugada e encontra a mulher esperando no sofá.

“Hummmm, oi, querida… Acordada a essa hora?”

“É. Onde o senhor estava?”

“Eu? Você está falando comigo? Eu? Bom… É, eu estava numa reuniãozinha…”

“Até as 6 da manhã?”

“Nossa, já é tarde assim? Nem olhei no relógio…”

“Deu na TV, Sérgio. Todo mundo viu. Minha mãe, nossos filhos, os vizinhos.”

“Mas como? Isso é impossível! Me garantiram que o local era 100% seguro!”

“Pelo jeito não era, né? Pode se preparar: daqui a pouco essa sua cara de pau estará estampada na primeira página de todos os jornais do País.”

“Isso é um absurdo! É tudo culpa da imprensa! Precisamos acabar com esse poder deles! É armação da oposição para acabar com a moralização que estou fazendo!”

“Sérgio, para cima de mim? Moralização, você? Tem vídeo, Sérgio! Tem você falando no vídeo, tem você dando risada… era do que, da minha cara, Sérgio?”

“Não, querida, não fala uma coisa dessas. Você sabe que eu te amo…”

“Eu te amo o escambau! E agora? Como é que a gente vai sair na rua? Como é que você deixou isso acontecer?”

“Mas é tudo mentira, eu juro! A fita foi editada para parecer que o cara era eu! Eles fazem isso, é tecnologia! Eu tenho álibi! Pode ligar para o partido, eu estava lá no momento que alegam ter filmado essa história!”

“Sérgio, não fala besteira, por favor. Você nem sabe quando fizeram esse vídeo.”

“Não sei mesmo, admito. Mas tenho certeza absoluta de que estava em outro lugar naquela maldita hora!”

“Vamos ter que tirar as crianças da escola, mudar de cidade, de país, de vida. Acabou, Sérgio. Acabou.”

“Mas não pode ser. Eu sempre fui um homem de bem. Não era eu nesse vídeo, era outro homem. Sei lá, talvez eu possa alegar múltipla personalidade!”

“Não tem jeito. Eles filmaram você pegando o dinheiro e colocando nos bolsos, Sérgio. Maços e maços de notas. Você vai falar que aquele dinheiro era para quê? Para comprar panetone? Isso é pior do que acreditar em Papai Noel!”

“Peraí. Do que você está falando. Dinheiro? É isso? Eles me filmaram pegando dinheiro de propina?

“É, Sérgio. Acabou.”

“Yupiii! Ha ha ha! Ufa!”

“Como assim, ‘ufa’? Ficou maluco, Sérgio?”

“Ah, querida. Não precisa se preocupar. Aqui é o Brasil, lembra? Não vai acontecer nada. Que alívio, pensei que tinham me filmado saindo do motel com a Sandrinha, secretária do…”

“Como é que é? Quem é Sandrinha, Sérgio? Fala!”

“Ihh, falei demais… Não é nada, querida! Juro que lá no motel também não era eu!”

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Marcio Fernandes/AE

Ela está entre nós. A tenista russa Maria Sharapova esteve hoje em São Paulo e vai participar amanhã de uma partida de exibição contra Gisela Dulko em Porto Feliz, interior do Estado. A russa é a minha tenista favorita, embora, para falar a verdade, eu nunca tenha visto ela jogar.

Sharapova, que já foi campeã de Wimbledon, tenta voltar ao topo do ranking – ao topo do meu ranking ela nunca saiu. Decidi que não assistirei a partida ao vivo porque acho que meu coração não aguentaria. Talvez seja também porque não tenho convite. Mas verei a minha querida Sharapovinha no canal SporTV às 11h30.

Para terminar, gostaria de te deixar uma mensagem em russo:

Я люблю Шарапова. Я люблю играть в теннис с вами дома, когда вы принимаете?
Большой поклонник Kiss, Фелипе Мачадо

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