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Felipe Machado

AC/DC por Marcelo Rossi
Uma homenagem do AC/DC às groupies gordinhas: ‘Whole Lotta Rosie’ montada no ‘Rock and Roll Train’. Fotos de Marcelo Rossi

Conheço o AC/DC há anos, mas o show de sexta-feira foi uma surpresa para mim. Mesmo sabendo que ‘Black Ice’ era o disco mais vendido do ano e que a turnê dos australianos só era menos lucrativa que a do U2 e Madonna, eu ainda achava que seria apenas um show a mais. Quanta ignorância (minha).

Confesso que o AC/DC nunca foi a ‘minha’ banda. Eu preferia Led Zeppelin, Beatles, Queen. Achava o AC/DC muito simples, simplista. Meio raso. Mas o AC/DC ao vivo é uma coisa tão sensacional que fiquei sem palavras. Eu, que achava o show do Kiss ao coisa mais incrível do rock and roll, vi que o AC/DC deu de 100 a zero.

Vamos começar pelo palco: enquanto todo mundo está investindo em telões, ou seja, imagens maravilhosas em 3D, etc, o AC/DC coloca uma locomotiva gigante soltando fogo e fumaça. Não é modo de dizer: era uma locomotiva gigante mesmo no palco logo na introdução do show, com ‘Rock and Roll Train’, do disco novo. E daí você tem uma ideia do que é um show do AC/DC. Em ‘Hell’s Bells’, um sino enorme desce no palco e aí, novamente, há o impacto de uma coisa verdadeira, não de uma imagem em um telão. Em ‘Whole Lotta Rosie’, uma boneca inflável gigantesca monta no trem e faz uma homenagem às groupies gordinhas (sim, macho que é macho não liga se a mulher é gordinha). Sem esquecer, claro, os canhões em ‘For Those About to Rock’, explodindo a cada refrão como uma bomba de rock and roll (o clichê é intencional).

É tudo muito orgânico, verdadeiro, vintage. Não há bullshit, para usar uma expressão em português. Há tecnologia, sim, como luzes e telões de alta definição. Mas o principal ali é o som, perfeito e altíssimo, e o culto à guitarra e, por consequência (ou por intenção mesmo) a Angus Young. Ele não é apenas um cara que agita tanto quanto Mick Jagger (ou mais). Ele é um dos melhores guitarristas da atualidade (há 36 anos, diga-se de passagem). Eu achava que Angus era um bom guitarrista de blues rock, com riffs vigorosos e solos memoráveis. Mas ele é mais que isso: ele toca muito, muito. Toca rápido quando é preciso, abusa dos licks de blues na sua tradicional guitarra Gibson SG quando a música urge. E faz isso não apenas uma pequena parte do show: ele toca duas horas de solos incendiários (o clichê é intencional). Quando ele mostra os chifrinhos em ‘Highway to Hell’, dá para acreditar que o cara tem um pacto com o capeta. Em ‘The Jack’, ele faz um strip tease e, na hora de mostrar a bunda, revela uma cueca com o logotipo do AC/DC. Agora me diz uma coisa: quantos caras podem fazer isso em um estádio de 70 mil pessoas sem serem apedrejados? Pois o público idolatra Angus. E com razão. O cara é demais.

Lembrando, claro, que Angus tem 54. Se eu fosse dono de academia, criaria o workout ‘Angus’, que consistiria no seguinte: você corre com uma guitarra no ombro durante uma hora e meia batendo a perninha como Chuck Berry e balançando a cabeça. Tudo isso vestindo um terno e gravata. Quando você estiver encharcado de suor, você tira a camisa e faz isso por mais meia hora. Daí você se joga no chão e roda, sem parar. Daí você pula algumas vezes. Faça isso a cada três dias. Durante 36 anos.

O resto da banda vale apenas porque eles são do AC/DC. Malcolm Young, irmão de Angus, é um bom guitarra base, mas também vamos ser justos. Ele não toca nada de mais. Cliff Williams é um baixista OK, assim como o baterista Phil Rudd (lembro que nos discos o Phil Rudd era tão limitado e sem criatividade que a gente chamava ele de ‘Phil Ruim’.)

Quanto ao vocalista Brian Johnson, permita-me dedicar um parágrafo à parte. É um caso raríssimo de vocalista de banda de rock que não sofre de egolatria. Ele entrou na banda após a morte de Bom Scott por overdose causada pelo próprio vômito (ele engasgou após dormir uma noite bêbado no banco de trás de um carro; dizem também que ele morreu de frio porque estava sem camisa em um inverno europeu daqueles). Isso aconteceu em 1980, e até hoje chamam Brian de ‘o vocalista novo do AC/DC’. E o pior é que ele não parece estar nem aí para isso. Ele não parece estar aí para nada, inclusive para o seu próprio visual. Brian Johnson deve ser, de longe, o cara mais feio do rock. Ele ainda se veste com um caminhoneiro de quinta categoria, com um bonezinho ridículo e uma camisa com as mangas cortadinhas. Ele parece um cara que cantava no bar da frente do Morumbi e chamaram para dar uma canja porque o vocalista titular não apareceu. Sua voz é tão esganiçada que não sei nem se podemos chamar de voz. E, no entanto, ele é perfeito para o AC/DC. Ele é tosco e verdadeiro; ele é autêntico e fala a linguagem de seu público. Ele é popular, mas não populista. Ele é simplão mesmo. Suas letras são clichês puros. E o público quer exatamente isso: algo que seja previsível, confiável. Brian Johnson é um tipo de presidente do sindicato dos roqueiros – e essa analogia que você está fazendo não é culpa minha.

Os fãs do AC/DC não querem comprar um disco e descobrir que a banda ‘está misturando ritmos eletrônicos’ ou ‘incorporando novos elementos ao seu som’. Não. De jeito nenhum. Eles querem o AC/DC de sempre: Angus com os riffs exatamente iguaizinhos ao primeiro disco ‘TNT’, de 1975; e Brian esganiçado como um corvo inglês. Imagine se o AC/DC gravaria uma canção chamada ‘Onde as Ruas não tem Nome’. Nunca. “Como assim, ‘as ruas não têm nome’, cara? É só olhar na placa, seu idiota”, diriam.

Os títulos das músicas do AC/DC, aliás, são tão clichês quanto todo o resto (e isso não é uma crítica): se não tem ‘rock and roll’, tem ‘hell’ ou alguma outra coisa do tipo. Se trocar os nomes, inclusive, não faz a menor diferença: ‘Rock and Roll Train’ e ‘Hell’s Bells” poderiam facilmente ser ‘Hell Train’ ou ‘Rock and Roll Bell’, certo? E ‘Highway to Hell’ poderia ser ‘Highway to Rock and Roll’, não? Isso não importa nem um pouco, aliás. Do contrário, como explicar 70 mil pessoas cantando alegremente ‘Estou na auto-estrada para o inferno”…?

Só sei que o AC/DC provou que são a banda de rock mais poderosa do mundo. O U2 mesmo já assumiu que pode ser uma banda de pop em alguns discos, assim como os Rolling Stones já lançaram ‘Emotional Rescue’. Com o AC/DC não tem essa de balada com violãozinho, não tem sons pré-gravados, nem ‘climas’. Tem uma influência de blues, mas o lance todo é o rock and roll puro, visceral e no volume mais alto possível. O clichê é intencional, sim. Graças aos deuses do rock and roll.

AC/DC foto de Marcelo Rossi

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‘When You Were Young’: Não é estranho um cara escrever uma música chamada ‘Quando Éramos Jovens’ aos 22 anos? Brandon Flowers é talentoso, mas esquisito

Antes de falar sobre o ótimo show do The Killers, um pequeno comentário sobre o Chiqueiro do Jockey, quer dizer, a Chácara do Jockey.

Já reclamei aqui que uma cidade como São Paulo, que já entrou definitivamente para o circuito das turnês internacionais, merece lugares de show melhores do que temos hoje. O Chiqueiro do Jockey, quer dizer, a Chácara do Jockey não é um lugar tão ruim. Tudo bem, é longe e o trânsito infernal dificulta o acesso. Mas o som normalmente é muito bom, o local é bonito e lembra aqueles tradicionais festivais do verão britânico. A Pista Premium permite uma excelente visualização dos shows; os banheiros são em número suficiente. As áreas de alimentação são OK, assim como os bares e serviços essenciais (postos médicos, etc). O que estraga tudo mesmo é a chuva.

Chuva não é culpa da organização; o que é culpa, sim, é tratar um público que pagou de R$ 200 a R$ 350 como porcos. Por que os shows em estádios têm uma cobertura sobre o gramado? Porque os estádios obrigam a produção a fazer isso, justamente para não destruir o campo. No Chiqueiro do Jockey, quer dizer, na Chácara do Jockey não tinha cobertura nenhuma sobre a grama. Ou seja, a grama molhada e mal cortada vira um lamaçal nojento. Repito: isso não é maneira de tratar quem paga R$ 350 por um ingresso. Não adianta dizer que o preço do ingresso no Brasil é barato e a cobertura inviabilizaria a produção. Não é barato e os shows em estádio têm isso. E R$ 350 é um ingresso caro em qualquer lugar do mundo. É um absurdo, a produção TEM que colocar placas de borracha ou tapumes de madeira sobre a área onde fica a maior parte do público. Se eles colocam esse material em estádios, por que não no Jockey? Só porque o Jockey não obriga a fazer isso? Mas isso deveria estar no custo da produção desde o início, assim como banheiros químicos, ambulância… Custa mais para a produção? Custa. Mas tem que ser feito. Não é possível ver essa falta de respeito com quem paga tão caro para ver um show. Não estamos mais na época de Woodstock, caramba.

Agora ao The Killers: Eles são sensacionais. Vi a banda ao vivo pela primeira em 2006, em um show no Madison Square Garden, em Nova York. Foi muito bom ter visto uma banda decolando, no exato momento em que ela se transformava em uma das maiores do mundo. Não é segredo para ninguém que a turma do vocalista Brandon Flowers sempre teve como objetivo ser o ‘novo U2′. Digamos que eles são bons, mas ainda têm que comer muito fish and chips para isso. Mas os caras são bons, talvez seja a melhor banda ‘nova’ do mundo (eles se formaram em 2002 em Las Vegas. E eu chamo de nova toda banda formada depois do ano 2000).

A característica mais legal de um show do The Killers é que eles têm muitas músicas famosas, apesar da curta carreira. E esses hits funcionam perfeitamente ao vivo porque tem refrão, letras fáceis, tocam direto nas rádios e têm melodias perfeitas para serem cantadas por multidões. O show começou com ‘Human’, depois veio ‘Somebody Told Me’, ‘Read My Mind’, ‘Bones’… são todas muito legais. A presença de banda no palco também é boa. O estilo do guitarrista David Keuning é uma mistura dos dedilhados de Johnny Marr (The Smiths) e os solos de Brian May (Queen); o baixista Mark Stoermer é tímido como a maioria dos bons baixistas); e Ronnie Vannuci é criativo, tem bons arranjos de batera e ainda mantém o tempo como um relógio.

Queria dedicar um espaço para a grande estrela da banda, Brandon Flowers. É um cara bastante especial, talentoso e bom cantor. Sua voz é excelente e ele também sabe como agitar uma plateia ao vivo: pede para cantar junto, arrisca expressões divertidas em português (‘essa noite está molhada’), dança pelo palco. Mas tenho que admitir que ele não me convence totalmente. Não sei se é o fato de ele ser (ou ter sido) Mórmon e, portanto, ter um estilo de vida oposto ao que se espera de um rockstar de verdade. Algo nele tem um caráter meio, sei lá, planejado demais, muito de acordo com o script. É preciso agitar a plateia? Ele agita. Só como exemplo, vamos compará-lo com vocalistas lendários como Bono ou Mick Jagger. Eles também são carismáticos, também sabem lidar com a plateia. Mas tem uma emoção real que não consigo sentir em Brandon, algo como a diferença entre um tomate orgânico e um transgênico. Bono e Mick cantam com o coração na garganta, enquanto Brandon canta com o coração… no peito, mesmo. Brandon é tão perfeito que parece nem suar no palco. Não quero ser injusto – eu gosto do Brandon. Só acho que ele é muito esquemático. Parodiando o sucesso do The Killers, talvez Bono e Mick sejam ‘Human’, enquanto Brandon é ‘Dancer’.

Foi legal ver também que as músicas de ‘Day & Age’, disco novo da banda, funcionam bem ao vivo. Analisando friamente, The Killers estaria em decadência criativa: O melhor disco é ‘Hot Fuss’, de 2004. O segundo melhor é ‘Sam’s Town’, de 2006. E o terceiro melhor é ‘Day & Age’, de 2008. Ou seja, eles foram piorando. Mas esse show foi mais legal que o do Madison Square Garden, em 2006, porque as músicas de ‘Day & Age’ (‘Human’, ‘Spaceman’, ‘Joyride’) funcionam bem melhor ao vivo do que no disco. Acho que elas são meio insossas no disco, talvez fruto da produção perfeitinha-demais de Stuart Price (Madonna, Seal): o produtor é bom, mas tirou a alma rock and roll do The Killers: em ‘Day & Age’ eles soam como o Depeche Mode, se o Depeche Mode precisasse de uma transfusão de sangue.

Espero que eu não tenha passado a impressão de que não gosto da banda. Eu sou fã do The Killers e estava na primeira fila (com chuva e tudo) cantando todas as músicas. Esquecendo a parte da lama, o show foi, com o perdão do trocadilho… matador.

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Paulo Liebert/AE
Geisy Arruda: Na minha longínqua época de faculdade, a gente gostava quando uma garota ia de vestido curto

Sei que ninguém aguenta mais ouvir falar de Geisy, mas você também sabe que se eu não escrevesse sobre ela hoje não escreveria nunca mais. Como já sabemos que Andy Warhol estava certo, o futuro acaba de chegar para a estudante da Uniban: é bom ela aproveitar seus 15 minutos de fama.

Conheci Geisy pessoalmente, ela esteve no estúdio da TV Estadão para uma entrevista. Me pareceu uma pessoa bastante simples. Mora em Diadema, estuda Turismo porque acredita que a profissão vai proporcionar uma vida de viagens e aventuras. Não é linda, mas chama a atenção: é alta, tem olhos claros, corpão. Pareceu sincera quando disse que se sentiu humilhada, que pensou em se matar. Vai saber.

Não estou aqui para julgá-la. Pensando friamente, pode até ser que ela tenha se dado bem com o episódio. Ela deve participar de algum reality show, posar para alguma revista masculina… ou os dois. Mas e daí? Quando os 15 minutos acabarem, quem se lembrará de Geisy Arruda?
No Brasil é tão comum a vítima se dar mal que nem achamos isso tão estranho. Infelizmente, nós, brasileiros, já perdemos há muito tempo a referência do que é Justiça. Pois a garota que correu risco de ser linchada é quem foi considerada culpada, até por pessoas mais instruídas, ‘civilizadas’.

‘Ela provocou’, justificam, exatamente a mesma desculpa usada por todos os estupradores do planeta. Os alunos acharam que Geisy foi vulgar? Reclamem com a diretoria. Conversem com ela. Virem o rosto quando ela passar. Mas não: os castos selvagens que ameaçaram agredi-la são santos e puros, a comissão que a expulsou e depois voltou atrás também. Seria boa ideia apedrejá-la no pátio da escola: o professor de história poderia aproveitar o evento em uma aula sobre cultura medieval.

Geisy se parece com Geni, a famosa personagem de Chico Buarque naquela música que falava também de um certo Zeppelin. E Uniban pode facilmente virar UniTaleban. Não, não fui eu que criei isso: o apelido genial está em toda a internet. Há tempos não vejo um trocadilho tão perfeito.

Fundamentalismo e preconceito não combinam com o que se ensina numa universidade, ou pelo menos, não deveriam combinar. A multidão se esconde com a máscara do anonimato, e aí fico imaginando como tudo começou: alguém grita um comentário agressivo, o outro ri e apoia; quando menos se espera, as vozes isoladas tomam a proporção de um coral fascista. Um aluno sozinho não teria coragem de xingar a colega cara a cara, mas todo fraco vira herói quando sua identidade se dilui na multidão sem rosto. Como não é possível identificar o indivíduo, perdoa-se a covardia das massas. Pelo jeito, personalidade não está no currículo dessa turma.

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Trailer do filme ‘Besouro’, de João Daniel Tikhomiroff

Só para variar, abuso de um grande amigo para colaborar com este espaço. Luiz Antonio, meu ex-colega de sétimo andar da DPZ, virou escritor e publicou o excelente ‘Minhas Contas’, com ilustrações de outro grande amigo, Daniel Kondo. Como Luiz escreve muito bem e é um capoeirista de primeira, sugeri que ele escrevesse um texto sobre o filme ‘Besouro’, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. O resultado você vê abaixo. Luiz, um abraço e obrigado.

Besouro voa baixo
Luiz Antonio

Vá assistir ‘Besouro’ se você não conhece nada de capoeira, nada de candomblé. Ou se você até conhece essa religião e a cultura popular, mas sente falta de filmes em que elas apareçam de alguma forma (qualquer forma). Se você quer ver um ‘herói brasileiro’ de qualquer jeito. Depois disso, dê sua opinião isenta sobre o filme. Porque a minha, definitivamente, não é.

Fui convidado a escrever sobre ‘Besouro’. Antes, é melhor que eu diga: fui assistir ao filme sem esperar muita coisa. O tema é muito importante para mim, faz parte da minha vida, do meu dia-a-dia, das minhas pesquisas. Como público-alvo, fui bombardeado na internet pela campanha on-line da película. Por isso, para não me decepcionar, fui ao cinema esperando um filme de ação ao estilo ‘Clã das Adagas Voadoras’ rodado na Bahia. Afinal, pensando dessa maneira, o trailer é ótimo (veja acima). E o que encontrei? Um filme de super-herói fraco. Tanto o cinéfilo quanto o capoeirista não se empolgaram ao final da sessão. No caso, sou os dois.

Resumindo a história contada no filme: Besouro é um menino aprendiz de capoeirista que cresce no Recôncavo sob o olhar de seu velho mestre (nem tão velho assim). Após o falecimento de seu mentor, que também é o líder dos negros oprimidos na região, Besouro tem tudo para ser seu sucessor. Por uma série de motivos (não vou estragar) ele se afasta de tudo e de todos, até que entende sua vocação, seu chamado, e vai tomar seu lugar na luta contra os opressores. Isso, claro, conta também com uma tumultuada história de amor entre Besouro e uma linda capoeirista.

Bom, como cinéfilo, assisto a tudo. Sem preconceitos. Mas isso não quer dizer que vá gostar de qualquer coisa. Gosto de filmes de ação. Gosto de comédias. Gosto de filmes nacionais. Desde que sejam bem feitos dentro da sua proposta. Em ‘Besouro’, a fotografia é linda. Cenas bonitas mesmo da Chapada Diamantina, de orixás, da feira. As coreografias também são convincentes (como cinéfilo, não vou entrar no mérito capoeirístico das lutas, deixo isso para alguns parágrafos abaixo). Os atores, na sua maioria, estão bem nos seus papéis. Bonitos, com preparo corporal e tudo mais. A história de ‘Besouro’, por si só, é interessante. Então, o que falta? Dramaturgia, roteiro. Simples assim.

As falas muitas vezes não cabem na boca dos personagens. Poderiam culpar os esforçados atores. Mas fica difícil dizer aqueles textos e fazer com que quem assiste ao filme sinta veracidade nas falas. Mais do que isso, falta estrutura de roteiro. Clímax, anti-clímax, desenvolvimento de personagens, drama. Isso mesmo, drama. ‘Mas você quer isso em um filme que se propõe a ser um filme de ação?’ Claro que quero. Se a idéia era fazer um filme no estilo hollywoodiano, um filme de herói, o mínimo que temos é que ter uma jornada bem feita desse herói. Até a edição do filme prejudica o andamento da história, que infelizmente não envolve o espectador como deveria.

O livro que inspirou o filme, ‘Feijoada no Paraíso’, esse sim sai do lugar comum. Bem escrito, uma história bem contada, sem grandes pretensões – mas que consegue surpreender. Marco Carvalho, o autor, deveria produzir mais. Quem sabe, com o dinheiro ganho com o filme, ele não possa produzir outras belas páginas como aquelas, não apenas sobre Besouro. E falando nessa lenda da capoeira, entra em cena o outro lado desse crítico: o capoeirista.

Como capoeirista, conheço Besouro há muitos anos. É uma lenda no meio da capoeiragem, um personagem histórico. Mas que, como todo personagem histórico popular (Zumbi, Lampião, Padre Cícero), teve sua vida misturada com suas lendas. Há poucos anos tive provas de que ele realmente existiu, através de sua certidão de falecimento encontrada em Santo Amaro (Recôncavo Baiano, cidade importantíssima para a cultura popular). Besouro Mangangá, Besouro Preto, Besouro de Santo Amaro, Besourinho Cordão de Ouro, Besouro de Maracangalha. Até Elis Regina já cantou sobre ele (e falou algumas coisas erradas historicamente, também).

Todos nós, capoeiristas, ouvimos algumas façanhas desse homem que veio antes da organização da capoeira em academias. Por isso, tivemos alegria e apreensão ao saber que sua história seria retratada. E, no final, para um capoeirista, o filme também tem problemas. A capoeira apresentada no filme (supostamente a capoeira da década de 20) não tem muito a ver com a capoeira mais tradicional. Isso, sem falar da musicalidade referente à capoeira, fraquíssima na tela.

A capoeira é praticada no mundo todo, da Indonésia à Dinamarca. Só no Brasil, mais de cinco milhões de pessoas gingam e tocam berimbau. É o maior vetor de expansão da língua portuguesa pelo mundo. Precisa, sim, ser representada em livros, filmes, obras de arte. Pierre Verger já fez isso de forma magistral na fotografia. Carybé, nas ilustrações. Jorge Amado deve à capoeiragem muito do que lemos em seus livros. Besouro pode ser um primeiro passo, mesmo que meio torto. Alguns diriam que antes isso do que nada. E eu concordo. Mas não vou louvar o filme e fingir que não vi seus defeitos para ‘defender a coragem de quem fez um filme sobre a capoeira’. Não.

A melhor parte ‘tradicional’ do filme diz respeito ao candomblé. Os orixás aparecem de forma linda no filme. A religião é tratada com respeito, com fundamentos. O momento em que Besouro encontra Oxum é uma das imagens mais bonitas. Mas aí, nesse caso, sei que João Daniel (o diretor) e equipe tiveram uma assessoria de primeira. Um profundo conhecedor de candomblé, que tem cargos importantes na religião, acompanhou tudo de perto. Tenho medo apenas que as pessoas, os leigos, passem a confundir candomblé com capoeira. Candomblé é religião complexa. Capoeira não é religião, apesar de ter nascido com as mesmas pessoas que criaram o candomblé ou o samba.

Logo no início do filme, vemos Mestre Alípio usando aquela velha história de que ‘o Besouro voa porque não sabe que não pode voar… porque não sabe que voar, para ele, seria impossível… Ele é pesado, tem asa curta. Mas mesmo assim, voa.’ Infelizmente, no caso do filme, ‘Besouro’ voa bem baixo. Vale a pena acompanhar esse voo? Vale, desde que se saiba que o voo não é muito alto.

Luiz Antonio é autor do livro infantil ‘Minhas Contas’, da Cosac Naify, que trata sobre tolerência religiosa. E, antes de tudo, capoeirista.

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Max, de Onde Vivem os Monstros

Max Records: Baseado no livro de Maurice Sendak, o filme de Spike Jonze é uma fábula sobre o amadurecimento e a vida. O livro de 1963 foi criticado por a mãe chamava o filho de ‘monstro’

Há palavras que entram e saem de moda. Hoje em dia tudo é ‘lúdico’, por exemplo. Não sei se é porque tenho uma filha pequena ou porque as pessoas acham o adjetivo, sei lá, elegante. Só sei que lúdico é uma boa definição para ‘Onde Vivem os Monstros’, filme que chega ao Brasil em janeiro de 2010. Eu fui a uma exibição em Nova York e posso dizer que, como filme infantil, é razoável. Mas como entretenimento para adultos, ele não é apenas lúdico. É maravilhoso.

O filme é baseado no livro de 1963 de Maurice Sendak, lançado aqui recentemente pela Cosac Naify. Tem lindas ilustrações e poucas palavras – 338, para ser exato. Foi por isso que Sendak pediu ao diretor Spike Jonze para fazer o filme de acordo com a sua própria interpretação da história. E foi isso que Jonze fez.

Só para lembrar, Jonze dirigiu ‘Quero Ser John Malkovich’, ‘Adaptação’ e vários clipes da Björk, o que revela que ele não é um cara, digamos, muito normal. Deve ser por isso que ‘Onde Vivem os Monstros’ é tão bom. E todos o que envolve o filme foi feito com muito capricho, como a trilha sonora (veja ‘All is Love’, a melhor música). O disco foi gravado por Karen O’ & The Kids, projeto da vocalista do Yeah Yeah Yeahs! (Detalhe: O disco com a trilha do filme é bem melhor que a banda oficial dela). Até o roteirista Dave Eggers, que co-escreveu o roteiro com Spike Jonze, tirou uma casquinha: lançou ‘Os Monstros’, adaptação literária do roteiro do filme (lançado aqui pela Cia. das Letras).

Resumo: Max é um garoto que adora uma bagunça. Um dia ele exagera tanto que sua mãe o manda para o quarto mais cedo, sem jantar. Ao chegar lá, Max começa a ‘viajar’ e imagina que está no mar, navegando até uma ilha. O lugar é habitado por monstros e só há uma maneira de sobreviver: se autoproclamar rei da ilha. Os monstros aceitam e o coroam.

Como rei, Max se vê obrigado a zelar pelo bem-estar de seus monstruosos e infantis súditos. Aí, ‘do outro lado’, enfrenta questões complexas, típicas dos adultos. Descobre que a vida é feita de limites, sentimentos, responsabilidades. Decide então voltar para casa, para seu jantar ainda quentinho sobre a mesa.

O filme é muito mais prolixo, claro, mas também há outras cores ali. Jonze atendeu Sendak e fez realmente uma interpretação própria da história básica do livro. No filme os pais de Max são separados, e isso reflete diretamente na relação do garoto com os monstros. A ilha é uma projeção do mundo de Max, com tudo de bom, ruim… e único que há nele. Nesse sentido, tanto o livro quanto o filme são belos e mágicos.

Sim, há monstros dentro de cada um de nós, não importa a nossa idade. Há lugares para onde fugimos quando não queremos encontrá-los, e claro que não estou falando literalmente. Às vezes eles vêm quando colocamos a cabeça no travesseiro…

Mas enquanto crianças podem abandonar seus ‘reinos’ e voltar para casa em tempo para o jantar, não há outra opção a não ser resolver os problemas, fazer o que parece certo, viver a vida.

A história de Sendak é sobre responsabilidade, mas também sobre a essência do que é ser humano. Erramos, acertamos, aprendemos. E seguimos assim, dia após dia, enfrentando os monstros que de vez em quando surgem pelo caminho.

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Tudo bem que São Paulo entrou definitivamente para o circuito de shows internacionais, mas os produtores locais poderiam ter o bom senso de não marcar dois grandes festivais no mesmo dia. Foi isso o que aconteceu no sábado, com edições do Planeta Terra, no Playcenter, e do Maquinária, na Chácara do Jockey. O Maquinária ainda teve um show no domingo, mas o sábado realmente dividiu as plateias roqueiras da cidade. Só de birra, não fui a nenhum dos dois.

(Brincadeira, não fui por outras razões que não vem ao caso.)

Em primeiro lugar, vamos nos ater à noite de sábado. Em termos de line-up (adoro essa expressão da língua portuguesa, ‘line-up’), o Maquinária foi melhor. Elogios ao Terra pela criatividade de usar o Playcenter como local de evento, me falaram que a produção estava ótima e que os brinquedos e outras atrações deram um colorido especial ao evento. (Fora que é perto da minha casa, uma razão a mais para eu achar que as produtoras deveriam fazer mais shows lá.) A Chácara do Jockey é um lugar legal para festivais, mas é longe pra burro.

No Planeta Terra tivemos Iggy Pop, Sonic Youth e Primal Scream, além de alguns nomes brasileiros como Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong. Iggy Pop não me atrai nem um pouco até porque acho que ele é mais importante culturalmente do que musicalmente. “Uau, mas ele influenciou o Nirvana!”, vão dizer. Sim, muitas bandas boas são influenciadas por artistas medíocres. Iggy Pop e The Stooges são importantes como atitude, mas o punk nunca foi importante como música, a não ser para mostrar a ouvidos menos exigentes que alguém que não sabe tocar um instrumento… pode tocar um instrumento.

Sonic Youth talvez seja uma das bandas mais chatas que já pisaram em um palco. Suas músicas são barulhentas e sem dinâmica. “Uau, mas eles inventaram o indie rock”, vão dizer. Sim, muitas bandas que inventaram estilos interessantes se mostraram péssimas representantes desse próprio estilo. Quanto ao Primal Scream, eles eram legais nos anos 90, mas não sei por que alguém se interessaria pelo som deles hoje em dia. Acho que têm apenas uma música realmente boa, ‘Movin on up’, e só. Anos 90 por anos 90, seria mais legal tentar reunir o Stone Roses, não? Ou trazer o Happy Mondays, que voltou e está em turnê atualmente. Não vou comentar as bandas brasileiras porque não conheço muito, só sei que o Macaco Bong é uma banda instrumental. O que, definitivamente, não é uma boa opção para um grande festival, por mais que eles sejam bons.

O Maquinária me atraiu mais, principalmente porque eu era (sou?) um grande fã do Faith No More. Quando eles estouraram, com o disco ‘The Real Thing’, eu simplesmente furei meu vinil de tanto ouvir aquilo. Aquilo é que era World Music: um baterista rastafári, um tecladista surfista, um guitarrista hippie, um baixista heavy metal e um vocalista… bem, não sei definir Mike Patton. Acho que nem ele saberia.

Quem não se lembra do impacto que ‘Epic’ teve? Ninguém sabia se aquilo era rock, rap, funk, metal… todo mundo só sabia que era bom, muito bom. Não me empolguei para vê-los porque acho que a banda virou uma paródia de si mesmo: ninguém mais acredita que os caras dividem o palco porque estão a fim de tocar juntos, não é? É claramente uma turnê para ganhar uma grana e tchau. Mesmo assim, deve ter sido bem legal.

Jane’s Addiction foi legal nos anos 90, e como eles nunca vieram ao Brasil acho que foi uma escolha legal trazê-los. Dave Navarro é um guitarrista legal e Perry Farrel é um vocalista interessante, apesar de às vezes parecer mais como um Ney Matogrosso que tomou ecstasy. O som não é muito a minha praia, mas tenho amigos (aê, Rodrigão!) que curtem bastante. Deftones é muito barulhento para o meu gosto; Sepultura e Nação Zumbi são aquilo de sempre: bons, e só.

Veja os vídeos produzidos pela TV Estadão:

Faith No More tocando ‘From Out of Nowhere’
Jane’s Addiction tocando ‘Mountain Song’
Deftones tocando ‘Lotion’
Sepultura tocando ‘Moloko Mesto’

No domingo, consegui ir ao Maquinária, que teve Duff Mckagan (ex-baixista do Guns ‘N’ Roses), Dir en Grey (quem?), Panic at the Disco e Evanescence. Me avisaram que seria uma noite ‘emo’, mas eu sou corajoso e encarei. Não tenho nada contra o emo, aliás, nem contra nenhum outro estilo. Gosto de música boa, não de estilos bons. E lembro que fiquei impressionado (no bom sentido) com o show do My Chemical Romance, outra banda que classificam como emo.

Eu queria, mesmo, ver o Panic at the Disco. Essa banda de Las Vegas faz um som bem interessante, pesado e pop ao mesmo tempo, e muito influenciado por Beatles. Me disseram que os vídeos deles eram super produzidos, mas eu nunca cheguei a ver. Acho que era exatamente porque eu não tinha uma referência visual sobre a banda que eu achava o disco ‘A Fever You Can’t Sweat Out’ muito legal. Hoje em dia a imagem é tão associada ao som que as pessoas parecem ter que ver a foto da banda antes de decidir se gostam dela ou não. Se eu tivesse visto a foto deles talvez eu nem quisesse ouvir a banda, porque eles são muito, digamos, exagerados para o meu gosto.

O show do Duff foi bem legal. É uma banda roqueira, de verdade, daquelas bandas americanas que ligam a Les Paul em um Marshall distorcido e mandam ver. Na sequência veio uma banda muito engraçada, o Dir em Grey. Eles são uma banda emo japonesa super estranha. O vocal parece uma mulher e canta de uma maneira ultra-radical: ou com uma voz fininha, de garotinha, ou com uma voz gutural, cavernosa como uma banda de death metal. No meio disso, a banda faz um som eletrônico com guitarras pesadas e influenciado por nü metal. Pode até soar engraçado e original, mas na prática era um barulho infernal. E muito ruim.

No meio do festival, dei uma caminhada até o palco do MySpace, que tinha algumas bandas novas. Tive uma grata surpresa: Danko Jones, um trio pesado com um vocalista que era simplesmente um sósia (sem cabelo) de James Hetfield, do Metallica. A banda era boa, nada de incrível, mas… honesta (adoro esse adjetivo, uma banda ‘honesta). O som era como punk, mas tocado por músicos que sabem tocar.

Daí veio o Panic at the Disco e, junto com eles, a chuva. Os caras se saíram bem, são simpáticos e ótimos músicos. Tenho uma simpatia especial por eles, acho que o primeiro disco é realmente muito bom. Se você não tiver preconceito por eles serem uma banda adorada principalmente por adolescentes histéricas, pode até gostar do som. Veja a banda tocando ‘Nine in the Afternoon’ e decida.

Daí veio o Evanescente, grande atração da noite. Incrível como as garotas (e alguns garotos) amam a vocalista Amy Lee. E ela é realmente muito talentosa: canta bem, toca piano, escreve boas canções. Quanto às boas canções, estou fazendo uma crítica sem me basear no meu gosto musical, já que acho o som da banda meio dramático demais. Mas o público amou, ela tem vários hits e todo mundo sabe as letras. É fácil entender por que suas letras sobre ‘desilusão’ e ‘ninguém-me-entende-ninguém-me-ama’ fazem sucesso entre as jovens desiludidas que ‘ninguém entende’ e ‘ninguém ama’.

Esses grandes festivais são tão cansativos que a gente sempre imagina que nunca vai voltar a um evento assim. É mais ou menos como ressaca, quando você jura que não vai voltar a beber e na noite seguinte esquece o juramente e está tomando uma cervejinha como se nada tivesse acontecido. Hoje, dia seguinte ao festival, com o corpo descansado e cabeça cheia de informação, já começo a fazer planos para o próximo grande festival. Ainda bem que São Paulo entrou definitivamente para o circuito de shows internacionais.

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06.novembro.2009 19:13:54

A festa mais louca do mundo

Lady Gaga

Lady Gaga: Não lembro se a cantora estava no Burning Man, mas a versão remix de ‘Just Dance’ está na minha cabeça até agora

Todo ano, durante uma semana, trinta mil malucos se reúnem no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, para se livrar dos maus espíritos. O festival se chama Burning Man e é exatamente isso que eles fazem: queimam um homem. Calma, não é um ritual de magia negra. Numa fogueira gigante, é queimado um boneco que simboliza seu lado negro, seu chefe, sua ex-mulher ou qualquer outra pessoa de quem você queira se livrar.

Como se não bastasse uma semana no meio do deserto, essa turma ainda promove festas para reencontrar o pessoal e comemorar o seu novo ‘eu’. Como já mencionei aqui, acabo de passar um tempo em Nova York. E fui parar numa dessas festas.

Tudo começou quando passei na casa de um amigo brasileiro para tomar umas cervejas. Ele tinha convites e perguntou se eu gostaria de ir à festa. Como isso é o mesmo que perguntar a um leão se ele gostaria de jantar uma zebra, aceitei na hora. Outros amigos começaram a chegar. Como éramos oito pessoas e a festa era longe, em vez de pegar dois táxis fizemos o óbvio: contratamos uma limusine.

Confesso que foi minha primeira vez, e confesso também que pretendo andar de limusine com muito mais frequência. Não sei se existem muitas coisas na vida melhores do que tomar longos goles de champanhe ouvindo rock and roll em uma limusine a caminho de um festão em Nova York.

Chegamos às onze e o local já estava lotado. Só aí é que percebi que a festa era em um hangar, com alguns aviões particulares em volta. Perguntei para o meu amigo por que ele não me avisou que a festa era à fantasia e ele me respondeu simplesmente que vestir roupas loucas e perucas coloridas era algo comum no Burning Man. Algumas pessoas, inclusive, nem se preocuparam com essa besteira toda de roupa e foram bem à vontade… nus.

Além das pistas de dança e das pessoas fazendo tatuagens, havia grupos de flautistas peruanos, corrida de carrinhos de bate-bate, performances de acrobatas do leste europeu, ou seja, tudo aquilo que a gente está acostumado a ver no dia a dia.

Na hora de ir embora, me perdi da turma e tive que pegar o transporte gratuito que levava os convidados da festa de volta para casa. O dia estava nascendo quando um bando de loucos (entre eles, eu) entrou cantando em um ônibus escolar. Percebi então que aquela era a festa mais louca que eu já havia estado em toda a minha vida.

No dia seguinte, mesmo sofrendo com a ressaca e sem saber se tudo aquilo tinha mesmo acontecido, me senti feliz, muito feliz. É incrível, mas parece que essa história toda de se livrar dos maus espíritos funciona.

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Amigas e amigos,

só para avisar: gravei ontem uma entrevista para o Programa do Jô e ela foi ao ar… ontem mesmo. O tema? ‘Ping Pong’, comidas chinesas exóticas, jornalismo… Foi super divertido, acho que o Jô estava de ótimo humor. Até ganhei uma caneca no final!

Quem perdeu e quiser ver, o vídeo está aqui. Bjs, F.

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