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Felipe Machado

Um dia de fúria


Em ‘Um Dia de Fúria’, o personagem de Michael Douglas fica tão estressado que acaba perdendo a paciência… e a razão

Outro dia falei aqui sobre a nova lei antifumo e como ela provocou um conflito entre fumantes e não-fumantes. Confito é pouco: tenho visto verdadeiras discussões sobre o assunto. De um lado, os fumantes reclamam do preconceito; do outro, os não-fumantes passaram a perseguir os viciados em cigarro.

Na minha opinião, a lei só chamou a atenção para uma característica cada vez mais presente da nossa sociedade: a intolerância. É triste ver que pouco mudou desde 1916, quando esse sentimento batizou o clásico filme de D.W. Griffith.

A verdade é que não aceitamos o diferente. É capaz de não aceitarmos nem o igual, se ele estiver junto com o diferente. Mas o pior de tudo é que não aguentamos o outro, diferente ou igual.

Quando se pensa em intolerância, lembramos logo dos atentados no Oriente Médio ou dos americanos que entram em escolas e disparam contra todo mundo. Geralmente pensamos: ‘nossa, que absurdo’. Sim, são absurdos. Mas também é absurda a cena que presenciei na última quinta-feira, quando eu e uns amigos estávamos em um restaurante na Vila Madalena.

Chegamos à conclusão de estávamos diante de um resumo do comportamento atual da humanidade, e não apenas de um retrato da metrópole estressada: dois carros, dois motoristas idiotas. Um deles reduziu a velocidade e parou o carro porque tinha achado uma vaga; ele queria fazer uma baliza e estacionar. O outro, que vinha logo atrás, queria ultrapassá-lo naquele exato momento. Enquanto o primeiro tentava dar a ré, o outro acelerava de soquinhos e buzinava incessantemente. Cada um deles queria resolver imediatamente o seu problema, sem pensar no outro, totalmente desprovidos de bom senso. E daí os dois ficaram parados ali, no meio da rua, paralisados pelo impasse.

Mês passado comemorou-se os 40 anos do Festival de Woodstock. Não estou sugerindo que o ideal é viver como hippies, à base de drogas e rock and roll. Mas será que a humanidade não aprendeu nada com esse movimento? Será que estou viajando muito ao acreditar que é possível viver pelo menos um pouquinho à base de paz e amor?

Talvez eu esteja sendo ingênuo, mas acho que respeito é, sim, uma mercadoria em falta no mercado. Sei que somos primatas e em algum momento os instintos primitivos aparecem. Eu também fico nervoso e faço besteiras, como todo mundo. Mas será que não dá para respirar fundo e agir como um ser humano de vez em quando? Prometo que vou tentar. Gostaria que você tentasse também.

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24.setembro.2009 19:57:13

Gostar, adorar, amar

Lea Michele

Lea Michele: Eu gostaria de vê-la na TV e adoraria ouvi-la cantando na Broadway. Mas eu realmente amaria… conhecê-la melhor

Questões semânticas sempre me fascinaram. Tudo bem, o trabalho me obriga a lidar com a escrita no dia-a-dia, mas acho o tema interessante principalmente porque as palavras que usamos dizem muito sobre quem somos.

Já disse aqui que adoro ir a restaurantes e prestar atenção nas conversas de outras mesas. O papo que ouvi outro dia (era um balcão, mas enfim) é a maior prova de que palavras mal escolhidas podem gerar atritos chatos e desnecessários.

Eu estava mordendo o hambúrguer quando ouvi uma menina dizer: ‘Como assim, você gosta de mim? Ontem você falou que me adorava! A gente já sai há seis meses e você nunca disse que me ama.’ Não lembro exatamente se foi isso, mas foi algo assim.

O namorado não sabia onde enfiar a cara, mas a garota parecia satisfeita com o suposto peso que havia arrancado dos ombros. A bronca, no entanto, ficou parada no ar, sólida como uma nuvem de aço, esperando uma resposta que nunca seria pronunciada.

O cara ficou quietinho, claro. Mas o que o coitado poderia ter dito? Fiquei torcendo para ouvir ‘é isso aí, ontem eu te adorava, hoje fique feliz por eu gostar de você porque você é uma chata’, mas não rolou. É certo obrigar o outro a dizer (ou sentir) alguma coisa?

É engraçado como há diferenças de valor entre as expressões. Quando alguém diz que ‘gosta’ da gente, achamos pouco. Usamos ‘gostar’ para coisas que achamos apenas OK, como alguém que diz que gosta da sogra ou de pizza amanhecida no café da manhã. ‘Até que eu gostei do novo disco do U2′, dizem outros, como se estivessem fazendo um favor. Gostar é coisa do dia-a-dia, é apenas o primeiro passo-sentimento em um relacionamento que não se sabe para onde vai.
Quando falamos ‘eu te adoro’, a luz amarela se acende dentro do outro.

‘Opa, está ficando sério’, costuma-se interpretar. Imagine se você ouve alguém dizer que ‘adooora sanduíche de mortadela com goiabada’…eu já penso que esse cara gosta mesmo dessa coisa horrível.

Mas tudo muda quando alguém diz eu te amo. Uau. É algo para se pensar. As pessoas (normais) costumam dizer poucos eu te amo na vida. Quem está do outro lado, portanto, se acha especial.

E tem que se achar mesmo. Às vezes pode parecer impulso, mas acho que todo mundo escolhe o que vai dizer em determinadas ocasiões, principalmente nos momentos mais marcantes da vida. Se alguém ainda não disse ‘eu te amo’, é bom esperar. Ou dizer primeiro, se você não aguentar.

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Antes de qualquer coisa, não me peçam uma opinião sobre o filme. Só vi o trailer e, mesmo assim, achei super tendencioso (a favor dos bandidos). Espero que não seja mais um ‘Carandiru’, filme em que os policiais são maus e os bandidos são os caras mais legais do mundo. Cineasta brasileiro adora fazer maniqueísmo ao contrário.

Mas vamos lá, à informação:

O longa ‘Salve Geral – O Dia em que São Paulo Parou’, de Sérgio Rezende, será o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro, informou nesta sexta-feira, 18, o Ministério da Cultura. O anúncio foi feito pelo secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, durante coletiva à imprensa, no Rio de Janeiro.

O filme, que só estreia no dia 2 de outubro, relembra os ataques coordenados de maio de 2006 feitos por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra policiais nas ruas de São Paulo. A história do longa é de uma advogada (Andréia Beltrão) cujo filho (Lee Thalor) está preso nos dias que antecedem o episódio.

Rezende também dirigiu produções como ‘Guerra de Canudos’ (1997) e ‘Zuzu Angel’ (2006). ‘Salve Geral’ disputará um lugar entre os indicados à categoria com obras de outros 95 países. A escolha dos indicados ocorre em janeiro e a entrega do Oscar será realizada em Los Angeles, no dia 7 de março.

O filme de Rezende desbancou ‘Budapeste’, de Walter Carvalho, uma adaptação do romance de Chico Buarque e Jean Charles, de Henrique Goldman, que conta a história do brasileiro morto pela polícia de Londres.

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Depois de São Paulo e Curitiba… Belo Horizonte: na próxima quarta-feira, dia 23 de setembro, estarei na belíssima (puxa-saco) capital mineira para o lançamento de ‘Ping Pong – Chinês por um mês – As Aventuras de um Jornalista Brasileiro pela China Olímpica’.

O evento acontece a partir das 19h no Restaurante 2009 (R. Levindo Lopes, 158, Savassi, (31) 3327-6766) e contará com a presença de muitos atores famosos e modelos seminuas (isso é mentira, claro, apenas para atrair gente).

Eu, no entanto, garanto que estarei lá. E prometo pagar uma garrafa de whisky para quem comparecer (isso também é mentira). Agora, sério: no máximo, pelo menos um chopp eu prometo. O pão de queijo… tem lá, uai.

Espero você lá! Abs, F.

Convite Ping Pong BH

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John Lasseter

John Lasseter revolucionou a história do cinema em 1995, ao dirigir o megassucesso de animação ‘Toy Story’. Depois, vieram ‘Vida de Inseto’, ‘Carros’… Hoje, ele é o diretor criativo da Pixar e cérebro por trás de filmes como ‘Up – Altas Aventuras’. Você já viu?Está em cartaz e vale a pena, não interessa a sua idade. Minha filha de dois anos e meio adorou: o pai dela também… e todo mundo que estava no cinema. John é um dos caras mais talentosos do planeta.

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Amantes, de James Gray

Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow são dois atores sensacionais em um filme delicado e profundo

Desde que o mundo é mundo se discute qual é o elemento que define se um relacionamento será bem sucedido, a razão ou a emoção. E será assim para sempre, já que esta é uma discussão sem vencedores.

Está em cartaz um filme que aborda esse assunto. Amantes, de James Gray, é um excelente retrato da encruzilhada vivida por Leonard, personagem interpretado por Joaquin Phoenix. Um breve resumo: Leonard é um cara problemático que apresenta tendências suicidas desde que foi abandonado pela ex-noiva.

Como acontece sempre que estamos confusos, o destino nos confunde ainda mais: no momento em que surge em sua vida a bela Sandra (Vinessa Shaw), filha do sócio de seu pai, Leonard conhece Michelle (Gwyneth Paltrow), uma vizinha sexy e meio maluca. O resultado é esperado. Leonard se apaixona por Michelle, ao mesmo tempo em que sua família o empurra para os braços de Sandra.

Ninguém escolhe por quem se apaixona, e não seria diferente com o nosso Leonard. O problema é que Michelle não o ama. Ela gosta de sua companhia, mas já é amante de um milionário casado, que vive prometendo que vai deixar a mulher.

O filme trata das escolhas de Leonard de maneira sensível e interessante do ponto de vista psicológico. O que ele deve fazer?, pergunta-se o público. Ficar com Sandra e viver tranquilamente ou arriscar tudo para lutar pelo amor de Michelle?

Fique tranquilo, não vou contar o final aqui. Mas fica a discussão: vale a pena viver um cotidiano de poucas e previsíveis emoções ou uma vida intensa cheia de altos e baixos? Cada um, cada um, como diz o velho ditado chinês (não sei de onde tirei que algum ditado chinês diz isso, mas tudo bem).

Estamos acostumados a viver esse dilema. Somos obrigados diariamente a fazer escolhas em que razão e emoção se contrapõem, e isso gera sempre aquela dúvida: ‘como teria sido minha vida se eu tivesse feito uma escolha diferente?’

É chato viver assim. É bom tomar decisões e assumir as responsabilidades que vêm com elas. Seria caótico se todo mundo vivesse baseado ‘no que teria acontecido se algo fosse diferente’. Teríamos bilhões de realidades paralelas, já que toda decisão gera um número de consequências igualmente e infinitamente variáveis.

Espero que isso não seja um conselho, mas vamos lá: é importante ficar com quem você gosta, mas também é importante ficar com alguém que gosta de você. Desde que o mundo é mundo, nosso objetivo é procurar uma pessoa que preencha esses dois requisitos. Boa sorte para todos nós.

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Beatles, Abbey Road
‘Abbey Road’: And in the end… the love you take is equal to the love you make
(E no fim, o amor que você leva é igual ao amor que você faz

Hoje marca o início de uma nova onda (mais uma) de Beatlemania. É que nesta data cabalística, 9/9/09 (number nine, number nine…), além do relançamento pela gravadora EMI dos 13 discos dos Beatles em versões remasterizadas, chega às lojas o videogame que permite dividir o palco e ‘tocar’ junto com os quatro músicos de Liverpool.

Os ‘novos’ discos estão bem legais, com projeto gráfico vintage, qualidade de som mais fiel ao que foi gravado no estúdio e alguns arquivinhos em vídeo que recriam a atmosfera no lendário estúdio Abbey Road. Já o game é legal, tudo bem, mas como todos os jogos do gênero é uma bela besteira. Seria bem mais interessante para um garoto gastar tempo aprendendo a tocar um instrumento de verdade em vez de simular isso na frente de uma TV.

É apenas uma opinião, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que toda essa história me deixou com uma pulga atrás da orelha (nossa, que expressão velha) e me fez questionar: por que, depois de tantos anos, os Beatles ainda continuam a fascinar as pessoas dessa maneira?

A primeira coisa que me veio à cabeça foi o lado cultural, a influência que eles exerceram na sociedade com o seu modo de se vestir, seus cortes de cabelo. Só isso já seria gigantesco, mas tinha que haver algo a mais.

A música, claro. As canções dos Beatles não são apenas tão maravilhosas quanto qualquer obra composta por Mozart ou Beethoven, como também foram, são e serão para sempre a trilha sonora de milhões de amores, sonhos, vidas.

Mas não foram apenas a influência no comportamento e as músicas: os Beatles são uma metáfora da vida. A química entre John, Paul, George e Ringo é uma daquelas coisas inexplicáveis que acontecem apenas uma vez na eternidade. Além do talento e do carisma, cada um deles revelou-se profeticamente como arquétipo: John é a rebeldia; Paul, o amor; George, a espiritualidade; Ringo, a graça.

Somos uma mistura das personas dos quatro Beatles, com intensidades e porcentagens diferentes. Às vezes, nos comportamos diante de determinada situação com uma paixão ingênua à la Paul; às vezes somos mais descompromissados, mais leves, mais Ringo.

A carreira dos Beatles também contribui para a criação desse mito, justamente porque a curta trajetória deles se confunde com a própria existência humana. Por meio de sua obra genial, acompanhamos a transformação de garotos em homens, a substituição do coletivo pelo individual, o fortalecimento do ego. Ao olhar para uma foto dos Beatles, descubro que eles não são apenas os Beatles: eles são todos nós.

Beatles remaster

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Chris Brubeck tem um sobrenome que chama a atenção de quem gosta de boa música: ele é filho de ninguém mais ninguém menos que Dave Brubeck, lendário pianista cujo disco ‘Time Out’ está completando 50 anos de uma revolução no jazz. Mas Chris Brubeck não é reconhecido apenas pelo talento familiar: ele é um músico completo. Além de compositor, toca trombone, baixo elétrico e piano. O músico esteve no Brasil em agosto para se apresentar ao lado do pianista João Carlos Martins e de sua Orquestra Bachiana em um concorrido concerto no Teatro CIEE, em São Paulo. Horas antes, ele me concedeu uma entrevista exclusiva, que reproduzo aqui. Se preferir, veja abaixo o vídeo da TV Estadão.

Como você conheceu João Carlos Martins?É uma história um pouco louca. Tenho um amigo que costumava tocar Bach no banjo. Quando eu tinha uns 12 anos, ele me dizia: ‘você tem que ouvir esse pianista brasileiro, ele toca Bach de uma maneira totalmente diferente’. Era João Carlos Martins. Alguns anos mais tarde, eu estava tocando com meu pai em um festival no Alasca e fomos ver Martins se apresentar. Apesar de ser um respeitado pianista clássico, ele tocou uma composição do meu pai, ‘Blue Rondo a la Turk’, e ele ficou muito honrado. Fomos apresentados a Martins e acabamos ficando amigos. Depois nos encontramos muitas vezes. Uma vez, em Nova York, quando dei a ele um disco que eu havia acabado de lançar com a Sinfônica de Londres chamado ‘Bach to Brubeck’ eu disse: ‘você me ensinou a ser livre com a música de Bach’. Ele tocou esse arranjo numa apresentação no Carnegie Hall, o que me deixou muito feliz. E agora Martins e meu pai vão tocar juntos pela primeira vez no Lincoln Center, em Nova York, no dia 2 de outubro. E a Orquestra Bachiana vai tocar meu concerto para trombone e orquestra, o mesmo que tocamos juntos em agosto em uma apresentação aqui em São Paulo.

Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre jazz e música clássica?
Vejo poucas diferenças entre jazz e música clássica, até porque meu pai foi um dos primeiros a misturar os estilos nos anos 60 tocando com Leonard Bernstein. Acho normal transitar entre blues, jazz, folk… Tenho feito isso como compositor porque nunca estudei música em conservatórios, sou um músico das ruas, aprendi tocando com grandes bandas e orquestras. Há algum tempo havia um preconceito porque eu era considerado um músico muito aberto, tocava vários estilos. Hoje isso é uma qualidade, porque mostra que posso transitar entre várias linguagens e sou chamado para tocar com muitas orquestras e artistas diferentes.

Você se apresentou com a Orquestra Bachiana… o que você acha de Villa-Lobos?
Gosto de Villa-Lobos porque ele não é um compositor totalmente acadêmico, que busca a perfeição. Cada músico tem um espaço de liberdade que não é muito comum na música clássica, ao contrário do folk ou jazz. É lindo. Villa-Lobos parecia mais preocupado com a emoção e a beleza da obra, não tanto com a sequência perfeita das notas.

Que outros compositores brasileiros você conhece?
Não conheço muito a música brasileira, talvez porque tenha havido uma influência americana muito grande nos últimos 30 anos e isso tenha provocado uma conseqüência negativa. Conheço a banda Azymuth, e, claro, Gilberto Gil, Tom Jobim, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Como o fato de ser filho de Dave Brubeck influenciou sua vida e sua carreira musical?
Ser filho dele não me influenciou apenas porque ele é meu pai, mas porque tocar baixo em sua orquestra me fez crescer como músico. Como pianista ele toca tão fácil, de forma tão espontânea, que até hoje fico impressionado com a qualidade do seu improviso. Mas sou diferente dele porque para mim rock & roll e funk são coisas naturais, mas para ele não, porque não é a música da sua geração. Na música pop, gosto de Yes, Emerson Lake & Palmer. Amo os Beatles e acho Rolling Stones uma música muito simplista, um rhythm and blues de segunda linha. Gosto de algumas coisas deles, mas odeio ‘Satisfaction’. É uma canção muito primitiva…


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Descobrir que algumas pessoas são mais especiais do que outras não me surpreende, mas como e por que isso acontece permanecerá eternamente um mistério. Tudo bem: afinidade e carinho não precisam necessariamente ser explicados com palavras.

Aplicando isso à minha realidade, gostaria de fazer uma pequena homenagem a uma das pessoas mais queridas que passaram pela minha vida (o mais correto seria dizer que fui eu quem passou pela dela), que partiu na última quarta-feira.

Como todo ocidental, não sei lidar com a morte. Porém, mais do que isso, não consigo compreender como alguém tão familiar, que esteve presente nos meus 39 anos de existência, simplesmente deixou de existir. Parece óbvio, mas não é.

Minha tia deixa de existir fisicamente, só para deixar claro. Devido à idade avançada, eu já não a encontrava pessoalmente há algum tempo. Mas seu rosto e seu jeito continuam – e continuarão – gravados em alguma amada gaveta da minha memória, compartimento que acessarei ao ouvir seu nome ou ver pequenas coisas que a tragam de volta, nem que seja por um momento singelo e efêmero.

Pessoas são conexões. E, como tal, ela era ligada à outra pessoa que me deixou e que faz a maior falta. Minha avó e minha tia eram queridas por diversas razões que não vêm ao caso, mas principalmente porque simbolizavam na minha cabeça um mundo melhor, mais correto, mais ‘do bem’.

É claro que elas tinham seus defeitos e certamente discordariam de mim em dezenas de questões, mas não é disso que estou tratando aqui: estou tratando de algo maior, como valores, ética, verdades. Algo que existe cada vez menos ao nosso redor.

Me desculpe se o texto saiu um pouco triste para um domingo de manhã. Não foi a intenção. Nem ela gostaria, como leitora assídua desta coluna. Tentando encerrá-la com um (artificial) tom de otimismo, cito uma prima que durante o velório se utilizou da velha expressão ‘ela finalmente descansou’. Descansar, nada mais justo. Para a família é sempre difícil aceitar, mas todos temos uma história de vida, um caminho a percorrer antes de chegar a um determinado destino.

Onde é esse destino? Sei lá, cada um que busque o seu. E torça para ir embora no momento em que, simplesmente, como se a morte fosse uma escolha, se deseje apenas isso: descansar.
É triste dizer adeus, mas talvez seja possível reduzir esse sentimento de impotência acrescentando uma palavra ao final da frase.

Portanto… adeus, tia Olga. Adeus e obrigado.

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Robert Rey
Robert Rey usa umas roupas esquisitas, mas parece ser um cara gente fina

Um cara conhecido como ‘Dr. Hollywood’ só pode ser uma celebridade. O cirurgião plástico Robert Rey, estrela de um reality show da TV norte-americana que está sendo exibido aqui pela RedeTV!, é um paulista nascido em uma família pobre na Lapa, em São Paulo, que hoje fala português com sotaque ‘amerrricannno’ (o nome verdadeiro é Roberto Rey, claro). Aos 11, ele foi morar nos Estados Unidos após ser levado para lá por um grupo de missionários – e acabou se dando bem: além de milionário, ele é formado pela Harvard University e tem uma das clínicas mais procuradas de Beverly Hills, o bairro mais VIP da Califórnia.

Tudo bem, ele usa umas roupas meio estranhas e tem um jeito meio afetado. Mas o que acho legal é que ele já se dispôs a participar de campanhas sociais no Brasil, como o ‘Médico do Bem e dos Carentes’. Seria uma espécie de ‘Dr. Robin Hood’, como ele mesmo gosta de se definir. Outra coisa legal é que ele já se colocou a serviço do Hospital de Câncer de Barretos para ajudar na reconstrução estética de pacientes carentes e contribuir em cirurgias infantis. Também já prometeu que vai atuar com ONGs que trabalham com meninos de rua, até porque ele já sofreu isso na pele: hoje milionário, o cara chegou a cometer pequenos furtos quando era criança. Ou seja: é um exemplo legal.

Abaixo, entrevista com Robert Rey enviada pela minha amiga Karina Klinger.

O que as mulheres esperam hoje da cirurgia plástica?
Se você ganhou cinco quilinhos, não deve correr para a cirurgia plástica imediatamente. Por incrível que pareça, sou contra a cirurgia plástica como primeira escolha. Hoje em dia a mulher é muito profissional, supera o homem, mas a sua auto-estima está baixa demais. Rejeito 90% das pacientes que vêm a minha clínica, porque geralmente elas estão bem e nem precisam de cirurgia. Quantas vezes entra pela porta uma mulher de 1,80 metro e 50 kg implorando por uma lipoaspiração? Elas podem pagar cinco mil dólares pela consulta, mas não precisam de nada. São perfeitas e deprimidas.

Mas isso não vai contra o seu negócio, que é fazer cirurgias?
Não quero mais fazer cirurgias como fiz a vida toda. Acho que hoje a tecnologia é o futuro para pequenos retoques, como a maioria das mulheres deseja. Há luzes poderosas, técnicas para enxugar, encolher, reafirmar até 15 cm de pele de braço, como eu já vi, sem precisar usar o bisturi. Tenho as minhas técnicas e quero aplicá-las, por exemplo, para reconstruir rostos de crianças e incluí-las na sociedade.

Você está envolvido em projetos sociais?
Sou um Robin Hood da cirurgia plástica. Desenvolvo uma série de projetos pelo mundo que me dão muito prazer. É como se tirasse dos ricos para dar aos pobres, mas no bom sentido. Aqui quero trabalhar com o Hospital de Câncer de Barretos. Soube que vão construir um hospital oncológico infantil com base no St. Judes Hospital, de Los Angeles, que conheço muito bem. É referência no mundo para tratar crianças e eu vou colaborar fazendo a minha parte.

Você trabalha com beleza e parece ser um homem vaidoso. Você se considera um metrossexual?
Esse visual é meu uniforme de Hollywood. Mas sou Hollywood apenas até a última peça de roupa. Há mulheres que vêm do mundo inteiro para a minha clínica e, por respeito a elas, acredito que preciso estar sempre bem. O mínimo que posso fazer para mostrar respeito é manter um visual legal.

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