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Felipe Machado

Bia Castilho

Chegar em casa do trabalho e encontrar a Bia te esperando: happy hour

Faz tempo que não publico nenhum post da seção ‘Borracharia’, mas agora não resisti. Recebi essa foto da Bia Castilho, ex-No Limite, que acaba de posar para o site Paparazzo (foto de Ernani D´almeida). Acho que não é preciso dizer por que eu não resisti a publicá-la.

Se ela tivesse posado para o site antes do programa estrear, talvez ele tivesse alguma audiência. Eu, pelo menos, teria visto.

Segue a ficha técnica (pra quê?) da Bia:

Nome completo: Bianca de Castilho Amaral
Bonito nome, mas Bianca de Castilho Amaral Machado ficaria melhor.

Data de nascimento: 21/09/1984
Adoro o ano em que ela nasceu: me lembra o livro do George Orwell (Big Brother, No Limite… tudo a ver)

Signo: Virgem
Me dou muito bem com esse signo. Pode soar estranho o que vou dizer agora, mas meu pai e minha mãe são Virgens.

O que mais gosta em seu corpo: Os olhos
Quando eu vejo as fotos dela, a coisa que eu mais gosto no meu corpo também são os olhos.

Perfume: CK One, da Calvin Klein
Ótimo, me lembra minha música favorita do U2.

Homem bonito: Johnny Depp
Tem gosto pra tudo, já me disseram que sou a cara dele (foi na sala de espera do oftalmologista, a mulher tinha sérios problemas na vista).

Mulher bonita: Fernanda Lima
Mais um ponto em comum: temos o mesmo gosto para mulheres.

O que mais gosta num homem: Inteligência.
U-hu! Me dei bem.

O que não tolera num homem: Burrice
U-hu 2. Me dei bem de novo.

Não vivo sem…: As pessoas que amo
Profundo, isso significa que, se ela se apaixonar por mim, viveremos felizes para sempre.

O que te tira do limite: Nada
Adoro mulheres ilimitadas.

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  • A + A -

Um grande amigo acaba de me enviar um texto que me provocou duas sensações: a primeira foi alegria, porque percebi o quanto foi boa a balada em que ele esteve. A segunda foi inveja, no bom sentido, porque eu também adoraria ter estado lá.

O texto a seguir é um relato do cineasta, diretor de cinema e roteirista Maurício Eça, um dos sócios da hypada produtora Hotel:Filmes. Ele teve o prazer de assistir a um dos primeiros shows da nova turnê do U2 e tenho certeza de que você vai sentir a mesma coisa que eu: uma pitada de inveja (no bom sentido, claro).

U2 360º na Escócia
Maurício Eça

No último dia 18 de agosto assisti a um show do U2 da sua nova turnê ’360º’ no Hampden Park, em Glasgow, Escócia. O estádio recebeu mais um público de 62 mil pessoas para esta etapa da enorme turnê mundial da banda irlandesa.

Chegamos cedo, a tempo de ver o estádio lotando pouco a pouco e também para entrar no clima ‘scotish’. Foi bem diferente poder entrar em um estádio tão lotado com tanta calma, e ainda poder assistir à luz do dia os últimos acertos do incrível palco novo do U2.

Pouco antes das 19h, a banda britânica The Hours abriu esse dia (ainda não tinha anoitecido…) de típico verão escocês, um tempinho de cerca de 17º e alguma chuva. O set foi curto e direto, conciso, rock com teclado e forte química entre os seus membros. A banda esquentou o palco e, na sequência, veio o Glas Vegas. Com mais entusiasmo, a banda fez um show mais frio, mas nem por isso menos elétrico. O Glas Vegas está lançando seu novo álbum e fez questão de dar uma amostra das novas músicas ao público.

Nos alto-falantes tocava ‘Space Oddity’, de David Bowie: foi a senha para que as luzes do estádio fossem apagadas e a banda começasse a aparecer no telão, caminhando lentamente do camarim para o palco. Estava quase escuro quando, britanicamente às 20h30, o U2 entrou no palco. O primeiro foi Larry Mullen Jr., que começou a espancar sua bateria para introduzir ‘Breathe’, do disco novo. O guitarrista The Edge e o baixista Adam Clayton entraram ao mesmo tempo; em seguida, como um relâmpago, Bono entra correndo e o estado de ecstasy entra na veia de todos no estádio. Loucura sonora e visual!

O U2 hoje, sem dúvida alguma, é o principal nome pop do mundo e tudo o que a banda toca é muito forte. E o novo palco do U2 está quebrando todos os recordes: é em formato de 360 graus, não há fundo, e todo mundo que está no local pode ver os caras, o que significa na prática que todos os ingressos do estádio podem ser vendido, mesmo os que na estrutura tradicional de shows em estádio não podiam ser comercializados porque estavam atrás do palco. Graças a isso, o show da banda no estádio de Wembley, em Londres, bateu todos os recordes de públicos em estádios.

Visualmente o U2 sempre se supera. Este show mostra mais uma vez o talento e criatividade dos irlandeses. Os telões estão sincronizados com a ação da banda no palco, mudando de acordo com o que eles fazem, girando… A iluminação, o telão que baixa até quase a altura dos membros da banda, enfim… tudo é inacreditável. Não é supresa para ninguém que a banda tenha uma simbiose perfeita, todos sabem o que tem que fazer e em qual momento do show. Parece tudo muito ensaiado, coreografado, preciso. Mas mesmo assim tudo o que eles fazem, apesar desse suposto excesso de profissionalismo, é incrivelmente forte, com atitude e verdadeiro. Mesmo quando tocam ‘Sunday Bloody Sunday’, ainda é possivel acreditar no que eles dizem e ver o quanto eles se entregam.

Algumas surpresas ainda estavam guardadas pra nós: Bono tirando os óculos escuros durante o show; e a pane do sistema de som do estádio, que ‘morreu’ durante um tempo enquanto eles cantavam ‘Walk on’ (veja o vídeo abaixo). Mesmo assim, o U2 mostrou raça: a banda não parou de tocar e se manteve com a mesma força até o sistema de som voltar à normalidade.

O show teve ainda uma bela homenagem à ativista birmanesa Aung San Suu Kyi, com fãs entrando no palco com a máscara dela, muitas musicas do seu novo CD e os velhos hits que todo mundo queria ouvir. Estava tudo certo: estádio cantando junto, uma versão de ‘One’ incrivelmente densa,…tudo!

Com pouco mais de duas horas de show, o U2 encerrou com ‘Moment of Surrender’ para uma plateia cansada, bêbada… mas muito feliz.

A seguir, o set list do show:

1. Breathe
2. No Line On The Horizon
3. Get On Your Boots
4. Magnificent / Flower Of Scotland (trecho)
6. Beautiful Day / Here Comes The Sun (trecho)
7. Elevation / Up On The Catwalk (trecho)
8. I Still Haven’t Found What I’m Looking For / Movin’ On Up (trecho)
9. Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of
10. Unknown Caller
11. The Unforgettable Fire / A Day Without Me (trecho)
12. City Of Blinding Lights
13. Vertigo
14. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight / Two Tribes (trecho)
15. Sunday Bloody Sunday / Oliver’s Army (trecho)
16. Pride (In The Name Of Love)
17. MLK
18. Walk On
19. Where The Streets Have No Name / All You Need Is Love (snippet)
20. One

Bis:
Ultra Violet (Light My Way)
With Or Without You
Moment of Surrender

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A ideia não é falar sobre ciúme, mas utilizar esse sentimento para abordar uma outra questão: uma questão de ponto de vista.

Você já ouviu falar de gente que faz swing, certo? A prática é conhecida como ‘troca de casais’. É de se imaginar que o último motivo de briga entre essas pessoas é o ciúme, não? Quem faz swing não deve dar a menor bola para esse assunto.

Mas se eles não brigam por ciúme, uma causa de discussão tão frequente em qualquer relacionamento… sobre o quê brigam esses casais, então?

Não tenho a menor ideia, mas devem brigar sobre alguma coisa. Sei lá, talvez porque a mulher queimou o arroz, ou porque o cara esqueceu a toalha molhada em cima da cama. Não importa. O que importa é que tem homem que acha normal ver a mulher transando com outro cara, mas fica louco quando ela queima o arroz.

Tudo isso para dizer o quê? Que tudo na vida é uma questão de ponto de vista. O que eu acho totalmente inaceitável em um relacionamento pode ser a coisa mais normal do mundo para você. E eu posso achar maravilhoso algo que você considera absurdo.

De onde vêm essas diferenças? Da educação, da família, da influência dos amigos… de algum lugar. Arriscando um palpite, eu diria que os relacionamentos mais bem-sucedidos são aqueles em que os casais têm o maior número de pontos de vista em comum. Ninguém precisa pensar igual sobre tudo, porque aí também não teria a menor graça. Discutir um pouquinho é até bom, não? Principalmente quando um dos dois não quer convencer o outro de que é o dono da verdade.

A diferença entre pontos de vista não acontece apenas com os relacionamentos. Na semana passada, por exemplo, tive o prazer de quase ser esmagado por um daqueles ônibus de turnê pintados com a cara do artista. Esses ônibus são horrorosos (no meu ponto de vista, claro), mas o que mais me chamou a atenção foi o nome da banda: ‘Camisa Suada’. E daí fiquei pensando no surreal diálogo entre os membros do grupo:

‘Cara, tive uma ideia genial para batizar a banda.’
‘Opa, manda aí!’
‘Camisa Suada.’
‘Camisa Suada? Mas isso não é meio nojento? Não é uma sensação ruim ficar com a camisa suada?’
‘O que é isso, cara? Não seja careta. É ótimo, as pessoas vão imaginar uma balada animada, com todo mundo pulando… e daí a camisa da galera fica suada, sacou?’

Nunca saberemos se esse papo realmente aconteceu. Mas que a banda foi batizada com esse nome, isso foi. E os músicos aceitaram. Ou seja, tudo nessa vida é uma questão de ponto de vista.

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Amigas e amigos,

esse post é apenas para dividir uma coisa muito importante para mim com vocês: o livro ‘Ping Pong – As Aventuras de Um Jornalista Brasileiro na China Olímpica’ foi indicado ao 51º Jabuti, o prêmio literário mais importante e tradicional do país. Recebi a notícia com muita felicidade e um pouco de surpresa, não sabia nem que a editora Artepaubrasil tinha feito a inscrição…

‘Ping Pong’ concorre numa categoria de peso, ‘Contos e Crônicas’. A seguir, os 10 livros indicados ao Jabuti nessa categoria:

Contos e Crônicas

1.º Canalha! – Crônicas (Editora Bertrand Brasil), de Fabricio Carpinejar
2.º 101 Crônicas – Ungáua! (Publifolha), de Ruy Castro
3.º Ó Editora (Iluminuras), de Nuno Alvares Pessoa de Almeida Ramos
4.º Rasif (Record), de Marcelino Freire, e Ostra Feliz Não Faz Pérola (Planeta), de Rubem Alves
5.º Os Comes e Bebes nos Velórios das Gerais e Outras Histórias (Auana), de Déa Rodrigues da Cunha Rocha
6.º Ping Pong – Chinês Por Um Mês: As Aventuras de Um Jornalista Brasileiro Pela China Olímpica (Manuela Editorial – Arte Paubrasil), de Felipe Machado
7.º Crônicas e Outros Escritos de Tarsila do Amaral (Unicamp), de Laura Taddei Brandini (Org.)
8.º Antologia Pessoal (Record), de Eric Nepomuceno
9.º Cheiro de Terra – Contos Fazendeiros (Scortecci), de Lucília Junqueira de Almeida Prado, e O Silêncio dos Amantes (Record), de Lya Luft
10.º Vatapaenses Vasos Comunicantes (Gm Minister), de Sergio de Almeida Brun

A segunda fase do julgamento acontece em 29 de setembro, quando serão revelados os três primeiros colocados de cada uma das 21 categorias. No dia 4 de novembro, serão anunciados os melhores livros do ano de ficção e não-ficção.

Para ver todos os indicados, clique aqui. Queria aproveitar para deixar registrado meu agradecimento ao júri da Câmara Brasileira do Livro (CBL), é uma honra para qualquer escritor.

Abs, F.

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Rita Hayworth é Gilda
Rita Hayworth: Nunca haverá outra mulher como Gilda. Até porque já é praticamente proibido fumar em Hollywood

No último sábado aconteceu uma coisa inédita: saí à noite em São Paulo e não cheguei em casa cheirando como se eu tivesse mergulhado de cabeça em um cinzeiro gigante.

A radical lei antifumo influenciou tanto a vida das pessoas que virou assunto em todas as rodinhas da cidade (só para constar, até o fechamento desta edição ainda não havia nenhuma lei que proibisse as rodinhas). Como a polêmica tem forçado todo mundo a tomar uma posição, aqui vai a minha: sou a favor da lei.

Não sou a favor apenas porque não fumo, embora esta já seja uma razão mais do que suficiente. Sou a favor porque um mundo sem cigarros é um mundo mais saudável, mais cheiroso, mais agradável. Mas quem fuma não precisa parar de ler este texto, porque não pretendo fazer apologia da lei. Não sou um fumochato (versão esfumaçada do ‘ecochato’), até continuo mantendo relações (de longe, claro) com quem fuma. E ainda acho melhor dividir a mesa com um fumante do que com um político, por exemplo – pelo menos não há risco de a minha carteira desaparecer do meu bolso.

Acho chato que a lei tenha aumentado o clima de confronto entre fumantes e não-fumantes, como se fumar fosse crime. Dá para acreditar que há até disque-denúncia? Fumar não é crime. É vício, coitados. Quem diz que pode parar a qualquer hora não é fumante. É mentiroso.

Compaixões à parte, também acho meio agressiva a postura que os fumantes andam adotando. Teve gente que comparou a nova lei aos campos de concentração na Alemanha nazista. Menos. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria a filosofia chinesa (a filosofia chinesa diz isso? Duvido). Os fumantes só precisam entender que quem fuma incomoda os outros, e não o contrário. Mas quem não fuma também tem que entender que não se muda um hábito assim, à força, de uma hora para a outra. Vamos com calma, como diria o fumante passivo, quer dizer, pacífico.

Veja pelo lado bom: dizer que ‘vai sair para fumar um cigarro’ na balada pode ser muito útil na hora de dispensar alguém. E quando o cara sair lá fora para fumar, antes de congelar ele pode voltar a usar o velho ‘você vem sempre aqui?’ sem medo de soar ridículo. Finalmente, essa proibição toda pode trazer de volta algo delicioso que talvez os fumantes nem se lembrem
mais: beijos sem gosto de cigarro. De qualquer maneira, temos de manter o bom senso e não radicalizar de nenhum dos dois lados. Fumantes e não-fumantes podem conviver em paz e harmonia. Desde que seja ao ar livre, claro.

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Jon Alpert

Jon Alpert é um dos documentaristas mais premiados do mundo. Estou dizendo que ‘eu queria ser esse cara’ apenas retoricamente, porque eu nunca teria coragem para acompanhar guerras e conflitos como ele, de peito aberto e, na maioria das vezes, do lado de lá, ou seja, no mesmo campo de batalha que os inimigos dos Estados Unidos, os ‘bad guys’.

Alpert esteve em São Paulo para ministrar um curso na Academia Internacional de Cinema e para um projeto de documentário em Dourados, no Mato Grosso do Sul(detalhes abaixo). Alpert já ganhou três Primetime Emmy Awards, onze News & Documentary Emmy Awards e um National Emmy. Ele foi o único repórter a ganhar prêmios Emmy também por seu trabalho técnico como câmera e editor. Em 39 anos de carreira, Alpert realizou documentários para o canal PBS (rede pública dos EUA), NBC e HBO. Ele acumula várias ‘medalhas’: foi o primeiro repórter americano a entrar no Camboja depois da Guerra do Vietnã; o primeiro repórter de TV a entrar no Afeganistão; o único não-cubano a entrevistar Fidel Castro quando ‘El Comandante’ discursou na ONU. Da União Soviética, fez as primeiras reportagens sobre a Perestroika e a Glasnost de Gorbachev; estava na China durante o massacre na Praça da Paz Celestial; entre 1993 a 2002, foi o único repórter a entrevistar Saddam Hussein.

A seguir, depoimento que ele me deu durante uma entrevista para a TV Estadão. Se preferir ver o vídeo, clique aqui.

Índios em Dourados: culto suicida ou assassinatos em série?

Há 12 anos eu ouvi falar de um culto suicida de uma tribo indígena em Dourados, no Mato Grosso. Essas pessoas eram tão tristes que estavam cometendo suicídio, se enforcando. Enviei um amigo para investigar o assunto e ele disse: é verdade, os índios estão morrendo, estão enforcados em árvores. Mas não parece suicídio, parece assassinato porque eles estavam se enforcando sentados, pertinho do chão. Parecia que alguém estava matando os índios e simulando os enforcamentos. Na época, passei uma semana na reserva investigando o assunto. Semana passada eu voltei lá, porque ainda não estava claro o que havia acontecido. Não há mais enforcamentos, mas o índice de suicídios e assassinatos ainda é muito alto, há uma grande disputa pela terra entre índios e fazendeiros.

Filmando no campo de batalha

Nos velhos tempos, quando fui a guerras em que os Estados Unidos estavam envolvidos, geralmente eu estava do outro lado e os americanos estavam atirando em mim ou ajudando as pessoas que estavam atirando em mim. Por exemplo, na Nicarágua, eu estava com os Sandinistas, e os americanos estavam ajudando os Contras. Era uma sensação muito estranha, porque as bombas que estavam caindo sobre a minha cabeça haviam sido pagas com o dinheiro dos meus impostos. Na primeira Guerra do Golfo, entrei para a lista negra do governo por causa das minhas reportagens. Quando os bombardeios começaram, fui o único repórter a permanecer em Bagdá e filmei coisas que nem o governo do Iraque nem o governo dos Estados Unidos queriam que eu filmasse. E fiz isso de maneira independente, enquanto as bombas americanas estavam caindo. Na segunda Guerra do Golfo, muitos repórteres começaram a trabalhar com as tropas americanas, e eu nunca havia feito aquilo. Mas fiz um documentário chamado ‘Bagdá E.R.’, filmado dentro de uma sala de emergência de um hospital militar no Iraque. Se você leva um tiro na guerra, eles te levam para esse hospital. Há muitas amputações, muitas cenas fortes. Achei que o exército me impediria de filmar, mas eles foram muito compreensivos, fiquei surpreso. Então, pela minha experiência, é possível fazer um bom trabalho com ou sem o apoio do exército. Os solados respeitam meu trabalho. O problema foi o governo Bush, que tentou impedir a exibição do documentário. Eles chegaram a ligar para a HBO para tentar proibi-lo, mas a emissora rejeitou a pressão e o exibiu mesmo assim.

Documentários: O estilo ‘Michael Moore’

Acho que há espaço para documentários de todos os estilos, e esse é o estilo dele. É muito eficiente porque Michael Moore sabe como misturar entretenimento e propaganda. Seus filmes são perfeitos para pessoas que já tem uma ideia prévia sobre determinado assunto. Eu faço documentários para minha mãe, para gente que quer criar uma opinião a partir do zero. Tenho um estilo mais linear, não gosto de revelar ao público o que estou pensando. Quando fizemos o documentário sobre o Iraque, as pessoas não sabiam o que eu estava querendo dizer. Mas no final do filme o público entende como essa guerra é sangrenta, como é alto o preço que estamos pagando para estar lá. Bush escondeu tudo isso. Enfim, há vários estilos de documentários, cada um tem que descobrir o seu. Michael Moore só ganha mais dinheiro, só isso.

Iraque e Afeganistão: novos Vietnãs?

Essas guerras têm semelhanças e diferenças. Vietnã foi uma guerra de independência. Eles queriam ser livres da França, dos Estados Unidos. Iraque é um pouco diferente, mas uma coisa é igual: por que o exército mais poderoso do mundo foi vencido pelo Vietnã? Os americanos não gostam de admitir, mas nós perdemos aquela guerra. Fui o primeiro repórter de TV a visitar o Vietnã depois da guerra. Eu estava filmando em um campo de arroz, havia várias mulheres trabalhando. Para conseguir uma boa tomada, arregacei as calças e entrei na água. Logo depois, várias sanguessugas começaram a subir pela minha perna. Eu fiquei louco! Mas aquelas mulheres estavam tranqüilas, no meio do rio, como se nada estivesse acontecendo. Foi aí que percebi que elas estavam em casa, acostumadas com aquilo, e eu tinha vindo, sei lá, de Marte. Não era a minha casa. Eles estavam defendendo a terra deles, por isso eles nos venceram. O Afeganistão é um país que ninguém nunca dominou até hoje, desde o Alexandre, o Grande. Vieram os britânicos, os russos, e agora nós estamos lá. Se alguém quisesse ter uma bandeira para lutar essa guerra, deveria ser a defesa dos direitos universais das mulheres. Enquanto o Talibã estiver no poder, as mulheres nunca terão nenhum direito.

Fidel Castro: ‘Atencioso com a imprensa’
Fidel foi muito interessante, era um líder muito atencioso com a imprensa. Se você pedisse para ver o quarto dele, era permitido. Se você quisesse tomar uma cerveja com ele, tudo bem. Ele faria qualquer coisa para ser simpático. Gostei muito de ter essas experiências com ele.

China: Praça da Paz (e Guerra) Celestial

Quando todo mundo estava na praça da paz celestial, nós estávamos no sul da China, em Guantxô, Shanghai. Éramos as únicas câmeras nesses lugares. Em Shanghai, as pessoas dominaram totalmente a cidade. Vimos o governo lutando para retomar o controle, era possível ver as pessoas sendo agredidas e assassinadas nas ruas. Durante pelo menos uma semana, o futuro da China ficou por um fio: poderia tanto ir para o lado do governo quanto o dos manifestantes, foi muito impressionante.


União Soviética desunida

Foi uma época muito interessante porque era possível sentir a mudança no ar. Um sistema que estava em vigor há 60 anos ficou de cabeça para baixo em pouquíssimo tempo. As pessoas estavam muito empolgadas, pensavam que a vida teria novas oportunidades. Hoje é uma situação diferente, há um controle de novo, agora exercido por Putin. Na época, me lembrava os Estados Unidos dos anos 60, quando os jovens achavam que era possível mudar o mundo.

O início em Nova York

Criamos a DCTV em 1972 e tínhamos apenas uma câmera. Queríamos apenas melhorar a vida no nosso bairro. Tínhamos problemas com escolas, hospitais, desemprego. Começamos a fazer documentários sobre esses assuntos para chamar a atenção das pessoas e tentar resolvê-los. Isso era antes da TV a cabo, da internet… Então você imagina que faz um bom tempo. Eu tinha um caminhão com dois monitores de TV do lado de fora e ficava exibindo os nossos filmes. As pessoas começaram a discutir esses temas, a conversar, então usamos isso como forma de organizar a sociedade. Hoje nem sei quantas câmeras temos. A equipe tem cerca de 40 pessoas, mais 250 alunos no programa de estudantes. Também temos estágios, se alguém quiser vir a Nova York para trabalhar conosco na DCTV. Temos sete alunos de São Paulo. Basicamente, ainda fazemos a mesma coisa, mas numa escala um pouco maior.

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Já fui fanático por heavy metal. Também já tive uma fase totalmente obcecada por jazz. Hoje tenho um gosto musical bem mais específico: só gosto de música… boa.

Meu fim de semana teve como trilha sonora exatamente esse estilo, música ‘boa’. Ou seja, nada de pagode, sertanejo, axé, funk carioca, etc. A melhor parte de gostar de música boa é justamente não estar preso a nenhum estilo no sentido convencional da palavra, algo restritivo que não tem nada a ver com arte e música. Mas recomenda-se não torturar os ouvidos.

Esse fim de semana supermusical começou na tarde de sábado, quando fui ao teatro do CIEE, no Itaim, em São Paulo, assistir ao concerto da orquestra Bachiana Filarmônica. Não é sempre que se tem a oportunidade ver João Carlos Martins na regência, e ainda mais dando uma palhinha ao seu sempre genial piano. A novidade na apresentação era o convidado especial: Chris Brubeck. Mostrando talento no trombone, baixo elétrico e piano, o filho do imortal Dave Brubeck apresentou o 1° e 2° movimentos de seu Concerto para Trombone, além de ‘Black & Blue’, de Fats Waller (versão em que Chris também cantou), ‘Unsquare Dance’ (Dave Brubeck), ‘Blue Rondo à la Turk’ (Dave Brubeck) e ‘Autumn Leaves’. Antes, a orquestra já havia apresentado a Sinfonia n° 40 em Sol Menor de Mozart.

Para quem quiser/puder: Martins e Dave Brubeck se apresentam no dia 2 de outubro com a Orquestra Bachiana no Lincoln Center, em Nova York. No repertório, Villa-Lobos e a homenagem que Brubeck compôs para Chopin, ‘Thank You’.

Veja versão exclusiva para TV Estadão com João Carlos Martins e Chris Brubeck tocando ‘Autumn Leaves’

À noite, um programa moderninho: show da banda Little Joy, no Via Funchal. Sempre fico com um pé meio atrás quando ouço falar de algum projeto que envolve alguém ligado à banda Los Hermanos. Confesso que é um pouco de preconceito, ‘pré-conceito’ mesmo. Acho que a banda exerce um fascínio sobre um certo tipo de público que não me incluo, daí a sensação. E mais uma vez estou errado, o que prova que qualquer tipo de preconceito é besteira: o Little Joy, com o ex-Hermano Rodrigo Amarante à frente, no vocal e guitarra, é uma banda muito legal. Não, eles não vão revolucionar a música ou mudar o mundo. E nem é o caso. A ideia da banda de Amarante, Binki Shapiro (teclado e vocais) e Fabrizio Moretti (baterista do Strokes, que aqui toca guitarra) é se divertir. E fazer música boa. Eles conseguem com sobra, de forma despretensiosa e com joie de vivre.

O som é exatamente o que se espera deles, ou seja, uma mistura de Los Hermanos com Strokes. Mas há o elemento Binki Shapiro, uma garota linda que dá um toque muito especial ao som da banda. Ela traz uma certa ingenuidade, uma pureza que contrasta bem com as melodias dramáticas de Amarante e as batidinhas modernosas à la Strokes.

Veja o vídeo de ‘Next Time Around’, do Little Joy

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O Festival de Woodstock aconteceu há exatos 40 anos: eu e meu colega Marco Bezzi, do Jornal da Tarde, batemos um papo sobre o assunto. Bom fim de semana e… paz e amor, bicho!

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Jimmy Page - Les Paul Standard Sunburst

Nenhuma imagem é tão representativa para o rock and roll quanto a de Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, solando com um cigarro na boca e uma Les Paul alaranjada (sunburst) pendurada no pescoço. O modelo da guitarra, que depois voltaria a ficar muito popular graças ao sucesso de Slash, do Guns ‘N’ Roses, foi criada por um mago. Um mestre. Um gênio, não apenas da música, mas da eletrônica.

Les Paul morreu hoje aos 94 anos. Dizer que eu queria ser esse cara não é apenas uma pretensão minha, mas o ideal de qualquer músico do planeta. Quem não gostaria de ter seu sonho imortalizado na beleza do design de uma guitarra Les Paul? Quem não gostaria de criar um ícone cultural perfeito? Quem não gostaria de assistir aos maiores artistas do mundo se divertindo e se expressando naquele instrumento que você concebeu numa salinha escura na pequena cidade de Waukesha, Wisconsin?

Les Paul

Les Paul continuou tocando até o fim de sua vida, sempre com personalidade e bom humor. Ele mantinha sua noite semanal no Iridium Jazz Club, pertinho do Lincoln Center, em Nova York. Na plateia era possível encontrar sempre algum músico famoso, que aparecia para curtir o show e acabava, invariavelmente, dando uma canja no palco. Não é exagero dizer que todo guitarrista do mundo era fã de Les Paul. No vídeo abaixo, Slash toca no show ‘Tributo a Les Paul’, um dos vários organizados em sua homenagem.

Mas por que a guitarra de Les Paul era tão incrível assim? Por que ela virou padrão em um mundo com tantas opções? Por várias razões, e não apenas por seu incrível design. A Les Paul, que o mestre construiu para a marca Gibson, trazia captadores duplos e corpo sólido bem mais pesado que o normal. Na época, fim dos anos 40, todo mundo tocava com instrumentos semi-acústicos, ou seja, ocas por dentro, algo no meio do caminho entre violões e guitarras elétricas. Traduzindo: os captadores são os aparelhos que eletrificam o som da guitarra; a Fender na época usava modelos simples nas suas guitarras Telecaster e Stratocaster. Os captadores parrudos de Les Paul geravam um timbre bem mais encorpado, pesado e ‘sujo’ que os single coils da Fender. Por isso, os guitarristas de rock se apaixonaram pelo modelo e isso, junto com as válvulas distorcidas dos amplificadores, deu origem ao rock and roll como conhecemos hoje, assim como suas vertentes mais pesadas.

O homem Les Paul nos deixa, mas sua guitarra continuará viva nos palcos de todo o mundo, eternamente. Enquanto houver um garoto com uma Les Paul pendurada no pescoço, o mestre continuará vivo. Não vou pedir um minuto de silêncio, muito pelo contrário. Les Paul adoraria que a gente aumentasse o som e fizesse o solo de guitarra mais alto do mundo, tão alto que ele poderia ouvi-lo lá de cima.

Slash no show ‘Tributo a Les Paul’

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10.agosto.2009 12:08:02

Feliz Dia dos Pais

Obama
Eu e Obama temos muito em comum… fazemos aniversário no mesmo dia, por exemplo

Esta semana estou vivendo pelo menos dois episódios que me comprovam explicitamente que o tempo é implacável, com tudo de bom e ruim (mais ruim do que bom, sejamos honestos) que isso traz.

Na terça-feira, fiz aniversário. Não vou dizer que completei ’39 primaveras’ porque você desconfiaria da minha masculinidade. Fiz 39 anos, mesmo. Isso é o de menos, porque quem não morre, envelhece. E eu pretendo envelhecer durante um bom tempo.

A segunda vez que penso no tempo é hoje, Dia dos Pais. É a parte boa: se estou comemorando a data com tanta intensidade é porque alguém muito especial me deu parabéns. Fiz isso com o meu, claro. Mas hoje gostaria de dizer que o Dia dos Pais é muito diferente para quem dá presente e para quem recebe.

Não há nada mais importante na vida do que minha filha. Tudo o mais parece ridículo, todos os problemas, todas as coisas que eu considerava tão importantes antes de ela nascer. Continuo tocando minha vidinha, aos trancos e barrancos de sempre. Mas hoje o item que está no topo do topo das minhas prioridades pesa 15 quilos e corre para lá e para cá sorrindo e dizendo ‘papai, eu te amo você’.

Nunca sonhei que era possível sentir um amor maior do que senti quando ela nasceu, mas aquilo foi fichinha. No dia do parto tudo estava envolto numa aura de novidade, e cada detalhezinho do seu corpo era uma descoberta emocionante. Nunca imaginei que isso só iria aumentar. Agora já conheço cada partezinha de seu corpo, e não é mais isso que me impressiona. Quer dizer, isso também, no sentido de que um pezinho que era pequeno e magrinho começa a ficar mais gordinho e apetitoso. Ou a barriguinha, que fica mais gostosa a cada mordida que passa. Mas o que mais mexe comigo é descobrir que ela está se transformando numa pessoa, diferente de quem sou, diferente de quem a mãe dela é. Ela está começando a ser cada vez mais única, cada vez mais ela. E isso me impressiona todos os dias.

Comprei um caderninho só para anotar suas frases que me levam às lágrimas, e confesso que já estou quase na metade. Quando sua filha te olha nos olhos e diz ‘parabéns, papai’, há pouco a fazer além de agarrá-la e abraçá-la forte, torcendo para que seu corpinho entre no meu coração – como se ele já não estivesse lá.

Aos 39, tenho certeza de que isso é só o começo. Quero fazer muitos aniversários para curtir as coisas boas da vida, sim, mas principalmente para vê-la crescer e se tornar uma pessoa cada vez mais… ela. A minha filha.

Feliz Dia dos Pais.

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