ir para o conteúdo
 • 

Felipe Machado

pôster
Cerveja: Ajudando gente feia a transar desde 1862

Poucas coisas na vida são mais gostosas do que sair com os amigos para tomar cerveja e ficar falando besteira. Quem acompanha esta coluna sabe que tenho o (estranho) hábito de anotar essas conversas em guardanapos de papel. É incrível constatar que algumas dessas histórias dizem muito sobre a condição humana e o comportamento masculino. O quê, exatamente, eu nunca descobri. Mas talvez você possa fazer a sua própria interpretação dessa filosofia de boteco.

Feche os olhos e imagine um barzinho da Vila Madalena com quatro caras sentados numa mesa de ferro minúscula e algumas (muitas) bolachas de chope sobre a mesa. Pois é. Os papos nasceram nesse lindo local. Se fosse no campo, seria um cenário bucólico. Como foi no boteco, foi um cenário ‘botecólico’ (desculpe, essa foi péssima).

Você conhece alguém Flex? Descobrimos que um dos nossos amigos é Flex: ele gosta de cerveja, mas ‘roda’ com qualquer combustível… Foi ele quem contou que chegou a sair com duas garotas que tinham o mesmo nome. Só que, por descuido, anotou apenas o primeiro nome das duas na agenda do celular, e sempre se confundia na hora de ligar. Ele queria sair com uma, mas acabava errando e ligando para a outra. Deu para entender? Achamos muito absurdo para ser verdade. Ele garantiu que era.

Tem coisa mais chata do que gente que arruma confusão na balada? Arranja briga, ou perde o cartão de consumação, ou esquece o celular e obriga o amigo a voltar para pegar, ou discute com uma garota que está na mesa do lado, ou só vê que esqueceu o convite na porta da festa… Todos concordaram que isso é inaceitável e que tal pessoa deve ser excluída do convívio social. Do nosso, pelo menos.

Outro cara na mesa começou a falar sobre uma garota com quem ele sai. O problema foi que ele a definiu como ‘a minha peguete’. Como assim, ‘peguete’? Perguntamos a idade dele e constatamos que era ridículo um marmanjo daqueles chamar uma garota de ‘peguete’, por mais que ele esteja, bem… pegando. A expressão virou o apelido desse cara desde então. Coitado.

Outro amigo (você reparou que eu só fico ouvindo, né?) contou uma história chocante: confessou que estava saindo com a irmã mais nova da ex-namorada com quem ele manteve um relacionamento durante sete anos. Ficamos revoltados, até que ele puxou o celular e mostrou uma foto da garota. Ela era linda. E ele foi imediatamente perdoado.

Depois de tantas histórias interessantes, pedimos a conta e fomos embora. Ao chegar em casa, descobri que poucas coisas na vida são tão divertidas quanto tentar entender uns garranchos escritos à mão em um guardanapo de papel.

comentários (13) | comente

  • A + A -

Diane Kruger
Diane Kruger: A atriz alemã é tão bonita que eu aceitaria ser pré-namorado, pré-marido… para falar a verdade, pré-qualquer coisa dela

A curiosa expressão usada no título desta coluna nasceu a partir do comentário de uma amiga, que tentava por vias menos convencionais explicar o tipo de relação em que ela estava envolvida.

Eu sei, hoje em dia é muito difícil determinar o tipo de relacionamento que se tem. Com exceção dos termos definidos explicitamente pelo Poder Judiciário (‘solteiro’, ‘casado’, ‘divorciado’, ‘detido para averiguação’, sei lá), não nos resta muita opção a não ser imaginar uma definição própria, caso a caso. É sempre bom ressaltar que a outra parte envolvida deve ser informada do status da relação, para evitar complicações e cenas indesejáveis.

Voltando à minha amiga, ela disse que estava pré-namorando porque não conseguiu encontrar uma definição melhor. Do ponto de vista antropológico/semântico eu achei superinteressante. Ela ainda não estava namorando, mas já havia saído com o cara vezes demais para considerá-lo apenas um ‘rolo’. Portanto, ela estava… pré-namorando. É simples, é quase óbvio.

Isso nos leva a um novo patamar de discussão. A partir de quando, por exemplo, alguém está pré-namorando? E quando começa então o namoro propriamente dito? Ah, sei lá. Problema seu. Ou meu, se fosse o caso.

Sociedades pós-modernas enfrentam esse tipo de situação em várias áreas. Da mesma maneira que expressões maniqueístas estão cada vez mais fora de moda, as relações humanas também passam por revisões radicais nunca antes enfrentadas. Nossos bisavós nunca imaginariam que um casal formado por dois homens poderia se casar legalmente e adotar uma criança, o que acontece em alguns locais civilizados do mundo. Tudo bem, é um exemplo extremo. Descobrir se você está ficando ou namorando deveria ser muito mais simples.

Mas não é, pelo jeito. Se você sai com alguém três ou quatro vezes acredito que algum tipo de vínculo está sendo criado. Mas qual? Na terceira vez o cara é apenas um rolo e, na quarta, automaticamente ele se transforma em um namorado? Ou será que para isso é necessário pedir a garota em namoro? Uau, lembro que eu fazia algo assim na quinta série, mas não sei se isso ainda acontece depois que a gente começa a fazer a barba.

Talvez seja a hora de voltar a esses tempos, quando as coisas eram mais claras e a gente sabia um pouquinho melhor o que estava acontecendo. Ter um relacionamento já é uma coisa tão complexa que a gente não precisa complicar ainda mais criando expressões novas para as coisas eternas do nosso velho coração.

comentários (17) | comente

  • A + A -

MON

Acabo de voltar de Curitiba e confesso que fiquei impressionado com a cidade. Limpa, organizada, bonita, moderna, uma cidade do tamanho ideal para quem busca qualidade de vida. Estava frio, sim, e as cidades brasileiras de maneira geral não são preparadas para lidar com baixas temperaturas. É incrível: em qualquer cidadezinha americana todas as casas têm aquecedores e estrutura para que você fique confortável pelo menos quando está em um ambiente fechado. Em Curitiba, assim como em São Paulo, não dá para não ficar coberto com casacos, não importa se você está parado na calçada ou vendo TV dentro do seu apartamento.

Ao contrário do que os próprios curitibanos dizem, não achei Curitiba uma cidade provinciana. Tudo bem, talvez seja um pouco no sentido de que todo mundo se conhece, a elite local é bastante fechada, o serviço em alguns lugares deixa a desejar, etc. Mas achei Curitiba uma cidade bastante cosmopolita, não tanto no sentido ‘globalizado’ e atual desse termo, mas principalmente porque é uma cidade com muitos imigrantes e, por consequência, muita gente falando idiomas variados além do português.

Graças a meus amigos locais, conheci alguns lugares bem legais. Cheguei na sexta-feira à noite e já fui direto para um restaurante muito gostoso, o Lagundri. Comida tailandesa/asiática de primeira, com receitas assinadas pela dupla de chefs Marcelo Amaral e Ken Francis, ambos com diploma da Royal Thai School of Culinary Arts, na Tailândia. Não esqueça de pedir a pimenta à parte, ou você será obrigado a tomar baldes e baldes dos exóticos drinques da casa (não que isso seja um problema, claro.) Além dos temperos fortes, tome cuidado com outro ingrediente: o preço. É caro.

Curitiba é uma cidade cheia de padarias gostosas. Não são padarias no sentido ‘padoca’ do termo, mas quase cafés europeus, charmosos e aconchegantes. Conheci duas, Marcolini, que também funciona como restaurante, e Prestinaria, que tem como mérito não apenas o café da manhã delicioso, mas o fato de ter o registro do endereço www.pao.com.br . Não é pouca coisa.

Em relação à cultura, tenho que chamar a atenção para a livraria Bisbilhoteca, onde fiz o lançamento do livro ‘Ping Pong’. É um espaço infanto-juvenil muito legal, que caberia em qualquer cidade do país (que tal em São Paulo, Cláudia?). A livraria não tem apenas um belo acervo de livros em várias línguas (francês e alemão, além de português, claro), mas um espaço para oficinas com crianças, contadores de histórias, etc. Para quem tem filho pequeno ou pré-adolescente, uma maravilha de lugar.

Além do Lagundri, comi em dois lugares bem gostosos: O Quintana, uma espécie de restaurante-cabeça onde até o cardápio tem toques de literatura, e o Oli Gastronomia, um moderninho que se tivesse a luz um pouco mais baixa seria perfeito.

Depois de tudo isso, um drinque no Hacienda para fazer a digestão. É um bar bem legal, com um cantinho onde se toma vinho como se estivesse em casa. Pena que no sábado à noite fomos expulsos do local porque os donos do bar tinham outro compromisso. Será que isso aconteceria em São Paulo? Não sei. Aqui todo mundo está sempre muito ocupado tentando ganhar dinheiro para ter outros compromissos.

O melhor passeio de todos, no entanto, é arquitetônico. Curitiba, que ficou mais famosa em todo o país graças aos projetos de Jaime Lerner (embora muitos o critiquem), tem um centro cívico bastante interessante, principalmente para quem se interessa por arquitetura modernista. O grande prédio da cidade, no entanto, fica ali do lado: o Museu Oscar Niemeyer, também conhecido por razões óbvias como ‘olho’. São 35.000 metros quadrados de área construída, com várias salas de exposições, auditório, lojinha… e, claro, o prédio do Niemeyer, que é maravilhoso. Não gosto de todas as obras do arquiteto (o Memorial da América Latina é horrível), mas o ‘olho’ é realmente impressionante. O desenho é óbvio, infantil até. Mas quando se chega perto daquela estrutura gigante e se vê a força da sua forma, chega a ser emocionante.

Não sei não, lembrando do fim de semana na cidade para escrever esse texto… pelo jeito, acho que vou voltar em breve a Curitiba. Ou talvez seja melhor esperar o frio ir embora.

comentários (14) | comente

  • A + A -

Convite Ping Pong em Curitiba
Amigas e amigos,

já falei algumas (várias) vezes aqui a respeito do meu livro ‘Ping Pong – Chinês por um mês, que conta, como o subtítulo diz, ‘As Aventuras de um Jornalista Brasileiro pela China Olímpica’. Pois aqui vai um convite para a galera do Sul: no sábado, das 15h às 18h, estarei na Livraria Bisbilhoteca, em Curitiba, para um bate-papo e uma tarde de autógrafos.

Me perguntaram se eu ia tocar guitarra no evento, mas disse que só aceitaria se o repertório fosse composto apenas por músicas chinesas. A dona da livraria não deixou porque achou que eu assustaria os clientes.

De qualquer maneira, fica o convite: estarei em Curitiba no fim de semana e aguardo quem estiver interessado em ouvir histórias divertidas (e algumas roubadas) sobre a China. Bjs e até lá, F.

‘Ping Pong’ em Curitiba
Sábado, 25 de julho, das 15h às 18h
Livraria Bisbilhoteca: R. Carlos de Carvalho, 1166 A, Bigorrilho
 livraria at bisbilhoteca.com.br – (41) 3223-3038

comentários (5) | comente

  • A + A -

This Way Up

‘This Way Up’: Animação inglesa é uma obra-prima do humor negro

Se tem um evento em que eu gosto de estar presente na noite de abertura é o festival Anima Mundi. Como não consigo acompanhar as sessões ao longo da semana (o festival começa oficialmente hoje e vai até dia 26 de julho), assistir à noite de abertura é uma boa maneira de ter um pequeno panorama dos filmes. E a seleção dos organizadores é sempre sensacional.

(Leia matéria do crítico Luiz Carlos Merten sobre o festival), além de trechos dos filmes ‘Calças de Iogurte’, do australiano Igor Coric Sheldon Lieberman e ‘Blas e Pupa’, do argentino Ariel López Verdesco. Se preferir, veja um vídeo promocional com vários trechos de filmes.)

Os números do festival são impressionantes: são 400 filmes de 40 países. Entre os que vi ontem, gostei do ‘French Roast’, do francês Fabrice O. Joubert (conta a história de um homem super ranzinza que esquece a carteira na hora de pagar a conta em um café parisiense), ‘Dix’, da produtora Anglo-Francesa Bif (que fala sobre gente com TOC, aqueles caras que tentam pisar apenas em determinados quadrados da calçada), a engraçadíssima série ‘Log Jam’, do húngaro Alexei Alexeev (uns bichos muito loucos encontram um caçador idiota e seu cachorro mais idiota ainda) e ‘This Way Up’, dos ingleses Smith & Foulkes (dois coveiros lutam para conseguir enterrar o corpo de uma velhinha).

Anime-se: O Anima Mundi é um dos programas mais legais do ano em São Paulo. Acontece no Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, (11) 3823-4600) e no CCBB (R. Álvares Penteado, 112, (11) 3113-3651)

1 Comentário | comente

  • A + A -

Cat Power

Antes de sábado à noite, eu nunca tinha ouvido alguém gritar sussurrando.

Confesso que não conhecia bem o trabalho da cantora norte-americana Cat Power antes de ouvi-la no show do último fim de semana em São Paulo. Sempre ouvi dizer que ela era uma ‘musa indie’, o que na minha opinião é uma metáfora para dizer que a garota usa All Star, é bonitinha e… chata.

Quando cheguei ao Via Funchal, achei estranho ver que o local da plateia estava tomado por mesas. Tinha a impressão de que Cat Power era uma cantora elétrica, mais para o lado do rock. Quando ela entrou no palco, entendi que a proposta não era essa.

Cat Power canta como um gato ronronando, e talvez o apelido de Chan Marshall venha daí. Ela também se comporta fisicamente como um felino, no sentido em que ela passa o tempo todo meio arredia. Cat dificilmente ocupa o centro do palco e prefere ficar no cantinho, se contorcendo como uma menininha que está com vontade de ir ao banheiro. Mas ela é tão charmosa que, acredite se quiser, isso foi um elogio.

Todo mundo sabe que Cat Power tem uma voz linda. Ela também. Quando eu disse que ela grita sussurrando é porque tive exatamente essa impressão: ela está prestes a soltar a voz, a explodir seu coração para todo mundo ouvir, mas de repente, no meio da frase, ela para, respira, engole a exaltação. E poderia gritar um mar de emoções, mas deixa sair apenas um riozinho de voz meio rouca e meio grossa, mas totalmente maravilhosa. Ela cria um clima do qual não dá para sair facilmente; é uma névoa que te envolve, te conquista. Cat Power parece meio fora deste mundo, mas é só a impressão: depois de muitos anos doidona, ela jura que está clean.

Difícil definir seu estilo, pensando bem. Como jornalista, tenho a obrigação de rotulá-la para que você não acabe de ler esse texto e saia com a impressão de que eu te enrolei e não disse que tipo de som a mulher canta. Mas desta vez eu vou fazer isso, sim. Se eu disser que é jazz, estarei te passando uma impressão errada; se eu afirmar que é folk, estaria limitando sua música. Eu poderia dizer que ela é uma espécie de filha do Nick Cave com a Martha Wainright, mas você estaria certo em dizer que eu devo estar louco. Também fica difícil encontrar uma definição para seu estilo ao olhar para sua banda, Dirty Delta Blues: uns caras esquisitos, meio góticos, meio beatniks. Adorei o baterista Jim White, apesar de fisicamente ele se parecer com um koala. O cara parecia estar em transe, tocando num estilo que misturava o desvairado Keith Moon, do The Who, com uma pegada de jazz. Às vezes ele se empolgava, às vezes parecia ter esquecido que estava em um palco.

Voltando a Cat Power: a bela garota de 36 anos é frágil, do tipo que dá vontade de abraçar e dizer que ela nunca vai ficar sozinha. É esquisito dizer isso após tantos elogios, mas em alguns momentos do show eu me cansei do seu estilinho. Eu queria vê-la de frente, sob os holofotes mais diretos, queria ver seu rosto e suas expressões de alegria ou dor. Mas ela não me deu nada disso. Eu estava perto do palco, mas não consegui descobrir o filme que passava no seu coração.

Em relação ao repertório, Cat Power apresentou suas canções (sim, ela ainda compõe) e diversas versões de artistas clássicos como The Animals e Billie Holiday (veja uma versão de Don’t Explain abaixo). Cat Power tem um estilo tão dela que muitas versões eu só fui descobrir que eram canções de outros artistas depois de ler a matéria do meu colega, Jotabê Medeiros.

Sim, às vezes o som de Cat Power fica meio repetitivo e parece que ela está cantando a mesma música há meia hora. Mas há uma beleza hipnótica nas melodias que saem de sua boca, como se ela fosse uma pequena e tímida ilusionista da música alternativa. E quem resiste a uma garota linda e talentosa cantando de olhos fechados? Eu não.

comentários (6) | comente

  • A + A -

AP Photo/Henny Ray Abrams
Charlize Theron: Ela é linda, talentosa e acaba de ser indicada como Mensageira da Paz pela ONU. Na minha opinião, é o timing perfeito nós nos conhecermos

Para começar, vamos tentar definir o significado da expressão usada no título: timing é a ‘a relação do indivíduo com o tempo/espaço’, o contexto em que algum fato acontece e a reação que ele provoca em um cenário específico. Traduzindo: um cara que está no lugar certo na hora certa está com o timing perfeito.

E o timing errado? Imagine que você se forma no dia em que surge uma ótima vaga de estágio… só para estudantes. Até algo supostamente positivo pode sofrer com o timing errado, como o artista que lança um CD de um determinado estilo superoriginal anos antes desse estilo virar moda e estourar nas paradas. O timing pode ser questão de bom senso ou oportunidade, mas às vezes depende de fatores que não controlamos.

Essa característica incontrolável do timing afeta o lado emocional e a dinâmica de qualquer relacionamento. Imagine que o mundo é um gráfico e as vidas são linhas tortuosas riscando o diagrama em direção a algum ponto. As linhas da maioria das pessoas nem se aproxima, até porque somos tantos que o mundo não comportaria tantos pontos de encontro. Mas muitas se cruzam e se separam; outras se entrelaçam e viram uma só. As que se cruzam podem voltar a se cruzar lá na frente; às que viraram uma só podem se separar quando menos se espera.

É uma pena quando o timing estraga um relacionamento legal. Parece covardia culpar só o timing, elemento tão abstrato quanto, sei lá, o amor. Mas muitas vezes ele é, sim, o grande responsável pelo sucesso ou o fracasso de uma relação.

Imagine você começando a namorar um dia antes de receber o telefonema no qual a garota por quem você era apaixonado na adolescência revela que está se separando porque sonha em ficar com você. Ou o caso mais clássico, o do casal que não consegue ficar junto porque os dois estão em momentos muito diferentes de vida. Um quer casar, o outro acaba de se separar; Um sonha em ter filhos, o outro já tem filhos demais. Um não aguenta ficar longe da família; o outro acaba de ser transferido para um emprego no exterior. São tantas variáveis que essa folha de papel ficaria pequena.

O timing tem mais poder do que se imagina. Tomar decisões certas não tem preço: você já deve ter sentido isso. Eu já senti. E me dei mal por não aceitar que o timing pode ajudar ou atrapalhar, dependendo do momento em que somos obrigados a tomar uma decisão. Mas temos que seguir nossa vida em frente fazendo sempre o que achamos que é honesto, correto. E torcendo para estarmos na hora certa no lugar certo, sempre.

comentários (20) | comente

  • A + A -

Feliz Dia do Rock!

Hoje, como você já deve ter ouvido falar, é oficialmente o Dia do Rock. Antes que você pergunte por que o estilo comemora sua data hoje, isso vem do show Live Aid, que reuniu bandas e artistas no dia 13 de julho de 1985 em shows simultâneos nos Estados Unidos e Inglaterra, com renda revertida para a luta contra a fome na África.

(Veja uma entrevista com o jornalista/roqueiro Marco Bezzi na TV Estadão)

Em vez de doar dinheiro, deixo aqui uma boa ideia para comemorar o Dia do Rock: o evento Rock no Sangue. Em parceria com a Pró-Sangue, o roqueiro Charley Gima comanda a campanha doação de sangue pelo sexto ano consecutivo, com um apoio cada vez maior de artistas, gravadoras, empresas e qualquer um que queira ajudar.

O ‘Rock No Sangue – Campanha de Doação de Sangue’ acontece hoje no Hospital das Clínicas, em São Paulo (Pró-Sangue: 0800-55-0300). Várias bandas já confirmaram presença, como CPM 22, 9Mil Anjos (a banda do Júnior Lima, irmão da Sandy), Korzus, Angra, Viper, King Bird, André Matos / Henceforth, Torture Squad e Mad Dragzter. Parabéns a essas bandas e pelo Charley pela iniciativa. Em julho há uma queda histórica de doações aos bancos de sangue, então a campanha vem em boa hora. Doe sangue! É uma pequena coisa para quem doa, mas pode fazer a diferença entre vida e morte para quem recebe.

____________________

Eu sei que aqui não é o programa da Xuxa, mas gostaria de aproveitar a data para mandar um abraço para todos os grandes amigos que já dividiram o palco comigo. Como muita gente me pergunta o que aconteceu com minha banda, o VIPER, é uma boa desculpa para esclarecer as coisas.

Após o lançamento do álbum ‘All My Life’, em 2007, o VIPER fez uma turnê pelo Nordeste e alguns shows no resto do Brasil e América do Sul. Depois de um tempo, a banda deu uma parada para que os integrantes se dedicassem a “projetos pessoais” (adoro essa expressão, pode significar qualquer coisa). No meu caso, os “projetos pessoais” está menos voltados para a música e mais voltados para o jornalismo e a literatura. Ou seja, meus amigos têm histórias bem mais interessantes para contar.

O vocalista do VIPER, Ricardo Bocci, começa este mês sua ‘My Way Tour’, divulgando o lançamento do single ‘My Way’, disponível de graça para download no site oficial: www.ricardobocci.com. O show acontece na sexta-feira, dia 24 de julho, às 19h, no Centro Cultural, em São Paulo, como parte do projeto ‘Sintonia do Rock’ (Centro Cultural São Paulo – CCSP. Rua Vergueiro, 1000 R$ 15 (venda 2h antes do evento)

No show serão tocadas 4 músicas inéditas, além de ‘My Way’. O vocalista apresentará também músicas do VIPER, além de covers de bandas que o influenciaram. A banda que o acompanha é formada por Ian ‘Bemolator’ (guitarra), Denison Fernandes (guitarra), Fernando Giovannetti (guitarra) e o baterista japonês Yuichi Nagoshi.

O baixista e principal compositor do VIPER, Pit Passarell, também divide seu tempo entre uma carreira-solo e sua banda The Lucratives, além de compor para artistas famosos como Capital Inicial e Nila Branco. As composições de Pit podem ser conferidas no site dele no MySpace . O talento do Pit como compositor dispensa apresentações: o cara é um gênio do rock and roll.

O baterista Renato Graccia, que sempre foi fã de blues, acaba de lançar o disco ‘Todos os Caminhos’, com sua banda Blue Seeds. Eles também estão no MySpace, para quem quiser conhecer o som. Ou então é só entrar no site do Renato, www.renatograccia.com.br , que traz informações para quem começar a tocar bateria.

Quanto aos ex-integrantes, o vocalista Andre Matos segue em uma bem sucedida carreira-solo, depois de passar pelas bandas Angra e Shaman. Quem gosta de rock já conhece o Andre porque ele é considerado uma das grandes vozes mundiais do rock pesado, mas quem não conhece pode acessar o site dele (www.andrematos.net) e obter mais informações.

Dois caras muito legais que também passaram pelo VIPER andam com histórias bem diferentes: o guitarrista Marcelo Mello é um dos grandes professores de guitarra de São Paulo e costuma viajar bastante apresentando workshops sobre o instrumento; o guitarrista e produtor Val Santos anda com um projeto bastante inusitado, produzindo bandas e gravando versões de Luiz Gonzaga em formato ‘baião metal’. Para completar a lista, o ex-VIPER Yves Passarell é guitarrista do Capital Inicial há muitos anos, então você deve estar acostumado a vê-lo por aí, nos palcos ou nos programas de TV.

Ufa! Acho que é isso. Feliz Dia do Rock para todos os roqueiros do Brasil.

Como diria Ronnie James Dio… Long Live Rock and Roll!

comentários (14) | comente

  • A + A -

Gianne Carvalho/AE

Não consegui ver o show de 50 anos de Roberto Carlos no Maracanã, portanto acabei apelando mais uma vez para minha sensacional repórter-mãe, Helô Machado. Obrigado, Helô, pelo texto. E fica aqui a minha homenagem ao Rei… e aos seus súditos. Long Live the King!

Maracanã recebe o Rei com muita chuva e todas as emoções
Helô Machado

O programa de sábado estava garantido. E quem ficou em casa não se arrependeu: durante duas horas e meia – das 22h05 às 00h30 – a Rede Globo exibiu ao vivo mais uma homenagem aos 50 anos da carreira de Roberto Carlos. Batizado de RC 50, a tão aguardada apresentação no estádio do Maracanã, no Rio, foi um verdadeiro espetáculo.

Mais que isso: uma prova de esforço, resistência, competência, talento e muitas emoções do Rei e de seus mais de 60 mil súditos, que não se abalaram com a chuva forte que castigou principalmente os melhores lugares do estádio – as cadeiras brancas simetricamente dispostas no gramado em frente ao palco. Quem se saiu bem foi o público da arquibancada, que tinha cobertura…

São Pedro mandou ver. Não se comoveu nem com a pajelança contratada pelo Rei – dizem que Roberto, extremamente minucioso (e supersticioso), chegou a convocar os serviços de um pajé para afastar a chuva já anunciada nas previsões do tempo – mas não adiantou: 16 câmeras – uma delas no helicóptero – registraram tudo, inclusive a chuvarada.

Mas, afinal, o que é uma chuvinha sobre uma multidão de homens e mulheres de todas as idades, que amam o amor que seu Rei lhes dedica ao longo de 50 anos, através de suas canções?

Exatamente: Nada. Principalmente quando a organização do megashow é mais que perfeita: 500 metros quadrados de palco – bem maior que o da Madonna – 7 telões (3 no palco e 4 no gramado), 800 pontos de luz no estádio, 350 mil watts de som, 200 metros quadrados de cortina de led (componentes de emissão de luz incrustados em tecido preto) na verdade, um imenso telão-cenário, riquíssimo em imagens.

Tudo obra de Genival Barros, chefe de som e luz dos shows de Roberto há mais de 40 anos e de uma equipe de 6 mil pessoas, aptos para também montar o palco com estrutura acrílica em forma de concha acústica. E, claro, para desmontar tudo isso rapidinho – inclusive as placas de plástico rígido com furinhos para não danificar o gramado – hoje teria um jogo no campo entre Fluminense e Santo André!

E o show? Vamos a ele – se eu conseguir conter as minhas emoções, acumuladas ao longo destes 50… digamos, deste tempo. Uma grande orquestra com 38 músicos – o RC 9 (a banda de Roberto), mais uma orquestra de cordas – abre a noite com uma seleção dos sucessos do Rei, enquanto ele entra no palco dirigindo um calhambeque azul.

Desce do carro. Terno, sapatos, camisa branca aberta no peito, traje assinado por Ricardo Almeida. Elegante e… “lindoooooo!”, gritam todas, como sempre. Roberto parece falar a verdade: “Que prazer rever vocês! Aqui no Rio de Janeiro, aqui no Maracanã, que emoção, que emoção… A maior emoção que eu já senti em toda a minha vida! Quando eu estava lá, em Cachoeiro do Itapemirim, jamais poderia imaginar que iria viver essa emoção! Cantar no Maracanã, olhando nos olhos de todos vocês! Olhando para vocês, sinto que nós temos uma longa história de amor. Mas se eu estiver sonhando, não me acordem porque eu quero viver esse sonho maravilhoso da minha vida. E eu vou dizer isso cantando.”

E ele segue desfilando suas jóias preciosas: ‘Emoções’, ‘Eu te amo’, ‘Além do Horizonte’. Pega o violão, senta num banquinho para ‘Detalhes’. Deixa o violão e segue com ‘Outra vez’. Tudo absolutamente igual, a mesma simplicidade, o mesmo jeito de jogar para cá e para lá o pedestal do microfone, o mesmo risinho contido, o mesmo olhar fundo e doce, a mesma tranqüilidade, como faz há anos e anos, onde quer que se apresente. A atenção com os músicos também é a mesma: faz questão de destacar e aplaudir os solos, dizendo o nome de cada músico.

É aí, então, que a chuva forte começa a cair. E como quem está na chuva é para se molhar, o público que ocupa as cadeiras do gramado vai para perto do palco. As imagens aéreas revelam quadrados e quadrados de cadeiras vazias e uma multidão aglomerada lá na frente…

Seguem-se algumas recordações da infância e dos pais: ‘Aquela Casa Simples’, ‘Meu Querido, meu Velho, meu Amigo’ e ‘Lady Laura’. O Rei sobe aos céus com ‘Nossa Senhora’, desce à terra com ‘Mulher Pequena” e volta ao início da Jovem Guarda com ‘Calhambeque’. Canta lindamente ‘Do Fundo do meu Coração’, antes de entrar na sua fase sexy e inesquecível: ‘Proposta’, ‘Viagem’, ‘Os Botões da Blusa’, ‘Café da Manhã’.

Para encerrar seu ciclo mais romântico, Roberto escolhe ‘Cavalgada’, um show à parte da orquestra e da iluminação: freneticamente, as luzes acompanham o ritmo da música no palco e em todos os pontos do estádio.

É hora de lembrar do amigo, parceiro, compadre, irmão Erasmo Carlos, que surge no telão do palco, interrompendo Roberto em ‘Amigo’. Papo engraçado, Erasmo entra no palco. Homenagens mútuas. Abraços e lágrimas, muitas lágrimas dos dois. Roberto lembra que o Erasmo tem as suas ‘Erasmices’. E conta uma delas: “Num Natal, o Erasmo me telefonou e disse – ‘ô Natal, Feliz Roberto Carlos pra você!’” Mais choro e mais risos. Cantam juntos ‘Amigo’ e ‘Sentado à Beira do Caminho’.

Aí é a vez de Wanderléa, linda e jovem, num ofuscante microvestido e longas e altas botas douradas, como nos tempos em que era ‘a ternurinha’ do Rei. Ela diz que ele “criou uma magia de amor para a sua história e para as nossas vidas”. Canta ‘Ternura’ com Roberto. Erasmo volta e os três lembram ‘Eu sou Terrível.’ Ele era mesmo terrível.

E já que o momento é de Jovem Guarda, Roberto engata ‘É Proibido Fumar’/ ‘Namorada de um Amigo meu’/ ‘E por isso estou aqui’/ ‘Jovens Tardes de Domingo’. O Rei encerra com um texto curto: “50 anos. Fico sem saber se é para rir ou para chorar”. Canta o último verso de ‘Emoções’: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. E mais: “‘ Como é Grande o meu Amor por Você’, ‘É Preciso Saber Viver’ e ‘Jesus Cristo’.

Fogos, choro, aplausos e coro do público, que, aliás, cantou o show inteiro com o Rei. Roberto beija e joga, uma a uma, rosas brancas e vermelhas para a platéia, como faz há tanto tempo. E, desta vez, ainda fala: “Obrigado por tudo, por todos os anos da minha vida. Eu nem sei como dizer, mas eu amo vocês. Nós nos amamos muito. Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado…”

Ele sai do palco, a orquestra para, as luzes diminuem. A multidão sai do estádio molhada e com a alma lavada, cantando todas as canções que o Rei fez para nós.

comentários (9) | comente

  • A + A -

Fergie, do Black Eyed Peas
Fergie, vocalista do Black Eyed Peas: Eu me encontraria com ela em qualquer situação, é só ela marcar data e local

Não sou o escritor inglês Nick Hornby, mas também acredito que é possível descobrir pérolas literárias nas letras da música pop. Claro que é mais fácil encontrá-las em canções do U2 ou do Radiohead, mas acabo de descobrir que elas podem aparecer em qualquer lugar. Até no meio de um hip-hop-rap-funk-house-electro do Black Eyed Peas.

O disco ‘The E.N.D.’ mistura música eletrônica moderninha com pitadas dos velhos e bons Earth, Wind & Fire e Kool the Gang. É muito bom, diga-se de passagem, principalmente músicas como ‘Rock That Body’ ‘I Gotta Feeling’ e ‘Missing You’. O público que certamente vai lotar as pistas de dança prestará muito mais atenção ao ritmo da música, mas há mais coisas entre o início e o fim de ‘Meet me Halfway’ do que imagina a vã filosofia do tum-tum-tum bate-estaca.

O título da canção significa algo como ‘me encontre no meio do caminho’. Interpretada pela bela e sexy vocalista Fergie, a tradução da letra vai mais ou menos assim: “Me encontre no meio do caminho/Eu estarei te esperando/Você levou meu coração ao limite/E daqui eu não posso passar”.

Profundo como um pires? Nada disso. Altamente filosófico. Talvez você não tenha percebido a sutil metáfora que compara o espaço físico ao estado emocional que separa o casal. Ela quer se aproximar do amado, mas acha que já se doou demais nesse relacionamento. Ela quer ficar com o cara, mas quer que ele tome um pouco de iniciativa. É hora de deixar o egoísmo de lado, é hora de ele mostrar que está interessado.

No fundo, não é isso que desejamos? Conhecer e se apaixonar por alguém que nos encontre exatamente na metade do caminho? Yes.
Todas as pessoas vêm de lugares diferentes, de origens únicas. Todo mundo é fruto de famílias diferentes, de contextos diferentes, de histórias de vida diferentes. E aí, em algum momento, essas pessoas se conhecem, se desejam. Mas isso não é suficiente. Não basta querer o outro, é preciso que o outro também te queira. Você começa então um relacionamento a quilômetros de distância – emocional, claro – e dá um passo de cada vez. As personalidades se atraem como ímãs: ela dá um passo na sua direção, você dá um passo na direção dela. Um probleminha faz você recuar um passo, uma emoção maior faz com que ela dê dois passos à frente.

O espaço entre os dois vai ficando menor, menor ainda, até que o casal se encontra. Será exatamente o meio do caminho? Às vezes sim, às vezes não. Às vezes é mais perto da origem dela, às vezes é mais perto da origem dele. Tudo bem.

O único segredo para dar certo é não forçar nenhum dos dois a caminhar demais. Por uma razão bastante simples: cansa.

comentários (17) | comente

  • A + A -

Arquivos

Blogs do Estadão