ir para o conteúdo
 • 

Felipe Machado

Este ano vou realizar um sonho: vou pra Flip.

Esta é a 7ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, evento sobre o qual eu sempre ouço falar muito bem e nunca consegui comparecer. Todo ano, meus amigos me provocam: ‘e aí, não vai pra Flip?’ E eu, sempre com cara de bobo, respondo: ‘Não, acho que não vai dar’. Por isso, agora posso encher a boca e dizer: eu vou!

(Opa, acho que ficou um pouco deslumbrado. Vamos voltar para a realidade.)

Entre os autores que vêm para a Flip, eu destacaria o biólogo Richard Dawkins. Seu livro ‘Deus, um Delírio’ é a prova de que mesmo um ateu pode escrever um livro… divino. Gosto de Dawkins não apenas porque ele é um apóstolo de Darwin, mas porque ele ajuda a divulgar a tese de que as religiões são, no fundo, grandes fantasias criadas pela humanidade que acabam gerando mais mal do que bem.

Gosto também, claro, do Gay Talese. O criador do New Journalism é um mito para mim desde que meu pai me deu o livro ‘Fama e Anonimato’. Vai ser emocionante vê-lo ao vivo. Gostarei também de conhecer Alex Ross, crítico de música clássica da revista New Yorker. Ele fala principalmente de música erudita, mas também adora nomes como Radiohead e Björk.

Destacaria também a escritora chinesa Xinran, que escreveu o divertidíssimo ‘O que os Chineses não Comem’, que li antes de viajar para a China e me fez entender um pouco da cabeça desse povo tão diferente.

Se você quiser saber quem são os destaques dos críticos do Caderno 2, Ubiratan Brasil e Antonio Gonçalves Filho, clique aqui.

Entre os brasileiros, os óbvios que brilharão serão Chico Buarque e Milton Hatoum, além do premiadíssimo Cristovão Tezza. No sábado, o Estadão promoverá uma mesa com debate sobre a obra de Euclides da Cunha, outro momento que deve ser bem legal – e não apenas porque eu trabalho no Estadão, mas porque Euclides é um nome para o qual sempre devemos prestar atenção, por diversas razões.

(Veja aqui o trailer do documentário ‘Um Paraíso Perdido’)

Prometo escrever coisas de lá. Sugeri a criação de um blog chamado ‘Flip Machado’, mas ninguém me ouviu. Quem sabe o ano que vem… será que eu vou em 2010?

comentários (9) | comente

  • A + A -

Michael Jackson: Últimos ensaios (MJ Beats)

Uma das últimas fotos de Michael, durante ensaios da turnê ‘This is it’, que aconteceria em Londres. Quem me enviou foi Kevin Mendelsohn, da comunidade MJ Beats. Para ver uma entrevista com ele, clique aqui

Michael Jackson is dead.

Die Welt trauert um Michael Jackson.

Il re del pop Michael Jackson e’ morto ucciso da un infarto.

Li a notícia sobre a morte de Michael em vários idiomas. Por que nem assim eu consigo acreditar que isso aconteceu? Talvez porque seja uma coisa irreal demais, até mesmo para alguém como Michael.

Eu tinha outro texto pronto para postar aqui. Você já deve estar cansado de ler sobre Michael desde quinta-feira, quando ele deixou de dançar por aqui. Mas me perdoe: tenho que fazer uma última homenagem a esse artista magnífico que marcou a vida de tanta gente. Escrevi o post anterior no momento em que ouvi falar da morte, então foi meio emotivo. Espero agora ser mais racional – pero no mucho.

Pensando bem, não preciso de psicólogo para entender porque não acredito que ele morreu. É que sua morte me leva de volta aos tempos do vídeo de Beat It no Fantástico, ao dia em que ouvi Billie Jean no rádio pela primeira vez.

(Especialistas falam sobre a morte de Michael na TV Estadão)

A morte de Michael mexe com a minha memória, que no fundo é a matéria-prima que nos torna quem somos. A morte de Michael é, de certa forma, a morte de uma pequena parte de quem eu era e, portanto, de quem eu sou. Indo mais longe, ela altera inclusive quem eu serei, já que nunca mais assistirei a cenas inéditas de Michael dançando por aqui.

Do ponto de vista musical, ele era um gênio. Compositor, cantor, arranjador, coreógrafo, dançarino. Michael não criou apenas um estilo que influenciou todos os artistas que vieram depois dele, mas foi a primeira – e a maior – das super-mega-ultra celebridades da nossa época. Ele levou a música negra para o mundo inteiro, e isso não é pouco. Às vezes a gente achava que ele era louco, e provavelmente ele era mesmo. O que a gente esquece é que ele foi a única celebridade-mirim que manteve (e ampliou) o sucesso durante toda a sua existência.

Michael nunca teve sequer um dia normal em toda a sua vida; ele nunca soube o que era entrar em um ônibus e ir para a escola. Ele nunca teve um amigo de sua idade. Quem acha que isso é pouco está subestimando o poder que a nossa sociedade tem de sugar a personalidade de seus ídolos. Somos, sim, egoístas, inconsequentes, canibais.

Desculpe se o texto é triste para um domingo, não foi minha intenção. Michael não merecia isso, já que viveu nos alegrando com sua arte. Sei que é um clichê, mas a verdade é que ele nunca vai morrer porque permanecerá vivo em seus discos, em seus vídeos. E na cabeça de milhões de pessoas como eu: lutaremos contra nossas memórias para mantê-lo dançando por aqui, mesmo sabendo que agora ele está dançando nas nuvens.

comentários (20) | comente

  • A + A -

Michael Jackson

Morreu Michael Jackson. Morreu Michael Jackson. Morreu Michael Jackson.

Continuo sem acreditar. Nunca pensei que eu fosse escrever essa frase, não porque ele seria uma pessoa imortal (sua música definitivamente é), mas porque é uma frase tão irreal quanto foi a existência desse incrível artista.

Sempre fui fã de Michael Jackson, antes que você pergunte. Portanto, tudo o que eu escrever aqui está sendo fruto de uma forte emoção. O dia da morte de Michael Jackson, o momento em que a gente ouve a notícia pela primeira vez, vai ficar marcado para sempre na nossa memória, da mesma forma que sempre lembramos onde estávamos quando John Lennon morreu, quando Elvis Presley morreu, quando Frank Sinatra morreu.

Nos últimos anos, a carreira de Michael ficou relegada a segundo plano, principalmente graças aos escândalos sexuais em que ele se meteu. Ele foi absolvido, sim, mas ficou marcado pela ideia bizarra de que um cara de 40 e poucos anos dormia com crianças na própria cama, além de brincar com elas em seu parque de diversões particular. Isso tudo fez com que as pessoas esquecessem do artista genial que ele foi no passado, do sucesso igualado apenas pela Beatlemania, dos números superlativos de vendas de discos.

(Veja matéria da TV Estadão)

Não cheguei a ver o Jackson Five ao vivo, não era da minha época. Mas vi a ascensão do Michael Jackson em carreira solo, quando ele lançou ‘Thriller’, em 1982. Só se falava de Michael, só se tocava Michael nas rádios, era uma febre como eu nunca vi e como nunca surgirá de novo. Hoje o sucesso é tão fragmentado entre milhões de pessoas que não há mais espaço para um artista tão grande quanto Michael Jackson. Ele é maior do que a soma de todos.

Michael nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, e foi o sétimo de nove filhos. Sua genialidade foi reconhecida logo cedo, quando começou a gravar com o Jackson Five, banda formada com seus irmãos. Em 1972 ele lançou o primeiro disco solo, ‘Got to be There’. Sucesso total. Mas foi em 1979, com ‘Off the Wall’, que ele virou um gigantesco ídolo mundial. Dois anos depois, sua parceria com o produtor Quincy Jones deu à luz o disco mais vendido da história da música: ‘Thriller’. Como imaginar um disco que teve sete de suas nove músicas no Top 10 das paradas? Como imaginar que um simples disco venderia mais de 100 milhões de cópias?

Por uma razão muito óbvia: ‘Thriller’ não era um simples disco, assim como Michael Jackson não era um simples artista. O ‘Rei do Pop’ lançou, cinco anos depois, o também bem-sucedido ‘Bad’, e em 1991 veio o ótimo ‘Dangerous’. Esses discos são tão bons, mas tão bons, que ficarão para sempre gravados na história da música. Em 2001 ele ainda lançou ‘Invincible’, mas já estava claro que não tinha mais a força e a energia de antigamente.

É importante ressaltar que Michael Jackson não foi apenas um cantor; ele foi um performer, talvez o maior que já existiu. Michael cantava, compunha, dançava, gravava vídeos incríveis e originais – Michael surgiu na época do nascimento da MTV, e provavelmente o canal musical não teria alcançado o mesmo sucesso se não fosse por ele.

Vi Michael Jackson ao vivo duas vezes, nos dois shows que ele fez no Morumbi em 1993. Foi mágico. Vê-lo em pessoa, mesmo sabendo que algumas de suas bases/vozes eram pré-gravadas, foi algo inesquecível. Infelizmente, não tão inesquecível quanto esse triste dia de hoje. Michael Jackson morreu. A música – e uma parte da vida de milhões de pessoas – morre um pouco com ele.

comentários (105) | comente

  • A + A -

The Beatles Rock Band

Para dividir com os outros Beatlemaníacos como eu: vejam abaixo a abertura do The Beatles Rock Band, videogame que permitirá que os usuários ‘toquem’ as músicas da maior banda de todos os tempos.

O game sai dia 9 de setembro. Mais informações, clique aqui.

comentários (2) | comente

  • A + A -

Live - Live at Paradiso Amsterdam

Fazia um tempão que eu não ouvia falar do Live, banda americana que fez bastante sucesso nos anos 90. Eu era bem fã deles, mas confesso que parei de acompanhar um pouco a carreira do Live em 2003, quando saiu o disco ‘Birds of Pray’. Depois eles ainda lançaram o ‘Songs From Black Mountain’ em 2006, mas aí eu não cheguei a ouvir direito.

Fiquei bem feliz quando soube do lançamento de ‘Live – Live at Paradiso / Amsterdam’, primeiro registro da banda no palco. Sim, o Live foi formado em 1988, mas nunca tinha lançado um CD/DVD ao vivo. No mini-documentário que acompanha o DVD, o vocalista Ed Kowalczyk explica que eles sempre deixavam o DVD para a turnê seguinte, até que a turnê chegava ao fim… e eles deixavam para a turnê seguinte.

A pergunta óbvia que se faz é: por que o Live, uma banda superamericana (eles fizeram até uma música em homenagem ao 11 de setembro, ‘Overcome’) decide gravar um disco ao vivo em Amsterdã? Eles explicam que os fãs holandeses sempre foram muito fiéis à banda. Quem vê o DVD percebe uma outra razão: o testro Paradiso, palco do show, é simplesmente maravilhoso. O prédio era uma igreja, o que cai como uma luva para o som messiânico-espiritual-poderoso do Live.

A banda é uma espécie de mistura de U2 com Led Zeppelin, com pitadas de religiosidade e cultura nerd (no bom sentido). Do repertório do show, maravihoso, eu destacaria ‘All Over You’, ‘The Dolphin’s Cry’, ‘Selling the Drama’, Lightning Crashes’, ‘I Alone’, ‘Operation Spirit’… esquece, são várias legais. Infelizmente, a mais famosa, pelo menos no Brasil, não está lá: ‘Pain Lies on the Riverside’, do disco ‘Mental Jewelry’. Tenho certeza de que você lembra dela ‘heeey, hey, hey, hey.. pain lies on the riverside…’. A canção ficou conhece porque tocava o dia inteiro em um comercial de Hollywood. Ficou tão famosa que trouxe o Live para uma apresentação meio pocket show em São Paulo em 1992, no saudoso Aeroanta, em Pinheiros.

Para uma banda que se chama Live, nada melhor do que vê-los… live (ao vivo). Com vocês, Live tocando ‘All Over You’. Sem o perdão do trocadilho, o Live está mais vivo do que nunca.

comentários (10) | comente

  • A + A -

.Sérgio Castro/AE
Gisele Bündchen: Tem gente que diz que não aguenta mais a Gisele. Olha bem essa foto e me responde: você acha que é possível enjoar dela?

Foto: Sérgio Castro/AE

Ufa! Hoje termina mais uma São Paulo Fashion Week. Se eu pudesse destacar apenas um momento entre todos do evento, ele teria acontecido na quarta-feira, 17 de junho de 2009.

São 22h, tudo pronto para o desfile da Colcci com Gisele Bündchen e Jesus Luz, namorado da Madonna. Na primeira fila, Carolina Dieckmann, Maytê Proença, Constanza Pascolato… e eu. Como é que eu fui parar lá?

Assistir a um desfile da Gisele é uma aventura, mais ou menos como conseguir ingresso para um show do U2 – se eles tocassem em um barzinho. Horas antes de seus maravilhosos pezinhos pisarem na passarela, a fila na porta da sala do desfile dava voltas pela Bienal.

Com uma pequena mãozinha de uma amiga glamourosamente influente, venço o primeiro obstáculo. Antes que eu possa dizer ‘Gisele-Caroline-Nonnenmacher-Bündchen’, estou no backstage, pertinho do camarim.

Modelos correm de um lado para o outro. Zeca Camargo espera para entrevistá-la para o Fantástico; os caras do CQC também.

Gisele sai do camarim, passa na minha frente e entra na sala de desfile, para ensaiar. (Não consigo entender por que é necessário ensaiar, ela vai apenas andar de um lado para o outro). Acho que é como um craque que entra antes do jogo para fazer o reconhecimento do gramado.
Já fiz a analogia com futebol antes. Para mim, ver Gisele desfilando é como ver o Pelé jogando: entra para o currículo e vira história para contar para os netinhos.

Showtime. Entro na sala e encontro amigas e amigos. Um papo aqui, outro ali, quando vejo estou sentado na primeira fila, perto do local onde os fotógrafos se amontoam. Na minha frente, do outro lado da passarela, são tantos globais que por um minuto acho que estou no meio de uma novela.

Gisele surge. Não é a primeira vez que a vejo desfilando, mas não sou louco de dizer que não dá um friozinho na barriga. A coisa mais interessante de vê-la em ação é não conseguir saber se ela brilha tanto porque é a Gisele ou se ela é a Gisele porque brilha tanto. Explico melhor: ela nos fascina porque sabemos que ela é a Gisele Bündchen, mas, ao mesmo tempo, ela só é a Gisele Bündchen justamente porque tem algo que nos fascina.

Ela caminha com o olhar seguro de quem sabe que é a melhor do mundo. As pernas são fininhas, Gisele é bem mais magra do que se imagina. O incrível é que ao olhar para suas pernas, descubro que não caminham como as outras, mortais. Gisele flutua. Chega ao final da passarela, se vira e volta. Meus olhos imploram por sua atenção, mas é claro que ela não me vê. Não importa: Gisele está a apenas três metros de distância. Já é o suficiente para alimentar meus sonhos até a próxima Fashion Week.

comentários (13) | comente

  • A + A -

Aline Hauck, por Gildo Mendes
A apresentadora de TV Aline Hauck desfila pelo lounge do Grupo Estado durante a SPFW Verão 2010. Foto de Gildo Mendes

Apareci pouco por aqui essa semana porque estou envolvido na cobertura da São Paulo Fashion Week, evento que vai até a próxima segunda-feira. A equipe do Grupo Estado produz um material bastante completo, com vídeos, matérias, entrevistas ao vivo na Rádio Eldorado, um blog dedicado ao assunto, etc. Esse material é produzido a partir do lounge do Estadão no evento, o que nos dá uma base para trabalhar de maneira rápida e ágil.

É a quinta vez que participo da cobertura do evento, e tenho aprendido cada vez mais sobre o assunto – provavelmente, por osmose. A SPFW não é um evento apenas para quem gosta de moda, mas um local onde se respira comportamento, tendências, cultura. E o melhor é que isso tudo ocorre em meio a uma multidão de mulheres lindíssimas, não apenas nas passarelas. As mulheres mais bonitas da Fashion Week estão desfilando pelos corredores da Bienal e bebendo champagne nos lounges. Uma vida muito dura, como se vê.

É complicado escolher os destaques entre as marcas que participam da SPFW, até porque não sou um especialista em moda. Mas posso dizer que será difícil ver um desfile melhor do que o apresentado pela Cia. Marítima, ontem à noite. É uma marca de biquínis, se você não conhece. E um desfile com modelos como Isabeli Fontana, Raíca, Juliana Imai, Ana Cláudia Michels e outras garotas maravilhosas passando de biquíni na sua frente é uma experiência bem difícil de ser batida.

Na saída, uma amiga me perguntou: ‘os tecidos eram bonitos, não?’ Eu achei que era piada. ‘Que tecidos?’, perguntei. Essa é uma diferença básica entre homens e mulheres. Elas conseguem ver um desfile e prestar atenção apenas nas roupas, enquanto nós não conseguimos separar a embalagem do conteúdo. Se uma mulher é linda, (quase) qualquer coisa que ela vestir estará OK para um homem. E o contrário acontece se a mulher não for das mais bonitas (se bem que isso é quase impossível na SP Fashion Week). Homens estão interessados no pacote completo, mulher e roupa. E antes que alguma mulher me critique, duvido que alguma prestou muita atenção na roupa que o galã global Rodrigo Hilbert estava usando no desfile da Colcci. Pelo menos nenhum homem gritou quando a Gisele apareceu na passarela, e olha que somos muito mais primitivos que vocês.

Vi outros desfiles também, e sempre procuro me informar com minhas colegas especialistas antes de emitir uma opinião. O problema é que nem elas chegam a um consenso: já ouvi gente que entende pra burro de moda ter opiniões totalmente contrárias após ver um determinado desfile. Por isso eu sempre pergunto: ‘e aí, eu gostei desse desfile?’ Elas respondem por mim e, aos poucos, eu vou aprendendo. A Fashion Week é uma sala de aula bastante agradável.

comentários (2) | comente

  • A + A -

Sex and the City
Kristin Davis: Minha favorita é a Charlotte (a primeira da esq. para a dir.): Será que, por amor, ela trocaria Nova York por São Paulo?

Não sou tão fã de Sex and the City, mas gosto de assistir para (tentar) compreender como as mulheres pensam. Detalhe irônico: os textos são escritos por homens. Darren Star escrevia a série, Michael Patrick King escreveu o filme. Surpresa? Não para mim. Tudo bem, os roteiristas são gays. Mas apesar dos exageros estilísticos e do consumismo caricato, acho que as quatro personagens se comportam exatamente… como homens.

Carrie, por exemplo, é o líder, o capitão do time de futebol. Samantha é a cafajeste, aquela que não pode ver na frente um representante do sexo oposto – às vezes até do mesmo sexo – que já sai dando em cima. Miranda é o mal-humorado da turma, o cara mais chato do mundo. E Charlotte é o certinho, o idealista que acredita em tudo que lhe dizem. E que ainda está em busca eterna pelo amor perfeito, veja só que ingenuidade.

Ontem vi o filme em DVD emprestado por uma amiga (não, não era cópia pirata, antes que você pergunte). Sex and the City, o Filme tem o maior caso de perdão da história do cinema. Você voltaria com um namorado que te abandonou no altar? Só em Hollywood mesmo. Ou em Nova York.

O filme é praticamente igual à série da TV, mas com um timing diferente. Parece que você está vendo três episódios emendados um no outro, sem comerciais. Mas tenho que reconhecer que o trabalho dos roteiristas é muito bom, com alguns diálogos antológicos. “Caras maus costumam fazer coisas ruins. Caras bons também” é um desses pensamentos que nos obrigam a refletir sobre a condição humana. Outro comentário sobre a diferença de comportamento nas diversas idades – e aí não serve apenas para as mulheres – também é um direto no estômago: “Os 20 anos são para se divertir, os 30 são para aprender lições. E os 40 são para pagar drinques para os amigos”. Sei lá, acho que tem alguma coisa estranhamente verdadeira nessa frase aparentemente incompreensível.

Costumam me perguntar qual é a minha Sex and the City favorita. Samantha e Miranda estão fora de cogitação; uma é muito vulgar, a outra é irritantemente cerebral. Embora eu tenha mais coisas em comum com Carrie (afinal, guardadas as devidas proporções, também escrevo uma coluna sobre relacionamento, como ela), prefiro a Charlotte.

Ela pode ser ingênua, até meio bobinha, mas pelo menos acredita no amor. E para quem mora em uma metrópole gigantesca e impessoal, como nós e elas, acreditar no amor é quase como acreditar em um deus: a gente tem que ter fé, mesmo sem ter nenhuma prova de que ele existe.

comentários (23) | comente

  • A + A -

comentários (2) | comente

  • A + A -

Mais um Dia dos Namorados está chegando. Na teoria, muito amor e romance no ar. Na prática, shoppings lotados, alta no preço da dúzia de rosas e filas de carros nos motéis. Sem contar aquela enxurrada de comerciais na TV que poderiam vender celulares, bichinhos de pelúcia ou pastas de dente: está todo mundo sempre sorrindo.

É normal haver uma apreensão entre os namorados na hora de escolher o presente. Recomenda-se uma certa equivalência de valores para ninguém ficar comparando e pensando que o sentimento de um é maior que o do outro. A não ser que um dos dois tenha bastante dinheiro, porque daí é praticamente obrigatório dizer o quanto se ama com o maior número possível de quilates. Lembre-se: apesar de os gays terem conquistado um bom espaço, o diamante ainda é o melhor amigo de uma mulher.

Apesar de isso soar como pão-durismo (e provavelmente é mesmo), acho que o valor do presente não é tão importante. O mais legal é o outro constatar que você presta atenção aos seus gostos. Não vejo o menor problema em dar apenas um CD de presente de Dia dos Namorados, desde que seja aquele CD que ela mencionou há três meses durante um jantarzinho qualquer. Sou da época em que se gravava fitinhas-cassete com as músicas favoritas da namorada. A cada canção voltava uma memória, uma lembrança de algum acontecimento legal.

Hoje isso é até meio ingênuo, ainda mais numa época em que qualquer MP3 player armazena 2 mil músicas. Quem viveu 2 mil acontecimentos legais? E olha como o preço não é importante: melhor do que comprar um CD de presente seria… compor uma música para ela. Quanto valeria isso?
Dia dos Namorados também é bom para definir o relacionamento que você tem. Sempre defendi que quem é casado não deve comemorar a data. Casado é casado, namorado é namorado. Você sofre pra burro para tomar uma decisão na vida, daí vem uma marca de lingerie e diz que vocês são eternos namorados? Besteira. Noivos e noivas também estão fora: noiva não é namorada, assim como esposa também não. Não queria ficar noiva? Agora aguente.

Para evitar confusão, uma boa notícia: o Dia dos Namorados cai no meio do feriado de Corpus Christi. Assim, em vez de comprar aquele sapato que ela estava ‘precisando tanto’, você pode presenteá-la com uma viagem – e aproveitar para ir junto. Nada de troca de presentes: seria um presente só para os dois curtirem juntos. Tem coisa mais romântica?

Um feliz Dia dos Namorados… e uma boa viagem.

comentários (22) | comente

  • A + A -

Arquivos

Blogs do Estadão