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Felipe Machado

É incrível como algumas bandas caem no nosso colo. Foi assim com o Athlete, uma banda de Londres formada em 2000 por Joel Pott (vocal, guitarra), Steve Roberts (bateria), Tim Wanstall (teclado) e Carey Willets (baixo). Uma vez, nos Estados Unidos, ouvi a banda em uma rádio alternativa e lembro que achei o nome engraçado, ‘Atleta’. Mas como a música era legal, fui atrás do disco dos caras e acabei encontrando uma banda bem interessante.

Essa é minha música favorita desses ingleses: ‘Tourist’, aqui tocada ao vivo no festival Live from T in the Park (2005). A seguir, a letra (boa, meio triste), a tradução (livre, claro) e o vídeo. Nada melhor do que ser turista no Dia do Trabalho. Bom feriado. :-)

Tourist

This european air
It always warms my face
I wish I could buy some

I will bring you stories
And bleary-eyed photos
Like a regular tourist

We don’t go breaking down
I feel like nothing ever will
We don’t go breaking down
I feel like nothing

Suitcases down our street
Are rolling once again
I roll away with them

Five days inside Zoo York
To lose myself with friends
I’m nowhere without you

We don’t go breaking down
I feel like nothing ever will
We don’t go breaking down
I feel like nothing ever will
We will never go breaking down
I feel like nothing

Just wanna be with you
My baby

I’m counting up the cost of time
And when I waste some time away
We cannot save ourselves alone
Or live life on a mobile phone

I’m counting up the cost of time (just wanna be with you, my baby)
And when I waste some time away (just wanna be with you, my baby)
We cannot save ourselves alone (just wanna be with you, my baby)
Or live life on a mobile phone (just wanna be with you, my baby)

Turista

Esse ar da Europa
Sempre esquenta o meu rosto
Eu gostaria de poder comprar um pouco

Eu vou te trazer histórias
E fotos com os olhos vermelhos
Como um turista normal

Nós não vamos ficar pra baixo
Eu sinto como se nada disso nunca fosse acontecer
Nós não vamos ficar pra baixo
Eu sinto como um nada

Malas na nossa rua
Estão rodando mais uma vez
Eu rodo para longe junto com elas

Cinco dias dentro do ‘Zoo York’
Me perder com meus amigos
Eu não sou lugar nenhum sem você

Nós não vamos ficar pra baixo
Eu sinto como se nada disso nunca fosse acontecer
Nós não vamos ficar pra baixo
Eu sinto como um nada

Só quero estar com você
Meu amor

Eu estou contando o preço do tempo
E quando eu jogo o tempo fora
Nós não conseguimos nos salvar sozinhos
Nem viver a vida em um telefone celular

Só quero estar com você, meu amor

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AP-AE

Apesar de enfrentar uma crise econômica gigantesca, uma possível epidemia de gripe suína e alguns probleminhas em todos os cantos do mundo, eu confesso que gostaria de ser Barack Obama. Por uma simples razão: ele é O cara.

O editor de Internacional de O Estado de S. Paulo, José Eduardo Barella, explica melhor.

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Depois de (tentar) acabar com o ditado ‘a primeira impressão é a que fica’, chegou a hora de detonar outro mito: o que diz que as mulheres são mais emotivas do que os homens.

Talvez essa ideia tenha surgido a partir daquele pensamento retrógrado que classificava a mulher como ‘o sexo frágil’, o que, cá entre nós, é uma bela besteira. A mulher é mais frágil se levarmos em conta apenas o ponto de vista muscular. Mas sua força não tem comparação se levarmos em conta qualquer outro aspecto da questão, do lado psicológico à capacidade de resistir à dor. Antes de espalhar essas besteiras por aí, marmanjos que não suportam tomar injeção deveriam experimentar dar à luz uma criança. Tenho a leve impressão de que é bem pior.

Acho que somos mais emotivos do que as mulheres por várias razões, mas essencialmente porque somos mais primitivos. Ao contrário do que pregam os machistas, mulheres são seres bem mais evoluídos e racionais do que nós, homens. Não sei como tem gente que discorda.

Quer um exemplo? Preste atenção ao mais popular coletivo de homens reunidos para um determinado objetivo: sim, estou falando de uma partida de futebol. Os homens se abraçam, gritam, choram, agitam bandeiras, beijam camisas, dão a vida por símbolos completamente abstratos. Olho para isso e vejo apenas grandes primatas lutando pela hegemonia de sua tribo a plenos pulmões. E quando saem do estádio, os homens fazem o quê? Saem para beber e se encontrar com outros de sua espécie. Depois de algumas cervejas, não se espante ao ver dois homens de Neanderthal se abraçando e trocando elogios: ‘caaara, você é meu melhooor amiiiiiiigo’.

Enquanto isso, as sofisticadas fêmeas preferem se reunir para fazer coisas bem mais civilizadas. Fazer compras. Jantar com as amigas. Ir ao cabeleireiro. Percebeu? São atividades extremamente racionais (apesar de algumas malucas gastarem o cartão de crédito como se não houvesse amanhã). A mulher gosta de conversar, racionalizar, transformar suas emoções e pensamentos em palavras. Deve ser por isso que elas gostam tanto de discutir o relacionamento.

Você pode achar minha opinião radical; sei que é errado generalizar. Existem caras que choram até em comercial de TV (eu) e mulheres que não estão nem aí para a própria família. Mas como diz a canção A Man and a Woman, do U2, o importante é viver com emoção:

“O amor não deveria deixar você entorpecido; a maior dor é não sentir absolutamente nada”.

Genial.

Desculpe, mas acho que vou ficando por aqui. Escrever este tipo de texto me deixa muito emocionado.

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Foto de Eduardo Nicolau/AE

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Amigas e amigos,

estreou no portal do Estadão o documentário ‘Um Paraíso Perdido’. Abaixo, o vídeo e o release.

Abs, F.

Documento Estadão
‘Um Paraíso Perdido’

A viagem realizada pelo repórter Daniel Piza e pelo fotógrafo Tiago Queiroz ao longo do rio Purus reconstituiu a expedição chefiada em 1905 pelo escritor e engenheiro Euclides da Cunha, morto em 1909. Com direção de Felipe Machado, o documentário ‘Um Paraíso Perdido’ revela que a Amazônia visitada por Euclides continua muito parecida como paisagem e enigma, apesar das transformações que vieram com o fim dos seringais e a chegada dos índios.

“Foram mais de mil km navegando pelo rio Purus, desde Sena Madureira até o encontro com o rio Curanja no território peruano. Foram seis dias de baleeira, dormindo em redes e tomando banho com água do rio, e mais dois dias de voadeira, dormindo nas pousadas sem conforto de Santa Rosa do Purus e Esperanza. Em sete desses dias choveu, e quase sempre torrencialmente”, conta Piza.

O Ano de Euclides

‘O Ano de Euclides’ é um projeto jornalístico, cultural e multimídia do Grupo Estado sobre a vida e obra de Euclides da Cunha, morto aos 43 anos, em 15 de agosto de 1909. O centenário de morte do autor de ‘Os Sertões’, celebrado pelo Grupo Estado durante todo o ano de 2009, relembra a trajetória do engenheiro, escritor, correspondente de guerra, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo por duas décadas e do homem que teve o ‘defeito do viver demais’, embora morresse tão cedo. Não fosse abatido pelos tiros do amante de sua mulher, Euclides certamente envelheceria propondo desdobramentos à sua obra.

De enorme significado cultural e sociológico, a expedição amazônica de Euclides representa um período ainda pouco conhecido na vida do escritor. Traumatizado pela experiência de Canudos, Euclides combateu a ideia de o Brasil entrar em guerra com o Peru pela posse do que seria hoje uma parte do Estado do Acre. Condenou o envio de tropas à região, defendeu um acordo por via diplomática e acabou sendo incumbido pelo Barão do Rio Branco para chefiar a Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus. Sua missão: fazer o levantamento cartográfico da região e determinar a nascente do rio que separa os dois países.

Cluque aqui para ver o documentário ‘Um Paraíso Perdido’ e o especial ‘O Ano de Euclides’.

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Site da Biblioteca Digital Mundial

Essa é para acessar no fim de semana, com bastante tempo livre. Você já ouviu falar da Biblioteca Digital Mundial? Então clique aqui. Vale a pena, dei uma navegada rápida e já deu para perceber que é um projeto sensacional. Dá para pesquisar por continente, tema, autor, linha do tempo… Mas já vou avisando uma coisa importante: se você é como eu, que não pode ver uma biblioteca ou livraria, separe um tempinho porque o material é extenso…

O site foi lançado na última terça-feira pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para permitir que os internautas consultem de graça os acervos de grandes bibliotecas e centros culturais de vários países. O site oferece milhares de livros, imagens, manuscritos, mapas, filmes e gravações de bibliotecas, tudo traduzido em sete idiomas.

Esse megaprojeto teve a colaboração de 32 instituições presentes em países como China, EUA, França, Inglaterra, Rússia, Arábia Saudita, Israel, Brasil e Japão, entre outros. A ideia, segundo a Unesco, é chegar a 60 países até o final do ano.

O mais legal é navegar meio sem destino, lendo um pouco de tudo. Quem quiser ir direto às raridades, o release da Unesco destaca algumas obras:

- O livro japonês ‘O Conde de Genji’, um dos romances mais antigos do mundo (século 11)

- O primeiro mapa que cita a América, de 1507, desenhado pelo padre alemão Martin Waldsemueller

- As primeiras fotografias da América Latina (parte do acervo da Biblioteca Nacional do Brasil)

- O manuscrito medieval conhecido como a Bíblia do Diabo, do século XVIII

- Manuscritos árabes da Biblioteca de Alexandria, Egito

- Imagem africana de antílopes mortos: a pintura de oito mil anos é o documento mais antigo da Biblioteca Digital da Unesco

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Leaozinho
Tem coisa mais linda que um leãozinho? Tem: minha filha visitando o zoológico

Se você está lendo esta coluna hoje, deve agradecer (ou amaldiçoar) o Zoológico de São Paulo. Não, eu não me formei lá, antes que você venha com essa piadinha previsível. A história é que fui contratado como repórter graças a uma matéria sobre o local, então acredito, sim, que os animais contribuíram para a minha carreira profissional.

Não é só por isso que costumo passear por lá, como fiz no último sábado. Fui ao zôo para minha filha ver pela primeira vez os animais pessoalmente (não deveria ser animalmente, já que eles são animais, não pessoas?). Ir ao zôo é um dos passeios mais legais e importantes na vida de uma criança. Um clássico, eu diria.

O Zoológico de São Paulo não é perfeito, mas está bem melhor que o de Pequim, que conheci durante a Olimpíada. Pena que eles têm pandas; nós não. Mas lá os outros bichos ficam confinados em tanques de concreto com tanta vegetação quanto um estacionamento da Avenida Paulista. Aqui é o contrário: a área destinada a alguns bichos é tão grande que a gente nem consegue encontrá-los (os diretores do zôo devem ler isso e cair na risada: ‘olha só, o cara acreditou que tinha algum leão lá, hahaha’).

Vou desapontar os fanáticos por animais, mas acho que zoológicos são um mal necessário para a humanidade. Não gosto do conceito de ‘bichos presos’, mas acredito que a mágica de vê-los de perto é importante para educar as crianças e ensiná-las a amar a natureza.

Nem todas as crianças que vão ao zoológico se tornam veterinários ou defensores dos animais, mas tenho certeza de que os poucos que se tornam guardam na memória alguma imagem inesquecível de um animal na infância. Sob esse ponto de vista, os bichos do zoológico são como ‘mártires’ da causa animal – mesmo sem saberem.

Minha filha teve reações diferentes: amou a girafa, não gostou muito do elefante. Ela é bem novinha, acho que ficou com medo daquele monstro enorme. Bebel adorou os macaquinhos pequenos, mas chorou após passar um minuto olhando fixamente para um chimpanzé. O que será que passa na cabeça de uma criança quando vê um chimpanzé (e vice-versa)? Acho que reconhecem intuitivamente o parentesco distante, primal. Ou ela só achou os ‘caras’ meio esquisitões, sei lá.

Só sei que, desde aquele dia, toda vez que um macaco aparece na TV ela começa a dar risada e a correr pela sala com os bracinhos pra cima, imitando o bicho. Como você acaba de descobrir, além do meu início de carreira, agora eu tenho outra razão para amar o zoológico.

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Que eu queria ser o cineasta David Lynch todo mundo que lê esse blog já sabe. Qual é a novidade, então? A novidade é que Lynch dirigiu o videoclipe de ‘Shot in the Back of the Head’, single do novo disco do Moby. Não sou grande fã de Moby, mas quando vejo as palavras ‘David Lynch’ e ‘vídeo’ na mesma frase, eu presto atenção redobrada.

Ao contrário das imagens sofisticadas e geralmente surrealistas de seus filmes, no vídeo abaixo David Lynch usa uma estética que remete ao expressionismo alemão mas tem um toque de ingenuidade, mais ou menos como se o ‘Gabinete do Dr. Caligari’ tivesse sido desenhado à mão por uma criança de 8 anos.

(Uau, uma comparação tão maluca como essa só podia ser publicada em um post sobre o David Lynch)

Enjoy.


“>Shot In The Back Of The Head from Moby on Vimeo.

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Armando Arorizo/EFE

Cloud Nine: Paul McCartney, Olivia e Dhani Harrison tocam a estrela em homenagem a George Harrison, inaugurada ontem na Calçada da Fama de Hollywood, Califórnia. O eterno guitarrista dos Beatles morto em novembro de 2001 aos 58 anos é a estrela número 2.382 e é o segundo Beatle a ganhar uma (John foi o primeiro, claro). A foto é de Armando Arorizo, da agência EFE.

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Só porque este texto começou com uma pergunta não significa necessariamente que ele vai terminar com uma resposta. Aliás, já vou avisando que não vai. Principalmente porque a questão acima não tem uma resposta, mas várias. Hoje você pode acordar com uma opinião na ponta da língua; amanhã seu pensamento pode ser exatamente o contrário.

É claro que há gente que ama e é amado, já que um sentimento não exclui o outro, mas isso acontece apenas em raras vidinhas perfeitas. Você ama uma pessoa, essa pessoa te ama de volta. Ponto final. Há probleminhas, mas basicamente você é feliz. E a vida segue razoavelmente tranquila, com pouco desequilíbrio emocional e eventuais briguinhas resolvidas por meio de deliciosos atos sexuais de reconciliação.

Na verdade, essa pergunta só tem sentido quando os dois sentimentos não acontecem simultaneamente, pelo menos para uma das pessoas envolvidas. Só então a gente acaba sendo obrigado a se perguntar: é melhor amar ou ser amado?

Não há dúvidas de que ser amado tem suas vantagens. Você não sente aquela emoção arrebatadora, mas também não fica tão mal se algo dá errado ao longo do caminho. Já amar dá um pouco mais de trabalho: quem ama fica dependente do objeto da paixão. E há sempre o risco desse amor deixar de ser correspondido, ou seja, a infelicidade pode estar ali, virando a esquina.

Quem é amado recebe; quem ama, dá. Quem é amado tem o poder nas mãos, quem ama está vulnerável como um carro sem freios no topo da ladeira. E, paradoxalmente, um sentimento não existe sem o outro: não adianta nada ter uma montanha de caviar se você está totalmente sem fome.

Tenho certeza de que você já foi amado sem amar, assim como é provável que você já tenha amado sem ter sido correspondido. Esse desencontro faz parte da vida amorosa, cuja formação começa na adolescência. Será mais fácil se apaixonar quando a gente é jovem? Ou a idade não tem relação com a emoção? O amor muda conforme o tempo passa; a gente também. Alguns dirão que amar é melhor quando a gente é adolescente; talvez sejam os mesmos que garantirão que, quando o tempo passa, o melhor mesmo é ser amado.

Será que existe gente que começa a amar e ser amado ao mesmo tempo? Nah. Se fosse assim, as pessoas diriam ‘eu te amo’ ao mesmo tempo, como um jogral. Mas não é isso que acontece: alguém sempre diz antes. É melhor dizer ‘eu te amo’ ou ‘eu também’? Desculpe, mas essa é outra pergunta sem resposta.

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