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Felipe Machado

Hi-5

No sábado, fiz um programa especial com minha filha de dois anos: fomos ver o show ‘Hi-5 – Cinco Sentidos’ no Via Funchal. Ela adorou: dançou, cantou as musiquinhas, brincou com outras crianças (entre elas, a prima Laurinha), etc. No domingo à noite, deixei a Bebel assistindo à TV e fui tomar banho. Quando voltei, ela não estava mais lá: tinha ligado meu computador e, não me perguntem como, escreveu o texto que reproduzo aqui.

Papy,

obrigado por ter me levado ao meu primeiro show. Eu sei que já tínhamos ido à apresentação do Backyardigans, mas eu era muito pequenininha e nem lembro direito. Ontem, não: foi legal ver ao vivo as músicas que o Hi-5 canta na TV. Quer dizer, eles são meio diferentes na TV, acho que não são os mesmos atores. Lembro até que você comentou com o tio que os nossos Hi-5 eram mais legais que os originais. Como sempre, eu concordo com você, papai. Se são outras pessoas, por que os nomes deles eram os mesmos da TV? Eu não sabia que eles eram considerados personagens. Achei que eram cinco crianças mesmo.

Minhas músicas favoritas foram ‘Robô Número 1′, ‘Norte Sul Leste Oeste’ e ‘Pizza’. Aliás, papai, você sabe que eu adoro pizza. Você não gostaria de pedir uma hoje à noite? Eu quero!

Eles também cantaram a música que toca na abertura do programa, claro, que é o maior sucesso. Obrigado por ter me levado lá na frente para ver os Hi-5 de perto. Só não entendi uma coisa: Ainda não sei ler, mas vi você dizendo que o programa traz os nomes de Daniel Henares, Herbert Didone, Jhafiny Lima, Larissa Lia Porrino, Maria Clara Trindade, Mariana Pio, Pâmela Santiago, Raquel Higa, Sandre Hocha e Thiago Kozonoi… ué, papai, são cinco pessoas em cena, por que o programa traz dez nomes? Será que eles são como jogadores de futebol, cada um tem um reserva? Sei lá.

De qualquer jeito, foi um show muito legal. A produção era um pouco simples, mas funcionou superbem, até porque o principal ali são as cores do cenário, as músicas e as coreografias. Pelo menos na minha opinião de fã. A trilha sonora não é tão boa quanto a do Backyardigans, né? Mas as letras são bonitinhas e funcionam bem ao vivo, até porque os refrões são tão fáceis que até eu sabia cantar…

Beijos pra prima Laurinha e pra você, papai. Te amo.

Bebel

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Já que a semana foi praticamente inteira dedicada à música, fica aqui mais uma dica musical de fim de semana: ‘Hostage of Love’, do Razorlight. Sei que o nome da canção é super brega (‘refém do amor’), mas essa banda inglesa é bem legal e acaba de lançar um disco novo, ‘Slipaways Fires’.

Bom fim de semana, bjs, F.

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Mallu Magalhães

Não sei se faz tipo ou se ela é assim mesmo, mas fico constrangido toda vez que vejo uma entrevista da cantora Mallu Magalhães

Você pode até nunca ter ouvido essa expressão, mas tenho certeza de que sabe o que ela significa. ‘Vergonha dos outros’, também conhecida como ‘vergonha alheia’, é aquela desconfortável sensação de constrangimento que nos toma o coração quando vemos outras pessoas passando por situações ridículas.

Vergonha alheia não escolhe vítima: ela pode aparecer graças a algo que aconteceu com nosso melhor amigo ou com um estranho. E nos deixa igualmente mal.

O teatro geralmente é um lugar perfeito para aprender a sentir vergonha alheia. Minha primeira vez foi lá, quando eu tinha uns vinte anos. Fui convidado para assistir a um monólogo de um amigo meu, que praticamente havia obrigado todos os seus conhecidos a comparecerem ao espetáculo. Ao chegar lá, porém, descobri que eu seria responsável por metade do público presente – isso, claro, sem contar as pulgas do teatro. Ao ver o local deserto, meu peito começou a se encher com um sentimento que misturava pena e desconforto, e até uma pitada de raiva por ver um ser humano exposto a uma situação tão idiota. Nascia ali uma emoção nova. Nascia ali a minha vergonha alheia.

Tudo ficou pior quando o ator entrou em cena e viu que só havia duas pessoas na plateia. Meu amigo tentou atuar como se o teatro estivesse lotado, e isso foi tão ridículo que a minha humilde e recém-nascida vergonha alheia começou a se transformar em um monstro gigantesco. Esse monstro invisível me obrigou a abaixar entre as cadeiras e rastejar até a saída; eu só resisti em nome da amizade.

Mas aí as coisas pioraram: eu e o outro coitado da plateia nos sentíamos obrigados a rir de piadas totalmente sem graça, já que meu amigo não tirava os olhos da gente. E nem dava, afinal, ali não tinha mais ninguém para ele olhar.

Após 253 horas (pelo menos foi isso que pareceu), a peça acabou e a humilhante salva de palmas foi o derradeiro momento de vergonha alheia da noite. Se eu estivesse vendo um filme, poderia ter dormido na primeira fila que os atores nem iam ligar. Talvez seja por isso que gosto mais de cinema.

Alguns amigos dizem que temos que lutar contra a vergonha alheia, que cada um de nós é responsável por seus atos e que normalmente já perdemos muito tempo nos preocupando com nossa própria vergonha para pensar no constrangimento de terceiros. É verdade. Mas enquanto os monstros continuarem ocupando salas de teatro e outros lugares públicos, minha vergonha alheia vai sobreviver. E eu não tenho a menor vergonha disso.

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Thiago Queiroz/AE

Embora eu tenha feito isso milhares de vezes, confesso que até hoje acho difícil descrever um show para quem não esteve lá. Posso falar sobre as músicas, posso mostrar uma foto do palco e dos integrantes. Mas a mágica de um show não pode ser contada em palavras, nem mesmo com um vídeo de alta definição extremamente fiel ao que aconteceu no evento. Uma banda boa de palco transcende o comum, o mortal, e cria uma relação única entre o que acontece no palco e o que bate no coração da platéia. São momentos intensos. E que não voltam.

O Radiohead apresentou um show ontem em São Paulo que vai ficar na memória. O show foi excelente começando pelo lugar escolhido, a Chácara do Jóquei. Apesar de longe pra burro e com poucos acessos viários, o local contribuiu com um clima de festival europeu bucólico e gramado. A garoa fina provocou um pouco de lama, mas nada que incomodasse demais. Banheiros lotados, filas para a cerveja… nada que não tenhamos visto antes. Mas acredite: não prejudicou.

O festival Just a Fest começou com Los Hermanos, e tenho que confessar que achei o show legal. Não conheço muito a banda, nem sou daqueles que se impressionam com os papos-barba (uma variação dos papos-cabeça) dos integrantes. Mas é impressionante como o público gosta deles, como sabe todas as letras de todas as canções. Me lembrou um pouco a relação messiânica que os fãs tinham com o Legião Urbana, embora os Los Hermanos estejam longe do que foi o Legião. Mas isso é muito legal de ver. E eles têm, sim, músicas muito boas. O que me incomoda é o fato de ser um som muito linear, parecido em todas as músicas. Falta um pouco de pegada no som, acho que eles deviam ter ouvido um pouco mais de heavy metal quando eram adolescentes. Sinto falta do grito, da raiva, da emoção de quem está cantando letras sobre… emoção. Acho os vocais meio para dentro, para falar a verdade. Mas admito que eles têm muito talento, é uma pena que a banda não exista mais. Eles deveriam voltar, seria interessante ver o que poderiam fazer quando os egos dos integrantes conseguissem se entender. Os estudantes das faculdades de ciências sociais em todo o mundo torcem por isso.

O Kraftwerk foi o intervalo para buscar cerveja com trilha sonora de luxo. ‘Ensanduíchados’ no meio de duas bandas totalmente emotivas, os alemães-robôs ficaram como peixes fora d’água. O som estava legal e o visual era uma desfile de obras de arte construtivistas e inspiradas em Piet Mondrian. Conceitualmente, o Kratwerk sempre foi muito à frente de todo mundo, mas sinceramente não era um tipo de som para um festival de rock. Seria mais interessante ter convidado alguma outra banda inglesa que começa a despontar, alguém que estivesse com gás para queimar. A presença de palco dos quatro integrantes do Kraftwerk nem pode ser chamada de presença de palco. Afinal, não sei se eram humanos ou robôs que dançavam timidamente na frente de seus teclados/computadores.

Ai, o Radiohead. Que galera esquisita, não? Contrariando o próprio nome da banda, eles não tocam na rádio. Eles não lançam clipes caríssimos. O vocalista está longe de ser um galã. Eles moram em cidades pequenas e não tem a menor vontade de viver o estilo de vida ‘rockstar milionário’. Para que, então, ter uma das maiores bandas de rock do planeta? Porque eles querem se expressar artisticamente. É duro imaginar que ainda existe gente assim, mas é verdade. O interesse no Radiohead é estritamente musical, artístico. Por isso suas canções conquistam corações e mentes em todo o mundo: não são os refrões (nem há tantos refrões assim, para falar a verdade), não são as melodias fáceis (não há melodias fáceis). Se o Kratfwerk é Mondrian, o Radiohead é Picasso. E em alguns momentos, são as cores expressionistas e abstratas de Jackson Pollock, jogadas sobre a tela caoticamente como a existência humana.

Um show do Radiohead também não tem nada a ver com um show do U2 ou da Madonna, por exemplo. Esses artistas estão mais para um shopping center, enquanto o Radiohead é uma gigantesca loja artesanal familiar. Embora o palco do Radiohead seja tão impressionante quanto o do U2 ou Madonna, há uma clara diferença conceitual e estética entre eles. Bono e Madonna vivem de estampar seus rostos em telões gigantescos. Thom Yorke e cia. não tem a menor vontade de se verem como deuses – os telões são divididos em cinco e cada um mostra apenas um detalhe de cada integrante da banda. O que mais chama a atenção no cenário são tubos de um material que parece plástico ou vidro, onde são feitas projeções psicodélicas e bastante interessantes.

O repertório do show foi baseado no disco ‘In Rainbows’, que é simplesmente maravilhoso. Mas tocaram antigas também, como ‘Fake Plastic Trees’ e ‘Creep’. O público foi hipnotizado durante 2h20 – e isso não é fácil de fazer ao mesmo tempo com 30 mil pessoas.

Olha só que incrível: o show respeitou os horários! Cheguei em casa cedo, milagrosamente. E daí fui dormir com imagens que não saiam da minha cabeça: Thom Yorke dançando de um jeito esquisitão; duas meninas que estavam do meu lado cantando a letra de ‘Nude’ de olhos fechados; a ‘chuva’ de luz que ‘caía’ no palco durante as músicas mais rápidas do show; os ritmos complexos e hipnotizantes de ‘Paranoid Android’.

Eu finalmente adormeci e sonhei com alguma coisa que não importa. Quando abri os olhos de manhã, lembrei novamente do show e pensei ‘será que foi real, será que foi tudo aquilo mesmo?’ Aí eu vi a credencial em cima da mesa e tive certeza de que era tudo verdade.

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Marcos Brindicci/Reuters

Quando eu era criança, lembro da minha mãe vendo o filme ‘Cabaret’ e dizendo que era fã da atriz principal, Liza Minelli. Uma noite, ela e meu pai foram a uma festa à fantasia: meu pai foi de gângster; minha mãe foi de… Liza Minelli em ‘Cabaret’.

Ou seja: da mesma forma que eu queria ser caras como Robert Plant, do Led Zeppelin, ou Paul McCartney, dos Beatles, cresci vendo que minha mãe queria, de certa forma, ser Liza Minelli.

Quando comentei isso com a Miriam, assessora de imprensa do Via Funchal, ouvi uma frase que me deixou pensando um bom tempo. “Se conhecesse pessoalmente, a Liza Minelli é que ia querer ser sua mãe.”

Sei que esse blog se chama ‘Palavra de Homem’ e um show de Liza Minelli não é exatamente o assunto mais quente nas mesas de boteco da galera. Então vejam isso como uma homenagem a minha mãe. E mãe todo homem tem.

A seguir, texto de Helô Machado sobre o show de Liza Minelli.


Liza em São Paulo

Helô Machado

Quando eu tinha 10 anos, minha mãe me tirou do ballet: achou que as minhas pernas estavam ficando musculosas. Perdi assim minha grande chance de ser não apenas bailarina, mas uma grande estrela da Broadway. Como Liza Minelli.

Ontem eu estive com ela, no Via Funchal, no seu único show em São Paulo. O lugar privilegiado na primeira fila quase me permitia ouvir as batidas bem ritmadas do seu coração e a sua respiração ofegante entre uma música e outra, quando, simpaticíssima, ela falava da alegria de estar na cidade.

Para uma jornalista atenta, a primeira fila é tudo. Antes do início do show, vi duas botas pretas de paetês que ‘andavam’ de um lado para outro no palco, atrás da cortina fechada (cortina, aliás, um tanto quanto curta). Devem ser da estrela, pensei. Afinal, Liza se apresentaria somente com a sua orquestra de 12 músicos…

A cortina se abre e ela surge. Emoção total. Liza Minelli ali, bem pertinho. A roupa é brilhante: todinha de paetê preto. Muito brilho, como exige uma estrela do showbiz. O modelo é de uma senhora, que talvez precise disfarçar a silhueta avolumada: calça, regata, casaco, echarpe. E as botas de paetê? Foram trocadas por uns sapatos, salto médio e grosso, em tom de bege.

Não acreditei. Tive vontade de parar a orquestra, perguntar por aquelas botas pretas que eu vira, mas era tarde demais: Liza começou a cantar e eu me esqueci completamente do sapato ‘descombinado’ e da roupa nada a ver com aquela jovem encantadora e divertida, mestra de todos os ritmos, dona da maior afinação e daquele palco imenso, senhora absoluta de toda aquela gente.

No segundo ato, Liza muda de roupa, mas não perde o brilho. Ofusca em marrom: calça justa, bata ampla e mais curta e os tais sapatos, agora combinando. Mas isso não importa mesmo. Em quase duas horas de espetáculo, lá estava ela inteira, cheia de graça, linda e solta, desfilando seus sucessos e outras canções desconhecidas e não menos emocionantes. Entre as vinte músicas escolhidas, ‘Teach me’, ‘If’, ‘Comme ils disent’, de Charles Aznavour, cantada em inglês, ‘Liza com Z’, ‘Alexander Ragtime Band’, as inesquecíveis ‘Maybe This Time’ e ‘Life is a Cabaret’, do filme ‘Cabaret’, que lhe deu o Oscar em 72 e… ‘New York, New York’, claro!

A simpatia e o talento da estrela vão mais longe: a orquestra ataca ‘Canto de Ossanha’, de Baden Powell e Vinícius de Morais, na mais perfeita batida afro da composição e ela emenda um delicioso ‘Trevo de 4 Folhas’, sucesso de Nara Leão. E, agora, sucesso de Liza. Canta com bossa, com ginga, com samba no pé.

Não fosse o sotaque, poderia ser uma autêntica rainha de bateria, sem precisar ficar nua… Inacreditável. Ela repete, o público enlouquece. A cada passo, levantada de mão, cotovelada, a orquestra acompanha e vice-versa.

Liza nasceu para isso. Nasceu nisso. Jamais poderá calcular em quantos palcos já pisou, por quantos camarins e sets de filmagens já passou e até adormeceu quando criança, levada pela mãe, Judy Garland ou pelo pai, Vincent Minelli. Vencedora de vários prêmios, cantora, atriz e bailarina, ela pode se gabar de ser uma das artistas mais completas do século 20: atuou em 27 filmes, lançou 35 discos. Quantos shows já realizou? Sei lá. Nem ela sabe…

Aos 62 anos, bem mais magra do que na última vez que esteve no Brasil, livre da dependência de remédios, álcool e de quatro maridos, a estrela às vezes demonstra não poder ficar muito tempo de pé. Brinca com isso, ao puxar uma cadeira da coxia para cantar sentada: “Antes eu me sentava no segundo ato. Agora pego a cadeira no primeiro”…

O público talvez pense que é pela idade. Pouca gente se lembra. Há seis anos, Liza Minelli teve graves problemas na coluna ou nas pernas. Disseram até que ela não poderia mais andar… “Ela está inteira, cantando como nunca”, festejou o The New York Times, na sua estreia na Broadway, em dezembro. O show ‘Liza’ deveria permanecer duas semanas em cartaz. Sucesso absoluto de público e crítica, ficou quatro. Sua temporada brasileira começou em Porto Alegre. Dia 21 ela canta em Brasília e dia 24 no Rio de Janeiro. Depois? Em qualquer grande teatro do planeta…

Outros palcos, outras luzes, outras platéias. Tudo tão diferente e a mesma magia de sempre. Ela está acostumada. Antes de nascer, Liza Minelli já sabia: o show não pode parar – ‘the show must go on’. Aí é que está a grande diferença. Ser uma estrela não é para qualquer uma, não. Esse era o meu grande sonho de infância e, para dizer a verdade, ainda é. Sabe aquele sonho escondido que a gente conta pra todo mundo e todo mundo acha engraçado e pensa que é brincadeira? Mas no fundo – e no raso – não é. Deu pra entender?

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Algumas pessoas não ligam para essas coisas, mas o normal é querer sempre passar uma boa impressão quando se encontra alguém pela primeira vez. Como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica. De uns tempos para cá, porém, andei pensando sobre o assunto e descobri que o que acontece na vida real é justamente o contrário: o que fica é a última impressão.

Para você não achar que estou querendo bagunçar um ditado milenar, vou contar um pequeno caso. Muitos séculos atrás, período da era mesozoica em que eu ainda era solteiro, conheci uma garota numa praia do litoral norte de São Paulo. A primeira impressão que tive dela foi ótima: bonita, simpática, divertida, inteligente. A gente nunca tem 100% de certeza em relação a essas coisas, mas acho que ela também foi com a minha cara: sorria bastante, puxava papos, concordava com as coisas que eu falava. Como eu estava voltando para São Paulo no dia seguinte, ofereci uma carona. Ela aceitou.

Arrumamos as malas numa boa, entramos no meu carro, escolhemos juntos a trilha sonora. Maravilha. Mas na estrada, a boa impressão que ela tinha de mim começou a desmanchar.

Todo mundo tem defeitos. Eu tenho vários, mas um deles me incomoda em especial: sou péssimo com caminhos. Às vezes, estou dirigindo e começo a pensar em outras coisas… quando vejo, estou em outra cidade.

Pois foi exatamente o que aconteceu: o papo estava tão bom que perdi a entrada para São Paulo e fui parar na sombria periferia de alguma cidadezinha do interior. Aí deu tudo errado: era época de eleição e meu carro ficou preso no meio de um comício. Quando a multidão começou a bater na janela do meu carro, descobri que minha bela passageira sofria de claustrofobia. Ela começou então a chorar e a minha ótima primeira impressão virou pó.

Deixei a garota em casa cinco horas depois. Ela nem olhou para o carro para se despedir. O que você acha que está na memória dela até hoje, o meu papo superdescolado na praia ou a minha cara de idiota no portão da casa dela? Acertou.

Temos que passar uma boa impressão em todas as ocasiões, mas a imagem que realmente fica na memória das pessoas é sempre a mais recente. Quando você reencontra um amigo de infância e descobre que ele virou o cara mais chato do mundo, não há lembrança sobre aquela histórica partida de futebol no primário que salve a amizade.

A impressão que você tinha sobre o velho amigo era ótima; a atual, que vai durar até você se encontrar com ele novamente, é péssima. A gente nunca tem 100% de certeza sobre essas coisas, mas tenho a impressão de que você me entendeu.

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Amigas e amigos,

A seguir, o esclarecimento da empresa Mondo Entretenimento sobre os problemas citados por este blogueiro e pelos leitores em relação à organização do show do Iron Maiden.

Abs, F.

ESCLARECIMENTO

A Mondo Entretenimento lamenta o ocorrido e gostaria de se desculpar pelos transtornos mencionados, mas temos o dever de informar que todas as medidas cabíveis foram tomadas pela empresa para assegurar que o evento ocorresse dentro da mais perfeita ordem e segurança.

Gostaríamos ainda de ressaltar que não houve quaisquer ocorrências policiais ou atendimentos médicos considerados graves.

Por causa da grande extensão do autódromo, optamos por reservar a entrada mais próxima da arena onde aconteceria o show para proporcionar o maior conforto possível para público.

Sobre a demora na entrada:

1. As pessoas chegaram muito cedo. As 12h já tínhamos mais de 20 mil pessoas na rua, portanto quando abrimos muitas pessoas já estavam na fila há mais de 4 horas.

2. Caiu uma tempestade que nos atrasou a abertura da entrada em uma hora e isso fez com que a fila ficasse maior ainda.

3. Estávamos com um fluxo de 120 pessoas por minuto, ou seja, 7,2 mil pessoas por hora. Inicialmente, isso seria suficiente para entrada de todos antes das 20hs. Com os imprevistos e o tamanho da fila, esse fluxo caiu muito e ai criamos uma segunda fila aumentando o Fluxo para 200 pessoas por minuto (12 mil pessoas por hora).

4. Passamos o show para as 21h. E das 15h30 até as 21h entraram 40 mil pessoas.

Sobre a demora na saída:

Todo o público que entrou durante 5 horas quis sair ao mesmo tempo. Ao perceber que haveria problemas, a segurança retirou alguns tapumes para alargar a pista de saída e fazer com que o fluxo pudesse ser mais intenso. Após aproximadamente de 1 hora e meia depois do término do show, não havia mais quase nenhum público dentro do autódromo.

Resumimos abaixo alguns pontos importantes sobre as providências tomadas pela produção, que atendeu todas as exigências legais e planejamentos dos órgãos governamentais competentes:

1 – A produção tomou todas as medidas preventivas necessárias ao bom andamento do evento tendo realizado diversas reuniões que envolveram CET, POLÍCIA MILITAR, GUARDA CIVIL METROPOLITANA e SUB-PREFEITURA DA CAPELA DE SOCORRO (Temos as atas de todas as reuniões).

2 – Todo o planejamento do trânsito e de estacionamento foi elaborado pela CET e todo o material necessário e exigido foi entregue pela produção.

3 – As entradas do evento foram devidamente calculadas de acordo com a normas técnicas e concordância de todos os órgãos públicos envolvidos, sendo que pela primeira vez foi disponibilizado uma entrada exclusiva para o estacionamento de veículos, evitando-se multidões do lado de fora do autódromo. As filas foram devidamente organizadas e balizadas com cavaletes, com fitas zebradas impedindo a desorganização e sempre com o apoio e acompanhamento de policiais militares e da guarda civil metropolitana.

4 – Estavam envolvidos na operação mais de 400 Policiais Militares que ostensivamente deram todo o apoio ao evento das 12;00 às 03:00 da madrugada do domingo.

5 – Não foi registrada nenhuma ocorrência policial na parte interna do evento, sendo que do lado externo houve apenas um flagrante por exploração irregular de estacionamento.

6 – Não houve remoção para hospitais, apenas atendimento de 50 casos de mal súbitos que prontamente atendidos retornaram ao evento.

7 – O evento contou com todos os pontos de atendimentos necessários exigidos e aprovados pela fiscalização competente:

• 03 postos médicos em tendas e 01 posto médico fixo
• 08 ambulâncias de UTI móveis e 08 ambulâncias normais
• 06 Bares e 03 praças de alimentação
• 02 postos policiais montados especialmente para o evento além do Posto fixo
• 01 Base da Sub-Prefeitura e da Guarda Civil Metropolitana


Esclarecimentos adicionais:

Por que o Autódromo de Interlagos foi o escolhido?
Porque era a melhor opção quando decidimos realizar o evento no dia em questão. Acreditamos que Interlagos seja viável para grandes shows.

Por que só havia uma saida e entrada para 63 mil pessoas?
A área de Interlagos é gigantesca e por isso escolhemos um setor que julgamos ser ideal e o mesmo tinha apenas uma entrada, tudo devidamente aprovado pelo CONTRU

O porquê da demora:

1. Uma realidade, as pessoas chegaram muito cedo. As 12h já tínhamos mais de 20 mil pessoas na rua, portanto quando abrimos muitas pessoas já estavam na fila há mais de 4 horas.

2. Caiu uma tempestade que nos atrasou a abertura da entrada em uma hora e isso fez com que a fila ficasse maior ainda.

3. Estávamos com um fluxo de 120 pessoas por minuto, ou seja, 7,2 mil pessoas por hora. Inicialmente, isso seria suficiente para entrada de todos antes das 20hs. Com os imprevistos e o tamanho da fila, esse fluxo caiu muito e ai criamos uma segunda fila aumentando o Fluxo para 200 pessoas por minuto (12 mil pessoas por hora).

4. Passamos o show para as 21h. E das 15h30 até as 21h entraram 40 mil pessoas.

Esclarecimentos adicionais:

1. Tínhamos 45 mil pessoas e não 63 mil como foi divulgado. O atraso do show foi de uma hora, começou 21h e menos de 500 pessoas ainda não tinham entrado porque também chegaram atrasadas.

2. O tempo médio de espera na fila foi de 2 horas, quem chegou mais tarde esperou menos.

3. Em momento algum houve tumulto, sempre tivemos o controle, a colaboração do público e todos entraram tranquilamente.

4. É bom esclarecer que só podemos abrir as portas com o consentimento da PM no horário marcado.

Por que as pessoas tiveram que derrubar os cercados para o escoamento ser mais rápido pelo estacionamento?

1.Os fechamentos foram derrubados pelos seguranças para facilitar a passagem para o estacionamento.

Qual a justificativa de ter uma escada para entrar na pista premium?

1. A escada e a rampa foram montadas para dar acesso a área Premium por cima do guardrail do autódromo, aprovadas pela CONTRU

Por que houve uma invasão à pista premium?

1. Não houve invasão da pista Premium, umas 300 pessoas da pista invadiram um morro que inicialmente estava isolado e acabou virando uma arquibancada.

Os ingressos de R$ 350 não dariam direito a uma entrada e saida exclusiva, ao menos?

1. E tiveram, depois de entrar em Interlagos.

Atenciosamente,

Mondo Entretenimento

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J.F. Diório/AE

Atenção produtores de shows: NUNCA mais organizem nenhum evento no Autódromo de Interlagos. Sério. Ontem, no show do Iron Maiden, por pouquíssimo não ocorreu uma tragédia: achar que uma única saída é suficiente para 63 mil pessoas é de uma irresponsabilidade total. O Autódromo em si também é horrível. A platéia fica em um terreno completamente irregular, o acesso de carro até o local é simplesmente péssimo. Não sei como ainda não foi criada uma rota de trânsito alternativa para se chegar a Interlagos, inclusive para os eventos de automobilismo. Não sei como uma cidade como São Paulo não tem um lugar decente para um show deste porte. E eu nem estou falando da lama: tinha gente que pagou R$ 350 por um ingresso de ‘pista premium’ e ficou afundada em barro até as canelas. Tudo bem, isso acontece até nos festivais da Europa. O atraso de uma hora também não incomodou. Mas a questão da saída em funil foi realmente perigoso, se alguém passasse mal ali…

Bom, mas agora vamos ao que interessa: o show do Iron Maiden. Sensacional, como sempre, mas ontem foi ainda melhor. A gente está acostumado a ver bandas dizendo ‘nós amamos o Brasil, nós voltaremos’, mas o máximo que eles fazem é incluir Rio e São Paulo na turnê do ano seguinte. O Iron Maiden provou que tem respeito pelos fãs: como não puderam trazer toda a estrutura de palco e efeitos especiais para o show de março do ano passado, prometeram voltar rapidamente com o show completo. Dito e feito. É muito raro uma banda tocar duas vezes na América do Sul… na mesma turnê! Eles não só voltaram apenas um ano depois (o que é muito rápido, se você imaginar a loucura que é a agenda de uma megaturnê mundial como a ‘Somewhere Back in Time 2008-09′), como acrescentaram cidades que nunca estão nas agendas dos produtores, como Manaus e Recife (além de Rio, São Paulo, Brasilia e Belo Horizonte). E com tudo a que os fãs brasileiros tinham direito, como o show pirotécnico, o palco do Powerslave com o Eddie-múmia, o Eddie futurista do Somewhere in Time…

O show, como os fãs já sabiam, era inspirado nos discos ‘Peace of Mind’ e ‘Powerslave’, com algumas canções extras tiradas de outros discos. Então, é claro que o show começou com o discurso de Winston Churchill e, na sequência, a maravilhosa ‘Aces High’. Daí vieram ‘Wrathchild’, ‘Two Minutes to Midnight’ e ‘Phantom of the Opera’, uma das minhas favoritas.

(Parênteses: Em 2007, quando o primeiro vocalista do Iron Maiden, Paul Dianno, anunciou que faria uma turnê pelo Brasil tocando repertório de sua ex-banda, fiquei super feliz. E fiquei ainda mais feliz quando fui convidado para tocar nessa turnê. Então imagina só: eu, super fã do Iron Maiden, dividindo o palco com o vocalista Paul Dianno… eu olhava para o lado e parecia um sonho! E a música que eu mais gostava do repertório era justamente essa, ‘Phantom of the Opera’. Então fiquei duplamente feliz por ver que o Iron voltou a incluir esse clássico no setlist.)

Na sequência, outra maravilhosa: a balada ‘Children of the Damned’, do disco ‘The Number of the Beast’. E foram vários sucessos ao longo da noite, ‘The Rime of the Ancient Mariner’, ‘Powerslave’… os pontos altos do show, na minha opinião, foram ‘Wasted Years’ e ‘Hallowed Be Thy Name’, embora ‘The Number of the Beast’ e ‘Run to the Hills’ tenham sido sensacionais. (Quando eu lembro que o VIPER tocava essas músicas ao vivo me bate uma saudade… :-)

É uma pena ver como a grande mídia trata o Iron Maiden, na verdade, é uma pena ver como a mídia em geral trata o heavy metal. É um estilo extremamente importante para o rock and roll, não apenas em termos musicais, mas também de comportamento e organização social/cultural. Quem está de fora acha que são bandas barulhentas cheias de cabeludos e tatuados, mas ver apenas isso é de uma insensibilidade gigantesca. Afinal, uma banda que reúne 63 mil pessoas em um show não pode ser vista como ‘exótica’. O heavy metal tem ídolos de verdade, músicos que mantêm o carisma ao longo da carreira. Não são como artistas vazios de um sucesso só. As pessoas deveriam prestar mais atenção nisso.

Minha manhã de segunda-feira pós-Iron Maiden: corpo dolorido, voz completamente rouca… mas muito feliz. Obrigado, Bruce, Steve, Adrian, Dave, Nicko e Janick. Tenho orgulho de ter vocês como ídolos há tantos anos. Vocês nunca me decepcionam.

Headbangers, Earthdogs & Metal Merchants… Hallowed be Thy Name, Iron Maiden!

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Dica do meu amigo Marcelo Leite Silveira: Numa época em que todo mundo se preocupa com a saúde, essa matéria sensacional da CBS News prova que idiotas espertos podem se dar bem em qualquer lugar do mundo. O vídeo é sobre o ‘Heart Attack Grill’, uma lanchonete estilo (literalmente) ‘comeu-morreu’ no Arizona, EUA.

A matéria é em inglês e não tem legendas, mas acho que nem precisa: é só ver o tamanho do sanduíche de 8 mil calorias que eles vendem para entender que comer lá é quase um delicioso suicídio. O dono do lugar admite: o sanduíche faz mal (como se alguém tivesse alguma dúvida) e ele depende de pessoas que pensam ‘já-que-vou-morrer-quero-viver-do-meu-jeito’ ou outra filosofia desse estilo. E o cara (que ainda se veste de médico, embora não seja) vai além: se recusa a vender refrigerante ou cerveja light… para falar a verdade, nada que tenha a palavra ‘light’ entra aqui.

Veja abaixo até que ponto a estupidez humana pode chegar.


Watch CBS Videos Online

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Oasis

Depois de Keane… Oasis no Brasil! A produtora Time For Fun anuncia a turnê brasileira da banda britânica, que vem ao país para lançar o novo álbum, ‘Dig Out Your Soul’.

As datas confirmadas para os shows dos irmãos Gallagher são:

7/5 – Rio de Janeiro (Citibank Hall)
9/5 – São Paulo (Arena Anhembi)
10/5 – Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)
12/5 – Porto Alegre (Gigantinho)

Supersonic!

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