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Felipe Machado

Apenas uma bela canção para o fim de semana: ‘Love Letter’, com Nick Cave.

Uau, eu vejo o Nick no David Letterman e me lembro dele no bar Retrô, em Santa Cecília, quando ele morava em São Paulo. Falam muito dos anos 80, mas os anos 90 também foram bem esquisitos…

(Será que se essa música fosse escrita hoje ela seria batizada de ‘Love E-mail’? Acho que não.)

:-)

Bom fim de semana para todos, bjs, F.

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AP Photo/Matt Sayles
Steven Spielberg e Christian Colson, produtor de ‘Quem Quer ser um Milionário?’ Do que será que eles estão rindo?

Não sei qual é a opinião de vocês, mas eu achei muito estranho. Por que ‘Quem Quer Ser um Milionário?’ ganhou tantos Oscars? O filme com clima de ‘Bollywood’ é bonitinho e tudo mais. Mas daí a ser o melhor filme do ano vai uma longa distância. ‘Milionário’ tem a direção claramente inspirada por ‘Cidade de Deus’, os atores têm atuações estereotipadas e caricatas (com exceção das crianças, que são ótimas) e a história é totalmente brega. Se passasse na Sessão da Tarde, eu mudaria de canal. Mas o que eu achei mais esquisito foi o Spielberg ter entregue a estatueta para os produtores do filme. Será que é porque a Índia está na moda?

Acho difícil, até porque a Índia nem está com essa bola toda. Ou não deveria estar, já que é um país com alguns bilionários e a maioria vivendo em favelas. Imagine o Brasil: agora imagine um país dez vezes pior.

Hollywood, no entanto, pode ter outras razões para premiar o ridículo cinema feito na Índia: Spielberg está fechando um acordo bilionário justamente com uma empresa indiana. Não é estranho? Ou alguém acha que ele foi escolhido para entregar o Oscar por coincidência. E, se não foi coincidência, isso quer dizer que ele sabia quem ganharia o prêmio. E, se ele sabia, o Oscar está longe de seguir as premissas éticas a que se propõe.

De acordo com matéria de 6 de outubro do portal do jornal inglês Telegraph, Spielberg rompeu o contrato com sua parceira de longa data, a Paramount Pictures, e assinou com o grupo indiano Reliance ADA. O presidente do Reliance, Anil Ambani, é o sexto homem mais rico do mundo.

O acordo de bilhões de reais prevê que Spielberg produza 35 filmes em cinco anos. Para ter uma idéia do tamanho da encrenca, o gigantesco banco JPMorgan Chase financiou parte do negócio.

Você achava que era só por isso que a Índia estava ‘na moda’ no Oscar? E que tal saber que, dois dias depois de Spielberg anunciar seu acordo, foi a vez da 20th Century Fox assinar com o Vipul Amrutlal Shah, outro grande estúdio indiano? É demais, não?

Depois de todo esse rolo, que tal falar de cinema?

O Oscar 2009 foi muito legal. Quando soube que o Hugh Jackman seria o apresentador, fiquei meio apreensivo. “Pô, aquele mal-humorado do Wolverine nunca vai conseguir substituir nomes como Steve Martin, Jon Stewart, Billy Crystal…’ Mas não é que Jackman foi super bem? É bom lembrar que o Oscar mudou bastante o formato da festa, então o apresentador principal perdeu um pouco do poder/tempo. No tempo que teve, Jackman cantou, dançou, fez boas piadas… enfim, esteve longe de comprometer. E ele, que foi considerado o homem mais sexy do mundo, se mostrou um cara bem-humorado e talentoso.

Outra mudança foi a entrega de prêmios para os atores/atrizes. A grande idéia foi criar o ‘colegiado’ de cinco artistas para entregar os prêmios, em vez de um só, como no passado. Isso é muito legal por várias razões: em vez da gente ver um clipe do ator indicado, um outro colega apresentava um texto bastante pessoal, o que era muito mais interessante. Em segundo, porque o Oscar é legal justamente para a gente ver como estão os atores hoje em dia, para ver as mulheres maravilhosas, etc. Então, com o novo formato, em vez de ver apenas um ator… você vê cinco! Great.

EFE/Michael Yada
Hugh Jackman faz piada com o filme ‘O Lutador’

Seguindo essa lógica de que todo mundo vê o Oscar para ver as celebridades, o Oscar deste ano teve outra sacada muito legal. Você notou que a platéia estava mais próxima do palco? Eu notei. E entendi por que, na verdade algo muito óbvio: não há ‘cenário’ melhor do que mostrar as próprias celebridades. Do jeito que era antes, eles ficavam longe, distantes, quase não apareciam no fundo da tela. Agora, não: Quando Hugh Jackman se aproximava só um pouquinho da platéia, já dava pra gente ver toda a galera no fundo: Angelina Jolie, Brad Pitt, Kate Winslet, Meryl Streep…

Fast-forward:

Reuters/Mike Blake

Kate Winslet, Sean Penn e Penélope Cruz, com seus merecidos Oscars

1. Penélope Cruz como atriz coadjuvante foi ótima. Mas ela deve ter ficado muito brava quando, no texto de apresentação, disseram que ela ‘às vezes não se entendia o que ela falava’. É uma referência ao fato de que, apesar de tantos anos em Hollywood, Penélope não aprendeu a falar inglês fluente – fato confirmado no discurso de agradecimento do prêmio: não deu para entender ela falando nem em espanhol, quanto mais em inglês. Será que existe fono em inglês?

2. Os vencedores de melhor ator/atriz foram perfeitos: Kate Winslet é minha atriz favorita há alguns anos. Além disso, ela estava linda, com uma cara boa, de Yves Saint-Laurent, pose de diva, me lembrou até a Ingrid Bergman… Sean Penn, que está muito bem como um homossexual em ‘Milk’, também mereceu. Dizem que o Mickey Rourke deveria ter ganho como o lutador decadente de ‘O Lutador’, mas aí acho que seria exagero. Afinal, ele nem precisou representar…

3. Heath Ledger ganhou como Coadjuvante por ‘Batman – Cavaleiro das Trevas’, o que já era mais do que esperado. Será que ele teria sido indicado se não tivesse morrido? O Coringa dele é incrível, mas será que… bom, deixa pra lá. Talvez até James Dean teria sido contratado por Bollywood se estivesse vivo…

4. Você viu o casal Sarah Jessica Parker, de Sex and the City, e ator Matthew Broderick? Os dois são ótimos, etc, mas fiquei meio deprimido. Se o ator de ‘Curtindo a Vida Adoidado’ está de cabelos brancos, então o tempo está passando muito rápido mesmo.

5. A Jennifer Aniston, ex-Brad Pitt, estava sentada ao lado do guitarrista John Mayer. Ué, mas o casal já terminou há algum tempo… Ou eles voltaram, ou ela pediu para ele ir com ela para não ficar chato na frente do Brad e Angelina. Imagina se um dos dois ganhasse? Seria humilhante para Jennifer, não?

6. Quem viu a Beyoncé no Oscar não precisava ter visto nenhuma rainha de bateria do carnaval brasileiro: a cantora estava seguindo exatamente a mesma estética ‘coxas-Roberto-Carlos’ (o jogador, não o cantor) que reinou no mundo do samba.

REUTERS/Danny

Alicia Keys chega para a tradicional festa da Vanity Fair, após o Oscar

7. Achei a Jessica Biel e a Kate Winslet maravilhosas, mas minha favorita foi a cantora Alicia Keys. Com tantos shows internacionais, por que ninguém convida a Alicia Keys para cantar no Brasil? Se precisar de um intérprete, aposto que um certo jornalista brasileiro faria o trabalho perfeitamente. De graça.

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Antonio Lacerda/EFE

As bailarinas do grupo francês ‘Moulin Rouge’ vão desfilar pela Grande Rio no domingo de carnaval. Depois, elas vêm para São Paulo para me ensinar a dançar o CanCan

Dia 22 é domingo de carnaval. Grande coisa. Mais um ano, mais um carnaval chato com os mesmos enredos insuportavelmente repetitivos falando de orixás, forças da natureza, etc. Mais interessante é ver o Oscar, que também acontece no domingo à noite. As mulheres podem até estar mais vestidas, mas pelo menos têm algo a dizer além da linguagem corporal.

Não é a primeira vez que falo que carnaval é chato. E nem será novidade se minha caixa postal ficar lotada com e-mails de foliões dizendo que não respeito as tradições brasileiras e que vendi minha alma aos americanos. Bobagem: elogio as tradições que considero importantes e não estou nem aí para o decadente ex-Império dos EUA. Só acho que o carnaval virou uma festa que só serve para a gente lembrar que ex-BBB existe. E tirar uns dias de folga – essa parte eu não reclamo, afinal ninguém é de ferro (só o Homem de Ferro, diria um engraçadinho amigo meu).

Há muitas coisas que não entendo sobre carnaval, e talvez seja por isso que acho uma coisa tão chata. Nunca entendi, por exemplo, por que as pessoas aplaudem tanto a porta-bandeira. Será que é porque ela consegue dar várias voltas sem ficar tonta e cair no chão?

E por que no final dos desfiles vem sempre uma ambulância? Será que ela conta pontos como carro alegórico? Afinal, ela está ali para quê? Para socorrer algum folião com overdose de samba? Pensando bem, deve ser bastante comum morrer de tédio após passar tantas horas ouvindo exatamente a mesma música.

Outra coisa: por que os carnavalescos dão nomes sérios aos quesitos de avaliação dos desfiles de carnaval? Será que é para (tentar) dar credibilidade? Quando vejo uns desfiles tirando ‘nota 10 em Evolução’, logo imagino o Darwin coçando a barba e anotando no bloquinho: ‘Oh yeah, essa evolução eu assino embaixo’.

E o que são aqueles velhinhos de terno no final do desfile? Será que sou só eu que acho aquilo deprimente? OK, sei que eles representam a velha guarda, a tradição da escola, blá, blá, blá. Mas coitados, depois de tantos anos de dedicação, o prêmio que eles ganham é… desfilar de terno e gravata com uma temperatura de 40 graus? Que presentão.

Mais um ano se passou e eu ainda não consegui emplacar o meu samba-enredo em homenagem ao cineasta Stanley Kubrick. Imagina, que lindo, os personagens de ‘Laranja Mecânica’ e ‘O Iluminado’ na avenida? Só assim para eu trocar Hollywood pelos orixás.

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Salma Hayek

Salma Hayek: A atriz interpretou Frida Kahlo no cinema, pintora que disputava o sucesso artístico com o marido, Diego Rivera

Em 1908, o bispo da Pensilvânia disse no sermão para os atletas da Olimpíada de Londres: ‘o importante não é vencer, mas competir’. A frase, repetida e imortalizada mais tarde pelo barão de Coubertin, ainda é uma utopia necessária para o esporte… mas e na vida real, além dos pódios olímpicos? Será que ela faz sentido?

Entrar em disputas é inerente ao ser humano. E qualquer um que entra numa disputa tem esperança de vencê-la, não importa se é um jogo de par ou ímpar, uma guerra ou uma vaga de emprego.

Fenômeno moderno que veio como efeito colateral do sucesso do feminismo, esse espírito de competição não é mais exclusividade de esportistas, generais ou profissionais ávidos por gordos salários. A disputa entrou pela porta da frente da casa, passou pela sala e chegou ao nosso quarto: há cada vez mais competição entre casais.

Isso, claro, é apenas minha opinião. Tem gente que deve achar que um pouco de competição é até saudável, sei lá. Mas tenho visto casais que competem entre si de uma maneira que certamente deixará marcas. E ganhar uma medalha de prata numa competição em que apenas duas pessoas participam não deve ser exatamente a sensação mais agradável do mundo.

Os piores casos são de pessoas competitivas que não se sentem competitivas. Perigo à vista: daí para uma palavra mal colocada ou uma frase atravessada é um pequeno passo. Em tempos de crise, isso é ainda mais delicado: se um dos dois for demitido (toc, toc, bate na madeira) – tanto o complexo de culpa do vencedor quanto o desemprego do perdedor podem se tornar insuportáveis.

Competir com quem você ama é uma daquelas atividades que só podem dar errado. Isso pode até ser natural entre profissionais da mesma área, mas até mesmo nesse caso é bom tomar cuidado. Imagine só um casal de médicos que briga pela diretoria do hospital: a disputa deixa cicatrizes incuráveis, com o perdão do trocadilho.

Em vez de competição… cooperação. Morrissey, famoso por batizar suas canções com títulos curiosos, tem uma música que se chama ‘We Hate it When Our Friends Become Successful’ (Nós Odiamos Quando Nossos Amigos Fazem Sucesso).

Pois é, o nome da canção é bem provocativo, mas desta vez eu não concordo totalmente com o cantor inglês. É gostoso, sim, ver amigos bem-sucedidos. Mas é melhor ainda ver quem está do nosso lado se dar bem. Significa que somos uma influência positiva, uma força que joga o outro para frente. Quando um dos dois vai para frente, puxa o casal para uma vida bem melhor. E o melhor: ninguém sai perdendo.

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16.fevereiro.2009 14:44:03

Uma frase muito boa

Artie Lange

‘Terminei o namoro por razões religiosas:
ela não acreditava que eu era Deus.’

Artie Lange
Comediante e… egocêntrico

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16.fevereiro.2009 13:17:15

A rainha da minha bateria

Foto: Marcos Lima/Paparazzo

Acho que a Jaqueline Khury participou de algum Big Brother, mas está tão diferente… (e muito mais bonita!) Depois de ver a rainha da bateria da Acadêmicos do Tatuapé, estou até pensando em passar o Carnaval em São Paulo. Em um certo bairro da Zona Leste, para ser mais exato.

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16.fevereiro.2009 13:04:10

O vídeo novo do U2

Bono & Edge

O novo clipe do U2, como tudo o que a banda faz, é hiper-super-mega. Para mim, o estilo lembrou um quadro do Salvador Dalí com animação feita pelo David LaChapelle…

‘Surrealismo psicodélico setentista’ é pleonasmo?

:-)

Clique aqui para ver ‘Get on Your Boots’.

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13.fevereiro.2009 20:00:47

A noite perdeu seu rei

AGLIBERTO LIMA/AE

Amigas e amigos,

faleceu hoje Abelardo Figueiredo, diretor artístico e empresário cuja trajetória profissional e de vida se confunde com o próprio showbiz brasileiro. Conheci Abelardo pessoalmente; minha mãe era sua amiga há muitos anos e os dois trabalharam juntos em diversos projetos.

Mais uma vez, o filho apela para o talento da mãe para contar melhor quem foi esse homem e o que ele representou para a cultura brasileira. Nessa história familiar, aproveito para deixar um abraço carinhoso para Mônica, também amiga, que teve a sorte de ter um pai tão maravilhoso.

Com vocês, o espetacular Abelardo Figueiredo.

A noite perdeu seu rei
Helô Machado

O show não pode parar, mas às vezes as luzes se apagam. A música é interrompida. A cortina desce. E uma nova estrela passa a brilhar lá em cima, no céu. Foi hoje. Não tinha sol, nem lua nessa sexta-feira tristonha e chuvosa, que o mundo do show brasileiro perdeu o seu rei: Abelardo Figueiredo.

Na ribalta de sua trajetória de sucesso, Abelardo sempre se envolveu com o mais puro talento artístico do país. Foi além: aqui, ali e lá fora, abriu o coração pulsante do Brasil, revelando seus ritmos diversos, sua música contagiante, suas vozes, suas cores, suas tradições e traduções, seus movimentos mais significativos, todo o talento e a beleza de seu povo.

Levou seus shows para várias capitais da Europa, Estados Unidos, inclusive para o presidente Jimmy Carter, na Casa Branca, para o rei Hassam, no seu palácio encantado do Marrocos. Foi aplaudido de pé por Fidel Castro, em Cuba. Chegou à China, sua última viagem, em 1999, onde realizou 24 shows em 16 cidades, onde o menor público registrado era de 3 mil pessoas e o maior, sei lá. Num estádio gigantesco de Xiamen, parte do show ‘Brasil Canta e Dança’ foi exibido pela TV para toda a China.

Descobridor de talentos, trabalhou com os maiores cantores, bailarinos e atores do Brasil e trazia os seus artistas para dentro de sua casa. Foi padrinho de casamento Elis, de Francis Hime, de Norma Bengell. Começou menino no teatro em Niterói, sua terra natal, veio para São Paulo, fez teatro e televisão, onde criou programas inesquecíveis: ‘Folias Phillips’, ‘Noite de Gala’, ‘Spot Light’, ‘Revista Feminina’.

Coordenou o Ballet do IV Centenário, foi diretor do Ballet do Museu de Arte de São Paulo, dirigiu incontáveis shows: na célebre boate carioca Night and Day, no Urso Branco – trouxe Maísa da Espanha para o show de estréia – no Beco, onde comandou por 18 anos seus pocket-shows e grandes espetáculos, incluindo as temporadas em São Paulo de Rachel Welch, Ivonne de Carlo, Marlene Dietrich.

Dirigiu os festejados shows do Palladium, chegando a transformar Toni Ramos, imaginem, na Geni de Chico Buarque. Sim, o bem comportado ator, vestido de mulher, cantou, dançou e foi a estrela de um elenco de mais de 50 figuras, por exatos 14 meses de sucesso. Com o fechamento do Palladium, depois de cinco anos, Abelardo criou o espetáculo Stravanza, no Studium, sem jamais abandonar a criação de shows para empresas e convenções em todo o Brasil.

Pode-se dizer, sem a menor dúvida, que ele foi o grande mestre da arte de divertir as pessoas. Em muitos dos seus momentos, eu estava lá. No meio da dança, da música, dos acertos, dos desacertos, dos gritos, da preparação, da ansiedade, da correria, da alegria, da emoção, da felicidade total, eu estava lá. Na hora dos amigos do peito, dos encontros consagrados, da primeira vez ou da última, eu estava lá.

E, por incrível que pareça, parece mesmo que eu sempre estive lá. Até quando não estava ainda, quando eu era uma menina, fascinada por shows, pelo Teatro de Revista, que via apenas nos programas que meus pais traziam do teatro, eu estava lá. No meio das plumas e dos paetês, dos passos difíceis, das piruetas, dos costeiros e pandeiros, do acender e apagar das luzes, eu estava lá. Na estréia e na despedida, muito choro, muito riso, esperanças, desatinos, eu estava lá. Sinto que foi sempre assim.

Descobri Abelardo na TV, no programa ‘Spot Light’. E eu dançava na sala de casa, com as suas bailarinas e queria entrar naquilo, naquele mundo, de qualquer maneira. Queria conhecer o tal do Abelardo Figueiredo. Afinal, era ele quem fazia tudo aquilo! E como Deus escreve certo por linhas tortas, depois de muitos anos, nossas trilhas deram de cara e aí, pronto. Lá estava eu, diante dele, emocionada e feliz. Na primeira e nas outras vezes que nos encontramos. Até uma certa tarde de ensaio, outros tantos anos depois. Ele percebeu que Abelardo e Heloísa tinham uma ligação especial, que foi sacramentada naquele dia por mais de vinte anos, a última etapa da sua vida.

Ao longo deste tempo todo, eu fui conhecendo o Abelardo, o Abe, o criador de toda aquela magia, o rei da noite, que acordava muito cedo, respirava e transpirava trabalho, que não vivia sem um palco, que quando descansava era para terminar um roteiro e quando pegava o telefone era sempre para falar de show.

Ele também fazia outras coisas, claro. Reunia os amigos em todos os lugares onde morou, desde a casa na Rua Atlântica, onde a porta nunca era trancada, com a sua família-espetáculo: sua mulher Laurinha, uma paixão (dele e de todos que a conheceram), sempre pronta a abrir a casa e o coração para os amigos queridos, todos artistas ou quase artistas, gente absolutamente especial, para quem a arte de saber viver também era um show. E tinha as meninas, Mônica e Patrícia, que, sem saber, desfrutavam a grande emoção de serem filhas do Abelardo Figueiredo, ou seja, viviam no dia a dia a intimidade de um palco eterno, por onde astros e estrelas consagrados passeavam de dia ou de noite.

Abelardo sempre foi um grande papo. Em qualquer lugar, suas histórias fascinantes deixavam todo mundo interessado, empolgado; para dizer a verdade, maravilhado. E acho que foi aí que ele me pegou. Quando percebi, já estava praticamente mudando de meio de comunicação: de jornalista, passei a me dedicar àquele novíssimo encanto, que era o mundo dos espetáculos, que me emocionava a cada reunião, a cada ensaio, a cada música, a cada show, a cada direção daquele cara tão fácil e tão difícil, tão criativo e tão rápido, tão temperamental e tão simples, tão preocupado e tão otimista, tudo isso ao mesmo tempo, na mesma hora.

Lembrando dos espetáculos que o Abelardo ‘pôs de pé’ (como ele dizia) em tantos palcos, concluí que ele também era mágico. Conseguia juntar no seu trabalho o sonho, o talento, a garra, a inteligência, o brilho, a agilidade, o glamour, a coragem, o amor, o bom gosto, a amizade, a fantasia. Abelardo foi um homem da noite, mas tão absolutamente único, que sempre gostou de dormir cedo. Tão genial, que, mesmo sendo daltônico, sabia combinar as cores perfeitamente. Era ele quem escolhia os tecidos (quando não desenhava também os modelos) e a luz dos seus shows.

Quem teve o privilégio de trabalhar com ele, de ser incluído em um de seus roteiros, de assistir a pelo menos um de seus espetáculos, pode se considerar personagem da sua vida. Meses atrás, em uma de suas últimas saídas, chamado ao palco para receber uma homenagem, Abelardo fez um único pedido: que se acendessem as luzes, todas as luzes do teatro, para que toda a platéia pudesse brilhar.

Há dois anos, tive também o orgulho de colaborar no livro ‘O Show Não Pode Parar’, a convite de Mônica, sua filha jornalista, lançado no ano passado. Um passeio iluminado pela vida e obra deste mestre da diversão. Sem deixar seguidores, o múltiplo Abelardo Figueiredo partiu hoje bem preparado para a eternidade. Deixa as filhas Mônica e Patrícia e os netos Manuela, Thomaz, Sofia e Antonia. Quem o conheceu guardará para sempre um Abelardo no seu coração. O meu é este.

Boa noite, senhoras e senhores.

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Mia Wasikowska

Mia Wasikowska será a Alice de Tim Burton

Essa produção é a cara dele: o diretor Tim Burton está filmando uma nova versão de ‘Alice no País das Maravilhas’, clássico de Lewis Carrol de 1865. ‘Alice’ é uma história tão popular que já virou desenho animado, ballet, filme (vários), graphic novel, canção…

Se bem que, conhecendo seu estilo, tenho certeza de que a versão de Tim Burton tem tudo para ser uma das visões mais incríveis da obra de Carrol. Além disso, o filme será em 3D, o que deixará o diretor ainda mais livre para brincar com a trama infantil mais psicodélica da história. É incrível imaginar que o sombrio e esquisito Burton tem um acordo com a Disney… (O próximo projeto dessa parceria é ‘Frankenweenie’, uma animação feita com a técnica de stop-motion e massinhas de modelar)

O roteiro da ‘Alice’ de Burton será de Linda Woolverton, acostumada a roteiros para, digamos, crianças: ela fez ‘O Rei Leão’, ‘Mulan’, ‘A Bela e a Fera’, entre outros.

No elenco, teremos o chapeleiro maluco Johnny Depp, ator favorito de Burton desde ‘Edward Mãos de Tesoura’, de 1990. Depp e Burton fizeram ‘Sweeney Todd’, ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’… Para quem é fã do ator, rumores dizem ainda que ele participará de ‘Sin City 3′ e será o Moe em ‘Três Patetas’. A Alice de Burton será a australiana Mia Wasikowska, de 19 anos. Para quem não se lembra, ela era a garota problemática que atuou na série ‘In Treament’ (Em Terapia), ao lado do ‘psiquiatra’ Gabriel Byrne.

Se você ficou curioso, pode arrumar uma cadeira de cinema e esperar sentado: a estréia é só em 5 de março de 2010.

(PS. Não sei se alguém reparou, acho que não, mas desapareci durante um tempinho na semana passada e acabei demorando para publicar vários comentários. Agora a situação já está OK, estou de volta e tudo mais. Mais para frente eu conto porque me ausentei esses dias. Não se preocupem: foi por uma excelente razão.)

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10.fevereiro.2009 14:31:13

O primeiro dia de aula

Se alguém me perguntar qual é a profissão que eu menos gostaria de ser na vida eu tenho a resposta na ponta da língua: professora infantil. Não, eu não sou um monstro que odeia crianças. Mas se você já teve a oportunidade de vê-las em ação, nunca mais acharia que o rótulo de ‘santa’ cabe às religiosas que ficam enfurnadas na tranquilidade silenciosa do claustro.

Professoras é que deviam ser canonizadas.

Na última segunda-feira foi o primeiro dia de aula da minha filha. Acompanhei a adaptação e vi o que essas professoras são obrigadas a aguentar. Disputas por brinquedos. Iogurtes derrubados no chão. E, apesar de não ser praticante de ioga, vi um garotinho repetindo um mantra (‘mamãããe’) durante duas horas ininterruptas. Fiquei tão louco que saí correndo da sala e enforquei o boneco do Barney que estava pendurado na porta do banheiro.

É divertido observar o comportamento das crianças nessa idade. Elas estão na fase do ‘é meu’, ou seja, tudo que existe no mundo é deles. Deve ser difícil aceitar que nem tudo no mundo pode ser seu. Algumas crianças agem como ditadorazinhas cruéis e impiedosas, mas depois melhoram. Outras continuam assim depois de adultas; olha o Hugo Chávez, por exemplo.

Nunca gostei muito de brincar com crianças – até ter uma, claro. Acho ridículo gente que fica falando com aquela voz infantilóide de desenho animado. Mas agora, que tenho uma filha, me pego fazendo exatamente a mesma coisa. Canto até musiquinhas cujas letras são completamente sem nexo, mas minha filha fica tão feliz que elas soam como canções dos Beatles para mim. De vez em quando eu canso e coloco o ‘Kind of Blue’ para ela ouvir. Daí explico que o compositor da trilha sonora dos Backyardigans já tocou com o Miles Davis… Mas não sei se isso importa quando você tem dois anos.

Voltando à escola, acho que o primeiro dia de aula tem um significado bem maior do que apenas ver seu filho vestido com o uniforme. É como se fosse um novo parto, um nascimento social do indivíduo. Parece papo de antropólogo chato, né? Mas não é. Só vendo minha filha interagindo com outras crianças na classe é que compreendi que ela terá de conviver no dia-a-dia com outros seres humanos… e que ela não será eternamente só minha.

Não lembro bem como foi o meu primeiro dia de aula, mas o da minha filha será para sempre: o dia em que ela deixou de ser a ‘Bebel do papai’ e virou a ‘Bebel do Maternal 2′. Inesquecível.

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