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Felipe Machado

Ela voltooou!

Depois de passar algum tempo escondida debaixo de alguma bolacha de chope, a filosofia de boteco está de volta para esclarecer alguns pontos importantíssimos da mente humana. Depois de Sófocles e Aristóteles… Botécoles.

(Nossa, essa foi péssima)

Infelizmente, não posso reproduzir o papo inteiro aqui. Em primeiro lugar, porque não teria a menor graça para quem não conhece as pessoas envolvidas. Em segundo, porque a maior parte do tempo se fala apenas besteira. E, em terceiro, porque esse é um blog familiar.

Esse papo supersério rolou na semana passada, numa mesa composta por três homens e três mulheres: dois casados, um solteiro; uma casada e duas solteiras. A seguir, os melhores (piores) trechos da conversa:

1. Ricos não enchem a cara: fazem degustação

Já percebeu como é chique dizer que vai fazer uma ‘degustação de vinhos franceses’? Pois é, começamos a falar sobre isso e descobrimos que o mundo ficará muito mais elegante quando um bebum disser que vai ‘fazer uma degustação no estabelecimento que fica no cruzamento entre duas avenidas’, em vez de dizer que vai ‘encher a cara no bar da esquina’. Como se vê, a elegância é apenas uma questão semântica.

2. Marta de salto alto

Como estava na semana da eleição, é claro que esse tema veio à tona. O bordão ‘é casado, tem filhos?’ foi aplicado praticamente a todo cara mencionado na conversa. Exemplo, falado por uma das solteiras na mesa: ‘Outro dia conheci um médico superlegal, acho que vou começar a sair com ele’. E nós: ‘É casado, tem filhos?’ E por aí vai. Outro ponto que pegou foi que começamos a imaginar que a Marta Suplicy, aquela simpatia toda e tal, achava que a eleição estava ganha. Como ela perdeu a eleição porque nunca desce do salto alto, ganhou um apelido na mesa: Imelda Martas, em homenagem à simpática ex-primeira dama da Filipinas.

3. Amigos/Inimigos

Todo mundo tem amigos que não são muito amigos, não? Chamamos esses amigos/inimigos de ‘amigos bad vibe’, aqueles caras que pesam o ambiente toda vez que chegam perto. Às vezes eles nem são tão amigos assim, mas estão sempre lá. Ou sempre aqui, no caso. Em compensação, tem coisa melhor do que amigo legal? Tem? Um cara ou uma garota que você pode contar sempre que precisar… pouquíssimas coisas são melhores na vida.

4. Casamentos x solteirice

Ai, que assuntinho que sempre vem à tona, não? Será que é a idade dos presentes ao papo (entre 30 e 40)? Ou será que é a dúvida que sempre assola todo mundo: por que quem está casado quer estar solteiro e quem está solteiro quer estar casado? É uma daquelas dúvidas no estilo Tostines. (Lembra? Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Algo assim) Enfim, começamos a falar sobre vidas estáveis, etc, e um amigo meu daqueles fanáticos por quatro rodas saiu-se com uma pérola da filosofia de boteco: ‘Estabilidade é coisa para carro.’

5. Nem eu entendi

Eu costumo anotar os papos no guardanapo, mas um deles estava tão borrado que eu não consegui entender minha própria letra. Na próxima vez que esse grupo se reunir, prometo levar o papel para ver se alguém se lembra do papo. Enquanto isso, você fica com mais uma pérola da filosofia de boteco, dita com tom seriíssimo pelo mesmo autor da frase sobre estabilidade:

‘A melhor coisa de ser solteiro é que posso me levantar de qualquer lado da cama.’

Gênio!

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Natalie Portman

O texto a seguir é de um amigo meu, que enviou por e-mail esse comentário bastante interessante sobre ‘Closer’. Gostei bastante, até porque já escrevi sobre o filme com uma visão bastante diferente da dele. Há até uma referência a um texto anterior, ‘Pessoas Fechadas e Abertas’. Enfim, vamos ao texto, e depois você me diz o que achou:

Perto demais… do pé atrás

Henrique J.

Há algum tempo criei uma classificação para casais: É comum, com maldade, olhar um casal e comentar: ‘são duas horas de mulher para dois minutos de homem’, ou vice-versa.

Você sabe que isso vai terminar, a qualquer hora, num baita par de cornos na testa de um deles. Tão evidente como 2+2 = 4.

O desequilíbrio maior é aquele que acaba no caso Lindemberg/Eloá, porque é evidente que ele desenvolveu um amor paterno-possessivo pela menina e sonhou que aquela criança seria sua virgem santa a vida toda, coitado, acreditando em mulheres de um homem só.

Mas quero falar do que achei mais emblemático nesse sentido de equilíbrio de casais nos últimos anos: o filme ‘Closer’. Aquilo lá é um laboratório de estudo, porque tem relações entre homens, relações entre mulheres e relações entre casais.

Sempre achei que havia apenas um casal totalmente equilibrado neste filme, o Clive Owen com a Nathalie Portman, porque ele é um voyeur assumido e ela é uma stripper assumida em todas as suas situações: para ele, para a fotógrafa (ela se mostra nas fotos) e para o Jude Law (ela se mostra no livro). Esse casal juntou a anorexia com a vontade de não comer,
ou seja, foram feitos um para o outro inclusive na personalidade. Os dois têm mais malícia – e ela é ainda mais perigosa, uma armadilha viva, stripper com cara de anjinho.

Uma outra relação que poderia ser equilibrada seria a da Julia Roberts com o Clive Owen, porque os dois são fortes, têm a própria vida, uma excelente condição, mas o cara é o típico garanhão e não deixaria uma mulher passar incólume pela vida dele.

Já a relação Julia Roberts/Jude Law é totalment maternal, ela comanda e ele, como garoto mimado, faz suas criancices e se dá mal. Eram duas horas de mulher para dois minutos de homem, claro, esquecendo que os dois são bonitos. Só que ele é frágil. O irresistível inconsistente.

E para mim a relação mais malvada de todas (é óbvio que vai dar errado) é a do Jude Law, escritor, com a Natalie Portman. Porque ele é o patinho que ela precisava, e a sensibilidade do filme está nisso, em perceber que ele tem essa cara frágil, essa testa pronta para receber os cornos e as dores, além de ter criado um amor paternal por ela. Qualquer sentimento que alguém tenha por um rosto como o da Natalie Portman beira o sagrado, já que ela passa esse ar angelical.

É esse desequilíbrio de belezas e caráteres que fazem o povo estar tão complicado e mal resolvido hoje, todo mundo em depressão amorosa, homens cada vez mais gays, mulheres cada vez mais lésbicas e todos com o pé atrás na hora de se relacionar.

É isso que está fazendo, na minha modesta opinião, pessoas que deveriam ser abertas agir como pessoas fechadas…

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28.outubro.2008 10:59:50

A cor do pecado

Se você é mulher, leia essa notícia antes de escolher a roupa que você vai vestir na próxima vez que sair com seu namorado.

(Parênteses: Como esses pesquisadores têm tempo livre, não?)

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Sei o risco que um tipo de afirmação radical como essa pode suscitar, mas tenho certeza de que o mundo se divide apenas entre dois tipos de pessoas: fechadas e abertas.

O termo pode dar margem a várias interpretações, por isso é bom explicar que trata-se aqui de uma interpretação bem específica. Os adjetivos que diferenciam as pessoas fechadas das abertas dizem respeito ao estado do coração de cada um de nós.

Para tornar as coisas mais didáticas, vamos usar um exemplo do dia-a-dia. Pagar uma conta no banco, por exemplo.

Digamos que um cara está na fila esperando para ser atendido pelo caixa. De repente, entra pela porta (giratória) uma mulher bastante interessante e vestida de maneira provocante. Ela se posiciona na fila logo atrás do nosso exemplo. É aí que descobrimos a diferença entre pessoas fechadas e abertas.

Se esse homem fosse uma pessoa aberta, cederia seu lugar à bela mulher em um gesto de educação. Ela daria um sorriso e, se também fosse uma pessoa aberta, poderia agradecer puxando uma conversa. “Fila de banco é chato, não?”, diria a mulher. “Nem me fale. Mas agora que você chegou eu não me incomodaria de passar o dia inteiro aqui”, poderia responder o cara.
Não sabemos o que aconteceria a partir daí, mas você entendeu. Vejamos agora o mesmo caso se as duas pessoas fossem fechadas:

A mulher entra pela porta giratória. O cara está com pressa e nem pensa em ceder o lugar. Ela entra na fila atrás dele. Ele dá um sorrisinho amarelo; ela responde com um sorriso da mesma cor. Ele paga as contas e vai embora. Ela paga as contas e vai embora.

Pessoas abertas são solteiras, obviamente, e pessoas fechadas estão comprometidas – casadas, noivas, namoradas, sei lá. Mas por que chamá-las, então, de fechadas ou abertas, em vez de usar os termos mais comuns? Porque, ao contrário do que se possa imaginar, também há casos de pessoas casadas abertas e pessoas solteiras fechadas.

O estado de espírito é mais importante que o estado civil. Depende da predisposição de cada um para conhecer alguém novo; depende da vontade de virar ou escrever uma nova página de vida. Claro que não há, aqui, juízo de valor: uma pessoa aberta não é melhor que uma fechada, nem vice-versa. O que importa, mesmo, é ser verdadeiro em relação ao seu coração. Esteja ele aberto ou fechado.

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Rodrigo Rodrigues e Sabrina Parlatore
Rodrigo Rodrigues e Sabrina Parlatore: A mídia na mídia

Participei ontem da festa dos 18 anos do Vitrine, disparado um dos melhores programas da TV aberta. Segundo aprendi durante a gravação – que contou com a presença de apresentadores de todas as épocas (Nelson Araújo, Maria Antônia Demasi, Cássia Mello, Leonor Corrêa, Renata Ceribelli, Maria Cristina Poli, Marcelo Tas) -, o programa nasceu como ‘vitrine’ para divulgar as atrações da TV Cultura, mas ganhou novo formato aos poucos e evoluiu para um verdadeiro making of semanal sobre os bastidores da mídia.

Para quem é viciado em mídia (como eu), não há pauta melhor… do que a metapauta, ou seja, a própria mídia. Mas o Vitrine é muito legal não apenas por mostrar o que acontece por trás das câmeras/redações/produções/estúdios, mas justamente porque o tom do programa é leve, divertido e foge um pouco do quadrado que limita o padrão da TV atual em todo o mundo. Algumas matérias do Vitrine têm a cara do YouTube: revelam o que as pessoas querem ver, nem sempre o que o ‘assunto’ quer que seja visto. E isso é incrível, vanguarda pura.

Os apresentadores atuais do programa também são ótimos: Sabrina Parlatore, favorita desta coluna deste os tempos da MTV, e Rodrigo Rodrigues, jornalista que conhece cultura pop como ninguém. E até que ele não decepciona na guitarra da banda Soundtrackers, que tocou na festa após a gravação do programa. Coincidência ou não, a banda do Rodrigo também presta homenagem, de certa forma, à mídia: o repertório é todo formado por trilhas sonoras de filmes e seriados. (Boa, Rodrigão!) Nas horas vagas, Rodrigo prepara o lançamento de uma biografia sobre a banda carioca Blitz. Fica aqui a sugestão de título: ‘Você Não Soube Me Ler’

(Sorry, não resisti à piadinha infâme)

O programa de aniversário do Vitrine vai ao ar no dia 1º de novembro, na TV Cultura, às 19h30. Para mais informações, clique aqui.

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Miss Kittin
Em homenagem às DJs, a bela Miss Kittin

Sempre fui um cara do rock and roll, mas ouço outros estilos de música numa boa e até gosto de muita coisa que passa longe do som das guitarras. Semana passada aceitei o convite de uns amigos (Pééééssimo!) para ir a uma festa de música eletrônica, uma rave daquelas em que a gente passa 12 horas de pé e nem percebe.

Não foi minha primeira vez, mas admito que fazia anos que eu não me metia numa balada assim. Na verdade, fazia tanto tempo que eu nem lembrava mais da sensação de ir para cama ao som dos mesmos passarinhos que estão acostumados a me acordar.

Vamos deixar claro: rave não é para qualquer um. Alguns amigos acharam até que eu era louco de ir, mas não tenho preconceito contra nenhuma tribo, até porque é possível se divertir em qualquer lugar se você estiver ao lado das pessoas certas. (O conceito de pessoas ‘certas’ numa festa assim é bastante subjetivo, se é que você me entende). Enfim, cruzar um pouco as fronteiras da sua tribo é sempre uma boa oportunidade de conhecer lugares novos, mundos novos, gente nova. Nessa festa, por exemplo, conheci muita gente da academia.

Não, não estou falando da Academia Brasileira de Letras, antes que você pense que um globo caiu na minha cabeça e eu fiquei meio estranho. Estou falando da academia onde o culto é ao corpo, não à mente. Os papos são meio vazios, mas os corpos…

Não me lembro do nome ou do rosto de ninguém que conheci, mas na hora achei todo mundo muito agradável. Essa é uma das características de uma rave: o que vale é apenas a eternidade do momento, a cultura do ‘agora’ a serviço do prazer no coração de uma pista perfeita. Uma noite tem que valer uma vida; o resto é segunda-feira.

Tenho amigos músicos que não suportam DJs, mas eu não tenho nada contra. Até gosto deles. Não os considero músicos no sentido tradicional da palavra, mas acho que são artistas contemporâneos que conquistam seguidores como qualquer outro ídolo social, mesmo numa cultura sem rostos como a da música eletrônica. Só não me peça para explicar a diferença entre trance, breakbeat, house, dubstep, grime, downtempo, ambient, jungle, prog, psy, tecno, trance e space. Para mim, é tudo a mesma coisa.

(Ops, não era exatamente isso que nossos avós falavam sobre rock and roll?)

Acordei no dia seguinte com o ouvido zunindo, um apito agudo e constante. Pensando bem, uma rave não é tão diferente assim de um bom show de rock and roll.

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Você gosta de cinema? No vídeo da TV Estadão, os críticos do Caderno 2, Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin, falam sobre os destaques da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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‘Ela é uma mulher interessante’ é uma frase que tenho ouvido cada vez mais de amigos de tribos e idades variadas. O que isso significa? Não sei direito, mas tenho uma teoria. Acho que esse adjetivo tão abstrato, interessante, é a nova maneira que os homens encontraram para justificar o relacionamento com mulheres que não se parecem exatamente com a Angelina Jolie.

Isso, porém, não quer dizer nem de longe que interessante é um termo pejorativo para uma mulher. Nem para um homem, claro, mas não vou ficar usando exemplos masculinos aqui por razões óbvias. Na verdade, feliz de quem é interessante: são pessoas que despertam interesse.

‘Mulheres interessantes’ podem não ser tão atraentes quanto ‘mulheres incrivelmente lindas’, mas um dos adjetivos não exclui necessariamente o outro. Eu diria inclusive que a mulher perfeita é aquela que consegue ser interessante e incrivelmente linda. Mas de uma mulher que é apenas linda e vazia a gente enjoa depois de algum tempo; uma mulher interessante pode durar para sempre. Por isso, se uma mulher tiver que escolher entre ser uma coisa ou outra, eu a aconselharia a ser… as duas coisas. Nem sempre é possível, mas quem disse que a vida é justa?

Há alguns anos os homens usavam o adjetivo bonitinha para mulheres que não eram incrivelmente lindas. Mas a mulherada começou a reclamar que bonitinha era sinônimo de feia-arrumadinha e tivemos que mudar o nosso vocabulário – o que eu nunca engoli. Existem, sim, mulheres bonitinhas, e elas são exatamente isso: bonitinhas. Não são incrivelmente lindas, mas estão longe de serem feias-arrumadinhas. Só para garantir, porém, quando sua namorada entrar no carro usando aquele vestido deslumbrante, nem pense em dizer que ela está bonitinha. Você não ficará bonitinho com um olho roxo.

Também tenho ouvido que não há solteiros legais à solta por aí. As mulheres reclamam que os caras legais estão casados ou são gays. Os homens respondem que as mulheres legais têm namorado ou não querem compromisso. O engraçado é que todos os solteiros legais dizem que não há solteiros legais… Como é possível que tantos solteiros legais não encontrem outros solteiros legais por aí? Não faz sentido. Será que não estão freqüentando as mesmas baladas? Será que não são tão legais assim? Procurar essas respostas pode ser uma tarefa bem interessante.

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Minhas Contas - Luiz Antonio e Daniel Kondo

Oba! Domingo é Dia das Crianças!

Como esse é um blog muito família (com exceção da seção ‘Borracharia’, claro), gostaria de deixar um beijo para todos que, como eu, são apaixonados por seus filhos – ou pelos filhos dos outros. Como a vida muda quando se tem filhos, não? Para melhor, sempre.

Aproveito a data para indicar um livro infantil muito legal: ‘Minhas Contas’, escrito por Luiz Antonio e ilustrado por Daniel Kondo. Além de meus grandes amigos, são supertalentosos e produziram uma bela obra que acaba de sair pela CosacNaify. Não, ‘Minhas Contas’ não é um livro que ensina as crianças a lidarem com a mesada (Luiz e Dani, desculpe, mas não resisti). É uma narrativa visual primorosa, um livro sensível e bem sacado que fala sobre comportamento e tolerância religiosa. O livro traz inclusive um pequeno guia sobre os orixás do candomblé, para quem se interessar pelo assunto.

Pedro e Nei são ‘dois furacõezinhos’ inseparáveis. Um dia, a mãe de Pedro o proíbe de brincar com o amigo porque ele usa colares de contas – ‘coisa de macumbeiro’, segundo a mulher. A partir daí, o livro fala com delicadeza sobre liberdade de expressão e a aceitação entre pessoas diferentes. Nada melhor do que pensar sobre isso no dia de quem vai construir o futuro… Quem quiser saber mais sobre ‘Minhas Contas’, clique aqui.

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09.outubro.2008 12:37:07

Rock and roll na Vila Madalena

The Cult
The Cult: Joey Tempesta (bateria), Ian Astbury (vocal), Chris Wise (baixo) e Billy Duffy (guitarra). O guitarrista Mike Dimkich é um músico convidado.

Duas bandas internacionais se apresentaram ontem em São Paulo. No Via Funchal, os teen-rockstars do McFly; no Credicard Hall, os veteranos ingleses do The Cult.

Por gosto pessoal, optei pelo The Cult. E não me arrependi: apesar do vocalista Ian Astbury não estar em seus melhores dias (ele parecia meio desanimado, resfriado talvez), o guitar hero Billy Duffy mostrou mais uma vez por que é um dos grandes guitarristas de rock da Inglaterra. Ele não é o cara mais rápido do mundo; também não é o mais melódico. Mas Billy Duffy toca como um guitarrista de rock deve tocar: solos fortes e precisos, bases mortais de rock and roll, riffs destruidores. Sem ser misógino, diria que guitarrista ‘macho’ é assim: guitarra Les Paul à tiracolo; volume e distorção no 10. E muita pose, claro, porque na banda de rock perfeita os guitarristas têm que oferecer um contraponto aos vocalistas, normalmente mais iluminados pelos holofotes. Pelo menos ontem à noite, Billy Duffy engoliu Astbury e foi a grande estrela da noite. Merecidamente, aliás.

Saí do show com os amigos e fui tomar uma última cerveja no Filial, na Vila Madalena. Entre eles estava o jornalista Miguel Icassatti, que também escreveu sobre a noite de ontem no blog dele, o Boteclando. E quem eu encontro chegando no Filial? Os caras do McFly, acompanhados por uma amiga minha que está filmando a viagem deles pelo Brasil.

No Filial, onde a faixa etária é um pouco mais velha, o guitarrista/vocal Danny Jones e o baixista Dougie Poynter não atraíam tanto a atenção. São uns garotos de vinte e poucos anos (talvez menos), legais e divertidos. Começamos a conversar sobre rock and roll e disse que estava no show do The Cult. “Quem é The Cult?”, perguntou Danny, vocal e guitarrista do McFly. Achei estranho, até porque os caras são da mesma cidade (Manchester). Ele tentou justificar dizendo que gostava de outro tipo de som, Pink Floyd e AC/DC, coisas assim. Então tá.

Entre um chope e outro, olho para a porta do bar e vejo o quê? Os caras do The Cult chegando. Infelizmente não estavam lá nem Ian Astbury nem Billy Duffy, mas o resto da banda (o baixista Chris Wise, o baterista Joey Tempesta e o guitarrista base Mike Dimkich) pegou logo uma mesa e começou a pedir um chope atrás do outro.

Joey Tempesta (que nome maravilhoso para um rockstar, não?) é um baterista que já passou por diversas bandas de peso, como Exodus, Testament e White Zombie. Conheci Joey em Los Angeles em 1995, quando ele tocava no White Zombie, banda que ensaiava no mesmo complexo de estúdios em que o Viper gravou ‘Coma Rage’. É um cara gente boa e um baterista fantástico, que toca com precisão tanto o hard rock do The Cult quanto o thrash metal do Testament. Foi bem diferente reencontrá-lo no Filial, um lugar bastante fora do contexto heavy metal…

Na mesa ao lado, meu amigo Victor Birner (jornalista esportivo) batia um papo com o Dr. Sócrates, craque do Corinthians e da Seleção Brasileira nos anos 80. Ou seja, o Filial parecia um zoológico cultural, com representantes do rock and roll e do futebol. Enquanto os caras do The Cult e do McFly trocavam e-mails, pedi a conta e fui embora à francesa, antes que quisessem organizar uma mesa redonda sobre rock and roll.

Banda McFly

McFly: Tom Fletcher (Guitarra/Vocal/Piano), Dougie Poynter (Baixo), Harry Judd (Bateria) e Danny Jones (Guitarra/Vocal)

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