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Felipe Machado

gisele

Paulo Whitaker/Reuters

Eu sei que você não agüenta mais ouvir falar da Gisele Bündchen. Eu também não. Mas é que preciso desabafar com alguém: eu vi Gisele de perto e fiquei decepcionado.

Não, eu não virei gay, antes que você diga alguma coisa. É que sempre fui apaixonado pela história de Gisele, a brasileira simples e divertida que virou uma das maiores modelos da história.

Domingo passado vi Gisele de perto pela primeira vez. Fisicamente ela é mesmo incrivelmente linda. Mas se por um lado ela brilha na forma, percebi que seu conteúdo está longe de ser brilhante.

Claro que eu não esperava encontrar a neta do Einstein. Mas acho que uma pessoa que mora no exterior há tantos anos e convive com personalidades tão interessantes e poderosas tinha obrigação de ter mais a dizer. Na coletiva da Fashion Week, em vez de uma mulher de 28 anos, parecia estar ali uma garota de 14 – idade em que ela começou a ‘modelar’. Na frente de 200 ansiosos jornalistas do mundo inteiro, Gisele falou durante 20 constrangedores minutos. E não disse nada.

Foram tantos clichês que tive a impressão de estar assistindo a uma entrevista de um jogador de futebol, com todas as óbvias diferenças estéticas. No campo/passarela, eles são craques. Já fora dele… E não venha me dizer que essas pessoas vêm de infâncias humildes. Ninguém no mundo tem tantas chances e recursos para aprender quanto eles. É só querer.

Como Gisele vive falando sobre a Amazônia, indagaram sua opinião sobre a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente; ela só faltou perguntar o que era um ministério. Perguntaram se ela tinha investimentos no Brasil; Gisele disse que achava ótimo o país ter sido pioneiro na produção de carros a álcool. O que uma coisa tem a ver com a outra? Não sei. Talvez a resposta seja muito complexa para mim. Ou talvez tenha sido apenas um samba da loirinha doida.

Claro que a supermodelo nem sabe que eu existo – e está certíssima em não saber. Na verdade, Gisele, isso é só um toque. Você continua sendo a número 1 no nosso coração. E como ainda é jovem, dá tempo de se tornar a número 1 também em nossas mentes. É só querer.

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27.junho.2008 18:59:11

Utópicos e rebeldes

Está em cartaz na Cinemateca, em São Paulo, a exposição ’68: Utópicos e Rebeldes’. A mostra traça um panorama no Brasil que existia 40 anos atrás, faz homenagens a homens e mulheres perseguidos pelo regime militar e ainda conta com diversas áreas dedicadas à luta por direitos humanos e pela liberdade de expressão.

Uma dessas áreas é organizada pelo Estadão, que conta por meio de imagens, fotos, vídeos e edições apreendidas como foi a luta contra a censura feita aos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Na exposição, também é exibido um documentário produzido pela TV Estadão e dirigido por este que vos fala, ’1968, Mordaça no Estadão’.

Quem quiser saber mais e ver a matéria sobre a exposição, por favor clique aqui.

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25.junho.2008 19:33:28

Uma grande mulher

Há alguns dias eu andava pelas ruas de Higienópolis quando parei numa banca de jornais. Folheei uma revista, dei uma olhada em outra… quando olho para o lado, vejo que a ex-primeira dama, Ruth Cardoso, está do meu lado.

Cumprimentei-a dando um sorrisinho, que ela prontamente ‘respondeu’. Dona Ruth estava sozinha; nada de seguranças, nada de enormes entourages, nada de puxa-sacos. Como ex-primeira dama ela podia ter tudo isso, ou até pedir para algum Aspone abastecê-la com tranqueiras e artigos de luxo. Mas ela não precisava disso. E, mais importante ainda, não queria. Sua ambição era intelectual, não material. Voltou para casa a pé, com suas revistas e jornais nas mãos.

Poderia falar sobre várias razões que me levaram a admirá-la, da criação do programa Comunidade Solidária (que ensinava analfabetos a ler, entre outras coisas, em vez de apenas dar esmolas) à sóbria e ativa postura ao lado do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas prefiro dizer apenas que Dona Ruth fará falta, principalmente em um momento do país em que a palavra ‘ética’ anda resumida a um verbete num dicionário rasgado e jogado na sarjeta.

Fica aqui uma pequena homenagem a essa incrível mulher; uma prova de que as pessoas que realmente estão no alto não deixam o poder subir à cabeça.

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casanaarvore

Daquela série ‘às vezes é bom morar em São Paulo’, no último sábado dei uma escapada da São Paulo Fashion Week e fui visitar a CasaCor. Para quem não é daqui, é um evento no Jockey Clube que reúne diversos ambientes criados por arquitetos e decoradores top.

(Sim, minha mulher me obrigou a ir, antes que alguém pergunte. E eu gostei bastante, antes que alguém também pergunte.)

O legal de ir a um lugar assim é que dá para tirar idéias para sua casa… quer dizer, mais ou menos. Eu adoraria ter em casa a garagem criada por Felipe Diniz, mas daí eu teria que vender todos os meus móveis. Por outro lado, se eu tivesse a cozinha criada por Simone Goltcher, talvez eu aprendesse a cozinhar. Gostei também da sala de música de Denise Barreto, que é bem simples, mas é uma sala de música. Imagina só ter em casa uma sala só para ouvir música, trancada por dentro, isolada do mundo? Acho que só o conceito já é um sonho…

Outros ambientes legais: o quarto de hóspedes de Myrna Porcaro (eu até perguntei se eu podia me mudar para lá e me tornar um hóspede fixo); o quarto de adolescente de Marí Aní Oglouyan (se eu tivesse um quarto daqueles na adolescência tudo seria diferente); o hall em homenagem a Oscar Niemeyer feito por Ruy Ohtake (supercolorido, bem diferente das obras cinzentas de concreto do nosso último comunista).

O que eu mais gostei na visita, porém, foi uma Casa na Árvore. É isso mesmo, uma casa na árvore, daquelas que a gente sonha na infância. E qual não foi minha surpresa ao ver que a casa tinha sido feita justamente por um amigo de infância, Fred Benedetti, junto com sua mulher, Fernanda. Quando eu era criança, minha turma do prédio até chegou a ter uma espécie de casa na árvore urbana, ou seja, um cubículo enfurnado no playground de um condomínio. Mas essa aqui é bem diferente: tem 34 m2, espaçosa, pode ser desmontada e montada em outro lugar, etc. Se casas em árvores recebessem classificação, esta seria uma Casa na Árvore cinco estrelas, se é que você me entende. Voltei para o meu apartamento pensando seriamente em plantar uma árvore na varanda…

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kurkova

Karolina Kurkova (Nilton Fukuda/AE): A modelo tcheca é xará da minha mulher, ou seja, eu não correria risco de trocar os nomes

Diz a lenda que, para se sentir realizado na vida, um homem deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Gostaria de acrescentar um item à essa pequena lista: para ser realmente feliz, todo homem deveria assistir a um desfile de modelos de biquíni.

Foi o que eu tive o privilégio (e o prazer, para ser sincero) de fazer na última quarta-feira, em mais uma edição da São Paulo Fashion Week. Não entendo muito de moda, mas isso nem é necessário. O evento é bem mais divertido para quem presta mais atenção no que está escondido sob os tecidos.

E esses tecidos nem cobriram tanta coisa assim, já que esta edição do evento revela o que estará na moda na próxima estação do ano, ‘Primavera-Verão’ (o mundinho fashion tem apenas duas estações por ano, cada uma com seis meses de duração). Isso acaba até sendo engraçado, porque faz muito frio em São Paulo e a platéia passa os desfiles praticamente enrolada em casacos e cachecóis. Enquanto isso, as pobres modelos (coitadinhas, tão magrinhas) ficam andando de um lado para o outro com pouquíssima roupa.

Fiquei com tanta pena que em um desfile até subi na passarela para oferecer meu casaco, mas fui impedido por um segurança de quase dois metros. Não entendi por que – ele nem estava de biquíni.

Outra razão que confirma que todo homem precisa assistir a um desfile desses antes de morrer: será a única vez na vida que você vai poder olhar de alto a baixo uma mulher passando de biquíni na sua frente sem levar um tapa na cara da sua mulher.

Muitas coisas me surpreenderam nessa Fashion Week, entre elas o desfile da grife FH. Cheguei a pensar que veria o ex-presidente Fernando Henrique na passarela, mas daí descobri que a sigla era apenas a nova marca do estilista Fause Haten. E no desfile da Cavalera, os efeitos especiais fizeram com que algumas modelos levitassem na passarela (pelo menos foi o informou a assessoria de imprensa). Na minha opinião, porém, eu acho que elas levitaram porque estavam muito magrinhas. Cheguei a convidá-las para comer uma pizza no lounge do Estadão, mas não obtive resposta.

Para variar, também andaram falando sobre a celulite das modelos. Confesso que as dobrinhas não me incomodaram, nem quando eu estava sentado na primeira fila do desfile. Talvez algumas modelos não sejam perfeitas, mas na maioria das vezes o lugar do corpo onde mais existe celulite é mesmo na cabeça… das mulheres da platéia.

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flores

Há momentos na vida em que temos que ser humildes e dizer: eu não tenho a menor idéia do que você está falando. Apesar de me considerar bem informado sobre vários assuntos, admito que existem certos temas sobre os quais eu não entendo absolutamente nada. Plantas, por exemplo.

Foi por isso que estranhei quando minha mulher me convidou para comprar plantas no Ceagesp. Mas como a última palavra em casa é sempre minha (“sim, querida”), acabei aceitando.

Nunca imaginei que ir ao Ceagesp era um programa tão popular. Me senti como o cara que viaja para o exterior e recebe um monte de encomendas para comprar caixas de whisky no FreeShop. Minha mãe, por exemplo, foi categórica: “ah, você vai no Ceagesp? Então aproveita e me traz umas mudinhas de ráfia”. Concordei, o que prova que não tenho a menor idéia do que ela estava falando. Lá descobri que cada mudinha de ráfia era praticamente uma árvore. Coloquei as três no carro e voltei de táxi.

Antes de ir ao Ceagesp, eu imaginava que existiam apenas dois tipos de plantas: verdes e coloridas, também chamadas de ‘flores’ pelos especialistas. Agora sei que há vários outros modelos: plantas altas, plantas baixas, plantas que ficam em vasos grandes, plantas que se enroscam pelas paredes. Deixei a humildade plantada em algum vaso do Ceagesp e hoje também me considero praticamente um expert no assunto.

Descobri também que há várias espécies de flores, algo que eu já desconfiava desde que passei pela primeira vez na frente daquelas barraquinhas da Avenida Dr. Arnaldo. Minhas flores favoritas (mesmo antes de eu me tornar um especialista) sempre foram as rosas amarelas: são menos óbvias que as vermelhas e menos fúnebres que as brancas. Mas acho que elas andam em falta no mercado; pelo menos foi isso que me informaram na floricultura onde tentei comprar flores para minha mulher na última quinta-feira, Dia dos Namorados. Como não encontrei as rosas amarelas, acabei não comprando nada. Quando cheguei em casa e levei uma bronca, só me restou fingir que não era comigo.

Flores? Que flores? Eu não tenho a menor idéia do que você está falando.

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Joss Stone

Foto: Thiago Cordeiro/AE

Ela é talentosa e tem uma voz maravilhosa. Ela tem um rosto lindo e um corpo melhor ainda. Ela é simpática e gente boa. Ela canta descalça e parece que está flutuando. Ela é inglesa, tem 21 anos e 1,80m. de altura. Ela é milionária e bem sucedida. Ela diz ‘olá’ e ‘obrigado’ com sotaquezinho. Ela canta soul music e sorri no final das músicas.

As mulheres da minha família que me perdoem, mas Joss Stone é a mulher perfeita.

Fui ontem ao show de Joscelyn Eve Stoker (sim, esse é o nome dela) no Via Funchal, em São Paulo, e posso garantir essa opinião não foi só minha, mas de todos os homens (e mulheres) que estavam lá. Há muito tempo eu não vejo um show em que o público passa o tempo inteiro elogiando o artista.

O público, inclusive, foi um show à parte. O Via Funchal estava completamente lotado e achei até meio engraçado, porque não parecia que eu estava em uma apresentação pop, normal, como às que estou acostumado a ir. A platéia da Joss Stone parecia ter saído diretamente das páginas de alguma coluna social, ou talvez da área VIP da Disco ou Mint, baladas AAA de São Paulo. Muitas mulheres bonitas, modelos e garotas com aquele estilinho mulher-fatal-com-sorriso-de-garota, como a própria Joss. As mulheres também se deram bem: a platéia estava cheia de caras altões e aquele estilo que faz sucesso nas revistas de Celebridade, tipo Fasano-Havaianas (milimetricamente largados).

Mas vamos voltar ao que interessa, ou seja, Joss (olha a intimidade). A cantora, que nasceu na cidadezinha inglesa de Devon (a mesma de Chris Martin, do Coldplay) apresentou um repertório variado tirado de seus três discos, ‘Soul Sessions’ (o melhor), ‘Mind and Body’ e ‘Introducing Joss Stone’ (nunca entendi porque o terceiro disco dela se chama ‘Apresentando Joss Stone’… mas ela já não tinha dois discos?). Os dois primeiros têm uma pegada mais soul, nos moldes das grandes cantoras da Motown, e o disco novo está mais para R&B. Mas se engana quem pensa que Joss Stone é uma espécie de Beyoncé made in England: Joss não parece gostar do estilo cafetões/carrões/diamantões. Joss, na verdade, tem muito mais classe e é um oásis na mesmice da R&B atual.

A começar por sua postura no palco: nada de rebolados vulgares ou simulações de sexo, como suas colegas americanas siliconadas. Joss rebola, sim, num microvestido de lantejoulas brancas, mas ela faz isso de um jeito maravilhoso e sedutor, que deve ter conquistado até a estátua no lobby do hotel ao lado do Via Funchal. Só para você ter uma idéia, Joss sussurra e dança com os bracinhos pra cima. Dançar com os bracinhos pra cima é de matar.

Acompanhada por uma banda bem competente, Joss cantou entre outras ‘Super Duper Love (Are you diggin on me?)’ e ‘Victim of a Foolish Heart,’ as minhas favoritas. Mas é difícil apontar as melhores do show, até porque ele é bem homogêneo e linear. A voz e o carisma de Joss costuram a apresentação como se fosse uma manta de tecidos macios, camadas de seda sobre veludo.

Assisti ao show com um amigo que é solteiro convicto, e fiquei surpreso quando ele comentou que se casaria com a cantora sem pensar duas vezes. Respondi que isso não era privilégio dele, mas um desejo de toda a torcida do Corinthians. Confesso que até eu tive momentos de fraqueza. No final do show, meio empolgado, pensei em gritar ‘Joss, I love you’, mas daí lembrei que eu era casado e que era melhor me controlar.

Alguns críticos dizem que Joss é um pouco superficial, que não sente o que está cantando. Eu discordo. Acho que ela canta com a alma, sim, só que é uma garota de 21 anos. Ela não tem a performance de uma Amy Winehouse, por exemplo, mas quem quer uma cantora talentosa drogada e caindo pelo palco? Joss é tranquila, bem sucedida, feliz. É obviamente influenciada por Janis Joplin, sim, mas numa versão aprimorada e politicamente mais correta – o que nesse caso está longe de ser um defeito. Principalmente porque a mulher perfeita, como era de se esperar, não tem defeitos.

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Para quem teve Dia dos Namorados, parabéns. Para quem não teve, não se desespere: hoje é dia de rezar para Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Se você não acredita (eu também não), aqui vai outra sugestão: mande o link da canção abaixo para seu pretendente. É uma balada tão romântica e tão bonita que a pessoa não terá escolha e cairá de amores por você.

A canção é ‘Relief’, de Chris Garneau. O cantor e compositor de Nova York lançou em janeiro de 2007 seu primeiro e único disco, ‘Music for Tourists’, produzido por Duncan Sheik. Garneau toca piano desde os cinco anos e canta com uma voz bem legal, cheia de sussurros e falsetes. Dica: o disco dele é perfeito para momentos, digamos, íntimos, se você entende o que eu quero dizer.

Só tome cuidado com uma coisa: hoje é Sexta-Feira 13, ou seja: na hora de rezar para Santo Antônio exija também que a sua futura mulher não seja uma bruxa.

(Isso vale também para o sexo oposto. Bjs, F.)

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jupaes
O lugar ideal para meu primeiro encontro com Juliana Paes? Em um sonho, e olhe lá

Se você ainda não lembrou, é bom ficar ligado: hoje é Dia dos Namorados. Não comprou presente? Aproveite que você está na internet e mande flores por um desses sites virtuais. Ou levante essa preguiça da cadeira e vá até algum shopping, rapidinho, comprar alguma coisa que a faça lembrar de você até o próximo… Dia dos Namorados.

Aproveitando a data, achei interessante tirar um texto meu da gaveta e lembrar que todo namoro, noivado e casamento começa com… o primeiro encontro romântico. Afinal, dá para conhecer um homem pelo lugar onde ele leva uma mulher na primeira vez que sai com ela.

Quem é esperto tem várias opções na manga, e espera para escolher o programa de acordo com a roupa da mulher. Se ela estiver de decotão e salto alto, por exemplo, é bom caprichar.

Mas também não é errado planejar o local com antecedência (para não gaguejar quando a mulher perguntar ‘e aí,onde a gente vai?’ Mulher odeia isso). Alguns amigos meus vão direto para algum boteco, não importa se a mulher está de tailleur ou de biquíni. Eles são do tipo ‘bate-papo’, caras que gostam de conversar, dar um gole, conversar, dar um gole… até a mulher ficar meio altinha. Se pintar um beijo, ótimo. Sexo? Melhor ainda. O importante é molhar as palavras com algum líquido alcoólico e ver o que acontece.

Há também o ‘cara-balada’, que só vai nas boates da moda. Esse não está muito interessado no que a garota tem a dizer, ainda mais porque não dá para ouvir nada com o barulho que rola na pista. Este tipo de encontro é tão romântico quanto o ‘teste da areia’, aquele em que o cara marca na praia para avaliar o corpo da mulher. Só que aqui é uma versão urbana, já que São Paulo não tem mar: o cara confere a garota dançando para saber se tem futuro. Afinal, como dizem por aí, ‘a dança é a expressão vertical de um desejo horizontal’.

Há ainda o ‘homem-restaurante’, que sempre convida a mulher para jantar. Este não está ali para brincadeira: é bom a mulher saber o que quer daquele encontro, porque ele com certeza já sabe.

Como dá para interpretar tudo na vida, também dá para classificar os homens de acordo com o restaurante escolhido. Um restaurante japonês prova que você é um investimento (literalmente, já que a conta será invariavelmente alta). Restaurante francês? O cara é chique; é bom você ser também. Italiano? Tradicional, família. E talvez você nem tenha percebido, mas se ele levar você a um restaurante chinês é bem provável que ele seja… chinês. Pratos picantes, como tailandeses ou mexicanos, só devem entrar no cardápio após uma pesquisa sobre o histórico estomacal do casal. Mas atenção: se o primeiro encontro for numa churrascaria rodízio, saia correndo: ele está mais preocupado com o estômago que com o coração.

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seda

Cena de ‘Silk’ (Paixão Proibida), filme com Keira Knightley e Michael Pitt baseado no livro ‘Seda’, de Alessandro Baricco

Xi, lá vem o Felipe de novo com esse papo de gênio… Bom, então vou tentar me controlar: Alessandro Baricco pode não ser um gênio, mas na minha opinião é um dos escritores mais interessantes da atualidade.

Ainda não chegou às livrarias, mas tive o privilégio (e o prazer) de ler as provas de seu livro ‘Sem Sangue’, e confesso que fiquei mais uma vez impressionado.

O livro é curto e dá para ler de uma ‘sentada’ só. É didaticamente dividido em duas partes: na primeira, um fato marca a vida de uma menina; na segunda, a menina que virou mulher persegue o fato para esclarecê-lo. A premissa, bastante básica, esconde uma trama que conquista pela sutileza. Da mesma maneira que Baricco fez com sua pequena jóia, ‘Seda’ (que foi parar nas telas pelas mãos de François Girard, ‘Paixão Proibida’ no Brasil – pelamordeDeus, quantos filmes será que existem com esse nome?), ‘Sem Sangue’ é um livro para se ler com cuidado. O texto de Baricco é simples, sem muitas inovações. De repente, no meio da caminhada, ele puxa o tapete e surpreende o leitor com uma metáfora incrível, uma cena bela e inusitada, um tapa na cara.

O que senti, na verdade, é que estava lendo um livro e, de uma hora para outra, descobri que estava lendo outro. Parece que o texto é direto e objetivo, até que uma palavra fora (dentro) de lugar nos transporta para outro mundo, mais abstrato e sem lógica. ‘Sem Sangue’ saiu lá fora em 2002 e não é o último do autor: ‘Esta História’, de 2006, já saiu no Brasil, também lançado pela Cia. das Letras. Gostei bastante e recomendo: volto a dizer, tem apenas 80 páginas e dá para ler de um fôlego só.

Achei interessante e reproduzo aqui a nota do autor, no início do livro: “Os fatos e personagens a que esta história alude são imaginários e não se referem a nenhuma realidade particular. A escolha de nomes hispânicos deve-se a razões puramente musicais e não pretende sugerir uma inserção temporal ou geográfica dos acontecimentos.”

Será que isso era necessário? Para mim, chamou mais ainda a atenção para um detalhe que teria passado despercebido. Talvez ele tenha sido alertado sobre eventuais problemas jurídicos ou alguma outra restrição que não saberemos nunca. Mas isso não importa. Só me desculpem porque não dei mais detalhes da história: a idéia é suscitar a sua curiosidade de uma maneira sutil e, digamos… sem sangue.

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