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Felipe Machado

coldplay novo

Para quem é fã do Coldplay, como eu, várias novidades: já é possível baixar ‘Violet Hill’, o single do novo disco, sem pagar nada. É só ir até o site oficial da banda e fazer o download no link ‘song’. Mas é bom ser rápido: a música só ficará disponível durante uma semana.

‘Violet Hill’ é maravilhosa: tem o estilo tradicional do Coldplay, com um teclado marcante ao fundo, mas também traz alguns riffs de guitarra mais pesados, meio dissonantes até, na base. A música tem uma levada bem Beatles, com aquela melodia que vai de ‘MI’ para ‘DÓ’ e cria um clima todo dramático, com Chris Martin cantando o refrão em falsete. Aqui vai um trechinho da letra:

Violet Hill

It was a long and dark december
In the roof tops I remember
That was snow
White snow

Clearly I rememeber
From the windows they were watching
While we’ve flown
Down below

If you love me
Won’t let me know?
If you love me
Why would you let me go?

I took my love down to Violet Hill
There we sat in snow
All that time she was silent and still
If you love me won’t let me know?

A colina das violetas

(Era um longo e escuro dezembro
No alto dos telhados eu me lembro
Havia neve
Neve branca

Claramente eu me lembro
Das janelas eles nos assistiam
Enquanto a gente voava
Até lá embaixo

Se você me ama
Você não vai me deixar saber?
Se você me ama
Por que você me deixaria ir?

Eu levei meu amor para a colina das violetas
Lá nós nos sentamos na neve
Todo o tempo ela ficou quieta e parada
Se você me ama, não vai me deixar saber?

tradução meio livre, claro)

Com lançamento agendado para dia 17 de junho, o quarto disco da banda de Chris Martin se chama ‘Viva La Vida’ e foi batizado em homenagem a uma pintura de 1954 da artista mexicana Frida Kahlo (reprodução abaixo). O quadro está no museu Frida Kahlo, na cidade do México, local que já tive o prazer de conhecer e que também é conhecido como ‘Casa Azul’. O museu, na verdade, era a casa onde a pintora morava com o também artista Diego Rivera, seu marido. Quem quiser saber mais sobre Frida Kahlo deve fazer um curso de história da arte ou simplesmente alugar o DVD ‘Frida’, com Salma Hayek no papel da artista problemática, doente… e bigoduda.

Essa não é a única referência artística do novo Coldplay: a capa do disco é inspirada em outro quadro, a pintura ‘Liberdade Guiando o Povo’, do francês Delacroix (acima). O quadro está no Louvre (onde também tive o imenso prazer de vê-lo, talvez o quadro mais lindo do museu) e foi pintado em 1830.

Por falar em Chris Martin, lembrei de uma história engraçada que aconteceu no ano passado, quando a banda esteve em São Paulo há um ano. Um repórter do JT, meu amigo Marco Bezzi, estava na coletiva e resolveu perguntar para Chris Martin, que é casado com a atriz Gwyneth Paltrow, uma questão sobre cinema. Como Chris Martin é meio esquentadinho e proíbe perguntas pessoais, ele respondeu de maneira bastante grosseira. A seguir, o diálogo surreal:

“Mr. Chris Martin, o senhor é casado com a atriz Gwyneth Paltrow… quais são os seus três filmes preferidos dela?”

“Hummm… bem, você pode me dizer qual é sua posição sexual preferida? Pois é, aposto que você também não gosta de falar da sua vida pessoal.”

Exagero, não?

Voltando à música, o álbum novo do Coldplay tem dez faixas gravadas em Londres, Barcelona e New York com produção de duas feras: Brian Eno (U2, David Bowie, Talking Heads, Roxy Music) e Markus Dravs (Björk, Arcade Fire). O setlist é o seguinte:

1. Life In Technicolor
2. Cemeteries Of London
3. Lost!
4. 42
5. Lovers In Japan/Reign Of Love
6. Yes
7. Viva La Vida
8. Violet Hill
9. Strawberry Swing
10. Death And All His Friends

Se você for fã, mas fã mesmo, também já pode comprar a passagem aérea para um dos dois shows gratuitos que a banda vai fazer em junho: dia 16, na Brixton Academy, em Londres; ou dia 23, no Madison Square Garden, em Nova York. Mais informações no site oficial.

vivalavida

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meganfox

Borracharia internacional: A revista FHM acaba de eleger as 100 mulheres mais sexies do mundo. (Antes que você pergunte, não, a sigla não significa ‘Felipe Homem Machado’ – piadinha infeliz), Enfim, aqui vai a lista das top 10, escolhidas por meio de 9.7 milhões de votos pela internet. Para ver a lista completa, acesse o site da revista. Como a revista é estrangeira, o site é em inglês, claro. Mas mesmo quem não fala o idioma não vai sentir falta: o que vale mesmo são as fotos, certo? As brasileiras, como sempre, estão na lista: a modelo Alessandra Ambrósio é a 15ª, Adriana Lima é a 21ª e Gisele Bündchen é a 22ª. A campeã é a atriz Megan Fox (foto: Matt Sayles/AP Photo), do filme ‘Transformers’.

A seguir, as top 10 da FHM (For Him Magazine):

1. Megan Fox
2. Jessica Alba
3. Keeley Hazell
4. Elisha Cuthbert
5. Hayden Panettiere
6. Scarlett Johansson
7. Cheryl Cole
8. Hillary Duff
9. Angelina Jolie
10. Keira Knightley

Você concorda com a lista? Quem está faltando? Depois a gente faz um ‘Top 10′ do blog, acho que vai sair um pouco diferente.

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Jack

Um dos meus programas favoritos é entrar numa livraria e ficar vagando entre as prateleiras, cumprimentando livros lidos e me apresentando a livros que eu adoraria ler. Não preciso da ajuda de ninguém, até porque sei exatamente o que procuro e o que gostaria de procurar. Pois era exatamente isso que eu fazia na última terça-feira, quando um simpático rapaz de uns vinte e poucos anos se aproximou e disse:

“O senhor procura alguma coisa em especial?”

Já me chamaram de senhor antes, mas era em razão de um desses rituais de hierarquia que a gente está tão acostumado que nem liga. Acho que essa foi a primeira vez que alguém me chamou de senhor no sentido literal da palavra, a expressão tradicional de respeito por alguém mais velho ou – mal sabe ele – mais respeitável.

Não respondi a primeira coisa que me veio à cabeça, até porque teria sido extremamente deselegante com o garoto. Afinal, ele estava ali para ajudar. Talvez até tivesse sido instruído a chamar de senhor qualquer cliente com mais de quinze anos, sei lá.

Ou talvez não. Talvez ele tenha realmente me olhado e pensado em me chamar de senhor em sinal de respeito, porque eu era claramente mais velho que ele. Não sei. Só sei que foi uma sensação estranha, bem estranha.

Tenho 37 anos e uma hora isso ia acontecer. Se não fosse na última terça-feira, seria daqui a seis meses. Não importa. Pela lógica da vida, quem não morre envelhece. E estou envelhecendo, assim como você. E assim como aquele recém-nascido que acaba de chegar ao mundo. É duro reconhecer, mas isso é, ao mesmo tempo, o terror e a beleza da vida. Se cada madrugada é um dia a menos, cada manhã é um dia a mais.

Ainda não me considero um velho. Se tudo der certo, não estou nem na metade da minha vida. Quero me tornar um cara como Jack Nicholson (foto: Anthony Harvey/Reuters), que ainda deve dar um banho em muito garoto metido por aí.

No entanto, é claro que, seguindo a lógica das coisas, o atendente da livraria tem muito mais tempo pela frente do que eu. Tomara que ele aproveite, assim como tenho aproveitado. Temos uma única vida, mas isso também significa que temos uma vida única. Cada um pode realizar todos os seus sonhos, cada um pode ser o que quiser, inclusive um atendente de livraria. Só não me chame de senhor na próxima vez.

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charles

Quando eu era criança, lembro dos meus pais ouvindo Charles Aznavour em casa, com seu francês empostado cantando aquelas melodias charmosas e elegantes. Há alguns dias, abri o jornal e vi que Monsieur Aznavour estaria em São Paulo para duas apresentações, parte de sua turnê mundial de despedida.

Aznavour, hoje com 83 anos, é o maior ícone da música francesa. Artista sedutor de origem armênia, esse ‘Frank Sinatra francês’ colheu seus dons artísticos do mesmo jardim onde estava plantada sua árvore genealógica: seu pai era cantor e chef de cozinha; sua mãe, uma atriz quase famosa.

Coincidência ou não, eu também aplico aqui o dom artístico herdado da família. Já contei antes, mas não sei se alguém se lembra: sou filho de dois jornalistas, profissionais de grande renome no mercado brasileiro. Nada mais natural, portanto, do que ‘contratá-los’ (que audácia!) para escrever críticas sobre o show de Aznavour, realizado ontem, no Via Funchal.

O resultado, apresentado aqui na forma de duas matérias, é muito emocionante para mim, não apenas porque os textos são lindos e ironicamente complementares, mas porque não há nada melhor no mundo do que ter orgulho de quem nos criou e nos deu amor. Isso me inspira a ser um bom pai; tomara que um dia minha filha tenha o mesmo orgulho de mim.

A seguir, os textos de Helô Machado (ladies first) e Adones de Oliveira:

Romântico total. Aos 83
Helô Machado

Quando a cortina se abre, a orquestra de 11 músicos já está no palco. O público aplaude e ele aparece. Terno preto, camisa preta sem gravata, cabeça branca, magrinho, baixo, bem baixinho. Olha para o maestro e começa a cantar.

É o início da ‘Farewell Tour’, show definido como ‘a despedida de Charles Aznavour’, no Via Funchal, em São Paulo. A apresentação já percorreu várias cidades dos Estados Unidos, Canadá, Ásia, Europa, e tem muitas ainda a percorrer pelo Brasil e pelas Américas…

Aos 83 anos, o cantor francês de origem armênia é o que se pode chamar de um romântico (felizmente) incurável. Ou seria um ‘enfant terrible’, como diriam os franceses?

Chique, discreto, ágil e versátil, ele encanta com a mesma voz e emoção que o consagraram há mais de 40 anos. Sem economia e sem cansaço. Trinta músicas – todas de sua autoria – estão no repertório dessa turnê, desfiladas durante exatas duas horas de um espetáculo inesquecível.

Ouvir Aznavour é ter a certeza de que o amor existe e pode surgir a qualquer hora. É também um retorno garantido no tempo, uma volta mágica à juventude, aos beijos apaixonados do primeiro, do segundo, do terceiro grande amor da vida da gente.

Sim, porque Charles Aznavour embalou todos eles. E aumentou a nossa paixão. E fez com que dançássemos em abraços muito apertados. E cuidou também do nosso francês: queríamos cantar com ele ‘Que C´est Triste Venise’, ‘Il Faut Savoir’, ‘La Bohême’, ‘Avec’, ‘Et Pourtant’, ‘Mourir d´Aimer’…

Francês bem melhorado, com a chegada de ‘She’ é a hora de cuidarmos do nosso inglês… Para continuar garantindo aquela emoção que se instala ‘doucement’, assim que o maior romântico francês de todos os tempos começa a cantar. E entra no coração, na casa e na vida da gente, para não sair nunca mais…

Show de despedida? Que despedida? Aznavour não concorda com isso. Ele está ótimo. E diante dele, todos nós também: quem já passou dos 40 e quem ainda nem chegou aos 30.

Como bem disse o cantor numa entrevista, a juventude o adora: ‘Quando os jovens se apaixonam, é para mim que eles vem’. Certainement.

De novo na vitrola
Adones de Oliveira

Charles Aznavour vai fazer 84 anos em maio, mas, mesmo assim, vendo-o no Via Funchal, no início de mais essa temporada no Brasil, é difícil acreditar que já esteja fazendo ‘ses adieux’… Não que saia por aí dando pulinhos, como um roqueiro, mas sua movimentação no placo, seu à vontade e sua ‘souplesse’, como dizem os franceses, não o diferenciam do artista que há décadas lota o L’Olympia de Paris e os muitos teatros mundo afora.

Último grande representante da tradicional chanson francesa, na linha de Charles Trenet, o armênio Aznavourian continua encantando platéias atraídas pela rouquidão marcante da sua voz, pela diversidade estilística de suas composições e até, como mostrou mais uma vez em São Paulo, pela teatralidade que imprime às interpretações, não fosse ele também um ator de quase 50 filmes. Mas sobretudo Aznavour se impõe, mais do que pela musicalidade, pelas letras das canções, verdadeiros poemas musicados, a propósito tão reconhecidos que seu autor já foi até editado pela famosa coleção francesa ‘Poetes d’Aujourd’hui’.

O show de São Paulo foi um tour pelos muitos temas que Aznavour percorre, alguns quase obsessivamente, como o tempo, principalmente o de quando se tem 20 anos e é preciso beber a juvenude até a embriaguez, diz ele em ‘Sa Jeunesse’. Ou, nostalgicamente o tempo que não volta mais, como em ‘Q’ue C’èst Triste Venise’. Há canções novas e canções antigas, como ‘Il Faut Savoir’, ‘La Bohème’, ‘She’ e , a mais aplaudida de todas, a valsa em que romanticamente o cantor dança consigo próprio, de rosto colado, ‘joue contre joue’, como no ‘cheek to cheek’ de Fred Astaire e Ginger Rogers.

A teatralidade de Aznavour dá também o ar da graça quando canta ‘Comme ils Disent’, em que sugere um melancólico travesti. No palco, é acompanhado por uma banda com piano e acordeon, na melhor tradição francesa, e duas backing vocals, uma das quais Kátia Aznavour, que deve ser sua filha. Aznavour, um artista que é sempre bom tocar de novo.

Foto: Tiago Queiroz/AE

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A melhor música de ‘In Rainbows’, o melhor disco de 2007: ‘Nude’, ao vivo, com o Radiohead. Versão maravilhosa, tocada ao vivo no programa do Jonathan Ross há alguns dias. Você tem 4 minutos e 30 segundos livre no dia? Então pare o que está fazendo e preste atenção nessa obra-prima. Você não vai se arrepender. Long live Radiohead!

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julianmcmahon

Não entrei para comentar no post anterior porque não quis atrapalhar a conversa, que estava bem animada. Mas quero deixar registrado aqui que estou superfeliz com as pessoas que frequentam este blog. Vocês parecem pessoas legais, gente que gosta de se divertir, numa boa… Outra coisa: qualquer amizade ou namoro que sair daqui, eu quero saber detalhes! (Brincadeira.) Também fico honrado em saber que vocês vão fazer uma comunidade do blog, mas já aviso logo: se não se chamar Palavra de Homem eu nem apareço para visitar!

:-)

(Brincadeira, mas não vão se reunir numa comunidade e me abandonar, porque posso ficar carente…)

Quanto ao encontro, não sei se devo aparecer, sorry. Vou ficar um pouco distante, até para deixar vocês mais à vontade. Mas prometo uma coisa: se vocês anotarem os papos e virem que ficou legal, podem enviar para o meu e-mail ( palavra at grupoestado.com.br) que eu publico por aqui!

Só para mostrar que estou de bom humor e atendo as exigências femininas, publico aqui a foto do Julian McMahon, pedida pela Cláu. (Peço calma aos homens, porque isso é só para poder abusar das fotos de mulheres no futuro). Ele também é ator de Nip/Tuck (Christian) e faz ‘par romântico’ (se é que isso é possível num seriado tão louco) com Kimber Henry, personagem da Kelly Carlson. Mas não é para acostumar: em breve a Borracharia atacará novamente.

(Veja aqui a matéria com Kelly Carlson na TV Limão)

É isso. Sem querer puxar o saco (e já puxando), mais uma vez obrigado pela presença. Esse blog é de vocês.

Bjs, F

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kcarlson

Não quero deixar ninguém com inveja, mas tomei um excelente café da manhã hoje e fiquei extremamente bem-humorado. É que tive o prazer de passar a manhã no WTC Hotel com a atriz Kelly Carlson, da série ‘Nip/Tuck’, da Fox.

Eu não estava sozinho, é verdade. Alguns jornalistas estiveram lá e também puderam conversar com a bela atriz americana de 32 anos. Mas isso não chegou a estragar: gostei de ver de perto que a Kelly (olha a intimidade) é super simpática (felizmente), bastante inteligente (felizmente) e menos atirada do que Kimber Henry, sua personagem na série (infelizmente).

Kelly está no Brasil para divulgar a 5ª temporada de ‘Nip/Tuck’, uma série tão polêmica que até me espanta o fato de ela ter chegado à 5ª temporada. É uma série politicamente incorretíssima, uma crítica à banalidade com que homens e mulheres encaram atualmente as cirurgias plásticas.

A grande novidade da temporada que começa dia 23, às 22h, é que os dois personagens principais, os médicos Sean (Dylan Walsh) e Christian (Julian McMahon), decidem fechar sua clínica em Miami e abrir uma outra em Los Angeles. A série, portanto, se muda para Hollywood – com tudo que isso representa em termos culturais e ‘roteirísticos’. Los Angeles consegue ser ainda mais fútil que Miami, o que deve render histórias ainda mais bizarras, principalmente com aquelas celebridades decadentes e viciadas em plásticas. Depois do café da manhã de hoje, tenho uma razão a mais para não perder um capítulo. E isso não é apenas para não perder Kelly de biquíni em Malibu.

Para quem não conhece ‘Nip/Tuck’, a personagem de Kelly frequentemente aparece em cenas sensuais. “Eu não tenho nenhum problema com a minha sexualidade”, disse a atriz. Eu quase levantei a mão e disse: ‘eu acho que você está certíssima em não ter’, mas fiquei com medo de ser expulso pelo assessor. Ela disse então que sempre quis namorar com alguém que não fosse ator, e eu quase peguei o microfone para dizer que nunca havia pisado num palco de teatro, a não ser para tocar guitarra.

Pelo pouco tempo que passei com ela, pude perceber que Kelly é uma típica americana de Minnesota. Ela namora um ex-jogador de hockey, o canadense Tie Domi. Para quem não sabe, o hockey é um dos esportes mais violentos do mundo. E Tie, em sua longa carreira de 17 anos, era um dos jogadores mais violentos da liga. “Ele bateu o recorde de penalidades”, me contou Kelly, visivelmente orgulhosa.

Alguém sabe se existe em São Paulo uma academia onde eu posso aprender a jogar hockey?

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natalievendetta

Diz o ditado popular que a vingança ‘é um prato que se come frio’. Por outro lado, há um sentimento parecido, mas que se come quente, bem quente: a vingancinha.

A vingancinha, para quem ainda não reconheceu, é aquela pequena vingança do dia-a-dia. Se reservamos a vingança para os inimigos, guardamos carinhosamente a vingancinha para pessoas que a gente ama.

Há vários graus de vingancinha. Uma vingancinhazinha, por exemplo, às vezes pode até passar despercebida. Já uma vingancinhazona caprichada pode provocar um terremoto emocional.

É difícil controlar a vingancinha. Parece que ela cria vida própria quando a gente menos espera, quando a gente menos precisa. Ninguém está imune: nem as pessoas com enorme coração. Linda e falsamente ingênua, a estrela do filme ‘V de Vingança’, Natalie Portman (acima), também seria perfeita para interpretar o papel principal no filme ‘V de Vingancinha’.

Vingancinhas são pequenas ações deliberadamente maldosas provocadas por ações supostamente maldosas. Se ela implicou com você no café da manhã, é provável que você ‘esqueça’ de passar no supermercado antes de ir para casa. Agora, se você passou o domingo vendo futebol, as chances de encontrar sua camisa favorita na segunda-feira tornam-se, digamos, remotas.

Há milhões de exemplos, todos sem conseqüências graves. São leves beliscões psicológicos que não chegam a doer, mas também não passam despercebidos. De tanto ser beliscada, a alma vai se acostumando.

Minha opinião é que isso nunca vai mudar. Quando se sente prejudicado, o ser humano busca alguma compensação para equilibrar o jogo. Só acho que há um risco real nesse comportamento: a possibilidade de que uma vingancinha inofensiva desencadeie uma série de vingancinhas ofensivas. E aí o bicho pega.

Lembre-se disso antes da sua próxima vingancinha. Vamos lá, não é tão difícil. É só pensar duas vezes antes de agir. Por tudo que vocês já passaram e superaram juntos, por todas as coisas que ainda viverão juntos. Não jogue tudo para o alto por causa de uma vingancinha. Ela pode ser a gota que falta num copo prestes a transbordar. Como a vingancinha é um prato que se come muito quente, há sempre o risco de você queimar a língua.

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Quem está acostumado a passar por aqui já sabe o que é ‘papo de boteco’. Quem não está… bem, pode imaginar. Aí vai o último, com a participação de quatro caras e uns 20 e poucos chopes, mais ou menos (depois disso eu parei de contar). Antes que me critiquem, sim, eu estava de carona. Foi um papo rápido, mas acho importantíssimo deixar temas tão importantes registrados. Vamos lá:

1. Um cara da mesa começou a falar sobre uma garota que ele havia conhecido. Disse que ela era linda, gente fina, etc., mas que tinha um pequeno defeito: morava muito longe. Eu perguntei: ‘onde?’ E ele respondeu: ‘É na Zona Leste. Mas é tão longe que dá pra dizer que é na ‘Zona Lost’. Todos riram.

2. Outro cara que estava na mesa é um desses caras com mania de dar nota para tudo. A ‘balada tal é nota 8,5′; a ‘frequência do restaurante X é 8 na hora do almoço, mas 4,5 na hora do jantar’, e por aí vai. Ele tem um jeito muito especial de classificar as garotas com quem sai: faz uma média entre a beleza do rosto e do corpo. Se o corpo for nota 10 e o rosto for nota zero, a garota fica com ‘média 5′ e ‘não passa’. Para ele, a média mínima é 7, mesma média do colégio onde estudou. A mesa ficou dividida: um achou a técnica interessante, outro discordou, e o que sobrou disse que, para ele ficar com uma garota, o mínimo que ela tem que ter são os dentes. Todos concordaram, mas acharam que era um requisito ‘meio baixo’, ou seja, ter os dentes era meio ‘pouco’. O cara viciado em notas ressaltou então que as notas das garotas mudam de acordo com o local e o horário: ‘tal garota é nota 7 à noite numa cidade, mas a nota cairia para 3,5 na praia’, etc. Todos também concordaram.

3. Se um cara começa a falar ‘eu tô legal, eu tô legal’ é porque está bêbado. (Esse não foi um dos papos, foi uma constatação)

4. Tenho um amigo que inventa gírias geniais. Entre elas estão as seguintes expressões/traduções:
Aquela garota tem ‘caixa colocada’: ela tem silicone nos seios
O cara ali é ‘balsa’: Bissexual (atraca dos dois lados)

5. Uma metáfora totalmente machista levantada, claro, por um solteiro da mesa: estar solteiro é como ter um baralho de cartas na mão. Só que, no caso, as cartas são femininas. Às vezes você embaralha um pouco e escolhe uma carta para jogar; às vezes você é obrigado a descartá-la. E, em outras ocasiões, você é obrigado a aceitar o que tem na mão, mesmo não sendo o jogo ideal. Os outros três caras (inclusive eu, claro) acharam a comparação ridícula.

6. Outra pérola do solteiro convicto da mesa. Reclamando que os outros queriam ir embora do bar, ele encheu os pulmões e afirmou, com ar filosófico: ‘Eu vou ficar mais. Um cara solteiro não se rende tão cedo.’ Gênio.

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katebosworth2

Outro dia no elevador encontrei uma mulher que não via há um bom tempo e notei que ela estava diferente. Pouco depois descobri o que era: ela havia feito luzes, tingido o cabelo… nem sei qual é o termo técnico correto. O que sei é que ela era morena e estava loira. Mas também notei que não era só seu cabelo que estava diferente. Ela estava mais produzida, mais bem-vestida, mais confiante.

Apesar da minha cara-de-pau, não disse isso a ela. Fiquei só imaginando o que a teria levado a uma mudança tão radical no visual, mas cheguei a uma simples conclusão: provavelmente, nada. Ninguém precisa de uma grande razão para dar uma repaginada no visual.

(A não ser que você seja uma estrela do cinema como Kate Bosworth: olha como ela está hoje na foto acima (Steve Marcus/Reuters) e veja como ela estava alguns meses atrás (abaixo), para interpretar Lois Lane no filme ‘Superman, o Retorno’. Detalhe: igualmente super-linda nas duas versões.)

Sabe quando você olha no espelho e se sente meio enjoado daquela cara? Pois é. Isso acontece direto comigo, e talvez tenha acontecido com ela. Vou mais longe: isso acontece com todo mundo em algum momento.

Não defendo que todas as mulheres pintem o cabelo, nem pretendo virar loiro pois não quero assustar ninguém. Mas acho que a mulher do elevador está certíssima: há momentos em que a gente deve se transformar.

Mudar é bom, nem que seja para voltar ao que era antes logo depois. A correria do dia-a-dia às vezes nem permite que a gente pense nisso; temos sempre coisas mais importantes para fazer. Essas coisas têm, claro, sua importância, mas não é justo que elas nos controlem. Acredite: separar um tempinho para cuidar do visual é um dos seus direitos humanos.

Pense nisso na próxima vez que você olhar no espelho. Sabe aquela cor de cabelo que você sempre sonhou ter mas nunca teve coragem? Marque um cabeleireiro essa semana. E esses malditos óculos, você ainda não se livrou? Consulte um oftalmologista, talvez você possa fazer uma operação.

Sei lá, não te conheço e não sei o que você sente quando se olha no espelho. Mas se estiver enjoado de algo, mude. Tente. Experimente. O máximo que vai acontecer é você odiar. E voltar ao velho estilo no dia seguinte. Não deixe o dia-a-dia engolir sua auto-estima. Sem exageros narcisistas ou egocêntricos, seu espelho deveria ser o seu melhor amigo. Ouça o que ele tem a dizer.

katebosworth

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