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Felipe Machado

31.janeiro.2008 18:01:04

Mais um post de Carnaval

Fui criticado pelo post anterior porque ele já havia sido publicado anteriormente. Então agora há duas vezes mais razões para me criticar: aqui vai mais um texto publicado previamente, este um pouquinho mais antigo: saiu no Jornal da Tarde em 26 de fevereiro de 2001, um dia depois que eu desfilei pela Gaviões da Fiel.

(Só vou publicar aqui o texto INÉDITO de Carnaval no domingo ou na segunda-feira, já que acabo de saber que terei que cobrir o Carnaval diretamente do Sambódromo do Anhembi. Eu e minha boca grande: por que eu fui falar que não gostava de Carnaval? Agora eu vou ter que ficar no Sambódromo durante horas e horas… me dei mal.)

O dia seguinte

Acompanhei de perto o desfile da escola de samba Gaviões da Fiel na noite
de ontem. De perto, não: de dentro. Para ser mais específico, na ala dos convidados. Foi meu primeiro desfile e, finalmente, consegui entender porque o Carnaval desperta tanta paixão nos brasileiros.

Tudo começa na concentração, local reservado para a preparação e últimos
retoques da escola. Enquanto eu conversava com alguns ‘manos’ sobre a ‘boa’ fase do Corinthians (Nota do blogueiro: Não me lembro direito, mas pelo jeito o Corinthians estava mal na época … mas pelo menos estava na primeira divisão), garotas se maquiavam, aplicando brilhos pelo corpo. Sempre protegidas, claro, por um bando de homens que não se preocupavam em esconder a empolgação.

Aos poucos, a massa humana foi se formando, ao lado de carros gigantescos e adereços de gosto duvidoso. Tudo muito dourado, muito brilhante, muito… cafona. Mas esse exagero é motivo de orgulho para os integrantes e reverenciado pelo público. “É para ofuscar as outras escolas”, disse um
carnavalesco.

Pouco antes do desfile, também pude elucidar uma dúvida que sempre me
perseguiu: como aquelas pessoas, com fantasias pesadíssimas e
desconfortáveis, conseguiam subir nos carros alegóricos? A resposta é, de
certa forma, óbvia: em um guindaste, auxiliadas por um bombeiro.

É muito fácil decorar o samba-enredo. É só prestar atenção na primeira das milhares de vezes que ele toca. Se alguém se esquece de alguma parte da letra, é só balbuciar ‘…bateria’ ou ‘…riquezas’ que ninguém percebe. Afinal, todos os sambas-enredo do mundo são exatamente iguais. E é assim que o povo gosta.

O desfile em si é muito divertido. A troca de energia entre o público e a
escola é autêntica: a multidão reage como torcedores quando o time marca um gol. E a Gaviões, especialmente, é isso mesmo. Uma grande torcida que, pelo menos um dia do ano, esquece da outra paixão.

Fiquei impressionado como o tempo passa rápido na avenida. Você dança pra
cá, samba prá lá (mesmo sem saber sambar) e, quando começa a ficar gostoso, acaba. Acho que o sentimento de ‘querer mais’ é o que vicia.
Mas tudo bem. O ano passa rápido.

(O texto dá a impressão que eu voltaria a desfilar no ano seguinte, o que não aconteceu. Quem sabe no ano que vem.)

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Carnaval

(Esse texto foi publicado no Jornal da Tarde na véspera do Carnaval 2007. Mas como Carnaval é tudo igual… por que texto sobre Carnaval não pode ser tudo igual? Por acaso alguma coisa mudou do Carnaval do ano passado para este? Espero que quem goste de Carnaval não se ofenda, e quem não gosta… se identifique.)

Bjs,

F.

Não entendo como alguém pode gostar de Carnaval. Adoro a parte das mulheres seminuas, mas acho que um País que pára quatro dias (ou quatro semanas, em alguns Estados) para o povo dançar nas ruas não pode ser levado a sério.

Pôxa, mas o cara vai ser ranzinza bem na véspera de Carnaval? Vou. Até porque semana que vem os foliões de verdade não vão abrir o jornal nem para fazer chapéu de pirata – alguém ainda usa fantasia de pirata? Aliás, alguém ainda usa alguma fantasia?

Não quero ser do contra, mas tem coisa mais chata que samba-enredo? São todos intermináveis e exatamente iguais. O som dos tambores pode até ser exótico para um gringo que gosta de ópera, mas as letras são insuportáveis até para quem não fala português. São sempre os mesmos ‘orixás’ rimando com os mesmos ‘patuás’ e a ‘mãe-natureza’… é sempre aquela mesma ‘beleza’ (opa, estou pegando o jeito).

Para falar a verdade tem, sim, coisa mais chata que desfile de escola de samba: a cobertura da TV dos desfiles das escolas de samba. “Olha aí! A Portela entrou na avenida”, começa o locutor. “Opa! A Portela segue na avenida”, continua, meia hora depois. E a cobertura dos bailes gay? São su-per-a-ni-ma-das.

Minha única frustração é nunca ter passado o Carnaval em Salvador. O evento tem números impressionantes: você paga R$ 1.000 por uma camiseta para ficar espremido entre 2 milhões de pessoas e zero banheiro por perto. E o mais incrível é que você ainda bebe 259 cervejas e beija 454 garotas.

Daí vem aquele papo: ‘Carnaval movimenta a economia’. Ô. Movimenta as contas de muitos empresários… principalmente daquele ramo conhecido no exterior como ‘turismo sexual’. E, aqui, conhecido como… deixa pra lá.

Só gostei de Carnaval uma vez, quando desfilei pela Gaviões da Fiel em 2001 (ver post acima). O melhor foi o aquecimento: bebi cerveja com os corintianos e vi a mulherada aplicando um brilho aqui e outro ‘ali’. Mas bebi tanto que só me lembro de ter caminhado três minutos com os dedinhos para cima numa rua super iluminada.

Apesar de tudo, bom Carnaval. Pelo menos é feriado.

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Sexta-feira, aniversário de São Paulo. Nada mais paulistano para comemorar a data do que tomar um chopp na Vila Madalena.

E foi o que eu fiz: eu e um amigo sentamos para tomar uma cerveja no Quitandinha, como é de costume. E, conforme o nosso acordo (meu e seu), aqui está um resumo da (in)útil conversa que tivemos no final de tarde em que a minha querida cidade completou 454 primaveras.

1. Como eu, meu amigo também tem um filho pequeno em casa. Ele me contou que uma madrugada levantou-se para escovar os dentes, porque estava com gosto de cabo de guarda-chuva na boca. Como estava escuro lá fora e ele estava com muito sono, escovou os dentes com… Hipoglós. Daí eu contei que minha mulher tem mania de dar banho no cachorro na minha banheira; um dia ela esqueceu o ‘equipamento’ lá e eu lavei o cabelo com o xampu do Nick, meu yorkshire. Meu cabelo ficou brilhante… e sem pulgas.

2. Quase todos os meus amigos concordam comigo em uma coisa: axé music é um dos estilos musicais mais insuportáveis que o ser humano já criou, principalmente para quem gosta de rock. Meu amigo sofreu ainda mais do que eu, pois teve o ‘prazer’ de trabalhar no Festival de Verão de Salvador. Chegamos à conclusão que axé, na Bahia, é uma estratégia de lavagem cerebral feita pela turma ex-ACM e cia. para controlar a população. Quem ainda aguenta, por exemplo, a Ivete Sangalo? E o Chiclete com Banana? E a Claudia Leitte? (Só se for com a TV sem som, claro) E qualquer outro grupo de axé gritando ‘tira o pezinho do chão’? Socorro. Discutimos o que seria pior, passar a eternidade no inferno ou passar o carnaval em Salvador. Não chegamos a uma conclusão. Mas só de pensar em ouvir todas as músicas do planeta em versão axé, você pode adivinhar qual seria essa resposta.

3. Falamos de muitos amigos, como sempre. Mal, também como sempre. Lembramos, em especial, de um cara que está tão velho, mas tão velho, que já era velho quando a gente era criança. Achei essa idéia engraçada, por isso acabei anotando no guardanapo. Agora vejo que ela não tem a menor graça.

4. Um amigo nosso deu uma receita incrível: milk-shake de whisky. A receita é a seguinte: quatro colheres grandes de sorvete de creme; um copo de Red Label ou similar; coloque tudo no liquidificador e bata bem. Sirva à vontade… mas não tão à vontade assim. Parece que o negócio derruba até defunto.

5. Como a gente estava numa mesa perto da rua, podia ver quem passava na calçada. Uma hora, passou por ali um cara tão ruivo, mas tão ruivo, que se ele andasse de moto à noite não precisaria de capacete.

6. Lembra do seriado ‘O Sistema’, criação da Fernanda Young/Alexandre Machado e estrelada pelo Selton Mello? Pois é: era para ser uma série muito louca que daria certo, mas acabou sendo uma série muito louca… que deu errado. Falamos também do Selton Mello, um cara único: consegue atuar em um monte de filmes diferentes, e sempre fazendo o mesmo papel. Incrível.

7. Ficamos horas tentando descobrir como a banda Cansei de Ser Sexy (CSS) conseguiu ficar famosa no exterior. Não chegamos a nenhuma resposta, mas acho que a culpa não foi nossa: acho que não existe nenhuma resposta para isso.

Mais um happy hour… happy.

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Keira

Acho que alguém em Hollywood anda lendo meus pensamentos: após ‘O Amor nos Tempos do Cólera’, mais um dos meus livros favoritos ganhou versão para o cinema. ‘Reparação’, de Ian McEwan, chega às telas por aqui com o nome de ‘Desejo e Reparação’ – o desejo do título, aliás, é totalmente desnecessário… mas deixa pra lá.

É uma história sutil, mas de tirar o fôlego. McEwan escreve tramas que mudam de uma hora para outra, alteradas pelas pequenas peças que o destino prega em todos nós. E é isso que o livro/filme tem de melhor: a certeza de que nunca estamos a salvo de nós mesmos.

Não se preocupe, não vou contar a história aqui (embora meus dedos estejam tremendo no teclado, loucos para fazer isso). Vou dizer apenas que a história começa com Briony, uma garotinha vaidosa e inteligente de 13 anos que num momento de fraqueza comete um ato de injustiça que traz conseqüências para muitas vidas. Inclusive na vida de Cecilia, personagem de Keira Knightley (foto).

A história é mais do que isso, mas tudo bem. McEwan gosta de nos deixar incomodados, imaginando o que a vida poderia ter sido e não foi. O que poderíamos ter feito e não fizemos. Dizem que é sempre melhor se arrepender de algo que se fez do que de algo que não se fez. McEwan esfrega essa idéia no rosto da humanidade, expondo nosso medo mais íntimo: o de que podemos não ter nos tornado as pessoas que sonhávamos ser. Quantas vezes você já se arrependeu de não ter dito algo? E o contrário? Quantas vezes você já se arrependeu de ter falado demais? A vida é cruel: temos que tomar uma decisão e viver com ela.

Invariavelmente, cada caminho leva apenas a um lugar. E esse lugar precisa ser escolhido antes de pegar a estrada, o que dá aquela sensação de sentar num trampolim e balançar os pés no vazio.

‘Arrependimento’ é mais do que uma palavra. É uma memória que queima a alma, de forma recorrente. É incrível como não nos acostumamos com isso, uma vez que tomamos dezenas de decisões todo dia, toda hora. Na literatura é possível reparar nossos erros, mas na vida real é mais difícil. Aqui, fora das páginas, o tempo corre sempre numa direção só: para frente. E isso é o máximo que podemos fazer: olhar para trás, aprender com os erros… e continuar vivendo.

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Tamboritau

Sempre gostei de percussão. Acho divertido descobrir o som que uma coisa tem quando a gente bate nela. Adoro batucar em qualquer coisa, do volante do carro ao travesseiro, antes de dormir. Não faço isso compulsivamente, claro, porque senão minha mulher teria que me internar.

Faz tempo que não vejo um percussionista tão apaixonado pelo que faz como Dalua, líder de uma banda nova chamada Tamboritau e músico que já tocou com nomes como Lenine, Ana Carolina e Maria Rita. Na última quinta-feira, vi a apresentação do Tamboritau no Espaço Cultural Juca Chaves, um teatro localizado num lugar super inusitado: dentro do supermercado Extra, no Itaim. Ué, não tem teatro em shopping? Então por que não num supermercado? Só em São Paulo, mesmo.

O Tamboritau toca um repertório de clássicos da MPB como ‘Parabolicamará’ e ‘Todo Dia era Dia de Índio’, mas com uma superdose de percussão. Dalua e sua turma ficam batendo e tirando sons de vários objetos espalhados pelo palco, é bem interessante do ponto de vista musical e visual. A banda tem guitarra, cavaquinho, baixo e trombone; não tem uma bateria tradicional, apenas tambores e instrumentos de percussão. Meio Chico Science, sabe? Legal.

(Pausa para batucar um pouco na mesa)

Acho que vou pedir uns objetos emprestados para o Dalua. Assim eu não estrago nada por aqui.

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Daniel e Olga

Para mim, o anúncio de um novo filme do James Bond é como um lançamento de um disco do Metallica: não sossego enquanto não devorá-lo.

Foi isso o que aconteceu ontem: em uma coletiva de imprensa nos Pinewood Studios, em Buckinghamshire, Inglaterra (foto de Kirsty Wigglesworth/AP), os atores se reuniram para apresentar o 22º filme da série, ‘Quantum of Solace’.

(O filme ainda sem nome por aqui, mas a tradução do título seria algo como ‘Uma Partícula de Consolo’, ou algo como… ‘Consolo Atômico’, se depender dos excelentes tradutores brasileiros.)

Esse será o segundo filme do Daniel Craig como 007, como todo mundo sabe. O primeiro foi ‘Cassino Royale’, um filme legal mas que gostei bem mais quando vi no cinema do que nas milhares de reprises na TV a cabo. Claro que a minha opinião interessa pouco: O último filme do agente secreto britânico criado por Ian Flemming bateu todos os recordes de bilheteria da série até hoje.

Mas ainda me lembro de Pierce Brosnan… ele era um Bond com mais classe, com mais cara de James Bond. Brosnan era tão bom como 007 que desconfiei quando anunciaram Daniel Craig para o cargo. O que leva um cara a não querer fazer mais o melhor papel da história do cinema? No final, apoiei Daniel Craig para o cargo de James Bond. 007 é como papa: eu aceito, não importa quem seja.

Em relação às Bond Girls, acontece a mesma coisa: eu aceito, não importa quem seja. Apesar da nossa torcida pelas brasileiras Cleo Pires, Guilhermina Guinle, Rita Guedes e Juliana Paes, a escolhida para ‘Quantum’ foi a maravilhosa atriz ucraniana Olga Kurylenko.

(Nunca vi nenhum papel dela, mas pela foto tenho certeza que é uma excelente atriz. Todas as brasileiras citadas também são, claro, dignas de Oscar. Não sei como Fernanda Montenegro não foi cogitada.)

Vamos esperar pelo lançamento para devorar a ‘Partícula de Consolo’, ou melhor, o ‘Átomo do…’ deixa pra lá. Quando sair o nome oficial do filme eu volto aqui para falar mal.

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Angelina

Mais um post da série ‘puxa, até que morar em São Paulo às vezes não é tão ruim’. É que será inaugurada amanhã a exposição ‘Heaven to Hell: Belezas e Desastre’, do genial fotógrafo David Lachapelle. A mostra acontece no Mube (Av. Europa, 218, Jardim Europa) e vai até o dia 5 de fevereiro.

Acho que o Lachapelle é uma espécie de Salvador Dali da fotografia moderna. Suas fotos trazem sempre cenas inusitadas e impossíveis, onde um monte de detalhes acontecem simultaneamente da maneira mais imprevisível possível. Já imaginou o roqueiro Marilyn Manson vestido de motorista de ônibus escolar cercado de crianças? E Leonardo DiCaprio, jovenzinho, deitado sobre umas frutas e segurando umas bananas na mão? Pois é, todos eles aceitam ser clicados por Lachapelle porque sabem que ele é um grande artista e vai sempre produzir uma imagem inesquecível (é só olhar a foto de Angelina Jolie acima).

Apesar de famoso, Lachapelle é um cara bastante misterioso. Eu, por exemplo, nunca vi uma foto dele. Bom, eu também nunca procurei. A única informação que tenho sobre sua vida pessoal é que ele namora a Courtney Love, viúva do Kurt Cobain (Nirvana). Mas vamos falar a verdade: sua obra é tão interessante que nem faço questão de saber quem está atrás da câmera. Se uma imagem vale por mil palavras, no caso de David Lachapelle dá para multiplicar isso por… mais mil.

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22.janeiro.2008 16:47:15

The Radiohead Ritual

Chega de moda, né?

Nem tudo precisa ser tão lógico na vida. Algumas coisas podem ser cabeças, outras podem ser… sem pé nem cabeça. Esta aqui é sem pé nem cabeça. E também não é para meus amigos fãs de rock pesado.

Todo mundo falou sobre o disco que o Radiohead lançou primeiro na internet, uma brilhante jogada de marketing, etc., mas pouca gente falou do disco em si. ‘In Rainbows’ é realmente muito bom, o melhor da banda desde ‘Ok Computer’. Minha preferida é a canção ‘Nude’, uma balada estranhíssima e linda que só poderia ter sido criada pelo cérebro doentio e genial de Thom Yorke.

Não sei se já disse aqui, mas também gosto bastante da banda The Smiths. Não tem nada a ver com rock pesado, mas acho que eles têm uma sonoridade igualmente única, provavelmente fruto do talento e originalidade dos arranjos do guitarrista Johnny Marr e das letras perturbadas e melodias vocais melancólicas do Morrissey.

Bom, mas e daí? E daí que eu queria uma desculpa para juntar as duas bandas em um post só. E consegui: abaixo, o vídeo do Radiohead tocando ‘The Headmaster Ritual’, dos Smiths, uma dica do meu amigo Luiz Américo. Por que eu queria juntar as duas bandas num post? Sei lá: nem tudo na vida precisa seguir uma lógica tão… lógica.

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Depois de acompanhar mais uma vez a São Paulo Fashion Week, cheguei a uma humilde conclusão: eu entendo de moda.

Pare de dar risada, estou falando sério. Essa revelação me veio após um dos vários desfiles que acompanhei ao lado de uma especialista no assunto. Acredite: eu fiz um comentário e ela concordou. Para mim, isso já basta.

Há, no entanto, uma outra prova muito mais importante: eu sei escrever o nome do estilista Alexandre Herchcovitch corretamente, sem consultar o Google ou algum site de moda. Quer saber se sua amiga é fashion? Peça para ela soletrar o nome dele.

Durante a SPFW, gosto de andar pelos corredores da Bienal do Ibirapuera prestando atenção nos tipos esquisitões do mundo da moda (também dou uma olhadinha de leve nas modelos, afinal ninguém é de ferro, mas isso não vem ao caso). Sabe o que eu descobri? Que o mundo da moda é 100% atitude.
Estar na moda não tem nada a ver com a beleza ou a elegância – ao contrário do que muita gente pensa. Basta se vestir com convicção dentro do seu estilo, não importa o tecido da sua blusa ou o comprimento do seu vestido.

Vamos pegar a Glória Kalil, por exemplo, uma pessoa que todo mundo acha chique. Eu a vi no desfile do Fause Haten vestindo uma espécie de capa de chuva branca, coberta do pescoço aos pés. Eu achei estranho, mas tenho certeza de que todo mundo vai dizer que ela estava elegante. Agora imagine se eu sair por aí vestido com uma capa de chuva branca… Vão pensar que sou um enfermeiro preparado para enfrentar uma enchente.

E a Vivienne Westwood, então? Fui à exposição dos sapatos criados pela inventora do punk e quase saí correndo de medo. Aquilo não são sapatos, são armas brancas. Quem usa um sapato daqueles nem consegue entrar num avião nos EUA sob suspeita de terrorismo. Lembra das botas do Kiss, que diziam que eles usavam para matar pintinhos? É por aí.

Na próxima vez que abrir seu guarda-roupa, pense nisso. Eu, por exemplo, sempre pergunto à minha camiseta branca e ao meu velho jeans: ‘vocês têm atitude?’ Eles sempre respondem que sim.

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18.janeiro.2008 11:20:31

Ô, vida dura

Forum

A minha vida na São Paulo Fashion Week está um inferno: passo o dia vendo mulheres maravilhosas andando de um lado para o outro. E depois converso sobre o que eu vi na Rádio Eldorado (às 19h30), com minha amiga Alessandra. Na próxima vez, vou pedir para o Paulo Borges fazer uma edição especial da SPFW com uns seis meses de duração.

Bom, já vi muita coisa legal, mas muita coisa engraçada também – como é típico, aliás, desse mundo da moda. Tem cada figura…

Um balanço rápido do que aconteceu até ontem à noite:

1. A Forum fez um desfile na casa do próprio dono da marca, o Tufi Duek. Eu acho que ele fez isso para se exibir. Do tipo assim, ‘tenho uma mansão, não preciso desfilar minha marca naquela pobreza da Bienal do Ibirapuera’. Ele só se deu mal em um quesito: estava tão calor que o público quase fritou debaixo da cobertura de plástico. Outra coisa que não entendi: ele embrulhou uma modelo com plástico como se fosse um presente de Natal, com laço e tudo (foto de Alex Silva/AE). Ainda bem que não choveu: imagina a moça sendo levada pela água… iam achar que era uma água-viva gigante.

2. No desfile do Fause Haten, eu via Glória Kalil vestida com uma espécie de capa de chuva branca, dos pés à cabeça. Não sei se ela estava se preparando para a chuva ou para socorrer alguém (tipo enfermeira para ajudar os ‘fora de moda’). No mesmo desfile, vi um batalhão de paparazz se amontoando para fotografar alguém. Achei que era, sei lá, a Paris Hilton, mas depois vi que era apenas… a Mary Rita. Não sabia que a Maria Rita era tão famosa assim. Em terra de cego, basta um disco para virar rainha. Outra coisa: eu quase não reconheci o Fause Haten quando ele entrou na passarela no final do desfile. Achei que era outra pessoa. Afinal, ele aparou a sobrancelha e ficou bem diferente.

3. A Cori teve as roupas mais ‘usáveis’ que já vi até agora nessa SPFW. Também foi o desfile com o maior número de mulheres bonitas até a Animale, ontem. Para saber se um desfile é bom (desfile bom = mulheres bonitas), inventei o ‘Índice de Segurança’. É assim: quanto maior o número de seguranças assistindo, maior o número de mulheres bonitas na passarela. Vi também várias modelos bronzeadas, todas sem marquinha de biquíni. Se alguém souber as praias que elas frequentam, me avise. E para aquela modelo que quebrou o salto durante o desfile, um recado: no lounge do Estadão tem superbonder.

4. Se você for ver a exposição de sapatos de Vivienne Westwood, a criadora do punk, cuidado: aquilo não são sapatos. São armas brancas.

5. Acho que bolsas grandes estão na moda. Mas o que será que as mulheres tanto carregam para lá e para cá? Acho que dentro das bolsas tem… outras bolsas.

6. Há uma diferença entre estilista e stylist, você sabia? O estilista faz a roupa e o stylist cuida do estilo (cabelo, maquiagem, etc). Não entendi até agora por que os stylists são tão mal vestidos. Alguns deles parecem mendigos, não sei como não são barrados na porta da Bienal.

7. As bolsas do desfile da Animale tinham rabo de cavalo. É sério: rabos de cavalos, crinas, mesmo. Imagina só a mulher falando pro marido: ‘querido, vou no cabeleireiro levar minha bolsa’. E volta depois de três horas.

Bom, lá vou eu ver mais um desfile. Quem quiser ouvir meus comentários na Rádio Eldorado, eles acontecem por volta das 19h30. Bjs, F.

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