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Felipe Machado

roth

Depois de um papo de boteco, voltamos a falar sério: se tem um cara que eu admiro na literatura contemporânea é o escritor americano Philip Roth. Ele tem pelo menos dois livros que estão entre os melhores que já li na vida: ‘Complô Contra América’ e ‘Pastoral Americana’.

Comecei a ler Roth há alguns anos, por indicação de um colega aqui do Estadão. Comecei com ‘O Complexo de Portnoy’, uma porrada no estômago, e daí fiquei tão apaixonado por seu estilo cerebral e seu texto perfeito que não parei mais. Roth é um escritor judeu que trata invariavelmente de temas judeus, mas com um olhar sobre esse modo de vida que na maioria das vezes é universal e bastante crítico; e, quando não é nenhum dos dois, ainda assim é interessante e emocionante.

Acabo de ler mais um, ‘Adeus, Columbus’. É o primeiro livro de Roth, mas nem por isso o texto parece o de um estreante. ‘Adeus, Columbus’ traz seis contos incrivelmente geniais, fiquei morrendo de inveja (no bom sentido) de ver que o livro de estréia de alguém pode ser algo inacreditavelmente maduro. Enfim, acaba de sair uma versão de bolso do livro (foi o que eu li) publicado pela Cia. das Letras, uma boa opção para os dias de descanso no fim de ano.

Não tenho mais o que dizer: ao lado de Ian McEwan e José Saramago, Philip Roth é o maior escritor vivo – na minha sempre modestíssima opinião.

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27.novembro.2007 14:35:06

Bate-papo no boteco

Entre as seções que apresento por aqui, há pelo menos uma que não tenho dado a atenção necessária: ‘Filosofia de Boteco’.

Tenho feito isso, principalmente, porque filosofia de boteco é sempre uma besteira. Mas, como a experiência descrita é intrinsicamente relacionada à vida masculina, inauguro aqui uma variação sobre o tema: sai a filosofia de boteco, entra o ‘bate-papo de boteco’. Ou seja: reproduzo aqui idéias trocadas com amigos meus em meio a alguns chopes. Se alguém gostar, eu continuo publicando isso de vez em quando.

O papo a seguir, dividido em itens, aconteceu no bar Filial, na Vila Madalena, no fim de semana passado. Vou manter o nome do amigo que estava comigo em sigilo para proteger a reputação – dele, claro. Já aviso de antemão: dois amigos de infância num bate-papo de bar só falam besteira.

1. Estávamos na mesa tomando chope quando, de repente, o garçom nos surpreende:

“Alguma coisa para beliscar?”

Nem precisei pensar muito para responder:

“A bunda da Juliana Paes, pode ser?”

2. Nunca na história deste país um governo esqueceu um plano tão rápido quanto aconteceu com o PAC. Por isso, o presidente Lula pretende lançar um novo projeto: o ‘Concordância Zero’. Inspirado naquele programa que acabou com a violência em Nova York (o Tolerância Zero), Lula vai exigir que todos os brasileiros cometam os mesmos erros de português que ele.

3. Por que a Academia sueca só dá o Prêmio Nobel da Paz para quem se ferrou na vida? “Bom, o Mandela já sofreu bastante. Dá o Nobel da Paz para ele.” “Madre Teresa de Calcutá? Nossa, coitada. Dá um pra ela também.” No jargão acadêmico, o Nobel da Paz deve ser, tipo assim, um prêmio de consolação.

4. Na mesa ao lado, um casal trocou um dos chopes mais famosos de São Paulo por… dois copos de Coca-Cola. É o cúmulo do casal ‘perdedor’: o cara convida a mulher para sair e tomar um chopp, e os dois acabam tomando dois refrigerantes quentes.

5. Todo cineasta (ou cara metido a cineasta) no Brasil tem que ter uma barbinha por fazer.

6. Sabe aquele cara supermetido a gourmet, que fez vários cursos de degustação de vinho francês e tudo mais? Pois é, outro dia o encontrei na fila do restaurante por quilo.

7. Como na sociedade dos primatas, também temos o macho-alfa e a fêmea-alfa. Será que entre os homossexuais existe algo como o gay-alfa e a lésbica-alfa?

Eu disse que era tudo besteira. Você que não quis ouvir.

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kevin2

Quem se lembra de ‘Cum on Feel the Noise’, que revolucionou o mundo do rock no início dos anos 80? Pois é. A versão do Quiet Riot para o cover do Slade tinha à frente Kevin Dubrow, um vocalista de voz rasgada que era chamado de ‘Rod Stewart do Heavy Metal’. O sucesso do disco ‘Metal Health’, que tinha ‘Cum on Feel the Noise’, levou o heavy metal e os solos de guitarra às paradas americanas.

Kevin Dubrow morreu aos 52 anos. A informação foi confirmada hoje pelo baterista Frank Banali, companheiro de Kevin no Quiet Riot. Em entrevista ao site espanhol ‘The Metal Circus’, Banali afirmou: “Não tenho palavras. Por favor respeitem minha privacidade enquanto sofro pelo falecimento e memória do meu querido amigo Kevin Dubrow.”

Além de Frankie Banali, faziam parte do Quiet Riot o baixista Rudy Sarzo (que tocou com Whitesnake, Ozzy Osbourne e metade das bandas de rock dos EUA) e o guitarrista Carlos Cavazo, que substitui o mestre Randy Rhoads quando ele foi para o Ozzy Osbourne (Rhoads morreu no acidente de um pequeno avião em 1982). Abaixo, Carlos Cavazo, Kevin, Rudy Sarzo e Frankie Banali.

Segundo o repórter Michael Politaz, do jornal ‘The Vegas Eye’, Dubrow foi encontrado morto ontem em sua casa, em Las Vegas. “Ele havia acabado de celebrar seu aniversário de 52 anos em New Orleans, onde ainda viu um show do The Cult, disse o repórter e amigo do vocalista.

A causa da morte ainda não foi divulgada. O Quiet Riot, uma banda que foi do megaestrelato à decadência total, havia lançado seu último disco, ‘Rehab’, no ano passado. Quando eu conseguir mais informações, publico aqui. Enquanto isso, vale a pena guardar com carinho o clássico do Quiet Riot e a voz inesquecível de Dubrow.

kevin

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Não escondo de ninguém que uso meus amigos como fonte de inspiração para este blog. Portanto não será novidade para minha amiga identificar a autoria do comentário feito na semana passada em meio a algumas taças de vinho:

“É uma pena constatar que os melhores homens são justamente os piores.”

A frase talvez não faça sentido numa primeira leitura, mas numa segunda certamente fará. Explico: tive que traduzir o pensamento dela porque o desabafo original continha palavras que eu não ousaria publicar neste espaço familiar. Acho que minha amiga quis dizer que os caras mais interessantes são os mais imprevisíveis, os mais incontroláveis, os mais errados.

Será? Difícil dizer. Homens superbonzinhos são poços de tédio, mas cafajestes crônicos também só fazem felizes mulheres que ficariam mais elegantes se estivessem vestidas com camisas-de-força.

Você já deve ter ouvido isso por aí, e é verdade: existe mulher para tudo. Sabe quando você vê uma mulher e não entende como ela agüenta viver com aquele cara? Pois saiba que ela não só agüenta como sofrerá muito no dia em que ele, inevitavelmente, trocá-la por outra vinte anos mais nova.

Só a irracionalidade do amor explica a paixão da modelo Kate Moss pelo roqueiro Pete Doherty, por exemplo. Ela é linda, rica e bem sucedida; ele é horrível, sujo, fracassado e doidão. Nem Freud explicaria – muito menos eu, claro.

Voltando à minha amiga, acho que o desabafo dela foi uma espécie de confissão de que existe um nível de emoção que só se consegue atingir ao lado de homens ‘não-convencionais’. Mas seria o amor feito de altos e baixos melhor que o amor tranqüilo e previsível? Depende do temperamento, da idade, da formação de cada um. Mas que um cara sedutor e levemente cafajeste tem o seu lado fascinante, isso nem as mais patricinhas podem negar.

Em ‘A Man and a Woman’, uma das minhas músicas favoritas do U2, Bono canta: “You can’t be numb for love/ the only pain is to feel nothing at all” (Você não pode ficar amortecido pelo amor/ A única dor é não sentir absolutamente nada). Acho que era isso que minha amiga queria dizer. Viver um amor intensamente é melhor do que passar a vida vendo a vida passar.

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Isso não é merchandising, é um convite.

Já falei aqui sobre o meu primeiro romance, ‘Olhos Cor de Chuva’ (Escrituras Editora), lançado em 2002. Aproveito então para convidar vocês, amigas e amigos, para o lançamento do meu segundo livro, ‘O Martelo dos Deuses’. O evento será amanhã, quinta-feira (22/11), no Mercure Grand Hotel SP Ibirapuera (R. Joinville, 515, ao lado da Av. 23 de Maio – Viaduto Tutóia), a partir das 19h. Para não ficar falando sobre o meu próprio trabalho, reproduzo a seguir o release da editora.

“Cinco anos após o lançamento do elogiado romance de estréia ‘Olhos Cor de Chuva’, Felipe Machado está de volta com seu segundo livro, ‘O Martelo dos Deuses’. Em seu novo trabalho de ficção, o autor aborda um tema explosivo e extremamente atual: a origem da violência. Em uma narrativa sofisticada e linguagem literária ambiciosa, o livro conta a história de um personagem que herda os genes da agressividade do pai e canaliza essa energia para transformar o mundo em um lugar melhor. Como? Matando pessoas más.
Influenciado por obras como ‘Laranja Mecânica’, de Anthony Burgess, e thrillers clássicos como ‘Assassino em Mim’, de Jim Thompson, ‘O Martelo dos Deuses’ traz uma trama perturbadora que avança em áreas como a psicologia e o comportamento humano, sem perder a ação e as pitadas de romance. O livro tem apresentação de Carlos Mauro, Vice-Diretor do Mind, Language And Action Group (MLAG), do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, em Portugal.”

O livro traz temas um pouco mais sérios do que os que abordo neste blog, mas espero a presença de vocês mesmo assim. A gente se vê lá.

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19.novembro.2007 11:06:32

A Mulher-Corporativa

Ela não é um bicho-papão, mas também faz os homens morrerem de medo. Quem a vê de longe acredita que ela está sempre sorrindo. Mas quem está perto daqueles lábios desenhados pela MAC percebe que suas palavras são bastante duras – e quase sempre formadas apenas por expressões em inglês. No exterior, aliás, ela é conhecida como MBA Woman. Aqui, ela é a Mulher-Corporativa.

A Mulher-Corporativa é uma funcionária-mais-que-padrão que veste a camisa da empresa – até por baixo do tailleur. A Mulher-Corporativa não gosta de cores: cores são para garotas fúteis e podem ser uma distração no caminho do seu objetivo máximo: agregar valor à sua vida.

Uma das características da Mulher-Corporativa é que ela não namora: estabelece cases de relacionamento. Ela também não gosta de escrever cartinhas de amor convencionais – prefere colocar seus sentimentos mais nobres em planilhas de Excel. Quando sai na balada com as amigas, a Mulher-Corporativa não está interessada em conhecer gente nova. O que ela quer é prospectar futuros parceiros pessoais para uma intensa convivência social. E quando ela quer se livrar de alguém…

“Oi, querida. Tudo bem?”
“Tudo bem, nada. Precisamos marcar uma reunião para discutir o futuro do nosso relacionamento.”
“Por mim, tudo bem. Você quer sair para jantar?”
“Acho que isso não será necessário. Quero lhe comunicar que nosso namoro acabou. Passe lá em casa entre 10h e 18h para entregar suas chaves e pegar suas coisas pessoais com a funcionária responsável, a Zulmira.”
“Peraí, como assim?”
“Nosso relacionamento não atingiu as metas preestabelecidas. Eu tinha planejado me casar após seis meses, mas já estamos juntos há oito e você não apresentou nenhum avanço nessa área.”
“Mas… e o nosso amor?”
“Amor? Defina isso.”
“Definir amor? Sei lá, esse sentimento superforte que temos um pelo outro…”
“Desculpe, mas não costumo trabalhar com conceitos subjetivos. Passe bem.”

Se você conhece uma Mulher-Corporativa, torça para que ela não vire sua chefe. Agora, se você for casado com uma… pense bem se não é hora de pedir demissão.

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gibson

A Gibson acaba de divulgar imagem da nova ‘Gibson Robot Guitar’. É a primeira ‘guitarra-robô’ do mundo. Ela se afina sozinha e pode ter até 6 tipos de afinação alternativa com um simples mudança na chave. O site da Gibson traz exemplos de afinações não-convencionais interessantes, técnica muito utilizada por nomes como Jimmy Page (Led Zeppelin) e o blueseiro Robert Johnson.

De acordo com a Gibson, a ‘guitarra-robô’ já vinha sendo desenvolvida há 15 anos. Por que será que foi tão difícil? E será que os guitarristas ficarão obsoletos? Acho que não. Eu sempre sonhei com uma guitarra que se afinasse sozinha, acho até que demoraram para inventar uma coisa tão óbvia.

A guitarra chega às lojas americanas no dia 7 de dezembro, mas os estabelecimentos comerciais terão que ‘escolher’ seus clientes: só serão distribuídas 10 guitarras por loja. O preço ainda não foi divulgado.

Quem se interessar, clique aqui para ver o vídeo. É incrível, o cara mostra que tudo o que você tem quer fazer é tocar as seis cordas soltas: as tarrachas se mexem sozinhas até chegar à afinação perfeita. Eu quero uma!

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13.novembro.2007 19:36:21

Juliana Knust na Playboy

knust

YEEEEEESSSSSSS!

A atriz Juliana Knust assinou com a Playboy e será capa da edição de dezembro, que estará nas bancas no dia 13. A foto acima é de Priscila Prade, mas ela será clicada para a revista pelo fotógrafo Crispino.

Por acaso alguém aí gosta tanto da Juliana quanto eu? Eu acho que ela é uma das atrizes mais charmosas dessa nova geração.

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12.novembro.2007 09:57:54

Cartas na mesa

Para uma mulher, assustar um cara é fácil: é só dizer que quer ‘discutir a relação’. Agora, se assustá-lo não é o suficiente, aqui vai uma dica infalível: acrescente o complemento “a gente precisa colocar as cartas na mesa”.

“Cartas na mesa” é uma expressão que assusta a todos os homens do planeta, com exceção dos poucos sortudos que têm na mão, neste exato momento, um Royal Straight Flush (é o jogo máximo do pôquer, raríssimo). No jogo do relacionamento, quando o casal precisa colocar as cartas na mesa, pode ter certeza que ninguém sairá ganhando.

Não estou defendendo a falta de diálogo entre o casal nem a omissão a respeito do terreno onde cada um está pisando. Mas, ao jogar as cartas na mesa, a menos que você esteja blefando, pode se preparar para dizer adeus.
Cobrar um homem é uma coisa, colocá-lo contra a parede é outra. Será? Pensando bem, é tudo igual. É o paradoxo feminino: fazer o homem agir como ela quer, sem ter de dizer a ele o que fazer. É difícil? É. Ainda bem que nunca terei esse problema.

As mulheres são mais inteligentes do que os homens, mas nem sempre isso é uma vantagem. Pelo contrário. As mulheres que vencem na vida, não só no amor, mas também profissionalmente, são aquelas que conseguem conquistar seu poder sem bater de frente com o universo masculino. Se o homem desconfia que sairá perdendo, se desespera e aí a questão vira uma disputa de forças. A mulher pode ser mais inteligente, mas o homem é mais forte. E a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

Como fazer, então, para ser ouvida? Aqui vai uma dica: em vez de cartas, sirva na mesa um belo jantar. No meio da conversa, coloque em pauta a questão que te incomoda tanto – mas numa boa. Sem confronto, sem culpados. Apenas uma boa conversa. Se ele começar a ficar meio arisco, mude de assunto e sirva mais bebida.

O vinho, a comida deliciosa… tenho certeza que antes da sobremesa ele vai te ouvir e não vai nem perceber. Pronto, você conseguiu o que queria. E o que fazer com aquelas cartas que você ia colocar na mesa? Deixe-as guardadinhas no armário, mas bem lá no fundo. Um dia você esquece que elas estão lá.

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09.novembro.2007 18:43:14

Blog cabeça? Nada disso

karen

Amigos e amigas,

algumas pessoas reclamaram que este blog estava muito ‘cabeça’, então aqui vão logo duas ‘Borracharias’ seguidas para provar que homem é tudo igual mesmo.

A gata acima é Karen Junqueira, que estará na seção ‘Mulheres que Amamos’ da próxima Playboy (foto de Marcio Scavone). A atriz de Malhação tem 24 anos e disse que ficou “muito tranquila” ao posar e que não teve “nenhuma dificuldade em fazer ensaio sensual”. E precisava dizer?

Antes que as mulheres reclamem… sim, este é um daqueles posts inúteis que eu coloco de vez em quando só para colorir o ambiente.

Beijos e bom fim de semana.

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