ir para o conteúdo
 • 

Felipe Machado

30.outubro.2007 19:34:53

FIM Festival

bjork

Sei que já está meio velho, mas só para constar: fui no TIM Festival no domingo e fiquei muito decepcionado.

A organização do show foi péssima: como é possível você tratar como gado alguém que pagou R$ 200 por um ingresso? Isso dá quase US$ 100!!! Nem no exterior um show é tão caro assim, ainda mais em festival. Fora que eu perdi metade do show da Juliette Lewis porque estava na fila da cerveja. Será que é tão difícil para uma empresa dimensionar esse tipo de serviço? Fora que eu comprei a fichinha para um pedaço de pizza e tive que andar o Anhembi inteiro, porque a pizza só poderia ser retirada numa barraquinha a quilômetros de distância. Quando cheguei lá, me senti um refugiado africano diante de um comboio da ONU: era preciso lutar pela comida. Será que não valeria a pena contratar mais gente? Resultado: estou com minha fichinha até agora. Como eu faço para pegar o reembolso? É o fim.

Já que estou destilando a revolta, quero parte do dinheiro do ingresso de volta também. Não consegui ver direito a banda que eu mais queria, The Killers, porque o show começou às 4h da manhã. Será que os (des)organizadores não podiam ter um pouquinho de respeito com o público? O festival, que era para terminar às 2h30 (o que já é um absurdo em um domingo), terminou às 5h30. Se o festival fosse na Europa, as bandas seriam apedrejadas. Com razão.

E a música? Fiquei tão chateado com a roubada toda que nem curti os shows. Vi um pouco do Hot Chip (legalzinho, gosto da música ‘And I Was a Boy From School’, do disco ‘The Warning’). Vi a Björk (foto acima, Tiago Queiroz/AE) e não consigo entender por que os críticos falaram tão bem. O show foi muito chato! E olha que eu adoro a Björk; mas aquele tipo de apresentação não era para se ver ao ar livre, no meio da multidão, etc. Era um show para a gente prestar atenção nos detalhes, ouvir as texturas… Björk canta sobre uma base eletrônica e acompanhada por uma dúzia de malucos tocando sopros, acho que era a orquestra da Moldávia ou algo assim. De qualquer jeito, pulei e cantei bastante em ‘Army of Me’ e ‘Hyperballad’. Só mais uma coisa: quem será a estilista da Björk? Sempre achei que o objetivo de um figurino era deixar alguém mais bonito, mais elegante, mais sexy, mais chique, ou tudo isso junto. Com Björk, não: o objetivo dela é tentar se passar por um objeto de decoração kitsch. Björk não é apenas a-ssexuada, ela é a-lienígena. Antes que reclamem, notem que não estou dizendo que ela é feia. Ela é es-tra-nhís-si-ma. Quer imaginar uma coisa ainda mais estranha? Imagine alguém transando com ela. Deve ser muito esquisito. Na verdade, existe alguém que faz isso: o marido da Björk. Imagina ser o marido da Björk? Imagina acordar durante a noite e encontrá-la vestida de, sei lá, cisne do Nepal? Não sei o que é mais esquisito, imaginá-la vestida de cisne… ou nua. Ainda bem que existe gosto para tudo.

Daí veio a Juliette Lewis and The Licks, uma bela surpresa. O som dela não é original (parece Iggy Pop + Patti Smith) e a banda também não é tudo isso, mas o show foi muito legal porque ela não pára de agitar, correr para lá e para cá, ou seja, ela se esforça para fazer um bom show. Ela não tenta ser ‘artística’. E ela foi bem, as músicas são legais… resumindo, ela parece muito simpática e veste a camisa do rock and roll, então eu gostei do show. Fora que eu acho, sim, ela muito gata.

Daí veio o Arctic Monkeys, o melhor show da noite. Eles não se mexem muito, parecem meio nerds, mas o som compensa. É incrível que uma banda tão nova e de apenas dois discos tenha tantas canções boas. E eles são uns moleques! Os caras têm em média 20 e poucos anos. Quando eu tinha essa idade, cheguei a viajar um pouco pelo mundo com uma guitarra a tiracolo e já foi muito divertido. Imagina para eles, então, como deve estar sendo, já que aqui estamos falando de um sucesso ultra-mega-blaster-power.

Daí veio o The Killers, uma das minhas bandas favoritas. O som começou péssimo e só piorou. O baixo estourou (acho que o PA pifou) e os graves do baixo e do bumbo da bateria cobriram todos os outros instrumentos. Como era 4h da manhã, só consegui ver três músicas, e isso com os dois dedos no ouvido (para não estourar os tímpanos). Fiquei muito chateado com uma produção que marca um show à 1h e começa às 4h. Se um atraso de três horas não faz diferença na vida dos incompetentes que produziram esse festival, na minha, faz.

Desculpe a revolta, mas eu não aguento ficar quieto. Para mim, não foi TIM Festival: foi FIM Festival. A gente NÃO se vê no ano que vem.

comentários (22) | comente

  • A + A -

closer

Engraçado como alguns filmes continuam mexendo com o imaginário popular anos depois de terem saído dos cinemas. ‘Closer – Perto Demais’ é um deles.

Coincidência ou não, várias pessoas me pediram recentemente para escrever sobre ‘Closer’. O filme é ótimo e muito sensível – não só pela bela direção de Mike Nichols e pelas atuações de Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen, mas principalmente porque levanta questões incômodas e atuais de forma bem inteligente.

(Um pequeno parênteses: hoje é o aniversário de 40 anos de Julia Roberts.)

Adoro ‘Closer’ desde a primeira cena: Natalie Portman andando na rua, em câmera lenta, ao som de ‘The Blower’s Daughter’, de Damien Rice. A trilha sonora e a expressão da atriz criam uma cena tão dramática que dá vontade de chorar antes mesmo de saber sobre o que é o filme.

E sobre o que é o filme? Sobre várias coisas, mas principalmente sobre as verdades e mentiras dos relacionamentos, atitudes que costumam desafiar a lógica aristotélica que garante que uma afirmação não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Quanto se trata de amor… pode, sim.

Um antigo professor do primário costumava dizer que todas as histórias têm sempre três versões: a minha, a sua e a verdadeira. ‘Closer’ joga com isso o tempo todo.

O filme mostra uma troca de casais supersexy, mas isso não é o principal. Legal é decifrar as armadilhas de sedução cerebral que os personagens aplicam uns nos outros. Por meio de palavras afiadas como lâminas, os casais jogam ‘mind games’ (jogos da mente) enquanto pulam de cama em cama. Convenhamos: camas são sempre tabuleiros arriscados para qualquer tipo de jogo…

Numa das minhas cenas favoritas, Owen conta a Julia Roberts que transou com uma prostituta. “Só estou contando porque eu não poderia mentir para você”, diz Owen. “Por que não?”, questiona Julia, numa resposta surpreendentemente sincera. Pensando bem… e você, acha que ele fez certo? Deixa para lá. Não quero estragar o resto da sua semana.

Enquanto isso, a personagem de Natalie Portman prefere o humor: “Mentir é a coisa mais divertida que uma garota pode fazer sem tirar a roupa”, brinca em outro momento sua personagem, a stripper Alice.

Apesar de ser um filme de ficção, ‘Closer’ tem personagens bem reais. Um deles, inclusive, poderia ser você. Pense bem: olhando para trás, você não se arrepende de ter terminado aquele relacionamento que hoje te dá saudades? E aquela verdade que você contou e foi tão dolorosa para quem ouviu, teria sido melhor omitir? Além de verdades e mentiras, ‘Closer’ é um filme sobre erros, sobre escolhas erradas que se faz em um momento ou outro da vida. E sobre a diferenciação explícita entre o amor romântico, de dentro para fora, e o amor egocêntrico, de dentro para… dentro. Apesar de parecerem iguais, o filme revela como, na verdade, são dois sentimentos opostos.

Só tenho uma ressalva: cuidado para não alugar esse DVD num momento de instabilidade emocional. O Ministério da Saúde não adverte, mas ‘Closer’ pode ser prejudicial ao seu coração.

comentários (16) | comente

  • A + A -
26.outubro.2007 19:41:00

Será que é minha prima?

fernanda

A atriz Fernanda Machado é o destaque da próxima edição da revista Homem Vogue. No ensaio de Isabel Garcia, ela mostra um lado que a gente não conhecia… pelo menos eu, não (infelizmente). Na verdade, conheço Fernanda apenas por seus papéis na novela ‘Paraíso Tropical’ (ótima atuação, por sinal) e ‘Tropa de Elite’, em que ela faz o papel da universitariazinha-engajada-porém-maconheira.

Parabéns, Fernanda. Além de ótima atriz, você é linda. Só tenho uma pergunta para você. Será que somos primos? Seria uma ótima notícia encontrá-la na próxima festa de fim de ano da família. Bom fim de semana para todos os Machados espalhados por aí.

comentários (17) | comente

  • A + A -
26.outubro.2007 12:03:06

Juliette & Dave

juli

Dois discos bem legais não saem do meu carro nos últimos dias: ‘You’re Speaking my Language’, de Juliette Lewis & The Licks’, e ‘Hourglass’, de Dave Gahan.

Os dois têm características, digamos, diferentes: o disco de Juliette é de 2005 mas só agora saiu no Brasil; o de Dave acaba de sair lá fora e chega aqui no dia 1º de novembro.

Todo mundo sabe quem é Juliette, não é? Aquela atriz que fez ‘Cabo do Medo’ e ‘Assassinos por Natureza’, etc., tocou recentemente com sua banda na festa da MTV e faz show aqui em São Paulo nesse domingo, no TIM Festival. Pois bem, ‘You’re Speaking’ é o primeiro disco dela (‘Four on the Floor’, o mais recente, também já saiu aqui) e traz uma sonoridade bastante interessante. Ao contrário do disco novo (que é mais moderninho, meio raver), o som desta estréia é um rock and roll cru, com vocais rasgados e guitarras-pesadas-estilo-anos-80. Também tem uma levada dançante, que lembra o Blondie dos velhos tempos.

Como cantora, Juliette vai muito bem, obrigado. Ela não é perfeita no quesito afinação (ela não chega em algumas notas às vezes, mas e daí?), mas seu timbre de voz é rouco e bonitinho, parece uma voz que a gente já conhece – talvez por causa dos filmes. Juliette seria uma mistura atual de Debbie Harry (do Blondie) e Patti Smith. Além disso, Juliette é linda e qualquer mulher bonita fica sempre mais talentosa do que se fosse feia.

(Calma, isso é brincadeira.)

Dave Gahan é o vocalista do Depeche Mode, uma das minhas bandas favoritas. Se você assistir ao DVD do show do Depeche em Paris, tenho certeza que vai concordar comigo. ‘Hourglass’ é quase um disco do ‘Depeche’: elegante, eletrônico de bom gosto e com muita emoção. Os destaques são ‘Saw Something’, uma balada meio arrastada com solo de guitarra do John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), ‘Miracles’ (letra ótima: ‘I don’t believe in miracles and they happen everyday; I don’t believe in Jesus, but I pray anyway – Eu não acredito em milagres e eles acontecem todo dia; eu não acredito em Jesus, mas rezo mesmo assim) e a sensacional ‘Little Lie’. A letra é boa, o ritmo é legal, e Dave Gahan arrasa com sua voz grossa de rebelde infeliz e melancólico. Dá, no entanto, para sentir uma ponta de esperança na voz dele… nah, acho que é só impressão minha .

O encarte do disco é uma obra de arte à parte, bem naquele estilo ‘Anton Corbijn’ de design. Anton Corbijn, aliás, dirigiu vários clipes do Depeche Mode, inclusive ‘Enjoy the Silence’, aquele em que o Dave Gahan anda pelo mundo vestido de reizinho. Corbijn também é o diretor de ‘Control’, cinebiografia do Joy Division que está na Mostra de Cinema de São Paulo… mas isso fica para um outro post porque sou muito fã do Anton e acho que ele merece um posts só pra ele.

dave

comentários (13) | comente

  • A + A -

ismail

O que uma criança albanesa tem em comum com uma brasileira?

Tudo.

E nada, claro.

‘Uma Questão de Loucura’, do escritor albanês Ismail Kadaré, é uma espécie de romance-biografia curtinha, de apenas 72 págs. Mas é sensacional: ele recria sua infância na Albânia no momento de transição entre a pressão nazista e o partido comunista, que viria a dominar o país nos quarenta anos seguintes.

É maravilhoso porque ele aborda com sensibilidade os problemas da sua casa (o avô que não abre a boca, a convivência com os ciganos, as tias malucas) e o contexto histórico pelo qual passa seu país. Kadaré tem uma escrita fácil e delicada. Resumindo: o cara escreve muito bem, não apenas com estilo, mas com palavras bem escolhidas que desenham belos e melancólicos cenários imaginários em nossas mentes.

Ismail Kadaré nasceu em 1936 e seu livro mais famoso, pelo menos no Brasil, é ‘Abril Despedaçado’, que virou aquele filme-videoclipe dirigido pelo Walter Salles. O brasileiro transpôs a história de briga entre clãs da Albânia para o sertão nordestino, nunca entendi direito por quê. Talvez tenha sido para fazer um videoclipe de Rodrigo Santoro bronzeado e sem camisa. Waltinho poderia ter adaptado a história albanesa para as brigas de gangues paulistanas, ou poderia ter feito um filme sobre as turmas de Jiu-Jítsu cariocas, que têm muito mais a ver com sua realidade.

Mas não: Waltinho Salles, só pra variar, quis fazer um filme mostrando o sertão e a pobreza, a pobreza, a pobreza. Gláuber Rocha fazer isso nos anos 60 eu até entendo, mas por que essa obsessão pela desgraça? Por que optar sempre por finais infelizes, como em ‘Central do Brasil’ ou ‘Terra Estrangeira’? Ou glamourizar ao extremo o mito do ‘herói’ Che Guevara em ‘Diários de Motocicleta’? Será que é complexo de culpa por ser filho do dono de um banco e uma das famílias mais ricas do Brasil? Nada que um bom psicanalista albanês não cure.

comentários (22) | comente

  • A + A -
22.outubro.2007 10:52:30

Profissão: Cupido

Meus amigos reclamam que eu sou metido a bancar o Cupido. Dizem que essas coisas armadas nunca dão certo, mas eu não desisto.

Minha (suposta) vocação para Cupido surgiu há alguns anos. Para ser mais exato, nasceu exatamente no dia do meu casamento. Foi uma reação lógica ao matrimônio: já que eu não poderia mais aproveitar a vida de solteiro, passei a tentar desencalhar o maior número possível de amigos. Quanto mais casaizinhos na turma, menor a chance de um solteiro ligar no dia seguinte para me torturar com detalhes sórdidos de suas baladas.

Para quem não sabe, o deus romano Cupido é o mesmo anjinho com arco e flecha que na Grécia antiga se chamava Eros. Segundo a mitologia, Cupido era filho de Vênus e Marte e teve um tórrido caso de amor com a princesa Psique, Deusa da Alma. Peraí! Se ele era o Cupido, quem foi que ajudou a juntar ele e a Psique? E os pais dele, Vênus e Marte? Essa história está mal contada.

Reconheço que não sou o melhor Cupido do mundo, mas faço o possível. Guardo na gaveta, por exemplo, uma pasta com uma lista de amigas e amigos solteiros, por exemplo. A cada amiga que me liga chorando com aquele papinho “acabei de terminar o namoro”, saco a lista e apresento uma série de possíveis candidatos. Geralmente a amiga (ex-amiga, depois disso) desliga na minha cara, mas isso não importa. O que vale é a intenção.

Não escondo de ninguém que o meu objetivo é formar um batalhão de casaizinhos, todos marchando pelas ruas da cidade em direção a salas de teatro e restaurantes descolados. Em vez de palavras de ordem, discussões sobre cinema e música; no lugar de estratégias militares, debates acalorados sobre a influência do, sei lá, vinho chileno no futebol africano. Tudo com muita educação, porque casaizinhos são sempre muito civilizadinhos.

Algum amigo solteiro deve estar lendo esse texto e pensando: “isso é papo furado, ele nunca me apresentou ninguém!” Calma. A sua hora ainda vai chegar. Enquanto isso, trabalho discretamente. Quando você menos esperar, uma flecha atingirá seu coração. E aí é só me avisar: eu sempre guardo uma mesa a mais no restaurante.

comentários (72) | comente

  • A + A -
19.outubro.2007 12:42:40

Princesinha roqueira

pirulito

Avril Lavigne? Nada disso. Essa aí é Wanda Grandi, a Tamires de ‘Sete Pecados’. O ensaio dela para o fotógrafo Beto Roma (Paparazzo) foi inspirado na ‘princesinha roqueira’ Avril Lavigne. Que, aliás, é outra ninfeta maravilhosa.

(Sei que as mulheres vão achar este post totalmente desnecessário. Concordo plenamente. O único objetivo dele é deixar o fim de semana mais leve. Bjs, F.)

comentários (29) | comente

  • A + A -

O Senado aprovou Projeto de Lei da senadora Patrícia Saboya (PDT) que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses. O projeto ainda segue para a Câmara e a empresa para qual a mulher trabalha precisa aderir ao programa Empresa Cidadã.

Que legal, acho justíssimo. Mas e os pais? Ninguém pensa na gente? Quando minha filha nasceu, tive apenas uns míseros dias para ficar em casa curtindo o bebê…

comentários (18) | comente

  • A + A -

Dá para acreditar? Acabo de receber este release por e-mail:

“TV Câmara entrevista especialista em cachaça

O cachaçólogo Brener Marra diz no programa Sintonia da próxima segunda (19) que a bebida é tão boa quanto o vinho e o whisky. O apresentador Inimá Simões entrevista o mineiro doutor em agronomia e professor no único curso que forma cachaçólogos em nível de pós-graduação no Brasil.”

Como se vê, um assunto que tem tudo a ver com os políticos brasileiros.

comentários (3) | comente

  • A + A -
17.outubro.2007 18:01:18

Deixem os Emos em paz

Faz tempo que quero defender uma turma que tem sido agredida por todos os lados: os Emos. Emo é o apelido carinhoso do estilo musical Emotional Hardcore, ou ‘porrada sensível’. Resumindo: os Emos são barulhentos, mas têm um bom coração.

Todo mundo fala mal desses adolescentes que só se vestem de preto, usam maquiagem e ‘choram’ nas músicas. Não sou Emo (tenho idade para ser pai de algum, no máximo), mas essas críticas me incomodam. Deixem os Emos em paz! Eu já fui um adolescente de cabelo comprido e agüentei muita gozação porque era da tribo do heavy metal. Eu odiava uma canção que fazia sucesso na época, ‘Os Metaleiros Também Amam’. Hoje vejo que a letra era até divertida. Engraçado como o mundo muda quando a gente cresce.

Triste, porém, é ver que muitos que já pertenceram a alguma tribo do rock (Hippies, Darks, Punks) fazem piadinha do visual dos Emos. Deve ser saudade dos “velhos tempos”, quando também passavam a tarde inteira falando sobre suas bandas favoritas.

Fazer parte de uma tribo na adolescência é a coisa mais normal do mundo. Os Emos têm um visual meio estranho? Eu também acho. Há Emos meio exagerados? Provavelmente. Assim como há alguns fãs de samba, tecno, MPB … ou empresários, atores, dentistas, mecânicos, jornalistas. Todo mundo pertence a algum tipo de tribo. E nenhuma é melhor do que a outra. É apenas diferente.

Outra coisa que me incomoda: será que alguém que fala mal já ouviu uma banda Emo? Porque se a garotada gosta tanto, eles devem estar fazendo alguma coisa certa, não? Acho que a crítica – e eu me incluo aí – deveria saber que não adianta elogiar um disco de jazz para um garoto. Além disso, bandas Emo como Panic! At the Disco e My Chemical Romance lançaram excelentes discos. Conclusão: há bandas de Emo boas e bandas de Emo ruins. Como em todos os estilos, aliás.

Mas e se o Emo for só um modismo? Sem problemas. Ele é. E só vai voltar à moda daqui a 20 anos, quando será considerado cult ou tipo de ‘classic rock’. A música anda sempre em ciclos: os adolescentes que hoje são Emos serão os críticos de rock do futuro e certamente vão falar bem sobre o estilo. Só espero que não falem mal da nova tribo que estiver chegando.

comentários (43) | comente

  • A + A -

Arquivos

Blogs do Estadão