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Felipe Machado

28.setembro.2007 19:48:57

VMB 2007

cica

Era para eu ter escrito este post de manhã, mas algo que começa com “Res” e termina com “Saca” me impediu. De qualquer maneira, não posso deixar de registrar que ontem fui ao VMB da MTV e faz tempo que eu não vou a uma festa tão legal e com tantas mulheres bonitas. Antes que você pergunte, sim, eu fui com a minha mulher.

Para variar, o VMB foi a melhor festa do ano. Imagina só: você vê shows de Juliette Lewis & The Licks, Marilyn Manson, Lobão e vários outros nomes legais. Daí chega a hora da megafesta, com mais shows, pistas de dança, áreas VIP, um visual incrível (parabéns, Lallo) e com tudo liberado (champagne, whisky, vodka, cerveja, comida). Além disso, ainda encontra amigos e amigas que você viu há um ano (exatamente na festa passada).

Começando pela premiação, tem gente que vai dizer que eu pego no pé dela… mas a verdade é que a Daniella Cicarelli não tem a menor condição de ser a apresentadora do VMB. Ela não sabe falar, não tem a menor graça e não cria a menor empatia com o público. Ela só é realmente boa para uma coisa: embelezar o palco (ou a tela da TV). Cicarelli é muito fraca, mas muito, muito linda (foto acima de J.F.Diório/AE). Mais tarde ainda a vi na festa, depois da premiação, e descobri que ela consegue ser ainda mais bonita pessoalmente. Considerando o elenco da emissora, o melhor apresentador, na minha humilde opinião, seria o Marcos Mion ou a dupla do Rock&Gol Paulo Bonfá e Marcos Bianchi: pelo menos são mais engraçados e se viram melhor no improviso.

Como estive em todos os 13 VMBs, acho interessante ver como a MTV é uma espécie de espelho do mercado fonográfico/artístico. Alguns nomes que a emissora tenta divulgar acabam não emplacando, outros emplacam antes da emissora perceber sua força. Mas, na média, é um reflexo do que o público jovem anda ouvindo.

O que eu percebi ontem foi a clara mudança de geração por que passa a nossa música pop/rock: bandas como Titãs e Skank, campeões da premiação há poucos anos atrás, viraram ‘dinossauros’ rapidamente e não passaram nem perto dos prêmios na noite de ontem.

Falem o que quiser, mas a MTV (Music Television) conseguiu criar uma fórmula com pouquíssima ‘Music’ em sua programação e manter o sucesso e a relevância no mercado fonográfico. O resultado é uma emissora voltada para adolescentes, que fala diretamente com esse público e reflete com isso seus gostos musicais atuais: NX Zero, Pitty, Fresno e por aí vai. É uma nova geração que vem aí, e nem quero entrar no mérito do talento deles. Eles estão aí, estão fazendo sucesso, e isso é o que importa. O resto é aquele papo “no meu tempo era bem melhor…” A música anda em ciclos, e agora é a vez das bandas ‘emos’. É bom deixar claro que esse estilo faz sucesso em todo o mundo, não apenas no Brasil.

Resumindo: fazia tempo que eu não ia a uma balada tão boa. Agora é só esperar por 2008. Até lá acho que a ressaca já passou.

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28.setembro.2007 10:28:29

Idade

O homem começa a envelhecer quando as lamentações começam a tomar o lugar dos sonhos.
(John Barrymore)

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manson

Nunca fui muito fã de sua música; confesso que fui ontem ao show do Marilyn Manson no Via Funchal mais por curiosidade do que por qualquer outra razão. Queria ver de perto o ‘Anti-Cristo do rock’, como ele mesmo se define, ver se ele realmente é tão assustador quanto nos vídeos e fotos.

Bom, quanto ao quesito ‘assustador’, até admito que ele é, sim. Não é um cara de dar medo, claro, mas é um artista com uma presença meio assustadora graças ao visual vampiresco composto por maquiagem/olhos brancos de vidro/botas de plataforma/tatuagens/cabelão preto e uns terninhos estilo cabaré-do-inferno. Ele parece um filho de Joey Ramone (vocalista dos Ramones) com Gene Simmons (o linguarudo do Kiss).

O início do show foi bem impressionante, com Manson surgindo em meio a uma cortina de gelo seco e luz vermelha com uma faca na mão (foto acima de Daniel Munoz/Reuters). Deu para ver de cara que trata-se de um artista que sabe o que está fazendo, tanto pelas referências ao cinema expressionista alemão (‘Gabinete do Doutor Caligari’, etc) quanto pelas influências de Alice Cooper e Kiss. Manson coloca tudo isso num caldeirão e mistura com rock bem pesado, que às vezes soa muito rápido (e meio nu-metal) ou arrastadão (mais para o gótico/dark). Não conhecia muito o repertório, mas gostei principalmente de sua famosa versão para ‘Sweet Dreams’, do Eurythmics, e ‘The Beautiful People’, seu maior hit (que título irônico para uma canção dele…:-)

Outra prova de que ele é um cara antenado é que Manson conhece arte e até se arrisca numa carreira como pintor. Quem quiser conferir seus quadros (que seguem o estilo de ‘pinceladas sujas’ de nomes como Lucien Freud, por exemplo) pode visitar a Galeria Romero Britto (R. Oscar Freire, 562, 3062-7350). Manson abre a exposição hoje, pessoalmente, antes de se mandar para tocar na festa da MTV (Video Music Brasil).

Boa parte do show também ficou por conta da platéia. Fiquei impressionado com a quantidade de fãs no Via Funchal. Muitos deles caracterizados como o ídolo, com maquiagem, botas e roupas pretas de couro. Tudo muito interessante, só uma coisa eu odiei: o público gritando ‘Manson, Manson’ antes do início do show. O sobrenome ‘Manson’ é uma referência/homenagem do artista a Charles Manson, líder da turma de delinquentes que assassinou Sharon Tate nos anos 70. O nome completo, ‘Marilyn Manson’ (Marilyn Monroe + Charles Manson), até soa como uma ‘crítica ao sistema’, etc. Mas seis mil pessoas gritando apenas ‘Manson’, o nome de um assassino desprezível, não tem graça nenhuma. Será que os mais jovens sabem quem foi Charles Manson?

Para não terminar o texto de maneira ‘deprê’, imaginem uma cena engraçada: o Marilyn Manson fazendo compras na Daslu. Ou animando a garotada nas Noites de Terror do Playcenter. Zé do Caixão que se cuide.

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baricco

Como todo fanático por literatura, gosto de experimentar novos escritores. Gosto de tentar entender como cada um apresenta seu estilo pessoal, sua própria maneira de construir frases e palavras ligadas umas às outras, criando imagens e universos. Quando são bem sucedidos, as ‘cenas’ e personagens gerados tornam-se inesquecíveis, permanecem com a gente durante muito tempo. E, de vez em quando, voltam à superfície, ressurgem diante de determinada situação; enfim, renascem e vivem para sempre na nossa memória.

Acabo de ler ‘Seda’, de Alessandro Baricco, escritor de 50 anos e um dos principais autores contemporâneos da Itália. Confesso que fiquei impressionado. É um livro estranho, único, bastante original. Delicada como o próprio título, a trama de ‘Seda’ desliza na frente dos olhos como um tecido liso e frio, surpreendendo pela elegância e simplicidade.

‘Seda’ conta a história de Hervé Joncour, um comerciante de seda que vive tranquilamente numa pequena cidade da França. Devido a uma praga que acaba com os bichos-de-seda que abastecem a economia da região, Hervé se vê obrigado a cruzar o mundo em pleno século XIX e buscar no Japão sua matéria-prima. Nasce daí uma fábula surreal feita de amor, choque cultural e tecidos nobres.

A seguir, um trecho:

“Baldabiou era o homem que vinte anos antes entrara na cidade, fora diretamente ao escritório do prefeito, entrara sem se fazer anunciar, pusera em cima da escrivaninha uma echarpe de seda de cor crepuscular e perguntara a ele
- Sabe o que é isto?
- Coisa de mulher.
- Errado. Coisa de homem: dinheiro.”

Legal, não é? A editora Cia. das Letras lança também outro título de Alessandro Baricco, ‘Esta História’, épico sobre guerra e automobilismo que já está no topo da pilha que paira sobre o meu criado-mudo. Pena que não temos tempo para ler todos os bons livros do mundo…

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meg

Depois de Paris Hilton e Daniela Cicarelli, parece que chegou a vez de Meg White, baterista do White Stripes, ter sua intimidade revelada na internet. O vídeo com a artista (ou uma garota muito parecida com ela) transando com o namorado vazou e já está disponível na rede. Só não vou dar o link aqui porque posso ser acusado de incentivar a divulgação de material pornográfico – e este blog é um espaço familiar.

De qualquer maneira, não dá para dizer que é difícil encontrá-lo na internet. O vídeo vale pelo inusitado, já que Meg White, ao contrário de Paris e Cicarelli, está longe de ser uma sex symbol. Ela é, inclusive, feiosa e toca bateria muito mal. Mas aposto que, mesmo assim, vai bater recordes de audiência, principalmente entre os roqueiros alternativos. A assessoria da banda diz que não é Meg quem aparece em cena, mas admite que o White Stripes cancelou alguns shows devido à ‘ansiedade da baterista’ em relação à divulgação do vídeo.

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24.setembro.2007 10:11:12

Achados e perdidos

Outro dia uma amiga me perguntou: por que os homens adoram ‘dar um perdido’ nas mulheres? Em primeiro lugar, é bom traduzir o que significa a expressão ‘dar um perdido’ em alguém. Imagine que você está numa balada e conhece uma garota. Vocês ficam juntos (ficar = beijar na boca sem compromisso), mas depois de um tempo você olha direito e vê que a garota não é tudo aquilo. Aí você diz para ela que vai ao banheiro e não volta mais. Na gíria, isso é o que se chama ‘dar um perdido’.

Antes de seguir com acusações e justificativas, vamos esclarecer que não são só os homens que andam dando perdidos por aí. Nada impede que uma mulher beije um cara no escuro e depois perceba que ficou com um sósia do Ronaldinho Gaúcho. Arrisco a dizer que hoje em dia, homens e mulheres dão perdidos na mesma proporção: meio a meio.

As pessoas fazem isso porque, em algum momento do beijo ou do papo, tomaram consciência de que merecem beijar alguém melhor. Melhor em quê? Sei lá, em alguma coisa. É cruel, mas este sempre é o conceito por trás de um perdido bem dado.

Há também casos de adolescentes – ou adultescentes – que só querem bater recordes: “Fiquei com 18 na mesma noite”, gabam-se. No Carnaval de Salvador, por exemplo, o difícil é não dar um perdido: a confusão é tão grande que nem o cara que se apaixonou ao primeiro beijo tem como descobrir o nome da garota que acabou de beijar.

Com a mesma rapidez que leva um perdido, porém, a garota também pode ‘dar um achado’ em outro cara. É isso aí: antes de ficar chateada, pense que quem te deu um perdido não tinha nada a ver com você. Por alguma razão, vocês não se completaram. E daí? Bola pra frente – ou melhor, balada pra frente. Nada melhor do que um achado para curar um perdido.

O achado é aquele cara que fala que vai ao banheiro e volta cinco minutos depois, conforme o combinado. Depois ele diz que vai ao bar, pergunta se você quer alguma coisa e ainda volta com dois copos. Ele pede seu telefone, promete que vai ligar e… liga. Tudo bem, no mundo existem mais perdidos do que achados. Mas o perdido é um cara que você esquece em cinco minutos. O achado pode ser para sempre.

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Sophia2000

Como acho que Sophia Loren merece muito mais que um simples post, publico aqui o emocionante texto do jornalista (e meu pai) Adones de Oliveira sobre o dia em que esteve frente a frente com a diva italiana, em 2004. E digo com orgulho: ainda falta tanto para eu aprender a escrever como ele…

Foto: Sophia Loren no Brasil, em 2000 (Tasso Marcelo/AE)

A beleza atemporal de Sophia
Adones de Oliveira

Entre os incontáveis convites que recebi ao longo da minha carreira de jornalista, um deles, em especial, foi cinematográfico: a inauguração do navio italiano MSC Lírica, no porto de Nápoles, que incluía passagem pela ilha de Capri, com pernoite no San Michele, um hotel de 1830 que já hospedou tantas celebridades quanto os anos que tem e uma senhora festa de batismo do navio, estrelando no papel de madrinha, Sophia Loren. ‘La signora Loren’, como é anunciada.

Sophia em pessoa. À sua chegada à cerimônia, com atraso de noiva, criou-se como sempre o congestionamento habitual, formado por dezenas de fotógrafos, cada um dos quais querendo flagrar a estrela no seu melhor ângulo, o deles e o dela.

Sophia desce do carro e os enfrenta a todos com o fair-play e a experiência adquiridos nas muitas décadas de exposições às câmeras e aos holofotes. Desde os anos 50, quando começou sua carreira – Sophia já fez mais de cem filmes -, de pequenos papéis em épicos como ‘Quo Vadis’ e de protagonista absoluta em dezenas de produções de todos os gêneros. Quer dizer, a vida inteira sob a luz, câmera, ação.

Diante de mim está Sophia Loren, como esteve tantas vezes, nos filmes que fez com mil e um diretores e tantos atores famosos, na Itália, na França, nos Estados Unidos, com sua lendária exuberância de formas e de falas, pontuadas por uma gesticulação napolitana, tão dela e tão da Itália.

Sophia continua bela, ainda bonita, não como às vésperas dos 70 – la signora nasceu no dia 20 de setembro de 1934 – mas como a mulher que se preservou, jovem, alta e de incrível aprumo vertical, altiva como nas passarelas em que desfila a elegância, nata e adquirida. Além de atriz, Sophia Loren transformou-se em referência de bom gosto, de bem vestir e de valorizadora de grifes famosas.

Olho para ela e a vejo como uma espécie de atemporalidade, imune ao passar dos anos, com o mesmo rosto anguloso, as mesmas maçãs salientes da faccia, o mesmo ar de tigresa peninsular que é a sua marca. Olho-a e procuro convencer-me de que não estou no cinema. Acompanhada pelos anfitriões, Sophia sobe uma escada que a leva à proa do navio, de onde vai batizá-lo, no clássico atirar do champagne no casco.

No dia claro e à luz literalmente mediterrânea, não estou mais aqui no porto de Nápoles, mas no escuro do cinema, no Rio e em São Paulo, acompanhando Sophia nos seus muitos papéis, aqueles deliciosos, como os da série ‘Pão, Amor e Fantasia’, as muitas comédias com Marcello Mastroianni – os dois fizeram mais de 12 filmes juntos -, aos grandes desempenhos, como no ‘La Ciociara’ (Duas Mulheres), de Vitório de Sicca, que lhe deu o Oscar de melhor atriz em 1960. Enquanto acena do alto do navio, atendendo aos apelos de Sophia! Sophia!

Revejo-a na pele de personagens tão diversos como a Aída, pintada de negra etíope na ópera de Verdi; a Ximena de ‘El Cid’; na pele de Aldonza em ‘The Man of la Mancha’; com Marlon Brando, como a condessa de Hong Kong, no último filme do monstro Chaplin. Sophia com tantos outros parceiros, Cary Grant, Gregory Peck, William Holden, até John Wayne, imagine.

De modo que Sophia Loren continua em cartaz, mais duradoura do que outros ícones da constelação do cinema, uns porque morreram, como Marilyn Monroe, outros porque se eclipsaram naturalmente, como Gina Lollobrigida, sua mais constante rival, outras porque o tempo e o descaso e o desencanto pessoais levaram ao auto-ostracismo, ao desencanto e até a um certo amargor. Como é o caso de Brigitte Bardot, quem nem sombra chega a ser hoje da provocante mulher que Deus criou no filme de Roger Vadim.

BB é o exemplo mais acabado do que o envelhecer de uma atriz não deve ser. Ao contrário de Sophia Loren, irresistivelmente fascinante, como a vejo na moldura do navio e do Mediterrâneo.

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20.setembro.2007 16:11:23

Parabéns, Sophia

sophialoren

Juro que foi coincidência: estava ontem à noite em casa, sem sono, procurando algum filme para assistir, e encontrei o DVD duplo ‘Escândalo da Princesa’/'Jogadora Infernal’, ambos com a magnífica Sophia Loren.

Optei por ‘Escandâlo’, porque é dirigido por Michael Curtiz (de ‘Casablanca’). O filme é meio bobinho, uma típica comédia romântica dos anos 60. Vale, porém, pelos closes em Sophia, maravilhosa como sempre, e pelos diálogos bem sacados e divertidos. Sophia faz o papel de Olympia, uma princesa austríaca que se apaixona por um americano galã e bobão (John Gavin, que atuou em ‘Psicose’). A família quer que ela se case com um príncipe, mas ela quer seguir o que seu coração manda, etc. Não precisa pensar muito para imaginar o final.

Hoje pela manhã, ligo o computador e descubro que é o dia do aniversário de 73 anos da atriz. Pena que eu não tenho o telefone dela para ligar e dar parabéns.

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madeleine

É difícil resistir ao belo rosto de uma francesinha. É igualmente duro não se cair em tentação por uma bela mulher de voz macia, narizinho pontudinho e uma trança loira que chega quase até a cintura. Juntando os dois pensamentos, é fatal dizer que é impossível não se apaixonar por Madeleine Peyroux.

Apesar do nome e do jeito de francesinha, Madeleine Peyroux é americana e cantou ontem no Via Funchal. Madeleine (olha a intimidade) começou o show com ‘Blue Alert’ (Leonard Cohen) e, apesar de ser uma das minhas favoritas do disco ‘Half the Perfect World’, demorei para reconhecer a melodia da canção. Por quê? Porque Madeleine ao vivo é bem diferente da Madeleine de estúdio.

Feche os olhos e imagine que a voz de qualquer cantor ou cantora desenha uma curva no ar, dependendo da entonação, do timbre, etc. Em estúdio, Madeleine risca no ar uma curva suave, tranquila, sem sustos ou caminhos radicais e imprevistos. Ao vivo, no entanto, esse desenho vocal é bem diferente: no palco sua voz parece viajar numa montanha russa, que vai para lá e para cá sem tanta suavidade; ela experimenta muitas melodias diferentes no mesmo verso… e nem sempre acerta. Às vezes sua voz perde um pouquinhozinho da afinação no meio do caminho, mas tudo bem, porque ninguém é perfeita. Nem Madeleine Peyroux, embora eu admita que seria ótimo se ela cantasse no meu ouvido todas as noites antes de eu dormir.

A platéia do Via Funchal também foi um show à parte: um público muito diferente das típicas platéias de jazz que vejo por aí. Muitos casais de meia-idade, claro, e os tradicionais tigrões vestindo jeans e blazer branco – sem preconceito, afinal, sou praticamente um deles. Mas o que me chamou a atenção foram as fãs de Madeleine. Luana Piovani estava lá. Algumas (menos famosas) se vestiam como a cantora, aquele figurino hippie-hype de sandália Havaiana e jeans Diesel. Outras eram ‘covers-patricinhas’ de Madeleine, prova de que seu sucesso ultrapassa o das cantoras tradicionais de jazz. Essas garotas pareciam mais interessadas em fazer pose do que em ver o show. É só dizer que no caminho entre as mesas e o banheiro, reparei que muitas delas caminhavam como se estivessem na passarela da São Paulo Fashion Week. E eu nem sabia que o jazz estava na moda…

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17.setembro.2007 12:17:47

O maior amor do mundo

Não sou o cara mais religioso do mundo, hoje em dia ando mais para discípulo de Richard Dawkins (autor de ‘Deus, um Delírio’). Na verdade, sou um típico católico: só vou à igreja quando alguém nasce (batizado), quando alguém morre (sétimo dia) ou quando alguém… se casa.

Respeito os padres, embora ache que alguém que nunca teve um relacionamento sério na vida deveria ser a última pessoa no mundo a dar conselhos matrimoniais. Apesar disso, me casei numa cerimônia religiosa – eu estava bem nervoso, mas, se não me engano, o padre era até meio parecido com o padre Marcelo Rossi.

No último fim de semana fui a um casamento que teve uma bela participação do padre (Não, ele não era o noivo). Apesar de falar umas cinco horas e meia (pelo menos foi o que pareceu) e encher o discurso de pronomes oblíquos estranhamente colocados (me diz-me a mim se vocês se amam-se, sei lá, algo assim), o sacerdote disse coisas muito interessantes.

Ele disse que, segundo a Bíblia, o mais belo amor existente na humanidade não é o da mãe pelo filho, como costuma-se imaginar. O amor mais verdadeiro de todos é aquele entre o homem e a mulher. Por quê? Porque a mãe não escolhe um filho; seu amor é gigantesco, mas ela amaria qualquer criança que saísse de seu ventre. No caso do amor entre um homem e uma mulher, é o casal quem escolhe um ao outro. É por isso que é o maior amor do mundo.

Lindo, não? ‘Escolher alguém para amar’. São palavras que, graças a Deus, não têm nada a ver com religião: trazem um conceito de amor tão universal que poderiam ser aplicadas a qualquer crença. São palavras que tem a ver comigo, com você e, principalmente, com a sobrevivência da vida humana.

É fácil criticar um padre pela inexperiência em relacionamentos amorosos ou por não entender o que acontece no coração de um homem quando ele se apaixona por uma mulher. O difícil – e foi o que aconteceu no casamento do meu amigo – é admitir que alguém como eu ou você nunca teria escolhido um tema melhor para falar na frente de dois jovens apaixonados. Eu, na minha humilde ignorância, sou obrigado a concordar: não existe nada mais sagrado que o amor.

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