ir para o conteúdo
 • 

Felipe Machado

31.agosto.2007 18:40:40

Dez anos sem Diana

diana

É engraçado tentar entender como funciona a mente humana. Eu me lembro exatamente onde estava há dez anos e não sei nem o que comi no café da manhã de ontem.

Exatamente uma década atrás eu estava em um bar na Vila Olímpia chamado Paulistano, que nem existe mais. Era um sábado à noite e, se não me engano, uma noite meio fria. Eu estava tomando chope quando uma amiga chegou e disse: “você viu quem sofreu um acidente de carro? A princesa Diana”. A balada mudou de clima de uma hora para outra, todo mundo passou a falar sobre a mesma coisa. Mais tarde, pessoas ligaram para outros amigos, jornalistas, sei lá, e descobriram detalhes do acidente. E que ela tinha morrido.

Fiquei bem triste. Quando ela e o príncipe e o Charles se casaram, em 1981, eu era uma criança de 11 anos. Lembro da minha mãe me acordando para assistir à cerimônia. Para falar a verdade eu me lembro de pouca coisa, acho que estava com sono demais. Lembro de gente nas ruas, saudando a princesa e o príncipe, dois jovens felizes e com o mundo (literalmente, se a gente pensar bem) pela frente. Fico triste quando penso que aquela garotinha inglesa de sorriso tímido e franco virou uma celebridade assassinada pela própria fama – ‘death by paparazzi’ é a expressão que acho mais apropriada.

Nunca fui fã da família real, nunca liguei para essas coisas, mas acho que Diana foi uma mulher legal. Pelo menos ela usou a fama para ajudar algumas pessoas, chamar a atenção para os problemas da África, etc. Diana tinha carisma, parecia ser uma pessoa boa. Pela biografia de Tina Brown a gente vê que ela não era nenhuma santa, etc., mas isso não importa agora. Para mim ela será sempre uma princesa.

comentários (11) | comente

  • A + A -

Luli

Um post light, para relaxar, com imagem da atriz Luli Miller, a Gilda de ‘Paraíso Tropical’ (foto de Danilo Borges). A novela, aliás, anda tão boa que tenho recusado praticamente todos os convites para sair à noite durante a semana. Então nem me convidem para nada na quinta-feira (30/8): é dia de um capítulo para grudar os olhos na TV: a vilã Taís, interpretada maravilhosamente pela Alessandra Negrini, vai morrer.

Acho uma pena a grande vilã morrer, até porque ela é muito mais bonita e sexy que a irmâ-gêmea-boazinha. A Paula é meio irritante: sorri o tempo inteiro, acha tudo legal, se veste com umas roupinhas meio breguinhas e é simpática com todo mundo, até com o chato do pai do Daniel. A Taís é muito mais interessante, com aqueles decotões, minissaias pretas e botas até os joelhos. Não é mulher ‘pra casar’, concordo, mas para uma noite na suíte nupcial do Hotel Duvivier não seria nada mal. Eu, que já fui fã de Ruth e Raquel (papel de Glória Pires em ‘Mulheres de Areia’), confesso que Paula e Taís mandam bem melhor em termos de ‘performance feminina’, se é que você me entende.

O Bruno Gagliasso, que faz o papel de vilão-bobão-pé-de-chinelo-de-quinta-categoria Ivan, também está muito bem. O cara é mesmo um bom ator, apesar de achar que as mulheres devem admirá-lo apenas pelos olhos verdes. Falando de galãs, Fábio Assunção também melhorou bastante, conseguiu até deixar a personalidade do herói Daniel Bastos menos maniqueísta. Ele até contratou (em vão) um hacker para entrar no computador do Olavo! Isso tem dedo (e gênio) do autor Gilberto Braga. Ele, aliás, é a principal razão de eu assistir à novela. Quando digo que só vou sair de casa “depois da novela”, meus amigos brincam que eu sou noveleiro, etc. Mas não é verdade. Eu sou ‘GilbertoBragueiro’, isso sim. Só vejo as novelas dele, em primeiro lugar porque são as que têm as melhores atuações/elenco; e em segundo porque seus roteiros e histórias estão dez mil anos-luz à frente de todas as outras produções da TV brasileira (e até mundial, com exceção de Seinfeld, Simpsons e outros poucos programas de TV).

Outros destaques da novela: o perverso e ótimo Olavo Novaes (Wagner Moura), o vilão mais legal-mas-mau-caráter que surgiu nos últimos tempos; a Bebel (Camila Pitanga), que anda simplesmente maravilhosa; a Deborah Secco, que participou de poucos capítulos mas aumentou em quase dez pontos a audiência da novela. A Deborah, aliás, (olha a intimidade) aparecia na tela e pow! O ibope explodia. Por que será? Porque ela é uma das mulheres mais bonitas do Brasil, do mundo, do Sistema Solar, sei lá. Deborah Secco de calcinha e sutiã é um soco na cara de um homem casado. Tem várias outras mulheres de destaque na novela, mas fico por aqui porque já estou me complicando e isso é um blog familiar. Tão familiar que fala até de novela.

comentários (28) | comente

  • A + A -

Adoro conversar com taxistas. O taxista é o barman das ruas. Na verdade, gosto de conversar com qualquer um, acho que todo mundo tem uma história interessante para contar se você fizer as perguntas certas. É claro que sempre tento manipular o papo para saber o máximo do meu personagem sem que ele saiba nada de mim. Pode ser a experiência como repórter, mas acho que é mais curiosidade pessoal mesmo. Só tenho certeza de uma coisa: não é fofoca. Afinal, apenas mulheres fofocam. Homens trocam idéias.

Na semana passada peguei um táxi para o trabalho (o carro da minha mulher estava no conserto e claro que quem ficou a pé fui eu) e ouvi um caso interessante. A passageira da noite anterior contou ao taxista que o namorado a jogou para fora do carro, mandou outra mulher entrar e saiu cantando os pneus. A garota queria saber do taxista se ele achava que ela tinha chance de voltar com o namorado. “O senhor acha que ele ainda gosta de mim?”, indagou, apaixonada. “Acho que você é que não gosta de você”, respondeu o taxista. A garota ficou brava e disse que o namorado só fez aquilo porque estava bêbado. “Então tá”, eu teria dito.

Há mulheres que aceitam tudo para continuar ao lado do homem que amam – e isso me lembrou ‘Um Bonde Chamado Desejo’ (‘A Streetcar Named Desire’, EUA, dir. Elia Kazan). Muita coisa mudou desde o filme de 1951, mas outras continuam iguaizinhas. Mulheres que acreditam que a palavra desculpa resolve todos os problemas, por exemplo. No filme, o casca-grossa Stanley Kowalski (interpretado pelo meu ídolo Marlon Brando) enche a mulher Stella (Kim Hunter) de pancada e depois se arrepende. Chorando e ajoelhado no meio da rua, Stanley grita o nome dela numa das cenas mais clássicas da história do cinema: “Steeellaaa… Steeellaaa…” A mulher aparece na varanda e, ao vê-lo, não resiste. Desce a escada e o perdoa. “Nunca me deixe, baby”, ele resmunga. E os dois ficam juntos novamente.

É uma pena que ainda existam mulheres assim. Enquanto elas existirem, existirão homens para jogá-las para fora do carro. Amar um homem é importante, mas amar a si mesma é muito mais. É tão óbvio que nem precisava ser dito, mas você tem que gostar… de você.

comentários (43) | comente

  • A + A -

joaquim

Por que eu gostaria de ser esse cara? Porque o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa é o relator do caso do Mensalão. Leia aqui como ele pode mudar a história do Brasil.

comentários (32) | comente

  • A + A -

Essa tal de internet é um negócio muito legal mesmo. Nunca entendi muito bem por que as pessoas gostam tanto do Second Life, já que as pessoas entram lá e ficam conversando e voando pra lá e pra cá. Acho legal quando tem algum evento, como o show do Fatboy Slim há algum tempo, pena que é tão raro.

Uma dica para quem gosta de virar um personagem virtual é o There.com, um tipo de ‘Second Life’ cheio de eventos e presenças ilustres. Hoje às 20h30, por exemplo, estarão no ambiente virtual do There.com ninguém menos que os Beastie Boys. Estarão lá, na verdade, os avatares (representações digitais) do trio de white-rappers de Nova York, conversando com fãs, fazendo um som, enfim, tudo o que se faz nesses ambientes 3D. Legal, não é?

beastie boys

comentários (9) | comente

  • A + A -
20.agosto.2007 10:26:47

Ou isto ou aquilo?

Já falei aqui sobre a existência de um ‘Dicionário Masculino-Feminino’, mas as confusões da comunicação humana são mais complexas que a guerra dos sexos.

Outro dia fiz aniversário e ouvi de uma amiga um daqueles comentários que sempre me deixam em dúvida. “Quantos anos você está fazendo hoje?”, perguntou ela. Se eu fosse mulher ficaria ofendido, já que há uma lei não escrita que torna quase ilegal perguntar a uma pessoa do sexo feminino quantos anos ela tem. Mas como sou homem, respondi naturalmente: “Trinta e sete”. “Trinta e sete?”, questionaram os olhos da minha curiosa amiga. “Pois você está muito bem para a sua idade.”

Foi aí que veio a dúvida. Ela me elogiou ou acabou comigo? Será que minha amiga quis dizer que estou melhor que outros caras de 37 anos? Ou será que dizer que estou bem “para a minha idade” significa que o número foi uma surpresa para ela, já que eu deveria estar com uma aparência bem pior, devido à idade tão avançada? Ou será que nunca passou pela cabeça dela que um cara imaturo como eu pudesse ter 37 anos? Como dizia Cecília Meirelles… ou isto ou aquilo?

Há outros comentários do mesmo gênero. Por exemplo: odeio gente que olha uma foto minha e diz: “Nossa, como você é fotogênico.” O que isso quer dizer? Que sou bem pior pessoalmente? Que é um milagre eu ter saído bem numa foto quando sou tão péssimo na vida real? Ou será que essa pessoa quis mesmo fazer um elogio, sei lá, que me credencia a tentar uma carreira de modelo em Paris? Ou isto ou aquilo?

Também acho estranho quando alguém fala bem de um objeto e o outro acredita que é um elogio pessoal. Quando chego para alguém e digo “esse carro é bonito”, estou elogiando o carro, não o proprietário. Geralmente a pessoa responde “obrigado”, o que torna a situação ainda mais ridícula.
Essas dúvidas são importantes? Claro que não. Solucioná-las nos levará a algum lugar? De jeito nenhum. Mas quem disse que só as coisas importantes são importantes? A vida pode ser feita de coisas bestas, engraçadas, inúteis. E, geralmente, é.

A propósito, nem sei quantos anos você tem, mas tenho certeza de que você está muito bem para a sua idade.

comentários (18) | comente

  • A + A -

FMSimpson

Sei que você já deve ter lido sobre o filme dos Simpsons em milhares de jornais, revistas, sites, blogs, etc. Por isso, não vou falar nada a mais sobre isso. Só digo que, como fã dos personagens de Matt Groening há muito tempo, fiquei bastante feliz com o resultado. Entrevistei um dos maiores fãs dos Simpsons no Brasil e ele também gostou.

De uns tempos para cá, acho que o seriado perdeu um pouco a qualidade em termos de roteiro, caindo um pouco na apelação de temas fáceis, polêmicos e até meio agressivos. Fiquei feliz de ver que o filme mantém o estilo do ‘Simpsons clássico’, com ênfase na família e nos problemas (mentais) de Homer.

Outra coisa: quem for fã e quiser se tornar um ‘Simpson’, pode acessar o site do filme ou u Simpsonizeme. Acima está a minha imagem transformado em Simpson pelo Simpsonsmovie; abaixo, a imagem que fiz no Simpsonizeme.

FMsimpsonizeme

comentários (19) | comente

  • A + A -

andyfletcher

Minha praia sempre foi rock, mas hoje me considero um cara bastante eclético. Isso quer dizer que meu gosto varia de música clássica a música eletrônica, com a maioria dos gêneros entre eles (odeio sertanejo e axé, por exemplo, ninguém merece). Dentro do pop, uma das minhas bandas favoritas é o Depeche Mode, que considero ‘os Beatles’ da música eletrônica.

Infelizmente, o Depeche Mode não planeja tocar em São Paulo tão cedo, pelo menos nos próximos meses. Mas quem é fã da banda poderá dançar ao som do tecladista Andy Fletcher: ele será o DJ do clube Pacha São Paulo no dia 27 de setembro.

O inglês de 46 anos, que criou o Depeche Mode ao lado do guitarrista Martin Gore (um compositor/músico de muito bom gosto, por sinal, apesar de sua pegada minimalista) e do vocalista Dave Gahan. O set de Fletcher tem um pouco de tudo: de clássicos dos anos 80 a house e electro. Se alguém quiser garantir seu ingresso, o telefone da Pacha é (11) 2189-3700 e o site é www.pachasp.com.br .

Agora, se você quiser ver por que o Depeche Mode é um dos melhores grupos pop de todos os tempos, assistia ao DVD ‘Depeche Mode – One Night in Paris’. O som é maravilhoso e o cenário é um show à parte: foi criado pelo genial fotógrafo Anton Corbijn, um dos artistas mais incríveis da atualidade. Ele é o fotógrafo oficial de bandas como Depeche e U2, além de ter feito trabalhos para o Metallica e outros nomes de peso. Pretendo voltar a falar (muito) de Anton Corbijn, principalmente porque ele acaba de estrear na direção de cinema com o filme ‘Control’, cinebiografia de Ian Curtis (vocalista do Joy Division morto em 1980).

comentários (9) | comente

  • A + A -

Nessa mesma época, há exatamente um ano, eu era apenas um cara a mais no mundo. O que quer dizer isso? Por mais que eu fosse casado – sou contra a teoria da cara-metade -, eu ainda era um indivíduo único, completo, responsável tanto por meus atos sãos quanto pelas minhas loucuras. Se eu quisesse pegar um avião e me alistar como voluntário da ONU em Darfur, não haveria nada ou ninguém para me impedir.

Com o nascimento da minha filha, em dezembro de 2006, isso mudou. E continua mudando a cada dia. A cada centímetro que seu corpinho cresce, a minha responsabilidade aumenta um quilômetro. E minha felicidade cresce na mesma proporção: no início eu ficava bobo só de vê-la abrindo seus pequenos olhos. Hoje, dou risada como um idiota quando ela pega a chupeta e joga no chão. Qual é a graça? A graça é que não sou mais um único indivíduo. Minha filha é um pouco de mim também. E eu sou minha filha.

Hoje é meu primeiro Dia dos Pais e não estou nem um pouco preocupado em ganhar presente – embora eu saiba que vou ganhar um (não é, mamãe?). Acho que a exploração comercial da data é meio exagerada, mas também não vou ser um daqueles chatos contra tudo. É que para mim o maior presente é olhar no espelho e falar em voz alta ‘você é pai, cara!’ É claro que só faço isso quando tenho certeza de que não tem ninguém olhando: não gosto que as pessoas me vejam chorando.

Uma das coisas mais legais de ser pai é olhar para minha filha e perceber que imediatamente todos os problemas do mundo parecem ridiculamente distantes. O que me importa a podridão do Congresso quando um simples beijo numa barriguinha provoca uma gargalhada deliciosa? O que representa a prisão do maior traficante do mundo se tenho nas mãos um dinossauro roxo de pelúcia que faz barulho quando é apertado? Vou me preocupar com esses problemas no futuro, mas agora não estou nem aí. Quero apenas segurar minha filha no colo e sonhar que o mundo é perfeito.

Como hoje é um dia especial, quero compartilhar um outro sonho com você: espero ser um pai tão bom quanto o meu. Feliz Dia dos Pais para todos nós.

comentários (26) | comente

  • A + A -
09.agosto.2007 18:19:05

Moderninhos & rock and roll

New Model Army

Fazia tempo que eu não ia em uma casa noturna tão legal quanto a Clash, na Barra Funda, centro de São Paulo. Há muito tempo São Paulo precisa de uma casa de shows de tamanho médio, maior que os bares de rock (geralmente para 500 pessoas ou menos) e menor do que lugares enormes, como Credicard Hall e Via Funchal (voltadas para públicos superiores a 5 mil pessoas). Outra coisa boa é que o Clash tem um clima Nova York/Europa mas fica na Barra Funda (pertinho da minha casa), bairro que já oferece diversas opções de baladas roqueiras, como o CB e o Berlim.

O show de ontem foi do New Model Army, banda inglesa da geração pós-punk com o estilo meio parecido com o U2 e The Alarm. A diferença é que eles têm um som com mais influências de folk, muito violão, etc. O vocalista Justin Sullivan é horrível (acho que não tem os dentes da frente), mas tem carisma de sobra e ganha o público com sua voz forte e sua simpatia (aparentemente turbinada pelo excesso de cerveja). Ao vivo o NMA é mais pesado que em estúdio, o que deixa o público bem animado. E o público ficou ainda mais animado no final do show, quando a banda de Yorkshire tocou sua música mais famosa, ’51st State of America’.

O público era formado por roqueiros e moderninhos, estilo que dominou a noite paulistana fora do eixo ‘patricinhas & mauricinhos’. Como reconhecer um moderninho?

Os caras e as minas têm estilo bem parecido: tem várias tatuagens, alguns piercings (na sobrancelha, no canto da boca, no nariz, no alto da orelha e talvez em outros lugares que não tive a chance de checar), tênis All Star customizados, jeans com a barra virada para cima, cabelo na altura dos ombros, camiseta de banda de rock (Ramones é o grupo preferido) ou com alguma mensagem ideológica. Alguns caras usam óculos de aro grosso; algumas meninas usam rabo de cavalo alto ou ‘maria-chiquinha’, bem no estilo pin-up dos anos 50.

Bom show, casa legal, cerveja gelada, enfim, uma noite muito divertida. O único defeito da Clash: foi difícil achar um estacionamento perto. Da próxima vez eu vou de táxi.

clash

comentários (23) | comente

  • A + A -

Arquivos

Blogs do Estadão