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Felipe Machado

natalia

Para mim não há nada mais constrangedor do que ouvir a torcida cantando “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor…”. Não tenho o menor orgulho de ser brasileiro. Por que eu teria? Isso soa como uma comparação com outras nacionalidades, como se ter nascido aqui nos desse alguma vantagem em relação a quem nasceu em outro país.

Orgulho de quê, cara pálida? Das praias bonitas, das florestas, dos rios? Isso tudo é lindo, mas não foi graças a nenhum brasileiro que a natureza veio parar aqui. Pelo contrário, aliás: estamos destruindo e queimando nossas maravilhas numa velocidade cada vez maior.

Orgulho de quê? Do povo brasileiro? Temos pessoas boas e más, como qualquer outro país. Hoje em dia, arriscaria até a dizer que somos piores do que os outros; nenhum outro povo agüentaria calado a humilhação pela qual sucessivos governos incompetentes nos fazem passar. A Justiça não é justa, o Legislativo só legisla em causa própria, o Executivo é motivo de riso – pena que os palhaços somos nós. “Não se pode generalizar”, defendem-se, protegidos pela imunidade que eles mesmos se concedem. A realidade dos fatos mostra que posso, sim.

Em relação a outros povos, a vergonha aumenta. Quando algum amigo estrangeiro me pergunta “qual é a melhor época para visitar o Brasil?”, eu respondo: nunca. Nossos aeroportos não funcionam – Santos Dumont deve estar se revirando no túmulo –, as ruas são imundas e você pode ser assaltado no caminho para o hotel (ou em qualquer outro local de qualquer cidade, a qualquer hora). E se for à Cidade Maravilhosa, ainda corre o risco de levar uma bala na cabeça no meio da rua. Ou seja, vá para outro país mais civilizado. Algum país na África, por exemplo.

Chegamos, finalmente, ao esporte, onde a torcida é composta por brasileiros “com muito orgulho e muito amor”. O Pan já acabou e, desculpe dizer, o mérito dos nossos atletas é deles mesmos, não têm nada a ver com o Brasil. Esportistas como Natália Falavigna, prata no Taekwondo, vencem apesar de serem brasileiros. São heróis que lutam por seus sonhos, como todos nós. Alguns conseguem se dar bem, a grande maioria só sobrevive. Aqui é assim: cada um por si. E Deus, que nunca foi brasileiro, contra todos.

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cavalgada

Irrá! Saiu no sábado (28/7) a ‘Cavalgada do Centenário’, uma viagem (a cavalo, claro) em homenagem aos 100 de Oscar Niemeyer. A cavalgada idealizada pelo neto dele, Carlos Oscar Niemeyer Magalhães, sai de Goianá, em Minas Gerais, e percorrerá 750 km durante 18 dias até chegar em Barretos para inauguração da 52ª Festa do Peão Boiadeiro, dia 15 de agosto. O legal é que não é apenas um passeio a cavalo para curtir a paisagem: os 16 cavaleiros vão distribuir livros pelas cidades por onde passarem.

Fui à festa de Barretos uma vez e achei bem legal. Eu estava a trabalho, cobrindo o evento para o Jornal da Tarde, mas deu para aproveitar o clima ‘country’ do lugar. Inicialmente eu achava que os rodeios machucavam os animais, etc, mas depois eu vi que os bois são super bem tratados, mais bem tratados até do que os peões. :-)

Tenho que admitir que não foram apenas os rodeios que me chamaram a atenção, mas todo o clima na cidade. Eles vivem o estilo country muito intensamente, é muito interessante. Parece que a gente está no Texas, onde eu morei quando era adolescente. Em Barretos eu quase usei chapéu de cowboy para ficar mais enturmado, mas desisti porque eu ficaria muito ridículo. Isso é para quem é cowboy de verdade, não para quem quer impressionar as cowgirls. Porque o mais legal da festa, claro, eram as rainhas e princesas eleitas pelo público. Como eu ainda não era casado na época, posso falar com liberdade: eram lindas. E uma delas foi bastante simpática, admito.

Outra coisa legal da festa de Barretos este ano: vai ter um clima meio ‘Brokeback Mountain’ no ar. Todo mundo sabe que tem muito peão gay por aí, acho que não é novidade para ninguém. (Tem gay em todas as áreas, aliás, para quem ainda não percebeu.) Este ano haverá uma festa GLS, chamada ‘Somos Todos Iguais’ e apadrinhada pelo criador da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges. A balada acontece no dia 17 de agosto e será em formato ‘rave’, com muita música eletrônica e convidados VIP, como estilistas, celebridades e artistas. Haverá até um desfile de moda. O mais legal é que as roupas serão leiloadas e a renda vai para o Hospital de Câncer de Barretos. Quer dizer: dá para a galera se divertir, dançar e ainda ajudar as pessoas. Talvez eu vá. Mas como sou casado, desta vez eu não poderia prestar muita atenção às rainhas e princesas. Pena.

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capa

Acho que já mencionei por aqui que toco numa banda de rock pesado, o VIPER. Não vou entrar em muitos detalhes sobre a carreira do VIPER, porque quem quiser saber mais sobre o assunto pode entrar no site oficial (www.viperbrazil.com.br) e ouvir músicas, ver fotos, clipes, etc. Ou leia a matéria do Marco Bezzi, publicada no Jornal da Tarde e no portal do Estadão.

Como guitarrista, o que eu vou fazer aqui é comentar o disco novo da banda, ‘All My Life’. Assim, quem sabe, você se empolga e vai até a loja para comprá-lo. :-)

1. ‘All My Life’: A música que abre o disco é uma canção ‘clássica’ do Pit Passarell, baixista e principal compositor da banda. É uma música que começa rápida, pesada, mas com muita melodia. O Pit escreveu essa música justamente para abrir o disco, porque na cabeça (genial e maluca) dele, ela tem um pique bom ‘pra abrir show’. No meio da música tem uma parte que eu gosto muito: uns vocais à la Queen, com várias vozes sobrepostas, em harmonias bem complexas e interessantes.

2. ‘Come on Come on’: Essa é minha única composição no disco, na verdade eu colaborei apenas com a letra e o Pit fez a música. Quer dizer, eu também ajudei um pouco na música, mas ela é principalmente do Pit. A letra é uma adaptação do conto ‘The Outsider’, do H.P. Lovecraft, um escritor que eu nem gosto muito mas que tem uma estética que tem bastante a ver com heavy metal. É um texto sombrio e agressivo; a história fala sobre um cara que nasce numa torre e passa a vida inteira preso. Um dia ele consegue fugir, escala a torre e vai parar numa floresta. Aí ele entra numa festa e as pessoas ficam horrorizadas. Ele olha então no espelho e, pela primeira vez na vida, descobre que é um monstro. Sei que assim a trama parece meio boba ou ingênua, mas o texto é bastante rebuscado e cria um clima de ‘lenda’ bastante interessante. O Pit acrescentou uma linha na letra ‘Come on come on, I have a gun’ apenas para rimar. Não tem nada a ver com a história. Eu só deixei passar porque não estava no dia em que o vocalista Ricardo Bocci gravou.

Quanto ao instrumental, a música é um rock pesado e cadenciado, com influências de hard rock dos anos 70, principalmente do Deep Purple. Eu faço todos os solos de guitarra do disco, e este é um dos meus favoritos. Ninguém percebe, mas em um dos riffs, eu toco a melodia de ‘Pharao’s Dance’, música que abre o ‘Bitche’s Brew’, disco antológico do Miles Davis. Tinha que dizer isso aqui, assim talvez alguém preste atenção.

3. ‘Miles Away’: Essa música é do vocalista Ricardo Bocci, que acabou de entrar na banda. Fiquei impressionado com ela, porque as outras composições que ele trouxe eram muito calcadas em heavy metal melódico (que eu acho meio chato). Esta não: é muito boa, tem uma energia incrível e um refrão melhor ainda. Ela é muito divertida de tocar ao vivo, com umas guitarras bem fortes e sem muita enrolação.

4. ‘Not That Easy’: Outra música do Pit, outra obra-prima. Pode parecer que estou puxando o saco dele só porque ele é da minha banda, mas isso não é verdade. Ele é um gênio, um dos melhores compositores do País. Quem não gosta de heavy metal tem que ouvir essas composições no violão: são maravilhosas. ‘Not That Easy’ também foi gravada em português numa banda-projeto que a gente teve, o Metanol. Em português ela se chama ‘Última Festa’, e tem uma letra muito boa. Trecho: ‘Vamos comemorar / Que o amor existe / Que estamos vivos e temos amigos / Quero deixar alguma coisa pra você / Uma canção pra você não esquecer”. Muito legal, essa parte sempre me emociona.

Mas voltando a ‘Not That Easy’: é uma chamada ‘power ballad’, uma balada forte e perfeita para ser tocada em grandes estádios (que pretensão! :-) .
Eu queria que ela se chamasse ‘Everybody Knows’ (é o que o Bocci canta no refrão), mas fui voto vencido. A parte que eu mais gosto é o final, tem um ‘crescendo’ de bateria (brilhantemente tocada por Renato Graccia) que atinge um clímax… bom, tem que ouvir.

5. ‘Love is All’: Essa é a melhor do disco, mesmo sendo extremamente longa (7 min) e difícil de tocar. No disco ela tem a participação de Andre Matos, que foi nosso primeiro vocalista (no longínquo período 1985-1989) e gravou dois discos com o VIPER, ‘Soldiers of Sunrise’ e ‘Theatre of Fate’. Quando o Andre saiu da banda, em 1990, eu fiquei bem bravo e costumava falar mal dele para as pessoas. Hoje vejo que foi uma coisa ridícula, uma infantilidade minha. O Andre é um cara muito legal, além de ser talvez o melhor vocalista de heavy metal do mundo hoje em dia. Sério, o cara é inacreditável. Voltamos a ser grandes amigos, acho até mais do que antes. Às vezes a gente faz shows juntos, enfim, está tudo numa boa há muito tempo e vai continuar assim pra sempre.

Voltando à música, ‘Love is All’ é uma expressão que o Pit criou e, embora o correto fosse ‘Love is Everything’, acho que a liberdade poética permite. Além disso, ele canta ‘Love is All… That I need’, então tudo bem. Em seus 7 minutos, a música começa lenta, daí fica rápida, lenta de novo… o solo também tem uma citação de jazz (ritmo que eu ando obcecado há algum tempo), desta vez de outro ídolo meu, John Coltrane. Se você prestar atenção, vai ouvir o riff principal de ‘Love Supreme Part 2: Resolution’, do disco ‘Love Supreme’.

6. ‘Cross the Line’: Essa música é do guitarrista Val Santos e tem uns riffs de guitarra matadores. É a mais pesada, até foge um pouco do resto do repertório, mas o público tem gostado bastante. Para conseguir esse peso, o Val abaixou a afinação da guitarra, assim a 6a. corda, normalmente afinda em Mi, virou Dó, e as outras foram abaixadas um tom. Isso é meio técnico, então, para resumir, o que acontece é que a guitarra fica muito mais grave, portanto, muito mais pesada. As bandas de nü metal e o Metallica usam muito isso, e como o sonho do Val é ser o James Hetfield, ele quis fazer isso também. O problema de tocar com outras afinações, porque ao vivo a gente tem que levar muitas guitarras reservas, com afinações diferentes, etc. É um saco, mas a música é boa e talvez eu tenha que concordar em tocá-la ao vivo.

7. ‘Do it All Again’: Foi a primeira música composta para o disco, também pelo Pit. Eu achava que era muito boa, mas como as outras são muito excelentes, essa acabou ficando para trás. É uma música tipicamente VIPER, ou seja, muita influência de Iron Maiden e muitas guitarras ‘gêmeas’ (riffs duplos, com melodias em terças)

8. ‘Violet’: A música mais bonita do disco, outra do Pit. Essa é uma balada que seria primeiro lugar em qualquer rádio do Brasil – se não existisse jabá, claro. A letra é um pouco triste porque eu conheço a história do Pit, mas quem não conhece vai achar que é uma belíssima história de amor. Enfim, ‘Violet’ é muito linda, emocionante. O solo é do meu grande amigo Yves Passarell, que foi guitarrista do VIPER de 1985 até 1999, mais ou menos. Daí ele entrou no Capital Inicial e entrou num ritmo louco, quase nem dá mais para sair e tomar cerveja.

9. ‘Dreamer’: Outra do Val, essa é totalmente heavy metal. Muito metal melódico para o meu gosto, mas tenho que reconhecer que a música é boa. Tem um refrão que gruda na cabeça, então ponto para Val nesse aspecto.

10. ‘Soldier Boy’: Música instrumental do Pit, que a gente vai usar de intro (introdução) na nova turnê. É muito legal, épica, eu a vejo como o personagem da capa do disco ‘Soldiers of Sunrise’ quando era criança. Eu toco violão.

11. ‘Rising Sun’: Música do Ricardo Bocci. Muito boa, embora eu não lembre muito bem como ela é.

12. ‘Miracle’: Composição do Val Santos, tem muito a ver com esse disco: Foi um ‘Miracle’ a gente ter lançado. :-)

VIPER

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A diferença entre homens e mulheres é tão cristalina que dá para ver através do vidro de uma vitrine: para entender como funcionam as mentes masculina e feminina, é só comparar os hábitos de consumo das pessoas.

Mulheres adoram tranqueirinhas e novidadezinhas. Hoje estão na moda cremes e xampus feitos com material orgânico – não entendo muito do assunto, mas acho que devem ter sido criados para mulheres com cabelos vegetarianos. As vendedoras dessas lojas são tão maquiadas e sorridentes que não duvido que a próxima invenção seja maquiagem diet e pasta de dente fashion. Mulher adora esses adjetivos.

Elas também gostam de coisinhas cheirosinhas, o que eu considero superenjoativo. Aquelas velas coloridas, por exemplo, exalam aromas tão doces que tenho medo que meu nariz sofra um ataque de diabetes.

Mulher olha algo e diz: “que gracinha!” Eu olho a mesma coisa e não vejo gracinha nenhuma. Quer agradar seu namorado? Em vez de uma caixa de velas coloridas, compre uma caixa de cerveja.

As lojas para homens são bem mais tradicionais. Adoro as tabacarias em especial. Elas são a prova de que homens são bichos estranhos. É só olhar a vitrine e ver o que está à venda: charutos, claro. Mas também facas Ninja, fichas para pôquer, minirroletas, canivetes suíços, dados, baralhos, miniaturas de navios de guerra, isqueiros Zippo e muito mais.
Acho legal poder entrar numa loja para comprar um charuto e sair de lá com uma espada samurai. Também gosto de ter a oportunidade de adquirir aquelas fichas profissionais de pôquer que eu tanto sonhava, porque aí eu aproveito a visita e compro um jogo de bolas de sinuca personalizadas, essenciais para a vida de qualquer ser humano. É uma lógica que impressiona: se você é homem e fuma, automaticamente deve gostar também de armas brancas e jogos de azar.

As tabacarias vendem os mesmos produtos desde a época do Velho Oeste, só que hoje eles são mais sofisticados para parecer que evoluímos. Errado. Somos os mesmos primatas de sempre. A única diferença é que hoje eu posso entrar numa loja e comprar um canivete com 18 tipos de abridor de latas.

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Quando um bom escritor quer ser cruel, sai de baixo. Acabo de ler ‘Homem Lento’, último romance do sul-africano J.M. Coetzee, que ganhou o Nobel de literatura em 2003 e dois Booker Prize (o Nobel britânico). O livro tem uma trama difícil, espinhosa, mas o texto de Coetzee é tão incrivelmente genial que vale a pena chegar ao fim para ver como ele amarra a história.

‘Homem Lento’ narra um episódio na vida de Paul Rayment, um senhor que é atropelado quando andava de bicicleta pela rua. Ele tem que amputar a perna e se recusa a usar uma prótese. Conclusão: tem que viver de muletas, sofrendo com as dificuldades e tudo mais. Ótima diversão para um fim de semana ensolarado, não? O pior é que vale a pena.

Coetzee introduz um elemento interessante, que acaba servindo de ponte entre o escritor, o personagem e o próprio leitor. Ele apresenta mais uma vez a personagem Elizabeth Costello, uma espécie de Mrs. Marple (lembra da detetive de Agatha Chrstie?) que em vez de investigar assassinatos e mistérios torna-se a voz do escritor dentro do livro. Deu para entender? Ela faz o papel de uma escritora que aparece no meio da história, mas a história que ela está escrevendo é… a própria história do livro… enfim, é uma metalinguagem elevada à enésima potência.

Digo que Coetzee é cruel porque ele trata o personagem Paul Rayment com desprezo, frieza. Ele o humilha, não apenas por ter perdido a perna no acidente, mas diante de todas as suas fraquezas como ser humano. Só não dá mais pena do personagem porque a gente sabe (será?) que ele é de papel.

Criticaram Coetzee porque ele veio para a FLIP e não deu entrevistas nem falou com ninguém. Mas eu não estou nem aí: não quero ser amigo dele, seus livros já me bastam.

OBS. Uma outra obra que trata de metalinguagem de maneira interessante é ‘Mais Estranho que a Ficção’, filme que acaba de sair em DVD com Will Ferrell e Emma Thompson. Ela é uma escritora, ele é o personagem… alugue o filme, vale a pena. A direção é do excelente Marc Foster (‘Em Busca da Terra do Nunca’), que também estará atrás das câmeras no próximo filme de James Bond.

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Tem homem que é viciado em comprar bugigangas eletrônicas. Outros adoram gastar dinheiro com carrões importados. Alguns representantes do sexo masculino, no entanto, preferem investir em um outro tipo de artigo igualmente supérfluo: a mulher-acessório.

Ela é uma versão pós-moderna da mulher-objeto. Ou um símbolo de status que você usa a tiracolo, uma espécie de peça de decoração que respira e que você leva para passear em ocasiões especiais. Não quer ir ao coquetel da empresa sozinho? É só escolher uma mulher-acessório que combine com a ocasião. Precisa de companhia para ir ao cinema com uma turma de casais descolados? Mulher-acessório vai muito bem com pipoca.

Para ser considerada uma mulher-acessório de verdade, a garota precisa ter algumas características básicas. Ser bonita, claro. Falar o mínimo possível também ajuda. Mas o importante mesmo é ter uma personalidade zero. E gostar muito de sexo com você – ou pelo menos fingir que gosta.
Se você não tem uma mulher-acessório à disposição, saiba que há várias maneiras de adquirir uma. Estabelecimentos especializados oferecem várias opções de modelos, mas algumas chegam a custar uma pequena fortuna. Nas casas noturnas da moda elas aparentemente são grátis – mas só aparentemente. Você vai ter de recompensá-las com jóias, jantares e viagens. A mulher-acessório, no fundo, é bem parecida com um relógio suíço: é uma máquina de qualidade, 100% previsível e o tempo dela vale ouro.

A mulher-acessório também é uma ótima companhia para quem gosta de… ficar sozinho. Ela não é, digamos, muito ‘interativa’, para usar uma expressão atual. Nesse aspecto, está mais para um uísque ou um charuto cubano: custa caro, mas pelo menos costuma dar prazer garantido ao proprietário.

Apesar de ela ter qualidades que não posso descrever nesta coluna, o melhor a fazer é fugir da mulher-acessório. Ela é vazia, interesseira e ainda traz um grande risco: você se apaixonar. Se esse dia chegar, de uma hora para a outra ela vira dona do pedaço, ganha uma personalidade que você nem desconfia de onde veio… e aí o acessório passa a ser você.

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Meus amigos solteiros vão me matar, mas sempre achei que usar o dinheiro como desculpa para não se casar é uma estratégia esfarrapada.

Pode ser que algumas mulheres acreditem em histórias como “precisamos esperar o aumento que meu chefe me promete há 18 anos” ou “vamos aguardar a herança do meu tio que mora em Zimbábue”. Mas acho que isso não passa de enrolação.

Na verdade, a não ser que você queira gastar uma fortuna numa festa estilo ‘celebridade por um dia’, casar não é tão caro quanto se imagina. Afinal, casamento não é só a festa, certo? Morar juntos, dividir despesas, unir as economias pode fazer a vida ficar até mais barata.

Quer enrolar a mulher mais tempo? Ora, seja honesto e diga “vamos esperar um pouco porque acho que a hora de a gente se casar ainda não chegou”. É melhor ser sincero: talvez você esteja falando com a pessoa que vai compartilhar seu futuro até que a morte os separe.

Esse papo de custo baixo não se aplica aos filhos, claro. Eles custam caro. Uma vacininha aqui, uma montanhinha de fraldinhas acolá… E filhos são para sempre mesmo – se os jovens ficam mais tempo em casa e já adiam seus casamentos hoje em dia, imagine quando seu filho tiver idade para adiar o dele.

Não desprezo a importância do dinheiro na vida de um casal (inclusive, se minha mulher estiver lendo isso e quiser depositar uma quantia na minha conta, fique à vontade), mas acho que o dinheiro deve servir de ferramenta para melhorar a vida, não para piorá-la. Se questões financeiras acabam em briga, simplesmente não discuta o assunto. Mas se dinheiro é um tema que une o casal… abram uma conta conjunta e sejam felizes para sempre.

O que vale dizer é que os investimentos no banco são importantes, mas o que vale mesmo é o investimento que você faz no seu relacionamento. É mais fácil ser feliz morando no hotel Ritz de Paris, mas a verdade é que dinheiro não compra toda a felicidade. Compra, sim, uma festa de luxo no melhor lugar do mundo, mas lembre-se que essa festa vai durar apenas algumas horas. O que nenhum dinheiro do mundo compra é a vida que começa a partir dali.

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Leio as notícias sobre agressões a garotas de programa e fico revoltado. Um ator da Globo é acusado de jogar uma delas para fora do carro; em São José dos Campos um criminoso maluco põe fogo numa prostituta (ele jogou álcool e ateou fogo – quem sai à noite com álcool no carro?); outros marginais de classe média dizem que espancaram uma moça no ponto de ônibus “porque pensaram que ela uma prostituta”. Sabe de onde vem esse exemplo? Dos políticos que ‘trabalham’ em Brasília. Impunidade é uma arma descontrolada que atira para todos os lados: uma hora acerta o coração e acaba com o Brasil.

Aproveito para reproduzir um texto publicado no Jornal da Tarde há algum tempo, onde trato mais ou menos sobre esse assunto:

Não tenho nada contra prostitutas. Muito pelo contrário. Uma profissão que existe desde que o mundo é mundo só pode ser essencial para a sociedade, ou já teria desaparecido há muito tempo.

Essas profissionais trabalham honestamente (pelo menos na maioria das vezes) e vendem uma coisa que lhes pertence. Ou seja, ninguém pode dizer que não é uma forma de comércio tradicional. Você tem um produto, coloca-o em exposição cara a cara com a concorrência e tenta encontrar um cliente para comprá-lo. Se isso não é comércio, então não sei o que é.

As prostitutas, que chamarei carinhosamente de ‘primas’ daqui pra frente, são uma gigantesca classe de microempresárias, embora algumas tentem disfarçar o ‘micro’ com litros e litros de silicone.

As primas são importantes para a sociedade por várias razões, além, claro, daquelas que todo mundo sabe quais são. Uma delas é econômica: elas rodam as bolsinhas e a economia gira. É como se essas bolsinhas fossem ‘microbolsas de valores’, que sobem e descem de acordo com a oferta e a procura. Não posso entrar em detalhes sobre as ações negociadas nessas bolsinhas de valores, já que esta coluna é um espaço, digamos, família. Mas posso dizer que as primas seguem praticamente à risca a lógica dos pregões: lucram mais em um bom mercado de capitais (Brasília, por exemplo) e concentram o trabalho sempre em um único lugar da cidade, área onde o pregão é identificado geralmente por uma luz vermelha. As primas só não saem gritando ‘vende’ e ‘compra’ pela rua porque aí já seria demais. Pena que no Brasil este tipo de microempresária só receba apoio informal dos políticos, se é que vocês me entendem.

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05.julho.2007 10:24:42

Proibido para menores

Esse clipe é tão bom que devia ser proibido para menores. Quanto à música… que música?

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paris2

Dois comentários rápidos (e inúteis) sobre notícias publicadas hoje no Estadão:

“O grupo de private equity Blackstone anunciou ontem a compra da cadeia de hotéis Hilton por cerca de US$ 26 bilhões em dinheiro.”

Imagina a festa que Paris Hilton vai dar para comemorar o negócio.

“O filho do ex-candidato à presidência dos EUA Al Gore foi preso na manhã hoje com três quilos de maconha em uma estrada da Califórnia.”

Parece que o filho do Al Gore também gosta do contato com a natureza.

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