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Felipe Machado

napraia

Ler algum texto do escritor Ian McEwan evoca, em mim, um sentimento especial. Ao lado de José Saramago, ele é hoje o meu escritor preferido. Arrisco até a dizer que seu Nobel de Literatura não está muito longe: lembre-se disso quando ouvir o nome do escritor britânico anunciado pela Academia Sueca nos próximos anos. McEwan, Philip Roth e J.M. Coetzee são os maiores escritores vivos em língua inglesa.

Enfim, comemoro quando sai um novo livro de Ian (olha a intimidade). Depois das obras-primas ‘Reparação’ e ‘Sábado’, chega às livrarias ‘Na Praia’ (Cia. das Letras, 136 pág., R$ 33). Confesso que nem aguentei esperar o lançamento: li a prova no primeiro sábado depois que a editora me enviou. Sentei no sofá e li o livro inteiro, de uma vez só, parando apenas para comer.

‘Na Praia’ conta a história de Edward e Florence, dois jovens ingleses recém-casados e prestes a perder a virginidade na noite de núpcias. O livro inteiro detalha este momento mágico na vida de duas pessoas, com flashbacks para o dia em que se conheceram, etc. Ian McEwan tem 59 anos, mas recria com um talento incrível a sensação de ser jovem, as inseguranças, os medos, as certezas. Ele já tinha feito isso na pele de uma menina em ‘Reparação’; essa é só uma das razões de ele estar aqui na seção ‘Eu Queria Ser Esse Cara’. Algum dia vou escrever assim, se Deus quiser (e eu me esforçar muito).

Essa noite de núpcias do jovem casal na praia de Chesil (uma praia cheia de pedras; se fosse no Brasil tudo seria diferente) acaba saindo diferente do que eles planejavam (não vou contar aqui, claro) e dá início a um episódio que expõe o comportamento humano de maneira emocionante e dramática. Por meio das palavras, o cérebro pode travar uma batalha irreversível contra o coração. E aí todos os lados saem perdendo.

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Mulher gosta de homem bonito? Gosta. Mulher gosta de homem rico? Com certeza. Mas o que mulher gosta mesmo é de homem com pegada.

Não, não estou falando daqueles rastros que nossos pés deixam no chão, nem das provas encontradas geralmente pelos detetives dos desenhos animados. Pegada é o jeito que o homem pega a mulher, quase sempre alguns segundos antes de colar seus lábios aos dela.

A busca por essa pegada perfeita é um dos grandes desafios do homem moderno. É preciso que haja um equilíbrio mágico entre sensualidade e agressividade, um mix composto por uma dose de homem das cavernas e outra de intelectual francês. O amante latino com pós-graduação em Harvard, sabe?

Note bem, não tem nada a ver com agarrar uma mulher à força. PelamordeDeus. Qualquer homem que força algum tipo de situação com uma mulher não merece bronca – merece cadeia.

A pegada a que me refiro aqui pode até ser romântica, mas tem que ter um toque Neanderthal. Somos grandes primatas, como gosto de lembrar. É como a teoria do aperto de mão: no mundo dos negócios ninguém respeita o homem com aperto de mão fraquinho, sem jeito. Significa falta de personalidade. No amor é a mesma coisa: mulher não gosta de ver homem fazendo biquinho para beijá-la. Mulher gosta de ver o coração batendo nos olhos do cara.
Essa história de pegada tem muito a ver com a atitude. Como dizem por aí, é uma questão de jeito, não de força. E o homem nunca pode ser 100% bonzinho, porque senão ela acostuma e aí ele tem que ser bonzinho para sempre. Homem não pode fazer tudo o que a mulher manda, nem se ela pedir com jeitinho, sussurrando no ouvido e vestida só de lingerie vermelha. Homem bonzinho, embora as mulheres neguem até a morte, enjoa.

Enjoa, na minha humilde opinião, porque a mulher tem que viver numa certa tensão emocional para se manter apaixonada. Ela tem que ficar na dúvida se o cara vai ligar ou não, se vai convidá-la para jantar ou não. Tudo o que é muito previsível perde a graça. E nada mais sem graça do que um cara sem pegada. Pegou?

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22.junho.2007 19:27:24

Chris & Regina

chris

Mais uma novidade do mundo da música: dois discos bem legais acabam de sair por aqui: ‘Carry On’, de Chris Cornell (acima), e ‘Begin to Hope’, de Regina Spektor (abaixo).

Chris Cornell é um velho conhecido dos roqueiros. Ele era vocalista do Soundgarden (minha banda favorita da turma de Seattle, lembra do Grunge?) e depois entrou para o Rage Against the Machine no lugar de Zack de la Rocha, dando origem ao Audioslave. Cornell sempre foi o rockstar principal de suas bandas, sempre atraiu os holofotes. No Audioslave também foi assim, apesar do grande nome da banda ser o genial-incrível-maravilhoso Tom Morello, um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

No novo disco, Cornell (que já tinha lançado um outro belo disco solo em 1999, ‘Euphoria Morning’) ataca de rock pesado, blues e uma interessante versão ‘LedZeppeliana’ de ‘Billie Jean’, do Michael Jackson. Pasmem: ficou muito bom, lembra o clima de ‘Since I’ve Been Loving You’. A música já era bem legal na voz do Michael (antes de ele virar um extraterrestre, claro) e ficou excelente na voz rebelde-sexy de Chris Cornell. O disco tem ainda ‘You Know My Name’, trilha sonora do último filme do James Bond. Há outras 4 ou 5 boas canções, o que para mim já significa que o disco é ‘comprável e recomendável’. Está tão difícil encontrar disco de rock com mais de 5 músicas boas…

O disco de Regina Spektor é uma bela surpresa: confesso que não conhecia a cantora. Fui pesquisar e vi que ela já tem 5 discos. Bem, agora vou ter que correr atrás dos outros. ‘Begin to Hope’, que sai agora no Brasil, traz uma cantora criativa daquelas que surgem em Nova York de anos em anos. Me lembrou um som que mistura Patti Smith, música de cabaret e Björk, e aí você vai ter que ouvir para ver se concorda. Muito bom mesmo, bem melhor que cantorazinhas como Lilly Allen e Amy Winehouse, que estão tão hypadas por aí. Confie em mim: essa Regina Spektor é especial. Lembra da Aimee Mann? Pois é, Regina soa como Aimee Mann se ela se mudasse do Mid-West para Nova York. Regina é folk pós-moderno – enão me pergunte o que isso quer dizer.

spektor

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yoyo

E depois dizem que o rock é que é um estilo globalizado: o violoncelista Yo-Yo Ma é filho de chineses, nasceu em Paris, estudou em Harvard e hoje mora em Nova York. Ontem ele tocou em São Paulo, ao lado da pianista britânica Kathryn Stott, um repertório com obras do argentino Astor Piazzolla, do austríaco Franz Schubert, do belga César Franck e do russo Dmitri Shostakovich.

Depois dizem que um rockstar como Bono, que nasceu na Irlanda e mora lá até hoje, é que é globalizado. (Não, não estou esquecendo que o Yo-Yo Ma, o músico erudito mais popular do planeta, é conhecido por, digamos, menos de 1% da população mundial. Enquanto isso, Bono…

A apresentação foi muito linda, só fiquei triste porque ele não tocou nenhuma das suítes de Bach que gravou em um disco duplo incrível e o que eu mais gosto. O som só não estava perfeito porque o teatro Cultura Artística é muito grande: o volume estava um pouco baixo e, na minha opinião, os graves do piano de Kathryn estavam se sobressaindo sobre o violoncelo de Yo-Yo. Eu gosto mais quando o cello é um pouco mais grave, mas aí é questão de gosto. Melhores momentos: o tango de Piazzolla (deu vontade de chorar, sério) e a sonata do compositor César Franck. Triste, mas de melodia super bonita. E ninguém toca movimentos ‘allegro’ como Yo-Yo Ma: ele levanta da cadeira, faz careta, se emociona, e termina fazendo pose para a platéia. Isso é que é rockstar.

Para finalizar: por que os paulistanos tossem tanto durante uma apresentação? Será que é porque o clima está muito seco ou há algum outro componente psicológico no ar? Até o Yo-Yo Ma estranhou.

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20.junho.2007 09:22:03

Acabou a festa

Guizela

Ufa!
Acabou a São Paulo Fashion Week. Não que eu tenha achado ruim passar sete dias em meio às mulheres mais bonitas do Brasil – é que eventos como esse são cansativos, mesmo. E deixam uma bela ressaca.

Como disse no post que ficou emperrado aqui uma semana, passei os dias assistindo aos desfiles e fazendo comentários (Palavra de Homem ‘falada’) na Rádio Eldorado. Quem tiver paciência e quiser ver os vídeos (o portal fez uma cobertura online muito boa do evento), pode checar aqui e procurar pelas entrevistas.

A primeira vez que estive na SPFW faz tanto tempo que acho que ainda se usava calça boca de sino. Não, não entendo nada de moda, antes que você me pergunte. Achei tudo muito fascinante, as novas tendências, etc, mas fui à SPFW pela mesma razão que todos os outros homens: para ver as modelos.

Logo no primeiro dia, dei de cara com a Daniela Sarahyba e a Luiza Brunet. Também vi de longe a Monique Evans, mas agora não sei se era ela ou um transexual parecido. Não falei com nenhuma delas, antes que você me pergunte. São mulheres tão distantes que vê-las de perto é quase como admirar esculturas num museu. Na SPFW, as mulheres são pedestais onde os estilistas penduram suas obras de arte. São telas brancas, altas e magras, coloridas por metros e metros de tecidos e acessórios.

A SPFW teve como tema a preocupação com a água no planeta. Foi pertinente, porque ecologia está super na moda (com o perdão do trocadilho) e porque água tem tudo a ver com as modelos: já reparou como modelo bebe água? E é sempre água com gás, não sei por quê. Deve combinar bem com o sabor do agrião.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a hierarquia entre os famosos nos desfiles. Eram tantos fotógrafos famintos por celebridades, que vi uma matilha deles se estapeando até para clicar a Rosamaria Murtinho – e eu nem sabia que ela era um ícone fashion. Em terra de fotógrafo cego, quem tem um olho é rainha.

Em outro desfile, Sabrina Sato era a Madonna da vez. Gente querendo fotografá-la eu até entendo, mas não sei por que os jornalistas duelavam com microfones para vem quem conseguia entrevistá-la. O que a Sabrina Sato tem a dizer sobre qualquer assunto, inclusive moda?

Meus desfiles preferidos:
Masculino – Alexandre Herchcovitch. Não foi apenas porque ele fez um desfile super heavy metal e eu tenho uma grande conexão com esse mundo. O Herchcovitch é um dos estilistas mais criativos do Brasil, o cara é fogo. Faz tanto moda mais ‘comercial’, como a coleção da Cori, quanto as roupas de demônio da coleção masculina. Achei bem legal e vou pedir a ele para patrocinar minha banda, o VIPER.

Feminino – Os desfiles mais legais, empatados em primeiro, foram os de biquíni. Em segundo lugar, todos os outros.

Modelos (foto acima da modelo Guízela, por Evelson de Freitas/AE)- Gostei muito de todas em geral, mas algumas me chamaram a atenção, como a maravilhosa (e misteriosa) Juliana Imai. Ju (olha a intimidade) desfila como se estivesse andando sobre nuvens, é incrível. Também gostei das celebridades (Fernanda Lima, Ivete Sangalo) e as tops de sempre (Isabeli Fontana, Gianne Albertoni, etc), além de uma new face chamada Guízela (será que é assim que se escreve o nome dela?), que desfilou para o Marcelo Quadros. Se o nome estiver errado, espero que ela me mande um e-mail com a correção – se é que você me entende.

Curiosidade: Na SPFW teve até desfile com vestido feito de ouro. Quanto a isso, só posso dizer uma coisa – Vestido de ouro da Isabela Fiorentino: R$ 500 mil. Isabela Fiorentino: não tem preço.

Daqui a seis meses tem mais, a São Paulo Fashion Week Inverno 2008. Não sei se eu vou, porque coleção de inverno é sempre aquele monte de roupa, não faz meu estilo. Para mim, moda tem que ter a menor quantidade possível de tecido. A não ser que seja moda masculina, porque aí poderia ter um SPFW à parte. E daí eu deixo para os outros cobrirem.

Entra ano, sai ano, e eu continuo sem entender o que o povo fashion tanto carrega naquelas mochilinhas. Talvez você possa me contar.

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Estamos ficando chiques: o blog Palavra de Homem está passando a semana na São Paulo Fashion Week. Quem quiser acompanhar, pode ouvir na rádio Eldorado, todos os dias, entre 19h e 20h (o horário varia entre 19h20 e 19h40) ou ver os boletins aqui, dentro da cobertura do portal do Estadão. Na terça-feira, último dia do evento, prometo fazer aqui no blog um balanço de tudo que rolou. Agora, se vocês me dão licença, eu preciso correr para assistir a mais um desfile de alguma grife de biquínis.

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11.junho.2007 09:59:50

Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados é uma boa oportunidade para esclarecer o tipo de relacionamento que você tem. Hoje em dia, ‘namoro’ é apenas uma das opções do variado cardápio de relacionamentos disponível no mercado.

Por exemplo: não importa o quanto sua mulher reclame, quem é casado não precisa dar presente no Dia dos Namorados. Ponto final. O marido batalhou muito para até chegar aqui; agüentou meses de TPM da mulher (Tensão Pré-Matrimônio) durante os preparativos do casamento; bancou arranjos de mesa dourados que até hoje não descobriu o que eramou para que serviam; passou o casamento inteiro sendo beijado por parentes de bigode (homens e mulheres) que nunca viu na vida; aprendeu que em vez de uma, agora tem três mulheres mandando na sua vida (mulher/mãe/sogra). E daí vem um shopping center e diz na televisão que você e sua mulher continuam sendo namorados? Sai fora.

E no caso da amante? Ganha presente ou não? Se o cara é casado e a amante é solteira, ele tem que dar presente, sim. Se a mulher é que é a casada da história, é ela quem tem que dar o presente. Agora, se os dois são casados… em vez de presentes, arrumem um pouco de vergonha na cara.

Presente serve para compensar o sofrimento do outro. Regrinha básica: quanto maior o valor, maior a compensação. Se o seu marido lhe der um anel de brilhates no Dia dos Namorados, das duas uma: ou você tem muita sorte ou muitos enfeites na cabeça.

O Dia dos Namorados mais marcante da minha vida aconteceu em 2000, meu primeiro dia de trabalho no JT. Enquanto eu fazia matéria sobre a data (ligando para casais, lojas, porteiros de motéis atrás de boas histórias), a TV exibia ao vivo o seqüestro do ônibus 174, no Rio. Na redação, eu escrevia sobre um tema leve e divertido; na vida real, um desequilibrado ameaçava vários reféns. Foi a prova mais brutal de que a vida é feita de amor e ódio, equação que hoje em dia infelizmente está pendendo cada vez mais para o lado de lá. Mas a tragédia também prova que a vida continua. E que seria bom sonhar com um Dia dos Namorados feito apenas de amor entre todos nós, casados, amantes, separados, namorados, solteiros. Já seria um bom começo.

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08.junho.2007 17:41:16

Só para os homens

Essa é só para os homens. De todas as idades (a partir dos 18 anos).

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moradorderua

Desta vez os moradores de rua radicalizaram: em vez de montarem suas residências nas calçadas, resolveram morar… na rua, mesmo. Sério. Na esquina da R. Mário de Andrade com Lopes Chaves, no bairro da Barra Funda (que a Prefeitura quer vender como o próximo bairro ‘cool’ de São Paulo), os mendigos estão morando tranquilamente no asfalto da via. E como mendigo que se preze tem sempre três ou quatro cachorros, dá para imaginar o que acontece por ali: carros obrigados a desviar, riscos de acidentes, atropelamentos… O engraçado é que a situação já dura mais de um mês. Será possível que só eu achei estranho?

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Todo mundo sabe que homens e mulheres não falam a mesma língua. Não, não estou falando de um eventual diálogo entre o cara que nasceu na China e a garota que nasceu na Rússia. Isso seria uma coisa, digamos, óbvia. Estou falando de gente que deveria, na teoria, se entender, mas que não consegue se comunicar, por diversas razões. Para ajudar as mulheres em situações específicas, elaborei um pequeno dicionário de expressões masculinas. Recomenda-se recortar este texto e carregá-lo na bolsa, para consulta em situações de emergência.

Expressão: “O problema não é você, sou eu.”
É usada para: Pôr um ponto final no relacionamento.
Tradução: “O problema não sou eu, é você.”

Obs. Assumir a culpa, ao contrário do que pode parecer aqui, não é prova de coragem. Homens são covardes. Mentir que a culpa é nossa é só um ato de misericórdia antes de empurrar a mulher para um abismo emocional.

Expressão: “Eu quero… mas não sei se devo.”
É usada para: Justificar um recuo estratégico.
Tradução: “Eu não devo… mas também não quero.”

Obs. Culpar a moral e os bons costumes por algo que a gente não quer fazer é a maneira mais fácil de iludir uma mulher. E ela até sairá por aí elogiando o seu caráter.

Expressão: “Eu? Claro que não tenho namorada. Apenas uns rolos por aí.”
É usada para: Enganar uma mulher solteira.
Tradução: “Namoro há oito anos e meio, mas quero ficar com você hoje à noite.”

Obs. Trair a namorada é… traição. Por isso, homens só fazem isso se a relação custo-benefício for positiva.

Expressão: “Não se preocupe, prometo não contar para ninguém.”
É usada para: Convencer uma mulher minutos antes da primeira transa.
Tradução: “Não vejo a hora de contar que fiquei com você para meus amigos.”

Obs. Homens não entendem por que transar se não puder contar para ninguém.
Expressão: “Vou jogar futebol com os amigos.”
É usada para: Passar a noite falando mal das mulheres.
Tradução: “Vou jogar futebol com os amigos.”

Obs. É raro, mas às vezes os homens dizem exatamente o que pensam.

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