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Felipe Machado

31.janeiro.2007 18:07:32

Quadrinhos femininos

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Recebi um material bem legal de uma desenhista e divido aqui com vocês. São tirinhas estreladas por uma dupla de personagens, Ina e Ana, que revelam bem um ponto de vista divertido e irônico (como eu gosto) do universo feminino. A autora é Paola Cerveira, talentosa designer e artista plástica. Quem se interessar pelo contato, é só pedir.

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Sua mulher reclama que você não dá jóias para ela? Minta que vai pensar no assunto e a convide para ir ao cinema assistir a ‘Diamante de Sangue’. Diga que é com o Leonardo DiCaprio que ela vai querer ver. O filme mostra que por trás daquelas minúsculas pedrinhas que brilham (e fazem os olhos da sua mulher brilharem) estão milhares de mortos em conflitos na África. O filme é bem violento: ela vai ficar alérgica até a cacos de vidro.

Aproveite a oportunidade e conte que matérias-primas como ouro e prata vêm de minas e garimpos cruéis, verdadeiros formigueiros humanos no fim do mundo. E que esses metais preciosos já foram responsáveis pela opressão da antiga América e Ásia, etc. Sensível como ela é, nunca mais vai querer usar jóias.

Ela, porém, pode mudar de assunto e dizer que precisa trocar o carro. Explique que isso também não é uma coisa assim, simples. Um carro novo, fabricado por trabalhadores divididos entre sindicatos e empresários exploradores? É bom pensar bem. Siga este raciocínio e você driblará qualquer pedido… material.

E por quê? Por que privá-la de se exibir a amigas e parentes no almoço de domingo?

Bem, em primeiro lugar, para sobrar dinheiro para coisas mais importantes. O seu uísque 12 anos, por exemplo. Mas, principalmente, para fazê-la entender que há uma infinidade de presentes caríssimos no mundo, mas que nenhum deles chega aos pés do que você pode oferecer de graça: o seu amor.

Eu sei, é difícil uma mulher entender isso num primeiro momento. Mostre que há outras formas de você provar seu amor. Um beijo roubado no corredor de casa, um café da manhã na cama, um ‘eu te amo’ pelo telefone no meio da tarde. Nada disso custa dinheiro, mas vai melhorar o dia dela. E ao melhorar um simples dia, você imeditamente melhorará a vida da sua mulher, que é, no fundo, feita de dias, um após o outro, e não de eventuais e abstratos planos para o futuro. O amanhã nunca chega, porque quando realmente chega, já virou hoje. E o que muda a nossa vida é o que a gente faz nos hojes. Dos ontems, guarde apenas as boas lembranças e aprenda com os erros. O mais importante é ser um cara legal hoje. Assim, você não precisará comprar um anel de diamante amanhã.

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25.janeiro.2007 13:53:54

O bom de morar em São Paulo

Quitandinha

Para celebrar os 453 anos de São Paulo, pensei em fazer uma lista com as 453 coisas que eu mais gosto na Cidade. Aí lembrei que talvez não existam 453 coisas boas em São Paulo. Para piorar, eu não tenho uma seção chamada ‘Top 453′ aqui no blog. Tenho, no entanto, uma seção Top 10, então aqui vai uma listinha com as 10 coisas que eu mais gosto de fazer em São Paulo.

1. Sair para jantar com minha mulher num restaurante thai
2. Tomar cerveja com os amigos na Vila Madalena (acima, foto do bar Quitandinha)
3. Comprar umas revistas gringas e devorá-las tomando milk shake na Vila Boim
4. Pegar uma piscina no clube naqueles dias abafados (antes de chover) e depois almoçar com a família
5. Assistir a um bom show de rock no Via Funchal e Credicard Hall, ou a um concerto no Auditório Ibirapuera
6. Almoçar sushi com saquê no fim de semana na Liberdade
7. Comprar discos na Galeria do Rock, no Centro, ou na Nuvem Nove, no Itaim
8. Passear pelas ruas de Higienópolis com meu cão, minhas havaianas e meu iPod
9. Sair para uma festa na casa de algum amigo
10. Ficar em casa lendo e ouvindo música sem me preocupar com as milhões de coisas que estão acontecendo lá fora

Bom, essas são as minhas. Aguardo as ‘São Paulo Top 10′ de vocês (Quem morar em outra cidade e quiser fazer também, fique à vontade. Este blog é uma grande ditadura democrática).

PS. Eu esqueci de incluir na lista, mas também não tem nada melhor em São Paulo do que sair para uma pizza com vinho tinto no domingo à noite.

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Viper

Como mencionei 73 posts atrás, toco guitarra numa banda que se chama Viper e vai lançar um CD novo este ano depois de quase dez anos sem um disco de músicas inéditas. Aproveitando para fazer um pouco de propaganda, o Viper vai tocar na próxima sexta-feira (26/1) em Campinas, às 22h, na casa noturna Hammer Rock Bar (R. Dr. Armando Sales de Oliveira, 377, Taquaral, 19-3295.7154). Vamos mostrar algumas músicas que estarão no disco novo que, se Deus quiser e os produtores permitirem, sai em maio. Todos os internautas estão convidados, basta gostar de rock pesado e pagar R$ 15 de entrada.

Desde o início da banda, tenho o prazer de tocar com um de meus melhores amigos, o genial baixista e compositor Pit Passarell. Pit não compõe apenas músicas incríveis para o Viper, mas para outros artistas brasileiros como Capital Inicial e Nila Branco (ele é o último da esq. para a dir.) Além do Viper, o Pit também toca no Metanol, que considero a melhor-banda-sem-gravadora do Brasil. Bom, isso tudo para dizer que o Pit, apesar de não saber nem ligar o computador, estreou um blog. É uma das coisas mais engraçadas do mundo. Trecho: ‘gostaria de ter um casamento tradicional, mas deve ser meio estranho dividir um altar com duas pessoas de vestido longo: a noiva e o padre’. E por aí vai. Acesse o blog do Pit aqui. Abaixo, a letra de ‘O Mundo’, sucesso do Pit gravado pelo Capital Inicial. Letra de gênio.

‘O Mundo’
Capital Inicial
Autor: Pit Passarell

Você que já esteve no céu
Foi tudo divertido pra você?
Chega a hora então de provar tudo que existe
Tire agora os sapatos jogue tudo pro alto, sinta o chão
Aprender a andar descalço num mundo de asfalto e sem coração
Até que o mundo gire ao seu redor

Obrigado por passar, mas estou de saída
Tem alguma coisa nova pra fazer?
Vamos lá então ter um dia diferente
Eu só quero curtir, ficar à toa, viver numa boa
E você quer respostas, exige provas e músicas novas
Até que o mundo gire ao seu redor

Vão falar que você não é nada
Vão falar que você não tem casa
Vão falar que você não merece
Que anda bebendo e está perdido
E não importa o que você dissesse
Você seria desmentido
Vão falar que você usa drogas e diz coisas sem sentido
Se eu for ligar para o que é que vão falar, não faço nada

Eu procuro tentar entender
Porque eu sou tão importante pra você
Já que é bem melhor ser importante para si mesmo
Eu não quero mudar, ser mais discreto, ser mais esperto
Já cansei de propostas, dar respostas e ter que dar certo
Até que o mundo gire ao meu redor

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23.janeiro.2007 17:04:15

Ben Harper, o novo Bob Marley

Ben Harper

Faz tempo que não vejo tanta mulher bonita num lugar só. O show do Ben Harper, ontem no Via Funchal, foi um desfile de surfistinhas de 20 e poucos anos, queimadinhas de sol e hiper-cuidadosamente desleixadas. Parecia que eram seis mil pessoas em um luau na praia, mas em vez de um maluco cantando Raul Seixas e Legião, era o gente-boa Ben Harper e uma banda maravilhosa.

A música? Ah, tá. A música estava muito boa. Ben Harper começou o show tocando slide guitar (alguns chamam de steel guitar, outros de lap guitar) sentado, como é seu estilo tradicional. Algumas partes foram meio chatas, porque ele fica viajando muito tempo e faz uns solos intermináveis. Mas quando ele perde a preguiça e se levanta, (desculpe o trocadilho) o show também dá uma levantada. Aí vieram vários rocks psicodélicos e, principalmente, alguns reggaes muito bons. Ben Harper é o novo Bob Marley, já que os filhos dele não herdaram o talento do mestre. A mãe de Ben Harper foi backing vocal de Marley, então ele deve ter aprendido na infância.

No final do show, subiu ao palco o Donavon Frankenreiter, californiano-surfista-maluco-beleza que abriu o show. Alguém precisa aconselhá-lo a tomar banho: o cabelo não sabia o que era água há dias.

O show terminou com ‘Sexual Healing’, versão que ele fez para o clássico de Marvin Gaye. Todo mundo cantando, garotas dançando de mãozinhas para o alto e olhinhos fechados… um paraíso (no meu caso, só para os olhos, claro).

Hoje (terça-feira, dia 23) tem mais um show – acho que vou ter que ir de novo. Vale a pena – inclusive pela música.

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22.janeiro.2007 18:15:24

O pacote humano

É comum ouvir gente dizer que só se casou “por causa da covinha” no queixo dele, ou que foi o “sorriso dela” que conquistou seu coração. Tudo balela: ninguém se apaixona por uma coisa só. O que conta mesmo é o pacote. O pacote humano.

Você está com alguém e quer saber se esse pacote vale a pena? Conheço um exercício bastante simples. Pegue uma folha de papel, escreva “eu adoro” no topo esquerdo da página e, embaixo, faça uma lista com tudo o que você ama no seu relacionamento. Do lado direito, debaixo de “eu odeio”, detone tudo o que você não agüenta mais na pessoa amada. Veja qual foi o lado que teve mais anotações e tome a sua decisão. Agora amasse bem o papel e jogue no lixo. Não importa o resultado: se você precisou fazer uma lista dessas, a coisa deve estar feia.

A primeira coisa que digo aos amigos que ainda não se casaram: sejam tolerantes. Lembra do ‘Tolerância Zero’, programa contra o crime que deu certo em Nova York? Pois é, em relacionamento o que dá certo é o ‘Paciência Mil’. Porque quanto mais velho você se casa, mais manias leva para o relacionamento. E aí fica difícil encontrar espaço para as manias dos outros. Ué, você achou que só você tinha manias?

Só preste atenção naquelas mentiras universais que as pessoas insistem em acreditar. A de que é possível mudar alguém, por exemplo. As mulheres se casam achando que vão mudar o homem; o homem se casa achando que a mulher não vai mudar. A verdade é que ninguém muda ninguém, cada um só pode mudar a si próprio (e é melhor nem pedir para o outro mudar, já que geralmente é para pior).

Você odeia quando ele não levanta a tampa da privada? Veja pelo lado bom: ele poderia estar fazendo xixi no chão. Você não suporta vê-la roendo as unhas? Pense bem… ela poderia estar roendo as suas unhas.

É como diz um dos meus ditados preferidos: “As coisas mudam, as pessoas não.” Isso não é conselho. Conselho é uma coisa que se dá de graça, e lembre-se que você pagou pelo telefone e pela conexão à internet para ler isto aqui. Mas posso sugerir uma coisa? Esqueça os pequenos detalhes e concentre-se no conjunto da obra. É esse pacote que vai determinar a sua felicidade.

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Elis

Cresci ouvindo Elis Regina em casa, graças ao bom gosto musical dos meus pais, ambos jornalistas de cultura. Em ocasião dos 25 anos da morte da Elis, na última sexta-feira, comentei com minha mãe que gostaria de ler um texto dela sobre a cantora, que também era sua amiga e ‘ídola’. Achei tão bonito que pedi a autorização para postar aqui no blog. Aqui está, portanto, o texto da jornalista Helô Machado.

“19 de janeiro de 1982. A empregada entrou correndo no meu quarto e disse: A Elis morreu! O susto foi tão grande que comecei a chorar, antes mesmo de saber se a notícia era verdadeira. E chorei o dia inteiro. Elis sempre foi a minha cantora, a artista que eu queria ser se fosse artista. Era a voz, o balanço, a divisão da música, era tudo. Eu até imitava Elis, de tanto que gostava. Todo mundo sabia disso. Ela também. E ria daquele jeito escancarado, de gengiva imensa e dentes pequenininhos.

No dia em que Elis morreu, fui para a Folha chorando, almocei chorando, trabalhei chorando, fiz uma entrevista na TV chorando, peguei o carro chorando e fui me despedir dela à noite, no Teatro Bandeirantes, chorando.

Mas não era só eu que chorava. Lá fora, a multidão não parava de chorar. Uma multidão que fechou a Brigadeiro até o dia seguinte.

Walter Silva, o Pica Pau – disc-jockey e grande amigo de Elis – me consolou na chegada. Entrei na fila para vê-la no palco, o mesmo palco onde a aplaudi tanto e onde ela viveu tanto sucesso em tantos meses com seu show ‘Falso Brilhante’.

Diante do caixão, relembrei meus momentos únicos com Elis: ela, aflita na porta da minha casa, pedindo que eu amamentasse seu filho João Marcello – ele era alérgico a todo tipo de leite e a ama-de-leite que ela havia contratado não conseguira pegar a ponte aérea.

Eu tinha acabado de ter meu primeiro filho Felipe e, felicíssima, pude atender ao pedido da ‘minha ídola’, que se hospedava sempre (para minha alegria) na casa de meu vizinho, o ator Alberto Ruschel.

Lembrei também dos nossos cabelos vermelhos e curtinhos à moda de Elis, ‘raspados’ no (barbeiro) Ringo, do Shopping Iguatemi, e das nossas gargalhadas quando Elis cantava ‘Amante à Moda Antiga’, em seu último espetáculo ‘Trem Azul’, de Fernando Faro.

No camarim, antes do show, ela substituía o ‘T’ pelo ‘P’ no verso “…apesar do velho Tênis e da calça desbotada…” e a gente morria de rir.

E lá estava eu, olhando Elis morta, tão pequenininha, meio que sorrindo, com a garganta cortada pela autópsia e a camiseta proibida da bandeira do Brasil, com ‘Elis Regina’ no lugar de ‘Ordem e Progresso’.

Alguém do meu lado me abraçou, tentando me confortar. Era Belchior. Saí, chorando ainda mais: me lembrei que Belchior terminou de compor ‘Como Nossos Pais’ num jantar que demos em casa… Elis amou tanto a música que não via a hora de gravá-la.

Tudo isso faz tanto tempo… outro tempão que não encontro Belchior. Quanta coisa aconteceu, surgiu, desapareceu, mudou. Como o tempo passou depressa. Faz tanto tempo e parece que foi ontem. Parece que Elis se foi para sempre e que não partiu nunca. Choro até hoje quando vejo Elis na TV, mas mesmo assim gosto de vê-la. Ouvir Elis é sempre uma grande felicidade. Dependendo da música, canto com ela. Ou, para falar a verdade… dou uma choradinha.”

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19.janeiro.2007 18:25:55

Quem é Ronaldo Ésper?

Desculpe a erudição, mas quem é Ronaldo Ésper?

Coitado, deve ser um bom costureiro. Tomara que ele não fique conhecido como o ‘cara que fala mal de todo mundo na TV e nas horas vagas rouba vasos em cemitérios’.

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Desculpe se parece que estou ficando meio amargo, mas a coisa tá feia por aqui. Eu achava que já tinha visto tudo na vida, mas quem mora no Brasil nunca pode se surpreender demais com uma coisa, qualquer coisa, aliás. A realidade é muito, mas muito mais bizarra que qualquer ficção. Impossível inventar uma história assim.

Imagina se em algum (outro) lugar do mundo uma pessoa tem o cabelo assaltado no meio da rua. Pois foi isso que aconteceu no Rio de Janeiro anteontem. A vendedora Mirna Marchetti, de 22 anos, teve o cabelo roubado por dois homens quando andava de ônibus. Os mais otimistas podem ver a história por outro lado: pelo menos o ônibus não foi incendiado com ela dentro. Sendo assim, ela já está no lucro. Uau.

Dizem por aí que o cabelo foi assaltado para ser vendido como peruca. Só pode ser. Segundo especialistas, “o mercado de perucas fica aquecido antes do Carnaval”.

(Não acredito que eu escrevi a frase anterior. E navegando pela internet, descobri que este é o segundo assalto a cabelo desde dezembro – o que é ainda mais inacreditável.)

Ainda tem gente que diz que o melhor do Brasil é o brasileiro. E olha que não vou nem mencionar (vou, sim) o caso da ex-Miss Brasil Leila Schuster que foi assaltada e arrastada pela rua, também no Rio. Ela teve que fazer uma cirurgia de reconstrução em três dedos da mão direita. Deve ser por esse clima ameno que os soldados americanos no Iraque gostam tanto do Rio.

Prometo que o próximo post vai ser leve e divertido. Se o Brasil deixar.

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16.janeiro.2007 17:39:42

Diet man

Caro colega homem,

precisava de um incentivo para manter a forma?

Então não precisa mais. Leia aqui.

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