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Felipe Machado

www.palavradehomem.com.br

“A despedida é uma dor tão doce…”, diz Julieta para Romeu, na clássica cena em que o apaixonado casal se despede na varanda. Não é novidade Shakespeare acertar em cheio no âmago do sentimento humano. Partir é, sim, um doce pesar, tanto para quem fica quanto para quem vai.

Para quem fica, a solidão. Para quem parte, as dúvidas diante do desconhecido. O que isso tem de doce? O mundo só existe porque se transforma; a vida só se renova quando nos sentimos obrigados a renová-la.

Entre doces e pesares, é isso que estou fazendo agora: me despedindo. Dizer ‘adeus’, porém, talvez seja exagero. Vamos dizer que é apenas uma mudança de endereço, já que este humilde blog está se mudando para um endereço próprio: www.palavradehomem.com.br . É apenas um deslocamento das palavras que saem da minha cabeça e o movimento cadenciado dos seus olhos, que costumam (costumavam) acompanhá-las nesse espaço virtualmente físico.

Mas as ideias que estão aqui não vivem apenas nesse ambiente hospedado no portal do Estadão, que me acolheu com tanto carinho durante tanto tempo. Elas vão comigo (e com você) aonde a gente for.

Foi maravilhoso contar com sua companhia nesses cinco anos. Todos textos publicados aqui foram transferidos para o endereço novo, o que me faz agradecer muito a equipe de tecnologia do Estadão. Continuamos amigos, espero, apesar da minha saída. E aproveito para dizer que todos os textos publicados aqui foram sinceros e do fundo do meu coração. Alguns foram feitos às pressas, de outros tenho orgulho por ter conseguido passar algum tipo original de ideia ou conceito.

Nunca me pediram para escrever sobre isso ou aquilo, contra aquele ou a favor deste, dessa maneira ou de outra. Disse sempre o que sentia, para o bem ou para o mal. Se cometi excessos, peço desculpas. Se fiz você pensar, agradeço humildemente.

Um blog como este, sem temas específicos, só funciona na base do diálogo. Por isso agradeço também os milhares de comentários e e-mails que recebi durante todo esse tempo, mesmo os que me criticavam. Nunca tentei ser polêmico, mas é difícil não tomar partido diante de certas situações. Pode ter certeza de que as críticas me incomodaram, e me fizeram refletir para saber se eu realmente estava ou não errado. Em muitas ocasiões, estava mesmo.

Fiquei sabendo há pouco tempo de algo que me deixou muito feliz: duas pessoas que se conheceram na área de comentários deste blog hoje estão juntas. Sem demagogia, só de saber isso já valeu todo o meu trabalho. Há recompensa maior para alguém que escreve sobre relacionamentos humanos? Camila e Beatlemaníaco, podem me chamar que eu aceito ser padrinho.

Bem, é melhor ir parando por aqui porque estou ficando realmente emocionado. Não vou considerar isso o fim do nosso relacionamento, espero você no novo Palavra de Homem. Afinal, a despedida só é uma dor tão doce quando nos permite sonhar com o reencontro. Até lá.


Felipe Machado

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Nossa, já é Páscoa de novo. Cada ano que passa parece correr ainda mais rápido, como se o gargalo da ampulheta se alargasse e deixasse cair cada vez mais areia. Acho que é uma mistura da idade chegando com a rapidez da vida moderna. Ou então é porque nunca dá tempo de fazer tudo que a gente quer.

Um ano é um bom período de tempo para analisar como andam as coisas. Por exemplo, o que aconteceu na sua vida de um ano para cá? Pense na Páscoa de 2010: as coisas melhoraram ou pioraram desde então? Tomara que tenham melhorado. Até porque, se não melhoraram… a culpa é sua.

E a vida amorosa, como vai? Tomara que esteja tudo bem. Mas se, por acaso, o seu relacionamento está ruim há um ano… tudo leva a crer que ele vai continuar ruim. E que você vai sofrer mais um ano. Mude isso hoje, por favor. Só depende de você.

Um ano é suficiente para dar uma guinada na vida. Você tem pelo menos 365 chances para fazer isso. Não espere o meu post na Páscoa de 2012 para perceber que tudo poderia ser diferente desde agora.

Olhe para a pessoa que está ao seu lado. O que você fez por ela no último ano? Ou melhor, o que você fez por ‘vocês’? Talvez você não se lembre do número exato, mas quantas vezes vocês saíram para jantar de um ano para cá? Só isso? E aquele fim de semana a dois na praia, foram quantos? Na dúvida, divirta-se. A vida é muito curta. Só um parênteses: não é porque costumo falar aqui das coisas do coração que eu acho trabalho uma coisa menos importante. Por falar nisso, o que você apresentou de original ao seu chefe no último ano? Quantos projetos, novas idéias? Gente que se acomoda no trabalho é como gente que se acomoda no relacionamento: fica para trás.

Domingo de Páscoa é um bom dia para se pensar em uma nova vida. Faça como Jesus Cristo: ressuscite.

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É uma nave espacial? É uma arranha-céu? É uma aranha gigante? Não, é o palco do U2. A foto é de M.Rossi

Trabalho com as palavras há muito tempo e estou acostumado a usá-las para descrever as coisas. Algumas vezes, no entanto, as palavras não são suficientes, como se a realidade fosse tão espetacular que passar os olhos por letrinhas parecesse algo simplificado demais. É assim com grandes eventos históricos, por exemplo. É assim com sentimentos abstratos, com o perdão do pleonasmo conceitual. E foi assim com o show do U2.

Assisti à apresentação de domingo, e pelo que vi na imprensa, parece ter sido um show bem diferente do que aconteceu no sábado – e, provavelmente, bem diferente daquele que será a última apresentação da turnê brasileira, na próxima quarta-feira. Digo isso principalmente pelo setlist: não é incomum uma banda que faz mais de um show na mesma cidade mudar um pouco o repertório. Mas o U2 radicalizou, com várias canções diferentes entre os dois shows. O que mostra aquilo que todo mundo já sabe, mas que anda com um pouco de vergonha de dizer: o U2 é a maior banda do mundo.

Essa denominação não é apenas retórica de crítico de rock. Afinal, quando os Rolling Stones vem ao Brasil, eles são ‘a maior banda do mundo’. Quando o Radiohead vem ao Brasil, eles também são ‘a maior banda do mundo’. Mas isso é tudo uma grande bobagem, porque o U2 supera essas duas bandas em qualquer quesito. Tudo bem, confesso que sou fã de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. Mas não sou um fã cego.

Digo que o U2 é maior que os Rolling Stones (em importância e em relevância artística) não apenas porque eles têm hoje o maior palco já construído na história do showbiz. A grande diferença é que o U2 se preocupa em ser relevante musicalmente, ao contrário de músicos como Rolling Stones, AC/DC e até Paul McCartney, por exemplo. Note que não estou comparando esses artistas, cada um tem seu estilo e sua importância. Mas Stones, AC/DC e Paul não estão nos auges de suas carreiras há tempos, muito longe disso. Os artistas de hoje não se preocupam em criar obras-primas fonográficas, mas em lançar discos para viabilizarem turnês. Essa eu acho que é a grande diferença do U2: após 30 anos de carreira e mais de 100 milhões de discos vendidos, eles ainda se desafiam a fazer melhor do que já fizeram – e olha que isso não é fácil.

Tem gente que acha o disco ‘Boy’ o melhor da carreira do U2; tem gente que ama o ‘Achtung Baby’ (eu, inclusive). Mas não dá para dizer que ‘All That You Can’t Leave Behind’ é um disco lançado apenas para cumprir tabela; assim como ‘No Line on the Horizon’ pode ser apenas um disco mediano do U2, mas mesmo assim é melhor do que praticamente qualquer disco de qualquer banda lançado dos anos 2000 para cá. Não, eu não sou o tipo de crítico que tenta descobrir ‘a nova melhor banda do mundo’ todos os dias. Eu acho que o teste do tempo e da qualidade se impõe. Vamos ver onde estará o Arcade Fire e o Arctic Monkeys daqui a trinta anos. Mesmo o Radiohead, que é uma banda genial, não pode ser comparada com o U2. Radiohead está mais para um Pink Floyd pós-moderno, cheio de experimentações que nunca chegarão ao grande público. Pode agradar os mudérrnos, mas será que há muita gente que realmente se lembra de alguma música do Radiohead além de ‘Fake Plastic Trees’, que ficou famosa por ser trilha sonora de um comercial?

Duvido.

Mas chega de comparações porque música é arte, não campeonato de talento ou fama. Voltando ao início do texto, o motivo pelo qual eu senti dificuldades em encontrar palavras para descrever o show do U2 é um só: o palco da turnê 360 graus.

Vou tentar descrevê-lo, mas já peço desculpas pela eventual imprecisão. Bono diz que criou o palco colocando quatro garfos encaixados um no outro em cima de uma mesa; lenda ou não, é isso mesmo que parece. Só que esses garfos, na vida real, são tentáculos gigantescos que grudam no gramado como se toda a estrutura fosse uma nave espacial que acaba de pousar no centro do estádio. É um monstro. É uma aranha cibernética. É uma garra de alguma criatura que povoa nossos pesadelos mais sombrios. Resumindo: é o palco mais impressionante que já foi montado desde que alguém inventou um conceito chamado ‘show’.

O arranha-céu do U2 tem uma antena que projeta luzes até o céu; tem um telão circular que desce do topo da estrutura até o palco e praticamente encosta na cabeça dos músicos antes de subir de novo e virar novamente um telão. Mas a ideia mais genial por trás de toda essa megaestrutura é financeira: como o palco é circular e montado no centro do gramado, é possível vender todos os ingressos do estádio. Isso, para quem vive o dia a dia de turnês, sempre foi um problema. O palco era montado em uma extremidade do estádio, portanto não se podia colocar à venda os ingressos que ficavam atrás dele. Com o palco 360 graus isso muda: o U2 pode vender todos os ingressos de arquibancada, além da pista, todos com excelente vista a partir da plateia. É por isso que o Morumbi receberá 90 mil pessoas por noite, ao contrário de outros shows, que recebem ‘apenas’ 60 mil. Pequena diferença em termos de arrecadação, não? É por isso que essa turnê já arrecadou mais de US$ 500 milhões desde seu início, em Barcelona, em junho de 2009.

Por incrível que pareça, esse monstro que o U2 chama de palco é justamente o ponto mais negativo do show, se é que podemos dizer que há algum ponto negativo. Deixa eu tentar explicar: o palco é tão grandioso e chama tanto a atenção, que desvia um pouco a atenção do que é o melhor do U2: os quatro músicos e suas canções.

Por falar nisso, vamos voltar ao repertório. No sábado, os alto-falantes tocaram ‘Trem das Onze’ antes da introdução de ‘Space Oddity’, de David Bowie (‘Ground control to Major Tom…’). No domingo, foi ‘Minha Menina’, dos Mutantes. No sábado, o U2 homenageou as vítimas do massacre na escola do Realengo, colocando seus nomes no telão. No domingo, Bono e The Edge tocaram a inédita e belíssima ‘North Star’, que estará no próximo disco da banda.

(Quem ousaria tocar uma balada desconhecida para 90 mil pessoas, deixando de fora sucessos que chegaram ao topo das paradas em dezenas de países?)

Só acho que teve um outro pequeno ponto negativo do show, mas aí eu já falo descaradamente como fã. Eu achei que o setlist foi muito legal, variado, com músicas de todos os discos… mas eu teria escolhido outras músicas dos mesmos discos. Exemplo: a primeira música do show é ‘Even Better than the Real Thing’, mas na minha opinião deveria ser ‘The Fly’, que ficou de fora. Daí veio ‘Out of Control’, muito legal, antiga, uma ‘homenagem aos fãs’, segundo Bono (no sábado foi ‘I Will Follow). ‘Get on Your Boots’ é sensacional, uma música do último disco, mas que parece ter saído de alguma garagem dos anos 70: riff matador, vocal psicodélico. Outra nova, ‘Magnificent’, que eu acho meio chatinha. Eu preferia ‘Stand up Comedy’, mas tudo bem. ‘Mysterious Ways’ é outra do ‘Achtung Baby’, muito legal, The Edge mostrando por que é um dos grandes guitarristas da história do rock.

Deixa eu aproveitar e falar um parágrafo sobre o The Edge, vai. Todo mundo está de saco cheio do Bono porque ele aparece demais, etc, certo? Então façam como eu: concentrem-se no The Edge e vocês não se arrependerão. Bono está tentando melhorar o mundo, e o excesso de exposição é apenas o efeito colateral de uma fama tão grande. Continuo gostando do Bono, veja bem. Bono não é incrível porque chegou no Brasil e logo de cara comentou a tragédia do Rio e mostrou apoio ao projeto Ficha Limpa em encontro com a presidente Dilma Rousseff. Ele é demais porque ele se deu ao trabalho de saber o que é Ficha Limpa, se deu ao trabalho de ver o que é relevante no país que ele está. É fácil ser um rockstar, ficar doidão, pegar as groupies e destruir o quarto de hotel. Ser inteligente, culto e preocupado com a realidade é um pouco mais difícil.

Mas voltando ao The Edge (estou escrevendo em ciclos em homenagem ao palco da turnê – boa desculpa, não?), acho que ele realmente revolucionou a guitarra e digo o porquê. Até os anos 80 (e inclusive hoje em dia, dependendo do guitarrista), o instrumento sempre foi refém de maneirismos blueseiros, praticamente extensões do estilo de nomes como Jimi Hendrix e companhia. Os solos e os arranjos eram baseados totalmente em escalas pentatônicas ou escalas menores básicas. Dar um ‘bend’ (levantar a nota um tom acima) era o máximo da criatividade musical, apesar de ser uma contradição, já que é uma técnica roubada dos blueseiros americanos dos anos 40, por aí. Nomes como The Edge e Johnny Marr, do The Smiths, jogaram isso fora e começaram do zero. Criaram acordes em vez de solos; climas em vez de bases óbvias. O resultado é que a guitarra virou um instrumento muito maior, mais amplo, com mais possibilidades. A guitarra de The Edge é quase como um teclado, criando texturas e luzes para cada canção. The Edge é um Edgênio.

O show seguiu com ‘Elevation’ (u-uhu) e ‘Until the End of the World’, outra favorita do público. Até que veio o primeiro hino: ‘I Still Haven’t Found What I’m Looking For’, do ‘Joshua Tree’. Linda, é completamente incrível ver uma canção gospel mezzo Harlem mezzo irlandesa tocada dentro de uma nave espacial pousada num estádio no Brasil. Globalização é uma palavra feia, mas o que ela representa conceitualmente é maravilhoso. Não preciso nem dizer que ‘Pride (In the Name of Love)’ trouxe o Morumbi abaixo, assim como ‘Beautiful Day’, o hit mais ‘good vibe’ do século 21. Tem gente que torce o nariz para ‘Miss Sarajevo’, mas eu acho linda a ideia de que o U2 colocou sua segurança em risco para tocar na cidade destruída pela guerra. E daí que o Bono não canta como o Pavarotti? Pelo menos ele estava bem afinado na noite de domingo.

Aí veio ‘Zooropa’, uma escolha estranha de uma canção estranha que deu nome a um disco… estranho. ‘City of Blinding Lights’, do disco ‘How to Dismantle an Atomic Bomb’ é linda, mas eu preferia ‘Sometimes You Can’t Make it on Your Own’. ‘Vertigo’ veio na sequência com um dos riffs mais simples e legais do rock, preparando terreno para uma viajante versão eletrônica-house-percussiva de ‘I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight’. Dizem que o próximo disco do U2 será eletrônico, com participação até do produtor David Guetta. Só acredito vendo, ou melhor, ouvindo. Eles não gostam do ‘Pop’, mas eu adoro ‘Discotheque’…

O que dizer de ‘Sunday Bloody Sunday’? Nada, apenas que até hoje é emocionante ouvi-la. E o show termina (pela primeira vez) com a bela ‘Walk On’, que não foi feita para comercial de whisky, embora fique aqui a ideia. No sábado, teve também ‘In a Little While’ e ‘Stuck in a Moment That You Can’t Get Out’, sinceramente, não sei qual das três é a melhor.

A banda volta com ‘One’, e Bono aproveita para fazer propaganda de sua ONG, chamada… ‘One’. Foi então que veio a melhor música do show, na minha opinião: ‘Where the Streets Have no Name’. Não sei por que, mas ela me pegou de jeito e me emocionou de uma maneira meio constrangedora (ainda bem que ninguém viu). Não sei se foi o fato de que eu era uma pessoa tão diferente quando a ouvi pela primeira vez, no ‘Joshua Tree’, em 1987, ou se é por alguma coisa que se passa na minha vida hoje mesmo. Mas o fato é que um lugar onde as ruas não têm nome pode ser inesquecível. Eu gostaria de ser abduzido e levado para esse lugar na nave do U2.

Peraí, não acabou! Tem ainda ‘Ultraviolet’, ‘With or Without You’ e ‘Moment of Surrender’, a melhor música do disco novo. Fim do show, as luzes se acendem e, paradoxalmente, é o momento que o palco-monstro parece finalmente adormecer. As pessoas começam a se dirigir para a saída, ainda estupefatos com o que acabou de acontecer. Sim, foi apenas um show de rock. Um dos últimos, talvez, já que a geração da internet não parece estar muito preocupada em construir ídolos. Eles não sabem o que estão perdendo.

Desculpe se o texto foi muito longo, eu disse que estava com dificuldade para descrever o que aconteceu na noite de domingo. Se eu pudesse resumir, diria apenas: não perca o show de quarta-feira: U2 só existe One.


Matéria sobre o show do U2 exibida pela TV Estadão

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A atriz Kerri Russell é tão bonita que eu gostaria de conhecê-la, mesmo se fosse para ter um relacionamento… frágil. Foto: Evan Agostini/AP Photo

Não é de hoje que as pessoas tentam classificar os tempos em que vivem. Era de Ouro, Era de Aquário, Era sei-lá-do-quê. As épocas são compostas por várias características, mas alguma sempre salta aos olhos de quem se dispõe a analisá-las.

Eu acredito que vivemos na Era da Fragilidade.

Essa fragilidade certamente não é dos governos ou das instituições oficiais, embora muitas delas tenham solidez de uma geleia. Esta é a Era da Fragilidade das relações.

Não é à toa que redes sociais como Facebook e Twitter sejam tão populares. É mais confortável trocar ideias virtuais do que reais, já que pela internet só nos relacionamos com quem pensa igual à gente. E, se por acaso alguém ousar discordar, basta desligar o computador.

Isso não é uma crítica às redes sociais – seria como atirar no mensageiro –, que são apenas o reflexo dessa fragilidade das relações. É uma crítica a nós mesmos, que deixamos a correria alucinada do mundo ditar o ritmo de nossas vidas. Ninguém tem mais paciência para nada, ninguém tem tempo para perder com nada: nem com o que é importante.

Importante? Existe algo importante hoje em dia? Algo que consiga atrair nossa atenção por mais de dez minutos, sem que a gente dê uma olhadinha de leve para ver se chegou alguma mensagem pelo celular? E existe alguém que nunca falou no celular enquanto dirigia? “Ah, mas era urgente”. Claro que sim. Tudo é urgente – até as coisas que não são urgentes.

Nossas relações são frágeis até no nível mais íntimo, como prova uma historinha que ouvi de um amigo. Ele conheceu uma garota, a convidou para jantar. Restaurante chique, tudo muito bem. A conversa estava ótima, muitos interesses e amigos em comum. Até que ele, em um momento descontraído, fez um comentário X sobre um assunto qualquer. Nada de mais, mas ela não gostou.

Foi o suficiente para estragar a noite. E um futuro que poderia estar começando desapareceu em cinco ou seis palavras. Tudo o que veio antes foi jogado fora junto com as sobras dos pratos.

Uma simples frase apagou a ótima conversa, os interesses e amigos em comum. Simples assim. Por quê? Porque não há tempo para uma segunda chance. Como é que uma relação vai nascer se não dermos espaço para isso acontecer? Se a ligação entre duas pessoas não sobrevive a uma simples frase, como pode virar algo a mais?
Deixa-se de amar por nada. Mata-se por nada. Vive-se para nada. Por que tanta ansiedade? Quem disse que o que virá depois é melhor do que o que está aqui? O importante é aproveitar o momento. Afinal, entre o ‘antes’ e o ‘depois’, a única coisa verdadeiramente real é o ‘agora’.

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Se Keith Richards e Boris Karloff tivessem um filho, ele seria Ozzy Osbourne. Foto de Andre Penner/AP Photo

Na última sexta-feira, um dia antes do show de Ozzy Osbourne na Arena Anhembi, em São Paulo, assisti a um especial da MTV sobre o príncipe das trevas. O programa mostrava Ozzy no estúdio com sua nova banda, gravando videoclipes e até participando de uma pegadinha com seus fãs. Fazendo uma alusão ao refrão de seu novo single, ‘Let me hear you scream’ (Deixe-me ouvir você gritar), a produção da MTV retirou a estátua de cera de Ozzy de um museu em Los Angeles e pediu para o próprio vocalista ocupar o local. Ou seja, Ozzy ficava ali paradinho esperando a chegada dos fãs. Quando alguém se sentava ao lado da ‘estátua’ para tirar uma foto, Ozzy se mexia e dava um susto. Fizeram isso umas 50 vezes, eu chorei de rir em cada uma dela.

Comecei o texto falando sobre isso porque a brincadeira dá dimensão de quem é o ‘personagem’ Ozzy Osbourne hoje em dia. Quem acha que Ozzy é apenas um vocalista de heavy metal não tem noção do que representa sua figura para a cultura pop. Ozzy é um Nosferatu pós-moderno, com tudo de paradoxal e farsesco que isso representa. Sim, ele é vocalista de heavy metal e um dos principais pioneiros do rock pesado em todo o mundo. Mas ele também é um rufião que sabe muito bem transformar sua imagem de louco em milhões de dólares.

A carreira de Ozzy começou como a de dezenas de outros rockstars: lançando um disco atrás do outro, fazendo turnês exaustivamente longas por todo o planeta, consumindo álcool e drogas em quantidades assustadoras para os padrões da população ‘civil’. Desnecessário dizer que Ozzy e seus companheiros da formação original do Black Sabbath – o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o batera Bill Ward – praticamente inventaram em 1969 o heavy metal como conhecemos hoje, pelo menos a escola mais ‘escura’ desse estilo de tantas vertentes.

Ozzy ficou apenas dez anos no Black Sabbath, mas foi o suficiente para criar obras clássicas, como os discos ‘Black Sabbath’, ‘Paranoid’, ‘Master of Reality’, Sabbath Bloody Sabbath’ e outros. Ozzy saiu e engatou uma bem sucedida carreira solo; o Sabbath também se deu muito bem ao contratar o (recém-falecido, infelizmente) vocalista Ronnie James Dio e criar um novo catálogo de clássicos de estilo um pouco diferente.

A partir do lançamento do primeiro disco de sua carreira solo, ‘Blizzard of Ozz’, em 1980, ficou claro que Ozzy não era mais apenas um vocalista de heavy metal. Ele era Ozzy Osbourne, príncipe das trevas.

Vamos imaginar uma cena grotesca: se Keith Richards e Boris Karloff tivessem um filho, ele seria Ozzy Osbourne.

Tudo ficou mais exposto com o reality show The Osbournes, que mostrava o dia a dia na casa de Ozzy e sua família. A série ridicularizava o roqueiro mostrando que ele obedecia cegamente à mulher em tarefas mundanas e parecia um fantoche dentro de sua própria casa. Por outro lado, o show rendeu milhões de dólares e levou a imagem de Ozzy a um público que normalmente teria medo dele ou, pelo menos, antipatia.

Mostrou que, por trás da imagem vendida durante anos de ‘príncipe das trevas’, Ozzy não passava de um tiozinho meio atrapalhado e inofensivo. Como fã de Ozzy, achei meio desrespeitoso. Hoje entendo que não era nada disso. Essa imagem foi pensada e construída ardilosamente por Ozzy e Sharon Osbourne, sua mulher e empresária.

Percebi isso na entrevista coletiva que Ozzy deu em São Paulo e que você pode ver trechos abaixo, em matéria da TV Estadão. Ozzy diz que nunca mais fará um programa de TV, atribuindo ao estresse das gravações o câncer da mulher Sharon e o envolvimento dos filhos Jack e Kelly com drogas. Dito isso, que deve ser verdade, Ozzy disse na coletiva que tem uma vida normal e que seu dia a dia consiste basicamente em limpar o cocô dos cachorros a mando da mulher.

Achei isso meio forçado porque essa foi justamente uma das cenas mais famosas do reality show. Ora, estamos falando de algo que a TV mostrou há anos. É inconcebível imaginar que a vida de Ozzy em casa ainda é pegar cocôs de cachorro no chão. Portanto, ao que parece, Ozzy ‘usa’ deliberadamente a imagem que o reality show exibiu, optando por divulgar uma imagem planejada vis-à-vis sua imagem real: a imagem de um tiozinho meio atrapalhado e inofensivo já está espalhada, não é preciso explicar muita coisa. Ao usar essa imagem conscientemente, Ozzy deixa de ser o Ozzy-vocalista-de-heavy-metal e se torna Ozzy-o-ídolo-da-cultura pop-personagem-de-reality-show. É mais fácil ser um Nosferatu pós-moderno do que um artista que continua se desafiando artisticamente após tantos anos de carreira.

Quando sobe ao palco, no entanto, qualquer resquício desse personagem desaparece. Lá não tem Sharon Osbourne para encher o saco, nem produtores de reality show ou marqueteiros. Lá é o lugar de Ozzy e sua banda de garotos que poderiam ser seus netos. E se tem um cara que sabe montar uma banda de rock pesado, esse cara é o Ozzy.

Ozzy já trabalhou com alguns dos melhores guitarristas do mundo. Ele tem faro, sabe escolher um desconhecido em transformá-lo em um guitar hero. Tudo bem, isso na Califórnia nem é tão difícil assim: lá os guitar hero crescem em árvores. Mas Ozzy tem o seu mérito; basta ver a lista de guitarristas que passaram por sua banda.

Depois de Tony Iommi, Ozzy descobriu Randy Rhoads. O baixinho loiro ex-Quiet Riot precisou de apenas três discos para entrar para a história do rock. Basta ouvir os riffs e solos de ‘Crazy Train’ e ‘Mr. Crowley’, considerados até hoje solos mais incríveis da história da guitarra. Rhoads morreu cedo, vítima de um estúpido acidente aéreo, e a partir daí outros grandes guitarristas começaram a se revezar no estúdio e no palco, sempre ao lado esquerdo de Ozzy: Brad Gillis, Jake E. Lee, Zakk Wylde e, agora, Gus G.

Ainda não chovia quando o Sepultura esquentou o público com seu repertório ultra-conhecido dos brasileiros. Ozzy entrou ao som de ‘Bark at the Moon’, mas infelizmente a lua não podia ser vista porque as nuvens já começavam a atrapalhar a das vinte mil pessoas da plateia.

Ao contrário do Iron Maiden, que tocou no show da semana passada um repertório composto basicamente por músicas novas, Ozzy foi mais populista e cantou praticamente apenas velhos sucessos. ‘Let me Hear You Scream’, a segunda do show, foi a única exceção. Mas a música é bem legal, então o ritmo do show não foi quebrado em nenhum momento. ‘Mr. Crowley’ dispensa comentários, e pudemos ver o talento do guitarrista grego Gus G. Quem é fã de Ozzy, gosta que seus guitarristas mantenham os solos originais, principalmente os de Randy Rhoads, que são inesquecíveis. Gus fez isso: tocou nota por nota a melodia imortal criada por Rhoads. O público até cantou o solo…

Foi nessa hora que a chuva começou a cair com mais força. E continuou assim até o final do show, incomodando todo mundo. Para mostrar que não tinha medo de água, Ozzy jogou um balde de água sobre a própria cabeça. ‘Fuck the rain!”, gritou, em mais um arroubo de sua já conhecida educação britânica.

Veio então outra do disco ‘Blizzard of Ozz’, a pesadona ‘I Don’t Know’. ‘Fairies Wear Boots’ foi a primeira do Black Sabbath, mas acho que a música poderia ter sido melhor escolhida (‘Sabbath Bloody Sabbath’, ‘Children of the Grave’ ou ‘Sympton of the Universe’ teriam sido mais legais, na minha opinião).

‘Suicide Solution’ e ‘Road to Nowhere’ vieram depois, preparando terreno para um dos grandes hinos do rock pesado: ‘War Pigs’. Sensacional! ‘Shot in the Dark’ é meio breguinha, mas foi hit nos Estados Unidos, e por isso Ozzy sempre dá um jeito de incluí-la na turnê.

‘Rat Salad’, outro cover do Black Sabbath, é o momento em que Ozzy vai para o camarim descansar (ou tomar uma injeção de vitamina, como fez aqui no último show, entre outras coisas divertidas). Solo de guitarra de Gus G., solo do batera (animal) Tommy Clufetos. Rob ‘Blasko’ Nicholson (baixo) e Adam Wakeman não fizeram solos, mas os dois também se revelaram músicos talentosos. Adam Wakeman, inclusive, tem a quem puxar: ele é filho de Rick Wakeman, o lendário ex-tecladista do Yes.

Ozzy volta ao palco com energia, afinal, ele é o homem de ferro… sim, ‘Iron Man’ é a próxima, outro hino do Sabbath. ‘I Don’t Want to Change the World’ é simpatiquinha, assim como ‘Mama I´m Coming Home’. Eu gostei mesmo de ‘Crazy Train’, e daí veio o final apoteótico: ‘Paranoid’. Finished with my woman ’cause she couldn’t help me with my mind…

Assistir a um show debaixo da chuva é péssimo, não importa que é o artista. Confesso que isso atrapalhou um pouco o show, apesar de Ozzy não ter a menor culpa, claro. Acho que mandar aquela quantidade de chuva deve ter sido uma vingança dos deuses, provavelmente inconformados com a popularidade do príncipe das trevas. Sagrado ou maldito, Ozzy é uma voz única, muito mais interessante e talentosa que a imagem de tiozinho meio atrapalhado e inofensivo vendida pela TV. Eu prefiro o Ozzy do palco.

Ozzy Osbourne na coletiva em São Paulo: ‘Sou apenas um cara normal’

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January Jones, a Betty Draper do seriado ‘Mad Men’: eu enfrentaria qualquer dragão para trazê-la para o meu castelo

As histórias infantis seguem invariavelmente o mesmo enredo. Por uma razão ou outra, a princesa se vê numa situação desfavorável, até que chega o príncipe, resolve tudo, blá, blá, blá e eles vivem felizes para sempre.

Para o público, a diversão consiste basicamente em assistir à princesa esperando pela chegada do príncipe encantado – e ele sempre chega. Imagine a frustração das crianças se não fosse assim.

Daí a gente cresce e vê que a vida não é bem assim. Ou é, dependendo da sua sorte. Mas o que eu queria falar a respeito de príncipes e princesas não é se esses enredos estão corretos ou não.

Desde os anos 60, as mulheres lutam por igualdade entre gêneros. Estão certíssimas, claro – e não sou nem louco de dizer o contrário aqui. Apesar disso, muitas delas ainda sonham com a chegada do príncipe encantado, o cara perfeito, lindo e maravilhoso que vai resgatá-las dessa vidinha besta e levá-las para um castelo – ou para uma mansão nos Jardins, sendo um pouco mais realista.

E foi aí que eu pensei: pôxa, as mulheres querem igualdade, lutam justamente por isso… então por que os homens também não podem esperar pela chegada de uma princesa encantada?

Eu acredito que temos o direito, sim. Arrisco até mais: nós merecemos.

Uma princesa encantada não precisa chegar em um cavalo branco nem trazer uma coroa na cabeça. Também não precisa se parecer fisicamente com a princesa Diana, que foi desprezada pelo idiota do príncipe Charles e trocada pela bruxa, numa total inversão dos valores que aprendemos na infância. Mas o que essa princesa precisa fazer é nos resgatar dessa vidinha e nos levar para algum lugar melhor. Metaforicamente, nesse caso.

Daí você vai dizer: ‘mas se você sabe que príncipe encantado não existe, por que esperar por uma princesa encantada’. Porque sim.

A vida não é lógica e as pessoas podem esperar por qualquer coisa. Tem gente que espera por um sinal de Deus; tem gente que espera por atendimento na fila do INSS. Tem gente que espera até por um milagre.
Por que um homem não pode esperar por uma princesa encantada?

Não pense que virei moralista, do tipo que acha que a princesa tem que ser virgem, pura, angelical. Não. A princesa encantada que alguns homens esperam é bonita, sim, mas também é inteligente, interessante, divertida. Uma princesa encantada muda a vida de um homem fazendo uma coisa muito simples: sendo quem ela é.

Estou sendo muito romântico? Pode até ser. É que eu acho que as coisas que a gente acredita quando é criança podem se tornar realidade em qualquer fase da vida.

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Iron Maiden detona o Estádio do Morumbi, em imagens de J.F. Diório

Não foi meu primeiro show do Iron Maiden e, se tudo der certo (e o Eddie permitir), não será o último. Mas todo show do Iron Maiden é especial, não apenas porque é uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, mas porque é uma verdadeira viagem para ‘somewhere in time’.

A noite de sábado começou cedo e com um encontro bastante inusitado. Um evento organizado pela gravadora EMI levou alguns (sortudos) jornalistas para um tempo e se divertir no Rod’s Room. O camarim do empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, é um espaço onde ele e a banda recebem informalmente amigos, patrocinadores e alguns fãs. Em meio a cervejas e caipirinhas, é uma verdadeira festinha pré-show. E adivinha quem era um dos convidados? Sim, ele, o Iron Maiden em pessoa: Steve Harris. O baixista e líder da banda bateu papo e tirou fotos com a galera, entre eles o pessoal do WikiMetal, programa em podcast na internet que está se tornando febre entre os headbangers. Um dos editores, Daniel Dystyler, veio conversar comigo para saber qual é minha música favorita do Maiden. Tive que citar duas, uma com cada vocalista: ‘Phantom of the Opera’, com Paul Dianno, e ‘Hallowed be Thy Name’, com Bruce Dickinson.

Um show do Iron Maiden é uma viagem para ‘somewhere in time’ porque me leva de volta à minha adolescência, quando eu idolatrava a banda (hoje eu apenas amo). Quando formamos o Viper, queríamos deliberadamente ‘ser’ o Iron Maiden. Eu, pessoalmente, queria ser o guitarrista Adrian Smith: ele era cool, meio quietão, tinha guitarras incríveis e fazia solos memoráveis. A gente sempre quer ser alguém na adolescência, não é fácil descobrir que isso nunca vai acontecer.

Encontrar amigos de infância no show reforça essa viagem ao passado. Ser fã do Iron Maiden é fazer parte de uma família diferente, por exemplo, de quem é fã do Metallica ou do Slayer, outras bandas importantes de heavy metal. As canções do Iron Maiden são mais dramáticas, mais épicas, mais próximas da sonoridade das bandas dos anos 70. Elas são mais especiais, porque funcionam bem até quando tocadas no violão. Tente tocar uma música do Slayer no violão e você vai entender o que estou falando.

Rod Smallwood apareceu finalmente em sua própria festa para dar um abraço na galera, e o baterista Nicko McBrain passou correndo porque estava atrasado para fazer seu aquecimento (Nicko tem uma bateria no camarim para aquecer os músculos antes do show – faz sentido, já que o cara tem quase 60 anos e tem que tocar heavy metal durante duas horas). De perto, o nariz de Nicko é ainda mais parecido com o de um ex-boxeador. E ainda bem que ele trocou de roupa e não tocou no show com aquela camisa-de-turista-inglês-no-Caribe. Os 55 mil metalheads achariam graça.

Infelizmente, o horário me fez perder o show do Cavalera Conspiracy, que eu estava curioso para ver. Deu para ouvir de longe que a banda lembra muito o Sepultura do começo da carreira, com músicas rápidas e com vocal gutural. Para saber mais sobre a banda, veja aqui a entrevista da TV Estadão feita pelos headbangers Gabriela Valente, Bruno Salvagno e Anderson Bellini:

Devidamente calibrados e prontos para o show, o Rod’s Room foi esvaziado e fomos todos para a plateia. O Iron Maiden entraria em campo, quer dizer, no palco (confundi um pouco porque o baixista-boleiro Steve Harris estava de bermuda).

As luzes se apagam. ‘Doctor Doctor’, clássico da banda UFO, explode nas caixas de som, como no show de 2009, anunciando que está tudo pronto. A longa intro de ‘Satellite 15… The Final Frontier’ começa nos telões, um pouco anticlimática, mas tudo bem. Até que nada, eu repito, nada, supera a entrada do Iron Maiden em um palco. Steve Harris correndo, Dave Murray e Adrian Smith sérios e compenetrados detonando nos riffs, Nicko McBrain fazendo caretas, Janick Gers exagerando nas suas macaquices e Bruce Dickinson pulando como um louco. “Scream for me, São Paulo!”, grita Bruce. O Iron Maiden está no palco.

O disco novo da banda, ‘The Final Frontier’, é legal. Não é tão bom quanto os discos até ‘Seventh Son of the Seventh Son’, o último que eu realmente acompanhei como fã. Mas é um disco bom, muito melhor que o de 99% das bandas atuais de heavy metal. Depois de ‘Satellite 15’, a banda emenda em outra nova, ‘El Dorado’. Dizem que é uma homenagem à Rádio Eldorado, mas não consegui confirmar a informação.

Lá pelas 10 da noite, ou seja, duas horas adiantada, a banda começa ‘2 Minutes to Midnight’ e o Morumbi quase vem abaixo. Sensacional. Depois disso veio uma sequência que eu não conhecia muito bem, ‘The Talisman’, ‘Coming Home’ e ‘Dance of Death’, canções de discos mais recentes. É duro ser velho e querer ouvir só as antigas, mas é assim que eu sou. Só fui ficar realmente em êxtase com a incrível ‘The Trooper’, até hoje uma das melhores músicas de heavy metal da história. E o que é aquele refrão? ‘Ô ô ô ô ô ô ô ô ô…’ Um estádio inteiro cantando um hino de guerra, uma ode a Inglaterra e aos soldados ingleses. Me deu saudades do show de 2009, quando a banda entrou ao som do discurso de Winston Churchill emendado em ‘Aces High’. Mas estamos em 2011, vamos seguindo em frente.

Mais novas: ‘The Wicker Man’, ‘Blood Brothers’ e ‘When the Wild Wind Blows’. Não conheço nenhuma delas, boa hora para pegar mais cerveja. Ouço Bruce falando sobre Egito e a ‘primavera árabe’ no norte da África e Oriente Médio. Iron Maiden sempre foi cultura. Eu, por exemplo, aprendi que Alexandre, o Grande, era filho de Filipe da Macedônia graças à canção ‘Alexander The Great’. Bruce também falou do tsunami/terremoto no Japão, até porque eles quase sofreram na própria pele: o Iron Maiden a dez minutos de pousar em Tóquio quando foram avisados da catástrofe. Mudaram a rota e conseguiram pousar em Nagoya, mas alguns shows tiveram que ser cancelados.

‘The Evil That Men Do’ é boa, mas não está na minha lista de ‘best of’. Nem ‘Fear of the Dark’, que o público adora. Eu acho apenas OK. O show termina, pelo menos por enquanto, com ‘Iron Maiden’. Depois de Eddie passear pelo palco, sua cabeça surge enorme, parecendo um vampiro, com os dentinhos de fora e tal. Nossa, o Eddie está parecendo o Predador…


O Eddie está parecendo o Predador. Para os mais velhos, o Eddie está parecendo o ‘Capi, Capiva… Capivara’, mascote do programa Clip Trip, do Mister Sam

A banda sai, finge que foi embora… e volta para a melhor parte do show. ‘Woe to you, oh Earth and Sea…’ 666, ‘The Number of the Beast’! Quem acha que o Iron Maiden é satanista não tem um pingo de humor (negro). ‘Hallowed be Thy Name’, inesquecível como sempre, e outro hino, desta vez da liberdade: ‘Running Free’. Bruce deveria ter dedicado esta canção ao povo árabe que luta para depor seus ditadores criminosos.
Fim do show, nostalgia e ressaca começam a surgir imediatamente. Mais um show do Iron Maiden, mais lembranças que ficarão para sempre. E que vão renascer, ‘somewhere in time’, na cabeça de um eterno headbanger. Tenho orgulho de ser fã do Iron Maiden.

PS. O Iron Maiden faria show no domingo, no Rio de Janeiro. Mas, por um problema de segurança, o show foi adiado para hoje (segunda-feira, 28 de março). A seguir, a nota oficial da gravadora EMI: IRON MAIDEN – RIO DE JANEIRO

O show do Iron Maiden na HSBC arena que aconteceria neste domingo, dia 27, foi adiado para hoje, segunda-feira, dia 28 de março, às 21:00 hs por problemas técnicos com a montagem da barricada em frente ao palco.
Essa decisão foi tomada em conjunto pelo staff da banda e pela HSBC Arena por ser prioridade de ambos a segurança dos fãs.
A banda irá permanecer no Rio de Janeiro mais um dia para poder realizar o show e não deixar de fora o Rio de Janeiro nesta parte da turnê.
Todos os fãs poderão entrar no show de segunda-feira com os mesmos comprovantes dos tickets do show de hoje.
Os que não puderem comparecer ao show de hoje poderão solicitar o reembolso a partir do dia 4 de abril:
Os que compraram ingressos na bilheteria da Arena e nos demais pontos de venda deverão se dirigir à bilheteria com os comprovantes dos tickets a partir do dia 4 de abril para o reembolso.
Os que compraram ingressos através do Call Center e da Internet, deverão entrar em contato com  sac at livepass.com.br ou pelo telefone 4003.1527, munidos dos comprovantes dos tickets, também a partir do dia 4 de abril, para a solicitação do reembolso.
A banda naturalmente está consternada pelos fãs que não poderão retornar hoje e promete um grande show para os que puderem comparecer.
HSBC Arena e a banda agradecem aos incríveis fãs por entenderem a dificuldade da situação e por sua colaboração. O Iron Maiden está ansioso para fazer um grande show!
Para mais informações sobre Iron Maiden, visite:

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Elizabeth Taylor: A morte da grande estrela de Hollywood
TV Estadão | 23.3.2011
Em entrevista a Felipe Machado, os críticos de cinema do Caderno 2, Luiz Zanin e Luiz Carlos Merten, falam sobre a vida e a carreira de uma das maiores atrizes de Hollywood

Fiquei bastante triste com a morte da Elizabeth Taylor. Ela não era minha atriz favorita, mas seu rosto é tão conhecido que a gente sente como se tivesse perdido uma pessoa conhecida, uma amiga (a amiga mais linda do mundo, no caso).

Mais uma vez, pensei em apelar para uma jornalista que acompanhou a carreira de Liz Taylor de perto: minha mãe, Helô Machado. Foi aí que meu telefone tocou:

“Felipe, estou com vontade de escrever um texto sobre a Elizabeth Taylor, o que você acha?”

“Hummm… acho ótimo!”

Aqui está. Obrigado, Helô. Bye, Liz.

Adeus para a mais linda de todas
Helô Machado

Aprendi na infância que o Empire State era o prédio mais alto do mundo. Rockfeller era o homem mais rico do mundo. O dólar era a moeda mais forte do mundo. Caviar era a iguaria mais cara do mundo. Rolls-Royce era o carro mais valioso do mundo. Diamante era a pedra mais preciosa do mundo.

E Elizabeth Taylor era a mulher mais bonita do mundo.

Durante a minha juventude, outros objetos e pessoas ‘as mais do mundo’ foram surgindo e desaparecendo, dependendo da época e dos modismos. Só Elizabeth Taylor permanecia como mito da beleza, recheada do talento que eu pouco a pouco descobria nas telas do cinema.

Filha de americanos, Elizabeth Taylor, a mais bela atriz de Hollywood, nasceu em Londres em 1932 e desde os sete anos, quando se mudou com seus pais para Los Angeles, chamou a atenção dos caçadores de talento. Aos 10, estreou no cinema e aos 11 entrou para o time das celebridades, onde permaneceu durante toda a sua vida, sem perder o prestígio – mesmo depois de abandonar o cinema.

A beleza não atrapalhou a carreira da atriz. Nas dezenas de filmes que fez, destacou-se em vários, como ‘Um lugar ao sol’ (1951), ‘Assim caminha a humanidade’ (1955), ‘A megera domada’ (1967), ‘Os comediantes’ (1967) e em outros, que lhe valeram três anos seguidos indicações ao Oscar de melhor atriz: ‘A árvore da vida’ (1957), ‘Gata em teto de zinco quente’ (1958), ‘De repente no último verão’ (1959). Recebeu dois Oscars por suas atuações em ‘Disque Butterfield 8’ (1960) e “Quem tem medo de Virginia Woolf?’ (1965).

Durante alguns anos, nas décadas de 70 e 80, a atriz teve a carreira interrompida devido ao uso de drogas, álcool e problemas de saúde. Em 1993, foi premiada com um Oscar honorário. Seus últimos filmes ‘A Maldição do Espelho’ (1980) e ‘O Jovem Toscanini’ (1988) já não causaram tanto impacto e foram pouco comentados.

Liz Taylor – ela odiava ser chamada pelo apelido – foi também a atriz mais bem paga do cinema: em 1963, ela recebeu 1 milhão de dólares para ser a belíssima ‘Cleópatra’, no filme igualmente milionário. Foi neste trabalho que ela conheceu o maior amor de sua vida: o ator Richard Burton.

Na área da paixão, bateu outro recorde. Elizabeth Taylor também foi a celebridade que mais se casou: teve oito maridos. O primeiro, em 1950, era o rico herdeiro da famosa cadeia de hotéis Hilton; o último, em 1991, construtor, de quem também se divorciou.

Na sua extensa lista matrimonial constam tragédias, escândalos e muitas brigas: seu 3° marido, o produtor de cinema Mike Todd, morreu num desastre de avião. Consolada nesta época por um casal de amigos, os atores Debbie Reynolds e Eddie Fisher, pouco depois Elizabeth Taylor ‘roubou’ o marido da amiga e se casou com ele.

Já a paixão arrebatadora e as brigas famosas entre Taylor x Burton levaram a dois casamentos e divórcios, que, no total, duraram 20 anos e renderam muitas jóias raras à estrela, como o famoso diamante Krupp, de 33,19 quilates; a pérola La Peregrina, que passou pelas mãos de Maria Tudor, rainha da Inglaterra e o diamante Taj-Mahal, em forma de coração, datado de 1627, presente do imperador indiano Shan-Jahan à sua mulher favorita, em cuja memória mandou construir o imponente Taj-Mahal.

Elizabeth Taylor, aliás, era apaixonada por jóias valiosas, que sempre ostentou em todas as ocasiões, até nas suas últimas aparições em público. Também amava os cachorros – levava sempre um deles no colo – e os perfumes –“Jamais fiquei um dia sem perfume”, costumava dizer. Tanto que lançou os seus, três perfumes – Paixão, White Diamonds e Pérolas Negras, que ganharam o mundo e lhe renderam milhões de dólares.

Elizabeth Taylor viveu intensamente os seus 79 anos, apesar dos inúmeros problemas de saúde. Teve quatro filhos, dez netos e quatro bisnetos, Manteve casas em Palm Springs, Londres e no Havaí, além da sua residência em Los Angeles. Publicou dois livros: ‘Elizabeth takes off’ (Elizabeth levanta voo), em 1988 e ‘My love affair with jewelry’ (Meu caso de amor com as joias), em 2002.

Conhecida internacionalmente por sua beleza, especialmente por seus olhos cor de violeta, representou o glamour de Hollywood durante anos e anos, atravessando gerações. Amiga íntima de Michael Jackson, que lhe dedicou vários de seus trabalhos, inclusive a canção ‘Liberian Girl’, a atriz recebeu inúmeros prêmios pelas campanhas que promoveu contra a AIDS, desde o seu envolvimento na luta contra a doença, em 1985, com a morte de seu grande amigo, o ator Rock Hudson, vítima do HIV.

Antes de se internar com sérios problemas cardíacos, que a levaram à morte, Elizabeth Taylor, mesmo fora de forma, com muitos quilos a mais, mantinha a altivez e as joias ao comparecer em eventos e homenagens, sempre na cadeira de rodas, que utilizava nos últimos cinco anos.

Joias que ela tratava com amor e traduziam o seu pedido: “Sei que após minha morte minhas joias poderão ir à leilão, como aconteceu com a coleção da duquesa de Windsor. Talvez se espalhem pelos quatro cantos do mundo. Espero que quem as compre ame e cuide de cada peça, como eu fiz. A verdade é que as joias têm donos provisórios, somos apenas seus guardiões”.

Para terminar, uma frase de Elizabeth Taylor que sempre me vem à cabeça:

“Quando as pessoas dizem ‘ela tem tudo’, eu respondo: ‘eu não tenho o amanhã’”.

A mulher mais linda do mundo era também a mais ingênua: ela não sabia que seria eterna.

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Algumas pessoas poderiam dizer que a atriz Lea Michele, de Glee, tem o nariz um pouco grande. Eu responderia: é o que temos para o momento

Uma coisa inusitada aconteceu na semana passada: dois amigos meus, completamente opostos em termos de personalidade e modo de vida, usaram exatamente a mesma expressão quando conversavam comigo. Um deles é publicitário, diretor de uma grande agência. O outro é um roqueiro, compositor de uma famosa banda de rock.

O que eles têm em comum? O branco dos olhos, no máximo. E, no entanto, me deixaram de olhos arregalados quando ouvi os caras dizendo a mesmíssima coisa.

“É o que temos para o momento”, disseram, diante de situações completamente diferentes. Isso me chamou a atenção, em primeiro lugar porque eu não imaginava que dois caras com vocabulários tão diversos pudessem compartilhar sequer uma simples frase. Em segundo, porque é uma frase que pode ter um significado muito mais complexo do que nos permite compreender a simples soma de suas palavras.

Tudo bem, você vai dizer que isso acontece com frequência com expressões que estão na moda, joias poéticas como ‘enfiar o pé na jaca’, ‘soltar a franga’ e outras belas contribuições da informalidade das ruas ao vocabulário brasileiro. Mas, nesse caso, acredito que a frase pode ser interpretada com teor um pouco diferente. Para mim, simboliza uma tendência muito mais complexa dos dias em que vivemos.

“É o que temos para o momento” simboliza, antes de tudo, uma aceitação pragmática de um fato. É um pouco fatalista? Pode ser. Mas, antes de tudo, é uma expressão realista, que não tinge de cores vivas o que é preto e branco. É uma prova de que há ocasiões em que não adianta a gente tentar reinventar a roda. Há uma outra expressão que diz o seguinte: “o cara que não sabia que aquilo era impossível foi lá e fez”.

Sim, é claro que isso acontece. As pessoas se superam. Quebram recordes. Explodem limites. Mas, na maioria dos casos do dia a dia, é necessário enfiar a viola dentro do saco e aceitar: é o que temos para o momento. Talvez tenha sido por isso que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançou um livro com o título ‘O Brasil do Possível’. Era o que ele tinha para o momento.

Isso revela também essa atual tendência ao imediatismo. Quem consegue refletir sobre a vida? Tudo tem que ser agora, não há tempo para esperar. Temos algo melhor para oferecer? Temos, mas vai demorar um pouco. Coisas bem feitas precisam de carinho e capricho. Está com pressa? Come cru. Os japoneses estavam com pressa quando inventaram o sushi.

Espero que você tenha gostado do assunto da coluna desta semana. Se não gostou, desculpe. Era o que tínhamos para o momento.

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Olha aí: até a cara da Sandy já mudou. E esse negócio na cabeça, então? Será que vem aí um vídeo no estilo Sandy Gaga? A foto é de Bertrand Linet

Querida Sandy,

não pude deixar de vê-la em sua nova versão, digamos, mais ‘saidinha’. Afinal, você estava em todas as revistas, comerciais de TV e fotos de camarotes do carnaval. Quer dizer, pelo menos a legenda da foto dizia que era você. Era mesmo?

Na TV, você diz que ‘todo mundo tem um lado devassa’. Sério? Você tem mesmo um lado devassa? Qual é, o esquerdo ou o direito? Quer dizer que, antes de você voltar a cantar com seu irmão, o que vai irremediavelmente acontecer em breve, você está pensando em gravar um vídeo como Sandy Gaga?

Cuidado, as coisas não são tão fáceis assim. Você não pode sair dizendo que tem um lado devassa por aí sem mostrá-lo. Vão exigir que você dê uma turbinada nos seios, coloque aplique no cabelo (esse loiro fraquinho não é suficiente) e vista microssaias de couro. Depois vão querer que você faça aulas de poledancing. E não vão demorar para lançar a campanha ‘Sandy na Playboy’. Só digo uma coisa: se alguém chamar você de ‘Sandy Popozuda’ eu vou dar porrada.

Sei que artista é profissional e tem que ganhar a vida. Mas imagina você num boteco, enchendo a cara de cerveja enquanto vê o jogo do Timão com um bando de manos numa rodinha de samba. Não rola. Não seria melhor ter escolhido uma marca de champanhe para anunciar? Ou de suco de laranja?

Não estou te julgando, longe disso. É que você não é devassa. Devassa é aquela Paris Hilton, que tem vídeo pornô correndo pela internet. Devassa é a Bruna Surfistinha ou as sambistas que aparecem na TV usando apenas tapa-sexo. Você não é assim. Você é a Sandy. A nossa Sandy. Se você tiver mesmo esse lado devassa, isso significa que a humanidade está perto do fim. Por favor, me escreva um e-mail dizendo que tudo não passou de um engano. Não sei se conseguiria viver num mundo onde você simboliza a mulher devassa. Assumir que você tem um lado devassa não é apenas um golpe fatal para as mulheres ‘pra casar’. É uma ofensa às devassas, que também têm uma reputação a (não) manter.

Eu sei, esses publicitários são meio loucos mesmo. Você viu que colocaram a Gisele Bündchen como dona de casa para vender TV por satélite? Imagina você chegar em casa do trabalho e dar de cara com a Gisele de avental, com cabelo cheio de bob, cheirando à fritura? Não dá, né? Agora, se ela estivesse em um bar, linda, loira, enchendo a cara de cerveja como uma verdadeira devassa, aí eu não comprava só a TV: eu comprava o satélite.

Aguardo seu e-mail garantindo que tudo não passou de uma grande confusão e que você voltou a ser a nossa Sandy de sempre.

Beijos, F.

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