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Fábio Bonini

Reclamar de, ou para, as operadoras de celular virou lugar comum no Brasil. Problemas no sinal, cobranças indevidas, planos que são ótimas ofertas e péssimos negócios. De um lado a privatização do serviço de telefonia nos garantiu mais acesso e uma sensível melhora dos serviços, de outro, entretanto, com a enorme expansão de vendas e o encolhimento da importância das Agências reguladoras nos últimos anos, os problemas foram crescendo na mesma medida das vendas.

Em 2011 as operadoras de celular foram responsáveis pelo maior número de reclamações no Procon: a Oi teve 80,8 mil reclamações, seguida pela Claro, com 70,1 mil, e pela Tim que teve 27,1 mil consumidores insatisfeitos.

Somam-se a estes números outros milhares de consumidores que estão também insatisfeitos, mas que não procuraram o órgão de defesa do consumidor. E, nesta Guerra, o consumidor é refém: por mais que não aprove os serviços prestados pelas operadoras, precisa da sua linha telefônica para se comunicar (neste mundo insuportavelmente conectado).

Na impossibilidade de conseguir derrota-las, sem perder a saúde mental ou um tempo precioso, fica sempre a opção de trocar de inimigo e escolher outra operadora. Mas, a verdade é que nenhuma é um exemplo de boa prestação de serviço. Pois bem, talvez seja por isso que a notícia de que as operadoras estão com as vendas suspensas até que resolvam seus problemas de cobertura tenha me feito sorrir, apesar do nítido uso político desta.

Não que a proibição das vendas tenha algum reflexo positivo imediato na minha vida ou na dos meus amigos que vivem às turras com suas operadoras. Mas ver que estas empresas estão sendo atingidas onde mais dói (menos venda = menos receita = menos lucro), dá-me uma esperança de que agora elas se empenhem verdadeiramente em oferecer um serviço melhor. E, ao mesmo tempo, tenho a sensação de que nossos direitos de consumidor estão valendo alguma coisa.

Pois mesmo com tudo isso dado, ontem me surpreendi com um anúncio de jornal. Uma das operadoras citadas se gabava de não ter suas vendas suspensas especificamente no Estado de São Paulo e chamava as pessoas para comprar suas linhas e aparelhos. Posso estar num momento muito idealista, mas penso que além da Anatel e do Procon agirem, devemos nós, cidadãos consumidores, também fazer alguma coisa. Ou melhor, deixar de fazer, deixar de comprar de empresas que desrespeitam o consumidor. Mesmo que as vendas estejam liberadas no nosso Estado. Eu quero falar e ouvir, e você?

 Confissões de rodapé: O centro de São Paulo aos poucos vai ganhando ares europeus, principalmente no outono/inverno. Acho que os empresários poderiam apostar mais nesta mudança e nas oportunidades que surgirão.

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O Senador Demóstenes Torres foi cassado pelo Senado Federal na semana passada. Muita gente comemorou. “Até que enfim alguém foi condenado no meio dessa bandalheira de políticos”, ouvi no elevador do prédio onde trabalho. Mas, a verdade é que mesmo quando um Senador da República é cassado (note que apenas dois o foram) ainda paira sobre nossos representantes Legislativos uma nuvem de desconfiança. É a velha história de que político é tudo igual…

Vamos aos fatos: o relator do referido processo também enfrenta sérias acusações de envolvimento com a máfia dos Sanguessugas, o suplente do Senador é ex-marido da atual mulher do “Carlinhos Cachoeira “ (o mesmo que chefiava o esquema que levou à cassação de Demóstenes), os grampos da PF que revelaram ligações entre Cachoeira e Demóstenes também apontaram a participação de dois Governadores e quatro Deputados Estaduais – estes continuam em seus cargos – no esquema do bicheiro que, por sua vez,  tem como advogado de defesa um ex-ministro da Justiça. Realmente, parece uma rede difícil de aceitar.

Só que eu não vou ficar aqui falando sobre possíveis teorias e provas concretas de corrupção ou outros crimes. Os jornalistas já estão fazendo isso à exaustão e acho importante acompanharmos este processo de perto. Quero apenas lembrar que estes mesmos políticos que todos querem ver condenados estão no poder legitimamente – foram eleitos pela mesma população que hoje aplaude a cassação de Demóstenes.  Em quem você votou para Senador? Você se lembra? Milhares de pessoas votaram em Demóstenes Torres, por duas vezes.

Estamos em um ano eleitoral porquanto é um excelente momento para pensarmos nas escolhas que fazemos nestes momentos. Em seu twitter o ex-senador declarou: “Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu”. Se ele vai recuperar ou não o mandato eu não sei, mas ele tem razão ao dizer que foi o povo de Goiás que o colocou lá. E nós? Quem vamos colocar “lá” neste ano? Em 2012, os 5.566 irão escolher seus Prefeitos e Vereadores. Acredito que muita gente não conhece bem as propostas dos candidatos a prefeito de sua cidade e não sabe sequer quem são os candidatos a vereador ou quais as verdadeiras funções de um Vereador.

Ao invés de perguntar de novo em quem você votou para Senador, pergunto em quem vai votar para Vereador e para Prefeito.  Quem são os candidatos na sua cidade? Quais são suas propostas? Como são suas histórias? E seus apoiadores? Aposto que aqueles que votaram no Senador cassado hoje questionam sua escolha. Então que tal antecipar nossos questionamentos para estes meses que antecedem a eleição? Que tal fazermos nossa lição de casa como eleitores e deixarmos para o Legislativo apenas sua tarefa fundamental – legislar e não processar e cassar seus pares?

 

Confissões de rodapé:  Com o clima que tem feito, é fácil preparar os textos com antecedência ….  

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Li, com muito entusiasmo, a excelente notícia de que São Paulo ganhou seu primeiro sistema de empréstimo de bicicleta em grande escala. No dia 24 de junho, dez estações de empréstimo, com dez bicicletas cada, começaram a funcionar na Vila Mariana e a previsão é que nos próximos 3 anos sejam 300 estações – um total de 3 mil bicicletas à disposição dos paulistanos. Um sistema semelhante já funciona no Rio de Janeiro e é um sucesso. As pessoas se cadastram pela internet, pagam uma mensalidade de R$ 10 e podem retirar bicicletas em uma estação, andar de graça por 30 minutos e pagar R$ 5 por hora caso excedam esse tempo. A bicicleta pode ser devolvida na mesma estação da retirada ou em qualquer outras estação do sistema.

Quando as 300 estações estiverem prontas, São Paulo vai ter uma rede e empréstimos de bicicleta que possibilitará pedaladas entre vários destinos da cidade. É uma idéia ótima. Sonho com o dia em que as bikes sejam uma opção viável de transporte. Mas a verdade é que este não é um modal seguro, pelo menos por enquanto. O próprio diretor-geral da Ciclocidade, Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, que tem por objetivo promover a mobilidade e uso da bicicleta como instrumento de transformação assumiu, em entrevista ao Estado que, apesar da idéia ser boa é preciso investir em infraestrutura e segurança antes de “soltar” mais centenas de bicicletas nas ruas.

São Paulo precisa de mais ciclovias. Precisa também de uma campanha de educação no trânsito para que os motoristas mudem de postura em relação ao ciclista. Infelizmente o trânsito paulistano é perigoso até para quem está dentro de um carro, que dirá para uma pessoa em cima de uma bike. Repito, que sou um defensor da bicicleta como meio de transporte, mas antes de subir numa magrela quero mais ciclovias com mais segurança. Quero ter a certeza de que, indo e voltando de bicicleta do trabalho, não estarei colocando minha vida em risco. E não estou exagerando quando falo em risco de morte.

Pedalar nas vias de São Paulo é realmente arriscado: um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde revelou que – por dia! – nove ciclistas sofrem acidentes no trânsito em São Paulo e um deles morre por causa destes acidentes. Um número assustador, principalmente quando pensamos neste novo sistema de empréstimo, o número de bicicletas nas ruas tende a aumentar.

Devemos lutar por uma cidade mais sustentável e encarar a bicicleta como um meio de transporte com certeza faz parte disso. Mas, enquanto o preço a se pagar por pedalar até o trabalho for o risco de morte, defendo o uso das bicicletas durante os finais de semana, nas ciclovias. Sou a favor das bicicletas, mas sou, antes de mais nada, a favor da segurança da população. No ano passado, quase 3,5 mil ciclistas foram internados pelo Sistema Único de Saúde. Acho muito corajoso que alguém enfrente o trânsito de São Paulo e tente por em prática um modo de vida mais saudável e sustentável no meio do caos paulistano. Mas preferia que estas 3,5 mil pessoas tivessem chegado em casa sãos e salvos.

 

Confissão de rodapé: Não entendo porque no Brasil, principalmente em São Paulo, as pessoas desconfiam tanto de serem fotografadas na rua.

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Junho acabou. E foi um mês em que o meio ambiente e a sustentabilidade estiveram na boca de todo mundo. Primeiro porque no dia 5 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Depois, pela Rio+20, conferência da ONU que gerou mais críticas do que resultados (pelo menos por enquanto). Antes disso tudo, houve ainda uma mobilização incrível pelo veto do Novo Código Florestal.

Fico muito feliz de ver tanta gente pensando em sustentabilidade, manifestando sua preocupação, questionando. Realmente, acho que é papel da sociedade cobrar um posicionamento responsável do poder público em relação ao meio ambiente.  Isso pode ser feito das mais diversas formas: por meio de ONGs, como a Greenpeace que tem um posicionamento bastante incisivo e quase agressivo em relação ao assunto, por manifestações no mundo virtual, compartilhando informações, por protestos no mundo real…

Mas, antes de cobrar de terceiros comportamentos mais sustentáveis temos que repensar profundamente o nosso modo de viver neste planeta que defendemos. Muita gente ataca o consumismo desenfreado da sociedade, mas não pensa no próprio hábito de consumo. A verdade é que consumir – ou possuir – é sinônimo de status social e, nos últimos anos, um número cada vez maior de pessoas está desfrutando do seu direito de comprar.  Até mesmo o simples ato de presentear e demonstrar afeto implica em consumir. Já parou para pensar nisso? 

É claro que precisamos refletir sobre a real necessidade que temos em relação aos bens de consumo, mas eles são um direito de todos e não me parece justo condenar o “consumismo” de quem até pouco tempo atrás não tinha condições de comprar uma TV ou um carro. E também não me parece real esperar que o sistema econômico do mundo mude. Quer dizer, ele pode até mudar, mas se não nos comprometermos antes com outras mudanças menores, mas não menos significativas, não haverá tempo hábil para esta transformação.

Vejo muito nas ruas por onde transito, por exemplo, que há muitas pessoas que ainda varrem a calçada com água. Em São Paulo, menos de 5% do lixo é destinado à reciclagem. Tenho amigos fumantes que depois de terminarem seu cigarro, jogam a bituca na rua – e lá se vão 20 bitucas no chão por dia. O simples hábito de fechar a torneira enquanto se escova o dente não parece importante para muita gente. Assim como muitas pessoas não dão importância ao descarte correto de pilhas e baterias ou óleo de cozinha. São atitudes simples, não? Mas muito menos comuns do que deveriam ser, principalmente para quem quer ajudar a “salvar” o planeta.

Minha crítica não é aos que cobram do poder público ou de grandes empresários uma postura correta em relação à sustentabilidade. Aliás, não estou criticando ninguém. Só estou questionando se não seria melhor começarmos a mudar a realidade dentro das nossas casas para depois cobrar “macromudanças”. Melhor ou mais viável. Talvez a ordem das mudanças não seja o mais importante, porque o ideal seria que elas acontecessem ao mesmo tempo: agora! Concordo que o mundo deve mudar sua atitude em relação ao meio ambiente, mas sei que posso mudar também as minhas. E você? O que pode fazer agora?

 

Confissões de Rodapé: Desculpem pela preguiça dos últimos 2 meses….

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  • Quem faz

    Fábio Bonini é paulistano, advogado formado na Faculdade de Direito do Largo Sao Francisco (USP), orquidófilo e aprendiz de fotógrafo . Atualmente é membro da Comissao de Política Criminal da OAB/SP

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