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Fábio Bonini

Muito se fala das obras e da infraestrutura que precisa ser construída para recebermos a Copa do Mundo em 2014. Mas, talvez a maior reforma necessária seja a da postura dos torcedores brasileiros. A paixão pelo futebol e pelos times é usada como justificativa para violência de todo tipo. No final de março, uma pessoa morreu em um conflito entre palmeirenses e corintianos. Uma vida perdida estupidamente, assim como tantas outras em tantos outros conflitos.

Nos estádios, as torcidas (que não devem ser organizadas no atual modelo) precisam ficar separadas e a chegada e a saída de torcedores precisam ser cuidadosamente planejadas – lamentável que por causa de times diferentes estas pessoas não podem sequer se encontrar nas ruas. Comboios e esquemas envolvendo transporte público e operações de trânsito são armados para evitar qualquer contato entre os torcedores. Será que torcedores de outras seleções, vindos de outros países, vão precisar se enquadrar nestes esquemas para poder circular com segurança pelo Brasil?

A postura dos torcedores brasileiros quando a seleção canarinho entrar em campo me preocupa mais do que o desempenho dos nossos jogadores. Num país onde torcidas adversárias não podem se encontrar, como serão recebidas as torcidas de outros países? E qual será a atitude de corintianos, flamenguistas, gremistas, são paulinos, palmeirenses e torcedores de tantos times brasileiros quando eles estiverem misturados, todos do mesmo lado do “cordão de isolamento”? Os mesmos torcedores que promovem espetáculos de violência nos campeonatos nacionais e estaduais estarão nas arquibancadas da Copa do Mundo.

E, pior, terão acesso a bebidas alcoólicas durante os jogos. A proibição do consumo de cerveja diminuiu em 70% a violência nos estádios de Belo Horizonte, por exemplo. Além dos conhecidos efeitos da turba (a “personalidade” da massa domina a personalidade dos indivíduos que a compõe), o álcool potencializará este e outros problemas de comportamento de nossos torcedores causando toda sorte de conflitos, acidentes de trânsito e atropelamentos. Mesmo em eventos esportivos em que a violência entre torcidas não assusta, é proibido beber dentro e ao redor dos estádios. O que já é horroroso, ficará pior.

Um evento esportivo deve ser motivo de confraternização, de integração entre as pessoas e de alegria. Receber bem os turistas e torcedores das seleções adversárias é fundamental. Evitar qualquer tipo de violência associada ao futebol é uma obrigação – legal e moral. A realização da Copa do Mundo é sem dúvida um grande desafio para o Brasil e este desafio vai muito além da construção de estádios e da performance da própria seleção (aliás, 2 aspectos em que as coisas também não vão bem). O país do futebol precisa mudar a postura do torcedor de futebol. Além dos nossos craques, nosso povo também será protagonista na Copa. Resta saber se estamos preparados para isso. Será que estamos?

 

Nota de Rodapé: Saudades do tempo em que se podia realizar rodadas duplas (2 jogos no mesmo dia em horários consecutivos) no futebol ….

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No dia 22 de março foi comemorado o Dia Mundial da Água. Infelizmente, no Brasil não temos muito para comemorar, apesar da ideia de abundância de água por aqui ser amplamente divulgada. Realmente, o Brasil tem a maior reserva de água doce do planeta – cerca de 12%, porém o índice de desperdício é altíssimo e chega a 70% em alguns casos. Outro número preocupante é a parcela da população que não tem acesso tratamento de esgoto: 60% dos brasileiros. E a falta de saneamento básico, além de questão de saúde pública leva a outro triste cenário: a poluição.

Uma pesquisa realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica analisou 49 rios, córregos, ribeirões, represas, lagos e açudes em 11 estados brasileiros entre janeiro de 2011 e março de 2012.  O levantamento constatou que nenhum (nenhum!) dos corpos de água analisados pode ser classificado como “bom” ou “ótimo” por causa dos seus níveis de poluição. Dos mananciais pesquisados, 75,5% obtiveram classificação “regular” e 24,5%, o nível “ruim”. Pois é, parece que o país que tem mais água doce no mundo não dá prioridade ao cuidado com este recurso que é esgotável, vale lembrar.

É importante ressaltar também que 68% da água doce do país está na região Norte, onde fica a bacia Amazônica e apenas 8% da população. Já a região Sudeste, com 45% da população, detém apenas 6% de água doce do Brasil e a região Nordeste enfrenta um grave problema de seca. Ou seja, mesmo com tanta água no país, podemos ter (e temos) brasileiros que sofrem com a falta deste recurso indispensável à vida. A preservação dos recursos hídricos será inclusive tema de destaque na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, que acontece em junho no Rio de Janeiro.

A cidade também sediou, 20 anos atrás, a Rio Eco 92. De lá para cá, a boa notícia é que o setor industrial, na época principal poluidor das águas, cumpriu a legislação e passou a tratar seus efluentes. O vilão agora mudou: municípios e cidadãos. Os primeiros tem a obrigação legal de fornecer saneamento básico e acabar com os lixões. De acordo com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, os municípios têm até 2014 para acabar com os lixões. Os lixões produzem chorume (líquido resultante da decomposição do lixo), que poluem os lençóis freáticos. 

Já os cidadãos tem a responsabilidade de economizar e promover a conscientização a respeito do cuidado que devemos ter com a água. Ainda é comum a cena de pessoas “varrendo” a calçada com esguichos, por exemplo. Isso sem falar nos banhos de horas, na torneira aberta sem necessidade e nos vazamentos que, quando detectados, raramente são consertados como se deve. A ilusão de água inesgotável e abundante pode levar a torneiras secas em pouco tempo. A mudança de comportamento envolve repensar nossos padrões de consumo, já que para a produção de bens de consumo (nem sempre necessários) são gastos milhões de litros de água. Uma calça jeans, por exemplo, gasta 11 mil litros para ficar pronta.

Outros fatores de risco para nossos rios são a erosão causada pelo desmatamento e fertilizantes e insumos agrícolas. Neste aspecto. é particularmente preocupante a aprovação de mudanças no Código Florestal. A cobertura florestal é fundamental na regulação de ciclos climáticos e regime de chuvas, bem como para a preservação de mananciais. Mexer na legislação florestal pode levar a alterações irreversíveis na quantidade de água disponível para nosso consumo. Vale a pena dar mais atenção ao tema e cobrar uma votação responsável da lei.

Em meio a tantas questões envolvendo a água, a certeza é que ela é indispensável à vida. Por esse motivo, em resolução da ONU, a água limpa e segura e o saneamento foram declarados um direito humano essencial para gozar plenamente a vida e todos os outros direitos humanos. Infelizmente, quase 900 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável segura e 40% da população mundial não têm acesso a saneamento básico. Se você abre a torneira da sua casa e tem água de boa qualidade, pense nisso. E não aceite a falsa ideia de que para os brasileiros a água está garantida. Não está e precisamos garanti-la para nossos filhos e netos, portanto, feche a torneira, desligue o chuveiro e se ligue neste assunto, ok?

 

Nota de rodapé: Absurda a pressão pela nomeação do primeiro colocado nas eleições do Ministério Público de São Paulo, como se a lei não tivesse dado ao Governador a faculdade de escolher um entre os 3 mais votados.

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  • Quem faz

    Fábio Bonini é paulistano, advogado formado na Faculdade de Direito do Largo Sao Francisco (USP), orquidófilo e aprendiz de fotógrafo . Atualmente é membro da Comissao de Política Criminal da OAB/SP

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  • eduardo pacheco: Fábio, Quem sabe se divulgarmos um pouco da cultura do RUGBY, onde em todo mundo as torcidas sentam...

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