Conheci a história de Geraldo e André Peixoto há seis anos, durante reportagem de balanço da reforma psiquiátrica. André teve o primeiro surto, sinalizador da esquizofrenia, na passagem para a idade adulta. O pai, Geraldo, horrorizado com os grandes hospitais psiquiátricos por onde André passou, o retirou de lá, mudou a vida, trocou a carreira de executivo pela de professor de natação para ficar ao lado do filho. Nesses anos, tornou-se um militante do direito dos pacientes de não serem trancafiados em hospitais e clínicas, mas acolhidos por serviços ambulatoriais e pela comunidade.
Na primeira entrevista, Geraldo me surpreendeu por não esconder as agruras de viver com uma pessoa com uma doença psiquiátrica. Não dourava a pílula. Mas defendia com carinho sua escolha, com espaço para a leveza _como a história de um amigo da família, também portador de esquizofrenia, que insistia ser uma águia. Geraldo o acolhia como um pássaro. Naquela época, André não estava bem, os médicos não acertavam o remédio. Tentamos fazer uma foto de ambos, mas André não quis.
Coincidentemente, meses depois, encontrei Geraldo durante uma “blitz” dos conselhos de psicologia e do Ministério Público em grandes unidades psiquiátricas que ainda persistem em diversas partes do País. Em uma das instituições, lá estavam pacientes amarrados, sem roupa. Um deles perguntou a Geraldo se era “papai noel” (por causa da barba branca) e pediu: “alta”!
Depois de o poeta Ferreira Gullar chamar a lei da reforma psiquiátrica de “idiota” e de defender a internação dos filhos, quis ouvir novamente a opinião de Geraldo (você pode conhecê-la aqui). Seguiam vivendo juntos. Sugeri novamente a foto de ambos. André estava cada vez melhor, disse o professor. Cuidava do pai. Estava cada vez mais companheiro, relatou Geraldo. E a foto deu certo.
Há cerca de uma semana, André, que tinha 47 anos, morreu vítima de um infarto do miocárdio fulminante, em casa, ao lado do pai. Compartilho com vocês, com autorização do autor, trechos da carta que Geraldo enviou a centenas de amigos e apoiadores:
Há exatamente sete dias, nesta mesma hora, André, meu filho querido, morreu. Tudo começou e terminou comigo. Muitos, sequer o conheciam. Outros, o conheceram, e outros, até o acampanharam e cuidaram dele. Estas pessoas ficaram, indelevelmente, imarcadas em nossa memória.
André nasceu duas vezes, uma, de Wilma, sua mãe, e a outra, de mim, quando o assumi, depois de retirá-lo de um hospital psiquiátrico. Portanto, sinto-me fiador de todo esse querer bem, que vocês todos têm demonstrado por ele.
Tive um privilégio, uma graça por viver junto dele essa experiência, absolutamente fantástica, nestes vinte e cinco anos, desde o dia em que o retirei de um hospital psiquiátrico, até aquele momento, em que o vi, estendido no sofá da minha sala. Ele foi o meu grande mestre, mostrou-me o caminho, o caminho que ele percorreu e que, apesar da violência das crises e, das crises de violência, foi paradoxalmente, delicado e extraordinário. A experiência foi “humana, demasiadamente humana”. Fui atirado à correnteza da vida e da psicose, deixando-me levar sem resistência, aceitando e usando-a a meu favor, sabendo, como bom nadador, que se não o fizesse, iria , apenas, me exaurir. A correnteza, agora queridos amigos, se diluiu, se desfez, deixando-me nadar livremente. A vida foi maravilhosa comigo, por ter-me permitido esse encontro.
Valeu a pena, garoto! Valeu muito a pena!
André vive! Ontem, André era o meu objetivo – hoje, deixou de ser, pois eu o carrego comigo…
Obrigado, obrigado, obrigado…
Geraldo
Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.
Deus o abençõou com o convivio de seu amado filho André. Esses laços são indissolúveis. O que reconforta, e muito, é que sabemos que um dia acontecerá o reencontro. Minha admiração.
Fabiane, se possível, quero um contato seu, para uma eventual matéria.Obrigada.Meu telefone: 011-37447559.
Sylvia, escreva-me no fabiane.leite@grupoestado.com.br. Obrigada!
responder este comentário denunciar abusoQue lindo! Parab[ens pelo seu exemplo de doação. É dando que se recebe! Esse sentimento sublime é uma recompensa que só recebem aqueles que tem a coragem e o altruismo como o seu.
Geraldo. Obrigado, obrigado, muito obrigado… pela lição de vida.
[...] This post was mentioned on Twitter by Daniel Fernandes ✔, Hélio Farias. Hélio Farias said: "Carta de um pai que não internou seu filho". História comovente. http://bit.ly/bQqopV [...]
Que história. É a prova de que existem pais que REALMENTE amam os filhos.
Não tem como não ler esta reportagem e se emocionar…
Simplesmente fantastico. Lindo exemplo…
Prezada Fabiana,
Seria gentil e honesto fornencer também um link para uma entrevista com o poeta Ferreira Gullar sobre o assunto.
Atenciosamente,
Felipe, o texto principal da polêmica aberta pelo poeta chama-se “Uma lei errada” e foi publicado originalmente pela Folha de S. Paulo. Está disponível em diversos sites, inclusive no site do Conselho Regional de Psicologia: http://www.crpsp.org.br/crp/midia/noticias/lutaantimanicomial.aspx. Abraço
responder este comentário denunciar abusoNão cabe julgar a atitude do grande poeta Ferreira Gullar. Cada um sabe a sua dor.Se é louvável a atitude do Geraldo, há que respeitar , por outro lado , as outras abordagens sobre a questão. Ninguém é dono da verdade.Faço minhas as palavras do Felipe: que fale o poeta.
Concordo, essa é apenas uma verdade que está aí se apresentando. Obrigada pela contribuição ao debate, Nilson.
responder este comentário denunciar abusoParabens! Uma reportagem maravilhosa sobre um assunto sério e muito complexo. O que há de filhos e filhas escondidas ou”internadas” por este país a fora não está escrito. é uma lástima. A história do Geraldo é uma esperança em meio a noite desesperadora da vergonha, do medo e da insegurança. Muito obrigado por publicar uma história que nos faz pensar e mudar nosso modus vivendis. Vou amar ainda mais meus filhos depois desta grande lição de vida.
Sim José. Há alguns anos descobri ter uma tia que ficou anos no Juquery. Ninguém sabe o que tinha exatamente. Seus registros provavelmente se perderam no incêndio que destruiu o arquivo histórico desse hospital psiquiátrico. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoisso sim é amor de pai. como jesus disse. qual pai que o filho pedindo um pão lhe dará uma pedra?. se vois sois ruins como sois, imagine o pai que é todo amor. vc, geraldo, pelo amor incondicional se aproximou de deus. emocionante.
Sim Euclides, mas o mais bonito da história de pai e filho, para mim, é que se apoderaram e se empoderaram de sua realidade. Abraço
responder este comentário denunciar abusoObrigada por ser este exemplo maravilhoso!
Grande abraço!
FIco feliz que tenha ajudado. Abraço Cristiane.
responder este comentário denunciar abusoMuito lindo o texto e o depoimento. A comparação com Ferreira Gullar, no entanto, não é isenta. Se Geraldo pode centrar sua vida no cuidado do filho André, Ferreira Gullar tem dois filhos doentes – como livrar-se de um para poder cuidar do outro? Nâo acredito que um ser humano conseguisse dedicar-se a dois doentes mentais ao mesmo tempo.
Apesar de a comparação ser inevitável, concordo com você que não dá para aplicar a todos ou dizer que todas as famílias deveriam agir assim. Cada família tem seu script. Abraço e obrigada pela contribuição, Maria Eugenia.
responder este comentário denunciar abusoAcho inimagimável a dedicação pessoal, a responsabilidade paterna e amor dedicado por este Homem ao seu filho. Ao tomarmos conhecimento, parece nos quere dizer que a humanidade não é àquilo que nos apresentam diariamente nos noticiários pelas TVs, que se “deliciam” com imagens horrendas, sem valor e meros fomentadores de violência.
Gostaria que em uma oportunidade futura o Estadão pudesse dedicar umas poucas linhas para um cidadão de Alfenas – MG, que desenvolve um hercúleo trabalho filantrópico de assistência aos portadores de câncer, como sua forma de agradecer a Deus pela recuperação de sua esposa da mesma doença.
Quiçá a imprensa pudesse resgatar mais informações de pessoas de bem gerando uma sinergia para tirar a sociedade do medo.
Olá Tetsuo. Uma ótima sugestão. Um dos meus melhores chefes diz isso: muitas vezes algumas reportagens só alimentam a cultura do medo. Envie-me os contatos dessa pessoa. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoO amor fez com que este pai encontrasse o único caminho para amenizar a dor das pessoas com problemas mentais: mergulhar ao lado delas, buscar a lógica do doente e aprender com ele.
Parece fácil, mas é uma das coisas mais difíceis da vida. Só quem passa por isso sabe do quanto é preciso abrir mão. Mas só aquele que conseguiu sabe o quanto o retorno é gratificante.
Sim, isso também foi uma descoberta para mim. QUem vive a doença mental tem de inverter a lógica da própria vida. Não dá para seguir igual. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoQue sua atitude de amor incondicional sirva de exemplo aqueles que discriminam todo tipo de doença ou anomalia, seja feliz você faz por merecer.
Agradeço os bons votos que você enviou ao Geraldo, Irene. Abraço
responder este comentário denunciar abusoFabiane, parabéns pela reportagem.
Senhor Geraldo, admiro sua coragem e perseverança e a do André também!!!!! Concordo que a cura é o amor; a medicina tem papel importante e ajuda muito, porém nesta doença especificamente não há como o amor dedicado, a vigilância diária, os momentos compartilhados em que ensinamos e aprendemos.
Fico até sem palavras para expressar os sentimentos que tomaram conta de mim ao ler essa história.
Mas, caso o senhor Geraldo leia esse comentário, gostaria de dizer que Deus sempre esteve presente com vocês e também iluminou essa reporter para nos trazer essa história e fazermos pensar…..
Puxa, fiquei feliz que o relato tenha provocado reflexão. Achei importante o que vocÊ disse sobre a necessidade de vigilância diária: realmente é preciso que alguém cuide do paciente que vive com esquizofrenia, especialmente da tomada dos remédios. Sem isso, não há possibilidade de melhora. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoFantástica a história de Geraldo… só alguém que convive com pessoas com distúrbios mentais, de comportamento e dependentes químicos sabe a luta diária que se trava para manter o equilíbrio do outro (e de si mesmo) e dar a ele uma vida digna, saudável, sã e com perspectiva…. Sobre Ferreira Gullar, só alguém tão estúpido como ele poderia dizer o que disse… Se interne, então…
Oi Krika, considero que, como você disse, é uma luta diária, mas também não dá para querer que as batalhas e soluções sejam as mesmas para todas as famílias. Abraços.
responder este comentário denunciar abusoGeraldo, tu és o verdadeiro modelo do que é ser PAI.
sei bem sua linguagem
Sou Bipolar e tomo 315 comp. mês.
Que lindo o que tu fizeste.
Abraço bem forte !!!
Muito corajoso este pai excepcional. Se todos pais fossem compreensivos e humanos ao ponto em que ele foi, as pessoas seriam mais felizes e o mundo melhor. Pena que a luta dele nao seja encarada pela maioria da pessoas como essencial na vida de um doente psíquico, em geral se quer fugir do problema.Filhos que causam o desespero da família terminam abandonados e sem assistência do Estado.
Sim, ainda há muito a caminhar para que a asssitência psiquiátrica do Estado dê conta dos pacientes e das famílias. Abraço Anna.
responder este comentário denunciar abusoObrigado pela história Fabiane. Fiquei emocionado. Depois de anos lendo e estudando sobre os reais efeitos da psiquiatria não-reformada, de todos os horrores e abusos contra os direitos humanos, isso realmente emociona.
PS: IDIOTA é o Sr. Ferreira Gullar.
SIm, meus contatos com as grandes unidades psiquiátricas também foram terríveis. Depois dessa blitz citada, estive em outro hospital de São Paulo, também público. Conversávamos com pacientes e familiares que estavam no pátio da unidade, no momento de visita. QUando procuramos a direção, que não estava, veio uma ordem por telefone para fechar os portões e não deixar que saíssemos. Precisei apelas à freira que tomava conta da entidade para que abrisse os portões. O diretor chegou esbaforido e esbravejando logo depois …
responder este comentário denunciar abusoSim, podemos não concordar, mas cada um com seu script, não dá para julgar. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoInesplicável o sentimento que me tomou ao ler esta reportagem que tem um cunho igualmente emocionante. A sensibilidade de comunicar notícias como esta é semelhante à sensibilidade do pai que dedicou sua vida ao filho, tendo em troca o seu próprio sorriso ao ver o filho melhor. Sr. Geraldo, quanta admiração por tanta perseverança, tenho um caso na minha família, apesar de não ter acompanhado de perto, o sofrimento que senti foi tão forte e agora você ensinou a mim e a milhares de pessoas como amenizá-lo. Você nos ensinou com sua história de vida transformar um sofrimento em um sorriso de recuperação.
Acredito que o amor é o sentimento mais bonito que existe, a energia que o cerca transforma-nos e ultrapassa até mesmo a própria morte.
Cássia, eu acho que “nadar na correnteza”, como escreve Geraldo, é a maior lição. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoComovente! Umexemplo a ser imitado!
Parabenizo a esse senhor pela dignidade e coragem e a você Fabiane,pela matéria.
Que bom que o texto fez bem a você, Jeane!
Abraço!
Obrigado Fabiane pela excelente reportagem, só uma profissional comprometida com a verdade cobre uma lição de vida. Senhor Geraldo é pessoa como você que precisamos para nos espelharmos. Parabens pelo excepcional exemplo de pai. Fique com Deus.
Tudo de bom para você também, Luiz!
responder este comentário denunciar abusoMeus pesames Geraldo, fui atitude foi não apenas de um pai que qualquer filho gostaria de ter mas de um amigo, imagino o seu aprendizado nesta convivência, por muito menos assistimos filhos, pais, avós sendo abandonados por ai.
Verdade Luzio. Por outro lado, uma vez uma assistente social de um hospital geriátrico, com vários idosos abandonados, disse que não dava para julgar, pois não tínhamos ideia de como eram as relações naquelas famílias. Pura verdade. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoObrigada Fabiane pela sua sensibilidade em perceber e dividir conosco tão grande amor e despertar em nós grande admiração por esse pai maravilhoso que nos ensina tanto com seu gesto.Obrigada Sr Geraldo,que o senhor nosso Deus derrame sobre você bençãos sem par!!!!
Genilda, muito obrigada por suas vibrações positivas. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoOlá Fabiane, parabéns pela reportagem, que além de emocionante, opera no sentido da desconstrução da lógica da internação psiquiátrica!
Querido Geraldo novamente obrigada por seu amor a luta antimanicomial, e o André continuará cada vez mais vivo em suas ações em prol da ética do cuidado em saúde mental. Tratar em liberdade!!
Joinville/SC
Sim Ana Lúcia, como disse antes, é uma história de quem inverteu a lógica. Abraço e obrigada pela sua passagem por aqui!
responder este comentário denunciar abuso“Hoje o André está com um medicamento que deu uma virada na qualidade de vida dele. Ele está muito companheiro, dá conselhos, vê até se estou agasalhado, para não tomar friagem. Hoje é ele quem cuida de mim”.
Cara Fabiane Leite, boa noite! Inicio com um final de frase do Sr. Geraldo Peixoto acima. Ontem encontrei esse artigo sobre a esquizofrênia, hoje com calma estou lendo. Obrigada pelo excelente artigo. Tenho uma irma com o mesmo diagnóstico, nunca viveu em hospitais, pois a minha preocupacao, procura de caminhos, … evitou isso, para a minha e a felicidade dela. Foi caminhando que fui aprendendo, virei uma especialista no tema, pois lá se vao mais de 20 anos convivendo com ele. Quero lhe pedir um favor importante: gostaria de poder trocar informacoes com o pai, pois ele cita que o André está sendo medicado, onde houve uma virada na qualidade de vida. Gostaria de obter o nome do remédio, você poderia obtê-lo e me enviar via E-mail? Obrigada antecipadamente. Uma doenca psíquica é muito ingrata, pois exige uma sensibilidade extra e, ela proporciona uma constante atualizacao no conhecimento de nossas limitacoes, esse é um dos lados que tomo, como positivo. Parabéns! Abs Mara Rúbia
Olá Mara, assim que tiver oportunidade de falar com ele, perguntarei. Um abraço.
responder este comentário denunciar abusoTive a oportunidade conhecer a história de Geraldo e André na Conferência Nacional de Saúde Mental em julho passado, inclusive as fotos foram mostradas durante a fala de Geraldo. Bom, nem precisa falar o quanto estou emocionada, principalmente para mim , que estou do lado dos que ainda tem famílias pedindo para internarmos os seus filhos, por desespero, o que nos lembra que nessa história não tem vilões, nem quem interna, nem quem é internado.
É verdade Irene. A imprensa já demonstrou diversas vezes como famílias vulneráveis e sem amparo do Estado são obrigadas a resolver situações assim. Recentemente reportagem de Laura Capriglione, da Folha de S. Paulo, mostrou que uma família que não conseguia asssitência médica para um ente com doença mental o amarrou , ao lado de uma igreja na zona sul de São Paulo. Abraço.
responder este comentário denunciar abusoParabéns pelo texto, Fabi!! Beijos
Olá Fê, obrigada! Está fora ainda? Bjo!
responder este comentário denunciar abusoAndré, um presente de Deus para uma benção de pai.
Ele viverá para sempre no céu que existe dentro do seu lindo coração.
À você Geraldo toda minha admiração e carinho.
Obrigada pelas vibrações positivas, Maria. Um abraço.
responder este comentário denunciar abusoParabéns Fabiane por nos trazer uma matéria em que o amor puro se faz presente. Ninguém aguenta mais ouvir falar em tanta violência.
Passei a msgm acima para o Geraldo. Acho que a sensação de dever cumprido como pai amoroso é reconfortante diante da perda do filho querido.
Que sorte a do André tê-lo como pai. Que benção para você Geraldo ter a participação especial do André na sua vida !”
Grande abraço !
É com imensa gratidão e carinho, que me dirijo a vocês todos. A saudade, a ausência, continuam dilacerantes. Ao mesmo tempo, sou invadido por uma sensação oceânica, um encontro comigo mesmo, uma sensação de completude, sensação que, no zen-budismo, é chamada de “satori” – A ILUMINAÇÃO. Sinto-me acolhido por saber que meu filho, André, cumpriu o seu script, à perfeição, deixando-me apto a prosseguir, indicando-me o caminho, iluminando-o como um farol, sendo perfeito, até no momento da despedida, deixando estruturado, tudo o que se encontrava desordenado. O espanto, a desordem, o inesperado foi a forma como convivemos juntos, durante mais de vinte e cinco anos e, mal sabia eu, que este, era o meu grande aprendizado. Ele foi “o dedo que apontava para a lua”. Tendo vivido junto dele, além de, com muitos outros companheiros de viagem, aprendi e, me tornei o que sou, livre, vivendo com pequenas posses, mas, desapegado e, disponível para passar esta linda experiência aos que, como eu, sabem que, a vida é um processo de perpétuo crescimento, mutação e aprendizagem. Obrigado a todos pelas manifestações e, a vocês, Fabiane e Ernesto, em especial, meus mais profundos agradecimentos.
Obrigada, Geraldo. Desejo que todos nós possamos, um dia, alcançar essa sensação. Somos uma soma de escolhas, já disseram, e a história de vocês para mim é a maior expressão disso. Forte abraço.
responder este comentário denunciar abusoGeraldo, vivi uma história semelhante a sua.Meu pai sofreu com câncer durante anos e alguns membros da família queriam interná-lo alegando que eu precisava descansar.
O que eles não entendiam é que eu queria ficar com meu pai e meu pai comigo.De nada resolveria uma internação hospitalar.Cuidei dele com todo o amor que existe em mim. Dormíamos juntos e abraçados.
Certa vez ele me disse “Filha, Deus vai te recompensar por tudo isto” e eu respondi: “Pai, eu não quero recompensa, minha felicidade consite em poder estar com você”.
Rimos, choramos, mas ficamos juntos até a morte física dele.
Quando amamos verdadeiramente alguém, tudo se supera.
Parabéns pela atitude louvável.
Geraldo não o conheço mas sim sua historia de vida. Temos um plano de vida e de repente a vida o muda radicalmente. Ou aceitamos ou lutamos contra paredes de pedra. Só há uma opção, seguir o amor que temos pelo filho. Há muitos momentos de intensa dor e solidão pois ficamos sós na empreitada. E alguns momentos de uma intenso amor pela nossa doação total. O único rumo é cuidar de quem geramos e oferecer o que pudermos de melhor, e Deus o recompensou com a morte de André antes da sua pois do contrario quem cuidaria dele? Tenho uma filha que era aluna brilhante cheia de alegria e com 18 anos teve a 1a. crise de esquizofrenia. Tambem estou só, cuidando dela desde então. Está com 44 anos e tem seus momentos tranquilos e felizes mas sp esperando poder se curar para casar e ter filhos. Sua mensagem me tocou pq vivo preocupada com o que será dela na minha falta, o que a preocupa também. Há dois dias pedi a Deus que pondere se pode leva-la antes de mim que seria uma dor menor do que deixa-la só no mundo. OBRIGADA pelo seu exemplo e conforto e sei que tambem deve sentir que seu amor o levou antes. Com toda certeza sabemos que a cada pancada que transpomos crescemos muito.Um grande Abraço, Vera
Obrigada Vera. Desejo que fiquem bem, um dia de cada vez. Fabiane
responder este comentário denunciar abusoBoa Tarde, Fabiane!!!
Essa reportagem traz à tona uma realidade de muitas famílias que vivem o drama de ter um portador de transtornos mentais e as opções que a Saúde Pública oferece a população em geral.Ou seja, na crise internação em hospital geral, CAPS 24 horas ou internação psiquiátrica. A discrepância dessas formas de atuar é enorme e necessita de maior incentivo público para as propostas atuais da reforma psiquiátrica, para assistir o indivíduo na sua plenitude em ambiente aberto e humanizado. Sou à favor de orientar e acolher o paciente e a família, e felizmente, isso só é possível no SUS nos CAPS e Leitos em Hospitais Gerais com retaguarda, da equipe do CAPS. Famílias envolvidas no processo de cuidar e legitimadas no papel de cuidadores; uma troca linda como essa exposta pelo Sr.Geraldo.
Prezada Fabiane, Parabéns! Quando colocas na rede a história, real, de vida de André e Geraldo, colocas também a possibilidade das pessoas poderem reconhecer que o sofrimento psíquico precisa ser olhado de forma desmistificada e que há possibilidades de tratamento para “além dos muros dos manicômios”. Principlamente, colocas em pauta o amor, que deve ser acima de tudo o elo condutor entre as pessoas.
Geraldo é uma pessoa fantástica, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, junto com a Dulce, na conferência nacional. Já o conhecia da rede que muitas pessoas fazem parte, que procura conversar, articular, compartilhar sobre saúde mental coletiva através da perspectiva da humanidade.
Obrigada por contar esta história e desejo que ela possa ajudar muitas pessoas, não somente parentes, amigos, mas principalmente, trabalhadores e gestores que ainda tem a falsa ilusão que resolver problema é igual a escondê-lo através de um hospital.
E, na verdade, o que falta é uma boa gestão dos recursos financeiros, porque muitas vezes o recurso não está sendo direcionado para a atenção básica, CAPS, oficinas terapêuticas nas comunidades……, mas sim para os locais de maior complexidade e aí estamos dizendo que só iremos ver as pessoas em gravidade. Precisamos de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, sim, mas não somente. Precisamos de responsabilidade, ética, respeito à vida e cuidado.
E, meu caro Geraldo, cumpriste o teu papel com muita Luz. ès uma grande lição de vida, pois pudeste aprender com o André o verdadeiro significado do amor e passaste para todos nós isto de uma forma muito especial. Obrigada!
Abraço,
Patricia Benites
A imprensa noticiou , recentemente, a morte de um jovem que foi atacado com um bastão em uma livraria de São Paulo. Tal jovem ficou um ano internado em coma. Seu agressor tem histórico de problemas mentais e no entanto circulava livremente pelas ruas de São Paulo.
Tal fato ilustra de forma cabal como é difícil o julgamento apressado de certa pessoas nesse espaço de estabelecer formas definitivas de resolver tais questões e a forma leviana que atacaram o grande poeta Ferreira Gullar.
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Não se criticou a atitude de Ferreira Gullar, o famoso poeta do Poema Sujo, mas sim, o fato de que ele tenha vindo a público, fazendo uso de seu afamado nome, para ditar regras e impor sua opinião, em um jornal de grande circulação, desclassificando todas as demais atitudes de outros pais, que optaram pelo tratamento mais humanizado, mais pessoal e, junto de seus filhos como é o meu caso, sem esconder nada, absolutamente nada, diferentemente do que acontece atrás dos muros dos hospitais, por mais “modernos” que sejam. Posso falar com conhecimento, pois, tenho um filho, hoje com 48 anos de idade, que, durante mais de 20 anos, passou por internações psiquiátricas, nos mais variados tipos de hospitais e clínicas, e que, somente agora, depois de vinculado a um serviço aberto, faz 7 anos, tem aceitado tratamento, com excelentes resultados.
Dulce
Vera, sua história também me tocou.
Sempre pedi a Deus que me levasse antes dos meus pais porque eu não saberia viver sem eles, mas eles foram antes.Perdi minha referência e ainda me sinto uma criança órfã. Apesar desse sentimento, existe em mim a gratidão por ter tido forças para cuidar deles. Sinto que cumpri uma missão.
Sua história é diferente, porque sua filha necessita dos seus cuidados constantes.
Muito lindo você pedir a Deus que pondere….
Com certeza, Ele tomará a melhor decisão.
Um abraço.
Querida Fabiane.
Li tudo novamente, emoção e saudade
Perdi seu contato, tudo que lhe envio volta.
Qual é seu email pra contato.
Beijos.
Geraldo
Querida Fabiane.
Saudades.
Li tudo novamente, com muita emoção.
Tudo que lhe envio volta.
Por favor qual é o email correto, para poder me
comunicar com você.
Beijos.
Geraldo
2010
2009
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