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Fabiane Leite

20.dezembro.2010 00:09:40

Mais um olé contra o fumo

Durante as férias na Espanha tive uma sensação de déjà vu ao ver na TV um protesto de donos de bares e restaurantes de Madrid: com discurso bem alinhavado, cartazes com letras cuidadosamente grafadas, eles tentavam barrar a lei que proíbe o fumo em todos os ambientes fechados e que deverá entrar em vigor em janeiro naquele país, na esteira do que já fizeram tantos outras nações da União Europeia, como a Itália, a Grã Bretanha e a Irlanda.

Argumentos de alguns empresários espanhóis: a lei vai aprofundar a crise econômica no país, pois os bares ficarão vazios. Também causará baderna e irritação à noite, pois pessoas deixarão de ir aos bares, beberão e gritarão pelas ruas _ e poderão causar mais acidentes, alertaram preocupados. Pergunto: mas o que farão os espanhóis sem os seus tapas (porções gratuitas de “aperitivos” servidas nos bares com as bebidas alcoólicas ) ?

Fora a brincadeira, você já não ouviu algo assim? Tudo me lembrou o clima criado por empresários e deputados contrários à lei quando São Paulo proibiu o fumo em ambientes fechados há cerca de um ano _medida que, segundo pesquisa recente da Secretaria de Estado da Saúde, fez com que metade dos fumantes reduzissem o consumo, além de proteger os não fumantes do fumo passivo, que é seu objetivo principal. Alguém ouviu dizer que algum bar fechou por causa da lei antifumo?

Documentos fornecidos pela própria indústria do fumo nos últimos anos por meio de ordens judiciais nos EUA e na Grã Bretanha apontam que a indústria de tabaco trabalha alinhada com sindicatos de bares e restaurantes quando há ameaças ao seu negócio. Patrocinou, diante de estudos que demonstraram os riscos do fumo passivo, programas para mostrar que era possível a convivência de fumantes e não fumantes com a criação de fumódromos, apontaram esses mesmos documentos. Escrevi aqui sobre isso quando a lei em São Paulo estava prestes a entrar em vigor.

A Espanha talvez seja o último mercado livre para a indústria do fumo. Lá não se respeita um não fumante _exceto que, como um bom espanhol, você diga claramente, sem a ternura brasileira, que não aguenta! Fuma-se colado a uma mulher grávida não fumante, baforadas correm soltas nos restaurantes ao lado do carrinho do bebê. Asmáticos como eu podem morrer tossindo na mesa denotando a aflição que o fumante ao lado não liga. Conhecer a encantadora noite madrilena foi um sufoco! Havia esquecido o horror de chegar em casa com o cabelo e a roupa empesteados de fumo.

Hoje, segundo a imprensa local, os restaurantes e bares com menos de 100 metros quadrados são livres para fumar e somam 80% dos locais de entretenimento. Aqueles que estão acima desta área devem estabelecer uma área separada e isolada para fumantes, caso decidam que aceitam o fumo.

O tabaco mata mais de 50.000 pessoas por ano na Espanha, onde cerca de 30%- cerca de 12 milhões de pessoas – são fumantes. No Brasil o percentual caiu para 18% nos últimos dez anos.

Apesar dos esforços contrários, parece que a lei espanhola vai mesmo para frente depois que o Senado, no último dia 14, derrubou uma tentativa de, adivinhe, criar fumódromos como alternativa à proibição total. Alguns senadores ainda protestaram, tentaram misturar as coisas dizendo que não há tratamento para todos os fumantes. Por fim, disseram duvidar que uma medida tão coercitiva possa trazer benefícios à saúde pública. Que respondam os mil garçons espanhois que, segundo a mídia do país, descobrem ter câncer de pulmão todos os anos.

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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André e Geraldo em São Vicente (SP), em foto de Ernesto Rodrigues

Conheci a história de Geraldo e André Peixoto há seis anos, durante reportagem de balanço da reforma psiquiátrica. André teve o primeiro surto, sinalizador da esquizofrenia, na passagem para a idade adulta. O pai, Geraldo, horrorizado com os grandes hospitais psiquiátricos por onde André passou, o retirou de lá, mudou a vida, trocou a carreira de executivo pela de professor de natação para ficar ao lado do filho. Nesses anos, tornou-se um militante do direito dos pacientes de não serem trancafiados em hospitais e clínicas, mas acolhidos por serviços ambulatoriais e pela comunidade.

Na primeira entrevista, Geraldo me surpreendeu por não esconder as agruras de viver com uma pessoa com uma doença psiquiátrica. Não dourava a pílula. Mas defendia com carinho sua escolha, com espaço para a leveza _como a história de um amigo da família, também portador de esquizofrenia, que insistia ser uma águia. Geraldo o acolhia como um pássaro. Naquela época, André não estava bem, os médicos não acertavam o remédio. Tentamos fazer uma foto de ambos, mas André não quis.

Coincidentemente, meses depois, encontrei Geraldo durante uma “blitz” dos conselhos de psicologia e do Ministério Público em grandes unidades psiquiátricas que ainda persistem em diversas partes do País. Em uma das instituições, lá estavam pacientes amarrados, sem roupa. Um deles perguntou a Geraldo se era “papai noel” (por causa da barba branca) e pediu: “alta”!

Depois de o poeta Ferreira Gullar chamar a lei da reforma psiquiátrica de “idiota” e de defender a internação dos filhos, quis ouvir novamente a opinião de Geraldo (você pode conhecê-la aqui). Seguiam vivendo juntos. Sugeri novamente a foto de ambos. André estava cada vez melhor, disse o professor. Cuidava do pai. Estava cada vez mais companheiro, relatou Geraldo. E a foto deu certo.

Há cerca de uma semana, André, que tinha 47 anos, morreu vítima de um infarto do miocárdio fulminante, em casa, ao lado do pai. Compartilho com vocês, com autorização do autor, trechos da carta que Geraldo enviou a centenas de amigos e apoiadores:

Há exatamente sete dias, nesta mesma hora, André, meu filho querido, morreu. Tudo começou e terminou comigo. Muitos, sequer o conheciam. Outros, o conheceram, e outros, até o acampanharam e cuidaram dele. Estas pessoas ficaram, indelevelmente, imarcadas em nossa memória.

André nasceu duas vezes, uma, de Wilma, sua mãe, e a outra, de mim, quando o assumi, depois de retirá-lo de um hospital psiquiátrico. Portanto, sinto-me fiador de todo esse querer bem, que vocês todos têm demonstrado por ele.

Tive um privilégio, uma graça por viver junto dele essa experiência, absolutamente fantástica, nestes vinte e cinco anos, desde o dia em que o retirei de um hospital psiquiátrico, até aquele momento, em que o vi, estendido no sofá da minha sala. Ele foi o meu grande mestre, mostrou-me o caminho, o caminho que ele percorreu e que, apesar da violência das crises e, das crises de violência, foi paradoxalmente, delicado e extraordinário. A experiência foi “humana, demasiadamente humana”. Fui atirado à correnteza da vida e da psicose, deixando-me levar sem resistência, aceitando e usando-a a meu favor, sabendo, como bom nadador, que se não o fizesse, iria , apenas, me exaurir. A correnteza, agora queridos amigos, se diluiu, se desfez, deixando-me nadar livremente. A vida foi maravilhosa comigo, por ter-me permitido esse encontro.

Valeu a pena, garoto! Valeu muito a pena!

André vive! Ontem, André era o meu objetivo – hoje, deixou de ser, pois eu o carrego comigo…

Obrigado, obrigado, obrigado…

Geraldo

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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A saúde, principal preocupação dos brasileiros, voltou à pauta depois de uma eleição em que, nesse campo, só se falou sobre pronto atendimento (UPAs) e ambulatórios de especialidades (AMEs) _um debate rasteiro, na opinião da maioria dos especialistas.

Da recente reunião entre a presidente eleita Dilma Roussef e os governadores vazou a vontade da maioria dos Estados de que a CPMF volte para garantir mais recursos para a saúde. Dos mesmo Estados que, em grande parte, já não cumprem o que deveriam gastar em Saúde. Parte da oposição chiou. Parte aprovou.

Por outro lado, apesar de a CPMF não ter sido destinada, conforme o planejado, totalmente à saúde, sua extinção retirou de uma vez bilhões do setor, comprometendo obras de infraestrutura, por exemplo.

A Saúde precisa de mais recursos? Segundo a maioria das entidades do setor sim, a divergência se dá sobre como alcançá-los. O Brasil tem um sistema universal de saúde _não é necessário ter carteira de trabalho para ser atendido, como em outros tempos. Não é preciso nem ter um nome. Mas, enquanto aqui menos de metade dos gastos são públicos, em países que também têm sistemas universais, como Inglaterra e Espanha, 80% dos gastos são públicos.

Enquanto aqui 3,5% do PIB vai para a Saúde, naqueles países o percentual chega a 8%, como destacou recente manifestação do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde.

Mas, independentemente dessa discussão sobre financiamento, pouco se falou sobre o que presidente eleita Dilma Roussef pretende fazer com os recursos do setor. Abaixo estão os 13 compromissos da eleita para a Saúde. Para opinar, guardar e cobrar.

Compromissos para a Saúde da presidente eleita Dilma Roussef.

1. Prevenção e promoção da saúde e prevenção de doenças.

Significa combater as desigualdades socioeconômicas, articular diferentes políticas públicas, educar e mobilizar a sociedade para a vida saudável. Implantar políticas públicas para promoção à saúde (incentivo à prática de atividade física e a alimentação saudável) e para redução da exposição a fatores de riscos (controle do uso do álcool, fumo, uso abusivo de medicamentos) e a articulação dessas ações com a atenção básica. Ampliar o Programa de Imunização. Fortalecer a Vigilância Sanitária e a vigilância ambiental. Manter o combate sistemático das endemias e criar a Força Nacional de Saúde para atendimento às emergências envolvendo desastres naturais como enchentes e deslizamentos. Ampliar a cobertura da
população que recebe água fluoretada.

2. Ampliação do acesso aos serviços de saúde.

O objetivo é que todos tenham ao longo da vida, desde o pré-natal, acesso aos serviços de saúde, com qualidade. Garantir plena cobertura de atenção básica combinando Estratégia Saúde da Família e as Unidades Básicas de Saúde, com o reconhecimento das especificidades locorregionais. Ampliar a oferta de procedimentos de atenção especializada ambulatorial e hospitalar (exames, consultas, internações, cirurgias e saúde bucal). Expandir as Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Universalizar o SAMU e expandir as centrais de regulação, articuladas com a expansão da oferta de leitos e de procedimentos especializados.
Implantar Centros Regionais de Diagnósticos do SUS com a atuação de especialistas e exames complementares. Implantar Central de Interpretação de Exames de Imagem. Manter e ampliar o Programa Brasil Sorridente. Implementar a Política de Atenção à Saúde do Trabalhador.

3. Humanização, acolhimento e qualidade.

Assegurar a qualidade dos serviços de saúde e humanizar as relações e vínculos entre as pessoas, com a redução das filas e do tempo de espera e ampliação do acesso às ações e aos serviços (estratégias de acolhimento, reorganização dos fluxos internos das unidades). Incentivar a implantação da Internação Domiciliar e proporcionar a participação do usuário no seu próprio cuidado.

4. Garantia de assistência farmacêutica.

Ampliar o gasto público com aquisição e distribuição gratuita de medicamentos e fortalecer o Programa Farmácia Popular. Para isso: atualizar periodicamente as listas de medicamentos do SUS;fortalecer e aumentar a oferta de medicamentos genéricos; expandir o Programa Farmácia Popular do Brasil com a ampliação do elenco de medicamentos e do número de farmácias privadas credenciadas no Aqui Tem Farmácia Popular; e ampliar os investimentos em Laboratórios Farmacêuticos Oficiais.

5. Saúde da mulher e da criança.

- Promover a atenção integral à saúde das mulheres conforme a Política Nacional de Atenção à saúde Integral à mulher, a Política Nacional de Direitos Sexuais e Reprodutivos e a Política Nacional
de Planejamento Familiar.
- Implantar a Rede Cegonha para garantir que a gestante seja informada onde será o parto e o acompanhante no pré-parto e parto. Criar um sistema de transporte de gestante de riscos e
neonatal, articulado com o SAMU. Reestruturar a rede hospitalar de atenção obstétrica e neonatal, com ênfase nas unidades que realizam atenção especializada perinatal para gestantes e neonatos de alto risco, buscando atingir as metas pactuadas de redução da morbi-mortalidade de gestantes e recém nascidos.

6. Fortalecimento da saúde mental, prevenção e tratamento do uso de drogas.

Aprofundar a cobertura de atendimento para toda a população que sofre de transtornos mentais e dar especial atenção à questão das drogas. Garantir o financiamento da rede extra-hospitalar com a
ampliação dos serviços substitutivos de saúde mental no País. Implementar o Programa Nacional sobre drogas e de atenção às pessoas que fazem uso delas. Dar atenção prioritária para a questão do crack, em uma ação articulada com diferentes políticas públicas e parceria com ONGs voltadas o tratamento do usuário, o apoio e prevenção para os jovens, as famílias, as comunidades. Apoiar a ampliação do número de CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) principalmente CAPS álcool e outras drogas e CAPS infanto-juvenil
nos municípios com 70 mil habitantes, e CAPS III (24h) nos municípios com 200 mil habitantes.

7. Melhoria da infraestrutura da rede de atenção à saúde.

Implantar um programa de reestruturação física das unidades de saúde em seus vários níveis de atenção, que supere a defasagem do padrão físico atual em relação às práticas modernas e humanizadas de atenção à saúde. Reestruturar fisicamente todas as unidades hospitalares de atenção especializada na área de urgência e emergência que são referência para o SAMU. Reformar e construir unidades de saúde de acordo com as especificidades locais. Construir 500 UPAs para assegurar aumento da cobertura nos serviços
de urgência pré-hospitalar. Reformar e construir hospitais nos locais de comprovada insuficiência de leitos.

8. Profissionais necessários para a saúde dos brasileiros.

Implementar estratégias como o serviço civil e o financiamento específico para resolver os vazios assistenciais, ainda identificados no País. Levar o profissional médico aos municípios com carência
deste profissional por meio de incentivos, associados à anistia de financiamento estudantil e outros. Ampliar número de bolsas de residência no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Adotar parametrizações de cargos, carreiras e vencimentos mínimos nacionais e de co-financiamento de pessoal pelas três esferas
de governo. Aprofundar as políticas para combater a precarização do trabalho em saúde.

9. Gestão eficiente, de qualidade e voltada para o usuário do sistema.

Implantar um sistema integrado de avaliação de todos os serviços do SUS. Estabelecer metas em todos os níveis de atendimento e de aferição de satisfação com os serviços. Apoiar a implantação de novos modelos gerenciais e administrativos, que atendam às necessidades da nova realidade e que sejam compatíveis com os princípios do SUS. Garantir que a política de pagamentos do SUS seja orientada pelos resultados e desempenho.

Implementar as possibilidades de articulações regionais (consórcios intermunicipais, redes, unidades de referência regional e outras). Definir, através de legislação específica, as responsabilidades das três esferas de governo e os direitos e deveres de todos os participantes do setor saúde.

10. Financiamento para o setor compatível com o crescimento, o desenvolvimento econôminco e social do país e com as necessidades do SUS. Regulamentar a EC 29, que fixa novos patamares de vinculação
da receita e define o que são ações e serviços públicos de saúde. Promover maior equidade na distribuição dos recursos federais e estaduais para a saúde utilizando critérios epidemiológicos, de rede instalada, renda per capita, IDH e outros para corrigir as desigualdades. Aperfeiçoar os mecanismos de acompanhamento,
monitoramento e controle social dos recursos do Ministério da Saúde e os transferidos a Estados e Municípios,
priorizando o combate ao desperdício e desvios.

11. Gestão democrática e participativa com controle social.

Fortalecer as estruturas de gestão participativa (colegiados de gestão, diálogos com os movimentos sociais e sindicais, plenárias, conselhos e conferências de saúde). Fortalecer o Conselho Nacional de Saúde. Ampliar os sistemas de monitoramento, ouvidoria e auditoria como instrumentos de controle do sistema e diálogo com a população.

12. Capacidade de regulação do estado brasileiro sobre os diversos setores econômicos pertinentes à saúde.

Reforçar o papel do Ministério da Saúde na articulação das Agências Reguladoras (ANS e ANVISA) para garantir os princípios constitucionais da Universalidade, Equidade e Integralidade do Sistema. Implementar a regulação do processo de incorporação e retirada de tecnologias no SUS e na Saúde Suplementar. Efetivar o ressarcimento dos procedimentos realizados nos usuários de planos e seguros de saúde no âmbito do SUS. Conformar e consolidar o Sistema de Saúde Brasileiro, garantindo a ampliação e funcionamento adequado.

13.Desenvolvimento e fortalecimento do complexo produtivo da saúde.

Ampliar linhas de pesquisa relacionadas à produção nacional de medicamentos de interesse do SUS. Incentivar o complexo industrial da saúde com linhas de financiamento, política de compras governamentais, subvenções econômicas e incentivos fiscais. Fortalecer as empresas nacionais, participantes do Complexo Industrial da Saúde por meio da modernização de plantas tecnológicas, da incorporação de centros de pesquisa, construção de arranjos produtivos, agregação de valor e incremento do poder econômico.

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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É curioso comparar a situação da propaganda na medicina e na odontologia.

Os médicos não podem participar de anúncios de empresas comerciais, diz seu código de ética. Os dentistas podem, desde que só falem a verdade e informem seu registro profissional.

É por isso que você vê na TV dentistas aliados a pastas e escovas de dentes futuristas, especialmente os mais bonitos e desenvoltos (bem, não tão desenvoltos assim porque têm de passar a credibilidade de dentista). Mas fica quela pontinha de dúvida: os produtos são mesmo os melhores ou o dentista está entusiasmado pela remuneração recebida por quem produz os produtos?

O que você acha?

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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Jornalisticamente, o termo superbactéria tem sido utilizado para indicar que circula nos nossos hospitais uma cepa resistente a maioria dos antibióticos conhecidos, inclusive os da classe dos carbapenemos.

O nome verdadeiro do bicho é KPC, sigla para Klebisiella pneumoniae (o C quer dizer resistente aos antibióticos carbapenêmicos). Trata-se de uma bactéria que geralmente se aloja no trato gastrointestinal e que só causa estrago em quem já está hospitalizado e debilitado, explicam especialistas.

O infectologista Claudio Gonsalez, que atua no Hospital das Clínicas da USP, no Hospital Vila Lobos e no Hospital Emílio Ribas, todos em São Paulo, destaca: não há risco nem para os funcionários que circulam nas unidades hospitalares. Para ele, o termo superbactéria é inadequado porque dá a entender que estamos falando de uma bactéria que se comporta de maneira diferente da suas parentes menos preparadas, um novo bicho que causa mais danos. Na verdade, porém, a KPC causa os mesmos tipos de problemas nos pacientes, a diferença é que resistem às armas mais utilizadas para combatê-las.

Dentro de 60 dias, contados a partir de hoje, todas as unidades de saúde, hospitais, consultórios, clínicas, terão de ter dispensadores de álcool em gel para seus funcionários, preferencialmente perto dos leitos do paciente, para que os profissionais de saúde lavem as mãos, medida comprovadamente simples e barata para evitar infecções hospitalares como as geradas pela KPC.

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Os anestesistas de todo o País devem parar a partir de amanhã, conforme promessa realizada na semana passada, pressionando por aumentos dos planos de saúde e do SUS. A informação é da assessoria de imprensa da categoria.

A greve é um direito também dos médicos, segundo seu próprio código de ética, mas os setores de urgência e emergência devem manter o atendimento.

Caso haja realmente adesão da classe, são as cirurgias eletivas, aquelas que não são emergenciais, que deverão ser as mais prejudicadas a partir de amanhã. Se por um lado certamente os médicos merecem melhor remuneração, pois estudam seis anos no mínimo, desdobram-se em múltiplos empregos e têm responsabilidades maiores do que todos nós, os pacientes que esperaram meses por uma cirurgia de catarata poderão amanhã voltar para casa ainda sem ver.

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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O corpo dói, trabalhar está cada vez mais difícil. Na hora de comer, uma incomodação. Não dormir é o pior. É em momentos como esses que milhares de brasileiros usuários de planos de saúde abrem seus livrinhos para buscar alguém capacitado a ajudar. E quem será essa pessoa que assumirá tarefa tão importante? O usuário sabe onde ela estudou? Onde trabalha, além do consultório? Tem alguma informação sobre a experiência do profissional? Sabe se ele vai a congressos?

Na hora em que precisam, os milhares de clientes dos planos de saúde no Brasil são obrigados a abrir livrinhos que, regra geral, trazem como única informação sobre o médico o nome e o endereço. Opa, claro, antes de tudo, o bairro do consultório. E assim, sem nem perceber, buscamos quem pode nos ajudar com algo tão importante da mesma maneira como buscamos o endereço do supermercado mais próximo.

Apesar de promoverem uma série de ações de marketing _um plano chegou a ofertar recentemente check up de graça para jornalistas _, as operadoras de convênios médicos não investem em um aperfeiçoamento mínimo do relacionamento com os clientes.

Antes de escolher, mostre a lista do livrinho para um médico de confiança e veja se tem informações sobre algum dos profissionais. Vá a Internet e procure achar o currículo do doutor. Busque as associações médicas de cada categoria. E deixe o quesito “bairro” por último.

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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Conforme o Estado noticiou no último domingo, o Ministério Público está de olho em empresas que, no vácuo de legislação, vendem alimentos integrais sem comprovar ao consumidor os percentuais de um grãozinho integral sequer, seja de trigo, milho, aveia.

Veja a reportagem. E não deixe de registrar a receita de pão integral sugerida no comentário do leitor Roberto Ruziscka.

Mas não para aí. A mesma promotoria do Rio de Janeiro está de olho no frozen yogurt. Sim, é a mesma história. Boa parte das marcas não informa quanto de iogurte há, de verdade, na receita. Eu dei uma espiada nos sites e também não achei.

Minha amiga e repórter de Meio Ambiente Afra Balazina conta que conhece pessoas que já chegaram a telefonar para uma empresa para saber o quanto de iogurte há na receita antes de optar pela compra do produto _ buscavam algo mais saudável para os filhos. Ninguém respondeu.

“Neste caso, o consumidor pergunta sobre a natureza do produto e as empresas se limitam a responder: é ´frozen yogurt’. A dúvida do consumidor persiste. Muitos acham que se trata de um ‘iogurte congelado’ e o marketing das próprias empresas induz o consumidor a erro. Trata-se, porém, de um “sorvete de iogurte”. O produto é, de fato, feito com iogurte, mas por se tratar de um sorvete não é tão saudável como o consumidor imagina. Nosso objetivo é que as empresas se obriguem a informar que o produto é um ‘sorvete de iogurte’ para que o consumidor não se iluda. O ‘frozen yogurt’ é mais saudável do que o sorvete tradicional, mas não é tão saudável como o iogurte tradicional”, diz o promotor Pedro Rubim Fortes, autor dos inquéritos civis sobre o iogurte e o os pães.

Questionado sobre o que leva grandes empresas a esconder suas receitas do consumidor, Fortes concluiu: “É uma análise de custo-benefício. Elas estão ganhando mais do que perdeam. Mas poderão perder, no futuro, a credibilidade”. O MP pretende processar aquelas que não revelarem os percentuais de ingredientes.

A investigação do frozen, relata o promotor, gerou crise nas estagiárias da promotoria, todas elas ávidas consumidoras de sorvete de iogurte.

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03.setembro.2010 19:58:58

15 dicas para ir e voltar

Não dirija cansado, após um dia inteiro de correria como o de hoje. Nada de pressa. Desligue o celular no volante. E não deixe o cãozinho que viaja junto solto no carro. O coitado saltando para lá e para cá pode causar acidente. A cada feriado, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) alerta motoristas sobre como ir e voltar em segurança no País em que muitos ainda vociferam contra limites de velocidade.

“Esta lista não deve ser utilizada somente em datas comemorativas, ela pode e deve servir como guia prático em todas as viagens, visando sempre o maior objetivo: salvar vidas”, divulgou a entidade.

A lista de cuidados da Abramet, antes que você zarpe. Ah, sim, o ideal é pegar estrada pela manhã:

1. Sono: Durma pelo menos 08 (oito) horas noturnas antes do início da sua viagem. Lembre-se que fadiga e sono são fatores comuns para a ocorrência do acidente. Ao dirigir, sentiu sono, pare em local seguro e durma.

2. Alimentação: Ao dirigir faça refeições leves, preferindo legumes, verduras e frutas. Evite frituras, gorduras, refrigerantes e condimentos, isto produz distensão abdominal, flatulência, torpor e sonolência.

3. Horário: A viagem deve ser iniciada pela manhã, logo após o acordar, nunca à noite após trabalho.

4. Tempo na Direção: Recomenda-se que a cada 02 (duas) horas de direção veicular seja necessário uma pausa de 15 (quinze) minutos, quando o motorista deve deixar o veículo e fazer uma caminhada ao redor do mesmo e alongamentos, sempre em local seguro. Passageiros devem fazer o mesmo. Não recomendamos que se dirija por mais de 06 (seis) horas por dia.

5. Combustível: Se você está com a carga máxima do veículo, não encha totalmente o tanque de combustível. Pare no caminho coloque um pouco mais de combustível quando for necessário.

6. Animais: Evite animais de estimação soltos no interior do veículo. Mantenha-os no banco traseiro, dentro de uma gaiola ou com coleira e com supervisão de um adulto. A movimentação do animal pode gerar problemas para o motorista.

7. Cigarro e Telefone Celular: São condições inseguras na direção veicular. O cigarro gera problemas respiratórios para os passageiros. A brasa do mesmo ao cair sobre o motorista, certamente irá ocasionar acidente. O telefone celular tira a atenção, concentração, diminui os reflexos e propicia o acidente.

8. Sobrecarga do Veículo: Conduza apenas o número máximo de pessoas permitido para o seu veículo. Cuidado com a carga, não exagere, distribua de maneira regular, não deixe nada solto dentro do veículo. O excesso de peso poderá causar acidente.

9. Inspeção do Veículo: A inspeção do veículo é obrigatória antes e durante a viagem. A máquina, pneus, suspensão, freios, lanternas, faróis, etc., devem estar em perfeitas condições e sempre revisados nas paradas.

10. Ar Condicionado: Faça manutenção e higienização dos filtros e canaletas. Este é um equipamento que pode jogar no interior do veículo microorganismos que irão produzir as doenças respiratórias acometendo motorista e passageiro. As crianças, gestantes e idosos são mais susceptíveis.

11. Cuidado com Medicamentos: Alguns medicamentos são capazes de apresentar efeitos colaterais induzindo o sono, torpor, reduzindo reflexos, etc.

12. Hidratação: Devido ao tempo seco, mantenha todos bem hidratados e o ambiente bem ventilado.

13. Necessidade Fisiológica: Procure parar em locais em que o banheiro tenha boa higienização. Lembre – se que os animais ficam estressados e que também necessitam de pausa para se alimentar, ingerir líquidos e para as necessidades fisiológicas.

14. Pressa: Quem dirige de férias não deve ter pressa. A pressa é fator indutor de sinistro. Se notar que isto está acontecendo com você, pare, salte, ande, faça alongamento, respire e acalme – se. É muito comum essa pressa surgir quando já estamos bem próximo do nosso destino, e é aí, que surge o acidente. Modere e vá devagar.

15. Calor: Pode produzir além do desconforto, sinais e sintomas como hipotensão arterial, tonteiras, palidez cutânea, sudorese, intermação (aumento excessivo da temperatura do corpo), insolação (por exposição aos raios solares), etc. Por isso, beba bastante água e use roupas leves.

Boa viagem.

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Dados inéditos da IMS Health, uma das principais consultorias do ramo farmacêutico, apontam que a epidemia de gripe suína do ano passado foi boa no Brasil para o mercado de antigripais, remédios que têm venda livre no País, sem a necessidade de receita médica, e que apenas aliviam sintomas como a febre e congestão nasal.

Entre 2008 e 2009 a venda dos medicamentos cresceu 21,5%, mesmo com a decisão da Anvisa de suspender os comerciais para que a população deixasse de se automedicar e procurasse o médico diante dos sintomas de gripe _que são praticamente idênticos no caso de gripe suína e gripe comum. Entre 2007 e 2008 o volume de vendas tinha caído 3,9%, mostra o levantamento feito a pedido do Núcleo de Saúde.

O blog questionou a Anvisa e o Ministério da Saúde sobre a permissão para as propagandas neste ano. Primeiro o ministério disse que continuavam suspensas. A Anvisa disse que não, diante da mudança da realidade epidemiológica da gripe suína. No fim, ambos concordaram e o ministério informou que a situação epidemiológica atual não justifica a suspensão.

Neste ano 675 casos de gripe suína já foram registrados e 84 pessoas morreram. No ano passado, mais ou menos nessa época, o governo registrava pela primeira vez a circulação do vírus no Brasil e contabilizava onze óbitos. No entanto, agora, os sistemas de detecção podem estar preparados para “pegar” o novo vírus, talvez.

Ainda segundo a pasta, a tendência atual é de queda das doenças respiratórias. A proporção de doença respiratória aguda, que pode indicar a gripe suína, continua de baixa a moderada. E o atendimento de doença respiratória está inferior ao esperado. Efeito da campanha de vacinação. Espero que continue assim e os antigripais não atrapalhem.

Dados preliminares de uma pesquisa telefônica do Ministério da Saúde sobre condições de saúde, o Vigitel, apontam que de 25.985 pessoas ouvidas, 7.947 (31%) afirmaram ter apresentado sintomas de gripe nos últimos 30 dias. Destes, somente 26% procuraram o médico, que em 66 casos (3%) apontou suspeita de gripe suína. Em 39% desses últimos casos foi prescrito o oseltamivir, antiviral que combate o vírus A(H1N1), única droga que tem algum efeito comprovado sobre a doença.

O carateca quebrando ao meio os sintomas da gripe e a criança respirando aliviada, ambos personagens de propagandas de remédios antigripais, estão de voltar com o frio. Você acha que eles ajudam ou atrapalham?

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

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