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15 de Abril de 2010

 

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Ethevaldo Siqueira

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Mundo começa a viver a era da imagem 3D

12 de abril de 2010 | 3h59

Ethevaldo Siqueira

LAS VEGAS — Com a TV-3D e o cinema digital, o mundo começa a viver a era das imagens tridimensionais. Depois de quase 50 anos de tentativas e desistências, de altos e baixos, a indústria de eletrônica de entretenimento consegue resultados aceitáveis, graças à tecnologia digital. Se você tem dúvida, leitor, de que o cinema e a TV-3D chegaram para ficar, assista – caso não o tenha feito – a dois filmes dois filmes modernos em 3D, como Avatar e Alice no País das Maravilhas,

Nada mais convincente do que a experiência pessoal para se ter uma idéia do impacto do cinema digital 3D e de seu futuro. O mesmo se passa com a TV-3D. Essa experiência pessoal é determinante para que as pessoas se apaixonem pelo novo realismo das imagens tridimensionais que parecem saltar para fora da tela. E a paixão é ainda maior com as transmissões ao vivo de esportes ou cenas de grande movimento, como se pode perceber nas demonstrações feitas aqui no NAB Show.

Por isso, as grandes redes de TV do mundo apostam nas transmissões ao vivo de grandes eventos esportivos mundiais, como a Copa da África do Sul e até um campeonato de golfe só para milionários a ser realizado aqui em Las Vegas ainda este ano.

“O que temos até agora não passa de uma minúscula ponta do iceberg, diante do futuro que nos espera em matéria de TV e cinema tridimensionais. Afinal, o mundo que vemos ao nosso redor é tridimensional. Por que nos contentarmos apenas com duas dimensões? Não tenham dúvida: daqui para o futuro, progressivamente, praticamente todas as imagens que veremos na TV, no home theater, nos computadores, na internet, nos iPods e iPads passarão a ser imagens 3D” – como diz Barbara Lange, diretora executiva da empresa SMPTE – que conduziu ontem aqui em Las Vegas uma mesa-redonda, em conjunto com Ken Fuller, diretor de engenharia da empresa Azcar, e Paul Hearty, diretor do Centro Rogers de Comunicações, da Universidade Ryerson, dos EUA.

Isso não quer diz que a tecnologia de imagens tridimensionais na TV e no cinema já tenha alcançado seu ponto máximo de evolução ou maturidade. Mas, como aconteceu com outros avanços em eletrônica de entretenimento, já alcançou o ponto de decolagem no processo de massificação, segundo avalia a indústria.

A questão básica em que centenas de profissionais buscam consenso num evento como o NAB Show 2010, no entanto, vai muito além de saber “se a TV-3D vai pegar ou não”, mas, sim, compreender com precisão como o sistema visual humano percebe a profundidade dos cenários e os fundamentos da imagem estereoscópica

Quase tudo é novo para os profissionais de TV e do cinema, quando se trata de captura de imagens em 3D, bem como superar os desafios e armadilhas da câmera estereoscópica e utilizar a imensa variedade de novas ferramentas desse mundo estereoscópico que os profissionais precisam aprender a dominar.

Num debate que assusta os leigos, os especialistas discutem os parâmetros da imagem 3D, tais como os exigidos para se estabelecer a distância interaxial (entre o centro de cada pupila) e a convergência mais precisa das imagens, bem como os problemas do cansaço e da dor nos olhos que ainda acometem os espectadores quando as imagens são impropriamente trabalhadas na produção de programas em 3D

Muitos usuários reclamam do uso obrigatório de óculos. Esse ainda é um problema a ser resolvido. Embora já existam soluções de cinema e TV-3D sem necessidade de óculos para os telespectadores, seus resultados ainda não satisfazem à maioria das pessoas. É claro que, num horizonte de 5 a 10 anos, os óculos deverão ser abandonados, com a evolução da tecnologia 3D

Renascimento das salas?

Até há poucos anos o número de salas de cinema em todo o mundo vinha decrescendo de forma assustadora. Mesmo no Brasil, esse fenômeno ocorria de forma assustadora: diversas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes ficaram sem nenhuma cinema nos últimos 10 anos.

Tudo indica que o cinema digital virá reverter esse processo. Um bom é exemplo nessa linha é o que ocorreu no ano passado, a começar com o crescimento de mais de 200% do  número de salas de cinema para exibição de filmes nos últimos 12 meses, passando de cerca de 10 mil para mais de 30 mil em todo o mundo. O mesmo ocorreu com a venda de equipamentos para cinema digital, cujo aumento de vendas foi, em sua maioria, alavancado pela disponibilidade de filmes estereoscópicos.

Em sua maioria, os espectadores reagem positivamente à chegada do cinema digital 3D. Mesmo assim, os especialistas estão interessados em conduzir um número cada dia maior de pesquisas e trabalhos experimentais, em especial para conhecer as preferências em relação ao conteúdo do usuário doméstico, bem como de eventuais problemas que ainda tenham que ser superados.

O sucesso do cinema 3D está diretamente ligado às possibilidades da TV-3D no mercado doméstico. O home theater e a sala de cinema são irmãos, apenas com diferenças de proporções, argumentam alguns especialistas. À medida que cresce a oferta de conteúdo de filmes estereoscópicos, maior é a possibilidade de expansão e evolução do mercado para o home theater 3D

Além da produção de mais de uma centena de novos filmes em 3D, Hollywood trabalha com a possibilidade de adaptação estereoscópica de boa qualidade nos melhores filmes do passado. James Cameron está estudando a possibilidade de uma refilmagem de seu grande sucesso, Titanic, em 3D.

Outro mercado de grande potencial para a indústria é o de jogos eletrônicos ou videogames em 3D. Como estratégia agressiva de comercialização da TV-3D, junto ao público infantil e adolescente, dois grandes fabricantes já oferecem um pacote de mais de 50 games em 3D juntamente com a venda de televisores planos de LCD e LED (diodos emissores de luz) com dimensões superiores a 50 polegadas. E, além disso, dão de presente óculos especiais com marcas de griffe.

(Mais NAB Show, no site www.ethevaldo.com.br)

TV-3D é a nova vedete de Las Vegas

11 de abril de 2010 | 3h11

Ethevaldo Siqueira

LAS VEGAS – O NAB Show 2010, maior evento de multimídia do mundo, vai ser aberto nesta segunda-feira (12) aqui em Las Vegas com uma demonstração das possibilidades da TV tridimensial (TV-3D), numa tela de grandes dimensões, comprovando que essa nova tecnologia é a grande vedete desta feira e congresso da NAB (sigla de Associação Americana de Radiodifusão, ou National Broadcasters Association).

A expectativa geral da indústria é a de que 2010 será, realmente, o ano da TV-3D. Segundo analistas setoriais, o número de novos modelos de televisores 3D que deverão ser lançados pelos fabricantes presentes neste NAB Show deverá ser superior a 100.

Todos os novos avanços da imagem de televisão são subprodutos diretos da TV digital. Aliás, a digitalização abriu caminho para um conjunto de mudanças e deflagrou uma verdadeira revolução na tecnologia de televisão, tanto na qualidade das imagens, como no conteúdo e no modelo de negócios que, para muitos radiodifusores norte-americanos, o mundo da televisão nunca mais será o mesmo, depois da chegada da TV digital.

Quanto às transformações profundas ocorridas nos televisores, a conclusão básica é de que não se pode comparar nada do que existe hoje à disposição do telespectador com o que havia há apenas de 10 anos. Além do salto de qualidade das imagens, com a alta definição, dispomos hoje de monitores planos que podem ir muito além das 42 polegadas tradicionais, até 60 ou 100 (ou 2,54 metros de diagonal), tanto com tecnologia de plasma, cada dia melhor, como de cristal líquido (LCD, de Liquid Crystal Display), em evolução contínua para a TV LED (sigla de Light Emmitting Diode, ou seja, diodo emissor de luz).

A palavra inglesa broadcaster equivale a radiodifusor em português, ou seja, ao profissional de rádio ou de televisão. Já broadcasting deve ser traduzida, a rigor, por radiodifusão, que é a transmissão de programas (de rádio ou TV) abertos à livre recepção de todos os que disponham de receptores, sem distinção.

Um dos pontos altos deste NAB Show 2010 são os palestrantes famosos (keynote speakers), que incluem não apenas especialistas em rádio e TV, pesquisadores, como o presidente da agência reguladora de comunicações dos Estados Unidos (Comissão Federal de Comunicações ou FCC, na sigla em inglês), Julius Genachowski e um dos mais famosos visionários das novas tecnologias, o inventor norte-americano e futurólogo Ray Kurzweil, que falará sobre “Aceleração da Tecnologia no século 21: Impacto na Mídia, nas Comunicações e na Sociedade”.

Como visionário e pensador do futuro, Kurzweil é respeitado até por líderes das grandes corporações, como Bill Gates e chamado pelo Wall Street Journal de “gênio incansável”, e pela revista Forbes, como a “a mais recente máquina de pensar”. Seus maiores admiradores dizem que ele não faz futurologia, mas antecipa o que vai acontecer. Se não tanto, ele é seguramente um dos mais provocadores e ousados conferencistas dessa área.

Em sua palestra neste NAB Show, Kurzweil discutirá os efeitos democratizantes da tecnologia, em especial a tecnologia da informação e como transformação absorver as inovações nas organizações e levar as invenções ao mercado. Antecipará o cenário de longo prazo, e dará sua visão do futuro da tecnologia. Além de inventor e empreendedor, ele um dos professores convidados da Singularity University (Universidade da Singularidade), no Vale do Silício, criada pelo Google. A PBS, a excelente TV pública dos EUA, inclui Kurzweil entre os 16 “revolucionários que fizeram a América”.

Presença brasileira

O Brasil deverá ter  mais de 1.200 participantes neste NAB Show 2010. Só a Sociedade de Engenharia de Televisão (SET) inscreveu 320 representantes da indústria e das emissoras de TV brasileiras. E como tem feito nos anos anteriores, a SET organizou a presença dos engenheiros brasileiros e fará uma reunião diária, às 7h30 da manhã, em duas grandes salas do Centro de Convenções de Las Vegas, para fazer demonstrações e discutir as novidades tecnológicas.

Este ano, por exemplo, 700 brasileiros poderão assistir a palestras de alto nível e dispor de equipamentos e software para demonstração da NAB durante sete dias, focalizando temas como Cinema Digital, TV-3D, a TV Ultra High Definition (TV-UHD), bem como o controle dos direitos autorais, no novo ambiente de convergência das mídias.

(Mais NAB Show no site www.ethevaldo.com.br)

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