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Ethevaldo Siqueira

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Entenda os zilhões de bytes

10 de abril de 2012 | 23h44

Ethevaldo Siqueira

Em plena era da informação, é essencial que saibamos como se mede a informação, da menor à maior das unidades. Este artigo foi preparado para facilitar o entendimento dessa questão, em especial para aqueles  que gostariam de entender definitivamente como se mede a informação e a o que essas unidades significam na prática.

Comecemos pelo bit, que, como se sabe, é a menor unidade de informação que um computador pode processar, formada por apenas dois dígitos. Na realidade, bit é a contração de BInary digiT, ou seja, dígito binário. A linguagem binária usa apenas dois dígitos: zero (0) e o um (1). Eis alguns exemplos: 00 ou 01 ou 10 ou ainda 11, que representam, respectivamente: zero, um, dois e três.

Para a maioria das pessoas, parece estranho que a massa de informações que circula pela internet ou pelas redes de telecomunicações ou ainda pelos computadores em todo o mundo se reduz, em última instância, a combinações intermináveis de zeros e uns.

Sim, leitor, na linguagem binária da tecnologia da informação só com esses dois elementos básicos podemos representar qualquer letra, sinal, desenho, gráfico, gravura colorida, foto, imagem em movimento, som, palavra, música, texto, filme, ópera, tudo, enfim, que utilizamos para transmitir informação ou conhecimento nesse processo de convergência entre informática, telecomunicações e multimídia.

Como entender as unidades de informação depois de um bit? Comecemos pelo byte, que é um conjunto de bits (ou seja, de zeros e uns) de um comprimento específico (em geral, oito bits), representando um valor num esquema codificado do computador. Esse valor pode ser uma letra, um número, um sinal de pontuação, um símbolo como o cifrão ($), a arroba (@) ou um asterisco (*). Pode ainda representar um comando, como o retorno de linha ou parágrafo, a criação de uma nova linha, o avanço de um espaço num texto.

A equivalência dos múltiplos do byte é curiosa. Confira:

* Quilobyte (KB) equivale a 1.024 bytes (ou seja,  10 elevado à 3ª potência). Exemplo: um artigo de cem palavras. Se, para simplificar, arredondarmos os 1.024 bytes para 1.000 bytes, os demais múltiplos serão os seguintes:

* Megabyte (MB), mil quilobytes ou 1 milhão de bytes (ou 10 à sexta potência). Exemplo: um livreto de cem páginas.

* Gigabyte (GB), mil megabytes ou 1 bilhão de bytes (ou 10 à nona). Exemplo: a Quinta Sinfonia de Beethoven.

* Terabyte (TB), mil gigabytes, ou 1 trilhão de bytes (ou 10 à décima segunda). Exemplo: todos os raios X de um grande hospital, como o Hospital das Clínicas.

* Petabyte (PB), mil terabytes, ou 1 quatrilhão de bytes (ou 10 à décima quinta). Exemplo: metade do conteúdo de todas as bibliotecas acadêmicas dos EUA.

* Exabyte (EB), mil petabytes ou 1 quintilhão de bytes (ou 10 à décima oitava). Exemplo: cinco exabytes equivaleriam à totalidade das palavras já pronunciadas pela humanidade.

* Zettabyte (ZB), mil exabytes, ou 1 sextilhão de bytes (ou 10 à vigésima primeira). Exemplo: informação equivalente ao total de grãos de areia existentes em todas as praias do mundo.

* Yottabyte (YB), mil zettabytes, ou 1 setilhão de bytes (ou 10 à vigésima quarta). Exemplo: o total de informação equivalente ao número de átomos contidos no corpo de 7 mil pessoas.

* Googolbyte, um número de bytes equivalente a 10 elevado à centésima potência. Diante de um número tão grande, poderíamos dizer que um googolbyte equivaleria a todos os átomos contidos na Via Láctea.

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Quatro tecnologias estratégicas

6 de abril de 2012 | 18h45

Ethevaldo Siqueira

Nestes tempos de mudança tecnológica acelerada, seria altamente desejável que todas as empresas tivessem plena consciência do impacto que as quatro maiores tendências na área de tecnologia da informação (TI) – redes sociais, mobilidade, computação em nuvem e grande volume de informação (Big Data) – exercerão sobre o desempenho das corporações em 2012.

No cenário tecnológico de 2012, as quatro tendências funcionam como poderosas alavancas do desenvolvimento empresarial, segundo a visão do Gartner Research, uma das consultorias independentes de maior prestígio no mundo.

Esse tema foi analisado por Cassio Dreyfuss, vice-presidente do grupo Gartner no Brasil, em entrevista a esta coluna durante a Conferência Data Center, realizada na semana passada em São Paulo.

A seguir, uma síntese dessas tendências e de seu possível impacto.

Redes sociais

Ninguém duvida de que as mídias sociais (Facebook, Twitter, Google etc.) deverão exercer papel extraordinário no desempenho dos negócios, no crescimento e na transformação das empresas nos próximos anos.

Mas nada acontecerá por acaso ou espontaneamente nessa área e, sim, como resultado de gestão adequada e de um bom plano de integração das redes sociais na estratégia de negócios e de colaboração de cada empresa. “É fundamental, portanto, que as empresas desenhem processos de negócios bem estruturados e utilizem as ferramentas sociais da melhor forma possível, com os objetivos para os quais foram projetadas” – adverte Cassio Dreyfuss.

As pesquisas, entretanto, comprovam que, no Brasil e no mundo, as empresas ainda não conferem às mídias sociais a prioridade que elas exigem. Ou seja: essas ferramentas ainda não estão entre as prioridades dos principais executivos das empresas, sejam eles presidentes (CEOs), ou diretores de informação (CIOs).

Mobilidade

Outra poderosa alavanca de transformação do cenário de negócios em todo o mundo é, sem dúvida, a mobilidade. Nessa área, as empresas apenas começam a perceber a importância da expansão dos smartphones, tablets e laptops, embora já estimulem seus empregados a trazer seu próprio equipamento portátil para o trabalho, na tendência sintetizada na frase: Bring your own device.

A grande maioria das empresas, no entanto, não parece estar consciente do verdadeiro impacto que a mobilidade terá, no curto prazo, na quebra de velhos paradigmas. Tudo isso deveria exigir resposta muito mais rápida dos departamentos de marketing, tanto na identificação de aplicações móveis como na elaboração de estratégias que aprimorem a experiência do usuário ou que lhe proporcionem novos benefícios.

Hora da nuvem

O mundo descobriu, finalmente, a nuvem. Que significa isso? Com a chegada desse conjunto de tecnologias denominadas genericamente de computação em nuvem, as empresas precisam adequar-se com urgência a uma nova arquitetura que lhes permita utilizar todo o potencial do novo cenário, a cloud enabling architecture, no jargão.

Diante do desafio da nuvem, Cassio Dreyfuss enfatiza: “Essa nova arquitetura precisa ser buscada, com urgência, por todas as empresas e não apenas por um grupo ou uma minoria delas”.

A nova informação

A velha gestão da informação morreu. Por isso, o grupo Gartner sugere que as empresas esqueçam a velha gestão da informação do passado, que cuidava de dados estruturados, conhecidos, validados, verificados e armazenados. Aquela gestão se tornou totalmente inadequada diante da formidável massa de informações que a empresa recebe hoje sem ter planejado, a chamada Big Data.

A busca do sucesso

A grande pergunta é, então: como buscar o sucesso empresarial nesse novo cenário? Para os analistas do Gartner, a primeira condição para levar as empresas ao sucesso é superar o desafio do “ambiente indisciplinado” que predomina na América Latina.

Trocando em miúdos: esse ambiente empresarial indisciplinado resulta de estímulos demasiadamente numerosos e frequentes, que não permitem às corporações fazer uma análise completa de todas as forças e variáveis, tomar decisões e avançar.

Nesse cenário, é preciso ter muito mais foco no que se vai fazer e ir em frente com muito mais determinação. É essencial, também, que se busque o equilíbrio entre o potencial das novas oportunidades criadas pelo crescimento elevado e os desafios daí decorrentes.

Inovação é vital

Para as empresas, a inovação tecnológica se torna cada dia mais importante, pois os negócios precisam dela para avançar e ganhar e competitividade, em âmbito local e global. O cuidado que as empresas precisam ter é levar em conta que a inovação tem que ser puxada pelo negócio. Não se deve pensar, portanto, em inovação pela inovação.

Ferramentas de TI

A realidade nos mostra que a área de tecnologia da informação (TI) tem sido a menos prioritária e a mais mal arrumada das empresas. A quase totalidade das empresas acaba deixando para depois suas necessidades tecnológicas para atender às áreas de negócios. Isso não pode continuar. Se a área de TI não se tornar prioritária, modernizada, equipada e capaz de lidar com as ferramentas mais recentes, as empresas sofrerão sérios revezes em seus negócios. Não há opção nem como fugir desse caminho.

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O mundo digital em três telas

1 de abril de 2012 | 7h41

Ethevaldo Siqueira

Televisão, computador e smartphone são as três telas que abrangem praticamente todas as comunicações do mundo digital, setor que passa, aliás, pela mais radical e profunda mudança de paradigmas de toda a história da eletrônica. Na verdade, a palavra que poderia definir com maior precisão essa mudança talvez fosse disrupção (do inglês, disruption) – já registrada pelo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Sintetizar em três telas toda a comunicação do mundo digital é, sem dúvida, uma fórmula didática perfeita que tem sido utilizada por especialistas para facilitar a compreensão do processo de convergência, entre os quais  Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina.

De que modo convergem as três telas? Da forma mais completa e abrangente possível. E mais: as três telas são totalmente reversíveis, pois tudo que uma faz as outras duas também fazem. Assim, a cada dia que passa, a TV mais se transforma e se aproxima de um computador com tela grande. Da mesma forma, pode até exercer as funções de um smartphone. O computador, por sua vez, comporta-se como uma TV ou como um smartphone. E o smartphone assume os papeis de um computador ou de uma TV com tela pequena.

O que muda

“Nas últimas décadas – relembra Rafael Steinhauser – as pessoas se comportavam diante da televisão de forma totalmente passiva, recebendo conteúdos prontos e acabados, tanto da TV aberta quanto da TV por assinatura. Esse público acostumou-se a receber programas preparados e empacotados pelas emissoras, sem se preocupar com aplicativos ou sistemas operacionais. O mesmo acontecia até há pouco com os usuários de computadores e do celular. O cliente recebia o aparelho com os aplicativos essenciais, prontos e acabados, num pacote fechado, e passava a usá-lo sem mais problemas.

Mas esse mundo da comunicação está mudando. A convergência das três telas, entretanto, transforma radicalmente esse cenário, pois a grande tendência dos novos smartphones, laptops e tablets é oferecer um sistema operacional aberto. Daí o grande sucesso do Android.

O mesmo tem acontecido com outros sistemas operacionais, como o iPhone e o iOS – e, agora, com o Windows Phone, pois todos os smartphones permitem a qualquer desenvolvedor colocar seu aplicativo na plataforma e vendê-lo ou distribuí-lo  gratuitamente, via celular ou via internet. E o usuário escolhe o que acha melhor, pagando ou baixando gratuitamente. E não há mais lugar para sistemas operacionais fechados, como no caso do Simbia, que está sendo abandonado pela Nokia em favor do Windows Phone. “Por isso, o Simbia está morrendo” – afirma Steinhauser.

Sistemas abertos

A correlação entre as três telas é hoje tão profunda que, para os especialistas, um celular só adquire o status de smartphone se tiver sistema operacional aberto. Eis aí a grande mudança de paradigma, que permite a colocação de qualquer aplicativo ou software à disposição do usuário. E vale lembrar que os smartphones já dispõem de milhões de aplicativos, um número que nenhum usuário, isoladamente, poderá utilizar em toda a sua vida.

Com esses aplicativos, o cidadão pode baixar também conteúdos da mais variada natureza, inclusive de publicidade. Os sistemas operacionais abertos mudam, assim, toda a cadeia de valores. Isso é disruptivo, como quebra de paradigmas.

Uma diferença fundamental nesse novo cenário é que o cliente deixa de ser verticalizado, como no passado, isto é, vinculado exclusivamente a um pacote de serviços ou conteúdos oferecidos por sua operadora. Hoje, o cliente se comporta de forma horizontal, aberta ao acesso a conteúdos ou serviços globais ou universais.

O mesmo acontece mais recentemente com outros dispositivos, como os tablets. A grande tendência, portanto, é que todos esses dispositivos – bem como os desktops, laptops, ultrabooks e até mesmo os televisores – tenham num futuro próximo sistemas operacionais abertos.

“Um bom exemplo – relembra Steinhauser – é o receptor de TV aberta, lançado no Consumer Electronics Show (CES 2012), em janeiro, em Las Vegas, pela Lenovo e pela Qualcomm, que usa o sistema operacional Android. E funciona perfeitamente bem para tudo que quisermos”.

Três competências

A convergência entre as três telas é resultado de três fatores tecnológicos: capacidade  computacional, conectividade e multimídia. Essas três capacidades ou competências tecnológicas precisam ser comuns às três telas. Sem eles não haveria convergência entre smartphones, televisores e computadores.

Vejamos o que ocorre com os novos smartphones, que são acionados a cada dia por chipsets com maior capacidade computacional. Alguns deles são processadores de quatro núcleos, como alguns exibidos Mobile World Congress 2012, em Barcelona, em fevereiro.

 “Aqueles pequenos smartphones – lembra Rafael Steinhauser – incorporam uma tecnologia ainda mais sofisticada que os nossos melhores home theaters, pois os seus chipsets dispõem de recursos extraordinários, como alta definição, microfones sensíveis, alto-falantes, dolby avançado, som surround 7.1”.

A grande diferença é que os smartphones consomem muito menos energia, não aquecem e custam apenas uma pequena fração dos home theaters.

Um show europeu no espaço

28 de março de 2012 | 11h21

Ethevaldo Siqueira

Com a França à frente, a União Europeia se torna hoje líder mundial não apenas na comunicação via satélite, bem como nos lançamentos de satélites e de espaçonaves não tripuladas de grande porte, graças ao seu foguete Ariane 5.  Quanto ao fornecimento de satélites, a líder europeia é a Astra, com 73% do mercado.

Se você gosta da tecnologia espacial, não perca este banquete de informações que a internet lhe pode oferecer. Entre no endereço www.arianespace.tv e veja tudo sobre o lançamento do módulo de carga ATV (Automated Transfer Vehicle), ocorrido na sexta-feira, dia 23, e que hoje (28) se acopla à Estação Espacial Internacional (ISS). Acompanhe as notícias pelo link http://www.space.com/15059-space-station-cargo-ship-docking.html e veja a foto abaixo, do módulo ATV, que é uma espaçonave não-tripulada, robotizada, projetada para transportar equipamentos e suprimentos para os astronautas que trabalham na ISS.

Este é o cargueiro ATV, uma nave espacial não tripulada (Foto NASA)

Depois de cinco dias de perseguição da órbita final, o imenso cargueiro europeu ATV deverá chegar à Estação Espacial esta noite (22h32 GMT ou Hora do Meridiano de Greenwich, ou 19h32 de Brasília). Nesse cargueiro, estão 7 toneladas de suprimentos para a tripulação da ISS, incluindo alimentos, água, roupas, objetos e substâncias para experimentos e combustível para a Estação Espacial.

O ATV foi lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa, na sexta-feira passada, transportado por um foguete Ariane 5 ES. Nos últimos dias, enquanto o cargueiro girava em torno da Terra em busca de sua órbita final para se aproximar da ISS, muita gente conseguiu fazer boas fotos desse veículo que, aliás, podia ser visto a olho nu, da Terra.

O módulo de carga ATV foi projetado para se acoplar automaticamente ao módulo Zvezda, no segmento russo da ISS. Depois de descarregar tudo que leva para a Estação Espacial, o  ATV ficará acoplado à estação durante seis meses, recebendo apenas lixo e materiais descartados. No retorno à Terra, todo esse material será deliberadamente queimado ou destruído na reentrada na atmosfera.

Cada ATV lançado no espaço ganha o nome de uma personalidade ligada à ciência ou à astronáutica. O veículo atual é o ATV-3 Eduardo Amaldi, que homenageia o célebre físico italiano que ajudou a unificar os esforços espaciais europeus, e contribuiu para a criação da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla de European Space Agency). Amaldi também foi um dos fundadores do laboratório de partículas do CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, na sigla em inglês), na fronteira Suíça-França,  que abriga o LHC (Large Hadron Collider).

O foguete Ariane 5 já havia lançado dois ATVs. O primeiro foi o ATV Jules Verne, em 2008. O segundo foi o ATV Johannes Kepler, lançado em 2011. Os dois próximos serão os ATV-4  Albert Einstein e ATV-5 Geoges Lemaître (2014 e 2015, respectivamente).

 

Ariane-5 leva 20 toneladas à ISS

25 de março de 2012 | 18h44

Ethevaldo Siqueira

Nunca nenhum foguete havia colocado em órbita 20 toneladas de cargas na história da astronáutica. O recorde foi batido na manhã de sexta-feira (23) pelo Ariane-5, maior e mais confiável foguete do mundo, que lançou ao espaço, da Base de Kourou, na Guiana Francesa, o terceiro veículo de carga de 20 toneladas, denominado ATV Edoardo Amaldi (Automatic Transfer Vehicle) de suprimentos destinados à Estação Espacial Internacional, a ISS (sigla, em inglês, de International Space Station).

Além de ter lançado a maioria dos satélites de telecomunicações atualmente em operação no mundo, a organização europeia Arianespace, responsável pelo desenvolvimento desse foguete lançador, passa agora a ter papel fundamental na manutenção da ISS, essencial para a manutenção dos astronautas em órbita. Esse lançamento foi o mais recente dos 47 já efetuados pelo foguete Ariane 5 desde a sua estreia em 2003. Nesse período, o foguete colocou em órbita 85 satélites, sem nenhuma falha, ao longo dos últimos 9 anos.

O foguete Ariane-5 tem diversas configurações. A mais potente, o Ariane 5 ES, foi utilizada nesse lançamento para enviar o cargueiro ATV, com suprimentos e equipamentos destinados à tripulação da Estação Espacial Internacional.

Cada lançamento desse cargueiro ATV homenageia uma personalidade do mundo da astronáutica. O Ariane 5 já havia lançado os cargueiros ATV-1 Jules Verne, em 2008, e o ATV-2 Johannes Kepler, em 2011.

 

A inspiração da natureza

24 de março de 2012 | 15h45

Ethevaldo Siqueira

Imitar a natureza sempre foi um sonho do homem. Nos tempos bíblicos, se dizia que nem Salomão, em toda a sua glória e esplendor, se vestia com a beleza dos lírios do campo. Nos tempos modernos, uma das mais caras aspirações dos cientistas era, até recentemente, criar telas de televisão capazes de reproduzir a beleza das cores das asas das borboletas, da plumagem dos beija-flores, das conchas de madrepérola, das bolhas de sabão ou das gotículas de água que formam o arco-íris.

As novas telas mirasol imitam as belas cores das asas das borboletas, um fenômeno de iridescência (foto Wikipedia) 

Nos últimos anos, aprendi, sem muita poesia, que toda essa riqueza cromática da natureza decorre de um fenômeno típico de nanotecnologia, que tem o nome de iridescência e que se baseia na reflexão das cores brilhantes. Mas, para nossa alegria, o sonho da imitação das cores mais belas da natureza se torna realidade, com a tecnologia dos novos painéis mirasol, que superam tudo que a  eletrônica havia criado até aqui.

Num futuro próximo, com essas telas, nossos smartphones, tablets e televisores poderão exibir cores ainda mais belas, mais nítidas e mais brilhantes. Além da beleza das imagens que produzem, a tecnologia mirasol tem duas outras vantagens extraordinárias. A primeira delas é manter a qualidade das imagens e a legibilidade dos textos mesmo sob a incidência direta da luz do sol. A segunda é economizar energia, porque essas telas dispensam luz de fundo (backlight).

A iridescência

 Entre as pesquisas mais avançadas desenvolvidas no mundo sobre o fenômeno da iridescência, estão os estudos feitos ao longo da última década pelos cientistas de várias universidades do mundo, em especial os estudos do Instituto Tecnológico da Geórgia, nos Estados Unidos. No Brasil, as pesquisas mais avançadas nessa área são realizadas pela equipe do professor Henrique Toma, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo.

Com base no conhecimento científico das universidades, diversas indústrias no mundo têm desenvolvido pesquisas com o objetivo de reproduzir nos painéis e monitores a reflexão das cores brilhantes com a mesma beleza, contraste e nitidez da natureza, que vemos na iridescência.

A primeira empresa a alcançar esse objetivo e utilizar a nova tecnologia em bases comerciais é a norte-americana Qualcomm, com seus painéis formados por milhares de minúsculos componentes microeletromecânicos, que produzem as cores com qualidade excepcional por um processo reflexivo semelhante ao que ocorre nas cores das asas das borboletas. 

Esses painéis foram batizados com o nome poético de mirasol. Ao longo da última década, a Qualcomm conseguiu desenvolver um sistema completo de monitores e telas que já são utilizados em e-readers ou leitores eletrônicos.

Os novos chips

As cores emitidas por essas telas são produzidas por milhares de minúsculos chips ou sistemas microeletromecânicos, conhecidos pela sigla MEMS (do inglês, microelectromechanical systems) que constituem hoje o coração ou componente-chave dos painéis mirasol.

Os MEMS são, na verdade, componentes complexos que associam os efeitos da corrente elétrica e contatos mecânicos e recriam o efeito óptico-visual da iridescência, utilizando a tecnologia do modulador interferométrico, também conhecido pela sigla IMOD, do inglês Interferometric Modulator.

Por suas numerosas aplicações, não apenas nas telas e monitores, mas, também, em sensores e acelerômetros, os MEMS se tornaram recentemente a grande estrela da indústria microeletrônica. Esses componentes têm a dupla função de associar não apenas os efeitos da corrente elétrica, mas também movimentos e contatos mecânicos.

Ao longo dos últimos anos, os MEMS se transformaram em um componente vital para os smartphones e tablets, bem como para impressoras, picoprojetores, câmeras digitais, microfones e centenas de outros produtos no mundo da eletrônica de entretenimento. Eles são, a rigor, chips ou microprocessadores associados a um sensor fixado sobre uma placa que detecta movimento, orientação ou outras mudanças no ambiente em torno do qual eles atuam.

Um dos melhores exemplos de MEMS é o acelerômetro, usado para detectar qualquer movimento dos tablets e smartphones. Alguns desses dispositivos podem conter ainda um magnetômetro, que atua como uma bússola minúscula.

MEMS barômetros

Outros tipos de MEMS são embutidos em celulares e podem funcionar como barômetros, pois são capazes de detectar minúsculas flutuações na pressão do ar, o que lhes permite calcular as mudanças relativas da altitude, como, por exemplo, à medida que uma pessoa sobe ou desce uma escada. Com isso, os smartphones poderão identificar em que andar de um edifício está o usuário, ampliando, assim, a cobertura dos serviços de localização do tipo GPS (Global Positioning Systems) até dentro de edifícios.

Serviços como o Google Maps têm incluído planos interiores para museus e shopping centers, de modo que os smartphones em breve serão capazes de direcionar as pessoas a uma loja específica ou a uma sala de reunião. 

Outro segmento emergente é o dos chamados MEMS de radiofrequência (RF MEMS), para comunicação móvel, que permitem a mudança rápida da conexão para uma estação radiobase com a finalidade de checar se um celular está transmitindo ou recebendo eficientemente.

Televisor chinês supera tudo

20 de março de 2012 | 11h38

Ethevaldo Siqueira

Segundo a Revista Electronic House, a indústria chinesa, TCL, apresentou o China Star Display, um monitor com 110 polegadas de diagonal (2,8 metros), resolução 4K (4.096×2.160 pixels) e imagem tridimensional (3D), com óculos ativos.

Esse televisor, exposto no Grande Pavilhão do Povo, em Pequim, é considerado o maior do mundo que incorpora, ao mesmo tempo, os recursos de super High Definition 4K e imagens tridimensionais (3D). O China Star display dispõe, ainda, do recurso de tela de toque (touchscreen), com a tecnologia multitouch e um sistema avançado de luz de fundo (backlight) inteligente.

Este é o China Star display, com 110 polegadas, super high definition 4K e imagens 3D (foto Divulgação)

A cada dia, a indústria chinesa de eletrônica de entretenimento vem surpreendendo o mundo. Quem visitou o Consumer Electronics Show de 2012, em Las Vegas, em janeiro, já tinha visto, com surpresa, o grande pavilhão e os produtos da chinesa TCL, que expôs seus maiores televisores de alta definição e imagens tridimensionais.

Os especialistas não sabem se a TCL pretende comercializar telas gigantes como a do China Star display ou vai utilizá-lo apenas para demonstrar seu estágio avançado.

Para o professor Gu Zhihua, diretor do centro de telas planas da Universidade Fudan, o lançamento de televisores da TCL com as características de monitor de 110 polegadas solidifica a capacidade de competição da TCL no mercado internacional.

O professor Zhihua não esconde seu otimismo ao prever que a China tem tudo para substituir o Japão e a Coréia do Sul como grande fornecedor mundial de produtos eletrônicos, especialmente, de televisores.

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O fascínio dos designers

17 de março de 2012 | 11h32

Ethevaldo Siqueira

Outro dia, conheci um dos gênios do design da Apple, Tony Fadell, o criador do iPod. Depois de ouvi-lo, compreendi as verdadeiras razões por que a Apple conquistou o status de  empresa mais criativa do mundo, reconhecido até por suas concorrentes. Seu depoimento me reforçou a convicção de que essa empresa talvez seja no futuro mais brilhante e alcance ainda maior sucesso, com base no maior legado de Steve Jobs, que foi, em minha opinião, a formação de uma extraordinária equipe de criadores dotados de sólida cultura de design.

Tony Fadell tem hoje sua própria empresa, a Nest, mas continua dando lições de criatividade, sem esquecer o papel de Steve Jobs em seu trabalho e a inspiração que dele recebeu. A maioria dos designers da Apple, entre os quais, Fadell, aprendeu a materializar aquilo que a imaginação do líder lhes pedia.

Duas criações de Fadell: o iPod e o termostato inteligente (foto Ethevaldo Siqueira)

Em sua palestra em fevereiro, no evento SolidWorks 2012, em San Diego, Tony Fadell resumiu suas diretrizes de vida como designer, lembrando, entre tantas coisas, que, “para se criar um produto revolucionário, o projetista tem que atender a dois pontos essenciais: funcionalidade e design. E tudo tem que ser feito com a alma e o coração”.

Um super botão

 

A empresa de Tony Fadell cria soluções para a casa digital. Vale lembrar que o próprio nome da empresa, Nest, tem muito a ver com casa ou moradia, porque, em inglês, significa ninho. Tony fala com um entusiasmo juvenil sobre o primeiro produto que sua empresa está lançando: o Nest Learning Thermostat, um controle de ar condicionado. Ou melhor: um termostato inteligente que faz mil coisas e as memoriza para sempre.

Com esse botão mágico, o usuário não gasta eletricidade quando está fora de casa ou de um cômodo. O termostato inteligente indica a melhor temperatura para economizar energia quando não há ninguém em casa. Poupa esforço dos moradores em levantar dez vezes só para programar a temperatura ideal. O sistema pode desligar ou religar rigorosamente na hora programada. É o controle de funções mais inteligente e mais amigável que eu já vi.

A revista Wired apelidou o controle de funções criado pela Nest de “iPhone dos termostatos”. O produto só foi lançado nos Estados Unidos. Suponho até que dele surgirão novos produtos, como, por exemplo, um controle geral da casa digital, baseado em um único botão, que poderá ser programado para fazer mil coisas. E ele obedecerá com precisão matemática.

Jornalista isento?

É claro que o design mais avançado desperta a paixão dos consumidores. A propósito, durante décadas, aprendi que jornalista não pode comportar-se como fã de nenhum produto. Mas, algumas vezes, confesso que, mesmo me esforçando, não consigo refrear meu entusiasmo, como já ocorreu juntamente com uma plateia de usuários e fãs ruidosos, nos auditórios de São Francisco ou Cupertino, na cobertura de novos lançamentos da Apple. De repente, eu me surpreendia aplaudindo e gritando ao ouvir a descrição de cada recurso exclusivo ou característica dos novos produtos anunciados por Steve Jobs.

Nunca me recriminei muito por isso, até porque sempre via dezenas de jornalistas reagindo do mesmo modo, diante especialmente da capacidade incomum de comunicação que Steve demonstrava a cada lançamento de inovações geniais, como o iMac, o iPod, o iPhone, o iPad ou o Macbook Air retirado de dentro de um envelope amarelo. Como qualquer mortal, eu aplaudi tudo aquilo, sim, leitor. Mas só agora tenho a coragem de confessá-lo.

Minha consciência ficou mais aliviada depois de conversar há duas semanas com o jornalista Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs, quando ele  participou do programa Roda Viva, da TV Cultura. Numa conversa rápida, antes de entrar no estúdio, Isaacson fez uma confissão que me tranquilizou: “Eu também nunca resisti ao entusiasmo daqueles lançamentos. Aplaudi e gritei, pois sou usuário e fã ardoroso dos produtos da Apple”.

O mundo do design

Nos últimos anos, bem antes de ouvir Tony Fadell e Walter Isaacson, eu já havia redescoberto a beleza do design ao entrevistar dois outros gurus desse setor. Um deles foi o professor Donald A. Norman, da Northwestern University e da Universidade da Califórnia em San Diego, que também foi vice-presidente da Apple. O outro foi Stefano Marzano, ex-executivo-chefe-designer da Philips holandesa, que acaba de assumir posição semelhante na Electrolux sueca.

Pensadores e visionários do designer como o professor Norman mostram o poder e as grandes tendências da criatividade industrial em todo o mundo, entre as quais, a usabilidade – de que resultam os produtos mais fascinantes para o usuário, chamados de users friendly. Essa facilidade de uso, aliás, é a marca dominante dos produtos da Apple e da dinamarquesa Bang & Olufsen, entre outras.

Sugiro a quem quiser aprofundar o tema a leitura de O Design do Futuro (The Design of Future Things) e O Design do Dia a Dia, de Donald Norman, lançados em português pela Editora Rocco.

Stefano Marzano e Emile Aarts são coautores de um livro extraordinário, publicado pela 010 Publishers, de Rotterdam, Holanda, mas difícil de ser encontrado no Brasil. Seu título em inglês: The New Everyday.

Data centers na vida humana

9 de março de 2012 | 10h24

Ethevaldo Siqueira

Que importância têm os data centers em nossa vida? Há alguns anos, eu fiz a mim mesmo essa pergunta e obtive uma resposta contundente: nossa vida na maioria das cidades depende do bom funcionamento e da disponibilidade de um ou de vários data centers. Não é exagero. Eles controlam quase tudo em cada segmento da atividade humana: energia, iluminação, telecomunicações, internet, transportes, tráfego urbano, bancos, sistemas de segurança, saúde pública, entretenimento ou até nossa integridade física.

Em suma, o bem-estar e a segurança de bilhões de seres humanos estão entregues a esses centros de controle e supervisão de dados e informações. A maioria das pessoas, talvez, nem se preocupe muito com isso. Mas as grandes corporações e as instituições públicas, por outro lado, têm a obrigação de levar este assunto a sério.

Sem data centers, nenhum internauta conseguirá fazer sequer uma consulta no Google, já que esse gigantesco portal utiliza milhares deles para indexar e armazenar mais de 700 trilhões de páginas de informações. Muitas pessoas preferem não pensar no problema, até porque a dependência existe em todas as megalópoles do planeta, e, dizem, “nada podemos fazer para mudar a situação”.

Este artigo quer provar que podemos fazer muita coisa.

Que bicho é esse?

Data center, segundo a última edição de meu dicionário especializado, é um “local centralizado provido de recursos de computação e de telecomunicações de importância crucial – incluindo servidores, sistemas de armazenamento, bancos de dados, periféricos, redes de acesso, software e aplicativos – operado por pessoal altamente especializado, para uso e controle de indústrias, governo e empresas de serviços”.

Para me atualizar, ouvi há poucos dias Henrique Cecci, um dos grandes especialistas no assunto do Grupo Gartner. Comecei com uma provocação, acusando os data centers de serem os maiores vilões do meio ambiente, pela quantidade absurda de energia que consomem, pelos investimentos brutais que demandam e por seus custos operacionais estratosféricos.

“Isso talvez fosse verdadeiro há 15 ou 20 anos. De lá para cá, as coisas mudaram” – diz Henrique Cecci. “Os data centers modernos são muito menores e modulares. Essa é grande tendência corporativa: o crescimento modular. É claro que eles continuam tendo um ciclo de vida longo, mas sua expansão ocorre de forma modular. Da mesma forma que as corporações buscam essa modularidade do desktop ao mainframe, assim também acontece com o data center”.

Os data centers que visitei recentemente comprovam que eles consomem muito menos energia e ocupam muito menos espaço. Crescem à medida que a demanda de serviços vai crescendo. Nascem pequenos e levam em conta o consumo de energia, a emissão de carbono e o aquecimento global. A sustentabilidade e seu impacto no ambiente constituem uma preocupação verdadeira, com resultados muito mais positivos para as próprias empresas, dentro da filosofia de green technology.

A evolução

Para Henrique Cecci, “os data centers modernos têm capacidade de processamento quatro vezes superior aos do passado, embora ocupem apenas 40% do espaço dos antigos”. E não se trata, a rigor, de simples miniaturização de componentes eletrônicos, mas de uma busca permanente pela eficiência geral do sistema, que inclui os conceitos de virtualização (uso das máquinas virtuais) e computação em nuvem.

Os data centers modernos armazenam muito mais dados e informações nos racks ou bastidores do que antigamente, até porque era mais difícil refrigerá-los. As novas tecnologias não apenas possibilitam esse aumento de densidade, mas, também, asseguram melhor refrigeração. Consequentemente, os data centers modernos ocupam menos espaço. Há ainda outros meios de aumentar a eficiência geral do sistema, como as multizonas, com espaços especializados em alto, médio e baixo nível de processamento.

Reduzindo riscos

Outra grande tendência dos data centers é a busca incessante de maiores níveis de segurança, em especial daqueles que servem às áreas de serviços essenciais e setores financeiros. Um dos riscos potenciais do Brasil de hoje é o do setor de energia elétrica. Grandes bancos – como Bradesco, Itaú ou Banco do Brasil – cuidam com muito mais responsabilidade da segurança porque precisam garantir continuidade absoluta de serviços, reduzir praticamente a zero os riscos de interrupção ou de apagões. Como fazem também as empresas de telecomunicações, em especial depois do advento da internet.

O data center está intimamente ligado a dois outros mundos tecnológicos: o da virtualização e o da nuvem. Aliás, esses dois conceitos interligados não são novos, pois já eram utilizados, embora às vezes com nomes diferentes, desde as décadas de 1960 ou 1970. A virtualização começou, praticamente, pela criação de máquinas virtuais para reduzir os enormes investimentos em plena era dos mainframes. Seu objetivo mais importante é aproveitar o melhor da infraestrutura.

Para saber tudo sobre eles

Para empresas e profissionais interessados na atualização e nas grandes tendências desse tema, lembramos que será realizada a Conferência Data Center, evento de alto nível promovido pelo Grupo Gartner, nos próximos dias 3 e 4 de abril, em São Paulo, no Sheraton WTC Hotel (acesse o site www.gartner.com/br/datacenter para obter mais informações).

 O evento focalizará outros temas interligados, como otimização de custos, estratégias de virtualização, continuidade dos negócios, cloud computing, crescimento explosivo dos dados, operações de tecnologia da informação (TI), melhores práticas métricas e recomendações da indústria, as 10 principais tendências de TI no mundo, TI na América Latina e as tendências para o Brasil e para os data centers.

Reatores do Irã resistiriam a bombas e terremotos

7 de março de 2012 | 13h36

Ethevaldo Siqueira

 O Irã é uma região de terremotos. Por isso, seus engenheiros desenvolveram materiais de construção que talvez sejam os mais resistentes do mundo. Um dos exemplos desses materiais é conhecido pela sigla UHPC, de  ultra-high performance concrete, ou seja, concreto de desempenho ultra elevado, que poderia ser usado até para proteger instalações nucleares secretas ou ocultas, contra impactos equivalentes a pequenos terremotos artificiais, como os causados pelas bombas estoura-bunkers.

A notícia foi dada no domingo (04-03-2012) por Polygamous Ranch Kid, um colaborador do site http://tech.slashdot.org.

 Como outros tipos semelhantes de concreto, os UHPCs são baseados em areia e cimento, embora sejam dopados com quartzo em pó – que é, em última instância, a substância pura contida na maioria das areias – além de vários metais e fibras para reforçá-los.

Os UHPCs resistem a níveis de compressões muito superiores aos suportados por outros tipos de concreto. São também mais flexíveis e mais duráveis do que o concreto convencional. E podem, portanto, ser usados para a produção de estruturas mais leves e elegantes. E todos são ótimos e adequados para a construção de represas, tubulações e oleodutos subterrâneos, que não ameaçam ninguém.

As aplicações militares potenciais dos UHPCs, no entanto, são muito mais preocupantes. Os bunkers mais profundos podem ser envolvidos e disfarçados de outras maneiras. A Agência de Redução de Ameaças à Defesa dos Estados Unidos (DTRA, sigla de America’s Defense Threat Reduction Agency) contempla o que seria, no jargão militar, como uma derrota funcional. Para enfrenta-las, a agência imagina duas estratégias. Uma delas seria bombardear de suas entradas dos abrigos subterrâneos hoje solidamente bloqueadas ou obstruídas. Outra seria destruir seus sistemas elétricos com pulsos eletromagnéticos.

Os pesquisadores da DTRA trabalham também com a hipótese de criar objetos invasores ativos – bombas que podem abrir túneis de muitos metros através da terra, rochas e concreto. O trabalho de desenvolvimento em curso prevê até a utilização de dispositivos estranhos como serpentes robóticas, capazes de transportar ogivas, que, por sua vez, poderiam infiltrar-se pelo ar ou em dutos, impelidas por cabos.

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