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Ethevaldo Siqueira
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Ethevaldo Siqueira

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As Comunicações em 2016

21 de outubro de 2011 | 22h44

Ethevaldo Siqueira

Que poderá ocorrer na área de telecomunicações no Brasil e no mundo nos próximos cinco anos? Estudos recentes da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e de consultorias especializadas dão respostas interessantes e surpreendentes a essa questão, particularmente no tocante às perspectivas da telefonia celular, da internet e da banda larga. Comecemos por destacar as três previsões mais significativas divulgadas por aquelas entidades:

1) Em 2016, o Brasil deverá quebrar a barreira dos 300 milhões de celulares em serviço, metade dos quais de terceira geração (3G).

2) O número de internautas brasileiros poderá superar os 150 milhões. Desse total, 80 milhões serão usuários de smartphones e 30 milhões de tablets. E a maioria dos dispositivos móveis terá capacidade de recepção de TV digital, de acesso à internet e às redes celular e Wi-Max.

3) O mundo, por sua vez, deverá alcançar o total de 7,5 bilhões de celulares. Ou a média de um por habitante.

A probabilidade de que tudo isso se concretize em cinco anos é enorme, em especial se considerarmos que o número de telefones móveis no mundo, neste final de 2011, já se aproxima de 6 bilhões para uma população planetária de 7 bilhões de habitantes – uma média de 85 celulares por 100 habitantes. Triste é pensar que, hoje, mais de um bilhão de usuários de celular ainda não usam escova de dentes.

Uma explosão

Imagine, leitor, se alguém previsse há 10 anos que, em tão pouco tempo, o número de celulares pudesse chegar a 85% da população mundial, proporção muito maior que a de qualquer outro bem durável, como rádio, televisor, computador, refrigerador ou automóvel. Seria considerado louco.

Entre os cinco maiores mercados de telefonia móvel do planeta, estão os quatro países integrantes do grupo BRIC (Brasil-Rússia-Índia-China), na seguinte ordem, conforme dados da UIT, de março de 2011, em milhões de celulares em serviço: 1º) China, 900; 2º) Índia, 812; 3º) Estados Unidos, 312; 4º) Rússia, 220; 5º) Brasil, 211.

O atendimento à demanda de banda larga sem fio é o grande desafio para o Brasil, não apenas durante as Olimpíadas de 2016, mas, especialmente, nos anos seguintes. O mais surpreendente, no entanto, é que o governo brasileiro parece totalmente alheio ao problema.

Público e privado

Comparemos a contribuição dos setores público e privado, nessa área, após a privatização. Nesse período, as novas operadoras investiram mais de R$ 200 bilhões na infraestrutura, o que possibilitou a transformação radical do quadro anterior de penúria em que o País vivia. Enquanto a Telebrás investia apenas R$ 2,4 bilhões/ano, as operadoras privadas têm investido sete vezes mais (R$ 16,8 bilhões/ano).

Em apenas 13 anos, o novo modelo privatizado permitiu que o Brasil saltasse de uma rede de apenas 24,5 milhões de telefones para os atuais 270 milhões sendo 227 milhões de acessos móveis e 43 milhões fixos: uma expansão de mais de mil por cento.

Nesse mesmo período, o País multiplicou sua densidade telefônica por dez, passando de 14 para 142 acessos por 100 habitantes. A internet, que não chegava 1 milhão de usuários em 1998, alcança hoje 80 milhões de cidadãos, 36 milhões dos quais em banda larga. É claro que a maioria dos usuários ainda tem queixas quanto à qualidade dos serviços – em especial da banda larga – e quanto aos preços dos serviços.

Que fez o Estado brasileiro depois de 1998 pelas telecomunicações? Basicamente, duas coisas:

a) Arrecadou um total de R$ 330 bilhões de impostos federais e estaduais sobre nossas contas telefônicas. O Brasil, leitor, é um dos países que cobra os tributos mais elevados sobre telecomunicações (43%).

b) Confiscou R$ 49 bilhões dos recursos dos três fundos setoriais que, por lei, deveriam ser investidos em telecomunicações (Fust, Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações; Fistel, Fundo de Fiscalização das Telecomunicações; e Funttel, Fundo de Tecnologia de Telecomunicações).

E os investimentos públicos na infraestrutura setorial? Algo ridículo: apenas 0,0027% do total arrecadado, mesmo depois da reativação da Telebrás em 2010.

Omissão estatal

O Estado brasileiro parece desconhecer suas obrigações num setor fundamental como o de telecomunicações. A seguir, os 10 deveres não cumpridos pelos governos, após a privatização:

1) Elaborar uma nova e moderna legislação ou novo marco regulatório setorial;

2) Formular políticas públicas ambiciosas de caráter social;

3) Incentivar a competição entre as operadoras;

4) Desonerar os serviços dos pesados tributos a que estão sujeitos;

5) Profissionalizar o Ministério, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Telebrás;

6) Dar à agência reguladora todos os meios para que ela possa fiscalizar com rigor a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras;

7) Combater a corrupção no setor público de comunicações;

8) Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico;

9) Implementar uma política industrial não protecionista, visando reerguer a indústria nacional de equipamentos de telecomunicações;

10) Aplicar os recursos dos fundos setoriais em projetos estratégicos como o de uma rede avançada da banda larga, como faz a Coreia do Sul. 

 

 

 

15 Comentários Comente também
  1. Enviado por: carlos 3m

    ethevaldo, me permito concordar em parte e discordar em grande parte na sua lista:

    incentivar um nivel saudavel de concorrencia mantendo um custo tributario baixo

    proteger ferreneamente os diretos do consumidor via penalidades que tenham impacto nas operadoras e seus agentes

    fiscalizar o cumprimento das regras do jogo.

    fora isso o estado tem que ficar de fora. o consumidor eh o elemento mais importante e o resto deve se adequar a ele.

    http://www.youtube.com/watch?v=E1lWk4TCe4U e o resto da sequencia expoe o caminho a seguir para que o povo se beneficie dos avancos tecnologicos.

    COMENTÁRIO DE ETHEVALDO — Carlos, acho que o grande papel do Estado democrático é o de regulador, fiscalizador, estimulador e até como investidor nas parceriais público-privadas. O que é preciso, acima de tudo, é extirpar as ratazanas que se lançam sobre o imenso queijo estatal. A corrupção está entranhada até em boa parte da sociedade brasileira. Por isso, ela elege as quadrilhas que têm dominado o Estado brasileiro. Mas um dia, a maioria abrirá os olhos e teremos a “Primavera Brasileira”.

    • Enviado por: carlos 3m

      ethevaldo, so me pergunto se a primaveira brasileira nao vira muito depois da arabe. lamentavelmente parece so um utopia para mim, mas quem sabe voce esta certo. aposto no seu taco.

  2. Enviado por: Otto

    11. Forçar judicialmente as operadoras a devolverem os bens reversíveis à União.

    São mais de 3 milhões de itens.

    COMENTÁRIO DE ETHEVALDO — Sim, Otto. Você tem razão. Eu deveria ter incluído esse ponto. Seria o 11º da lista. Como você vê, com os governos que temos tido nos últimos 50 anos, o Estado brasileiro tem sido relapso, omisso e muitas vezes corrupto. Em sua mensagem, está implícito que você concorda com os 10 pontos citados. Isso já é um grande avanço. Mas, lembre-se, esses bens reversíveis só serão devolvido à União, após o final da concessão de 25 anos. E caberá à Anatel e à Justiça definirem exatamente quais serão esses bens.

    • Enviado por: Otto

      Ethevaldo:

      Minha contribuição com a 11a providência NÃO se constitui em aprovação verbatim do que vc escreveu, mas a sugestão #6 eu concordo plenamente!

      Aliás, até que tecnicamente o pessoal da anatel é bom, só falta vontade (ou licença) para trabalharem e poderem acabar com a folga das operadoras que hoje não estão nem aí para os usuários.

      Mas infelizmente a desproporção de forças é muito grande.

  3. Enviado por: Marcos Pedroza

    E por falar em forçar judicialmente as operadoras a devolverem os bens reversíveis à União.
    A Oi está vendendo um predio destes bens reversiveis ao país aqui em Natal no Rio Grande do Norte.
    Esta situado na Av Prudente de Morais em frente ao Clube Assen no bairro do Tirol. Bem grande e na frente do predio tem uma placa de vende-se de um corretor da cidade.
    Foi a antiga sede da TELERN, estatal privatizada e entregue a essta gente.
    Onde esta o Ministerio Publico Federal e a ANATEL que não veem este absurdo.
    Esta vendo Ethevaldo o que estas teles fazem no Brasil.

    COMENTÁRIO DE ETHEVALDO — Alô Pedroza: como escrevi no comentário anterior, os bens reversíveis só serão devolvidos à União, após o final da concessão de 25 anos. E caberá à Anatel e à Justiça definir exatamente quais serão esses bens. Num conceito amplo, os bens efetivamente reversíveis serão aqueles essenciais ao funcionamento do sistema de telecomunicações de cada concessionária. Imagine o que serão esses bens, por volta de 2023. Não serão prédios nem terrenos, nem centrais e redes obsoletas de 30 ou 40 anos. Será, principalmente, a nova infraestrutura, modernizada, atualizada, com fibras ópticas, redes IP, banda ultralarga etc. etc. Assim acontece em todo o mundo.

    • Enviado por: Otto

      Alo Marcos:

      Aqui em SP já foram vendidos bens da antiga Telesp, que se enquadravam em reversíveis.
      O pior é que a anatel (que agora só escreverei com letra minúscula) nem tem idéia do montante e passou esse abacaxi para o BNDES.

      Caso alguém tenha dúvidas a venda destes bens constitui-se em furto, puro e simples.

  4. Enviado por: serjao

    Prezado Ethevaldo ,
    Voce fez um retrato detalhado na área de seu interesse , mas o conteúdo dos seus comentários pode ser expandido para outras áreas , sendo a principal a educacao.
    Trabalhando na área de engenharia mecanica , todos os anos recebemos estagiários para repor profissionais ( engenheiros formados com muitos anos de experiencia ), e a cada ano está mais difícil colocar os candidatos em fase. Nao somos uma área de engenharia de ponta , mas mesmo assim , na empresa , temos livros didáticos de engenharia que entregamos aos nossos estagiários para estudar e tirar as dúvidas com os mais experientes.
    Imagino que isto nao acontece só com a minha área , mas com a medicina , a matemática e física , o ensino , etc.
    Quanto ao governo fazer alguma coisa , é bom esquecer.
    Ele está muito ocupado administrando o noticiario de corrupcao dos jornais.
    No excelente livro ” False Economy ” do Alan Beattie , ele expoe que opcoes tomadas pelos governos , terao repercussao no futuro . Ele usou um exemplo da Argentina que por volta do ano 1900 , a elite portenha queria criar gado apenas , deixando a operacao de enlatar o contéudo para os ingleses. O resultado foi funesto , pois o que parecia ser uma atividade menor , acabou sendo fundamental pelo valor agregado a operacao.
    O “nosso” governo administra o dia-a dia pequeno e mesquinho , mais preocupado em picuínhas para se manter no poder , do que para levantar os pontos fracos do país e corrigí-los no futuro.E o futuro é o que menos os incomoda.
    Minha firma paga rios de dinheiro como imposto para educacao . É direito dos jovens receber esta educacao e é mais do que direito para as firmas que pagam impostos , ter mao de obra com escolaridade suficiente para que os negocios , se nao progridam , pelo menos nao sejam retardados por mao de obra incapaz.

    • Enviado por: carlos 3m

      serjao, veja o link que postei acima no youtube e vera porque o estado como ele eh impede o nosso futuro potencialmente brilhante.

  5. Enviado por: cARLO sem eltrÔNiCAS com acento não assentado

    Bom dia caro Siqueira, vás bem? Eu não anuirei a qq disposto sejam teus sejam quem os deixou -comentou. Falando de outra colega, a R Cherazade, por q cá ela não surge? Do tema à berlinda: ufa, oxa, temos coisa produzida e não devemos ser tímidos a fim de estabelece o que é dos elãs a entendermos a tramitar nas políticas e grupos de nenhuma mendicândia do presente. Si, o futuro não demora a descartar; achavam po-la-ia destacar? Ne, mi saitas via scios

    COMENTÁRIO DE ETHEVALDO — Puxa, eu pensei que entendia português. Ou será que não é português?

    • Enviado por: carlos 3m

      ethevaldo, se trata da laninha escrevendo de um hospital psiquiatrico que ainda nao descobri que eh.

      ela escreve filosofia encriptada. o problema eh onde foi parar a senha.

  6. Enviado por: Antonio

    Texto limitado!, quanto custava a assinatura de telefone antes da privatização?,as empressas privadas fizeram investimento com o nosso proprio dinheiro,pagamos mais de 40 reais de assinatura,a tarifa aqui do celular é maior do que a Alemanha,aí vem dizer que um telefone custava uma fortuna,não custava,o governo vendia ações e com esse dinheiro investia em expansão da rede,voce depois podia vender as ações e retirava tudo que gastou,temos a pior internet do mundo ,a privatização nos moldes que foram feitos foi prejudicial ao país,aqui em Londrina temos uma empresa municipal,foi vendida uma parte temos orelhões limpos e funcionando em toda cidade e a banda larga é show,ao contrário da Oi,que para nós é Adeus.Por que não usam o exemplo da deutsche telekom ,onde o governo alemão detem 15% das ações e quem conhece a Alemanha sabe que funciona bem.Tenho muito a dizer sei como foi a engenharia dessa privatização das teles,o que fizeram com o CPQD ,foi um crime,se nós temos roaming automático no Brasil foi graças ao padrão telebrás, que foi pioneiro com o IS-41,os americanos ficaram babando quando viram que no Brasil podia ir de um estado para o outro com o mesmo numero, em plena decada de 90.

    RESPOSTA DE ETHEVALDO. Antonio, é fácil usar chavões e não provar nada. Isso, sim, é limitação (por razões ideológicas e políticas) Vou provar, Antonio, que seu texto é um primor de equívocos. Vamos lá:

    1. A assinatura custava R$ 0,61 por mês, porque era subsidiada. Isso descapitalizava a Telebrás, que não podia investir. Para compensar parte do subsídio nas tarifas locais, o interurbano custava 10 vezes mais do que hoje. Não esconda a verdade, Antonio.

    2. Investimento feito com nosso próprio dinheiro é piada, apenas outro equívoco. Pagamos os maiores tributos sobre telefonia do mundo. Muito maior do que se paga na Alemanha e em todos os demais países. Nossa gasolina e nossa energia elétrica são as mais caras do mundo, porque pagamos também os maiores tributos do mundo sobre combustíveis e energia. Veja o que o governo arrecadou com a expansão da telefonia no Brasil nos últimos 10 anos: R$ 330 bilhões de impostos, além de confiscar R$ 49 bilhões, segundo dados da Telebrasil.

    3. As ações que recebíamos em troca do Plano de Expansão eram apenas papel pintado. Só se valorizaram nos últimos anos, às vésperas da privatização. E por que a densidade telefônica do País era tão baixa: 14 telefones por 100 habitantes contra mais de 200 hoje? Mesmo com o Plano de Expansão, a Telebrás era descapitalizada pelas tarifas aviltadas pela demagogia do subsídio.

    4. Antonio, você critica a internet (e eu também). Mas a Telebrás não nos dava nenhuma internet. Eu tenho queixas de muita coisa, mas minha internet é baseada em fibra óptica, me dá 40 Megabits/seg e eu pago R$ 109 por mês. Como eu, há mais de 2 milhões de usuários desse tipo de serviço no Brasil. A Telebrás de hoje promete menos de 1 Mega. Diga a verdade completa, Antonio.

    5. A privatização das telecomunicações precisa ser avaliada pelos seus frutos: ela multiplicou por 10 a densidade telefônica do país. Qual era o pobre que podia comprar telefone celular nos anos 1990? Ela aproveitou o desenvolvimento tecnológico e incluiu mais de 140 milhões de usuários – que jamais poderiam pagar um plano de expansão de US$ 1 mil a 3 mil (dólares!).

    6. 0 senhor fica maravilhado com os orelhões de Londrina. Parabéns. E a banda larga é show… Deve ter até o dedinho da GVT nessa banda larga.

    7. Eu visitei o CPqD e ouvi seus dirigentes há poucos meses. Eles dizem que o centro de pesquisas vai muito bem, obrigado. Hoje sobrevive com seus próprios recursos. Onde o crime?

    8. Lembrar o IS-41 é o mesmo que dizer que a telefonia do mundo hoje se deve a Graham Bell. Você não percebe a inconsistência de seus argumentos? Por que não reconhece os fatos concretos positivos da privatização e critica o que ainda não temos – como o bom tratamento do usuário, a desoneração dos serviços e todos os 10 pontos que listei no final do artigo? Seja equilibrado, Antonio.

    9. Eu conheci a Telebrás desde o seu primeiro dia de existência, em novembro de 1972. Como já conhecia a velha CTB e a realidade da telefonia brasileira. Até 1985, a Telebrás fez um bom trabalho, sem corrupção, sob a liderança de Alencastro e Silva – um padrão de competência e honestidade. Depois, as operadoras foram contaminadas pela corrupção. O senhor sabe disso. A estatal fazia um bom trabalho, mas a oferta de telefones e serviços era absolutamente insuficiente. Seja rigoroso em suas afirmativas.

    Precisa de mais argumentos? Estou às ordens.

    • Enviado por: Microempresário

      Gostei da idéia de seguir o exemplo da Deutsche Telekom: vamos colocar 15 % da Telebrás nas mãos do governo alemão. Teremos mais competência, melhor administração e menos superfaturamento.

  7. Enviado por: Jose Joaquim Andrada

    Ethevaldo, mais uma vez voltando a este tema? Algum interesse pessoal ou profissional neste tema?
    A discussão que você coloca em questão é a seguinte: serviço privatizado é melhor do que serviço público? Fica fácil se “defender” se a questão é colocada desta forma. Mas a questão é outra completamente diferente: AS PRIVATIZAÇÕES FORAM FEITAS DE FORMA IRRESPONSÁVEL OU NÃO ??
    Aqui está o centro da questão. A irresponsabilidade das privatizações no Brasil as desmoralizou e só encontra defensor, quando existem interesses próprios, de grupos e se apegando a números que escondem a verdade dos fatos.
    1 -Quantos engenheiros brasileiros desenvolveram algum produto ou serviço de alto nível em Telecom durante as privatizações e até hoje?
    2 – Porque pagamos o celular e a banda larga mais cara do mundo? (não adianta falar que é culpa da tributação porque ela é próxima daquelas aplicadas nos países mais desenvolvidos e já foi comprovado que mesmo sem elas os serviços ainda assim estariam entre os mais caros do mundo)
    3 – Quanto sai de dinheiro do país, por ano, enviado pelas telecom?
    4 – Qual é o percentual entre o que é investido e o que é enviado para o exterior?
    5 – Como as privatizações podem ter sido boas se as empresas no país com maior número de reclamações no PROCON são as de Telecom? (em número e em percentual)
    6 – Os serviços de comunicação de dados são estratégicos para o país? podem ficar 100% nas mãos de empresas estrangeiras?
    7 – O QUE O SR. SUGERE PARA QUE AS TARIFAS FIQUEM EM VALORES CIVILIZADOS?

    RESPOSTA DE ETHEVALDO – Meu caro José Joaquim Andrada: sua primeira frase já denota grosseria: “Ethevaldo, mais uma vez voltando a este tema? Algum interesse pessoal ou profissional neste tema?”

    Respondo: Voltarei muitas vezes ao tema porque ele faz parte dos assuntos centrais deste blog. Meu interesse pessoal é esclarecer pessoas que se recusam a raciocinar com fatos e números e passam a repetir chavões. Tenho interesse profissional no tema, sim, porque sou jornalista especializado em telecomunicações e tecnologia da informação há mais de 40 anos.
    Serviços estatizados, meu caro, são os da saúde pública, das escolas públicas, das estradas federais, da segurança, de previdência – maravilhosos, como você pode comprovar todos os dias pelo noticiário da televisão brasileira e pelas milhões de reclamações que nenhum PROCON registra.

    Como você sabe, o PROCON é chapa branca. Ele só registra queixas de prestadores de serviço privados e empresas controladas pelo capital particular. Mas a questão básica é esta: serviço público pode ser bom, tanto privado quanto estatal. Se houver competência, profissionalismo, fiscalização e probidade. É tudo isso que falta aos governos que deixaram a coisa degringolar no Brasil.
    Você escreve tudo em letras maiúsculas – por falta de argumento consistente – que AS PRIVATIZAÇÕES FORAM FEITAS DE FORMA IRRESPONSÁVEL OU NÃO?

    Sempre escrevi que as privatizações devem ser julgadas por seus resultados. A boa árvore se julga pelos frutos. Foi isso que escrevi no artigo acima. Você não refuta nenhum número. O Brasil não tinha telefone. Hoje tem mais telefones do que gente. O Brasil não tinha banda larga. Hoje tem mais de 40 milhões de usuários dela, entre 80 milhões de internautas. No passado, pagávamos de US$ 1.000 a 3.000 para obter uma linha telefônica no Plano de Expansão. E depois – por pura demagogia – pagávamos uma assinatura básica de R$ 0,61 por mês (mas tarifas interurbanas dez vezes maiores do que hoje), no chamado subsídio cruzado.
    É claro que existem problemas, como em todas as áreas. Mas podemos corrigi-los, desde que o governo fiscalize, com rigor, que faça a sua parte e não meta a mão em nossos bolsos com os impostos escorchantes e o confisco dos fundos setoriais.
    Sei que o tema irrita os defensores do velho monopólio estatal – que não nos dava nem telefone, nem internet, nem banda larga. Mas, de 1985 a 1994, deu muita corrupção. A nova Telebrás já começa com superfaturamento.

    Respondo agora a cada um dos parágrafos numerados:

    1 – Tenho certeza de que você não saberia dizer nem uma coisa nem outra: “quantos engenheiros brasileiros desenvolveram algum produto ou serviço de alto nível em Telecom durante antes e depois das privatizações”. Eis aí um argumento falacioso que não resiste a qualquer aprofundamento. Veja: o CPqD continua trabalhando, os laboratórios acadêmicos idem, as indústrias idem. A pesquisa precisa, sim, de uma política nacional, de financiamento, de programas ambiciosos, na universidade, na indústria e nas operadoras. Você sabia que hoje até os Bell Labs reduziram bastante seus investimentos de P&D?

    2 – A resposta a você sobre por que pagamos o celular e a banda larga mais cara do mundo. Você está absolutamente equivocado ao dizer que a tributação no Brasil é próxima daquelas aplicadas nos países mais desenvolvidos. Nenhum país do mundo, exceto a Turquia, cobra impostos acima de 40% sobre o valor dos serviços de telefonia. Não falsei a verdade. Retire esses impostos e as tarifas brasileiras estarão entre as 10 menores do planeta.

    3 – Meu caro, você não sabe quanto sai de dinheiro do país, por ano, enviado pelas telecom. Mas você sabe que o governo (desde FHC até hoje) retirou das contas telefônicas (R$ 330 bilhões de impostos ao longo dos últimos 10 anos) e mais R$ 49 bilhões confiscados dos fundos setoriais (FUST, FISTEL e FUNTTEL). Isso quase 18 vezes o valor da privatização da Telebrás.
    Os dados mais interessantes são os da comparação do que o governo retira do setor com o lucro total das operadoras. Meu caro, os impostos e o confisco correspondem (R$ 380 bilhões) a 10 vezes (repito 10 VEZES) mais do que o lucro das operadoras (R$ 37 bilhões), que não foram remetidos para o exterior em sua totalidade. Os investimentos totais das operadoras privadas ao longo de 13 anos foi superior a R$ 200 bilhões. Procure esses dados no Ministério da Fazendo, na Anatel e na Telebrasil.

    4 – Com a resposta anterio já lhe respondi “qual é o percentual entre o que é investido e o que é enviado para o exterior”.

    5 – Esta pergunta é a mais ridícula que você faz: Veja o que você quer saber: “Como as privatizações podem ter sido boas se as empresas no país com maior número de reclamações no PROCON são as de Telecom? (em número e em percentual)”
    Você sabia que o Ministério da Justiça (que controla o PROCON), informa que o número total de reclamações não resolvidas durante o ano de 2010 foi inferior a 40.000 em telefonia no Brasil, para um universo superior a 200.000.000 de telefones (entre fixos e móveis). Isso significa uma reclamação para cada 5.000 telefones. Isso significa um percentual de 0,02%. E saiba: eu sou um dos maiores críticos do mau tratamento dado por muitas operadoras de telecom do País. Temos os piores call-centers do planeta, que desrespeitam o cliente todos os dias.

    Você já imaginou se o PROCON recebesse queixas contra a saúde pública, a previdência, as estradas federais, a segurança pública e a corrupção nos serviços públicos de todos os níveis? Não queira tapar o sol com a peneira.

    6 – Você acha que “os serviços de comunicação de dados são estratégicos para o país” e não podem ficar 100% nas mãos de empresas estrangeiras. No caso da Oi, não estão 100%. Mas o que garante o serviço estratégico é a proteção ao sua confidencialidade (que se protege com criptografia e codificação), é a fiscalização rigorosa dos órgãos públicos. Qualquer violação da integridade e da confidencialidade desses serviços leva à perda da concessão. Mostre quantos países do mundo impedem o capital estrangeiro em telecomunicações. Esse nacionalismo já foi arquivado pela história, porque não beneficiava em nada os países. O que deve ser protegido a todo custo é o conteúdo da comunicação militar ou de interesse exclusivo da Nação – que pode ser criptografada ou operada diretamente por serviços especiais de comunicações do governo.

    7 – Sua pergunta final pode ser respondida da forma mais sintética possível: para que as tarifas fiquem em nível civilizado, o Brasil precisa de estimular a competição e desonerar os serviços dos tributos absurdos que todos nós somos obrigados a pagar. Eu alinhei 10 obrigações que o governo não cumpre, meu caro. Você, simplesmente, não as leu. Ignorou-as. Passou batido. E faz perguntas que já foram respondidas neste blog dezenas de vezes.

    Será um prazer debater com você quantas vezes quiser. E eu não lhe pergunto que interesse você tem no assunto, porque sei que o tema interessa a todo brasileiro que pensa no País e em sua população. Mesmo que você fosse pago para escrever essa xaropada, eu o respeitaria da mesma forma. Porque fico feliz em reduzir a pó esses chavões.
    Um grande abraço e volte sempre, com melhores argumentos.

  8. Enviado por: Otto

    A pergunta #5 do colega José não é ridícula. É necessário “filtrar” os dados do Procon, pois a maioria das reclamações contra as operadoras é relativa a cobranças erradas ou indevidas e cerca de 90% dos acessos no Brasil são pré-pagos, sem contas para serem reclamadas.

    RESPOSTA DE ETHEVALDO — Estou “filtrando” matematicamente os dados do PROCON. O percentual correto é 0,02%. Isso significa que 99,98% dos assinantes não têm reclamações graves, não resolvidas, meu caro. Imagine se a saúde pública brasileira tivesse o mesmo índice de reclamações graves.

  9. Enviado por: Otto

    Ethevaldo:

    Segue um link comparativo de impostos, acho q vc vai achar interessante.

    http://www.cellular-news.com/story/51672.php

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