O usuário de volta à escola
5 de agosto de 2011 | 21h12
Ethevaldo Siqueira
Coluna do Estadão para domingo, 07 de agosto de 2011
Estou em lua de mel com meu novo tablet. Mesmo tendo longa experiência pessoal como usuário de informática, resolvi buscar professores e voltar à escola para acelerar minha aprendizagem. Foi uma experiência sensacional: pude aprender em poucos dias o que, sozinho, levaria meses. Não quero mais quebrar a cabeça para conhecer os recursos principais de meus computadores, smartphones, câmeras digitais, TV conectada ou home theater.
Eis aí um tema que me preocupa há bastante tempo: a educação básica do usuário. Acho que ela é essencial para o Brasil, país com milhões de analfabetos digitais ou analfabits, como costumo chamá-los. Muitos outros milhões de brasileiros poderiam ser considerados analfabetos funcionais – ou, na expressão popular, aquelas pessoas que sabem apenas “mexer no computador”.
A pior consequência do despreparo do usuário é sua baixa produtividade quando usa ferramentas digitais. De que adianta dispor de máquinas potentes e banda larga de 20 Megabits/segundo, se o usuário não está preparado para utilizá-las?
Nos países mais avançados, entretanto, a maioria dos usuários não apenas sente necessidade de ir muito além da mera alfabetização digital básica (ou, em inglês, da computer literacy), como de fazer cursos periódicos sobre como usar melhor o computador, o tablet, a internet, os smartphones, entre tantos outros dispositivos de tecnologia da informação e da comunicação,
As escolas finlandesas oferecem um curso básico com o sugestivo nome de computer driving license (uma espécie de “licença para pilotar computadores”), que começa na escola primária e vai até à universidade visando à melhor formação do usuário.
Autodidatas?
Aposto que muitos leitores – tanto os jovens como os usuários com mais de 30 anos – se julgam autossuficientes e pensam que podem aprender tudo sozinhos, sem cursos especiais, sem treinamento, sem bons manuais ou livros do tipo How-To. Se você pensa assim, reflita um pouco mais.
É claro que existem autodidatas excepcionais. Poucos, no entanto, conseguem aprender tudo que é relevante sobre o computador e, em especial, sobre os melhores aplicativos. Antigamente, até para aprender datilografia as pessoas contavam com dezenas de escolas, métodos e livros que os interessados preferiam, em lugar de escrever com apenas dois dedos, catando milho.
Hoje, tudo é mais fácil. Entro no Google e, em menos de um segundo, tenho 92.400 sugestões de softwares e métodos para me tornar um digitador profissional. No entanto, quantos usuários se dispõem a baixar um desses softwares e investir duas semanas nesse adestramento, que lhe será útil para toda a vida?
Cursos do Senac
Felizmente, existem centenas de opções de cursos e escolas para aqueles usuários individuais ou corporativos de informática e outras tecnologias. Escolhi dois exemplos que considero excelentes de treinamento nas áreas de informática e um na de smartphones, entre os cursos que conheço para usuários.
A primeira instituição que recomendo nessa área é o Senac, que, além de cursos de nível universitário, oferece mais de uma centena de opções em cursos técnicos e cursos livres, que cobrem, entre outras especialidades, iniciação à informática, computação gráfica, internet, audiovisual, fotografia, multimídia, rádio e áudio, cinema-vídeo e TV.
Acho muito interessante a modalidade de educação à distância, em especial para aqueles alunos que não podem frequentar as aulas presenciais. Segundo o Senac, esses cursos à distância adotam métodos flexíveis, com modelos de ensino e de tecnologia que não perdem o foco no aluno. Nesses cursos, aluno e professor, embora separados presencialmente, trocam informações pelos recursos de comunicação e de tecnologia. O aluno pode escolher o melhor horário e o local para o seu aprendizado.
Cursos da Impacta
Outra instituição de prestígio e longa experiência na preparação de usuários e de equipes empresariais na área de informática é o Grupo Educacional Impacta Tecnologia, que reúne na verdade um grupo de empresas de educação, treinamento e certificação e que cobre até o ensino universitário, com a Faculdade Impacta. Fundada há mais de 20 anos por Célio Antunes de Souza, a Impacta passou a suprir uma das reais necessidades de empresas e profissionais, inicialmente em microinformática e, posteriormente, em dezenas de especialidades de computação e telecomunicações.
WG-7 no celular
Ao comprar um smarphone você precisa obter dos vendedores ou consultores as instruções essenciais sobre os recursos e a interface do novo aparelho. Para isso, as operadoras passam a dar aos seus vendedores ou atendentes melhor treinamento sobre os recursos e o funcionamento dos celulares mais modernos.
É o que fazem as operadoras TIM, Claro e Oi, entre outras, ao utilizar os serviços da WG-7 Consultoria e Treinamento em Telecom Ltda., empresa que prepara os vendedores e consultores das lojas para que eles possam ensinar o cliente a utilizar melhor os recursos e compreender bem a interface de cada smartphone ou tablet. Fundada em 2003 por Gilberto Russo, a WG-7 está treinando até representantes de operadoras latino-americanas, como a Tigo, que atua no Paraguai, Bolívia e outros países.
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Já esta perto o dia em que eu vou “conversar” com o meu Tablet ou Note e eles farão exatamente o que eu pedir ??
Tá bom vai, eu precisarei fazer um curso prá aprender a pedir, é isso ???
NÃO APRENDE. Idosos acima dos 60 não conseguirão aprender nada de novo e se aprender, esquecem.
- A última coisa avançada que conseguimos aprender no interior do Brasil foi comprar boi com cheque e não nos “cobre” como se dizía.
RESPOSTA DE ETHEVALDO — Nunca vi nada mais sensato, inteligente e brilhante do que esse comentário. Inteligência não tem idade, cavalheiro. A estupidez, no entanto, pode ocorrer durante qualquer momento da vida do ser humano. Geralmente travestida de preconceito.
Ethevaldo, aposto o meu Chevete 92 contra o seu Toyota 2.011 que eu sou mai velho que você, a diferênça é que eu sei reconhecer e aceitar a inexorabilidade do tempo. A grande vantagem em sermos idosos, é que não morremos jovens.
RESPOSTA DE ETHEVALDO — Diógenes, prefiro os comentários de seu xará grego aos seus. Ele não costumava generalizar para todas as pessoas a partir de sua experiência individual. Cada ser humano é um universo diferente e único, meu amigo. Bernard Shaw escreve sua obra-prima aos 75 anos e aos 94 ainda dava shows de lucidez e saúde física. Outros, aos 60, já estão quase gagás. Lembro-me de um idoso como Alceu de Amoroso Lima, que aos 90 nos encantava com sua inteligência e cultura. Um abraço rejuvenescedor a você.
Diógenes:
1º) Mude a lantterna de querozene (ou óleo de baleia) e use uma de LED’s, é mais produtiva e menos poluente.
2º) Em que órbita você está ? Geoestacionária ?
Beirando os 70, estou me divertindo com Linux e creia, com uma satisfação juvenil.
Acorda, que o século XXI já está no 11ºano.
Esse negócio de idade é relativo. Eu e minha esposa,ambos acima dos 60, utilizamos nossos notebooks para as atividades corriqueiras e não temos nenhuma dificuldade. Como advogado, fiz minha certificação digital há mais de ano e meio e não tenho nenhuma dificuldade em lidar com os processos virtuais tanto no meu estado como no STJ. Devo dizer, sem falsa modéstia, que em matéria de informática sou muito melhor que muito “moleque” que tem por aí. A idade não é limite. O limite é a “cabeça”.
Estou com 49 anos e trocando fraldas. Se eu não me atualizar em vários aspectos estou frito.
Como dizia Peter Drucker: ” Cá estou eu aos 58 anos e não sei o que vou ser quando crescer…”
O resto nós já sabemos no que deu.
Abraços
Nao esquecamos do Dr Roberto Marinho, que deu inicio ao seu imperio apos os 60 anos.
O Ray Kroc tambem fundou a McDonalds depois de estar aposentado.
abs
Dizem que a primeira pessoa a viver ate os 150 anos ja esta viva hoje.
Pena que nao sou eu.
abs
Como você sabe ?
Já encomendou o paletó de madeira ???
Se não ainda é tempo.
Abraços – acabei de levar um tombo com minha filha de 1 ano no colo. Ainda bem que foi só um susto.