Mundo começa a viver a era da imagem 3D
12 de abril de 2010 | 3h59
Ethevaldo Siqueira
LAS VEGAS — Com a TV-3D e o cinema digital, o mundo começa a viver a era das imagens tridimensionais. Depois de quase 50 anos de tentativas e desistências, de altos e baixos, a indústria de eletrônica de entretenimento consegue resultados aceitáveis, graças à tecnologia digital. Se você tem dúvida, leitor, de que o cinema e a TV-3D chegaram para ficar, assista – caso não o tenha feito – a dois filmes dois filmes modernos em 3D, como Avatar e Alice no País das Maravilhas,
Nada mais convincente do que a experiência pessoal para se ter uma idéia do impacto do cinema digital 3D e de seu futuro. O mesmo se passa com a TV-3D. Essa experiência pessoal é determinante para que as pessoas se apaixonem pelo novo realismo das imagens tridimensionais que parecem saltar para fora da tela. E a paixão é ainda maior com as transmissões ao vivo de esportes ou cenas de grande movimento, como se pode perceber nas demonstrações feitas aqui no NAB Show.
Por isso, as grandes redes de TV do mundo apostam nas transmissões ao vivo de grandes eventos esportivos mundiais, como a Copa da África do Sul e até um campeonato de golfe só para milionários a ser realizado aqui em Las Vegas ainda este ano.
“O que temos até agora não passa de uma minúscula ponta do iceberg, diante do futuro que nos espera em matéria de TV e cinema tridimensionais. Afinal, o mundo que vemos ao nosso redor é tridimensional. Por que nos contentarmos apenas com duas dimensões? Não tenham dúvida: daqui para o futuro, progressivamente, praticamente todas as imagens que veremos na TV, no home theater, nos computadores, na internet, nos iPods e iPads passarão a ser imagens 3D” – como diz Barbara Lange, diretora executiva da empresa SMPTE – que conduziu ontem aqui em Las Vegas uma mesa-redonda, em conjunto com Ken Fuller, diretor de engenharia da empresa Azcar, e Paul Hearty, diretor do Centro Rogers de Comunicações, da Universidade Ryerson, dos EUA.
Isso não quer diz que a tecnologia de imagens tridimensionais na TV e no cinema já tenha alcançado seu ponto máximo de evolução ou maturidade. Mas, como aconteceu com outros avanços em eletrônica de entretenimento, já alcançou o ponto de decolagem no processo de massificação, segundo avalia a indústria.
A questão básica em que centenas de profissionais buscam consenso num evento como o NAB Show 2010, no entanto, vai muito além de saber “se a TV-3D vai pegar ou não”, mas, sim, compreender com precisão como o sistema visual humano percebe a profundidade dos cenários e os fundamentos da imagem estereoscópica
Quase tudo é novo para os profissionais de TV e do cinema, quando se trata de captura de imagens em 3D, bem como superar os desafios e armadilhas da câmera estereoscópica e utilizar a imensa variedade de novas ferramentas desse mundo estereoscópico que os profissionais precisam aprender a dominar.
Num debate que assusta os leigos, os especialistas discutem os parâmetros da imagem 3D, tais como os exigidos para se estabelecer a distância interaxial (entre o centro de cada pupila) e a convergência mais precisa das imagens, bem como os problemas do cansaço e da dor nos olhos que ainda acometem os espectadores quando as imagens são impropriamente trabalhadas na produção de programas em 3D
Muitos usuários reclamam do uso obrigatório de óculos. Esse ainda é um problema a ser resolvido. Embora já existam soluções de cinema e TV-3D sem necessidade de óculos para os telespectadores, seus resultados ainda não satisfazem à maioria das pessoas. É claro que, num horizonte de 5 a 10 anos, os óculos deverão ser abandonados, com a evolução da tecnologia 3D
Renascimento das salas?
Até há poucos anos o número de salas de cinema em todo o mundo vinha decrescendo de forma assustadora. Mesmo no Brasil, esse fenômeno ocorria de forma assustadora: diversas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes ficaram sem nenhuma cinema nos últimos 10 anos.
Tudo indica que o cinema digital virá reverter esse processo. Um bom é exemplo nessa linha é o que ocorreu no ano passado, a começar com o crescimento de mais de 200% do número de salas de cinema para exibição de filmes nos últimos 12 meses, passando de cerca de 10 mil para mais de 30 mil em todo o mundo. O mesmo ocorreu com a venda de equipamentos para cinema digital, cujo aumento de vendas foi, em sua maioria, alavancado pela disponibilidade de filmes estereoscópicos.
Em sua maioria, os espectadores reagem positivamente à chegada do cinema digital 3D. Mesmo assim, os especialistas estão interessados em conduzir um número cada dia maior de pesquisas e trabalhos experimentais, em especial para conhecer as preferências em relação ao conteúdo do usuário doméstico, bem como de eventuais problemas que ainda tenham que ser superados.
O sucesso do cinema 3D está diretamente ligado às possibilidades da TV-3D no mercado doméstico. O home theater e a sala de cinema são irmãos, apenas com diferenças de proporções, argumentam alguns especialistas. À medida que cresce a oferta de conteúdo de filmes estereoscópicos, maior é a possibilidade de expansão e evolução do mercado para o home theater 3D
Além da produção de mais de uma centena de novos filmes em 3D, Hollywood trabalha com a possibilidade de adaptação estereoscópica de boa qualidade nos melhores filmes do passado. James Cameron está estudando a possibilidade de uma refilmagem de seu grande sucesso, Titanic, em 3D.
Outro mercado de grande potencial para a indústria é o de jogos eletrônicos ou videogames em 3D. Como estratégia agressiva de comercialização da TV-3D, junto ao público infantil e adolescente, dois grandes fabricantes já oferecem um pacote de mais de 50 games em 3D juntamente com a venda de televisores planos de LCD e LED (diodos emissores de luz) com dimensões superiores a 50 polegadas. E, além disso, dão de presente óculos especiais com marcas de griffe.
(Mais NAB Show, no site www.ethevaldo.com.br)
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Enquanto alguns são entisiastas do 3D, outros já nem tanto. Articulista Mark Kermode do The Guardian, jornal inglês, acredita que essa onda não vai pegar e diz que a tecnologia mata as evoluções feitas até então das imagens convencionais 2D, como perda de brilho das cores e detalhes da resolução. Como jornalista de TI, acompanhei o lançamento no Brasil dos televisores 3D da Samsung e gostei, apesar de um certo desconforto e dores de cabeça. Amanhã irei acompanhar o lançamento brasileiro do 3D da Sony. Que há uma corrida para que se torne viável a tecnologia 3D é inegável.