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15 de Abril de 2010

 

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Ethevaldo Siqueira

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Uma operadora virtual para jovens

7 de fevereiro de 2012 | 23h36

Ethevaldo Siqueira

O modelo das operadoras virtuais começa a expandir-se no Brasil, com a associação da gigante internacional Virgin Mobile Latin América (VMLA), do grupo controlado pelo biolionário Richard Branson, com a operadora brasileira de telecomunicações Datora Telecom. Com essa união, está nascendo a Virgin Mobile do Brasil.

“O foco central da nova empresa será o público jovem, que tem gosto e preferências específicas, tanto no Brasil quando no mundo” – afirma Wilson Otero, executivo-chefe da Datora. A questão central não será, portanto, competir em preços, mas, sim, na oferta de conteúdos adequados ao gosto e ao comportamento dos jovens. Nesse caso, é preciso oferecer o que eles querem e falar a sua linguagem.

Ele justifica seu otimismo com os futuros resultados da parceria com a Virgin Mobile, pois essa empresa se expande com sucesso pela América Latina, e deverá aportar substanciais investimentos no Brasil, a partir dessa operadora virtual. “Isso não significa que seremos simples consultores da Virgin – diz o dirigente da Datora – porque temos vasta experiência na integração de operadoras móveis, tanto em plataformas virtuais quanto de outras operadoras.”

A Datora Telecom já é sócia da Porto Seguro na primeira operadora virtual organizada no País, em 2011. Wilson Otero lembra que sua empresa já tem longa experiência na integração de plataformas, em especial com base na tecnologia de voz sobre protocolo IP (VoIP), que oferece atualmente praticamente a mesma qualidade das tecnologias convencionais.

Otero recorda que no caso da operadora virtual formada com a Porto Seguro, a parceira celular é a TIM. Isso não significa que, no caso da Virgin, não possam ser feitas parcerias com outras operadoras celulares brasileiras. Atualmente, a Datora e a Virgin estão tomando as decisões sobre as características da rede móvel a ser utilizada.

Que é uma MVNO?

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamentou em 2011 o novo modelo de negócios das chamadas Operadoras de Redes Móveis Virtuais ou MVNOs (sigla em inglês de Mobile Virtual Network Operators. Pela regulamentação há dois tipos de operadoras virtuais. Um deles são as credenciadas, que revendem serviços como representantes outras empresas de celular. Outro tipo são as autorizadas, que podem operar redes de terceiros ou de outras empresas de celular.As operadoras virtuais autorizadas utilizam parte da infraestrutura de outras operadoras.

O modelo das operadoras virtuais deverá expandir-se muito mais nos próximos anos. Segundo a Effortel, empresa de pesquisa belga, nos próximos dois anos, o mercado brasileiro terá de 40 a 50 operadoras móveis virtuais.

A Virgin Mobile Latin America (VMLA) busca tornar-se a principal operadora virtual móvel latino-americana, nos próximos cinco anos. Nos próximos 30 dias, deverá lançar sua primeira operação no Chile e logo em seguida na Colômbia. No segundo semestre, deverá ter licenças aprovadas no México e no Peru.

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GVT lança supergames online

1 de fevereiro de 2012 | 17h40

Ethevaldo Siqueira

Estão chegando ao Brasil os primeiros jogos online para usuários de fibra óptica. A GVT – operadora de banda larga, telefonia fixa e TV por assinatura – está anunciando nesta quinta-feira a parceria com a desenvolvedora mundial de jogos Blizzard Entertainment. Com esse acordo, a GVT passa a oferecer os games de maior sucesso mundial aos clientes brasileiros de banda larga ou ultravelocidade.

Um desses produtos é a versão em português do World of Warcraft, o jogo mais popular e de maior sucesso mundial, que pode reunir grande número pessoas ao mesmo tempo, no chamado de MMORPG (de Massive Multiplayer Online Role-Playing Game), inclusive sua primeira expansão, The Burning Crusade. O World of Warcraft conta hoje com mais de 10 milhões de assinantes em todo o planeta.

Com assinaturas a partir de R$ 12,90 por mês, os clientes de banda larga da GVT podem fazer o download grátis da versão em português do World of Warcraft e terão desconto nos planos de assinatura, para prazos maiores do que 30 dias.

Segundo o presidente da GVT, Amos Genish, a operadora conta hoje com 1,7 milhão de clientes com a banda larga de ultravelocidade, que proporciona experiência sem precedentes em jogos online: “Queremos aumentar ainda mais a percepção do valor de nossa banda larga por nossos clientes, ao unir o melhor em banda larga ao melhor em jogo online. Estamos empenhados em popular o conceito de casa conectada, de modo a possibilitar a conexão de todos os aparelhos de uma residência, em uma única rede, a velocidades de até 100 megabits por segundo (Mbps), oferta de serviços de TV via internet (IPTV) e jogos online.”

Para o presidente da operadora, “a parceria representa mais um serviço da GVT na oferta de conteúdo e entretenimento sobre a banda larga Power, a exemplo do que a empresa já tem com a Universal Music desde outubro de 2010, quando lançou o Power Music Club,  portal que oferece conteúdo com streaming ilimitado de músicas e clipes para clientes desse serviço.”

Atuando em 17 Estados brasileiros, a GVT tem hoje mais de 5 milhões de clientes e está presente nas seguintes cidades paulistas: Campinas, Santo André, Guarulhos, Jundiaí, Osasco, Mauá, Piracicaba, Sorocaba, São Bernardo do Campo e Votorantim.

O desafio da TV pública

27 de janeiro de 2012 | 21h57

Ethevaldo Siqueira

Se você, leitor, sente-se desencantado em alguns momentos com os rumos da televisão aberta, sugiro que busque novas opções na TV Cultura, mesmo que tenha, eventualmente, optado pela TV por assinatura – que, aliás, tem crescido a mais de 20% ao ano e já alcança 45 milhões de telespectadores no País.

Acho que você vai gostar da TV Cultura, leitor, com as diversas mudanças desta nova fase. Comece pelo Jornal da Cultura, às 9 da noite, com a âncora Maria Cristina Poli. Muito mais do que outros noticiários, esse telejornal consegue inovar em busca de um padrão de informação mais completo e democrático, apoiado muitas vezes em matérias didáticas bem produzidas e equilibradas. E conta ainda com a participação de debatedores de alto nível, que se revezam de segunda a sexta-feira. Eles têm coragem de dar opinião, embora quase sempre alfinetados por telespectadores, pelo twitter.

A boa música

Nos fins de semana, a música clássica ganha muito mais espaço na Cultura, com documentários e concertos de renomados solistas e orquestras internacionais ou da própria Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).

A excelente cobertura do Festival de Campos do Jordão, em julho, foi concluída com o Concerto para Violino de Beethoven, interpretado e regido por Pinchas Zukerman. O novo programa, Pré-Estreia, promoveu seu primeiro concurso de música erudita e revelou candidatos de talento de todo o País.

O Roda Viva, programa de entrevistas de maior prestígio da TV brasileira, foi reformulado, com mais debatedores. O Metrópolis, sobre artes e espetáculos, com Cadão Volpato, está ainda melhor. O Café Filosófico é um modelo de TV cultural, com escritores e professores que focalizam temas de grande atualidade.

Confesso, leitor, que gosto muito da música brasileira autêntica de Inezita Barroso, no Viola Minha Viola, e de Rolando Boldrin, no Sr. Brasil. Não perco nenhum Ensaio, que nos permite reencontrar compositores e cantores populares da MPB.

Na área de esportes, o Cartão Verde, se tornou de longe o melhor programa do gênero da TV brasileira (que saudade do Magrão Sócrates).

Quatro canais

Com os recursos da TV digital, em especial os da multiprogramação, a Fundação Padre Anchieta opera desde 2009 três canais públicos culturais: Cultura (2.1), Univesp (2.2) e Multicultura (2.3).

Há ainda um quarto canal, a TV Rá Tim Bum, de programas infantis, que faz parte do cardápio das operadoras de TV paga. Tem 3,5 milhões de assinantes. Aliás, há muitos anos a programação infantil da TV Cultura vem conquistando diversos prêmios internacionais.

No canal 2.2 digital, concretiza-se o projeto de uma universidade aberta com programação fornecida pelas universidades paulistas da Univesp (Universidade Virtual de São Paulo). Além de aulas e palestras de grande atualidade e interesse cultural, esse canal apresenta entrevistas sobre temas científicos, conduzidas pela jornalista Mônica Teixeira. Exibe ainda excelentes documentários da BBC (British Broadcasting Corporation) e do PBS (Public Broadcasting Service) norte-americano.

O terceiro canal (2.3), Multicultura, oferece uma seleção variada dos melhores programas musicais, culturais e de entretenimento, inclusive coisas preciosas do acervo da emissora, como as entrevistas de Ayrton Senna, Dercy Gonçalves, de escritores e políticos ao Roda Viva.

Um show na web

Se você quer ter uma amostra do alcance das mudanças ocorridas na TV Cultura, visite o novo site da emissora (www.tvcultura.com.br) e explore tudo que existe ali sobre os quatro canais, a grade de programação de cada um e uma seleção dos melhores programas e produções próprias (as chamadas Pratas da Casa), os documentários jornalísticos (como Matéria de Capa) e o site C+ (http://cmais.com.br) sobre programações especiais. Reveja no site da Cultura os últimos programas Roda Viva ou edições históricas, como a entrevista de Orlando Villas-Boas.

Balanço

É claro que ainda há muita coisa a ser melhorada. Acho, no entanto, que a Cultura está no caminho certo e que poderá tornar-se a primeira grande TV pública do Brasil, pois já oferece informação independente e programas culturais e de entretenimento de qualidade. E mais: poderá ser a grande opção para milhões de crianças, jovens, estudantes e cidadãos autodidatas, interessados em aprender sempre.

Desde sua chegada em junho de 2010, como presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad levou para a entidade, acima de tudo, um novo projeto de gestão, que já elevou a produtividade, com a eliminação de mais de R$ 75 milhões anuais em gastos e contratações não essenciais de pessoal. E já resolveu a maior parte dos crônicos problemas trabalhistas da Fundação.

E a TV aberta?

É inegável que a TV aberta comercial brasileira caiu no gosto popular. E, na verdade, ela produz muita coisa de qualidade, como as novelas e minisséries de padrão mundial, os telejornais sempre mais críticos e excelentes coberturas esportivas.

Mas tem também coisas horríveis e degradantes, como os reality shows, os programas popularescos de auditório ou os shows de notícias policiais sensacionalistas. A busca pela audiência parece tornar-se tão obsessiva que não encontra limites éticos.

Nessa hora, refugio-me na TV Cultura.

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Lytro, a revolução na fotografia

27 de janeiro de 2012 | 21h22

Ethevaldo Siqueira

De Las Vegas

Primeiro você tira a foto. Depois acerta o foco. Quem vê a caixa metálica tão simples não imagina que ela possa abrigar uma tecnologia revolucionária que, talvez, represente um salto equivalente àqueles representados pela da câmera Polaroid ou da foto digital. Assim é a câmera Lytro, que utiliza um conceito totalmente diferente de registrar a imagem, baseado no campo de luz (ou Light Field), em que os raios luminosos são capturados por um sistema de sensores totalmente novo. Seu nome pode não ser dos mais felizes, mas seus resultados vão agradar, com certeza, a todos que gostam de fotografias quase perfeitas.

Entre as incontáveis inovações apresentadas no Consumer Electronics Show (CES) de 2012, de Las Vegas, a câmera Lytro foi a vencedora do Last Gadget Standing, um dos prêmios para a maior inovação tecnológica da área da fotografia, votado e definido pelos visitantes como de maior impacto em suas vidas.

O grande diferencial da Lytro é permitir que o usuário aprimore o resultado final depois de capturar a cena, quando tudo já estaria definido e irreversível para as câmeras convencionais. Desse modo, a câmera Lytro evita a perda de fotos por falta de foco ou de nitidez, mesmo no caso de fotos feitas com pouquíssima luminosidade. Depois do clique, a câmera armazena as imagens com todas as cores e formas e, só então, o usuário começa a corrigir o foco e todos os detalhes.

O criador da Lytro

Ren Ng, de 35 anos, PhD de Stanford, é o criador da câmera revolucionária

A câmera revolucionária foi inventada por Ren Ng (pronuncia-se Ing), pós-graduado da Universidade de Stanford, nascido na Malásia, hoje com 35 anos. Ele desenvolveu sensores que captam milhões de raios de luz, num trabalho equivalente ao de supercomputadores.

Ren Ng acaba de fundar sua empresa, a Lytro Co., de Redwood, Califórnia, e transformar seu invento em produto comercial, ao lançar a câmera no CES de 2012. O preço de lançamento não parece nada absurdo: US$ 399. Quem quiser entender melhor os fundamentos científicos dessa câmera, pode visitar o site www.lytro.com, da empresa que está lançando a câmera revolucionária.

A ideia da fotografia de campo de luz não é nova. Outras empresas, inclusive a Adobe e a Pelican Imaging, de Mountain View, tentaram sem sucesso chegar aos mesmos resultados que Ren Ng.

Além de tirar fotos com uma rapidez incrível, a câmera pode usar a informação do campo de luz para criar imagens tridimensionais (3D) e com muito mais dados que podem ser reunidos, inclusive com um desempenho muito melhor em condições de baixa luminosidade.

Como funciona

Tudo isso soa como algo mágico, dizem os fotógrafos mais experientes. Mas, na realidade, como funciona? Quais são as compensações e como essas chamadas “fotografias vivas” interagem com o software que as tornam visíveis e compartilhadas? A premissa básica da câmera de campo de luz é coletar todos os dados sobre a luz visível no campo de visão da câmera de modo que esse software possa manipular a foto mais tarde.

Ren Ng explica que, enquanto o conceito era usado no passado para criar imagens como as dos efeitos especiais de “bala do tempo” no filme Matrix, era necessária uma sala cheia de câmeras e a potência computacional de um supercomputador. Utilizando um óptica especial e sensores, a câmera Lytro reproduz toda essa técnica em um dispositivo portátil e simples.

Na descrição do inventor, “as fotos tradicionais não nos contam a história completa; considere que a totalidade da luz que entra através da lente da câmera é muito mais do que a da foto”. E mais: “o campo de luz é toda informação adicional que é perdida numa foto comum, tradicional. Quando nós registramos toda essa informação, isso nos permite atuar com o software após o fato (a captura da imagem).”

O que acontece “após o fato” é o pulo do gato, a grande novidade ou breakthrough: uma vez capturados os dados do campo de luz, os algoritmos da Lytro podem fazer truques impressionantes. Primeiro e maior deles é ajustar o foco em qualquer ponto em que o observador desejar.

Ainda pela explicação de Ren Ng, “quando uma câmera comum focaliza fisicamente, o que ela está fazendo, na verdade, é ajustando as lentes em relação ao sensor para que este traga as diversas partes da cena para uma posição de foco. Desse modo, se nós temos agora todo o campo de luz, nós podemos fazer o que as lentes fazes normalmente, mas por meio de computação.”

Para ver o efeito

Se o leitor quiser ter uma ideia de como funciona na prática a nova fotografia baseada no campo de luz, pode usar o link específico e curioso (https://www.lytro.com/living-pictures#) e clicar duas vezes com a tecla esquerda do mouse. Cada trecho da foto ganha foco, mesmo o que estão no fundo. Há diversas fotos para essa demonstração.

A tecnologia de campo de luz também pode ser utilizada em fotos tridimensionais. Nesse caso, o processo funciona de forma semelhante, com as informações completas do campo de luz, que podem ser manipuladas por software, de modo como uma cena deve aparecer como se tivesse sido fotografada por duas câmeras. Aliás, é dessa forma que são feitas as fotos 3D, com informação para o olho esquerdo e para o olho direito. Os algoritmos separam a luz de cada olho, do lado esquerdo e do direito da câmera, para criar o efeito 3D. E melhor ainda: a câmera de campo de luz consegue aprimorar a qualidade das fotos tridimensionais.

A evolução desde 1839

A evolução da tecnologia de fotografia tinha até agora, em resumo, duas grandes etapas: a analógica e a digital. Agora, ganha, talvez, uma terceira: a foto baseada em campo de luz. As primeiras fotos baseadas em sais de prata – ou seja, em processo fotoquímico – foram feitas simultaneamente na França e na Inglaterra, em 1839. Do lado francês, Louis Daguerre descobriu o processo em 1835, mas só registrou em 1839, no mesmo ano em que o inglês William Henry Fox Talbot também requeria a patente da invenção da foto com negativo, em placas de vidro. Em 1884, George Eastman inventa o negativo flexível, com filmes de celuloide.

No século 20, nascem as fotos em cores pelos processos Agfacolor e Kodachrome, ambos nos anos 1930. Virão depois, o Kodacolor e o Ektachrome, logo após a Segunda Guerra Mundial. Em 1938, Edwin Land inventa o Poloroid, um processo de positivo direto, em preto e branco e, em 1962, o mesmo processo em cores.

A foto digital é fruto do desenvolvimento do computador e surge nos anos 1980, inicialmente com as primeiras câmeras Mavica, da Sony, ainda com baixa resolução, inferior a 0,5 megapixel. De lá para cá, a evolução tem sido extraordinária, a ponto de sepultar praticamente a foto analógica, baseada em processos fotoquímicos.

Agora, com a câmera Lytro, um novo salto da fotografia digital, na forma de captação da luz.

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A revolução dos portáteis

20 de janeiro de 2012 | 18h34

Ethevaldo Siqueira

Uma nova safra de equipamentos portáteis está chegando ao mercado. São novos ultrabooks, tablets e smartphones. Você vai se surpreender com os avanços desses dispositivos, a começar do ultrabook, um dos maiores sucessos do Consumer Electronics Show (CES 2012), realizado em Las Vegas, há duas semanas.

Tudo indica que 2012 será o ano do ultrabook. Para  reforçar essa previsão, é bom lembrar que serão lançados 70 modelos diferentes de ultrabooks nos próximos meses, em todo o mundo. Por isso, não duvido que esse computador se transforme até numa espécie de sonho de consumo de tecnologia pessoal. Uma dream machine.

Sua chegada ao mercado brasileiro deverá ocorrer daqui a três meses. Embora ainda seja um conceito recente de computador portátil, o ultrabook veio para ficar. Por isso, sugiro que você esqueça três nomes do passado: notebook, laptop e netbook. Pense daqui para frente em ultrabook. Como é fácil de concluir, ele se inspirou no conceito, na elegância e no sucesso do Macbook Air, da Apple, criado por Steve Jobs e lançado em 2008. Sua expansão mundial agora resulta de uma iniciativa da Intel, que lançou o Projeto Ultrabook há poucos meses e obteve a adesão de mais de uma dúzia de indústrias de todo o mundo.

Oito exigências

Para um computador ser ultrabook, não basta ser fininho. Ele deve ser  ultraleve, ultrafino e ultrarrápido. E mais: seus fabricantes prometem que ele terá vida útil ultralonga. Para dar maior uniformidade ao conceito, o Projeto Ultrabook da Intel sugere que essa máquina tenha, pelo menos, oito características básicas.

São elas: 1) espessura máxima de 19,3 milímetros ou 0,8 de polegada; 2) muito mais durável e mais compacto; 3) utilizar microprocessador avançado, multinúcleo, de baixo consumo de energia; 4) preço sugerido para o consumidor não superior US$ 1.000; 5) armazenamento de dados em memória flash, ou seja, com tecnologia de estado sólido (SSD-solid state drive); 6) inicialização rápida; 7) religação instantânea ao sair de hibernação; 8) garantia de, no mínimo, 5 horas de autonomia da bateria, sem necessidade de recarga.

Muitas opções

Muitas indústrias de renome em todo o mundo aderiram ao projeto e já estão fabricando seus próprios modelos de ultrabooks. Até 2013, serão cerca de 120 produtos dessa geração no mercado. Entre os primeiros, estão o Sony Vaio Z; o Asus Zenbook UX 21; o Acer Aspire S3; o Toshiba Portégé Z 830; o Dell XPS 14Z; Lenovo Ideapad U300S; Samsung Series 9; e HP Envy 14 Spectre.

O melhor desempenho dessas novas máquinas é assegurado, acima de tudo, pelos superchips mais recentes da Intel, da Qualcomm, da IBM, da Texas, da ARM, bem como microprocessadores já famosos, como o Fusion da AMD e o Tegra 3 da Nvidia. Vale lembrar que a AMD anunciou no CES 2012 de Las Vegas seus planos para a produção do Trinity, um chip de baixíssimo consumo de energia, destinado a ultrabooks superfinos, cujo preço deverá ser no máximo de US$ 500. Como exemplo de economia de energia, o ultrabook Sony Vaio Z promete, com bateria auxiliar acoplada à máquina, autonomia de 15 horas de trabalho sem necessidade de recarga.

Raras vezes a indústria tomou iniciativa tão louvável como essa, atendendo a tantas aspirações dos usuários quantas são contempladas por essa nova geração de portáteis. Embora o limite superior de preços sugerido seja de US$ 1.000, é mais provável que a maioria dos ultrabooks custe entre US$ 500 e 700. Alguns, mais sofisticados, como o HP Envy 14 Spectre, custarão por volta de US$ 1.400.

Tablets vs. ultrabooks

É pouco provável que o ultrabook seja um competidor direto de tablets de sucesso como o iPad ou o Galaxy II. Até porque a Apple e a Samsung estarão lançando periodicamente versões mais avançadas. Reciprocamente, esses tablets não deverão inviabilizar a aceitação do ultrabook pelo mercado. É muito mais provável que ambos os dispositivos sejam complementares e tenham seu espaço próprio.

Pessoalmente, para quem tem suas dúvidas, aconselho que optem pelo portátil que melhor atenda às suas necessidades: seja o ultrabook, para quem gosta dos recursos de funcionalidade e usabilidade tradicionais dos computadores; seja o tablet, para aqueles que preferem a leveza e a versatilidade desses dispositivos.

O trio de gigantes

Com o recente lançamento do novo sistema operacional do Windows Phone, o mundo dos smartphones ganha mais um forte competidor para enfrentar o iOs da Apple e o Android do Google, os dois sistemas operacionais dominantes, que detêm hoje a fatia de 74% do mercado. Segundo o presidente do Google, Eric Schmidt, a cada dia são ativados 700 mil smartphones com o sistema operacional Android.

Para tornar a concorrência no mercado muito mais acirrada, especialmente com modelos como o Lumia 900, da Nokia, e o HTC Titan II, da taiwanesa HTC, esses novos smartphones baseados no sistema operacional Windows Phone têm recursos realmente muito atraentes e úteis.

O que o usuário busca, em resumo, é facilidade de uso e abundância de aplicativos. E isso é o que podem oferecer o Android, o iOS Apple e o Windows, os três sistemas operacionais que disputarão o mercado com maior possibilidade de sucesso.

Teremos uma boa guerra.

Líderes antecipam nosso futuro digital

19 de janeiro de 2012 | 11h01

Ethevaldo Siqueira

LAS VEGAS – O melhor de um evento como o Consumer Electronics Show (CES) 2012 – realizado de 10 a 13 de janeiro em Las Vegas – não está na exposição de novos produtos ou nas centenas de lançamentos, mas no grande debate que se realiza em paineis, mesas-redondas, que nos permitem conhecer a visão, ouvir e debater as opiniões e as previsões de líderes tão experientes quanto Steve Ballmer, da Microsoft. Ou Gary Schapiro, presidente da Associação Americana de Eletrônica de Consumo (CEA-Consumer Electronics Association). Ou Paul Otellini, da Intel. Ou Paul Jacobs, da Qualcomm. Ou Hans Vestberg, da Ericsson. Ou Alan Mulally, da Ford. Ou Dieter Zetsche, da Daimler AG Mercedes-Benz Cars. Ou Robert Kyncll, do YouTube.

Sintetizo a seguir algumas dessas opiniões dos líderes que mostram a face mais interessante do CES 2012.

Uma nova Microsoft?

Steve Ballmer fez este ano a última de suas apresentações como primeiro keynote speaker, na pré-estreia do evento, ou seja, na véspera de abertura do CES, como fazia Bill Gates ao longo de mais de 11 anos. Com sua melhor apresentação, Ballmer fez sua despedida neste CES 2012, e transmitiu uma visão entusiástica e otimista sobre o futuro da Microsoft, do sistema operacional Windows 8, dos novos PCs, dos ultrabooks e smartphones. A repercussão foi tão positiva que a revista da Bloomberg-Businessweek, em matéria de capa, com foto de Ballmer, e a manchete bem-humorada, apostando do fim das trapalhadas da Microsoft e de seu presidente: “No more Mr. Monkey Boy”.

Steve Ballmer (à direita) apresentou o novo Windows Phone

Tantas vezes alvo de piadas nos últimos cinco anos, a Microsoft tem tudo para voltar ao primeiro nível das disputas no mundo da eletrônica profissional e de entretenimento e, para quem gosta de números, é bom lembrar que, sob a liderança de Ballmer, a empresa triplicou seus lucros.

Quem supunha que o sistema operacional Windows Phone seria mais um desapontamento ficou surpreso com os recursos do novo sistema operacional para smartphones. Diversos especialistas que testaram o Windows Phone acreditam que esse sistema operacional tem tudo para estar entre os três primeiros sistemas operacionais – ao lado do iOS da Apple e o Android do Google. Entre o público usuário que visitou o pavilhão da Microsoft, a maioria esmagadora dos que conheceram os recursos fundamentais e principais aplicativos do Windows Phone ficou realmente admirada seu desempenho.

Produtos de entretenimento da Microsoft, como o Xbox 360, na avaliação de Steve Ballmer, cobrem segmentos cada dia mais importantes da vida jovem, como vídeo, games, música, relacionamento social, notícias, internet e apresenta recursos tão inovadores como o Kinect – baseado no reconhecimento de gestos.

Inovação e ambiente

Gary Shapiro, além de dono da festa há mais de 10 anos e como líder do maior evento mundial de eletrônica de entretenimento, tem sido uma espécie de evangelista da inovação e da sustentabilidade. Em sua palestra, como keynote speaker deste 2012 International CES, Shapiro ressaltou esses dois pontos fundamentais de sua pregação: de um lado, o papel da inovação no mundo atual, não apenas como alavanca do progresso econômico, mas, em especial, da superação da crise que afeta a maioria dos países industrializados; de outro lado, a necessidade de uma nova atitude diante dos desafios da sustentabilidade, resumida na expressão “eletrônica verde”

Nesses dois aspectos, aliás, Shapiro tem sido uma espécie de evangelista. “A inovação – diz ele – é o combustível do crescimento econômico no mundo atual, seja pela adição de novos serviços, competência e eficiência. Não pensem apenas nos empregos que a inovação possa eliminar em algumas áreas – como da tipografia, agentes de viagens e trabalhadores postais – mas considerem o que os milhões de empregos que a inovação está criando em outras áreas, com o blogueiros, os engenheiros eletrônicos e os profissionais de tecnologia da informação (TI). Considerem as agências de marketing, a cadeia de varejistas de todas as áreas, os restaurantes e outros negócios que dão seu apoio às companhias inovadoras.”

Sete bilhões de chipsets

Outro líder a focalizar o papel da inovação foi Paul Jacobs, presidente da Qualcomm, enfatizando a contribuição de sua empresa na área de microeletrônica e software destinado ao mundo das comunicações sem fio. Ressaltando especificamente o desafio das redes de quarta geração do celular (4G), Jacobs relembra que há praticamente em cada sistema de telefonia móvel do mundo alguma contribuição importante da Qualcomm: “Para dar-lhes uma ideia mais clara da escala de nossa indústria, nós já entregamos 7 bilhões de chipsets para o mundo, tanto para os telefones mais simples como para os mais sofisticados. Desse total, 1,5 milhão se destinam à 4G. A Qualcomm, aliás, é o maior fornecedor de dispositivos digitais de silício destinados à comunicação sem fio (wireless).”

Jacobs recordou que a Qualcomm está investindo anualmente mais de US$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, para manter sua posição de destaque e entregar ao mercado 1 milhão de chips por dia. Lembrou que a demanda mundial é das maiores, pois a China, embora esteja atingindo a marca impressionante de 1 bilhão de celulares em serviços, ainda poderá instalar mais 1,4 bilhão nos próximos três anos.

Ultrabook, sonho da Intel

Paul Otellini, presidente da Intel, dedicou a maior parte de sua apresentação como palestrante de destaque ou keynote speaker ao projeto que mais apaixona sua empresa: o ultrabook. Não se trata apenas de um laptop mais leve e mais fino. Em sua visão, o ultrabook vai incorporar todos os avanços de hardware e software de que necessitam os usuários: tela de toque ultrassensível, mais segurança, maior velocidade de processamento e menor consumo de energia. Tudo isso tem muito a ver com o avanço da nova geração de chips.

Um dos exemplos de ultrabooks exibidos na palestra de Otellini neste CES 2012 foi o XPS 13 Ultrabook, da Dell, apresentado por Jeff Clarke, vice-presidente global de operações. A surpresa maior na apresentação de Otellini foi o anúncio de parceria com a Motorola e com a Lenovo na área de smartphones. No caso desta empresa chinesa, está previsto o lançamento do smartphone K800, no segundo trimestre. O produto rodará o sistema operacional Android, terá câmera de 8 megapixels, vídeo de alta definição de 1080p e a autonomia de 8 horas de conversação.

A sociedade conectada

Em sua apresentação no CES 2012, CEO e presidente mundial da Ericsson, Hans Vestberg, enfatizou os desafios e os benefícios extraordinários da chamada sociedade conectada (a Networked Society), na qual cada ser humano e cada objeto estarão praticamente conectados em tempo real. Tudo isso vai transformar a indústria e a sociedade.

Na visão de Vestberg, “no futuro, estaremos conectados com tudo que nos traz benefícios”. E citou o fato de que 85% da humanidade já estar coberta pela comunicação. “Em três anos, essa cobertura poderá chegar a 90% dos seres humano” – previu.

 

Vestberg prevê uma nova sociedade interligada pelas comunicações em tempo real

Com o depoimento de outros especialistas, Vestberg mostrou ainda a transformação das corridas de Fórmula Um, com a contribuição das minúsculas câmeras e sensores, associados à comunicação sem fio. Em diversos países da África, milhares de refugiados políticos puderam ser localizados por suas famílias graças à disseminação global da telefonia celular.

“Quando uma pessoa conecta-se à rede, sua vida muda” – concluiu o presidente da Ericsson.

Revolução no automóvel

A eletrônica está revolucionando o automóvel do século 21. As palestras dos presidentes da Mercedes, da BMW e da Ford mostraram exatamente os denominadores comuns e as diferenças entre os caminhos seguidos por essas três grandes indústrias, na utilização de aplicativos, games, música, cinema e tudo o mais que um smartphone pode oferecer ao sistema de entretenimento do automóvel. É claro que o grande desafio é o potencial de dispersão da atenção do motorista, para que o interesse por qualquer tipo de entretenimento não provoque acidentes. Mas, considerando o lado positivo dessas tecnologias, é possível utilizá-las para prevenir acidentes, orientar motoristas, evitar que a cegueira causada pelo deslumbramento de um farol excessivamente luminoso impeça a leitura da sinalização de trânsito.

O grande desafio é reduzir o poder de dispersão da atenção causada pelos  equipamentos e dispositivos de entretenimento, a começar do celular. Para um dos especialistas da Ford, ninguém tem a ilusão de que possa impedir que as pessoas levem seus celulares para dentro dos carros: “O que temos que fazer é que as pessoas aprendam a fazer uso de seus celulares da forma mais segura possível” – diz Paul Mascareñas, diretor de tecnologia (CTO-Chief Technology Officer), da empresa.

Em sua apresentação no CES, o presidente da Daimler AG Mercedes-Benz, Dieter Zetsche, disse com senso de humor, que “se você está entalado num congestionamento ou dirigindo em linha reta por centenas de milhas numa estrada perdida entre Nebraska ou Montana, o melhor mesmo seria ler um livro. Mas isso não é o que a maioria das pessoas gostariam de fazer.”

É nessa hora que o celular pode ter um papel muito mais positivo porque permite o acesso a coisas tão importantes quanto a navegação via satélite, a música e a informação local. Nessa linha de raciocínio, o diretor de eletro-eletrônica da Ford, James Buczkowski, observa: “É mais barato tanto para o consumidor quanto para nós, da Ford. Nós não temos que construir esses sistemas de comunicação e entretenimento. Temos apenas que confiar em nossos parceiros.”

É claro que o automóvel já conta hoje com funções automáticas de segurança. Eles podem manter certa distância do carro da frene e fazer pequenas correções de direção para manter o veículo em sua faixa. Eles podem também ajustar automaticamente os faróis dianteiros. E muitas outras funções automáticas poderão ser acrescentados nos próximos anos.

CES 2012, o show de Las Vegas

13 de janeiro de 2012 | 23h31

Ethevaldo Siqueira

 LAS VEGAS – Nunca uma edição do Consumer Electronics Show, o maior evento mundial de eletrônica de consumo, foi tão rica de inovações, de criatividade e avanços quanto a deste ano. Ela marca a estreia dos televisores de LED orgânico (ou OLED) de grandes dimensões, lançados pelas duas coreanas arquirrivais, LG e Samsung. O que esta feira nos mostra, também, é que  2012 poderá ser considerado o ano dos ultrabooks, os computadores portáteis ultraleves, ultrafinos e ultrarrápidos que concorrerão com o MacBook Air, da Apple.

A linha dos portáteis foi a grande estrela deste CES 2012 porque trouxe, além dos ultrabooks, centenas de opções de novos tablets e smartphones com recursos cada vez mais amigáveis e úteis. Tanto no caso dos PCs e tablets como no dos smartphones essa revolução é devida aos recursos das novas gerações de chips avançados, muito mais velozes e que apresentam baixíssimo consumo de energia, lançados pela Intel, da Nvidia, ARM, Qualcomm e AMD, entre outros fabricantes.

A maioria dos grandes fabricantes – Lenovo, HP, Dell, Asus, Toshiba e Sony – tem suas versões de ultrabooks, com recursos sempre mais sofisticados, velocidade muito maior de processamento, telas de toque mais sensíveis, imagens de alta qualidade e baixo consumo de energia. Com isso, poderemos usar nossos ultrabooks por mais de 12 horas, sem necessidade de recarregar a bateria.

Num mercado altamente competitivo como o de telefones celulares, a Lenovo e a Motorola anunciaram que produzirão smartphones com chips Intel – empresa que, assim, ingressa no mundo da mobilidade com seus microprocessadores, ainda dominado pela ARM Holdings. O grande desafio nessa área é o baixo consumo de energia.

Super televisores

O CES 2012 também marca o lançamento da Ultra Definition (UD), com quatro (4K) e oito vezes (8K) o número de pixels da alta definição atual, a HDTV. É incrível a perfeição de detalhes dessas imagens desses televisores 4K, ou seja, com 2160 por 3840 pixels. Com essa definição, as imagens podem ser ampliadas até o tamanho de 8 metros de diagonal, sem que apareçam os pontos luminosos dos pixels.

Com a chegada dos televisores com tela de OLED de grandes dimensões, o mundo passará a contar com equipamentos realmente sofisticados a partir deste CES 2012. Nessa linha, Panasonic, LG, Samsung e Toshiba foram os fabricantes que mais surpreenderam, em especial com o lançamento de televisores de 55 polegadas. O primeiro impacto é o da qualidade das imagens de alta definição, que parece não ter limites, num show de beleza e nitidez, com as novas imagens de ultra definição. O contraste com o negro é o mais realista possível. Seu consumo de energia é menor ainda que o das telas de LCD.

Esses avanços, em especial a nova qualidade da TV, deverão ser responsáveis por um novo impulso nos sistemas de home theater, criando um verdadeiro cinema em casa, além de aplicações educacionais ou de entretenimento, como alternativa ao cinema digital.

Smart TV

Numa evolução iniciada a partir da TV digital na última década, as novidades se multiplicam com uma rapidez na área de televisores. O melhor exemplo é da Smart TV, em particular no caso da TV conectada, que está cada dia mais completa e sofisticada. Estamos diante da fusão total da TV com a internet. Tudo aí depende da disponibilidade de internet de banda larga.

Mesmo sem abandonar a tecnologia Neo Plasma, a Panasonic lançou no CES 2012 seus primeiros televisores de LCD de grandes dimensões e óculos passivos para a TV tridimensional (3D) – adotando tecnologia semelhante à da LG (Cinema 3D).

Na sua série ET5, a Panasonic está lançando 15 televisores de LCD 1080p, sendo 13 deles com iluminação de fundo em LED e  sete deles com capacidade para imagens 3D. Para provar que ainda aposta na tecnologia de plasma, a empresa está lançando para o ano de 2012, mais 17 modelos, sendo 16 para imagens 3D.

A LG anunciou no CES 2012 dois televisores especiais. Um de 55 polegadas LCoS (sigla de Liquid Crystal over Silicon), com ultra definição (UD) e outro televisor ainda maior, com 85 polegadas, 240 Hz, LED, luz de fundo, com resoluções de 2K e 4K. Ambos os modelos só deverão estar no mercado no final deste ano.

Aquilo que se esperava da Apple, foi lançado primeiro em Las Vegas pela Samsung: um televisor com comando de voz, tecnologia OLED, de 55 polegadas. O ponto alto dessa interface de voz é o uso do microfone e câmera que permite até o reconhecimento facial.

Recorde

Mesmo com a crise econômica que afeta a maioria dos países desenvolvidos, esta feira de Las Vegas bateu todos os recordes e superou todas as demais, em área total, em inovações, em número de expositores e de visitantes, até porque este ano, pela primeira vez, incorporou a maior exposição de fotografia dos Estados Unidos, a PMA – sigla de Photo Marketing Association.

O que mais impressiona nos lançamentos na área de fotografia são as câmeras digitais compactas, já apelidadas de pequenas notáveis, porque oferecem recursos realmente avançados, como a filmagem em vídeo de alta definição e o foco automático até para as fotos e filmagens em alta velocidade em ambientes com pouca luminosidade ou na obscuridade total.

Paulo Bernardo decepciona

6 de janeiro de 2012 | 17h49

Ethevaldo Siqueira

Há exatamente um ano, manifestávamos nossa esperança no que poderia ser o desempenho de Paulo Bernardo, como novo titular do Ministério das Comunicações (Minicom). Agora, um ano depois, lamentamos dizer que seu trabalho ficou muito aquém do que poderia ter sido.

Examinemos sua contribuição em cada um dos segmentos prioritários das Comunicações. Ei-los:

1.   Resgatar o papel do Minicom

O ministro sabe que entre as grandes prioridades do setor estão o novo marco regulatório institucional, o compartilhamento da infraestrutura de banda larga (unbundling) e a universalização dos acessos de alta velocidade. Paulo Bernardo, no entanto, não mostrou nenhum interesse em aprofundar esses temas prioritários.

2.   Preparação da Lei Geral das Comunicações

Nada foi feito ao longo de 2011 com relação à maior das prioridades no setor, a Lei Geral de Comunicações. Como novo marco regulatório, essa lei deverá abranger todas as formas de comunicação (telefonia, radiodifusão, correios, TV por assinatura, internet e outras), sob o guarda-chuva de uma única agência reguladora.

3.   Tirar as rádios e TVs das mãos de políticos.

Logo após tomar posse, o ministro nos deu a esperança de que iria fazer uma das coisas que o Brasil espera há décadas de sua área: moralizar as concessões de rádio e TV. Mas não moveu uma palha para mudar a situação absurda e ilegal de um terço de todas as concessões e autorizações nessa área, hoje nas mãos de senadores, deputados, governadores, prefeitos ou de seus parentes ou laranjas. São cerca de 1.200 emissoras de rádio e 150 de TV.

4.   Telebrás: ou funciona ou fecha

Especialistas independentes fazem hoje duas perguntas: “Será que vale a pena manter uma estatal comprovadamente inoperante, lenta, com orçamento ridículo, na área da banda larga? Ou será que a finalidade única de sua existência é mesmo dar emprego a amigos do governo e de seu principal partido?”

5.   Combater rigorosamente a corrupção

Os Correios parecem ter eliminado a corrupção. O grande problema em 2011 foi a estranha e irredutível recusa do ministro em anular uma licitação suspeita da Telebrás, cheia de irregularidades e indícios veementes de superfaturamento da ordem R$ 120 milhões, comprovados por peritos do Tribunal de Contas da União (TCU).

Mesmo contrariando a manifestação candente do representante do Ministério Público, Lucas Furtado, feita no TCU e no Congresso, o ministro preferiu fechar os olhos às denúncias e adotar a fórmula heterodoxa e polêmica, sugerida pelo Tribunal, para que a Telebrás “renegociasse” os preços com os fornecedores.

A ética manda que toda licitação suspeita e viciada seja anulada, em defesa do dinheiro público, que pertence a todos nós, 190 milhões de brasileiros. Se a Telebrás ou o Minicom anulassem a licitação viciada e fizessem uma nova licitação, com todo rigor, o País economizaria no mínimo R$ 150 milhões.

6.   Fortalecimento da Anatel

Um dos caminhos para a modernização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) seria contar com um orçamento condigno, com os recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) que, por lei, lhe pertencem. Em lugar disso, o governo Dilma Rousseff – como seus antecessores, Lula e FHC – corta o orçamento da agência e ainda confisca cerca de R$ 2 bilhões por ano do Fistel.

A Anatel precisa de equipamentos avançados e mais especialistas capazes de fiscalizar com rigor as operadoras de telecomunicações, as emissoras de rádio e TV, para coibir a ação das emissoras piratas e exigir mais qualidade dos serviços.

Enfraquecer as agências é suicídio político, pois elas são órgãos de Estado essenciais para o efetivo cumprimento da lei e o aprimoramento das políticas públicas. E pior: de nada adiantará criticar as teles e operadoras de outros serviços se o governo retira sistematicamente das agências os meios para que elas fiscalizem seriamente o setor.

7.   Maiores tributos do mundo

Nenhum outro país, exceto a Turquia, cobra impostos tão elevados sobre serviços de telecomunicações como o Brasil. São escandalosos 43%. Pense, leitor, no que significou isso ao longo dos últimos 11 anos, quando os governos estaduais e a União arrecadaram mais de R$ 380 bilhões de tributos de nossas contas telefônicas. Esses R$ 380 bilhões saídos de nossos bolsos equivalem a quase dez vezes o lucro líquido total das operadoras no mesmo período.

Além da cobrança de impostos tão elevados, o governo federal (desde FHC e Lula) vêm confiscando a quase totalidade dos três fundos setoriais: o Fistel, acima mencionado, o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e o Fundo de Tecnologia das Telecomunicações (Funttel). Em 11 anos, o valor acumulado desse assalto chega a R$ 35 bilhões.

Imagine, leitor, se o País tivesse aplicado apenas esses R$ 35 bilhões das telecomunicações em um projeto de universalização da banda larga.

Assim, depois de um ano de gestão de Paulo Bernardo à frente do Ministério das Comunicações, nossa conclusão só pode ser uma: o ministro decepcionou todos aqueles que, como eu, esperávamos alguma coisa bem melhor dele.

Chegou a internet das coisas

30 de dezembro de 2011 | 18h36

Ethevaldo Siqueira

Os sensores estão invadindo a vida humana. Eles chegam de forma quase imperceptível e ocupam todos os espaços. Sua presença na vida humana tende a crescer de forma exponencial e, por volta de 2020, nossa dependência desses dispositivos de identificação e de comunicação será quase total. Eles serão centenas de milhões, espalhados por todos os lados, embutidos nas paredes, nas portas, nos semáforos, nos prédios, nos móveis, nos aparelhos domésticos, em roupas, sapatos e até em escovas de dentes.

Eles serão ao mesmo tempo nossos anjos da guarda e espiões. De um lado, nos darão, sim, uma sensação de maior segurança. De outro, entretanto, talvez possam violar nossa privacidade, ao colher e transmitir dados sobre tudo que existe à nossa volta, inclusive sobre nós mesmos.

É claro que os sensores terão muito mais funções relevantes e essenciais em nosso cotidiano, como  a proteção do meio ambiente, a vigilância das ruas, a supervisão dos espaços públicos e privados, a racionalização do consumo de energia e o monitoramento de pacientes em hospitais e em residências.

Nossos conhecidos

Diversos tipos de sensores já são nossos conhecidos, entre os quais, os dispositivos de identificação por radiofrequência (RFIDs, de Radiofrequency Identification Devices), usados nos pedágios de muitas estradas, como os do tipo Sem Parar. Com eles, a cancela é acionada automaticamente após a leitura dos dados de cada veículo.

Outros sensores populares são aqueles utilizados no controle de iluminação de nossa casa: eles detectam os raios infravermelhos emitidos pelo corpo humano e acendem as lâmpadas ou ligam o ar condicionado de um quarto ou sala só quando há pessoas nesses ambientes.

Com esses sensores, economiza-se energia e evita-se o desperdício em casas, prédios e locais em que comumente as lâmpadas ficam acesas centenas de horas por mês sem a menor necessidade. Esses mesmos sensores já estão sendo utilizados em sistemas de segurança, porque detectam luz, movimento e radiações.

O grande sucesso, nos últimos tempos, entretanto, é dos sistemas de chips microeletromecânicos, conhecidos pela sigla MEMS (Microelectromechanical Systems), que combinam funções eletrônicas com funções mecânicas em escala de microscópica, quase nanométrica.

Na próxima semana, pela primeira vez na história do maior evento de eletrônica de entretenimento do mundo, o Consumer Electronics Show (CES), de Las Vegas, haverá uma seção inteiramente dedicada aos MEMS e suas aplicações individuais ou em redes de sensores sem fio (Wireless Sensor Networks).

Outra seção dessa feira de Las Vegas que deve atrair a atenção dos especialistas é a das novas gerações de chips multinúcleos, para processamento gráfico, produção de imagens tridimensionais (3D), comunicações móveis e projetos assistidos por computador (CAD, de Computer-Aided Design).

Esses microprocessadores avançados prometem revolucionar os equipamentos de tecnologia pessoal, tais como smartphones, laptops, tablets e desktops. Além dos recursos avançados de computação, eles economizam energia.

Internet das coisas

O desenvolvimento dos sensores viabiliza uma das formas mais admiráveis de internet do futuro: a internet das coisas. A ideia dessa nova web nasceu no MIT Auto-ID Laboratory, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e ganhou o nome de Internet of Things (IoT), partindo de um objetivo bem simples: criar um sistema global de registro de bens, utilizando um código de produto eletrônico (Electronic Product Code), como sistema de numeração.

A boa notícia é que os dispositivos essenciais para viabilizar o conceito de internet das coisas já estão prontos e disponíveis no mundo da tecnologia microeletrônica. São, acima de tudo, os sensores dedicados, os identificadores RFIDs e as redes de sensores sem fio.

Quando cada coisa ou objeto pode ter sua identidade e seu endereço, tudo fica mais fácil e prático para que ele seja tratado virtualmente na internet. Assim, os sensores nos permitirão localizar cada objeto, saber seu conteúdo, ordená-lo, classificá-lo ou manipulá-lo.

O exemplo mais banal é o da geladeira que nos avisa de tudo que está no fim ou vai faltar. A internet das coisas já se torna particularmente útil para muitas pessoas e instituições que dispõem de grandes bibliotecas com milhares de livros ou discotecas com elevado número de CDs, DVDs ou Blu-rays. Com a nova web, localizaremos instantaneamente cada peça, obra, autor, editora ou intérprete, editora, orquestra, data de gravação ou edição, preço, história e tudo o mais.

Entre suas muitas aplicações, a internet das coisas poderá ser utilizada nos sistemas de controle automático dos semáforos e de controle de trânsito. Ou nas empresas de transporte coletivo, informando aos passageiros o horário exato em que cada ônibus ou trem vai passar pelos pontos de parada. Ou ainda equilibrar a oferta de veículos em função da demanda de cada horário.

O papel da internet das coisas poderá ser revolucionário ainda nos supermercados, nos sistemas de distribuição postal, nos almoxarifados e estoques de milhões de peças e componentes.

Com essa nova web, a ordem poderá, finalmente, triunfar sobre o caos.

A família não educa mais

23 de dezembro de 2011 | 21h01

Ethevaldo Siqueira

Não é só a educação formal das escolas que naufragou, no Brasil e no mundo, leitor. Mas, principalmente, a educação ministrada no lar, pela família. Por isso, o conselho que mais tenho dado a meus amigos é bem simples: deem mais atenção a seus filhos.

Desculpe-me, leitor, se você pertence à minoria que realmente participa da vida de seus filhos, que dá todo apoio que eles precisam na infância e na adolescência. Parabéns, se já faz tudo isso. Mesmo assim, convido-o a juntar-se aos que sonham em mudar o mundo pela educação.

Seu filho talvez passe muitas horas, sozinho no quarto, todos os dias, diante do computador, jogando todos os tipos de videogames, surfando na web e visitando sites cujo conteúdo você simplesmente ignora. É possível até que, em sua ingenuidade, ele tenha feito novas amizades – com outros garotos inteligentes ou com adultos pedófilos.

Um amigo, pai desligado da vida de seu filho, me disse outro dia, com orgulho, que dá ao garoto “plena liberdade para escolher tudo que um dia deverá ser ou fazer na vida”. Será isso liberdade ou abandono?

Sei que esse amigo é um exemplo de trabalho, de honestidade e de dedicação à família. Disse-lhe que tudo isso é importante, mas insuficiente. Ao final, aconselhei-o a dar mais atenção ao filho. Ele reagiu mal.

Geração Digital

A questão básica é esta: a Geração Digital, também chamada Geração Y, é muito diferente da nossa. A vida urbana e o confinamento em apartamentos moldaram nos últimos anos meninos muito diferentes daqueles que fomos, na metade do século passado. A questão, entretanto, não é ter pena deles. Mas ajudá-los a resgatar as coisas belas da vida.

Comparo a vida deles com a minha, nos anos 1940 ou 1950. A maioria dos adolescentes de hoje nunca viu uma vaca de perto nem tomou leite no curral às cinco horas da manhã. Nunca jogou bola na rua. Nunca subiu numa jabuticabeira carregada de frutos maduros. Nunca pescou lambaris. Nunca nadou em rios de águas limpas. Nunca montou em bezerro ou em burro xucro. Talvez ignore até os nomes de pássaros brasileiros, como sabiá, rolinha, fogo-apagou, anu, sanhaço, tiziu, maritacas, inhambu ou codorna.

Os meninos da Geração Y não têm método para nada. Fazem tudo, atabalhoadamente. Usam todos os dispositivos eletrônicos ao mesmo tempo: a TV, o computador, o tablet, o smartphone, o videogame, o celular. Leem uma montanha de fragmentos, sem reflexão. Maltratam e torturam a língua portuguesa. Escrevem de forma estropiada. É claro que, eventualmente, eles são capazes de se concentrar numa tarefa mais apaixonante, de interesse imediato. Mas são, por definição, dispersivos.

Nascidos quando a internet decolava, por volta de 1990, os garotos da Geração Y têm toda a facilidade para lidar com a parafernália digital e com os dispositivos móveis da tecnologia pessoal. Mas precisam de nosso apoio, de nossos cuidados e de nova educação.

Que fazer

Aproveite as férias para aproximar-se mais de seu filho, para construir uma nova relação com ele, meu amgio. Se notar que o garoto está exposto a riscos e perigos, não se escandalize nem reaja de forma autoritária ou radical. Nada de repressão policialesca, de gritos, de sermões infindáveis nem de ameaças. Dialogue com serenidade, ensine-lhe tudo que ele precisa saber sobre tecnologias digitais. Se você não sabe, estude, aprenda, junto com ele. Atualize-se nessa área.

Mostre-lhe o que a internet tem de melhor e como encontrar seus tesouros escondidos. Convença-o de que a web também pode transformar nossa vida em verdadeiro inferno, com seu lixo e suas armadilhas. Ensine seu filho a evitar tudo isso. Dê-lhe senso crítico e não o transforme num incauto deslumbrado pela tecnologia.

Ensine-o a pesquisar, a concentrar-se em uma única tarefa, a refletir, a descobrir a beleza da leitura, da poesia, da música, das artes em geral, do esporte, do contato com a natureza. Se não cuidar dele, há muitos delinquentes à espreita, que cuidarão. E aí nada adiantará exclamar, cheio de mágoa: “Onde foi que eu errei?”

Os analógicos

Se você nasceu há mais 50 anos, lembre-se que seu mundo era totalmente analógico, povoado de telefones fixos, pretos e eletromecânicos. De rádios e TVs a válvulas. De filmes fotográficos de rolo, de discos de vinil e de vitrolões.

Se você tem entre 30 e 50 anos, talvez tenha vivido com grande interesse a transição entre o mundo analógico e o digital, quando surgiam os primeiros PCs, CDs e videocassetes, no começo dos anos 1980 até a metade dos 1990. Conheço bem meus contemporâneos e percebo a dificuldade que a maioria deles tem em lidar com desktops, smartphones, iPods e tablets. Outros, já avós, tentam com humildade aprender com os filhos ou netos.

Felizmente, sou uma exceção. Se não tivesse acompanhado de perto as transformações da tecnologia, eu também tremeria diante de um teclado. Para mim, o mais importante foi adquirir experiência e acompanhar tantas mudanças tecnológicas ao longo da vida.

Cabe-me, agora, estimular pais e educadores a desarmar a bomba-relógio que poderá, sim, explodir em sua casa, mais adiante, se não ensinarmos todos os dias os garotos e adolescentes a administrar os desafios crescentes do mundo em que vivemos.

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