12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Parafusos espanados

José Paulo Kupfer

Parafusos espanados

O rombo e o marisco

Celso Ming

O rombo e o marisco

Ethevaldo Siqueira
Filtro
Tamanho de texto: A A A A

Ethevaldo Siqueira

BUSCA NO BLOG >>

A revolução dos portáteis

20 de janeiro de 2012 | 18h34

Ethevaldo Siqueira

Uma nova safra de equipamentos portáteis está chegando ao mercado. São novos ultrabooks, tablets e smartphones. Você vai se surpreender com os avanços desses dispositivos, a começar do ultrabook, um dos maiores sucessos do Consumer Electronics Show (CES 2012), realizado em Las Vegas, há duas semanas.

Tudo indica que 2012 será o ano do ultrabook. Para  reforçar essa previsão, é bom lembrar que serão lançados 70 modelos diferentes de ultrabooks nos próximos meses, em todo o mundo. Por isso, não duvido que esse computador se transforme até numa espécie de sonho de consumo de tecnologia pessoal. Uma dream machine.

Sua chegada ao mercado brasileiro deverá ocorrer daqui a três meses. Embora ainda seja um conceito recente de computador portátil, o ultrabook veio para ficar. Por isso, sugiro que você esqueça três nomes do passado: notebook, laptop e netbook. Pense daqui para frente em ultrabook. Como é fácil de concluir, ele se inspirou no conceito, na elegância e no sucesso do Macbook Air, da Apple, criado por Steve Jobs e lançado em 2008. Sua expansão mundial agora resulta de uma iniciativa da Intel, que lançou o Projeto Ultrabook há poucos meses e obteve a adesão de mais de uma dúzia de indústrias de todo o mundo.

Oito exigências

Para um computador ser ultrabook, não basta ser fininho. Ele deve ser  ultraleve, ultrafino e ultrarrápido. E mais: seus fabricantes prometem que ele terá vida útil ultralonga. Para dar maior uniformidade ao conceito, o Projeto Ultrabook da Intel sugere que essa máquina tenha, pelo menos, oito características básicas.

São elas: 1) espessura máxima de 19,3 milímetros ou 0,8 de polegada; 2) muito mais durável e mais compacto; 3) utilizar microprocessador avançado, multinúcleo, de baixo consumo de energia; 4) preço sugerido para o consumidor não superior US$ 1.000; 5) armazenamento de dados em memória flash, ou seja, com tecnologia de estado sólido (SSD-solid state drive); 6) inicialização rápida; 7) religação instantânea ao sair de hibernação; 8) garantia de, no mínimo, 5 horas de autonomia da bateria, sem necessidade de recarga.

Muitas opções

Muitas indústrias de renome em todo o mundo aderiram ao projeto e já estão fabricando seus próprios modelos de ultrabooks. Até 2013, serão cerca de 120 produtos dessa geração no mercado. Entre os primeiros, estão o Sony Vaio Z; o Asus Zenbook UX 21; o Acer Aspire S3; o Toshiba Portégé Z 830; o Dell XPS 14Z; Lenovo Ideapad U300S; Samsung Series 9; e HP Envy 14 Spectre.

O melhor desempenho dessas novas máquinas é assegurado, acima de tudo, pelos superchips mais recentes da Intel, da Qualcomm, da IBM, da Texas, da ARM, bem como microprocessadores já famosos, como o Fusion da AMD e o Tegra 3 da Nvidia. Vale lembrar que a AMD anunciou no CES 2012 de Las Vegas seus planos para a produção do Trinity, um chip de baixíssimo consumo de energia, destinado a ultrabooks superfinos, cujo preço deverá ser no máximo de US$ 500. Como exemplo de economia de energia, o ultrabook Sony Vaio Z promete, com bateria auxiliar acoplada à máquina, autonomia de 15 horas de trabalho sem necessidade de recarga.

Raras vezes a indústria tomou iniciativa tão louvável como essa, atendendo a tantas aspirações dos usuários quantas são contempladas por essa nova geração de portáteis. Embora o limite superior de preços sugerido seja de US$ 1.000, é mais provável que a maioria dos ultrabooks custe entre US$ 500 e 700. Alguns, mais sofisticados, como o HP Envy 14 Spectre, custarão por volta de US$ 1.400.

Tablets vs. ultrabooks

É pouco provável que o ultrabook seja um competidor direto de tablets de sucesso como o iPad ou o Galaxy II. Até porque a Apple e a Samsung estarão lançando periodicamente versões mais avançadas. Reciprocamente, esses tablets não deverão inviabilizar a aceitação do ultrabook pelo mercado. É muito mais provável que ambos os dispositivos sejam complementares e tenham seu espaço próprio.

Pessoalmente, para quem tem suas dúvidas, aconselho que optem pelo portátil que melhor atenda às suas necessidades: seja o ultrabook, para quem gosta dos recursos de funcionalidade e usabilidade tradicionais dos computadores; seja o tablet, para aqueles que preferem a leveza e a versatilidade desses dispositivos.

O trio de gigantes

Com o recente lançamento do novo sistema operacional do Windows Phone, o mundo dos smartphones ganha mais um forte competidor para enfrentar o iOs da Apple e o Android do Google, os dois sistemas operacionais dominantes, que detêm hoje a fatia de 74% do mercado. Segundo o presidente do Google, Eric Schmidt, a cada dia são ativados 700 mil smartphones com o sistema operacional Android.

Para tornar a concorrência no mercado muito mais acirrada, especialmente com modelos como o Lumia 900, da Nokia, e o HTC Titan II, da taiwanesa HTC, esses novos smartphones baseados no sistema operacional Windows Phone têm recursos realmente muito atraentes e úteis.

O que o usuário busca, em resumo, é facilidade de uso e abundância de aplicativos. E isso é o que podem oferecer o Android, o iOS Apple e o Windows, os três sistemas operacionais que disputarão o mercado com maior possibilidade de sucesso.

Teremos uma boa guerra.

Líderes antecipam nosso futuro digital

19 de janeiro de 2012 | 11h01

Ethevaldo Siqueira

LAS VEGAS – O melhor de um evento como o Consumer Electronics Show (CES) 2012 – realizado de 10 a 13 de janeiro em Las Vegas – não está na exposição de novos produtos ou nas centenas de lançamentos, mas no grande debate que se realiza em paineis, mesas-redondas, que nos permitem conhecer a visão, ouvir e debater as opiniões e as previsões de líderes tão experientes quanto Steve Ballmer, da Microsoft. Ou Gary Schapiro, presidente da Associação Americana de Eletrônica de Consumo (CEA-Consumer Electronics Association). Ou Paul Otellini, da Intel. Ou Paul Jacobs, da Qualcomm. Ou Hans Vestberg, da Ericsson. Ou Alan Mulally, da Ford. Ou Dieter Zetsche, da Daimler AG Mercedes-Benz Cars. Ou Robert Kyncll, do YouTube.

Sintetizo a seguir algumas dessas opiniões dos líderes que mostram a face mais interessante do CES 2012.

Uma nova Microsoft?

Steve Ballmer fez este ano a última de suas apresentações como primeiro keynote speaker, na pré-estreia do evento, ou seja, na véspera de abertura do CES, como fazia Bill Gates ao longo de mais de 11 anos. Com sua melhor apresentação, Ballmer fez sua despedida neste CES 2012, e transmitiu uma visão entusiástica e otimista sobre o futuro da Microsoft, do sistema operacional Windows 8, dos novos PCs, dos ultrabooks e smartphones. A repercussão foi tão positiva que a revista da Bloomberg-Businessweek, em matéria de capa, com foto de Ballmer, e a manchete bem-humorada, apostando do fim das trapalhadas da Microsoft e de seu presidente: “No more Mr. Monkey Boy”.

Steve Ballmer (à direita) apresentou o novo Windows Phone

Tantas vezes alvo de piadas nos últimos cinco anos, a Microsoft tem tudo para voltar ao primeiro nível das disputas no mundo da eletrônica profissional e de entretenimento e, para quem gosta de números, é bom lembrar que, sob a liderança de Ballmer, a empresa triplicou seus lucros.

Quem supunha que o sistema operacional Windows Phone seria mais um desapontamento ficou surpreso com os recursos do novo sistema operacional para smartphones. Diversos especialistas que testaram o Windows Phone acreditam que esse sistema operacional tem tudo para estar entre os três primeiros sistemas operacionais – ao lado do iOS da Apple e o Android do Google. Entre o público usuário que visitou o pavilhão da Microsoft, a maioria esmagadora dos que conheceram os recursos fundamentais e principais aplicativos do Windows Phone ficou realmente admirada seu desempenho.

Produtos de entretenimento da Microsoft, como o Xbox 360, na avaliação de Steve Ballmer, cobrem segmentos cada dia mais importantes da vida jovem, como vídeo, games, música, relacionamento social, notícias, internet e apresenta recursos tão inovadores como o Kinect – baseado no reconhecimento de gestos.

Inovação e ambiente

Gary Shapiro, além de dono da festa há mais de 10 anos e como líder do maior evento mundial de eletrônica de entretenimento, tem sido uma espécie de evangelista da inovação e da sustentabilidade. Em sua palestra, como keynote speaker deste 2012 International CES, Shapiro ressaltou esses dois pontos fundamentais de sua pregação: de um lado, o papel da inovação no mundo atual, não apenas como alavanca do progresso econômico, mas, em especial, da superação da crise que afeta a maioria dos países industrializados; de outro lado, a necessidade de uma nova atitude diante dos desafios da sustentabilidade, resumida na expressão “eletrônica verde”

Nesses dois aspectos, aliás, Shapiro tem sido uma espécie de evangelista. “A inovação – diz ele – é o combustível do crescimento econômico no mundo atual, seja pela adição de novos serviços, competência e eficiência. Não pensem apenas nos empregos que a inovação possa eliminar em algumas áreas – como da tipografia, agentes de viagens e trabalhadores postais – mas considerem o que os milhões de empregos que a inovação está criando em outras áreas, com o blogueiros, os engenheiros eletrônicos e os profissionais de tecnologia da informação (TI). Considerem as agências de marketing, a cadeia de varejistas de todas as áreas, os restaurantes e outros negócios que dão seu apoio às companhias inovadoras.”

Sete bilhões de chipsets

Outro líder a focalizar o papel da inovação foi Paul Jacobs, presidente da Qualcomm, enfatizando a contribuição de sua empresa na área de microeletrônica e software destinado ao mundo das comunicações sem fio. Ressaltando especificamente o desafio das redes de quarta geração do celular (4G), Jacobs relembra que há praticamente em cada sistema de telefonia móvel do mundo alguma contribuição importante da Qualcomm: “Para dar-lhes uma ideia mais clara da escala de nossa indústria, nós já entregamos 7 bilhões de chipsets para o mundo, tanto para os telefones mais simples como para os mais sofisticados. Desse total, 1,5 milhão se destinam à 4G. A Qualcomm, aliás, é o maior fornecedor de dispositivos digitais de silício destinados à comunicação sem fio (wireless).”

Jacobs recordou que a Qualcomm está investindo anualmente mais de US$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, para manter sua posição de destaque e entregar ao mercado 1 milhão de chips por dia. Lembrou que a demanda mundial é das maiores, pois a China, embora esteja atingindo a marca impressionante de 1 bilhão de celulares em serviços, ainda poderá instalar mais 1,4 bilhão nos próximos três anos.

Ultrabook, sonho da Intel

Paul Otellini, presidente da Intel, dedicou a maior parte de sua apresentação como palestrante de destaque ou keynote speaker ao projeto que mais apaixona sua empresa: o ultrabook. Não se trata apenas de um laptop mais leve e mais fino. Em sua visão, o ultrabook vai incorporar todos os avanços de hardware e software de que necessitam os usuários: tela de toque ultrassensível, mais segurança, maior velocidade de processamento e menor consumo de energia. Tudo isso tem muito a ver com o avanço da nova geração de chips.

Um dos exemplos de ultrabooks exibidos na palestra de Otellini neste CES 2012 foi o XPS 13 Ultrabook, da Dell, apresentado por Jeff Clarke, vice-presidente global de operações. A surpresa maior na apresentação de Otellini foi o anúncio de parceria com a Motorola e com a Lenovo na área de smartphones. No caso desta empresa chinesa, está previsto o lançamento do smartphone K800, no segundo trimestre. O produto rodará o sistema operacional Android, terá câmera de 8 megapixels, vídeo de alta definição de 1080p e a autonomia de 8 horas de conversação.

A sociedade conectada

Em sua apresentação no CES 2012, CEO e presidente mundial da Ericsson, Hans Vestberg, enfatizou os desafios e os benefícios extraordinários da chamada sociedade conectada (a Networked Society), na qual cada ser humano e cada objeto estarão praticamente conectados em tempo real. Tudo isso vai transformar a indústria e a sociedade.

Na visão de Vestberg, “no futuro, estaremos conectados com tudo que nos traz benefícios”. E citou o fato de que 85% da humanidade já estar coberta pela comunicação. “Em três anos, essa cobertura poderá chegar a 90% dos seres humano” – previu.

 

Vestberg prevê uma nova sociedade interligada pelas comunicações em tempo real

Com o depoimento de outros especialistas, Vestberg mostrou ainda a transformação das corridas de Fórmula Um, com a contribuição das minúsculas câmeras e sensores, associados à comunicação sem fio. Em diversos países da África, milhares de refugiados políticos puderam ser localizados por suas famílias graças à disseminação global da telefonia celular.

“Quando uma pessoa conecta-se à rede, sua vida muda” – concluiu o presidente da Ericsson.

Revolução no automóvel

A eletrônica está revolucionando o automóvel do século 21. As palestras dos presidentes da Mercedes, da BMW e da Ford mostraram exatamente os denominadores comuns e as diferenças entre os caminhos seguidos por essas três grandes indústrias, na utilização de aplicativos, games, música, cinema e tudo o mais que um smartphone pode oferecer ao sistema de entretenimento do automóvel. É claro que o grande desafio é o potencial de dispersão da atenção do motorista, para que o interesse por qualquer tipo de entretenimento não provoque acidentes. Mas, considerando o lado positivo dessas tecnologias, é possível utilizá-las para prevenir acidentes, orientar motoristas, evitar que a cegueira causada pelo deslumbramento de um farol excessivamente luminoso impeça a leitura da sinalização de trânsito.

O grande desafio é reduzir o poder de dispersão da atenção causada pelos  equipamentos e dispositivos de entretenimento, a começar do celular. Para um dos especialistas da Ford, ninguém tem a ilusão de que possa impedir que as pessoas levem seus celulares para dentro dos carros: “O que temos que fazer é que as pessoas aprendam a fazer uso de seus celulares da forma mais segura possível” – diz Paul Mascareñas, diretor de tecnologia (CTO-Chief Technology Officer), da empresa.

Em sua apresentação no CES, o presidente da Daimler AG Mercedes-Benz, Dieter Zetsche, disse com senso de humor, que “se você está entalado num congestionamento ou dirigindo em linha reta por centenas de milhas numa estrada perdida entre Nebraska ou Montana, o melhor mesmo seria ler um livro. Mas isso não é o que a maioria das pessoas gostariam de fazer.”

É nessa hora que o celular pode ter um papel muito mais positivo porque permite o acesso a coisas tão importantes quanto a navegação via satélite, a música e a informação local. Nessa linha de raciocínio, o diretor de eletro-eletrônica da Ford, James Buczkowski, observa: “É mais barato tanto para o consumidor quanto para nós, da Ford. Nós não temos que construir esses sistemas de comunicação e entretenimento. Temos apenas que confiar em nossos parceiros.”

É claro que o automóvel já conta hoje com funções automáticas de segurança. Eles podem manter certa distância do carro da frene e fazer pequenas correções de direção para manter o veículo em sua faixa. Eles podem também ajustar automaticamente os faróis dianteiros. E muitas outras funções automáticas poderão ser acrescentados nos próximos anos.

CES 2012, o show de Las Vegas

13 de janeiro de 2012 | 23h31

Ethevaldo Siqueira

 LAS VEGAS – Nunca uma edição do Consumer Electronics Show, o maior evento mundial de eletrônica de consumo, foi tão rica de inovações, de criatividade e avanços quanto a deste ano. Ela marca a estreia dos televisores de LED orgânico (ou OLED) de grandes dimensões, lançados pelas duas coreanas arquirrivais, LG e Samsung. O que esta feira nos mostra, também, é que  2012 poderá ser considerado o ano dos ultrabooks, os computadores portáteis ultraleves, ultrafinos e ultrarrápidos que concorrerão com o MacBook Air, da Apple.

A linha dos portáteis foi a grande estrela deste CES 2012 porque trouxe, além dos ultrabooks, centenas de opções de novos tablets e smartphones com recursos cada vez mais amigáveis e úteis. Tanto no caso dos PCs e tablets como no dos smartphones essa revolução é devida aos recursos das novas gerações de chips avançados, muito mais velozes e que apresentam baixíssimo consumo de energia, lançados pela Intel, da Nvidia, ARM, Qualcomm e AMD, entre outros fabricantes.

A maioria dos grandes fabricantes – Lenovo, HP, Dell, Asus, Toshiba e Sony – tem suas versões de ultrabooks, com recursos sempre mais sofisticados, velocidade muito maior de processamento, telas de toque mais sensíveis, imagens de alta qualidade e baixo consumo de energia. Com isso, poderemos usar nossos ultrabooks por mais de 12 horas, sem necessidade de recarregar a bateria.

Num mercado altamente competitivo como o de telefones celulares, a Lenovo e a Motorola anunciaram que produzirão smartphones com chips Intel – empresa que, assim, ingressa no mundo da mobilidade com seus microprocessadores, ainda dominado pela ARM Holdings. O grande desafio nessa área é o baixo consumo de energia.

Super televisores

O CES 2012 também marca o lançamento da Ultra Definition (UD), com quatro (4K) e oito vezes (8K) o número de pixels da alta definição atual, a HDTV. É incrível a perfeição de detalhes dessas imagens desses televisores 4K, ou seja, com 2160 por 3840 pixels. Com essa definição, as imagens podem ser ampliadas até o tamanho de 8 metros de diagonal, sem que apareçam os pontos luminosos dos pixels.

Com a chegada dos televisores com tela de OLED de grandes dimensões, o mundo passará a contar com equipamentos realmente sofisticados a partir deste CES 2012. Nessa linha, Panasonic, LG, Samsung e Toshiba foram os fabricantes que mais surpreenderam, em especial com o lançamento de televisores de 55 polegadas. O primeiro impacto é o da qualidade das imagens de alta definição, que parece não ter limites, num show de beleza e nitidez, com as novas imagens de ultra definição. O contraste com o negro é o mais realista possível. Seu consumo de energia é menor ainda que o das telas de LCD.

Esses avanços, em especial a nova qualidade da TV, deverão ser responsáveis por um novo impulso nos sistemas de home theater, criando um verdadeiro cinema em casa, além de aplicações educacionais ou de entretenimento, como alternativa ao cinema digital.

Smart TV

Numa evolução iniciada a partir da TV digital na última década, as novidades se multiplicam com uma rapidez na área de televisores. O melhor exemplo é da Smart TV, em particular no caso da TV conectada, que está cada dia mais completa e sofisticada. Estamos diante da fusão total da TV com a internet. Tudo aí depende da disponibilidade de internet de banda larga.

Mesmo sem abandonar a tecnologia Neo Plasma, a Panasonic lançou no CES 2012 seus primeiros televisores de LCD de grandes dimensões e óculos passivos para a TV tridimensional (3D) – adotando tecnologia semelhante à da LG (Cinema 3D).

Na sua série ET5, a Panasonic está lançando 15 televisores de LCD 1080p, sendo 13 deles com iluminação de fundo em LED e  sete deles com capacidade para imagens 3D. Para provar que ainda aposta na tecnologia de plasma, a empresa está lançando para o ano de 2012, mais 17 modelos, sendo 16 para imagens 3D.

A LG anunciou no CES 2012 dois televisores especiais. Um de 55 polegadas LCoS (sigla de Liquid Crystal over Silicon), com ultra definição (UD) e outro televisor ainda maior, com 85 polegadas, 240 Hz, LED, luz de fundo, com resoluções de 2K e 4K. Ambos os modelos só deverão estar no mercado no final deste ano.

Aquilo que se esperava da Apple, foi lançado primeiro em Las Vegas pela Samsung: um televisor com comando de voz, tecnologia OLED, de 55 polegadas. O ponto alto dessa interface de voz é o uso do microfone e câmera que permite até o reconhecimento facial.

Recorde

Mesmo com a crise econômica que afeta a maioria dos países desenvolvidos, esta feira de Las Vegas bateu todos os recordes e superou todas as demais, em área total, em inovações, em número de expositores e de visitantes, até porque este ano, pela primeira vez, incorporou a maior exposição de fotografia dos Estados Unidos, a PMA – sigla de Photo Marketing Association.

O que mais impressiona nos lançamentos na área de fotografia são as câmeras digitais compactas, já apelidadas de pequenas notáveis, porque oferecem recursos realmente avançados, como a filmagem em vídeo de alta definição e o foco automático até para as fotos e filmagens em alta velocidade em ambientes com pouca luminosidade ou na obscuridade total.

Paulo Bernardo decepciona

6 de janeiro de 2012 | 17h49

Ethevaldo Siqueira

Há exatamente um ano, manifestávamos nossa esperança no que poderia ser o desempenho de Paulo Bernardo, como novo titular do Ministério das Comunicações (Minicom). Agora, um ano depois, lamentamos dizer que seu trabalho ficou muito aquém do que poderia ter sido.

Examinemos sua contribuição em cada um dos segmentos prioritários das Comunicações. Ei-los:

1.   Resgatar o papel do Minicom

O ministro sabe que entre as grandes prioridades do setor estão o novo marco regulatório institucional, o compartilhamento da infraestrutura de banda larga (unbundling) e a universalização dos acessos de alta velocidade. Paulo Bernardo, no entanto, não mostrou nenhum interesse em aprofundar esses temas prioritários.

2.   Preparação da Lei Geral das Comunicações

Nada foi feito ao longo de 2011 com relação à maior das prioridades no setor, a Lei Geral de Comunicações. Como novo marco regulatório, essa lei deverá abranger todas as formas de comunicação (telefonia, radiodifusão, correios, TV por assinatura, internet e outras), sob o guarda-chuva de uma única agência reguladora.

3.   Tirar as rádios e TVs das mãos de políticos.

Logo após tomar posse, o ministro nos deu a esperança de que iria fazer uma das coisas que o Brasil espera há décadas de sua área: moralizar as concessões de rádio e TV. Mas não moveu uma palha para mudar a situação absurda e ilegal de um terço de todas as concessões e autorizações nessa área, hoje nas mãos de senadores, deputados, governadores, prefeitos ou de seus parentes ou laranjas. São cerca de 1.200 emissoras de rádio e 150 de TV.

4.   Telebrás: ou funciona ou fecha

Especialistas independentes fazem hoje duas perguntas: “Será que vale a pena manter uma estatal comprovadamente inoperante, lenta, com orçamento ridículo, na área da banda larga? Ou será que a finalidade única de sua existência é mesmo dar emprego a amigos do governo e de seu principal partido?”

5.   Combater rigorosamente a corrupção

Os Correios parecem ter eliminado a corrupção. O grande problema em 2011 foi a estranha e irredutível recusa do ministro em anular uma licitação suspeita da Telebrás, cheia de irregularidades e indícios veementes de superfaturamento da ordem R$ 120 milhões, comprovados por peritos do Tribunal de Contas da União (TCU).

Mesmo contrariando a manifestação candente do representante do Ministério Público, Lucas Furtado, feita no TCU e no Congresso, o ministro preferiu fechar os olhos às denúncias e adotar a fórmula heterodoxa e polêmica, sugerida pelo Tribunal, para que a Telebrás “renegociasse” os preços com os fornecedores.

A ética manda que toda licitação suspeita e viciada seja anulada, em defesa do dinheiro público, que pertence a todos nós, 190 milhões de brasileiros. Se a Telebrás ou o Minicom anulassem a licitação viciada e fizessem uma nova licitação, com todo rigor, o País economizaria no mínimo R$ 150 milhões.

6.   Fortalecimento da Anatel

Um dos caminhos para a modernização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) seria contar com um orçamento condigno, com os recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) que, por lei, lhe pertencem. Em lugar disso, o governo Dilma Rousseff – como seus antecessores, Lula e FHC – corta o orçamento da agência e ainda confisca cerca de R$ 2 bilhões por ano do Fistel.

A Anatel precisa de equipamentos avançados e mais especialistas capazes de fiscalizar com rigor as operadoras de telecomunicações, as emissoras de rádio e TV, para coibir a ação das emissoras piratas e exigir mais qualidade dos serviços.

Enfraquecer as agências é suicídio político, pois elas são órgãos de Estado essenciais para o efetivo cumprimento da lei e o aprimoramento das políticas públicas. E pior: de nada adiantará criticar as teles e operadoras de outros serviços se o governo retira sistematicamente das agências os meios para que elas fiscalizem seriamente o setor.

7.   Maiores tributos do mundo

Nenhum outro país, exceto a Turquia, cobra impostos tão elevados sobre serviços de telecomunicações como o Brasil. São escandalosos 43%. Pense, leitor, no que significou isso ao longo dos últimos 11 anos, quando os governos estaduais e a União arrecadaram mais de R$ 380 bilhões de tributos de nossas contas telefônicas. Esses R$ 380 bilhões saídos de nossos bolsos equivalem a quase dez vezes o lucro líquido total das operadoras no mesmo período.

Além da cobrança de impostos tão elevados, o governo federal (desde FHC e Lula) vêm confiscando a quase totalidade dos três fundos setoriais: o Fistel, acima mencionado, o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e o Fundo de Tecnologia das Telecomunicações (Funttel). Em 11 anos, o valor acumulado desse assalto chega a R$ 35 bilhões.

Imagine, leitor, se o País tivesse aplicado apenas esses R$ 35 bilhões das telecomunicações em um projeto de universalização da banda larga.

Assim, depois de um ano de gestão de Paulo Bernardo à frente do Ministério das Comunicações, nossa conclusão só pode ser uma: o ministro decepcionou todos aqueles que, como eu, esperávamos alguma coisa bem melhor dele.

Chegou a internet das coisas

30 de dezembro de 2011 | 18h36

Ethevaldo Siqueira

Os sensores estão invadindo a vida humana. Eles chegam de forma quase imperceptível e ocupam todos os espaços. Sua presença na vida humana tende a crescer de forma exponencial e, por volta de 2020, nossa dependência desses dispositivos de identificação e de comunicação será quase total. Eles serão centenas de milhões, espalhados por todos os lados, embutidos nas paredes, nas portas, nos semáforos, nos prédios, nos móveis, nos aparelhos domésticos, em roupas, sapatos e até em escovas de dentes.

Eles serão ao mesmo tempo nossos anjos da guarda e espiões. De um lado, nos darão, sim, uma sensação de maior segurança. De outro, entretanto, talvez possam violar nossa privacidade, ao colher e transmitir dados sobre tudo que existe à nossa volta, inclusive sobre nós mesmos.

É claro que os sensores terão muito mais funções relevantes e essenciais em nosso cotidiano, como  a proteção do meio ambiente, a vigilância das ruas, a supervisão dos espaços públicos e privados, a racionalização do consumo de energia e o monitoramento de pacientes em hospitais e em residências.

Nossos conhecidos

Diversos tipos de sensores já são nossos conhecidos, entre os quais, os dispositivos de identificação por radiofrequência (RFIDs, de Radiofrequency Identification Devices), usados nos pedágios de muitas estradas, como os do tipo Sem Parar. Com eles, a cancela é acionada automaticamente após a leitura dos dados de cada veículo.

Outros sensores populares são aqueles utilizados no controle de iluminação de nossa casa: eles detectam os raios infravermelhos emitidos pelo corpo humano e acendem as lâmpadas ou ligam o ar condicionado de um quarto ou sala só quando há pessoas nesses ambientes.

Com esses sensores, economiza-se energia e evita-se o desperdício em casas, prédios e locais em que comumente as lâmpadas ficam acesas centenas de horas por mês sem a menor necessidade. Esses mesmos sensores já estão sendo utilizados em sistemas de segurança, porque detectam luz, movimento e radiações.

O grande sucesso, nos últimos tempos, entretanto, é dos sistemas de chips microeletromecânicos, conhecidos pela sigla MEMS (Microelectromechanical Systems), que combinam funções eletrônicas com funções mecânicas em escala de microscópica, quase nanométrica.

Na próxima semana, pela primeira vez na história do maior evento de eletrônica de entretenimento do mundo, o Consumer Electronics Show (CES), de Las Vegas, haverá uma seção inteiramente dedicada aos MEMS e suas aplicações individuais ou em redes de sensores sem fio (Wireless Sensor Networks).

Outra seção dessa feira de Las Vegas que deve atrair a atenção dos especialistas é a das novas gerações de chips multinúcleos, para processamento gráfico, produção de imagens tridimensionais (3D), comunicações móveis e projetos assistidos por computador (CAD, de Computer-Aided Design).

Esses microprocessadores avançados prometem revolucionar os equipamentos de tecnologia pessoal, tais como smartphones, laptops, tablets e desktops. Além dos recursos avançados de computação, eles economizam energia.

Internet das coisas

O desenvolvimento dos sensores viabiliza uma das formas mais admiráveis de internet do futuro: a internet das coisas. A ideia dessa nova web nasceu no MIT Auto-ID Laboratory, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e ganhou o nome de Internet of Things (IoT), partindo de um objetivo bem simples: criar um sistema global de registro de bens, utilizando um código de produto eletrônico (Electronic Product Code), como sistema de numeração.

A boa notícia é que os dispositivos essenciais para viabilizar o conceito de internet das coisas já estão prontos e disponíveis no mundo da tecnologia microeletrônica. São, acima de tudo, os sensores dedicados, os identificadores RFIDs e as redes de sensores sem fio.

Quando cada coisa ou objeto pode ter sua identidade e seu endereço, tudo fica mais fácil e prático para que ele seja tratado virtualmente na internet. Assim, os sensores nos permitirão localizar cada objeto, saber seu conteúdo, ordená-lo, classificá-lo ou manipulá-lo.

O exemplo mais banal é o da geladeira que nos avisa de tudo que está no fim ou vai faltar. A internet das coisas já se torna particularmente útil para muitas pessoas e instituições que dispõem de grandes bibliotecas com milhares de livros ou discotecas com elevado número de CDs, DVDs ou Blu-rays. Com a nova web, localizaremos instantaneamente cada peça, obra, autor, editora ou intérprete, editora, orquestra, data de gravação ou edição, preço, história e tudo o mais.

Entre suas muitas aplicações, a internet das coisas poderá ser utilizada nos sistemas de controle automático dos semáforos e de controle de trânsito. Ou nas empresas de transporte coletivo, informando aos passageiros o horário exato em que cada ônibus ou trem vai passar pelos pontos de parada. Ou ainda equilibrar a oferta de veículos em função da demanda de cada horário.

O papel da internet das coisas poderá ser revolucionário ainda nos supermercados, nos sistemas de distribuição postal, nos almoxarifados e estoques de milhões de peças e componentes.

Com essa nova web, a ordem poderá, finalmente, triunfar sobre o caos.

A família não educa mais

23 de dezembro de 2011 | 21h01

Ethevaldo Siqueira

Não é só a educação formal das escolas que naufragou, no Brasil e no mundo, leitor. Mas, principalmente, a educação ministrada no lar, pela família. Por isso, o conselho que mais tenho dado a meus amigos é bem simples: deem mais atenção a seus filhos.

Desculpe-me, leitor, se você pertence à minoria que realmente participa da vida de seus filhos, que dá todo apoio que eles precisam na infância e na adolescência. Parabéns, se já faz tudo isso. Mesmo assim, convido-o a juntar-se aos que sonham em mudar o mundo pela educação.

Seu filho talvez passe muitas horas, sozinho no quarto, todos os dias, diante do computador, jogando todos os tipos de videogames, surfando na web e visitando sites cujo conteúdo você simplesmente ignora. É possível até que, em sua ingenuidade, ele tenha feito novas amizades – com outros garotos inteligentes ou com adultos pedófilos.

Um amigo, pai desligado da vida de seu filho, me disse outro dia, com orgulho, que dá ao garoto “plena liberdade para escolher tudo que um dia deverá ser ou fazer na vida”. Será isso liberdade ou abandono?

Sei que esse amigo é um exemplo de trabalho, de honestidade e de dedicação à família. Disse-lhe que tudo isso é importante, mas insuficiente. Ao final, aconselhei-o a dar mais atenção ao filho. Ele reagiu mal.

Geração Digital

A questão básica é esta: a Geração Digital, também chamada Geração Y, é muito diferente da nossa. A vida urbana e o confinamento em apartamentos moldaram nos últimos anos meninos muito diferentes daqueles que fomos, na metade do século passado. A questão, entretanto, não é ter pena deles. Mas ajudá-los a resgatar as coisas belas da vida.

Comparo a vida deles com a minha, nos anos 1940 ou 1950. A maioria dos adolescentes de hoje nunca viu uma vaca de perto nem tomou leite no curral às cinco horas da manhã. Nunca jogou bola na rua. Nunca subiu numa jabuticabeira carregada de frutos maduros. Nunca pescou lambaris. Nunca nadou em rios de águas limpas. Nunca montou em bezerro ou em burro xucro. Talvez ignore até os nomes de pássaros brasileiros, como sabiá, rolinha, fogo-apagou, anu, sanhaço, tiziu, maritacas, inhambu ou codorna.

Os meninos da Geração Y não têm método para nada. Fazem tudo, atabalhoadamente. Usam todos os dispositivos eletrônicos ao mesmo tempo: a TV, o computador, o tablet, o smartphone, o videogame, o celular. Leem uma montanha de fragmentos, sem reflexão. Maltratam e torturam a língua portuguesa. Escrevem de forma estropiada. É claro que, eventualmente, eles são capazes de se concentrar numa tarefa mais apaixonante, de interesse imediato. Mas são, por definição, dispersivos.

Nascidos quando a internet decolava, por volta de 1990, os garotos da Geração Y têm toda a facilidade para lidar com a parafernália digital e com os dispositivos móveis da tecnologia pessoal. Mas precisam de nosso apoio, de nossos cuidados e de nova educação.

Que fazer

Aproveite as férias para aproximar-se mais de seu filho, para construir uma nova relação com ele, meu amgio. Se notar que o garoto está exposto a riscos e perigos, não se escandalize nem reaja de forma autoritária ou radical. Nada de repressão policialesca, de gritos, de sermões infindáveis nem de ameaças. Dialogue com serenidade, ensine-lhe tudo que ele precisa saber sobre tecnologias digitais. Se você não sabe, estude, aprenda, junto com ele. Atualize-se nessa área.

Mostre-lhe o que a internet tem de melhor e como encontrar seus tesouros escondidos. Convença-o de que a web também pode transformar nossa vida em verdadeiro inferno, com seu lixo e suas armadilhas. Ensine seu filho a evitar tudo isso. Dê-lhe senso crítico e não o transforme num incauto deslumbrado pela tecnologia.

Ensine-o a pesquisar, a concentrar-se em uma única tarefa, a refletir, a descobrir a beleza da leitura, da poesia, da música, das artes em geral, do esporte, do contato com a natureza. Se não cuidar dele, há muitos delinquentes à espreita, que cuidarão. E aí nada adiantará exclamar, cheio de mágoa: “Onde foi que eu errei?”

Os analógicos

Se você nasceu há mais 50 anos, lembre-se que seu mundo era totalmente analógico, povoado de telefones fixos, pretos e eletromecânicos. De rádios e TVs a válvulas. De filmes fotográficos de rolo, de discos de vinil e de vitrolões.

Se você tem entre 30 e 50 anos, talvez tenha vivido com grande interesse a transição entre o mundo analógico e o digital, quando surgiam os primeiros PCs, CDs e videocassetes, no começo dos anos 1980 até a metade dos 1990. Conheço bem meus contemporâneos e percebo a dificuldade que a maioria deles tem em lidar com desktops, smartphones, iPods e tablets. Outros, já avós, tentam com humildade aprender com os filhos ou netos.

Felizmente, sou uma exceção. Se não tivesse acompanhado de perto as transformações da tecnologia, eu também tremeria diante de um teclado. Para mim, o mais importante foi adquirir experiência e acompanhar tantas mudanças tecnológicas ao longo da vida.

Cabe-me, agora, estimular pais e educadores a desarmar a bomba-relógio que poderá, sim, explodir em sua casa, mais adiante, se não ensinarmos todos os dias os garotos e adolescentes a administrar os desafios crescentes do mundo em que vivemos.

Tópicos relacionados

Super PCs chegam em 2012

17 de dezembro de 2011 | 19h48

Ethevaldo Siqueira

Os novos PCs que serão lançados em 2012 nos reservam boas surpresas. Graças aos extraordinários avanços tecnológicos que serão incorporados aos desktops, laptops e ultrabooks nos próximos meses, o mercado assistirá a uma espécie de renascimento do PC. Serão, pelo menos, quatro saltos nessas máquinas: 1) telas de toque ultrassensíveis; 2) desempenho muito mais avançado; 3) economia de energia; 4) conexões USB 3.0 – que aumentam em 10 vezes a velocidade de transferência de dados em relação à geração atual, USB 2.0.

Comecemos pelas novas telas de toque. Assim como os tablets e smartphones, os novos laptops e desktops deverão incorporar progressivamente telas sensíveis ao toque (touchscreen) mais avançadas do que as atuais. A performance dos novos sistemas operacionais, como o Windows 8, talvez recomende telas mais sensíveis do que as atuais, em especial nos desktops e laptops.

Os progressos da microeletrônica têm sido tão grandes que alguns especialistas já dizem que o mundo está entrando na era dos superchips. Numa  definição relativamente simples, um superchip é um microprocessador típico, multinúcleo, de 32 nanômetros, também chamado de system-on-a-chip, que, além de sua performance extraordinária, economiza energia.

Os superchips

Graças às novas gerações de chips, já apelidados de superchips, todos os PCs e dispositivos portáteis – como smartphones, iPods e tablets – passarão por mudanças profundas, a começar de um desempenho muito melhor. Outra consequência positiva será a redução significativa do consumo de energia. Com isso, as baterias que hoje nos asseguram pouco mais de 4 horas de trabalho contínuo nos permitirão trabalhar até 10 ou 12 horas sem necessidade de recarregar.

Eis alguns exemplos de superchips hoje presentes no mercado: Tegra 3 (da Nvidia), Intel i7, Fusion da AMD, o Cell Chip da IBM, e outros microprocessadores avançados da Qualcomm, da ARM ou da Texas. Eles serão ideais para aplicações mais sofisticadas de geração de gráficos, de Projetos Apoiados em Computador (CAD, na sigla de Computer-Aided Design), de vídeo de alta definição (High Definition), imagens 3D, de áudio, aplicações de mobilidade e de segurança em telecomunicações.

Com a nova geração de chips, diversos modelos de smartphones a serem lançados em 2012 passarão a oferecer recursos avançados de imagem, entre as quais a recepção de TV em alta definição, bem como das imagens tridimensionais (3D).

Entre os diversos superchips que deverão ser lançados em 2012, os primeiros da geração de 22 nanômetros (nm) deverão ser os chips Intel Ivry Bridge, com transistores 3D Tri-Gate.

A nova conexão

Uma das melhores notícias para os usuários de PCs é a chegada das conexões USB (Universal Serial Bus) de terceira geração, prevista para o final do primeiro semestre. Elas acabam de obter a luz verde para se tornar padrão dos computadores Windows baseados em chips Intel em 2012. Um dos fóruns de implementadores do padrão USB anunciou na semana passada a conclusão do chipset da Série 7 Ivy Bridge e de outros compatíveis com a certificação USB 3.0 – o novo padrão de conexões ultra rápidas que deverá substituir as atuais conexões USB 2.0. Chipset é um conjunto de circuitos integrados cuja finalidade é executar uma ou mais funções relacionadas ao funcionamento do chip ou microprocessador principal. O novo chipset da Intel deverá chegar ao mercado entre abril e junho de 2012, nos primeiros PCs Windows que usarão o novo padrão de conexões USB 3.0.

O desempenho da nova geração SuperSpeed USB 3.0 permite a transferência do conteúdo de um disco Blu-ray (25 gigabytes), de vídeo de alta definição, em apenas 70 segundos, em lugar dos 14 minutos das atuais conexões USB 2.0. Há apenas 5 anos, as conexões USB 1.0 levavam 9h18min para transferir os mesmos 25 GB.

Além do chip Ivy Bridge da Intel, também deverão ser utilizados nos PCs Windows de 2012 os chips avançados da AMD (Advanced Micro Devices) e da NEC japonesa, entre outros.

Um dos fatos mais positivos é que a certificação das conexões SuperSpeed USB assegura a interoperabilidade ou compatibilidade retroativa com as gerações anteriores do chamado ecossistema USB, segundo explicou na semana passada um dos diretores do Grupo Soc IP do Chipset Intel.

Muitos especialistas, como Brian O’Rourke, diretor de pesquisa da empresa In-Stat, acreditam que a incorporação do padrão SuperSpeed USB 3.0 aos chipsets da Intel deverá torná-lo um padrão universal ele poderá ser oferecido virtualmente em qualquer PC. Mais do que isso, ele deverá ser usado em todos os periféricos de PCs, na eletrônica de entretenimento em geral e nos dispositivos móveis.

A Intel oferece também a alternativa da tecnologia de conexão de alta velocidade chamada Thunderbolt, já incorporada aos computadores MacBooks, mas que, talvez, não se torne tão utilizada em 2012 quanto as conexões USB 3.0.

Em paralelo com a nova geração de conexões, surgirão também conexões sem fio, já chamadas de Wireless USB, que interligarão notebooks ou caixas acústicas a velocidades de até 480 megabits por segundo (Mbps), a 3 metros de distância, que poderão transmitir todo o conteúdo de um jornal, como o Estadão de domingo, em apenas dez segundos.

Tópicos relacionados

Veteranos na universidade

9 de dezembro de 2011 | 22h41

Ethevaldo Siqueira

Algumas universidades aposentam compulsoriamente seus melhores professores, cientistas e pesquisadores que atingem 70 anos, ainda que eles estejam no auge de sua capacidade intelectual. Muitas empresas demitem alguns de seus melhores profissionais aos 65 anos ou pouco mais, mesmo que eles sejam competentes e acumulem uma experiência única, simplesmente porque eles atingiram a idade-limite fixada em regulamentos obsoletos. Alguns grandes jornais mandam para casa seus melhores colaboradores e perdem, assim, boa parte da memória do próprio jornalismo, sob a justificativa míope e preconceituosa de que “são velhos demais”.

A Universidade de Harvard começa a adotar uma filosofia muito diferente e que bem poderia ser imitada por outras instituições educacionais e empresas: trazer para dentro de suas salas de aula e laboratórios líderes veteranos, competentes e experientes, com o objetivo inovador de pô-los em contato com a juventude.

Nova universidade

Tudo começou em 2005, num processo de reavaliação do papel da universidade e das eventuais necessidades de correção de rumos. Naquele momento, três professores da Harvard Business School levantaram uma questão fundamental: “Em que direção e de que modo deverá mudar a missão da universidade no século 21?”

Uma das respostas a essa pergunta sugeriu “que a academia abrisse suas portas aos adultos mais idosos, líderes experientes e lhes dessem as ferramentas para que eles pudessem mudar o mundo”.

Daí nasceu o projeto denominado Iniciativa de Liderança Avançada (Advanced Leadership Initiative), já em seu terceiro ano. Em essência, o projeto começa com o convite a especialistas ou executivos, em final de carreira ou recém-aposentados, para que passem cerca de um ano no campus. Em 2011, cerca de 30 líderes veteranos foram admitidos no novo programa. A partir de 2012, entretanto, um número muito maior de líderes veteranos deverão participar.

É claro que, ao chegar à universidade, esses líderes precisam ambientar-se ou readaptar-se ao convívio acadêmico e, em especial, aprender a dialogar com os melhores alunos, motivá-los, orientá-los e com eles discutir grandes projetos. Outro objetivo desse convívio é descobrir vocações e estimular a criatividade dos jovens.

Como funciona

Os líderes que chegam à universidade passam a auditar e checar os resultados de um ou mais cursos e projetos oferecidos por Harvard, a fazer parte de think tanks e seminários e a participar regularmente de encontros com professores e estudantes. Embora muitos outros propósitos específicos da Iniciativa de Liderança Avançada ainda estejam em fase de consolidação, os resultados da abertura da universidade aos líderes veteranos já são considerados surpreendentemente positivos e animadores.

Em contrapartida à contribuição desses líderes veteranos que participam do projeto, a Universidade de Harvard atribui a cada estudante ou líder interno (fellow) o compromisso de desenvolver um projeto com propósito social, como, por exemplo, um plano que atenda a problemas relevantes das áreas de educação, saúde, ambiente e outras.

Mundo quer líderes

Para os três professores fundadores do projeto, o mundo precisa hoje de líderes capazes de enfrentar os desafios sociais, o primeiro dos quais é o fato de um grande número de adultos estarem hoje encerrando suas carreiras e com a perspectiva de viver mais 20 ou 30 anos. Uma educação superior mais avançada bem poderia dar a essas pessoas as habilidades e a direção que elas necessitam.

Um dos exemplos de desafio quase intransponível foi proposto por Doug Rauch, de 59 anos, ex-presidente de uma cadeia de mercearias. Sua projeto é combater o desperdício de milhares de toneladas de alimentos lançados diariamente no lixo nos Estados Unidos (e no mundo) por hotéis, restaurantes, supermercados e mesmo residências. O tema é tão complexo e representa um desafio tão grande que Rauch assim resume o ponto em que o projeto se encontra: “Até agora, não sabemos exatamente por onde começar. Mas já temos algumas ideias realmente inovadoras.”

Terceiro estágio

Para esses idealizadores da Iniciativa de Liderança Avançada, a nova experiência representa em síntese, uma espécie de “terceiro estágio” a serviço da educação superior.

Há diversas visões do significado desse terceiro estágio. Uma delas nos sugere que a vida de todo líder veterano é uma sequência de três estágios: o da formação, o da longa experiência e o da pós-experiência. Mas a sociedade não aproveita o terceiro estágio, muitas vezes confundido com simples aposentadoria ou inatividade.

Em quase todo o mundo, governos, empresas e universidades têm jogado no lixo esse terceiro período da vida de seus melhores profissionais, que é o da pós-experiência, mandando para casa administradores, cientistas ou líderes lúcidos, saudáveis e, mais do que tudo, altamente experientes e especializados que ainda poderiam dar preciosa contribuição à formação de milhares de estudantes e ao aprimoramento intelectual de jovens professores e profissionais, ao transmitir o que de melhor a vida profissional lhes ensinou.

Para mais informações sobre o tema, acessar o link específico (www.advancedleadership.harvard.edu).

 

O exemplo de Alencastro

3 de dezembro de 2011 | 23h17

Ethevaldo Siqueira

O Brasil perdeu na última terça-feira um de seus mais admirados administradores públicos: o general José Antonio de Alencastro e Silva, criador do Sistema Telebrás e presidente da empresa holding durante 11 anos, em seu período áureo, ou seja, de 1974 a 1985. Dos 93 anos que viveu, mais de 50 foram dedicados às telecomunicações.

Gaúcho de Santana do Livramento, onde nasceu a 14 de abril de 1918, Alencastro formou-se no curso de engenharia de telecomunicações do IME–Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Competência profissional e probidade eram suas qualidades principais, reconhecidas, ao longo de sua vida, até por adversários.

Acompanhei sua vida nos últimos 40 anos e não teria o menor constrangimento em afirmar que, em especial por sua contribuição na área de comunicações, o trabalho de Alencastro se equipara ao do marechal Rondon. Na verdade, raros brasileiros deram contribuição tão significativa quanto ele ao processo de modernização e de institucionalização das telecomunicações do País. Tanto assim que passou a ser chamado de “General das Telecomunicações”.

Aposentado em 1995, impôs a si mesmo silêncio total em relação aos temas mais polêmicos da política setorial, recusando-se até a conceder entrevistas sobre o setor que dirigiu. Só nos últimos anos abriu exceção aos amigos mais próximos – privilégio de que usufruí – para confessar seu profundo desencanto com o desempenho do modelo estatal que, ele mesmo, havia ajudado a criar.

Em caráter totalmente pessoal, desabafou com tristeza, em seus últimos dias: “Tudo que vi ao longo de mais de 50 anos me comprova o doloroso fracasso do Estado como gestor ou operador de telecomunicações. E pior: a máquina pública vai ficando a cada dia mais aparelhada, assaltada e dominada por corruptos e incompetentes. Diante desse quadro, só nos resta privatizar tudo.”

Vida simples

Visitei Alencastro algumas vezes em Brasília, na modesta residência em que viveu nos últimos anos. Pude, então, testemunhar a simplicidade em que vivia em seu retiro doméstico, sobrevivendo com a aposentadoria de general-de-brigada reformado, depois de ter administrado bilhões de reais de investimentos públicos por algumas décadas.

Entre os anos 1950 e 1980, esse brasileiro admirável teve atuação destacada no setor de telecomunicações, primeiro como representante das Forças Armadas junto ao governo federal nessa especialidade. Em seguida, participou da comissão que elaborou, em 1954, o anteprojeto do Código Brasileiro de Telecomunicações, que se transformou na Lei 4.117, que acabou com a estagnação do setor.

A vida de Alencastro foi inteiramente dedicada às telecomunicações, com destaque para a implantação e a consolidação do modelo Telebrás. Participou em 1972 do processo de criação da holding das telecomunicações, da qual foi seu segundo presidente, sucedendo ao comandante Euclides Quandt de Oliveira. Em sua gestão, foram criadas as Teles ou empresas-polo, uma para cada unidade da Federação.

       No início de sua longa carreira, Alencastro foi um dos primeiros especialistas em tecnologia no Brasil, tendo atuado como engenheiro da Chesf–Centrais Hidroelétricas do São Francisco no período de 1954 a 1956, envolvido no projeto e na fabricação de equipamentos de comunicações, que, acoplados aos cabos de alta tensão, foram usados no tráfego entre subestações.

Conhecido por seu espírito inovador, deu contribuição decisiva para a realização de diversos projetos de modernização do setor, na antiga Cetel–Companhia Estadual de Telefones, do Rio de Janeiro, na Telemig, em Minas Gerais, e na própria Telebrás.

Os anos na Telebrás

Como presidente da holding das telecomunicações, Alencastro deu inicio à implantação do Sistema de Planejamento e Controle, ferramenta básica para o sucesso do setor estatal no País. Para ele, a interiorização das telecomunicações era a grande prioridade social da Telebrás e, em sua gestão, levou a telefonia a todos os municípios brasileiros. A rede brasileira saltou de 2,6 milhões para 10,8 milhões de linhas telefônicas instaladas no País, entre 1972 e 1992.

Apaixonado pelas novas tecnologias, deixou para o País um dos maiores centros especializados dessa área, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) da Telebrás, em Campinas, onde foram desenvolvidas tecnologias de ponta, como fibra óptica, a modulação por código de pulsos (PCM), estação receptora de satélite e a família de centrais Trópico, de comutação telefônica digital.

Visão social

As preocupações sociais de Alencastro talvez tenham nascido em sua infância pobre e cheia de dificuldades. Seu pensamento socialista, no entanto, foi o pretexto para ser vetado nos tempos da ditadura pelo antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), nas duas oportunidades em que foi cogitado para ocupar o Ministério das Comunicações, nos governos Médici e Geisel.

“Desde pequeno, quando tinha sete anos, – contou-me ele – sempre achei que a riqueza no mundo é mal distribuída. Certos dias, em minha infância, deixava de tomar leite de manhã porque não tinha dinheiro. Minha mãe, viúva de militar, com uma pensão muito baixa, costurava oito túnicas por semana e fazia de dez a doze quilos de doce por dia, para vender.” 

 

 

O universo é o espetáculo

26 de novembro de 2011 | 9h47

Ethevaldo Siqueira

Com o documentário da Nasa sobre o telescópio espacial Hubble, em blu-ray 3D, tenho diante de mim um cenário totalmente novo para meus olhos: o universo pontilhado de bilhões de estrelas e galáxias. É uma experiência única que nos dá a sensação de imersão total no espaço cósmico. O documentário Hubble 3D, filmado com a tecnologia de cinema Imax, por cinegrafistas-astronautas a bordo do ônibus espacial Atlantis, em sua missão STS-125, em 2009, registra os trabalhos de atualização do Hubble e mostra as melhores imagens do universo captadas diretamente do telescópio espacial. É a mais bela aula de cosmologia a que já assisti.

O documentário, que já foi exibido recentemente em projeções de cinema digital Imax tridimensional, em São Paulo, chegou há pouco ao mercado brasileiro, em blu-ray 3D. Por sorte, consegui adquirir um exemplar do disco e comecei a curtir seu conteúdo. Não me canso de contemplar galáxias tão originais como as Nebulosas de Hélix (Olho de Deus), da Águia ou a do Rato, verdadeiros berçários de estrelas, quásars, pulsars, cometas e muitos outros corpos celestes.

Nebulosa Hélix ou o “Olho de Deus” em foto do Hubble (Foto NASA)

Se você, leitor, tiver a oportunidade de ver o filme nos cinemas brasileiros, não perca essa oportunidade. Se encontrar o blu-ray 3D, compre-o porque vale a pena, tanto para você como para seus filhos. Existe outro documentário da Nasa tão fascinante quanto o Hubble 3D, também disponível em blu-ray 3D e Imax: é o da Estação Espacial 3D.

Viagem ao cosmos

O documentário Hubble 3D foi patrocinado pela Nasa, produzido sob a direção de Toni Myers e narrado por Leonardo di Caprio. O diretor Myers disse sua experiência foi equivalente a uma viagem às estrelas, com a coleta de uma massa incrível de dados sobre os pontos mais distantes do universo, galáxias de todos os tipos possíveis e imagináveis e cenas do nascimento de alguns sistemas solares.

Nosso conhecimento do Universo se amplia a cada dia. Só com as fotos e informações obtidas pelo Hubble depois de um ano de atividade, a astronomia havia acumulado mais informações do que em toda a história anterior a 1990.

Ao longo de mais de 21 anos, o Hubble tem sido a grande porta de acesso da ciência ao universo, seja registrando o nascimento e a morte de estrelas, seja proporcionando uma visão muito mais completa e profunda de um conjunto de pelo menos duas mil galáxias, em vários estágios de evolução. 

Buracos negros

Uma das mais interessantes contribuições do Hubble foi permitir aos cientistas o esclarecimento de algumas questões básicas sobre os buracos negros, cuja existência foi confirmada cientificamente pelo telescópio espacial. Até os anos 1980, era apenas uma hipótese ou conjectura. Hoje sabemos que todas as galáxias têm um buraco negro no centro. A única dúvida dos astrônomos é parecida com o paradoxo do ovo e da galinha: “Quem veio primeiro: o buraco negro ou a galáxia?”

Um buraco negro devora incessantemente gigantescas quantidades de matéria. A força gravitacional que gera é tão grande que nada escapa à sua atração. Até a luz que passa nas suas vizinhanças é capturada e engolida.

Mil benefícios

Além da descoberta de milhares de galáxias e outros corpos celestes, a contribuição do Hubble ao longo de mais de 21 anos no espaço é traduzida em milhares de benefícios diretos à humanidade, como, por exemplo:

a) Na área de microeletrônica, com os dispositivos CCDs (de charged-coupled devices) que revolucionaram a fotografia digital.

b) Na medicina, a ultrassonografia, que permite diagnósticos muito mais precisos de dezenas de doenças.

c) Nos novos instrumentos de observação astronômica.

d) Na área industrial, no aprimoramento de turbinas de vento e nos sistemas de purificação do ar, que eliminam os micróbios patogênicos e ajudam a preservar os alimentos.

Webb, o sucessor

O sucessor do Hubble será o telescópio espacial James Webb, que já está sendo construído e custará US$ 5 bilhões. Sua órbita será localizada entre a Lua e a Terra, numa distância muito maior do que a do Hubble, num ponto em que a atração gravitacional da Terra, da Lua e do Sol se anulam, numa órbita denominada L2.

Se tudo correr bem com os orçamentos da Nasa, o telescópio espacial Webb deverá ser posto em órbita no final de 2013, por um foguete Ariane 5, a partir da Base de Kourou, na Guiana Francesa, num projeto de colaboração internacional entre a Nasa, a Agência Espacial Européia e a Agência Espacial Canadense. O nome do telescópio é uma homenagem a James Webb, administrador da Nasa, na primeira fase do Projeto Apollo, de 1961 a 1968.

O espelho principal do Webb, ultraleve, de berílio, terá 6,5 metros de diâmetro e distância focal de 131,4 metros. Suas 4 câmeras infravermelho ultra avançadas lhe permitirão coisas tão ambiciosas como identificar e fotografar objetos nos confins do universo, a 13 ou 14 bilhões de anos-luz de nós, como as primeiras galáxias ou objetos luminosos, formados logo após o Big Bang.

O telescópio espacial Webb poderá ainda fornecer dados essenciais sobre o modo de formação e evolução das galáxias, o nascimento de estrelas, as propriedades físicas e químicas dos sistemas planetários e pesquisar o potencial para formação da vida naqueles sistemas.

Blogs do Estadão