A escritora e ilustradora Eva Furnari lançou recentemente o livro Marilu, criado há 11 anos. Para a reedição, ela conta ter preservado os desenhos e modificado um pouco o texto. O assunto é tema de reportagem que publico hoje no Caderno 2.
Abaixo da página, vocês podem conferir trechos da entrevista que fiz com ela. Na conversa, Eva fala mais do que o livro: fala sobre a vida.
A seguir, a entrevista:
Mais de dez anos depois de ser lançado, Marilu volta a ser editado. O que mudou no livro desde a primeira edição?
Eu mexi principalmente no texto. A edição é bem antiga, foi escrita 11 anos atrás. A história é exatamente a mesma, mas a gente muda depois de tanto tempo, amadurece. A própria história amadurece. As ilustrações não mudaram. Fiz alteração apenas na capa.
Nesse processo de republicação da sua obra pela editora Moderna, a senhora decidiu não reeditar alguns títulos. Por que a senhora tomou esta decisão?A Moderna me convidou para ser autora exclusiva e fui aos poucos tirando os livros das outras editoras. Quando isso acontece, revejo os textos, as ilustrações. Foram quase dez livros em três anos, e Marilu é o último a ser reeditado. Decidi não republicar 14 livros, escritos principalmente na década de 80 e alguns nos anos 90. Grande parte, metade deles, são livros que não satisfazem mais os leitores. Hoje eles são mais exigentes, querem uma história mais bem acabada. Percebemos uma evolução estética e de conteúdo. Nos anos 80, fazíamos livros muito curtos. Eu poderia até juntar três ou quatro histórias e publicá-las em um livro, mas decidi não reeditá-las.
Como foi o processo de criação de Marilu?
A questão da criação é sutil, difícil de explicar. Se passaram muitos anos, eu me perco um pouco nas lembranças. Hoje, com o computador, é mais fácil identificar a origem, o processo de criação. Às vezes, a ideia do livro surge depois do décimo passo. Na época não produzia no computador, por isso é mais difícil.
Para mim, a criação não é racional. Não é “vou falar do mau humor” e vou buscar uma ideia. Às vezes é uma coisa pessoal, algo que acontece na minha vida. Trato de questões do ser humano, de sentimentos. A diferença é que na literatura infantil utilizamos uma linguagem diferente, mas as questões são as mesmas.
Estou republicando Marilu no momento em que revisito essas questões. O olhar às vezes está próximo da realidade, mas outras vezes não. Tudo depende do ponto de vista. Podemos perceber e encaram a vida de formas diferentes. Precisamos cuidar do próprio olhar e não acreditar que tudo o que vemos é daquele jeito. Marilu vê tudo em cinza, é uma forma simbólica de viver. A gente pode alterar o nosso olhar. Às vezes temos uma infância ruim e isso afeta de forma significativa a maneira como encaramos a vida. Passamos a ver a vida de forma negativa, é como um mau hábito; o bom é que ele pode ser modificado. Experiências negativas podem viciar o nosso olhar, mas podemos decidir mudar.
A senhora não utiliza um discurso moralista para transformar a personagem, mas sim o humor. São seres mágicos, bem humorados, que fazem Marilu mudar. É isso que atrai tanto as crianças?
De uma forma simbólica, ela encontra personagens mágicos, mas, pricipalmente, ela quer mudar. Tento fazer isso com a minha própria vida. O humor, a estética, a poesia abrem portas da alma, do coração. Você pode chegar na pessoa de uma maneira mais leve. Todo mundo quer uma vida mais leve. Não fui sempre assim, mas fui me desenvolvendo. Com o excesso de exigências, as crianças podem se fechar. Crescer é difícil, há conflitos. Mas a arte e a poesia nos ajudam na vida. A literatura também tem este papel.
O que é um bom livro infantil?
É aquele que chega na criança. Tem que ter uma boa história, tem de ter a ver com a criança, com o jovem, tem de despertar a curiosidade humana, ser adequada para a faixa etária. Acho que o escritor tem que ter dois lados: um de sensibilidade artística, saber lidar com as imagens, mas também é preciso compreender a lógica. Um escritor sem lógica não faz boas histórias.
O caderno Sabático, do Estado, traz hoje uma matéria sobre a única obra do escritor irlandês James Joyce dedicada ao público infantil. Como conta a repórter Maria Fernanda Rodrigues, O Gato e o Diabo terá duas versões brasileiras.
Da carta escrita por James Joyce ao neto Stephen no dia 10 de agosto de 1936, em Vilers-Sur-Mer, nasceu o único livro infantil autorizado pela família do escritor – O Gato e o Diabo. Duas diferentes edições estão a caminho das livrarias brasileiras. A versão da Cosac Naify, cujo lançamento ocorre hoje, tem tradução de Lygia Bojunga e ilustrações de Lelis. Já a versão da Mompracem, nova editora da Iluminuras, está prevista para agosto e terá tradução de Dirce Waltrick do Amarante e ilustrações de Michaella Pivetti. Na obra, o Diabo, que fala francês com sotaque dublinense, tenta fazer um pacto com o prefeito de Beaugency, Alfred Byrne: ele constrói a ponte de que a cidade tanto precisa e o primeiro a cruzá-la dará sua alma a ele. Mais esperto que o Diabo, o prefeito manda um gato no lugar de um cidadão. Sentindo-se ameaçado pelo balde d’água nas mãos de Byrne, o gato não tem outra opção a não ser se aninhar no colo do Diabo.
Capas dos livros que dão início à série Proibido para Adultos – Tudo o que Você Sempre Quis Saber
Não é literatura, mas é um sensacional estímulo para ler. Crianças curiosas em conhecer Londres, Paris, Roma ou Nova York vão amar. E nós, adultos, também.
Os quatro livros da série Proibido para Adultos - Tudo o que Você Sempre Quis Saber, da Lonely Planet, publicados pela Globo Livros, apresentam a história e a cultura dessas cidades com textos curtos e bem-humorados, muitas fotografias e desenhos.
Na edição sobre Londres, por exemplo, há informações sobre pessoas célebres e abomináveis, lugares assustadores, acontecimentos sinistros, pratos bizarros, artistas, o movimento punk e, é claro, a família real. As principais atrações turísticas são contempladas, e há destaque para o poeta e dramaturgo William Shakespeare, a peste negra, a história do metrô e a Londres de Harry Potter.
Na edição sobre Paris, os leitores aprenderão sobre a construção da Torre Eiffel. Há três fotografias sobre diferentes momentos da obra, todas de 1888, informações curiosas. Vocês sabiam que a estrutura da torre é presa por 2,5 milhões de parafusos? O livro da cidade do amor também revela a alimentação parisiense, as catacumbas, Asterix, o Rio Sena e o impressionismo.
Difícil agora vai ser segurar a molecada… Aproveitem!
Serviço
Proibido para Adultos - Tudo o que Você Sempre Quis Saber
Editora: Globo Livros
Escritor: Klay Lamprell
Preço: R$ 34,90 (cada título)
Era Uma Vez Três Velhinhas…, de Anna Claudia Ramos, nasceu para homenagear Marina, Mercedes e Virgínia, para falar da vida. Mas, com muita delicadeza, a autora trata também da morte.
O livro conta a história de três velhinhas que queriam continuar meninas, compartilhando generosidade e carinho. O tempo, porém, é inexorável…
Nas mãos do ilustrador Alexandre Rampazo, as três velhinhas ficaram divertidíssimas. Adoro especialmente a imagem da Marina sobre uma pilha de livros, na ponta dos pés.
Leia, a seguir, trechos da conversa com Anna Claudia:
O que surgiu primeiro: as personagens ou o tema?
As personagens. Escrevi a história numa tarde, num dia em que estava chateada. Pensei em fazer um livro para homenagear três pessoas que foram muito importante na minha vida – a minha avó Gigi (Virgínia); a Marina, bibliotecária com quem comecei a trabalhar; e a Mercedes, com quem também convivi bastante. Minha avó, aos 94, perguntava: “O que vai ser de mim quando a velhice chegar?”. Para ela, velhice era não conseguir se locomover, perder a independência. Ela morreu aos 104 anos.
No livro, você fala da morte com muita delicadeza…
É engraçado o rumo que um livro toma. Não escrevi para falar de morte, essa não foi a minha intenção. Queria tratar da vida, homenagear essas velhinhas.
Serviço:
Era Uma Vez Três Velhinhas…
Globo Livros
Escritora: Anna Claudia Ramos
Ilustrador: Alexandre Rampazo
Faixa etária indicada: 4 a 7 anos
Preço: R$ 28
2013
2012