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‘Breve História de um Pequeno Amor’: o laço entre uma escritora e um pombo

Bia Reis

10 julho 2014 | 12:56

O livro venceu o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) deste ano na categoria Criança Hors-Concours e recebeu o selo de Altamente Recomendável

Sabe quando você se apaixona por um livro logo nas primeiras linhas, antes de virar a primeira página? Pois foi o que aconteceu com Breve História de Um Pequeno Amor, da escritora Marina Colasanti e da ilustradora argentina Rebeca Luciani. O livro venceu recentemente o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) deste ano nas categorias Criança Hors-Concours e recebeu o selo de Altamente Recomendável.

O livro começa com uma infiltração no escritório de uma escritora, que é quem narra a história, em primeira pessoa. Para resolvê-la, ela contrata um profissional que sugere a retirada das telhas para fazer a impermeabilização. Quando parte das telhas é retirada, surge um ninho; do ninho, uma pompa; e, embaixo da pomba, dois filhotes.

“Coisa mais feia é pombinho que nasceu há pouco. A pede escura, frouxa, sobra no corpo como pijama de irmão maior.
Penas, nem pensar. As asas pequenas, a barriguinha gorda, as costelas aparecendo, as veias, ou o que seja que vai azulando por baixo da pele, tudo parece ainda por terminar. Mas o pior é a cabeça. Grande demais para o corpo – acho que combinaria com a pele se o esqueleto todo fosse maior -, desequilibrada sobre o pescoço magro, com um bico fino e comprido e dois olhos enormes, dois olhos saltados chegando à vida antes de todo o resto, ansiosos e meio cegos.

Assim eram os dois. E eu os amei imediatamente.”

Logo surge o primeiro desafio: como alimentá-los? Com papa de fuba dada na ponta de um palito de fósforo, ela descobre. Transposto o obstáculo, o mais frágil morre, e a escritora passa a se dedicar ao mais forte. Seu marido ajuda na escolha do nome: Tom.

Tom cresce, a pele se ajusta ao corpo, as asas engordam e as penas começam a aparecer. A escritora leva o filhote para uma casa nas montanhas, para tentar despertar sua relação com a natureza. Anda pela grama, bica hastes, cista e tenta bater as asas. Para alegria da “mãe”, consegue elevar-se um pouco acima do chão. Uma semana depois, o desenvolvimento do pombo é novamente festejado: ele consegue voar até uma pia.

A partir dai, o filhote começa a ensaiar pequenos voos, para alegria da “mãe”. Pousa sobre o ombro da escritora, dá leves bicadinhas, faz do espaldar de uma cadeira de terraço seu poleiro. Até que Tom passa sua primeira noite fora e começa a ensaiar voos mais longos. Expande suas fronteiras: deixa o espaldar e transforma o telhado em seu poleiro. Aos poucos, passa a se afastar ainda mais da casa, buscando sua própria natureza.

Os sentimentos descritos pela escritora são os de uma verdadeira mãe. Ela acompanha o primeiro voo como quem assiste o engatinhar de um bebê; deseja que o filhote se socialize, mas fica temerosa ao vê-lo interagir com outras aves; sente ciúme ao vê-lo se aproximar de uma fêmea; e sentimentos ambíguos em relação ao seu crescimento e seu desejo de liberdade.

Breve História de Um Pequeno Amor fala de amor, maternidade e do quão difícil – e prazeroso – pode ser acompanhar o desenvolvimento dos filhos.

As ilustrações de Rebeca parecem feitas sob medida para o texto de Marina. Com seus tons marrons e alaranjados, a ilustradora conta um final não revelado pela escritora, em harmonia encantadora.

Serviço
Breve História de Um Pequeno Amor
Escritora: Marina Colasanti
Ilustradora: Rebeca Luciani
Editora: FTD
Preço: R$ 36,60

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