Desde criança, a bióloga Nurit Bensusan ficava intrigada com a questão colocada pelo poeta chileno Pablo Neruda em seu Livro das Perguntas: “Quanto dura um rinoceronte depois de ser enternecido?”. Quando estava na faculdade, a pergunta voltou a instigar sua curiosidade até que, dois anos atrás, Nurit resolveu enfrentá-la.
“Queria uma resposta biológica e ambiental”, conta a escritora. Desse processo nasceu Quanto Dura Um Rinoceronte?, livro recém-lançado pela Editora Peirópolis.
Nurit trata do risco de extinção dos rinocerontes e dos esforços para preservá-los. E pergunta: “Quanto será que dura um rinoceronte quando se sente solitário?”. Também mostra a importância do chifre para o animal e o uso que os homens fazem deles.
Com mais informação do que poesia, Nurit estreia com um livro que é, na verdade, um grito de socorro.
Serviço
Quanto Dura Um Rinoceronte?
Editora: Peirópolis
Escritora: Nurit Bensusan
Ilustradora: Taisa Borges
Preço: R$ 29
Capas dos livros que dão início à série Proibido para Adultos – Tudo o que Você Sempre Quis Saber
Não é literatura, mas é um sensacional estímulo para ler. Crianças curiosas em conhecer Londres, Paris, Roma ou Nova York vão amar. E nós, adultos, também.
Os quatro livros da série Proibido para Adultos - Tudo o que Você Sempre Quis Saber, da Lonely Planet, publicados pela Globo Livros, apresentam a história e a cultura dessas cidades com textos curtos e bem-humorados, muitas fotografias e desenhos.
Na edição sobre Londres, por exemplo, há informações sobre pessoas célebres e abomináveis, lugares assustadores, acontecimentos sinistros, pratos bizarros, artistas, o movimento punk e, é claro, a família real. As principais atrações turísticas são contempladas, e há destaque para o poeta e dramaturgo William Shakespeare, a peste negra, a história do metrô e a Londres de Harry Potter.
Na edição sobre Paris, os leitores aprenderão sobre a construção da Torre Eiffel. Há três fotografias sobre diferentes momentos da obra, todas de 1888, informações curiosas. Vocês sabiam que a estrutura da torre é presa por 2,5 milhões de parafusos? O livro da cidade do amor também revela a alimentação parisiense, as catacumbas, Asterix, o Rio Sena e o impressionismo.
Difícil agora vai ser segurar a molecada… Aproveitem!
Serviço
Proibido para Adultos - Tudo o que Você Sempre Quis Saber
Editora: Globo Livros
Escritor: Klay Lamprell
Preço: R$ 34,90 (cada título)
Em 1972, o lançamento de A Vaca Voadora, de Edy Lima (Edições Melhoramentos), foi apontado pelo Estado como fato que colocou, no Brasil, a literatura infantil no mesmo nível da produzida para adultos.
Na reportagem “No vôo da vaca amadurece a literatura infantil”, publicada em 7 de janeiro de 1973, no Suplemento Literário, o repórter Gilberto Mansur descreveu algumas das diferenças que havia entre a produção brasileira e a feita no exterior:
“Enquanto europeus e norte-americanos do nível de Milton Glaser, Seymour Chwast, Tomi Ungerer, Maurice Sendak, Ezra Jack Keats e muitos outros se dedicam regularmente a fazer ilustrações e textos para crianças, no Brasil, este gênero, considerado menor, chega às vezes a ganhar ares de atividade filantrópica ou de movimento de assistência social – uma tarefa para ser executada exclusivamente por senhoras idosas, que poderiam optar, por exemplo, entre fazer crochê, visitar obras de caridade ou escrever livros infantis.”
Hoje, o relato parece um tanto quanto preconceituoso, mas revela como, de fato, a literatura infantil era vista na década de 70 no País. Infelizmente, ainda tem gente que vê o gênero como algo menor. Já ouviram a expressão “livrinho de criança”?
O texto acima está em uma das 2,4 milhões de páginas que o Estado colocou na internet na semana passada. Trata-se da íntegra das edições publicadas desde 4 de janeiro de 1875, quando o jornal ainda se chamava A Província de São Paulo.
O endereço do Estadão Acervo é acervo.estadao.com.br.
Para quem ainda não conhece, o caderno Estadinho e a Livraria Cultura promovem aos sábados o Circuito Estadinho, um evento gratuito em uma livraria da rede, em São Paulo.
Amanhã, às 15 horas, haverá a contação de Obax e Achados e Perdidos, duas histórias que têm em comum a imaginação de seus protagonistas, levando crianças e adultos a passeios e aventuras por mundos fantásticos.
Serviço
Obax e Achados e Perdidos
Quando: Sábado, 26 de maio
Contadora: Kiara Terra
Onde: Shopping Villa-Lobos – Avenida das Nações Unidas, 4.777 – Pinheiros
Informações: (11) 3024-3599
A história da velhinha que morava em uma casa com uma mesa, duas cadeiras e uma jarra numa prateleirinha, de Julia Donaldson, mostra, de um jeito divertido, como modificar um ponto de vista.
Em Apertada e sem Espaço, a velhinha procura um sábio e conta sua aflição: “Nesta casa não há quase espaço, velho sábio, não sei o que faço!”. Então, ele sugere botar a galinha na sala de visita, depois o bode, então o porco e, por fim, a vaca. Já dá para imaginar o que acontece?
Julia Donaldson e o ilustrador Alex Scheffler trabalham juntos há dez anos, receberam inúmeros prêmios e pela primeira vez produziram um livro com rimas. São da dupla também O Grúfalo, O Filho do Grúfalo e Macaco Danado.
Serviço:
Apertada e sem Espaço
Editora Brinque-Book
Escritora: Julia Donaldson
Ilustrador: Alex Scheffler
Faixa etária indicada: 2 a 8 anos
Preço: R$ 26
No sonho, a gente pode ser qualquer coisa. E o que dizer então de um porquinho sonhador? Com técnicas diversas – pastel oleoso, giz aquarelável, caneta nanquim sobre cartão roller, papel rasgado, confetes em papel colorido e espelho, além de colagem –, Veridiana Scarpelli criou uma história fantástica que pode ser contada de milhares de maneiras.
No livro-imagem O Sonho de Vitório, o porquinho leva crianças e adultos para um mundo imaginário em que o leitor conduz a narrativa. Vitório pode ser um super-herói mascarado, um porco peladinho que adentra num mar assustador e sai… de uma história para outra e assim por diante.
Engana-se quem pensa que os livros sem palavras são apenas para crianças pequenas. São para elas, também. Mas não somente. Os livros-imagem são um convite à imaginação e à criatividade de quem estiver disposto a degustá-los.
“Um livro só de imagens é a possibilidade de infinita histórias. E todas estão ali. No caso do sonho, então, isso fica muito mais visível, porque a base de partida já não considera muito a verossimilhança dos fatos. A história não passa de um estímulo para o leitor entender o que quiser. Aliás, acho que entender não é uma boa palavra para isso. Não tem o que entender no sonho do Vitório. É só sonhar junto o seu sonho no dele”, conta a autora.
Serviço:
O Sonho de Vitório
Editora Cosac Naiy
Autora: Veridiana Scarpelli
Preço: R$ 35
Carmela Caramelo é uma senhora que se diverte com as próprias trapalhadas e tem hábitos um tanto quanto estranhos. Atrai as crianças com o cheiro dos doces que prepara, gargalha quando o leite é mais rápido do que ela e transborda no fogão, sorri quando se fere com a agulha que usa para fazer bonecas de retalhos. Mas também fica triste e sabe que, nesses momentos, é preciso saber esperar a tristeza passar.
Carmela Caramelo é a estreia da jornalista Cris Rogério, editora da revista Crescer, como escritora. Apaixonada por literatura infantil, ela escreve sobre o assunto desde 2005 e se tornou uma especialista no assunto.
Para compor Carmela, Cris buscou inspiração em várias mulheres que passaram pela sua vida: a avó, a mãe, outras avós e outras mães. “Queria fazer uma mulher amalucada, mas com um olhar poético sobre a vida, um olhar vivo”, conta.
Nas ilustrações de André Neves, Carmela se transforma a cada página, a cada característica apresentada pela escritora. “O André fez uma Carmela atemporal, que são várias mulheres ao mesmo tempo. Foi uma surpresa quando vi que, nas mãos dele, ela podia ser meio bruxa.”
Da imaginação do ilustrador, nasceu também um simpático gato preto que acompanha Carmela pelas páginas do livro. “Ele conta outra história a partir da história. Foi uma parceria de verdade.”
Para o futuro, Cris já pensa em outras história para sua Carmela. “Mas ainda estão só na minha cabeça.”
Serviço:
Carmela Caramelo
Editora Cortez
Escritora: Cris Rogério
Ilustrador: André Neves
Preço: R$ 28
Era Uma Vez Três Velhinhas…, de Anna Claudia Ramos, nasceu para homenagear Marina, Mercedes e Virgínia, para falar da vida. Mas, com muita delicadeza, a autora trata também da morte.
O livro conta a história de três velhinhas que queriam continuar meninas, compartilhando generosidade e carinho. O tempo, porém, é inexorável…
Nas mãos do ilustrador Alexandre Rampazo, as três velhinhas ficaram divertidíssimas. Adoro especialmente a imagem da Marina sobre uma pilha de livros, na ponta dos pés.
Leia, a seguir, trechos da conversa com Anna Claudia:
O que surgiu primeiro: as personagens ou o tema?
As personagens. Escrevi a história numa tarde, num dia em que estava chateada. Pensei em fazer um livro para homenagear três pessoas que foram muito importante na minha vida – a minha avó Gigi (Virgínia); a Marina, bibliotecária com quem comecei a trabalhar; e a Mercedes, com quem também convivi bastante. Minha avó, aos 94, perguntava: “O que vai ser de mim quando a velhice chegar?”. Para ela, velhice era não conseguir se locomover, perder a independência. Ela morreu aos 104 anos.
No livro, você fala da morte com muita delicadeza…
É engraçado o rumo que um livro toma. Não escrevi para falar de morte, essa não foi a minha intenção. Queria tratar da vida, homenagear essas velhinhas.
Serviço:
Era Uma Vez Três Velhinhas…
Globo Livros
Escritora: Anna Claudia Ramos
Ilustrador: Alexandre Rampazo
Faixa etária indicada: 4 a 7 anos
Preço: R$ 28
A Companhia das Letrinhas está completando 20 anos, com direito a festa, sessão de autógrafos com escritores e ilustradores, contação de história, show e oficinas de carimbo e desenhos. Quem mora em São Paulo não pode perder. Um monte de gente legal estará presente, como os escritores Illan Brenman, Heloisa Prieto e Sílvia Zatz e os ilustradores Mariana Zanetti e Fernando Almeida.
E tão legal quanto a festa é o lugar onde ela será realizada: no Museu da Casa Brasileira. Para quem não conhece, o museu é especializado em arquitetura e design, fica em uma mansão da década de 40 e tem um jardim maravilhoso. É um lugar privilegiado, com verde, no meio de São Paulo.
A entrada é gratuita e serão recolhidos brinquedos para doação.
Serviço:
Festa de 20 anos da Companhia das Letrinhas
Sábado, dia 19 de maio, das 10 às 16 horas
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705
Tel.: (11) 3032-3727
Fui uma criança colecionadora de livros. As livrarias eram parada obrigatória quando saia com meus pais. Naquela época, os livros infantis ficavam, em geral, num cantinho, escondidos. Eram bem mais simples e em número infinitamente menor. Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo e Ricardo Azevedo, entre outros, se dedicavam a escrever para crianças e pouco se apostava em autores estrangeiros ou novos nomes. Sem dúvida, era mais fácil escolher o que ler.
O mercado brasileiro de livros infantis e juvenis se sofisticou. Se a década de 80 foi marcada pelo boom da literatura para este público no Brasil, a de 90, pelo incremento da qualidade, agora vivemos uma ampliação desse mercado. Em 2010, dos 492 milhões de exemplares produzidos no Brasil, 26,5 milhões (5,38%) foram de livros infantis e 43,7 milhões (8,89%) de juvenis. Os números são expressivos se considerarmos que quase metade da produção é de didáticos, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Vivemos também um crescente interesse dos pais – e das crianças – pelo assunto. Nos fins de semana, as livrarias vivem cheias de meninos e meninas ávidos por novidades. Oferecem contação de histórias e uma série de atividades em que o foco é o livro. Autores desconhecidos dividem as prateleiras com os renomados, com edições igualmente caprichosas. Além dos livros tradicionais, há aqueles com uma infinidade de atrativos: uns contam histórias apenas com imagens, outros são interativos, têm pop-up, há os livros-brinquedos, com textura, música, cheiro!
O Estante de Letrinhas nasce neste cenário. A ideia é aproximar ainda mais pais, educadores, professores e interessados em geral da literatura infantil e juvenil. Apresentar lançamentos, ouvir autores e ilustradores de livros, reunir obras que abordam assuntos pertinentes às crianças (como medo de lobo, a relação com os pais, morte, separação, etc), mostrar como incentivar a leitura, experiências desenvolvidas nas escolas e atividades promovidas por livrarias e bibliotecas.
Escrevam, mandem sugestões, comentários!
2013
2012